A partir da reabertura da biblioteca comunitária Livro Livre Curió, na terça-feira (4),para empréstimo presencial de obras, o Verso faz um apanhado da situação de outras casas comunitárias do livro em Fortaleza neste difícil momento
Nada do que é essencial parou totalmente com a pandemia do novo coronavírus. Que o digam as leituras e o árduo trabalho das bibliotecas comunitárias de Fortaleza. Ainda que diante de um contexto bastante turbulento, esses espaços de refúgio e potência criativa continuam a tecer movimentos em direção à valorização da cultura e do saber.
Um dos idealizadores da Livro Livre Curió, Talles Azigon afirma que, a exemplo das outras casas comunitárias do livro na cidade, a que está sob sua tutela não parou as atividades de um todo, investindo no recebimento e organização de doações e redistribuição dos itens na localidade em que está sediada.
“Além disso, dialogamos para que as pessoas seguissem as medidas sanitárias recomendadas. A pandemia nas comunidades foi muito diferente nos bairros de pessoas com mais recursos. Aqui, existem muitas variantes entre a fome e a morte, o vírus e a falta histórica e estrutural de informação e conhecimento”, contextualiza.
Obedecendo às recomendações públicas, os organizadores da Livro Livre primeiramente aguardaram a sociedade se movimentar para, então, pensar em uma reabertura da biblioteca para empréstimo de obras. A partir do anúncio do retorno da Biblioteca da Universidade Federal do Ceará, no dia 29 de julho, eles sentiram que era o momento para também voltarem à ativa no que toca a essa atividade. Ontem (4), a casa, com todos os cuidados, tornou-se presencialmente frequentada de novo.
“Estamos priorizando o uso de máscara, o distanciamento espacial e a higienização das mãos. Inclusive, o uso de máscara no Curió teve um apoio muito grande da biblioteca; quando ninguém estava aderindo, distribuímos cerca de 150 delas com a ajuda de apoiadoras”, conta Talles.
Forças e fragilidades
Extremamente fragilizada devido ao nebuloso panorama, a casa se mobiliza de várias formas para não esmorecer. Um dos exemplos tem sido o apoio recebido por professores de instituições de ensino básico e superior e também de editoras, como a Moinhos (MG) – tocada pelo cearense Nathan Matos – e a Dantes (RJ).
Em paralelo aos auxílios, constantemente estão sendo realizadas ações que possam fomentar a dinâmica já conhecida da biblioteca. Uma delas foi a criação de um projeto chamado Percursos Formativos, realizado virtualmente, cujo um dos enfoques se deu sobre Literatura Marginal e com parte do público pagante; a criação da revista digital Coletiva, vendida a R$ 10 e com colaboração de várias escritoras e escritores cearenses; e a produção de um site oficial do espaço, livrolivrecurio.com.br.
“Seria mais fácil fechar pra sempre nossas bibliotecas, haveria uma ‘preocupação a menos’. Mas isso não aconteceu porque elas dão sentido às nossas vidas e aos lugares onde elas estão”, destaca Talles. “A pandemia mostrou o óbvio: que a leitura pauta a sociedade e que quem pode exercê-la realiza aquilo que alguns chamam de cidadania. Logo, toda dificuldade que atravessamos é ainda por conta do entendimento de que o mundo seria bem mais precário sem as bibliotecas comunitárias. Isso é uma certeza nossa. Se o Estado não reconhece, nossa missão é fazer a sociedade civil reconhecer e conquistar o máximo de pessoas para a causa desses espaços, que são causa de sobrevivência”.
Falta
A biblioteca comunitária Sorriso da Criança, no bairro Presidente Kennedy, também está se adaptando aos efeitos da pandemia. De acordo com Janaína Gomes, mediadora de leitura, e Alilian Gradela, coordenadora da biblioteca, os desafios são constantes por vários motivos, sobretudo devido às dificuldades de acesso à internet por muitas famílias.
Legenda: Bibliotecas comunitárias Sorriso da Criança antes da pandemia: paixão pelo saber permanece
Foto: Natinho Rodrigues
Ainda assim, é nas possibilidades que o meio digital oferece que elas encontram alternativas para driblar os entraves. “As atividades estão acontecendo por meio do grupo do WhatsApp que nós temos. Por ele, enviamos mediações de leitura, contação de histórias, livros de literatura em PDF, dicas de filmes e brincadeiras também. Algumas crianças enviam um retorno, relatando sobre o que entenderam da história e contando como está sendo o cotidiano nesses dias de distanciamento social”, situam.
