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7 de setembro de 2014

EDUCAR: UMA ARTE AINDA DESCONHECIDA

 “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.” (Provérbios, 22: 6).

João Amós Comenius (1.592-1.670) em sua Didática Magna – Tratado da Arte Universal de Ensinar Tudo a Todos, no número quinze, nos diz textualmente: “Um dos primeiros ensinamentos, que a Sagrada Escritura nos dá, é este: Sob o sol não há nenhum outro caminho mais eficaz para corrigir as corrupções humanas que a reta educação da juventude.“ Como exemplo, ele cita o provérbio que transcrevemos acima.

Dizendo ele no número dezoito: “Cristo ordena que nós, adultos, nos convertamos como criancinhas, isto é, para que desaprendamos os males que havíamos contraído com uma má educação e aprendido com os maus exemplos do mundo, e regressemos ao primitivo estado de simplicidade, de mansidão, de humildade, de castidade, de obediência, etc. (...) Daí resulta que não há coisa mais difícil que voltar a educar bem um homem que foi mal educado. Na verdade, uma árvore, tal como cresce, alta ou baixa, com os ramos bem direitos ou tortos, assim permanece depois de adulta e não se deixa transformar.” 

Comenius, um estudioso da arte de educar, coloca a educação da juventude como a única forma de corrigir as corrupções humanas, colocando a criança como elemento central do processo educativo, ou seja, “antes que a árvore cresça muito e se encha de galhos.”

No final do século XVIII e início do século XIX, Johann Heinrich Pestalozzi - (1746-1827), apresenta um ensaio pedagógico onde procura traçar as linhas gerais que deveriam ser seguidas com o objetivo de fazer da criança um adulto bom, no qual trata dos princípios para evitar que a criança se torne má, e que tem como pressuposto básico a crença na bondade natural do homem.

Segundo Pestalozzi, o mecanismo da natureza segue uma marcha elevada e sensível em toda a sua extensão: “o homem imita-a!” Todo o ulterior desenvolvimento espiritual da pessoa se baseia no vínculo natural (ou “animal”) entre filho e mãe. Por isto ele insiste na influencia da família como fator de educação.

Para ele, o professor, e muito antes o pai e a mãe atuam como educadores, ocupam uma posição especial no ponto de encontro, entre o desejo sensível e a razão social na criança. Pestalozzi considerava a educação como um processo que devia seguir a natureza, a liberdade, a bondade inata do ser humano, unindo mente, coração e mãos. A educação consistia, assim, no desenvolvimento moral, mental e físico da natureza da criança, de todas as crianças, independentemente de suas condições sociais.


Pestalozzi entendia que a criança se desenvolve de dentro para fora como, naturalmente, a semente se transforma em uma árvore; seus impulsos são inatos. Assim, toda a instrução educativa deve ser extraída das próprias crianças e nascer dentro delas. Assim, O método de toda educação consiste em um princípio muito simples: seguir a natureza.

Coerente com o que pensava, no início do século XIX Pestalozzi inicia uma experiência bastante exitosa, em Iverdon-Suiça onde, durante cerca de vinte anos, desenvolveu suas ideias sobre a educação chamando atenção de toda a Europa para o seu método. Muitos pais enviaram seus filhos para o seu Instituto, dentre eles um inteligente jovem Francês, nascido em Lyon, Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), foi enviado para lá por seus pais.

Não se tem com exatidão em que ano isso aconteceu, entretanto, considerando-se que, naquela época, somente após os oito ou dez anos de idade é que as crianças eram mandadas para a escola na França, é possível que a ida do jovem Rivail para Iverdon tenha acontecido por volta de 1814, lá permanecendo, possivelmente até por volta de 1822, com dezoito anos completos.

Retornando para a França, o jovem Rivail passou a se dedicar ao magistério e aos estudos sobre a educação, assim é que, aos vinte anos de idade (1824) lançou sua primeira obra nessa área com o título: Curso Prático e Teórico de Aritmética segundo o método de Pestalozzi, para uso dos professores e mães de família, essa obra fez grande sucesso na França sendo reeditado por várias décadas.

Os estudos e prática do professor Rivail em Paris, aliados ao seu aguçado senso de crítica e observação, o levaram a publicar um Plano Para o Melhoramento da Instrução Pública (1828), lançado no Brasil pela Editora Comenius sob o título Textos Pedagógicos.

Nessa obra o Prof. Rivail analisa em profundidade o assunto, concluindo que: A educação é a arte de formar os homens; isto é, a arte de fazer eclodir neles os germens da virtude e abafar os do vício; de desenvolver a inteligência e de lhes dar instrução própria às suas necessidades; enfim de formar o corpo e de lhe dar força e saúde. Numa palavra, a meta da educaçao consiste no desenvolvimento simultâneo das faculdades morais, físicas e intelectuais.

Quer nos parecer que o Prof. Rivail, ao dizer que “a educação é a arte de fazer eclodir nos homens os germens da virtude e abafar os do vício,” era como tarefa da família que ele estava pensando, deixando para a escola o mister de “desenvolver a inteligência e dar instrução própria às suas necessidades.” Podendo se identificar nessa conceituação do Prof. Rivail uma síntese das ideias de Comenius e Pestalozzi, concluindo que o alicerce sobre o a qual a escola desenvolverá o seu trabalho deve ser uma construção da família. O trabalho do Prof. Rivail dirigido para a educação continuou, com a publicação de várias obras voltadas para essa área, de 1831 a 1849.
A partir de 1854 sua atenção foi sendo gradualmente atraída para uma série de fenômenos que invadiram os Estados Unidos e a Europa, denominados de Mesas Girantes, e que também dominaram sua atenção até 1869, culminando com a publicação de O Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho Segundo O Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1869) dentre outras, e de 1858 a 1869 publicou um periódico mensal sob o título Jornal de Estudos Psicológicos (REVISTA ESPÍRITA).

