Hoje, 1º de maio, além de ser o dia dedicado ao Trabalho, é aquele em que comemoramos os 191 anos de nascimento de JOSÉ DE ALENCAR, grande romancista cearense e brasileiro, que tão forte marca deixou em nossa literatura.
Em 2019, aos seus 190 anos, apresentamos um projeto em comemoração à data e, assim, como presente desse aniversário para todos nós, A PARTIR DE 4 DE MAIO DE 2020 (segunda-feira), a Universidade Aberta do Nordeste da Fundação Demócrito Rocha, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e com o apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC), inicia as INSCRIÇÕES GRATUITAS E ABERTAS PARA TODO O PAÍS do curso básico de extensão LITERATURA CEARENSE, com 140h. Fascículos, videoaulas, radioaulas, webconferências, material complementar, entre outros, com o objetivo de promover, de forma geral e para todo o país, o interesse, a pesquisa e a leitura da literatura produzida no Ceará, desde o século XIX à contemporaneidade, através de alguns de seus autores(as), grupos/agremiações literárias e obras referenciais, em consonância com os estudos da Literatura Brasileira. Curta, COMPARTILHE BASTANTE e PARTICIPE: cursos.fdr.org.br
Há 110 anos nascia Antônio Gonçalves da Silva, poeta magistral sertanejo que, na forma de Patativa, versou as verdades dos muitos brasis de universal Nordeste. Respeitado por sua genialidade, faz menos falta do que devia, pois sua palavra é viva
"Vão na frente que eu vou atrás. Levando as traia". Era o fim da meia-jornada. O agricultor brocou cedo a terra. Saiu cedinho, quando o sol entrou. Belinha coou o café pra viagem do marido com os filhos até o pedaço de roça. Quem vive no sertão brabo de enxada na mão não tem tempo de sentar. A depender do destino, o chão batido vira mesa, cama e até altar, envolto pelo roçado. Sertão só sabe quem vive. Chover é dúvida. Certeza, só na fé. Planta sem saber.
Mas perto da hora do almoço junta tudo, todos, e vai embora.
Inês é encucada:
- Pai toda vida só vai atrás da gente, sozinho. Num quer ir junto, diz, olhando pra trás e vendo o silêncio.
Em menos de meia-légua de pisada no chão da Serra de Santana, Antônio, atrás, parece que voa. Tá ali, mas não tá.
No fim de tarde, todo mundo bota as cadeiras pra fora. A calçada dá justo pro sol, que vai embora. Ele desce e os mosquitos sobem. Mas quem vive no sertão não tem casca fina.
Encadeando palavras
Antônio convoca atenção e diz uns dizeres falados como se estivesse cantando. Uma frase atrás da outra. Uma palavra que combina com outra duas frases depois. Eram versos e rimas. "As corra mair linda".
Nesse tempo, o pai já soltava poesia, só não sabia de onde vinha, mas o dia dela saber chegaria.
"Eu nasci ouvindo cantos/ Das aves de minha terra/ E vendo os lindos encantos/ Que a mata bonita encerra/ Foi ali que fui crescendo/ Fui lendo e fui aprendendo/ No livro da Natureza/ Onde Deus é mais visível. O coração mais sensível/ E a vida tem mais pureza".
- De onde pai tira tudo isso?
- É Deus que manda.
Foi daí que Inês percebeu: o pai andava atrás pra ter tempo com o divino. Devia sussurrar no seu ouvido, soprando palavras de semente. No tempo de chegar em casa, crescia e dava fruto. Essa era uma colheita certa.
Desce do céu, sobe a serra
Deus visitando onde quase ninguém vai. Um pedacinho da Serra de Santana, prima pobre, comprida e alta de Assaré. Nunca se lembram dela, a não ser em tempo de eleição. A vantagem, dizem os de lá, é que no outro tempo é menos gente perturbando.
A fé sertaneja é inspiração da poesia popular. Foto: Melquíades Júnior
Hoje, o desassossego é outro e bom: "mei mundo de gente vem aqui conhecer onde pai nasceu", diz Inês Batista. Pai é Antônio. E se antes, quem quisesse saber dele, perguntava por Senhorzinho, hoje em dia é só Patativa. Patativa do Assaré.
Se ele já tinha um tempo com Deus, sua morte foi reencontro. Não antes de ver a fama. Primeiro, a de perto, nas andanças pelo Cariri. Depois, bem longe.