Ambas acreditam que o desejo de o público frequentador do espaço não parar deve-se, especialmente, à presença constante da biblioteca na rotina de cada um. “Intensificamos as postagens nas redes sociais e tem sido um retorno muito positivo”, dizem as responsáveis pela casa.
“Estamos adequando a biblioteca para aumentar a ventilação e luminosidade, e possuir equipamentos de proteção individual. Nossa intenção é um retorno parcial, duas vezes por semana, para empréstimos de livros. As demais atividades continuarão de forma remota, por enquanto”.
Sob outro espectro, Janaína e Alilian também situam dificuldades quanto à manutenção do espaço. Para superá-las, estão conseguindo permanecer com a equipe de mediadores e auxiliares e contam com o apoio da associação do bairro. “Mas cada dia está mais difícil. Estamos aguardando a liberação de recursos da Lei Aldir Blanc, que terá um eixo de manutenção dos espaços culturais”.
“Além disso, buscamos parceiros e estamos contribuindo com doações de cestas, material de limpeza e higiene e também kits de materiais pedagógicos para a realização de atividades. Na semana passada, iniciamos a entrega do kit Meu Diário na Quarentena. Assim, as crianças terão maiores condições de desenvolver o que propomos”, sublinham.
Fomento
No bairro Jardim Iracema, a biblioteca comunitária Mundo Jovem até de um arraiá literário virtual participou como forma de continuar despertando no público o gosto pelo saber. “No evento, ensinávamos a fazer comidas típicas, passos de danças juninas, música, artesanato e mediação de leitura”, enumera Kaciane Silva, profissional do livro atuante no espaço.
Ela diz que, nas plataformas digitais da biblioteca, são inseridas informações sobre a Covid-19 a partir da indicação de obras, leituras e autores. Transmissões ao vivo sobre temáticas voltadas para a literatura também estão entre as ações realizadas, e os organizadores da casa passaram a se encontrar semanalmente em reuniões on-line para traçar estratégias e compartilhar conteúdos.
Legenda: Mesmo diante de um difícil contexto, as bibliotecas comunitárias continuam espaços de refúgio e potência
Foto: JL Rosa
“Outra atividade são as gravações das mediações de leitura. Esse material é enviado individualmente para os leitores e eles sempre devolvem com feedbacks sobre a história que foi contada”, conta Kaciane. “O bairro no qual a biblioteca está inserido foi muito atingido pela pandemia, o que deixou a comunidade bem tensa. Dentre os frequentadores que conseguimos manter contato, identificamos vários que estão sendo impactados”, conta a mediadora de leitura.
A rede Jangada Literária, na qual a biblioteca faz parte, tem fortalecido iniciativas da casa e de outras 11 dedicadas à leitura na cidade por meio de campanhas. “Neste começo de semestre, estamos traçando pontos estratégicos para a retomada das atividades parcialmente, como os empréstimos de livros, sempre tomando os cuidados necessários”, afirma.
“A maior lição que tirei desse momento é a importância da biblioteca para a comunidade. Muitas famílias falaram da dificuldade do acesso ao livro neste tempo, já que o único meio para isso era a biblioteca. Somos também ferramenta de auxílio para as pessoas que desenvolveram ou já tinham transtornos psicológicos. Muitas afirmaram que a leitura diminui os sintomas e ajuda a enfrentar esse complicado tempo”, conclui.
Serviço
Empréstimo presencial de livros na biblioteca comunitária Livro Livre Curió
Diariamente, das 9h às 20h. Capacidade máxima: 7 pessoas. Rua George Sosa, 109, e Rua Leonice Aguiar, 330, Lagoa Redonda. Contato: (85) 3212-5336.
