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Bumba Meu Boi pode se tornar patrimônio imaterial da humanidade

Candidatura será analisada entre os dias 10 e 12 deste mês em Bogotá

O Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão pode receber o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, na próxima semana. A candidatura será analisada entre os dias 10 e 12 deste mês durante a 14ª Reunião do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que ocorrerá em Bogotá, Colômbia.
O Iphan mandou o vídeo de divulgação do Complexo Cultural do Bumba Meu Boi para vários países que também terão manifestações culturais analisadas pela Unesco. “Todos são unânimes em dizer que a manifestação brasileira é extraordinária”, disse à Agência Brasil a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa.
Segundo ela, o parecer da Unesco aponta que a manifestação cultural “é verdadeiramente uma obra de arte. Já coloca a manifestação como uma coisa surpreendente para o mundo”.
O Complexo do Bumba Meu Boi do Maranhão foi reconhecido pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil em 2011.
Kátia Bogéa explicou que a nomeação como complexo cultural foi dada porque o Bumba Meu Boi envolve diversos aspectos. “É um auto, é teatro, é comédia, religiosidade, pagamento de promessas, é artesanato, é musicalidade, é coreografia. O próprio boi tem vários sotaques. Cada um é completamente diferente do outro. Mudam a indumentária, é realmente um complexo mesmo”, disse a presidente do Iphan.

Boi de Maracanã

Para a presidente do grupo Boi de Maracanã, Maria José Soares, a conquista do título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco vai contribuir para que se mantenha viva a cultura do Bumba Meu Boi, que passa de geração a geração.
Quanto mais incentivo a tradição tiver no Maranhão, mais turistas serão atraídos para assistir o espetáculo, contribuindo para movimentar a economia local. “Movimenta a economia do estado, gera renda, gera emprego ao redor de um título desse”, disse à Maria José à Agência Brasil.
Segundo a presidente do Boi de Maracanã, a torcida vai ser grande entre as mais de mil pessoas que participam do grupo. Em todo o estado do Maranhão existem em torno de 600 organizações que mantêm a tradição do boi encantado ou boi preferido. “São muitos grupos e vários sotaques”.

Tradição

Bumba Meu Boi
O Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão pode receber o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade
A tradição do boi vem desde a antiguidade clássica, na Grécia, chega à Península Ibérica e depois vem para o Brasil, onde é ressignificada. É uma manifestação cultural que reúne todas as etnias: índios, negros e brancos europeus.
Diz a lenda que um fazendeiro branco português tinha um touro preferido em sua fazenda. No local, havia ainda um vaqueiro negro cuja mulher, Catilina, estava grávida. A mulher manifesta ao marido o desejo de comer a língua do touro preferido do fazendeiro. Ela convence o marido a matar o boi e tirar sua língua. O vaqueiro satisfaz o desejo da mulher, mas quando o patrão começa a procurar seu boi de estimação, o vaqueiro se desespera, vai para a floresta e conta o que aconteceu ao pajé. O indígena vai para a fazenda, faz uma pajelança e o boi ressuscita. Com isso, uma grande festa é realizada na fazenda.
“O auto do boi está ligado à questão da morte e da ressurreição, de todo o ciclo da vida”, afirmou a presidente do Iphan.
Outra história ligada ao Bumba Meu Boi diz que o Rei de Portugal, Dom Sebastião, vai lutar na África e desaparece no meio do deserto, mas seu corpo não é encontrado. A lenda diz que durante a batalha, aparece um touro negro, chamado no Maranhão de boi encantado, que abre a barriga e o rei desaparece dentro dela. A história é ligada a religiões de matriz africana.
“É um sincretismo religioso da Igreja Católica, dos santos juninos São Pedro, São João e São Marçal e com os espíritos das florestas dos pajés. Ou seja, é um sincretismo incrível de raça, de cultura, de elementos que se misturam e criam aquela história que é sempre representada pelo nascimento, pela morte e, depois, pela ressurreição, porque o boi morre, mas no ano seguinte sempre volta”, disse Kátia.
Para ser aprovado pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, o bem já tem que ser patrimônio do país que está apresentando a candidatura. Outra questão diz respeito à autenticidade e à relevância para a identidade cultural do país.
O Iphan recebeu outros pedidos de bens para patrimônio imaterial da humanidade, mas não começou a instruir os processos. No momento, Kátia Bogéa prepara, para julho de 2020, a apresentação da candidatura do Sítio Roberto Burle Marx como Patrimônio Mundial Material. 

