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Professor recria clássicos da literatura em álbuns de fotos

Isadora Neumann / Agencia RBS
Carlos Aliardi, à esquerda, com parte dos estudantes que participaram da atividade em 2018
Quando soube que ensinaria literatura aos estudantes do Ensino Médio da EEEB Prudente de Morais, de Osório, no ano passado, o professor de inglês Carlos Diego Aliardi, 30 anos, encarou como um desafio. Ele sabia que atrair a atenção de jovens hiperconectados para os clássicos do século passado exigiria mais do que apenas seguir as regras de leitura e produção de resumo. Aliardi buscou inspiração na própria graduação, concluída havia uma década. 
Como resultado, o professor conquistou o segundo lugar na categoria escola pública do sexto Prêmio RBS de Educação - Para Entender o Mundo. As inscrições para a sétima edição da premiação estão abertas até 12 de setembro. Idealizado pela  Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho  e pelo Grupo RBS, o prêmio destaca projetos de incentivo à leitura desenvolvidos nas escolas públicas e privadas do Estado.
Aliardi inscreveu-se na edição do ano passado depois de conseguir mobilizar as turmas com uma proposta incomum. Entre junho e julho de 2018, ele selecionou 15 livros importantes da literatura brasileira, dividiu em grupos o segundo ano do Ensino Médio e propôs aos alunos contarem em fotos a história lida. O projeto "Álbum Literário: a história em fotos" permitia que a montagem fosse feita a partir de recortes de imagens encontradas na internet ou a criação das próprias imagens, e dava dois meses para a conclusão. 
— De início, nos assustamos. Mas percebemos que seria um trabalho diferente de tudo o que já havíamos feito na escola — recorda Isadora de Souza Soares, 17 anos, hoje prestes a concluir o curso.
A estudante, ao lado de outros colegas, entre eles, Marcos Vinícius Marques da Rosa, também de 17 anos, selecionaram uma das obras máximas do Naturalismo, O Cortiço, de Aluísio Azevedo. O livro narra a saga de João Romão rumo ao enriquecimento ilícito, explorando os empregados e até furtando para atingir o objetivo de ficar rico. A amante dele, Bertoleza, é seu braço direito. 
Para dar veracidade às fotos, os alunos contaram com a ajuda da mãe de Marcos Vinícius, a bióloga Zeneida Marques, 50 anos, que costurou as roupas usadas pelos personagens. 
Fã dos livros de Harry Potter, Marcos interpretou Bertoleza. As fotos foram feitas na casa da família Marques e na escola. Por se tratar de uma história de época, os estudantes embeberam em chá preto as folhas do álbum, para dar um tom de envelhecido.

Isadora Neumann / Agencia RBS
Zeneida ajudou o filho e os colegas na preparação dos personagens de O Cortiço. Isadora Neumann / Agencia RBS
— Fomos nos envolvendo porque entramos na história e ela deixou de ser maçante. Fizemos o roteiro do que queríamos ver nas fotos e o resultado é que nunca mais esqueceremos de O Cortiço — revela Marcos Vinícius, apoiado por Isadora. 
Já o estudante Vinícius Martins, 18 anos, hoje também no terceiro ano, admite jamais ter gostado de ler. Quando obrigou-se a selecionar o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, motivado pelos demais colegas, entre eles, Gustavo Vaz, 18, Vinícius mudou a própria visão sobre a literatura brasileira. 

Isadora Neumann / Agencia RBS
Página do álbum de O Cortiço: Marcos Vinícius, de branco, interpretando Bertoleza. Isadora Neumann / Agencia RBS
— Para desempenharmos as cenas e vivermos o livro, tivemos que voltar no tempo. Fui me envolvendo, entrando no livro e começou a ficar muito legal, porque despertou a minha curiosidade — afirma Vinícius. 
Junto com Gustavo, os estudantes interpretaram os principais personagens e tomaram cuidado para não incluírem nas cenas objetos que não existiam na época em que se passa a história, como televisão e geladeira. 
— Foi uma grande sacada do professor trazer um recurso atual para contarmos algo muito distante da nossa rotina — completa Gustavo. 