Acesse também as redes sociais das bibliotecas comunitárias Sorriso da Criança (@bibliotecasorriso) e Mundo Jovem (@bibmundojovem)
“Somos os bibliotecários do Papa porque a biblioteca é sua e foi aberta por sua vontade há muitos séculos. Queremos estar ao serviço de nossos visitantes com um instrumento moderno e atualizado. O objetivo do novo site é ser um lugar de acolhida, colaboração e abertura”. Palavras do Prefeito da Biblioteca Apostólica Vaticana Cesare Pasini
Fabio Colagrande – Vatican News
No endereço "vaticanlibrary.va" está on-line o novo site da Biblioteca do Vaticano, uma renovação visível aos leitores desde 16 de julho passado, mas em preparação há algum tempo, e caracterizado por um novo layout e um acesso mais fácil a todos os conteúdos e serviços que o enriquecem. Os procedimentos para solicitar reproduções de manuscritos e outros materiais armazenados na Biblioteca foram simplificados e tornaram-se mais intuitivos. Como pode ser visto nos sites mais recentes, a técnica de criação de conteúdo on-line é estática (textos, links de hipertexto, imagens), mas acima de tudo dinâmica: o site permite interagir com outros sistemas de informação conectados. Como os motores de busca de catálogos e biblioteca digital, consulta do catálogo editorial, gerenciamento do twitter visto da web, e-commerce. A operação de restyling é particularmente apropriada neste período pandêmico, quando as regras de segurança sanitária dificultam o acesso físico dos estudiosos. O Prefeito da Biblioteca do Vaticano, Monsenhor Cesare Pasini, confirma isso em nossa entrevista:
Mons. Pasini: A gráfica evolui rapidamente neste tipo de comunicação digital, por isso já há algum tempo estávamos conscientes de que precisávamos atualizá-la com algo mais ágil e mais intuitivo. Também havia novas modalidades, novas ferramentas que deviam que ser inseridas e o site renovado oferece estes novos serviços muito dinâmicos. Por um lado, é um site estático - há textos para ler e imagens para ver - mas há pesquisas que podem ser feitas e tudo isso exigia uma inovação como a que fizemos.
Em primeiro plano, na home-page, pode-se explorar os catálogos e a biblioteca digital. Não é uma escolha aleatória...
Mons. Pasini: Os que entram no site por este caminho, querem também conhecer, ver e consultar, assim como fazer anotações. Portanto este deve ser o primeiro serviço que encontram, devem ser as primeiras coisas belas que veem, para despertar curiosidade sobre o tema e fazer pesquisas. Podem ser vistas medalhas, moedas, gravuras, manuscritos. Assim poderá saber o que se encontra na Biblioteca ou talvez encontre algo que procurava para um estudo particular, assim como pode se interessar com essas mil culturas, mil idiomas que temos na biblioteca em nossos tesouros, idiomas da história mundial.
Há novidades para a área chamada “reservada”?
Mons. Pasini: Sim. Esta é uma área dedicada às comunicações relacionadas a solicitações específicas. Basta se registrar e participar. A novidade é uma busca melhor entre os títulos de nosso catálogo editorial, portanto, para os livros que publicamos como Biblioteca: publicações científicas, mas também de interesse imediato, como pode ser a agenda que imprimimos todos os anos. Então, nesta área podem ser feitos pedidos de foto-reprodução tanto para estudo quanto para uso profissional. Há um procedimento muito linear, prático e útil para fazer estas solicitações. Dessa área reservada, um usuário, um estudioso, uma pessoa curiosa, pode fazer as perguntas que lhe parecem úteis à Biblioteca: detalhes específicos ou informações das quais ele está interessado.
Outra seção importante do novo site são as "Notícias e Eventos". Que conteúdo encontramos lá?
Mons. Pasini: Aqui são assinalados todos os compromissos que nos dizem respeito: apresentamos um evento futuro ou que já aconteceu ou damos notícias de uma realidade importante ou alguma novidade da nossa Biblioteca. Também estão presentes as novas publicações: quando uma nova publicação é lançada ou colocada à venda, é ilustrada e apresentada nesta seção. Assim como colocamos nesta seção as "Newsletters", que são publicadas regularmente desde 25 de junho de 2008. São 12 anos de informações interessantes, nelas pode-se fazer um quadro da recente história da Biblioteca. Por fim os tweet da nossa conta Twitter@bibliovaticana, que anunciam os nossos eventos e as iniciativas de modo mais imediato.
Mons. Cesare, o quanto a internet é importante para o serviço dos bibliotecários do Papa?
Mons. Pasini: Somos os bibliotecários do Papa porque a biblioteca é sua e foi aberta por sua vontade há muitos séculos. Portanto, queremos estar verdadeiramente ao serviço de nossos visitantes com um instrumento moderno e atualizado que proporcione imediatamente a resposta a uma pesquisa ou leve a maior interesse pela Biblioteca. Com o site queremos nos fazer conhecer pelo que somos e pelo que temos e oferecer um serviço que alcance as fronteiras do mundo. O Papa Francisco fala frequentemente que temos que chegar às periferias: por isso creio que não exista nada como um site on-line que potencialmente nos permita chegar a todas as fronteiras e a todos os países do mundo, próximos e distantes. Naturalmente, não negligenciamos o serviço presencial dos que nos visitam e tentamos servi-los bem. Mas, especialmente neste período de emergência sanitária que estamos vivendo, com a mobilidade limitada é mais difícil para muitos vir diretamente à Biblioteca. Portanto este site aberto e comunicativo, rico e atraente, quer ser um lugar importante de acolhida, colaboração e abertura.
