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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

28 de fevereiro de 2019

É bem assim!

Por Carlos Delano Rebouça*
Vivemos, sim, uma sociedade de conhecimentos, onde impera o preconceito de se achar que uma profissão pode ser mais valorosa ou importante que a outra, nutrindo uma espécie de segregação de classes, muitas vezes definindo caracteres a partir das escolhas profissionais, seja por imposições da vida, seja unicamente por identificação.

Somos todos "peças de um jogo", quem sabe, como um xadrez, em que nos movimentamos ou em sua função somos movimentados em busca do sucesso, no qual cada uma com sua devida importância. Um sucesso que não é de um só – de alguém ou de ninguém –, e sim de quem tem humildade de entender que o “nós” é bem melhor de se dizer.

Todos temos algo a ensinar, a agregar de alguma forma para o crescimento da sociedade, para a edificação de um outro ser que não necessariamente se enxerga pelo espelho do egoísmo.

Deixamos nossas marcas, nossos feitos, nosso legado, nossos ensinamentos. Valorizemos, portanto, cada profissão existente, sem jamais transferirmos nossos mais indomáveis sentimentos, esses mesmos que maltratam e machucam sem escolher a quem, apenas pelo simples fato de se enxergar diferenças.
*Professor de Língua Portuguesa e redação, conteudista, palestrante e facilitador de cursos e treinamentos, especialista em educação inclusiva e revisor de textos.

Jejuns, lágrimas e gemidos

Padre Geovane Saraiva*
Pe. Geovane SaraivaO convite de Deus, pela voz da sua Igreja, nos vem para refletir sobre nossa realidade pecadora, não dentro de um olhar pessimista da contraditória existência humana, mas sim do Deus que quer abrir mentes e corações ao seu amor infinito. Ele exige de seus seguidores um compromisso franco, sincero e repleto de esperança, num grau de clareza, de tal modo que, se o pecado de Adão entrou no mundo – sendo causa de morte e escuridão –, a obediência de Cristo, o novo Adão, ocasiona-nos, segundo a promessa divina, a restauração do mundo, sendo ele mesmo remédio aos males da humanidade.

Resultado de imagem para quaresma Jejuns, lágrimas e gemidosQue os sinais da graça de Deus, pela caridade, pela oração e pelo jejum, neste início de Quaresma, permeiem nosso compromisso com o mesmo Deus, na comunidade dos batizados. A celebração da Quarta-feira de Cinzas nos diz: “Voltai a mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos, rasgando o vosso coração, e não as vossas vestes” (Jl 2, 12). Portanto, somos convencidos, evidentemente, de que a essência da conversão é, de verdade, um coração aberto, generoso e contrito, no qual se supõe um forte desejo de mudança, de vida interior.

Pensemos, pois, nas cinzas – matéria tão leve, mas que se dispersa num sopro – que são colocadas nas cabeças dos fiéis seguidores, que buscam Jesus de Nazaré! Elas nos revelam que não somos nada, como nos dizem as palavras do Livro Sagrado: “Minha existência, perante Ti, Senhor, é como um nada” (Sl 39, 6). Assim sendo, ante essa indizível verdade, o orgulho humano é convidado a declinar e a desfazer-se, transformando-se em fragmentos ou migalhas, na apropriação dos incomparáveis bens ou dons de Deus.

Comovidos por nossa própria humildade, oriunda de um Deus terno e afável, numa viva esperança, a Igreja convida os seus filhos, neste tempo favorável e de graça, a inclinar a fronte para acolher as cinzas, num visível sinal de humildade, num pedido de perdão pelos seus pecados e pelos de toda a humanidade, na certeza de que Deus quer a conversão interior dos irmãos de boa vontade, respondendo, não só com súplicas e louvores, mas, sobretudo, com o coração aberto, lembrando que todos são chamados a mergulharem no mistério do amor de Deus.

Nos caminhos do referido mistério, aplacados por nossas boas obras, é importante não prescindir da inclusão de tal prática para todas as pessoas necessitadas de conversão, inclusive as mais virtuosas, muitas vezes tidas como puras e santas, mas que necessitam igualmente de conversão, próximas destas verdades: seu nada, sua condição vulnerável e sua realidade mortal. Assim seja!

*Escritor, blogueiro, colunista, vice-presidente da Previdência Sacerdotal e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE -geovanesaraiva@gmail.com