Rodou pelas bandas do Norte, conheceu outros Nordestes. Mas foi a radiofonia sua internet. Ouvidos eram atentos à sua passagem pela Rádio Araripe, no Crato. José Arraes era um. Homem importante dos lados de Pernambuco, irmão de Miguel Arraes, este que virou governador daquele Estado. Atento às pelejas sertanejas, criou em sua gestão dois programas para o homem do campo: Vaca na Corda, para financiar gado, e o Chapéu de Palha, pra ajudar o agricultor na entressafra.
Pois foi Zé, irmão de Miguel, um dos grandes financiadores ao primeiro livro do poeta: Inspiração Nordestina (1956), aos 47 anos. Dali já corria mais longe o canto sertanejo. Luiz Gonzaga ouviu no rádio Patativa com João Alexandre, outro artista popular. Queria comprar aquela letra e foi ter com autor, mas o poeta não é de vender.
"Triste Partida" ganhou o mundo na voz do "Rei do Baião". Era retrato do sertanejo retirante nordestino. Viajantes da esperança, ainda que pobreza ambulante. No rincão seco, vai sem querer. Fome é a precisão, Deus é o guia.
Setembro passou/ outubro e novembro/ Ja tamo em dezembro/ Meu Deus, que é de nós?.
Virou hino. Quem vê hoje, pensa que a fama lhe percorreu toda a vida. Mal sabem que, bem dizer chamado 'velho', era um poeta popular pouco reconhecido em suas próprias beiras. Sentava no banco da praça que dá para a Igreja de Nossa Senhora das Dores, em frente de casa. Passava a tarde ali, matutando o tempo (ou com o divino).
Jaqueline, filha de Araci, fez por muito tempo os encarregados dele. Morando no lado oposto da praça, estava sempre a postos pra acompanhar o poeta onde precisasse. Um pagamento, pegar remédio ou dar notícia do que se passa na cidade pequena, mas cheia de histórias. Era mulher de confiança. Serviu-lhe até casar e partir. E fazer falta.
A riqueza de ser pobre
Inês Batista, filha de Patativa, guarda lembranças e saudade do pai. Foto: Melquíades Júnior
"O povo mesmo dizia: 'Patativa é besta', se quisesse ser rico ele era. Tanta poesia bonita por aí", lembra Inês. Mas pra quem sabedoria é sabença, riqueza também seria outra coisa:
- Eu não vou me aproveitar de um dom que Deus me deu.
Mesmo depois da fama pelo Brasil, chamado que era para os salões, voltava mesmo era pra seu próprio torrão. Virou queridinho dos poderosos (ai de quem não fosse amigo do poeta), lembrado que era até por governador. Educadamente atendia os chamados - já sabia o que representava. O desejo, depois, era estar em casa. Quem escreveu a triste partida bem sabe a alegria que é voltar.
"Por isso que pai tem o nome que ele tem. Isso ajuda muito as pessoas a gostar dele. Nunca quis se envaidecer com as poesias", conta Inês.
Patativa, inspirado, recebia a mensagem a qual também era, como quem vive o que rima. Falava da roça, do vaqueiro. Podia fazer poesia inspirado em Luís Vaz de Camões, seu semelhante em genialidade com as palavras (e ambos eram cegos do olho direito) ou nele próprio, num português desregrado, mas com métrica e sentimento.
Nos tempos de cantoria, o homem de quem brota poesia saía com viola na mão e os versos na cabeça. Cantava e declamava rimas de improviso ou na gaveta da memória. Dá para comparar com as gavetas enormes do cartório da cidade, cheio de fichas e pastas. Pois é como se fosse cada ficha uma poesia. Nas pastas, os motes para cada assunto. Patativa tinha a memória de um cartório inteiro!
Mesmo perto de morrer, com mais de 90 anos, se pedissem pra declamar um poema de 32 estrofes, cada uma com oito versos, ele dizia. "E se pedisse outra, ele continuava outra, sem titubear", lembra Inês, filha que guarda saudade. Aos 74 anos, fala da meninice, porque foi intenso viver com Belinha e Senhorzinho. Tem um aperto no peito, porque queria cuidar mais do pai. Recorda e angustia como se fosse ontem a voz grave e rastejante de quem se sabia mais perto do que é derradeiro:
- Minha fia, se for pra mim morrer, me traga na sua casa. Queria morrer na sua casa.
- Pai, não diga uma coisa dessa...
A morte é a única certeza da vida, também a mais inesperada.
O poeta já vivia no centro de Assaré, não mais na Serra de Santana, onde ainda está parte da família. A cidade tem mais recursos. No Centro, morava parede e meia com o doutor Hernandes, e um pouco mais afastado tinha Dr. Laécio. "Serra de Santana é um lugar sem vida pra quem tá doente", concluem os filhos.
