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15 de junho de 2017

XII Festival de Inverno da Serra da Meruoca traz 20 composições de artistas de várias cidades do País

No alto da página, o cantor Fagner, uma das atrações do festival neste ano; acima, Byafra, que abre os trabalhos com show hoje à noite no evento
A cidade de Meruoca, no norte do Ceará, deve ganhar nova movimentação e trilha sonora a partir de hoje (15) e até sábado (17), com a realização da 12ª edição do Festival de Inverno da Serra da Meruoca. O evento, de caráter competitivo, reúne compositores e intérpretes de várias cidades do País para apresentarem suas canções autorais em shows ao vivo.
Trata-se do retorno do festival após dois anos sem ser realizado. Além dos concorrentes, o evento também traz show de grandes nomes da música popular brasileira. Neste ano, sobem ao palco Byafra (dia 15), Guilherme Arantes (dia 16) e Fagner (dia 17), além de atrações Dona Leda, Lágrimas da PS, Dona Zefinha, Trovador Eletrônico e Legenda Lateral, sem esquecer das feiras e oficinas. Toda a programação é gratuita.
Ao todo, foram 177 canções inscritas, oriundas de diversos estados e também de vários municípios do Ceará - um recorde na história do evento. O número demonstra a importância do Festival para o calendário cultural do Ceará e a produção musical brasileira.
"Gostaria de, em nome da coordenação do festival, agradecer e parabenizar imensamente todos os inscritos que contribuem com seus processos criativos de forma plena para a heterogeneidade e qualidade da MPB; contudo, por questões de logística, o Festival de Inverno da Serra da Meruoca seleciona apenas 20 canções para suas semifinais. Foi um trabalho muito difícil, entre tantas obras de valor", explica o coordenador Pingo de Fortaleza.
Jurados
A escolha das canções finalistas ficou a cargo de uma banca formada por nomes de referência na área: Mona Gadelha (cantora, compositora, coordenadora do Laboratório de Música do Porto Iracema das Artes desde 2014. Lançou sete CDs autorais e participou do álbum "Massafeira"); Abdoral Jamacaru (cantor e compositor natural do Crato, autor de vários LPs e CDs, entre eles "Avalon", de1986, que traz a primeira versão de "Flor do Mamulengo", de Luiz Fidelis); Caio Sílvio (compositor cearense autor de sucessos nacionais como "Noturno" (interpretada por Fagner) e "Pequenino Cão" (imortalizada na voz de Simone); Téti (intérprete cearense integrante do movimento Pessoal do Ceará e com diversos discos gravados); e Marcus Vinnie (maestro, arranjador, integrante da banda Locomotiva e da banda do cantor e compositor Fagner).
Prêmios
As músicas selecionadas para as etapas eliminatórias concorrerão às premiações de R$ 8.000 (primeiro lugar); R$ 5.000 (segundo lugar) e R$ 3.000 (terceiro lugar); além de R$ 1.500 para música de aclamação popular e R$ 1.500 para melhor intérprete. Além dos valores em dinheiro, todos os contemplados também recebem troféu.
Realizado tradicionalmente no feriado de Corpus Christ, o Festival de Inverno da Meruoca é o único inspirado nos clássicos festivais de MPB da década de 1960, com gênero competitivo e em atividade contínua no Ceará.
"Este festival é muito importante para a região. Entendemos que não só divulga a cidade de Meruoca nacionalmente mas também gera oportunidade de trabalho para a comunidade, difunde a cultura e tem toda uma dinâmica que movimenta o município no feriado de Corpus Christi.", declara o prefeito de Meruoca, Francisco Antônio Fonteles.
Para Pingo de Fortaleza, a cultura, principalmente a música cearense só tem a ganhar com o retorno do festival, pois o evento tornou-se referência e tradição nacional, por difundir a música e artistas que estão longe da grande mídia.
O evento é concebido a partir de duas eliminatórias, a primeira na quinta-feira (15), e a segunda, na sexta-feira (16), ficando a final para a última noite, no sábado (17).
Edição
A última edição do evento aconteceu em 2014, com 15 canções apresentadas, cinco a menos do que neste ano. O festival costuma movimentar não apenas a cidade da Meruoca, mas atrair público de municípios vizinhos, como Coreaú, Alcântaras, Massapê e Sobral - cidades que integram a serra. A realização é da Associação Cultural Solidariedade e Arte - Solar.
Canções