Oficina on-line de leitura e escrita será ministrada por Rafael Ginane Bezerra e inicia no dia 13/07
A Biblioteca Pública do Paraná (BPP) está com inscrições abertas para o seu primeiro curso on-line: De Próprio Punho – Oficina de Leitura e Escrita, ministrado pelo professor Rafael Ginane Bezerra. As aulas acontecem ao vivo, todas as segundas-feiras, das 17h30 às 19h30, a partir do próximo dia 13 e seguem até 9 de novembro. Segundo o professor, o curso é inspirado em uma experiência concebida pelas escritoras argentinas María Teresa Andruetto e Lilia Lardone. “Sugere-se um modelo de oficina ancorado na lógica horizontal da mediação, no qual um coordenador compartilha a leitura de textos breves para, em seguida, através de atividades práticas, fundamentar exercícios de expressão e de exploração do imaginário”, explicou. Para se inscrever gratuitamente, os interessados devem enviar um parágrafo, até o dia 8, para o e-mail rginane@gmail.com, explicando por que estão procurando a oficina.
Na última terça-feira (12), o Diário Oficial da Cidade de São Paulo publicou edital que abre o processo de convocação para inscrição e sugestão de títulos de obras literárias para compor o acervo da Biblioteca Mário de Andrade. O chamado é para que editoras apresentem, num prazo de 60 dias, uma lista de obras em língua portuguesa nos seguintes gêneros literários: poema, conto, crônicas, parlendas, romance, novela, teatro, texto da tradição popular, cantigas, brincadeiras, cantada, quadrinhas, adivinhas, contos de repetição, cartas, histórias em quadrinhos, memória, diário, biografia, relatos de experiências, obras clássicas da literatura universal, livros de imagem e literatura nacional.
A lista, que será avaliada pelo setor de Desenvolvimento de Coleções da biblioteca, vai subsidiar as compras da Mário de Andrade em 2020. Em breve a Mário de Andrade lançará o primeiro edital para a compra de livros no valor de R$ 100 mil. A previsão é que outros editais sejam publicados ainda ao longo do ano e a lista do chamamento atual - que não tem prazo de validade - servirá de guia para as futuras compras.
Segundo Joselia Aguiar, à frente da biblioteca, a ideia veio dos representantes da sociedade civil que participam do Conselho do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB), eleitos em novembro passado. “Em tão pouco tempo (até agora tivemos quatro reuniões, uma por mês), o Conselho já nos trouxe uma excelente sugestão que conseguimos executar. Que essa grande ideia para incentivar a bibliodiversidade possa ser aproveitada por outras bibliotecas públicas”, disse em publicação nas redes sociais. Em conversa com o PublishNews, ela contou que as conversas com o conselho têm sido muito produtivas e explicou ainda que esse chamamento é uma oportunidade de ampliar as possibilidades da biblioteca e conhecer melhor novas editoras, assim como seus catálogos.
No último ano, a Mário de Andrade renovou sua ação cultural e para 2020, o foco será no acervo e no planejamento. "Sempre queremos descobrir maneiras de democratizar e tornar mais transparente o processo de compras e internamente, melhorar a comunicação entre os setores da biblioteca. Queremos que esse processo seja menos automático e cada vez mais ativo", afirmou. Para Joselia, é importante que a Mário esteja em uma busca constante para se tornar cada vez mais relevante e atualizada: "Faço sempre a pergunta se estamos atualizados em relação, por exemplo, à questão racial, queremos obras que sejam relevantes".
A biblioteca deu início ao chamamento e em breve lançará o edital para compras de livros no valor de R$ 100 mil. A ideia, portanto, é ampliar a lista de compras para que seja mais diversa e atual.
Joselia comentou também que está trabalhando para tornar todo o processo que envolve a biblioteca mais simples para as editoras pequenas. As editoras interessadas em participar do chamado terão 60 dias – a contar da data de publicação do edital – para encaminhar suas sugestões e o edital completo você confere clicando aqui.
Mais de duzentos incunábulos, os livros impressos com tipos ou carácteres móveis das prensas mecânicas, da Biblioteca de Santa Escolástica em Subiaco, serão digitalizados. As obras são dos séculos XV e XVI
Vatican News
Manuscrito da Divina Comédia
Os incunábulos, livros impressos com tipos ou caracteres móveis das prensas mecânicas, da Biblioteca de Santa Escolástica em Subiaco, serão digitalizados. Parte da catalogação dos 206 incunábulos, impressos entre a metade do século XV e o ano de 1500, pertenciam aos monges beneditinos de Subiaco. O projeto é coordenado e dirigido pela Biblioteca Nacional Central de Roma, em colaboração com o Consórcio Europeu de Bibliotecas e o Mosteiro Beneditino e será financiado pela Fundação Polonsky.
