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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

19 de julho de 2019

A providência divina

Padre Geovane Saraiva*
Ó Senhor, nosso Deus, confiamos na vossa bondade, confiamos na vossa providência divina! Ela é sem limites, indulgente, clemente e radicalmente justa. Nós a percebemos compassiva, bondosa e afável, tanto nos sinais vivos de esperança quanto na sua terna misericórdia. Em Deus nada existe que não tenha um motivo ou seja por acaso, mas tudo entra na lógica do seu plano de amor e na sua divina providência.

Tudo a partir de um Deus lento em sentenciar a criatura humana, mas rico e apressado em oferecer seu perdão, que, na sua inesgotável sabedoria, perdura de geração em geração, indo de uma extremidade a outra da terra, governando-a com aquela suavidade e doçura, tão bem proclamada por Francisco de Assis.

Convençamo-nos, pois, de tal providência e de sua obra eterna, criadora e redentora, considerando-a, portanto, em todas as coisas de sua criação, de um Deus onipotente, que tudo pode e quer, como quer e quando quer, que, segundo o Livro Sagrado, assim se expressa: “Tudo o que lhe apraz, o Senhor realiza no céu, na terra, nos mares e abaixo da terra” (Sl 135, 6), sendo impossível ir contra as suas ações.

Dentro do contexto supramencionado, é conveniente pensar que as obras humanas, até as mais ínfimas, precisam de tempo e material, além de colaboração, exaustão e esgotamento. Já as obras de Deus, até as mais grandiosas e esplêndidas, num fechar de olhos ou instante, realizam-se pelo simples ato da sua divina vontade, de tão irrestrito e absoluto que é o nosso bom Deus, que numa só palavra e do nada se manifesta: “Dissestes e todas as coisas foram feitas... ninguém pode resistir à vossa voz” (Jdt 16, 14).

Conforta-nos a consciência de que as palavras humanas e com sons vazios, a se perderem no ar, são incomparáveis às divinas, que, ao ordenar, tudo passa a existir. Essa é a grande certeza de que Deus, por amor, nos colocou no mundo, que nos estende constantemente, segundo seu beneplácito, suas mãos sagradas, a nos guiar e orientar nossos passos. Que não fiquem dúvidas de que nele encontraremos o que nosso ser mais precisa: a paz, fruto de sua providência! Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza

Após receberem ameaças, Miriam Leitão e Sérgio Abranches são cortados de evento literário

"Tenho vergonha de dizer a Miriam Leitão que não tenho como garantir sua segurança", disse coordenador da Feira do Livro de Jaraguá do Sul

Pedro Waldrich / Divulgação
Jornalista Miriam Leitão é autora de livros como "Tempos Extremos" e "História do Futuro", entre outros
Manifestações nas redes sociais levaram a direção da 13ª Feira do Livro do Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, a anunciar o cancelamento do convite à jornalista Miriam Leitão e ao sociólogo Sérgio Abranches. O evento será realizado de 8 a 18 de agosto e tem como tema Literatura em Movimento.
O corte aos escritores ocorreu após o lançamento de uma petição online de repúdio contra Miriam Leitão por "seu viés ideológico e posicionamento". O abaixo-assinado online contava com 3.035 assinaturas até o início da tarde desta terça-feira (16).
A direção da Feira do Livro emitiu uma nota em que afirma que "nunca, em toda sua história, a festa da literatura foi atacada pela escolha de seus convidados", e que a decisão de cancelar a vinda dos jornalistas não foi unânime.