A partir da publicação da obra “O Livro dos  Espíritos” ele passou a adotar o pseudônimo, Allan Kardec, esse livro é composto de 1019 perguntas formuladas por ele e respondidas pelos Espíritos que ele entrevistara, em diferentes lugares e por diferentes médiuns, estranhos uns aos outros, vindo a compor, juntamente com as demais relativas a essa área, o que ficou conhecida como a Cofificação Kardeciana, conhecidas como as obras básicas da Doutrina Espírita.

No Capítulo III, da parte segunda de O Livro dos Espíritos, que trata sobre a infância, na questão 383, Allan Kardec pergunta de forma especifica aos Espíritos, o seguinte: Para o Espírito, qual a utilidade de passar pelo estado de infância? E a resposta textual é a que segue:

“Encarnado, com o objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.”

Pela resposta acima, se analisada isoladamente, pode dar a entender que a tarefa de educar cabe à escola, através dos professores, no entanto, na resposta que os Espíritos deram à pergunta de nº 385, que é bastante extensa, nos dois últimos parágrafos, essa questão fica totalmente esclarecida, senão vejamos:

 “A infância ainda tem outra utilidade. Os Espíritos só entram na vida corporal para se aperfeiçoarem, para se melhorarem. A delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis aos conselhos da experiência e dos que devam fazê-los progredir. Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores. Tal o dever que Deus impôs aos pais, missão sagrada de que terão de dar contas. (Grifei)

“Assim, portanto, a infância é não só útil, necessária, indispensável, mas também conseqüência natural das leis que Deus estabeleceu e que regem o Universo.”

Conclusão a que chegamos:

“Cabe à família educar a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele!” (Provérbios, 22: 6).


Francisco Castro de Sousa – AMLEF – Cadeira 07.


PERDI UM GRANDE AMIGO E GANHEI UM GRANDE AMOR

Dia 29 de junho é o dia consagrado a São Pedro, Padroeiro dos pescadores. No Nordeste Brasileiro é um costume antigo comemorar-se esse dia com festas e acendimento de fogueiras, tanto na zona rural como na zona urbana, principalmente na véspera, do dia 28 para o dia 29.

Ainda adolescente, embora nascido na capital, aproveitava tais festividades para sair com os amigos e quem sabe dançar com uma das garotas pretendidas. Naquele dia 28 de junho de 1963, portanto, véspera do dia de São Pedro não foi diferente, fiquei até muito tarde, ora no sereno em volta da fogueira, ora no salão dançando com uma das garotas presentes. Longe estava de imaginar que, nos dias 29 e dia 30, dois fatos ocorreriam que iriam marcar de forma indelével a minha vida a partir de então.

O meu Avô, João Luís de Castro, já beirando os 100 anos de idade, com quem mantinha uma relação, não só de neto para avô e vice-versa, como também de duas almas com bastante afinidade, possivelmente de outras existências. Dormíamos em redes, um ao lado do outro no mesmo compartimento da casa modesta, sem luz elétrica e com piso de chão batido, onde quase sempre ficávamos conversando antes de dormir. Naquela noite do dia 29, ele procurava puxar conversa, mas o cansaço da noite anterior não me permitia avançar muito na prosa. Compreensivo ele disse, você tá muito cansado não é? Estou Vovô, respondi. Então vá dormir ele completou.

Lá pela madrugada, portanto, já no dia 30, acordei com um gemido alto do meu Avô, pulei da rede e amparei-o em meus braços, ainda meio aturdido perguntei o que foi Vovô? Ele não mais respondeu, deu um longo suspiro e deixou essa existência física. Muito parecido com o que ocorrera nove anos antes, quando eu havia sofrido a primeira grande perda nessa atual existência, com o falecimento do meu Pai, agora sofria outra, a do meu Avô e também o melhor amigo. Esse foi o primeiro dos acontecimentos marcantes aos quais me referi acima.

Naquela noite ninguém mais dormiu, ficamos todos muito abalados, minha Mãe e meus irmãos. Os vizinhos acorreram com o conforto da presença. Tínhamos que tomar as providências para o sepultamento, compra do caixão, abertura da sepultura e também o velório. Era um entre e sai de gente amiga, e amiga de amigos, todos nos traziam as condolências. Naquela manhã, já quase meio-dia, conheci uma jovem que também veio prestar a sua solidariedade, se tratava de uma das filhas de uma grande amiga da minha mãe.


Menos de dois meses depois, iniciei um namoro com aquela jovem que havia conhecido no velório do meu Avô, quase cinco anos depois casamos, tivemos quatro filhos, duas meninas e dois meninos, os quais já nos presentearam com cinco lindos netos, duas meninas e três meninos. Daquele início de tarde para cá, já se contam mais de cinquenta anos. O meu Avô me queria tanto bem, que se foi, mas deixou de presente o grande amor da minha vida. 

Francisco Castro de Sousa – AMLEF – Cadeira 07.