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21 de agosto de 2019

EdUECE na XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará

A Editora da Uece (EdUECE), dirigida pelo professor Erasmo Ruiz, está presente na XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, que acontece no período de 16 a 25 de agosto, no Centro de Eventos do Ceará.
Com diversas promoções, a Editora permanecerá no local até o último dia do evento. No estande, o público poderá encontrar obras de conhecimento científico, cultural e didático, produzido por professores e Programas da Uece, e de outras instituições.
UECE

Professor recria clássicos da literatura em álbuns de fotos

Isadora Neumann / Agencia RBS
Carlos Aliardi, à esquerda, com parte dos estudantes que participaram da atividade em 2018
Quando soube que ensinaria literatura aos estudantes do Ensino Médio da EEEB Prudente de Morais, de Osório, no ano passado, o professor de inglês Carlos Diego Aliardi, 30 anos, encarou como um desafio. Ele sabia que atrair a atenção de jovens hiperconectados para os clássicos do século passado exigiria mais do que apenas seguir as regras de leitura e produção de resumo. Aliardi buscou inspiração na própria graduação, concluída havia uma década. 
Como resultado, o professor conquistou o segundo lugar na categoria escola pública do sexto Prêmio RBS de Educação - Para Entender o Mundo. As inscrições para a sétima edição da premiação estão abertas até 12 de setembro. Idealizado pela  Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho  e pelo Grupo RBS, o prêmio destaca projetos de incentivo à leitura desenvolvidos nas escolas públicas e privadas do Estado.
Aliardi inscreveu-se na edição do ano passado depois de conseguir mobilizar as turmas com uma proposta incomum. Entre junho e julho de 2018, ele selecionou 15 livros importantes da literatura brasileira, dividiu em grupos o segundo ano do Ensino Médio e propôs aos alunos contarem em fotos a história lida. O projeto "Álbum Literário: a história em fotos" permitia que a montagem fosse feita a partir de recortes de imagens encontradas na internet ou a criação das próprias imagens, e dava dois meses para a conclusão. 
— De início, nos assustamos. Mas percebemos que seria um trabalho diferente de tudo o que já havíamos feito na escola — recorda Isadora de Souza Soares, 17 anos, hoje prestes a concluir o curso.
A estudante, ao lado de outros colegas, entre eles, Marcos Vinícius Marques da Rosa, também de 17 anos, selecionaram uma das obras máximas do Naturalismo, O Cortiço, de Aluísio Azevedo. O livro narra a saga de João Romão rumo ao enriquecimento ilícito, explorando os empregados e até furtando para atingir o objetivo de ficar rico. A amante dele, Bertoleza, é seu braço direito. 
Para dar veracidade às fotos, os alunos contaram com a ajuda da mãe de Marcos Vinícius, a bióloga Zeneida Marques, 50 anos, que costurou as roupas usadas pelos personagens. 
Fã dos livros de Harry Potter, Marcos interpretou Bertoleza. As fotos foram feitas na casa da família Marques e na escola. Por se tratar de uma história de época, os estudantes embeberam em chá preto as folhas do álbum, para dar um tom de envelhecido.

Isadora Neumann / Agencia RBS
Zeneida ajudou o filho e os colegas na preparação dos personagens de O Cortiço. Isadora Neumann / Agencia RBS
— Fomos nos envolvendo porque entramos na história e ela deixou de ser maçante. Fizemos o roteiro do que queríamos ver nas fotos e o resultado é que nunca mais esqueceremos de O Cortiço — revela Marcos Vinícius, apoiado por Isadora. 
Já o estudante Vinícius Martins, 18 anos, hoje também no terceiro ano, admite jamais ter gostado de ler. Quando obrigou-se a selecionar o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, motivado pelos demais colegas, entre eles, Gustavo Vaz, 18, Vinícius mudou a própria visão sobre a literatura brasileira. 