A iniciativa, organizada em módulos, concentra-se em pequenas coleções públicas, privadas e eclesiásticas, espalhadas pelo território italiano que conservam acervos de extraordinária preciosidade e raridade e requerem particular atenção para sua tutela, conservação e utilização.
Onze bibliotecas de mosteiros no projeto
Além do Mosteiro de Santa Escolástica a fase inicial do projeto contará com a participação das abadias de Santa Justina, Praglia, Montecassino, Farfa, S. Nilo em Grottaferrata, Casamari, a Certosa de Trisulti, a Abadia de Cava dei Tirreni e o Oratório dei Gerolamini de Nápoles. São as 11 bibliotecas anexadas aos monumentos nacionais que foram retidas no final do século XIX pelo Estado Italiano depois da lei de confisco e que agora pertencem ao Ministério dos Bens Culturais e Turismo.
Leitura obrigatória para os monges
No site do Mosteiro de Santa Escolástica, lê-se que desde a redação da “Regra” de São Bento, foi imposto aos monges “a leitura tanto privada quanto comunitária, principalmente em particulares momentos do ano litúrgico. Portanto era necessário um lugar para conservá-los, mas em Santa Escolásticas não ficou nenhum sinal desta prática”. No final de 1100, o abade João V, amante da cultura, criou um “Scriptorium” na estrutura, para o qual chamou miniaturistas de grande fama de mosteiros italianos e estrangeiros.
Entre as várias comissões recorda-se a do “Sacramentarium Sublacense”, hoje conservado junto da Biblioteca Vallicelliana de Roma. No final de 1300 a biblioteca de Santa Escolástica contava com 10 mil livros, muitos dos quais foram perdidos com o passar dos séculos. Em 1465 sob iniciativa de dois clérigos o Mosteiro tornou-se sede da primeira tipografia italiana e aqui em 29 de outubro foi impresso o primeiro livro italiano no chamado “estilo Subiaco”.
No século XIX os livros foram confiscados pelo Estado Italiano e, como outros bens do mosteiro, colocados em leilão. Depois Santa Escolástica tornou-se um Monumento nacional. Hoje é Biblioteca Estatal e conta com 100 mil livros, 3780 pergaminhos, 15 mil documentos do ano de 1500 em diante, 440 códigos manuscritos e mais de 200 incunábulos, dos quais apenas 3 impressos em Subiaco.
Os promotores da iniciativa
Quem são os promotores do projeto? O Consortium of European Research Libraries, é uma entidade de pesquisa para a criação de instrumentos para o estudo de livros antigos impressos e manuscritos, enquanto que a Fundação Polonski dedica-se em investir em programas filantrópicos com objetivos de conservação, valorização e livre utilização das heranças históricas e dos patrimônios culturais e ao democrático acesso ao conhecimento e ao saber. O projeto de digitalização dos incunábulos das bibliotecas monásticas na Itália foi encaminhado em 2018.
Volumes guardados por séculos na Biblioteca da Custódia da Terra Santa estão sendo digitalizados para serem publicados na internet
Da redação, com Christian Media Center
Serão necessárias mais de 250 mil fotos para digitalizar todo o material / Foto: Nadim Asfour / CTS – CMC
Mais de mil volumes antigos que se encontram na Biblioteca Geral da Custódia da Terra Santa, em Jerusalém, estão sendo digitalizados e serão disponibilizados na internet.
O objetivo é garantir o futuro de obras guardadas por séculos, algumas são do século XII, escritos à mão ou produzidos com a técnica da imprensa em caracteres móveis. O trabalho consiste em folhear página por página de cada livro e fotografá-la.
“Eis alguns dos livros antigos, códigos e manuscritos que pretendemos digitalizar. Haja vista a condição em que se encontram, precisamos fazer isso antes que fiquem completamente destruídos em decorrência do tempo e do uso”, explica o diretor da Biblioteca Geral Custódia da Terra Santa, Fr. Lionel Goh, ofm.
O material precisa ser manuseado com cuidado, por a tarefa de digitalização foi confiada à uma equipe de especialistas – sendo alguns fotógrafos e conservadores – que chegaram da Polônia. Serão necessárias cerca de 250.000 fotografias para registrar os volumes.