Isadora Neumann / Agencia RBS
Capa do álbum do livro Quincas Borba: Vinícius, deitado, e Gustavo, de chapéu, interpretando os personagens. Isadora Neumann / Agencia RBS
O projeto da escola de Osório acabou inspirando docentes de outras escolas a também produzirem álbuns literários. Para Aliardi, investir em novos formatos de aprender, compreender e ensinar literatura são práticas necessárias para a constante formação de leitores. 
— O envolvimento dos alunos com o projeto foi algo fantástico — comemora o professor.
Aliardi revela ter outro projeto em andamento — desta vez, na disciplina de inglês — e que pretende se inscrever na edição deste ano no Prêmio RBS de Educação. 

Isadora Neumann / Agencia RBS
Professor Aliardi se tornou inspiração para outros docentes. Isadora Neumann / Agencia RBS

Replicação

A história de como foi realizado o trabalho na escola de Osório pode ser encontrada nos Cadernos de Replicação, uma espécie de cartilha com o passo a passo das ações desenvolvidas pelos projetos finalistas e vencedores da edição passada, disponível no site premiorbsdeeducacao.com.br. De acordo com a consultora de Comunicação e Projetos Sociais da Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, Amaralina Xavier, o prêmio possibilita visibilidade a educadores que nem sempre têm seus trabalhos e impactos reconhecidos. 
Nesta edição, cada um dos 20 finalistas será presenteado com um kindle, os vencedores do voto popular receberão premiação em dinheiro, haverá nova parceria com a Feira do Livro de Porto Alegre e, em conjunto com a editora LPM, cada escola que ficar em primeiro lugar receberá 200 livros. Os projetos inscritos serão avaliados em duas etapas. A primeira, feita pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Serão levados em consideração quesitos como contexto, inteligibilidade, pertinência, organização, profundidade, multiletramento, adequação, linguagem e resultados. Os 40 projetos mais bem pontuados passarão para a segunda etapa, quando serão selecionados os 10 finalistas de cada categoria, os vencedores e as menções honrosas. 

Isadora Neumann / Agencia RBS
A turma garante que foi o trabalho mais marcante desenvolvido na escolaIsadora Neumann / Agencia RBS

Saiba mais sobre a edição 2019

7ª Edição do Prêmio RBS de Educação
Inscrições: 1º de agosto a 12 de setembro, pelo site oficial premiorbsdeeducacao.com.br
Categorias: Escola Pública e Escola Privada
Menções honrosas para projetos que, por meio da leitura, debatam temas como Meio Ambiente, Cidadania, Gênero, Raça e Inclusão (Acessibilidade).
O site do prêmio também tem uma linha formativa, que oferece gratuitamente um curso online sobre Mediação de Leitura, destinado a profissionais que queiram aperfeiçoar suas práticas em sala de aula ou pessoas que queiram aprender sobre a prática.
A ferramenta traz informações sobre leitura e sobre o papel do mediador, apresentando estratégias de mediação para que todos os interessados possam refletir sobre as ações que desenvolvem, tendo subsídio para aprimorá-las.

A premiação

Escola pública
1º lugar: R$ 5 mil + 200 livros
2º lugar: R$ 3 mil
3º lugar: R$ 2 mil
Finalistas: R$ 1 mil
Voto popular: R$ 1 mil + entrada no Fronteiras do Pensamento
Escola privada
1º lugar: R$ 5 mil + 200 livros
2º lugar: R$ 3 mil
3º lugar: R$ 2 mil
Finalistas: R$ 1 mil
Voto popular: R$ 1 mil + entrada no Fronteiras do Pensamento
As cinco menções honrosas escolhidas pelo júri técnico receberão, cada, R$ 1 mil. Cada um dos 20 finalistas será presenteado com um kindle.

Como acessar os Cadernos de Replicação

* Os Cadernos de Replicação podem ser acessados gratuitamente no site do Prêmio RBS de Educação.
* É possível baixar o compilado sobre os 20 projetos finalistas da edição de 2018 do prêmio e também conferir o caderno específico de cada iniciativa.
* Qualquer pessoa pode ter acesso ao conteúdo, basta inserir o nome completo e um e-mail de identificação antes de baixar o material.

Fonte: GaúchaZH

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