Isadora Neumann / Agencia RBS
Página do álbum de O Cortiço: Marcos Vinícius, de branco, interpretando Bertoleza. Isadora Neumann / Agencia RBS
— Para desempenharmos as cenas e vivermos o livro, tivemos que voltar no tempo. Fui me envolvendo, entrando no livro e começou a ficar muito legal, porque despertou a minha curiosidade — afirma Vinícius. 
Junto com Gustavo, os estudantes interpretaram os principais personagens e tomaram cuidado para não incluírem nas cenas objetos que não existiam na época em que se passa a história, como televisão e geladeira. 
— Foi uma grande sacada do professor trazer um recurso atual para contarmos algo muito distante da nossa rotina — completa Gustavo. 

Isadora Neumann / Agencia RBS
Capa do álbum do livro Quincas Borba: Vinícius, deitado, e Gustavo, de chapéu, interpretando os personagens. Isadora Neumann / Agencia RBS
O projeto da escola de Osório acabou inspirando docentes de outras escolas a também produzirem álbuns literários. Para Aliardi, investir em novos formatos de aprender, compreender e ensinar literatura são práticas necessárias para a constante formação de leitores. 
— O envolvimento dos alunos com o projeto foi algo fantástico — comemora o professor.
Aliardi revela ter outro projeto em andamento — desta vez, na disciplina de inglês — e que pretende se inscrever na edição deste ano no Prêmio RBS de Educação. 

Isadora Neumann / Agencia RBS
Professor Aliardi se tornou inspiração para outros docentes. Isadora Neumann / Agencia RBS

Replicação

A história de como foi realizado o trabalho na escola de Osório pode ser encontrada nos Cadernos de Replicação, uma espécie de cartilha com o passo a passo das ações desenvolvidas pelos projetos finalistas e vencedores da edição passada, disponível no site premiorbsdeeducacao.com.br. De acordo com a consultora de Comunicação e Projetos Sociais da Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, Amaralina Xavier, o prêmio possibilita visibilidade a educadores que nem sempre têm seus trabalhos e impactos reconhecidos. 
Nesta edição, cada um dos 20 finalistas será presenteado com um kindle, os vencedores do voto popular receberão premiação em dinheiro, haverá nova parceria com a Feira do Livro de Porto Alegre e, em conjunto com a editora LPM, cada escola que ficar em primeiro lugar receberá 200 livros. Os projetos inscritos serão avaliados em duas etapas. A primeira, feita pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Serão levados em consideração quesitos como contexto, inteligibilidade, pertinência, organização, profundidade, multiletramento, adequação, linguagem e resultados. Os 40 projetos mais bem pontuados passarão para a segunda etapa, quando serão selecionados os 10 finalistas de cada categoria, os vencedores e as menções honrosas. 

Isadora Neumann / Agencia RBS
A turma garante que foi o trabalho mais marcante desenvolvido na escolaIsadora Neumann / Agencia RBS

Saiba mais sobre a edição 2019

7ª Edição do Prêmio RBS de Educação
Inscrições: 1º de agosto a 12 de setembro, pelo site oficial premiorbsdeeducacao.com.br
Categorias: Escola Pública e Escola Privada
Menções honrosas para projetos que, por meio da leitura, debatam temas como Meio Ambiente, Cidadania, Gênero, Raça e Inclusão (Acessibilidade).
O site do prêmio também tem uma linha formativa, que oferece gratuitamente um curso online sobre Mediação de Leitura, destinado a profissionais que queiram aperfeiçoar suas práticas em sala de aula ou pessoas que queiram aprender sobre a prática.
A ferramenta traz informações sobre leitura e sobre o papel do mediador, apresentando estratégias de mediação para que todos os interessados possam refletir sobre as ações que desenvolvem, tendo subsídio para aprimorá-las.