A responsável pelo projeto, Profª Ewa Dalicka-Witakowska, conta que trata-se de vários tipos de textos. “Livros de história, de teologia, de poesia de tema religioso…temos descrições de viagens e peregrinações, documentos variados, tem de tudo mesmo. São livros escritos em 18 línguas, orientais e europeias: árabe, etíope, armênio, turco, copta, línguas europeias como o latim e o grego, mas há também italiano, francês, inglês, alemão e assim por diante”, explica.
Com a finalização deste trabalho, será possível acessar os livros virtualmente em qualquer parte do mundo. “Essa coleção é muito preciosa mesmo. São livros antigos, alguns são decorados. Precisam ser protegidos, mas também ficar acessíveis ao público”, destaca Ewa.
Frei Lionel reitera que, deste modo, o “tesouro da Custódia” ficará aberto para todos.
O equipamento será oficialmente aberto nesta terça-feira (20) e confere aos folhetos a mesma importância de outras obras da literatura
Reconhecida, no ano passado, como patrimônio imaterial do Brasil, a literatura de cordel recebe um espaço exclusivo na Biblioteca Central da Universidade de Fortaleza (Unifor) para armazenamento e catalogação de títulos desse gênero. A instituição de ensino é a primeira a inaugurar uma Cordelteca na Capital. O lançamento do espaço ocorre na manhã desta terça-feira (20), no auditório da biblioteca da Universidade.
O evento integra a programação especial da Unifor para a Bienal Internacional do Livro do Ceará, que ocorre entre os dias 16 e 25 de agosto no Centro de Eventos. A Cordelteca Unifor recebe o nome da poeta Maria das Neves Baptista Pimentel, a primeira mulher a publicar no Brasil um folheto do gênero, em 1938.
O espaço também é o primeiro do País a catalogar os títulos com a mesma deferência de qualquer outra obra literária, preservando informações básicas como autor, assunto e ano de publicação.
Conforme a coordenadora da Cordelteca, Paola Tôrres, a proposta foi armazenar de forma organizada os importantes títulos do cordel brasileiro. "O cordel é um folheto de feira que, dentro de uma Cordelteca dessa natureza, ascende e passa a ser um livro. Ele é cadastrado com a normatização internacional, passa a ser reconhecido e, consequentemente, pesquisado", explica a médica e professora, que também pesquisa e escreve cordéis.
Biblioteca adaptou a catalogação dos livros para os folhetos de cordel
FOTO: ARES SOARES
Para isso, a equipe da Unifor adaptou o sistema de catalogação de livros para os folhetos de cordel, conferindo ao gênero um armazenamento profissional, diferentemente de espaços em que os títulos são expostos em tradicionais cordões.
"Muitas vezes, a literatura de cordel é relegada a espaços assim. Quando ela se insere dentro de uma catalogação de uma biblioteca, por exemplo, isso valoriza a obra. A gente consegue dar mais visibilidadepara os autores", considera a gerente da Biblioteca da Unifor, Leonilha Lessa, que coordenou todo o projeto de catalogação. O trabalho, que durou cerca de um mês, contou com dois bibliotecários e três auxiliares.
INTERAÇÃO
Localizada no espaço onde funciona a coleção Rachel de Queiroz, a Cordelteca será inaugurada com 1,2 mil títulos. O interesse da coordenação é de que o espaço, além de servir para consultas, possa estreitar laços entre o gênero e as diversas áreas do conhecimento.
Uma das atividades programadas será a Quinta do Cordel. Prevista para acontecer na primeira quinta-feira de cada mês, ela consiste em reunir cordelistas e pesquisadores dos departamentos da Universidade para dialogar sobre um tema específico a partir de um folheto. "A gente vai fazer essa interlocução. O cordel é algo que aproxima, todo mundo entende. A partir de um folheto, as pessoas entendem o que um médico, um advogado ou um arquiteto quer dizer", considera Paola Tôrres.
Os folhetos ficam armazenados em caixas, com a identificação bibliográfica inserida em espécies de marca-páginas
FOTO: JOSÉ LEOMAR
O vice-reitor de extensão e comunidade universitária, Randal Martins Pompeu, entende a Cordelteca como um estímulo à pesquisa. "Temos como o principal objetivo contribuir para esse resgate da literatura de cordel, que é muito ligada à cultura nordestina, e também usá-la como recurso pedagógico", afirma.
A iniciativa foi comemorada por pesquisadores e guardiões do gênero literário. O escritor e compositor Bráulio Tavares, autor de vários títulos de literatura de cordel e um dos convidados confirmados na inauguração, enfatizou a importância de entender os folhetos como uma obra literária.