Lista de bens

Caso venha a ganhar o título da Unesco, o Complexo Cultural do Bumba Meu Boi será o sexto bem brasileiro a integrar a lista internacional. Os anteriores são a Arte Kusiwa - Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi (2003), o Samba de Roda no Recôncavo Baiano (2005), o Frevo: expressão artística do Carnaval de Recife (2012), o Círio de Nossa Senhora de Nazaré (2013) e a Roda de Capoeira (2014).
De acordo com o Iphan, a seleção de um bem cultural registrado para a Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade deve obedecer os seguintes critérios: o bem cultural é importante para o estabelecimento ou para o fortalecimento do diálogo entre os vários contextos culturais existentes no mundo; é representativo dos processos culturais constitutivos da sociedade brasileira e das várias situações sociais, ambientais e geopolíticas existentes no país; a candidatura do bem cultural contribui para reforçar a imagem culturalmente diversificada do Brasil no exterior; e o bem cultural transcende sua base social originária e possui, atualmente, significado para amplas parcelas da população brasileira.
Agência Brasil

Casa de Frei Tito vai virar memorial

FORTALEZA, CE, BRASIL, 06-09-2018: Fotos do Frei tito Alencar, expostas em parede. Movimentos sociais ocupam a Casa Frei Tito de Alencar. (Foto: Evilázio Bezerra/O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 06-09-2018: Fotos do Frei tito Alencar, expostas em parede. Movimentos sociais ocupam a Casa Frei Tito de Alencar. (Foto: Evilázio Bezerra/O POVO) (Foto: O POVO)
Símbolo dos direitos humanos no período da ditadura militar, regime que perdurou no Brasil entre os anos de 1964 e 1985, Frei Tito de Alencar não chegou a vivenciar a volta da democracia pela qual lutou. Nascido em 1945 em Fortaleza, adentrou no mundo religioso em 1966, tornando-se frade dominicano. Foi preso e torturado diversas vezes, por diferentes métodos, até sair do País na década de 1970. Em 1974, foi encontrado morto em Paris. A memória de Tito, porém, segue viva e referencial no Brasil até - e ainda mais - nos dias de hoje. Em 2019, 45 anos após sua morte, Fortaleza finalmente ganhará de forma oficial o Centro de Memória Frei Tito de Alencar, que se pretende um local de referência, discussões e ensino sobre liberdades individuais, direitos humanos e democracia.
O novo equipamento irá ser sediado na casa na qual Frei Tito morou na infância, na rua Rodrigues Júnior, no Centro de Fortaleza. O imóvel foi ocupado por manifestantes e militantes em agosto de 2018 no chamado movimento Ocupa Frei Tito, que visava chamar a atenção da situação estrutural e pedir o tombamento definitivo da construção - o início do processo de tombo da casa se deu em 2011. Na coletiva de imprensa que divulgou os investimentos da Prefeitura para o ano de 2019 na área da cultura, na última semana, foi anunciado que a implantação do Centro de Memória Frei Tito terá montante de R$ 400 mil investidos, referentes à desapropriação do imóvel, restauração do prédio e aquisição de acervo presente.
"A luta pela memória, verdade e justiça no Brasil sempre contou com participação determinante dos familiares", explica Lúcia Alencar - sobrinha de Frei Tito - referindo-se aos parentes de pessoas mortas ou desaparecidas durante os chamados "Anos de Chumbo". Ela é uma das integrantes do Grupo de Trabalho Memória e Verdade - que tem atuado de forma contundente na construção do acervo que será disponibilizado no Centro de Memória Frei Tito. Lúcia explica que serão disponibilizados livros, batinas, fotografias, documentos pessoais, coletâneas de jornais e revistas. "No momento, iniciamos processo de captação de recursos para criação do acervo de audiovisual relativo as iniciativas construídas no Ceará", pontua Lúcia. Todo esse material, entretanto, ficará acessível ao público apenas no primeiro semestre de 2020 - conforme previsão feita ao O POVO pelo secretário da Cultura de Fortaleza, Gilvan Paiva.
"O processo de tombamento vigente está previsto para ser concluído no primeiro semestre de 2019. O restauro será iniciado ainda neste ano, com a instrução técnica realizada pela Coordenação do Patrimônio Histórico-Cultural da Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), e as obras coordenadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura", explica o secretário. O conceito do equipamento, aponta Gilvan, surgiu a através das pesquisas e reuniões do grupo de trabalho - que também tem representantes do poder público e das universidades cearenses. "O Centro Frei Tito de Alencar será um espaço de preservação e de divulgação da memória, no que se refere à história de vida do religioso cearense e da luta de resistência dos movimentos populares", aponta o representante da Secultfor, lembrando que serão três os campos de atuação do equipamento: estudos livres, história e resistência, memória viva.
(colaborou João Gabriel Tréz)
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Processo

A existência do Centro de Memória Frei Tito é uma demanda antiga. O início do processo de tombo, por exemplo, aconteceu em 2011. Segundo Lúcia Alencar, há emendas parlamentares da deputada federal Luizianne Lins, do deputado estadual Renato Roseno e do vereador Evaldo Lima, vislumbrando recursos para a constituição de acervos e de equipamentos. Do montante previsto pelo Congresso Nacional, de R$ 254.732,11, já foi pago R$ 129.683.