A premiação

Escola pública
1º lugar: R$ 5 mil + 200 livros
2º lugar: R$ 3 mil
3º lugar: R$ 2 mil
Finalistas: R$ 1 mil
Voto popular: R$ 1 mil + entrada no Fronteiras do Pensamento
Escola privada
1º lugar: R$ 5 mil + 200 livros
2º lugar: R$ 3 mil
3º lugar: R$ 2 mil
Finalistas: R$ 1 mil
Voto popular: R$ 1 mil + entrada no Fronteiras do Pensamento
As cinco menções honrosas escolhidas pelo júri técnico receberão, cada, R$ 1 mil. Cada um dos 20 finalistas será presenteado com um kindle.

Como acessar os Cadernos de Replicação

* Os Cadernos de Replicação podem ser acessados gratuitamente no site do Prêmio RBS de Educação.
* É possível baixar o compilado sobre os 20 projetos finalistas da edição de 2018 do prêmio e também conferir o caderno específico de cada iniciativa.
* Qualquer pessoa pode ter acesso ao conteúdo, basta inserir o nome completo e um e-mail de identificação antes de baixar o material.

Fonte: GaúchaZH

Com atrações internacionais, Balada Literária Bahia 2019 começa nesta quarta (21)

Evento vai até o domingo (25) com rodas de conversa, lançamentos, saraus e performances artísticas

Grandes pontos que marcaram a história da literatura baiana formam o circuito percorrido pela quinta edição da Balada Literária Bahia 2019. O evento, que começa hoje e segue até domingo, explora a literatura através de uma programação que envolve palestras, mesas, peças de teatro e shows musicais.
“Uma balada é assim, as pessoas vão e conversam, se divertem. Nossa ideia é fazer isso com a literatura, colocar num plano menos plástico, da forma mais simples possível, fora do pedestal”, comenta o escritor e poeta Nelson Maca,  que divide a curadoria com o escritor pernambucano Marcelino Freire. A Balada, que é um desdobramento da festa homônima nascida em São Paulo, ainda acontecerá em Teresina,  uma semana após o encontro em solo soteropolitano.  
A temática deste ano aborda  a importância e a influência dos mestres  na construção do conhecimento. O escritor e filósofo pernambucano Paulo Freire (1921-1997) e a educadora Dona Cici, conhecida como Vovó Cici, são os homenageados. “Queríamos homenagear alguém que represente a Bahia, com um peso maior, que tenha a ver com a nossa cultura, nordestina e de negritude, por isso Dona Cici”, explica  Maca, acrescentando que ela tem um grande trabalho de educação popular. 
Grupo de rap Versus2 se apresenta na abertura do festival no Sarau Black(Foto: Divulgação)

A primeira noite do festival será inaugurada com o Sarau Black 2019, comandado pelo próprio Nelson, no Espaço Cultural da Barroquinha, às 19h: “A proposta tem como centralidade enaltecer a cultura negra. Desconstruir a questão racial e ampliar a arte na diversidade. O mesmo acontece com o sarau trans, que tem todos os convidados transexuais. Eles estão lá porque escrevem e cantam bem, porque tem um dom artístico”.
Além da Barroquinha, o evento se instalará em outros locais da cidade, como a Casa do Benin, no Centro Histórico, no Teatro Gregório de Mattos e na Fundação Pierre Verger, no Engenho Velho de Brotas. O curador Nelson reforça a importância da programação passar por esses pontos, que historicamente remetem à cultura baiana: “Estar em espaços, que são nossos, do povo, sabendo ocupar e dialogando com as gestões das casas torna tudo muito mais bonito. O público recebe as mensagens de forma mais intensa”, afirmou.
Escritor Marcelino Freire também está na programação (Foto: Divulgação)