A ironia é que o homem morto, de poesia viva, é quem reacende toda a chama do lugar. De Patativa do Assaré virou Assaré do Patativa, a "terra da poesia popular", diz a placa de boas-vindas na entrada da cidade. Com uma foto inconfundível: de chapéu e óculos escuros, para tirar de vista a cegueira de um olho fechado.
O lugar lembra o poeta. Por esses dias, pesquisadores, amigos e populares se chegam à Serra de Santana e aos espaços locais de poesia nos 110 anos do cinco de março de 1909. Conhecer sua história, manter memória. Os filhos (quatro vivos, de 14) recontam. Mas Inês, João, Afonso e Pedro sempre têm novidades a dizer sobre o pai, poeta interminável.
Foi aos 6 anos que a estudante Sâmia Abreu deu o primeiro passo no mundo artístico. Após ver o pai rindo de uma poesia, ela começou a se apaixonar pela arte.
Criança, mas com talento de gente grande, Sâmia não tem nem uma década de vida e já sabe na ponta da língua o que quer para o futuro. “Eu quero ser desembargadora e poeta”.
Hoje a pequena poeta divide o tempo entre os estudos e a gravação de vídeos declamando cordéis no canal no Youtube, que toda semana tem uma nova publicação.
Reconhecimento foi feito nesta quarta-feira (19), pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Por G1 PE
Literatura de Cordel vira patrimônio cultural
A literatura de cordel foi reconhecida, nesta quarta-feira (19), como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. O título foi concedido por unanimidade pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A reunião ocorreu no Rio de Janeiro, com presença de representantes do Ministério da Cultura e da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. (Veja vídeo acima)
Em Pernambuco, o gênero ganha destaque em festivais e com o Museu do Cordel Olegário Fernandes, em Caruaru, reformado em 2013.
Literatura de cordel é reconhecida como patrimônio cultural
No mesmo município, a literatura também é valorizada pela Academia Caruaruense de Literatura de Cordel (ACLC), criada em 2005 com o objetivo de valorizar os poetas do passado e incentivar os futuros cordelistas. As homenagens ao gênero são feitas sobretudo em novembro, mês em que é celebrado o Dia da Literatura de Cordel. (Veja vídeo acima)
De acordo com a pesquisadora e escritora Maria Alice Amorim, que estudou a literatura de cordel no mestrado e doutorado, o título é uma forma de reconhecer um gênero que já sofreu preconceitos.
"Embora seja uma tradição reconhecida e admirada, ela também sofre uma série de preconceitos e, consequentemente, exclusões de alguns nichos literários devido ao caráter popular", explica.
Literatura de cordel virou patrimônio cultural — Foto: Oton Veiga/TV Globo
Maria Alice, no entanto, acredita que a riqueza do gênero supera as discriminações já sofridas pelas produções e pelos escritores.
"Por ter esse caráter de uma tradição popular, de livros que são feitos de uma forma mais artesanal, com materiais mais baratos, existe esse preconceito. Só que na verdade, enquanto discurso poético, o cordel é muito rico e refinado, porque necessita de uma técnica de métrica e rima", observa.
Com o título, a pesquisadora acredita que a literatura de cordel ganha força para ser perpetuada. "Essa salvaguarda vai garantir que a tradição permaneça viva e que outras pessoas possam desenvolver o talento poético pra poesia de cordel", afirma.
Literatura de cordel é comumente exibida em cordões em feiras e editoras — Foto: Oton Veiga/TV Globo
Estilo
Em texto postado no site, o Iphan informa que a literatura de cordel teve início no Norte e no Nordeste e o estilo se espalhou por todo o Brasil, principalmente por causa do processo de migração populacional.
Hoje, de acordo com o Instituto, o gênero circula com maior intensidade na Paraíba, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo.
A expressão cultural retrata o imaginário coletivo, a memória social e o ponto de vista dos poetas a respeito de acontecimentos vividos ou imaginados.
Gênero da literatura que remonta ao século XVI, o cordel insere-se, sobretudo, na cultura popular, como uma extensão natural da oralidade. Elaborado sob o formato de rimas, cada qual com suas inúmeras particulares, o gênero impresso nos folhetos tornou-se, à época, a única forma oficial de comunicação. No Nordeste brasileiro, especialmente, a literatura de cordel sempre teve a sua importância e, apesar das crescentes e visíveis inovações tecnológicas, ainda mantém-se firme. Exemplo recente foi o Espaço Cordel e Repente, que integrou a programação da 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, encerrada no último domingo, 12, no Anhembi.