Organização recebe mensagens de ameaça

Os organizadores afirmam que a decisão de cancelar a participação de Miriam e Abranches levou em conta a proteção da integridade física dos convidados e do público, diante do teor de ameaça das mensagens que receberam.
"A Feira do Livro sempre foi um evento para as crianças e para famílias. Por causa da característica truculenta, intimidadora e ameaçadora de mensagens recebidas, decidimos cancelar parte da programação para proteger a integridade física dos convidados e o bem estar do público", afirmaram em nota ao NSC Total.
O coordenador artístico da 13ª Feira do Livro de Jaraguá do Sul, Carlos Schroeder, afirmou em entrevista que fica envergonhado em ter que dizer que não conseguiria garantir a segurança dos palestrantes na cidade. Ele conta que desde a divulgação dos nomes de Miriam e Sérgio começou uma chuva de comentários nas redes sociais e nos celulares da equipe do evento. Eram 600, 700 comentários, ameaçando os convidados desde morte até recepção com ovos. 
— Como escritor, tenho vergonha de falar para a Miriam Leitão que não posso trazê-la porque não tenho como garantir sua segurança — afirmou Schroeder. 
A jornalista Miriam Leitão e o sociólogo Sérgio Abranches não quiseram comentar a decisão.
Confira a nota emitida pela Feira do Livro na manhã desta terça:
"A feira do livro, em suas 12 edições, sempre foi marcada por ser um evento plural, que promove o conhecimento por meio da literatura, teatro, música e artes visuais.
Nesses 12 anos, a feira já enfrentou inúmeras dificuldades, da escassez de recursos financeiros até enchentes. Mas nunca, em toda sua história, a festa da literatura foi atacada pela escolha de seus convidados.
Em virtude das recentes manifestações, a comissão organizadora, em votação na manhã desta terça-feira (16), optou (em decisão dividida) pelo cancelamento da participação dos jornalistas Miriam Leitão e Sérgio Abranches.
Reiterando, a Feira do Livro é, e sempre foi, um evento de difusão do livro e da leitura, sem fins políticos, religiosos ou ideológicos".

Gaúcha ZH

A saga da literatura

Em “O mundo da escrita”, o historiador Martin Puchner demonstra que a civilização avançou por causa da união das grandes narrativas com as invenções

Luís Antônio Giron
A saga da literatura
MERCADO Vendedor ambulante de livros na Holanda, em 1625: impressores e livreiros incrementam o consumo literário
Nos últimos 4 mil anos, da epopeia suméria “Gilgamesh”, escrita em tabletes de argila, à série juvenil “Harry Potter”, disponível em tablets e outras plataformas digitais, a literatura passou por mudanças à medida que incorporou as invenções. O professor de Literatura Comparada da Universidade Harvard Martin Puchner apresenta uma abordagem inovadora para o tema no livro “O mundo da escrita – como a literatura transformou a civilização” (Companhia das Letras). A literatura para ele não somente refletiu os fatos, como foi essencial para alterá-los. Os 16 capítulos de sua obra compõem uma história da literatura ao avesso dos argumentos habituais.
“Foi apenas quando a narração cruzou com a escrita que a literatura nasceu”, diz Puchner. O alfabeto, papiro, o papel, o livro, impressão e o hipertexto via internet potencializaram-na de tal forma que foi capaz de revolucionar o comportamento,a religião, a política, as artes e o conhecimento. A ponto de o planeta ter-se transformado em um imenso livro.
Puchner divide em quatro etapas esse mundo-escrita. A primeira marca a domínio dos códigos da escrita pelos escribas egípcios e sumérios, respectivamente hieroglífico e cuneiforme, que os guardavam em segredo para que seus mentores, os sacerdotes, comandassem populações analfabetas.
Moinhos mecânicos
Eles foram denunciados na fase posterior por gurus filosóficos como Buda, Sócrates e Jesus. A terceira etapa assinala o nascimento dos autores, impulsionados pelas novas tecnologias. Por fim, a prensa de Gutenberg e a automação da produção de livros intensificaram a alfabetização e o consumo literário em massa. O resultado, afirma, “é um mundo no qual esperamos que as religiões se baseiem em livros e que nações se fundam em textos, um mundo em que conservarmos rotineiramente com vozes do passado e imaginamos que podemos nos dirigir aos leitores do futuro”.
Investigações desse gênero em geral se dão em arquivos e bibliotecas reais e virtuais. Em vez de ficar sentado, Puchner fez expedições aos lugares em que as invenções e textos marcantes surgiram. Passeou as ruínas de Troia – palco da “Ilíada” de Homero – e Chiapas, no sul do México, onde foi concebida epopeia maia “Popol Vuh”, numa segunda invenção da escrita. “Percorrendo as ruínas da grande Biblioteca de Pérgamo, na Turquia, refleti sobre como o pergaminho havia sido inventado ali”, afirma. “Fiquei maravilhado com as bibliotecas de pedra da China, onde os imperadores queriam tornar permanente o seu cânone de literatura”.
O historiador tanto viajou ao ler na tela do computador como leu viajando, in loco. Assim, aprendeu que a literatura impele o leitor a agir. Descobriu que Alexandre, o Grande, lia à noite um rolo de papiro da “Ilíada” comentado por seu preceptor, Aristóteles. Inspirado nas táticas de Aquiles, o monarca macedônio conquistou e helenizou a maior parte do mundo conhecido, do Mediterrâneo à Báctria, atual Afeganistão. Também fundou a Biblioteca de Alexandria, a maior do mundo antigo, e recolheu fábulas que, na Bagdá medieval (então centro da indústria do papel), foram agregadas às “Mil e Uma Noites”. Da mesma forma, logo que os livros impressos se tornaram produtos, Cervantes criou “Dom Quixote”, o primeiro romance moderno,interpolando contos, à maneira dos contos árabes. Ele o fez com dois objetivos, de acordo com Puchner: destruir a popularidade dos romances de cavalaria e denunciar a supremacia dos impressores e dos moinhos de vento, então maravilhas da automação, contra os quais o leitor compulsivo Dom Quixote luta, tomando-os por gigantes. De quatro milênios para cá, os livros continuam a ameaçar, inspirar e enlouquecer a humanidade.
“Foi apenas quando a narração cruzou com a escrita que a literatura nasceu”
Martin Puchner, historiador
 Isto É