A homenageada Dona Cici abre a manhã da quinta (22), às 10h, com um café da manhã na Casa do Benin, recebendo a escritora Cássia Vale e o produtor cultural e coordenador do espaço Chicco Assis para um bate-papo. 
Vovó, como é carinhosamente chamada, segue a proposta da homenagem a Paulo Freire, mas com uma característica “mais popular”, como Nelson destaca, por ser uma senhora negra e baiana, o que, mais uma vez, amplia o debate racial. No tarde domingo (25),  a partir das 15h, ela volta a participar do evento, num encontro na Fundação Pierre Verger, onte atua, com bate-papo, contação de histórias e show  com o grupo Canastra Real
Vertin Moura faz show no Teatro Gregório de Matos (Foto: Divulgação)

A festa também vai contar com presença internacional. Os escritores Valter Hugo Mãe, português, e Abdellah Taia, marroquino, chegam na cidade como  referências da literatura do mundo, se unindo às atrações mais populares do circuito.
“É um impacto mostrar essa diversidade, uma curadoria muito ampla. Mostra que é possível fazer um evento literário com os artistas da cidade, principalmente nesse momento difícil que a arte vem enfrentando”, lembra o curador. Abdellah estará na Casa do Benin na sexta, às 17h. E Valter  Hugo estará no Benin, às 16h, participando de uma mesa com o também escritor Marcelino Freire.

Programação completa
Quarta (21/08)
ESPAÇO CULTURAL DA BARROQUINHA (19h):
Sarau Bem Black: Lançamento da Revista Organismo número 7 e do livro Go Afrika,  de Nelson Maca; Pocket-Show da banda Versu2 (Rap)
Quinta (22/08)
CASA DO BENIN, NO PELOURINHO
10h Café da manhã com a homenageada Dona Cici,  
bate-papo e lançamentos. Participação de Cássia Vale e Chicco Assis
14h Milena Britto conversa com os escritores Lima Trindade, Nilson Galvão e Steban Rodrigues
15h30 Nelson Maca conversa Franciel Cruz, Marcio Bode e Marcus Gusmão
17h Milena Britto e Sarah Rebecca Kersley conversam com Marcelino Freire
 ESPAÇO CULTURAL DA BARROQUNHA:
19h TRANS/VERSAL – Sarau da Diversidade. Apresentação de Ed Marte e Sued Hosana
Sexta (23/08)
CASA DO BENIN
 9h às 12 h Curso de prosa, a partir do livro Torto Arado, vencedor do Prêmio Leya de Literatura, com Itamar Vieira Junior e Luciany Aparecida
14h Vera Lopes conversa com Fabiana Lima, Alex Simões e Sued Hosana
15h30 Alex Simões conversa com os escritores Denisson Palumbo, Rita Santana e Sérgio Bahialista
17h Simone Paulino conversa com o escritor franco-marroquino
Abdellah Taia
ESPAÇO CULTURAL DA BARROQUNHA:
19h Espetáculos teatrais Encruzilhada, com Leno Sacramento. Direção: Roquildes Júnior; e Se Deus Fosse Preto, com Sérgio Laurentino. Direção : Jean Pedro.
Entrada: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Sábado (24/08)
CASA DO BENIN
Das 9h às 12h Curso de prosa e de poesia com Marcelino Freire e Nelson Maca
ESPAÇO CULTURAL DA BARROQUNHA:
14h Chicco Assis e Nelson Maca conversam com Juraci Tavares, Miguel Marinho (PE), Pinduka e Vertin (PE)
16h Marcelino Freire e Ana Cristina Pereira conversam com Valter Hugo Mãe (Portugal)
TEATRO GREGÓRIO DE MATOS
19h Shows com Miguel Marinho, Vertin Moura e Juraci Tavares 
*Lançamento do clipe “Pássaro Só” de Vertin
Entrada: R$20 e R$10 (meia)
Domingo (25/08)
FUNDAÇÃO PIERRE VERGER
15h Encerramento com bate-papo com Dona Cici, mediado por Chicco Assis e Cássia Vale. Contação de histórias com Dona Cici e Cássia Vale 
17h Show: Brincante Canastra Real, com Pinduka & Canastra Real