"O espaço é uma cria da Praça do Cordel, da Bienal Internacional do Livro do Ceará, que tem sido, ao longo de várias bienais, um grande sucesso de público e crítica", resume o escritor, editor, cordelista, quadrinista e ilustrador Klévisson Viana. "O público sempre valorizou muito a literatura popular, e as escolas estão redescobrindo esse tesouro cada dia mais. O meio acadêmico e a mídia também têm percebido o valor dessa manifestação literária e, por essa razão, editoras de várias partes do País têm procurado editar textos de literatura de cordel. É importante dizer que milhares de brasileiros aprenderam a ler através dessa literatura", contextualiza.
Bráulio Tavares profere a palestra Imagens da Ficção Científica no Cordel (Leonardo Costa/ Divulgação)
Natural de Quixeramobim, no Sertão Central cearense, Klévisson é o responsável pela curadoria da Feira do Cordel Brasileiro, que, em sua terceira edição, acontece de hoje a domingo, na Caixa Cultural (Praia de Iracema). Iniciativa da Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (Aestrofe), o evento irá homenagear as figuras do 'Rei do Baião' Luiz Gonzaga e do paraibano Leandro Gomes de Barros, além de reunir, ao longo dos quatro dias, uma programação de palestras, shows de repentistas e violeiros, recitais e lançamentos literários. O público poderá visitar ainda uma exposição com obras raras e, de quebra, adquirir camisetas e CDs alusivos ao evento.
"Leandro Gomes de Barros é paraibano e autor de inúmeros clássicos dessa literatura. Se fizéssemos uma eleição dos 20 maiores clássicos de todos os tempos, teria de constar nessa lista, no mínimo, cinco obras de Leandro", exalta Klévisson. O autor viveu na segunda metade do século XIX e início do século XX, deixando um legado de quase mil obras publicadas. "Basta lembrar que Macunaíma (de Mário de Andrade) e O Auto da Compadecida (de Ariano Suassuna) foram inspirados na obra de Leandro Gomes de Barros. Esse ano está completando 100 anos de sua morte", explica o curador.
Na parte de palestras, o destaque será o paraibano Bráulio Tavares, que irá discorrer sobre o tema Imagens da Ficção Científica no Cordel. "Bráulio é um dos maiores pensadores da cultura de nosso tempo, um gênio no trato com a palavra", define Klévisson, contando que, além de cordelista e compositor, o convidado é roteirista de cinema e televisão com nome que consta na antologia dos 100 maiores poetas brasileiros de todos os tempos. "É autor - com o repentista Ivanildo Vila Nova - da música de protesto Nordeste Independente e, para acabar de completar, é especialista em cordel e ficção científica", ressalta o curador, que ainda cita o músico Gereba Barreto e o mestre Bule-Bule, este lançando seu livro Orixás em Cordel, como presenças confirmadas.
O mercado consumidor da literatura de cordel, segundo Klévisson, segue confiante. "Muito embora o país esteja passando por uma época politicamente muito delicada e economicamente incerta, o interesse pela cultura não foi interrompido", avalia. Segundo ele, há muita coisa boa sendo publicada, e o número de leitores aumenta a cada ano. "Uma das coisas boas dessa geração de cordelistas da qual faço parte é que nós estamos, cada vez mais, nos capacitando para ministrar palestras, oficinas, recitais, e isto tem ampliado muito nosso mercado de trabalho. Sem contar que nenhum evento cultural atualmente se considera completo, a exemplo do Festival Vida & Arte, se a linguagem do cordel não estiver contemplada", concluiu.
III Feira do Cordel Brasileiro
Quando: de hoje a sábado, 18, das 14h às 21h; e domingo, 19, das 14h às 19 horas
Onde: Caixa Cultural Fortaleza (avenida Pessoa Anta, 287 - Praia de Iracema)
Quem não é do Ceará deve achar estranho ou, simplesmente, não entender o sentido de palavras. São nomes que só têm sentido para quem nasceu ou mora no Estado. Há termos até para referir doenças. Para os cearenses, “piloura”, por exemplo, é quando a pessoa está com muita fome e precisa comer urgente. Já “arquejando” é utilizado para pessoas que estão morrendo aos poucos.
Em meio a tantas denominações e significados, uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Ceará (UFC) catalogou a maioria desses nomes. Segundo a coordenadora da pesquisa, Virginia Bentes, a ideia é armazenar a memória das termologia cearense.
“A gente começou a perceber que é necessário armazenar uma perspectiva de manutenção desse léxico e desse resgate de memórias. Fico preocupada com a perda de tanta cultura”, declarou.