"O cordel tem que ser tratado como livro. Se um romance chega a uma biblioteca, ele logo ganha um número, é devidamente armazenado e preservado. O cordel também merece esse cuidado", pontua.
O presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Gonçalo Ferreira da Silva, concorda. "Essa contato das pessoas com o cordel desperta a curiosidade de estudantes, por exemplo, e isso ajuda a preservar o gênero. Essa é a importância", considera Randal.
1,2 mil
títulos de cordel foram catalogados e estão disponíveis para o público
HOMENAGEADA
A paraibana Maria das Neves Baptista Pimentel (1913 - 1994), autora do folheto "O violino do diabo ou o valor da honestidade" (1938), dá o nome à Cordelteca Unifor. Vinda de uma família de poetas, ela resolveu apostar na escrita dos folhetos para sustentar os filhos depois da morte do marido.
Para se afastar do preconceito de gênero, no lugar da própria identidade, inventou um pseudônimo que misturava o nome do marido falecido e o Estado onde ele tinha nascido. Assinou como "Altino Alagoano".
Com a ousadia, ela se tornou a primeira mulher a escrever um folheto de cordel. "Toda a família está muito feliz com a homenagem porque é um reconhecimento", diz Alzinete Alencar Pimentel, filha caçula da poeta.
SERVIÇO
Lançamento da Cordelteca Unifor
Nesta terça-feira (20), às 9h, no Auditório da Biblioteca Central da Unifor (Av. Washington Soares, 1321 - Edson Queiroz). Visitação: De segunda a sexta-feira, das 7h às 21h55. Aos sábados, das 7h30 às 16h25. Informações: (85) 3477.3000
O presidente da Academia Brasileira de Letras, professor Marco Lucchesi, assina na terça-feira (9) convênio com o Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro (Iterj) para a formação de bibliotecas nas comunidades quilombolas e nas escolas que atendem essa população. Lucchesi informou à Agência Brasil,que o acordo com o Iterj, responsável pela titulação das terras quilombolas, resultou da viagem que fez em junho passado a quatro quilombos situados entre os municípios de Araruama e Cabo Frio, na Região dos Lagos: Maria Joaquina, Preto Forro, Fazenda Espírito Santo e Quilombo de Sobara.
"Foi um momento inesquecível em que fizemos como sempre doação de livros mas, principalmente, pela proximidade com essa importante parcela da população brasileira", externou. De acordo com levantamento da Fundação Cultural Palmares, o Brasil tem 2.197 comunidades quilombolas reconhecidas, das quais 29 estão no estado do Rio de Janeiro. Marco Lucchesi disse ter ficado empolgado com a preservação de tradições quilombolas e decidiu manter com os quilombos uma maior aproximação do ponto de vista institucional e solidário. O acordo com o Iterj terá duração de um ano, prorrogável por igual período.
A ABL continuará fazendo uma escolha de livros adequada à realidade dos quilombos e o Iterj responderá pela capilaridade, identificando as carências existentes. Na aproximação com os qiuilombolas, o presidente da ABL contou com o auxílio do desembargador Marco Aurélio Bezerra de Melo, estudioso do tema do direito à terra na cidade e no campo e na relação do Estado na promoção desse direito.
Indígenas
Lucchesi pretende dar continuidade também à aproximação com os povos indígenas, iniciada este ano com a doação de uma estante com livros, CDs e DVDs para a biblioteca da Aldeia Guarani da Mata Verde Bonita, em Maricá, região metropolitana do Rio de Janeiro.
A ação faz parte do Projeto Ivy Marey (que significa Terra sem Males), criado em parceria com a cacique Jurema Nunes de Oliveira e outros membros da aldeia. O projeto prevê maior aproximação cultural da academia com as oito aldeias Guaranis do estado do Rio.
Ainda neste semestre, o presidente da ABL fará viagem ao sul fluminense para conhecer os índios pataxós, "sempre com a mesma ideia de doar livros".
Prisões
Os presidiários continuam também na meta do presidente da ABL, que visitará este mês duas penitenciárias em Campos dos Goytacazes, no Norte do estado. A ideia principal é ter contato com as escolas prisionais, embora mantendo a vocação da ABL que é trabalhar no campo da cultura. "Isso exige hoje no Brasil uma escuta muito profunda de uma população à margem, muitas vezes, do que se espera minimamente dos brasileiros que estejam em situação de conflito com a lei, mas resgatando esse conflito, em uma situação que a gente espera que melhore".