Com orientação da editora Ana Cristina Pereira
Fonte: Correio 24 horas

Na Bienal do Livro, montagem une música e literatura a partir da obra de Ronaldo Correia de Brito


Parceria entre o escritor e o Grupo Estesia resulta num espetáculo mágico de imersão por letras, paisagens e sonoridades


É da natureza de Ronaldo Correia de Brito o gosto pelo inquietar-se. E se, a priori, o semblante pacato que carrega consigo não transparece a borbulha interna, as muitas atividades reunidas no currículo deixam entrever a pluralidade de suas ações. É médico, dramaturgo e escritor. Entre essas três áreas, faz mais: injeta em cada ato um desejo de mudança, a busca por novidade.
O trabalho que vai apresentar com o grupo ativista-musical recifense Estesia, às 19h, nesta quinta-feira (22), dentro da programação da XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, no Centro de Eventos, tem esse teor. Trata-se de um espetáculo cuja ideia é criar uma experiência musical e visual única, que provoque o público.
Intitulada "Estesia e Ronaldo Correia de Brito: A Cidade e os Livros", a montagem foi planejada especialmente para o evento e sela a parceria firmada entre os envolvidos.
"Tomás Brandão e Carlos Filho trabalham comigo em 'Baile do Menino Deus'. Sempre tive parceiros músicos, desde o início de minha carreira como artista, por conta dos meus espetáculos", explica Ronaldo.
"Investigo uma maneira de tornar o texto mais eficiente na conversa com o público. Cansei do modelo tradicional de mesa e resolvi mudá-lo, pelo menos em minhas apresentações. Miguel, Tomás e Carlos toparam a provocação e começamos esse formato de leitura com música", completa o cearense, natural de Saboeiro e radicado em Pernambuco, onde esteve pela primeira vez no ano de 1969.
O autor é uma das vozes mais intensas da literatura brasileira contemporânea, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura e tendo lançado, no ano passado, "Dora sem véu", destaque entre a crítica. Agora, com a nova empreitada, lança-se mais uma vez à seara cênica como forma de potencializar olhares sobre as artes - neste caso, munindo-se de música e literatura.
"Estou habituado a esses desafios. Sou muito inquieto, nunca estou satisfeito com o lugar que ocupo e invento maneiras novas de me expressar. Provoco novos artistas, trabalho com parceiros bem jovens. Eles me renovam e inquietam mais. Minha formação dentro dos brinquedos populares do Cariri cearense me transformaram num criador que só imagina espetáculos com música. Meus textos possuem ritmo. Eu os leio em voz alta como se lesse uma partitura", detalha Brito.
Parcerias
À frente das batidas eletrônicas e da guitarra, Tomás Brandão conta que "Estesia" é apresentado desde 2017, sempre interagindo com interlocutores de diversas linguagens artísticas.
Segundo ele, "nesses três anos de existência, já nos apresentamos com artistas como Bongar, Dielson Pessoa, Sofia Freire, Amaro Freitas, Luna Vitrolira, Grupo Magiluth, Irandhir Santos e Barro. Essas participações são formas de a gente se manter sempre repensando o espetáculo e estudando novas possibilidades de interação artística para a cena".