Ao todo, o dicionário já conseguiu reunir 400 palavras e, de acordo com Virginia, a previsão é de crescimento. “Terminamos um mapeamento das comunidades indígenas. Falta fazer o mapeamento do sertão cearense”, acrescenta.
Ao concluir, a pretensão é criar um site para disponibilizar as informações para a população. “A gente tem a intenção de fazer um site com os nomes das doenças e suas respectivas relações”, conclui.
O dicionário é um resultado de uma pesquisa iniciada em 2014 pelo programa de Pós Graduação em Ciência da Informação da UFC.
Antonio Girão Barroso, um dos seis representantes da poesia cearense moderna e contemporânea, analisados em livro de Carlos Augusto Viana ( FOTO: CID BARBOSA )
Poeta e ensaísta, Carlos Augusto Viana é conhecido no meio literário cearense pelo olhar atento aos escritores da terra. Em textos na imprensa, em livros, palestras e apresentações de autor, já deu mostras de sua porção crítico literário. E é, como crítico, que ele figura em seu livro mais recente. "A Literatura Cearense Através de Ensaios" será lançado nesta quarta-feira, 6, às 19 horas, no Ideal Clube.
O livro é o primeiro volume de uma série que Carlos Augusto Viana promete publicar. São seis ensaios dedicados à poesia. "O estudo percorre as vozes de Antônio Girão Barroso; Filgueiras Lima; José Valdivino de Carvalho; e Gerardo Mello Mourão - estes compondo o bloco dos artistas que, ora mortos, foram eternizados pela invenção de seus respectivos discursos; por fim, as escrituras poéticas de dois artistas vivos: Adriano Espínola e o Príncipe dos Poetas Cearenses, Linhares Filho - o que, de certa forma, oferece circularidade ao trabalho, uma vez que, na abertura e no dois poetas gigantes dão-se as mãos", descreve o autor, no texto de introdução à coleção de ensaios.
Entre os livros que publicou, Carlos Augusto Viana já havia feito uma incursão anterior pelo ensaísmo, tendo a poesia por objeto. "Drummond: a insone arquitetura" era dedicado a um dos grandes nomes da poesia brasileira do século XX.
Escrita
Poetisa, ensaísta e psicanalista, Nadiá Paulo Ferreira assina a orelha do livro. Para ela, o leitor vai encontrar "um artista que descortina janelas". Professora titular de Literatura Portuguesa da UERJ, ela elogia a escritura "límpida, bem urdida, demonstrando não apenas um sólido arcabouço teórico, mas a extrema capacidade de mergulhar na atmosfera dos textos, iluminando o que, até então, encontrava-se sob a crosta do inefável".
O autor parte o método interpretativo. Na apresentação, Carlos Augusto Viana detalha, de forma breve e precisa, suas ferramentas teórias. Os seis ensaios de seu novo livro põem "em relevo aspectos singulares a cada um desses escritores, quer em relação a traços estilísticos, quer em termos da escolha temática; contamos, ainda, nessa empreitada, com o auxílio da Estilística, da Simbologia, da Teoria da Literatura, além de um número representativo de teóricos, cujas reflexões recaem sobre o fenômeno do poético ou sobre as diversas problemáticas que envolvem as questões ligadas à criação artística".
O livro, apesar da forma fragmentária inerente ao ensaio, não é mera reunião de escritos avulsos. O autor os enlaça e, em seu conjunto, formam uma obra coesa, como se pode ver pela opção do crítico de escrever uma "Conclusão". Carlos Augusto Viana procurou construir "um painel que revelasse as peculiaridades inerentes a cada um deles, bem como, por outro lado, também pusesse em revelo os vasos comunicantes que, em muitos momentos, podem aproximá-los uns dos outros".
Perfil
Jornalista por formação, Carlos Augusto Viana é mestre em Letras e doutor em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Ele integra o corpo de professores da Curso de Letras da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Diretor de Cultura e Arte do Ideal Clube, é ainda membro da Academia Cearense de Letras; da Academia de Letras e Artes do Nordeste; e da Associação Brasileira dos Bibliófilos. No jornalismo, editou os suplementos DN Cultura e Ler, do Diário do Nordeste. É autor de livros como "Primavera empalhada", "Inscrições dos lábios", "A báscula do desejo" (Prêmio Osmundo Pontes - 2003) e "Côdeas" (Prêmio Unifor - 2006).
Mais informações:
Lançamento do livro "A literatura cearense através de ensaios - volume 1/ Poesia", de Carlos Augusto Viana. Quarta-feira, 6, às 19h30, no Ideal Clube