O Brasil é viável

Por Gonzaga Mota - Professor aposentado da UFC

A exclusão econômica e social é mais do que uma característica inaceitável da sociedade brasileira. Trata-se de um problema que poderá ameaçar a própria estabilidade da nossa democracia. Afinal, como podemos legitimar um sistema cujos frutos não podem ser compartilhados pela maioria de seus cidadãos?
O País derrota a inflação, há potencialidades de crescimento, mas a renda per capita continua muito baixa. Enquanto o emprego formal permanece em patamares deploráveis, aumenta a informalidade.
Temos uma carga tributária altíssima, mas o que é arrecadado não retorna em favor do cidadão comum no que diz respeito aos serviços públicos que lhe são prestados. A concentração de renda perdura como um dos mais marcantes traços da sociedade brasileira atual. As taxas de juros elevadas inviabilizam os investimentos produtivos.
Cremos que a crise brasileira encampa os diversos setores, atingindo agudamente a economia, a política, a segurança, a saúde, a educação e todas as camadas sociais, principalmente os menos favorecidos. Entretanto, é na ética e na moral que se encontra, a nosso ver, a gênese, a força-motriz que gera toda a crise em que estamos envolvidos. Não se devem conceber apenas soluções táticas, mas também estratégicas.
O Brasil precisa de propostas estruturais, não apenas circunstanciais, ou seja, de rumo definido. A sociedade exige diretrizes e ações para ampliar o nível de emprego, combater a miséria, retomar o crescimento econômico e exterminar a corrupção.

O brasileiro não suporta mais as forças especulativas e as atitudes fisiológicas, desejando, o quanto antes, a realização de investimentos produtivos que permitam a melhoria da qualidade de vida. Assim, reformas como a educacional, a da Previdência e a do sistema fiscal (receitas x despesas) são fundamentais. O Brasil é viável.

Diário Oficial publica lei que inclui autismo nos censos do IBGE

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Diário Oficial da União publica em sua edição desta sexta-feira (19) a Lei nº 13.861/2019, sancionada nessa quinta-feira (18) pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. Ela trata da inclusão de informações específicas sobre pessoas com autismo, nos censos demográficos realizados a partir deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
"Atendendo à necessidade da comunidade autista no Brasil e reconhecendo a importância do tema, sancionamos hoje a Lei 13.861/2019 que inclui dados específicos sobre autismo no Censo do IBGE. Uma boa tarde a todos!", escreveu o presidente da República, em sua conta no Twitter.
A lei sancionada pelo presidente altera a Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, para incluir as especificidades inerentes ao transtorno do espectro autista nos censos demográficos. Atualmente, não existem dados oficiais sobre as pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) no Brasil.
A expectativa inicial era que presidente vetasse o texto e tentasse incluir eventuais questionamentos sobre os autistas na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Pelo Twitter, Bolsonaro chegou a compartilhar, na semana passada, um vídeo da presidente do IBGE, Susana Guerra, em que ela defendia a inclusão dos autistas na PNAD e não no censo demográfico.
Os dois levantamentos são organizados pelo IBGE, mas o censo é realizado a cada dez anos e apura a totalidade dos dados demográficos. Nesta quinta-feira pela manhã, no Palácio do Alvorada, o presidente chegou a dizer, a um grupo de pessoas que pediam a sanção do projeto, que seguiria a orientação de sua equipe, favorável ao veto.
Autismo
O Transtorno do Espectro Autista resulta de uma desordem no desenvolvimento cerebral e engloba o autismo e a Síndrome de Asperger, além de outros transtornos, que acarretam modificações na capacidade de comunicação, na interação social e no comportamento. A estimativa é que existam 70 milhões de pessoas no mundo com autismo, sendo 2 milhões delas no Brasil.

Agência Brasil