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O aspecto da luz é fartamente trabalhado, resultando numa experiência única de imersão. A narrativa sonora da montagem é composta de canções e leitura em voz alta de textos
Foto: Marina Sobral
Na noite de amanhã, então, a montagem possui a espinha dorsal do repertório do grupo Estesia, mas, desta vez, dialoga com contos e trechos de romances escritos por Ronaldo Correia de Brito, ao passo que conversa com a temática da Bienal cearense.
"Entendemos que essas conexões poéticas são construídas pelo olhar de Ronaldo e sua capacidade de contar histórias incríveis. Ao mesmo tempo, ele consegue selecionar textos que constroem uma narrativa muito interessante sobre a relação de cidades tão diferentes com a literatura e a poesia. Essas construções são reforçadas com a arquitetura cênica que fazemos com som e luz dentro do espetáculo".
Travessias
Os atravessamentos, de fato, são plurais, abarcando cenários urbanos como Buenos Aires, Crato, Berkeley, Saboeiro e Recife. Cada itinerário reflete as travessias profissionais e humanas de Ronaldo, e devem chegar à plateia com ares maiores.
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Ronaldo Correia de Brito: inquietação artística para novos mergulhos 
Foto: Saulo Roberto
Conforme o próprio autor, isso é justificado: houve uma descoberta da parte dele de uma trajetória possível pelas cidades mais incompatíveis que se possa imaginar.
"Fizemos esse trajeto como escritor e músicos. É incrível a unidade que alcançamos, partindo do lirismo e chegando a um realismo trágico", analisa.
Da parte de Tomás, o apreço pela criação conjunta também é forte. "Nosso trabalho envolveu a construção de uma narrativa sonora composta de canções, sonoridades eletrônicas e a voz de Ronaldo lendo ao vivo os textos. Isto tudo é pensado e planejado para ser encenado com luz no ambiente em que será realizada a apresentação".
Com ele, o cantor e compositor Carlos Filho, filho de cearense e outro integrante do Estesia (junto a Cleison Ramos e Miguel Mendes), destaca: "Nosso grupo faz política desde sempre. Nossas ações não são apenas performances, mas também intervenções políticas. O Brasil se tornou essencialmente urbano e o livro é o maior signo dessa resistência contra esse obscurantismo anti-conhecimento que nosso País vivencia", posiciona-se.
Por sua vez, Ronaldo Correia - que, pela Bienal, ontem (20), participou de encontro na Casa do Estudante e ainda deve integrar atividade num assentamento em Itapipoca e mesa intitulada "Os loucos da minha cidade", juntamente a Maria Helena Cardoso (CE) e Dina Salústio (Cabo Verde) - brada:
"Acho que os livros é que edificam as cidades, e esse é o tema do meu trabalho com o Estesia".
Serviço
Espetáculo Estesia e Ronaldo Correia de Brito: A Cidade e os Livros
Nesta quinta-feira (22), às 19h, no Centro de Eventos do Ceará (Av. Washington Soares, 999 - Edson Queiroz). Entrada gratuita.