A ABL oferece livros às escolas prisionais e também a escolas de periferia, mais vulneráveis, estas em acordo com a Marinha, sempre visando a formação de bibliotecas e leitores. "Sempre começa com uma palestra. Eu digo alguma coisa e acabo ouvindo. Essa escuta é fundamental nessas zonas de abandono e esquecimento". O mesmo ocorre em relação a hospitais e asilos. "Muitos hospitais já começam a entender que é preciso humanizar o próprio espaço. E essa humanização é composta de várias especificidades, entre as quais o fato que o doente pode ler, o acompanhante e os médicos também podem ler".
A Academia Brasileira de Letras mantém programas nesse sentido com os hospitais que "compreendam e estejam nessa mesma vibração e intensidade", disse Marco Lucchesi. Para escolas e centros que atendem deficientes visuais, a academia envia mais CDs e DVDs que o próprio presidente faz questão de escolher, um a um.
Preocupação
A maior preocupação de Marco Lucchesi hoje, em relação à população privada de liberdade, é com os mais jovens. "O que me interessa mais hoje, sobretudo, é visitar os menores privados de liberdade". Para ele, o Estado não pode ser movido pela raiva contra um menor que cometeu um delito, "e nem atender os instintos mais imediatistas e um pouco mais vingadores de quem não compreende o funcionamento do sistema". O professor revelou que, muitas vezes, durante visita a instituições onde ficam apreendidos menores infratores, ele tem visto jovens de distintas facções se reunirem para montar, com Lego, uma cidade com acessibilidade, democrática para todos. "Me interessa muito o trabalho com menores em conflito com a lei, é a minha menina dos olhos".
Lucchesi tem ido reiteradamente ao Centro Dom Bosco, ex-Padre Severino, onde se encanta com o trabalho dos professores e diretores, apesar de todas as carências que, nas prisões, se tornam mais agudas. "O que falta aqui fora, lá falta duas vezes mais". O presidente da ABL defendeu o aumento do número de vagas tanto para presos adultos, como para menores porque, na sua avaliação, os detentos querem estudar e trabalhar. Isso não é possível na estrutura das prisões que foram criadas no país, de castigo e punição absoluta, e não de um resgate mais profundo e humano, comentou.
A questão não é se os presos vão ficar melhores ou piores, disse. A questão é interior, ressaltou Marco Lucchesi. "Eles têm direito ao estudo, como seres humanos? Eles são brasileiros e têm garantia de que podem ir à escola? Essa é a pergunta essencial. E muitos mudam porque veem nova perspectiva". Para Lucchesi, trata-se de uma dívida social que precisa ser resgatada onde for possível.
Universidades
A ABL fará ainda em julho uma grande doação de livros para o Instituto Federal Fluminense, localizado em Campos dos Goytacazes, dentro da meta de fortalecer, "quando possível", as bibliotecas das universidades.
No campo social, a academia avança no sentido de tornar o site acessível para os deficientes visuais, transformando as informações escritas disponíveis em voz. "Estamos navegando para isso", disse.
Interessados devem se cadastrar até o dia 15 de julho. Aulas serão sempre às terças-feiras, de 6 de agosto a 10 de dezembro; veja como participar.
Por G1 Sorocaba e Jundiaí
Curso gratuito de cinema e literatura será realizado na biblioteca municipal de Jundiaí — Foto: Prefeitura de Jundiaí/Divulgação
A Biblioteca Municipal Prof. Nelson Foot, em Jundiaí (SP), está com inscrições abertas para curso gratuito de cinema e literatura.
As vagas são limitadas e as aulas serão realizadas de 6 de agosto a 10 de dezembro, sempre às terças-feiras, das 18h30 às 21h30. A idade mínima para participação é de 17 anos. As inscrições podem ser feitas até 15 de julho pela internet.
Para se inscrever os candidatos deverão responder à seguinte pergunta: qual livro do acervo da biblioteca você transformaria em filme? Por quê? A equipe responsável pelo curso vai analisar as melhores respostas para selecionar os interessados.
Em sua terceira edição, o orientador do curso será o publicitário Carlos Zaik, presidente da ONG jundiaiense Vidapontocom, que trabalha com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
Segundo a prefeitura, os participantes escolhem um livro do acervo da biblioteca que gostariam de transformar em filme. Durante o curso, os alunos aprendem técnicas de direção, roteiro, fotografia e, finalmente, gravam um curta-metragem.
Após fase de finalização e aula de pós-produção, os resultados são apresentados em um evento aberto ao público em geral, e os melhores participantes ganham troféus.