Doações

São aceitos materiais sobre a ditadura militar para composição do acervo, conforme informa Lúcia Alencar. O professor e pesquisador Régis Lopes, por exemplo, enviou todos os livros de sua biblioteca particular sobre o tema. "Aos interessados orientamos entrar em contato com a Secultfor para análise do material", pontua a sobrinha de Frei Tito.
Processo
A existência do Centro de Memória Frei Tito é uma demanda antiga. O início do processo de tombo, por exemplo, aconteceu em 2011. Segundo Lúcia Alencar, há emendas parlamentares da deputada federal Luizianne Lins, do deputado estadual Renato Roseno e do vereador Evaldo Lima, vislumbrando recursos para a constituição de acervos e de equipamentos. Do montante previsto pelo Congresso Nacional, de R$ 254.732,11, já foram pagos R$ 129.683.

Doações

São aceitos materiais sobre a ditadura militar para composição do acervo, conforme informa Lúcia Alencar. O professor e pesquisador Régis Lopes, por exemplo, enviou todos os livros de sua biblioteca particular sobre o tema. "Aos interessados orientamos entrar em contato com a Secultfor para análise do material", pontua a sobrinha de Frei Tito. 

ISABEL COSTA
O POVO

Literatura de cordel recebe título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro

Por G1 PE
Literatura de Cordel vira patrimônio cultural
 
Literatura de Cordel vira patrimônio cultural

A literatura de cordel foi reconhecida, nesta quarta-feira (19), como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. O título foi concedido por unanimidade pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A reunião ocorreu no Rio de Janeiro, com presença de representantes do Ministério da Cultura e da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. (Veja vídeo acima)
Em Pernambuco, o gênero ganha destaque em festivais e com o Museu do Cordel Olegário Fernandes, em Caruaru, reformado em 2013.
 
Literatura de cordel é reconhecida como patrimônio cultural
Literatura de cordel é reconhecida como patrimônio cultural

No mesmo município, a literatura também é valorizada pela Academia Caruaruense de Literatura de Cordel (ACLC), criada em 2005 com o objetivo de valorizar os poetas do passado e incentivar os futuros cordelistas. As homenagens ao gênero são feitas sobretudo em novembro, mês em que é celebrado o Dia da Literatura de Cordel. (Veja vídeo acima)
De acordo com a pesquisadora e escritora Maria Alice Amorim, que estudou a literatura de cordel no mestrado e doutorado, o título é uma forma de reconhecer um gênero que já sofreu preconceitos.
"Embora seja uma tradição reconhecida e admirada, ela também sofre uma série de preconceitos e, consequentemente, exclusões de alguns nichos literários devido ao caráter popular", explica.
Literatura de cordel virou patrimônio cultural — Foto: Oton Veiga/TV Globo
 
Literatura de cordel virou patrimônio cultural — Foto: Oton Veiga/TV Globo

Maria Alice, no entanto, acredita que a riqueza do gênero supera as discriminações já sofridas pelas produções e pelos escritores.
"Por ter esse caráter de uma tradição popular, de livros que são feitos de uma forma mais artesanal, com materiais mais baratos, existe esse preconceito. Só que na verdade, enquanto discurso poético, o cordel é muito rico e refinado, porque necessita de uma técnica de métrica e rima", observa.
Com o título, a pesquisadora acredita que a literatura de cordel ganha força para ser perpetuada. "Essa salvaguarda vai garantir que a tradição permaneça viva e que outras pessoas possam desenvolver o talento poético pra poesia de cordel", afirma.
Literatura de cordel é comumente exibida em cordões em feiras e editoras — Foto: Oton Veiga/TV Globo
 
Literatura de cordel é comumente exibida em cordões em feiras e editoras — Foto: Oton Veiga/TV Globo

Estilo

Em texto postado no site, o Iphan informa que a literatura de cordel teve início no Norte e no Nordeste e o estilo se espalhou por todo o Brasil, principalmente por causa do processo de migração populacional.
Hoje, de acordo com o Instituto, o gênero circula com maior intensidade na Paraíba, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo.
A expressão cultural retrata o imaginário coletivo, a memória social e o ponto de vista dos poetas a respeito de acontecimentos vividos ou imaginados.
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