Fonte: Diário do Nordeste

Exposição com fotografias sobre Cuba estreia na casa D’Alva

A mostra reúne 42 imagens dos 12 dias que o fotógrafo Demétrio Jereissati passou em Cuba

A exposição “Cuba 60” chega à Casa D’Alva nesta sexta-feira, 23, reunindo 42 fotografias de Demétrio Jereissati. As imagens foram feitas pelo fotógrafo em 2019, ano em que a revolução cubana - e o artista - completa 60 anos. A curadoria é assinada por José Guedes e Celso Oliveira.
A natureza, a arquitetura, a dinâmica das ruas já fascinavam o artista, mas os temas ainda não haviam sido abordados nas obras de Demétrio antes de Cuba 60. A exposição é o resultado da experiência do fotógrafo e engenheiro na ilha de Fidel, onde ficou por 12 dias no início deste ano.
Cuba 60
Cuba 60 (Foto: Demétrio Jereissati )

“Já tinha conhecido Cuba, e desta vez voltei pela dinâmica e riqueza de informações que existem lá. As ruas, a musicalidade, as cores me atraíram de volta e marcaram as fotos que estão na exposição”, relata Demétrio.
Cuba 60
Cuba 60 (Foto: Demétrio Jereissati )

O nome é uma junção de duas datas que envolvem a construção das imagens: os 60 anos da Revolução Cubana e os 60 anos de Demétrio. “Não tem um viés ideológico nem político, é apenas a visão que procurei trazer. Tentei captar momentos que mostram como é a vida lá, as ruas, os lugares”, explica.
Serviço
Abertura da exposição "Cuba 60"
Quando: sexta-feira, 23 de agosto a 12 de setembro
Onde: Casa D'Alva (rua João Brígido, 948 - Joaquim Távora)
Gratuito 
GABRIELLE ZARANZA
fonte: o povo

Há 30 anos, o Brasil se despedia de Raul Seixas: louco, visionário, roqueiro

Falecido no dia 21 de agosto de 1989, em São Paulo, já são 30 anos sem o excêntrico artista, conhecido pela sua originalidade, que também colocava nas letras de suas músicas

“Louco, visionário, roqueiro, cara-de-bandido, legítimo representante da geração beat no Brasil. Raul Seixas morreu de parada cardíaca ontem, em São Paulo”. Esta era a frase que, em 22 de agosto de 1989, anunciava a morte do cantor Raul Seixas em edição do O POVO à época. Falecido no dia 21 de agosto daquele ano, já são 30 anos sem o excêntrico artista, conhecido pela originalidade, que também colocava nas letras de suas músicas.
Capa do O POVO de 22/08/1989
Capa do O POVO de 22/08/1989 (Foto: REPRODUÇÃO)

A edição especial do Vida & Arte dedicada à Raulzito (alcunha carinhosa que recebeu no cenário musical) contava a história do multifacetado Raul Santos Seixas. Nascido em Salvador em 1945, a afeição do garoto pela música começou cedo, já na escola. Abraçaria a vida de artista anos depois, quando integrou a banda Os Panteras na década de 60. Em 26 anos de carreira, foram 17 discos lançados e uma vida com altos e baixos.
Capa do Vida &Arte com homenagem a Raul Seixas
Capa do Vida &Arte com homenagem a Raul Seixas (Foto: REPRODUÇÃO)

O artista passeava por muitas áreas. Era apaixonado por literatura, laço que se fortaleceria quando conheceu o escritor Paulo Coelho, parceiro em suas composições. O baiano cresceu ouvindo Luiz Gonzaga em sua cidade e costumava dizer que “o rock morreu em 59”. Ousado, misturou todas suas influências, de baião à country rock, às letras enigmáticas e místicas. Isso seria, inclusive, o que diferenciaria Raul dos demais artistas da época. Apesar das bandas e grupos que fizera parte, foi em disco solo, o Krig-ha, Bandolo! (1973), que Seixas implacaria sua carreira.
Foi também nessa época que o cantor teve seu primeiro contato com Paulo Coelho, escritor brasileiro. Raul e Paulo compuseram juntos canções de sucesso como “Gita” e “Eu nasci há dez mil anos atrás”. A dupla também criou a chamada Sociedade Alternativa, baseada nos princípios do bruxo inglês Aleister Crowley. Nesse momento, Seixas se aproximaria do ocultismo e misticismo.
Raul morreu na madrugada do dia 21 de agosto de 1989, aos 45 anos, depois de sofrer problemas hepáticos e renais. Ele foi encontrado em um Flat onde morava em São Paulo. Raul Seixas é considerado pai do rock brasileiro. Suas produções continuam ganhando notoriedade na música brasileira e fãs relembram com carinho o artista.
Clique na imagem para abrir a galeria
Confira abaixo as músicas mais marcantes da carreira de Raul Seixas
1 - "Maluco beleza"

2 - "Tente outra vez"

3 - "Metamorfose ambulante"

4 - "Aluga-se"

5 - "Gita"

6 - "Medo da chuva"

7 - "Cowboy fora-da-lei"

8 - "O carimbador maluco"

9 - "Eu nasci há dez mil anos atrás"

10 - "Ainda queima a esperança"

11 - “Como vovó já dizia”

12 - “O trem das sete”

13 - “Sapato 36”

GABRIELA FEITOSA
O Povo