Asas do Coração
Compositor: Fernando Araújo
Intérprete: Davi Carvalho
Cantando pra Luiz
Compositor: Thim Lopes
Intérprete: Thim Lopes
Canto do mar
Compositor: Bruna Hetzel
Intérprete: Bruna Hetzel
Casa dos viajantes
Compositores: Martin Cesar /
Zebeto Corrêa
Intérprete: Zebeto Corrêa
Céu de nuvens
Compositor: Nilton Cruz
Intérprete: Marcelo Holanda
Da-me a ti
Compositores: Edu Asaf/
Zé Alexandre
Intérprete: Edu Asaf
Das cores de si
Compositores: Marisol/Tito Freitas
Intérprete: Marisol
Estradeiro
Compositor: Ramon Moreira
Intérprete: Ramon Moreira
Eu já sabia
Compositores: Luciano Maia/
Chico Pio
Intérprete: Chico Pio
Eu não preciso da sua água
Compositores: Jânio Florêncio/ Sérgio Theófilo
Intérprete: Jânio Florêncio
Forró do Luiz
Compositor: Raimundo Cassundé
Intérprete: Cumpade Barbosa
João pecado
Compositor: Fernando Lourenço
Intérprete: Frontal com Fanta
O inverno
Compositor: Roberto Flávio Almeida
Intérprete: Leandro Oliveira Barreto
O vento aracati
Compositor: Eusébio Rocha
Intérprete: Fábio Duarte
Oxumaré
Compositores: Pantico Rocha/
Marcus
Intérprete: Pantico Rocha
Porto das barcas
Compositora: Linda Pedra
Intérprete: Linda Pedra
Prece
Compositores: Joaquim Ernesto/
José Ferreira
Intérprete: Eudes Fraga
Rua deserta
Compositores: Chico Barreto/
Silvio Barreira
Intérprete: Lúcio Ricardo
Templo da razão
Compositores: Dunga Odakan/Rogério Soares/
Serrão de Castro
Intérprete: Serrão de Castro
Um novo dia todo dia
Compositor: Johnny Silva
Intérprete: Johnny Silva

Diário do Nordeste

Mia Couto em palestra na Unifor

Mia Couto: escritor um dos principais nomes da literatura em língua portuguesa no mundo
O moçambicano Mia Couto, 61 anos, é um daqueles casos invejáveis em que o sucesso de público coincide com a aclamação da crítica. Autor de livros em prosa e verso, ele é a atração do seminário internacional "Recriar o Pensamento, Mudar a Realidade", que acontece no dia 29 de junho, às 19h, na Universidade de Fortaleza (Unifor).
No palco do Teatro Celina Queiroz, o autor compartilhará seus conhecimentos e vivências com o público presente. A experiência de Mia Couto vai bem além do ofício solitário da escrita. Biólogo, especializado em ecologia, e um crítico atento das realidades sociais, ele viaja o mundo divulgando sua literatura e estabelecendo diálogos com diversas culturas. As palestras e conferências do escritor são famosas por sua combinação de inteligência e bom humor.
O evento é promovido pela Pós-Unifor, em parceria com o Escritório de Gestão, Empreendedorismo e Sustentabilidade (EGES). As vagas são limitadas . O seminário é aberto ao público e as inscrições podem ser feitas pelo site da Unifor (www.Unifor.Br).
O evento segue um dos objetivos da Pós-Unifor de proporcionar aos alunos e à sociedade o encontro com grandes lideranças mundiais, que inspiram com suas ideias e ações, buscando o fortalecimento da inovação, empreendedorismo, sustentabilidade, liderança, dentre outras habilidades necessárias para o profissional do século XXI.
Mia Couto é um dos principais nomes da literatura em língua portuguesa. Atualmente, ele é o autor moçambicano mais traduzido e divulgado no exterior e um dos autores estrangeiros mais vendidos em Portugal. Atualmente, suas obras são traduzidas e publicadas em 24 países.
Importância
Filho de pais portugueses, Antônio Emílio Leite Couto nasceu em 1955 na cidade da Beira, em Moçambique, na África lusófona. O pai era jornalista e escritor e viu o filho seguir seus caminhos, nas letras e na imprensa.
A produção inicial de Mia Couto é como poeta. Mais tarde se dedicou ao jornalismo e à literatura em prosa. Escritor prolífico, ele é autor de romances e de coleções de contos, crônicas, ensaios e poemas - obra que lhe rendeu homenagens importantes, como o Prêmio Camões (comenda mantida em parceria pelos governos brasileiro e português) e Prêmio Literário Internacional Neustadt (EUA). Em 1999, o autor recebeu o prêmio Vergílio Ferreira pelo conjunto de sua obra e, em 2007, foi agraciado com o prêmio União Latina de Literaturas Românicas.
É o único escritor africano membro da Academia Brasileira de Letras. Mia Couto é sócio correspondente da ABL, eleito em 1998, sendo o sexto ocupante da cadeira nº 5, que tem por patrono Dom Francisco de Sousa.
Terra
Mia Couto é um "escritor da terra", escreve e descreve as próprias raízes do mundo, explorando a natureza humana na sua relação umbilical com a terra. A sua linguagem extremamente rica e muito fértil em neologismos, confere-lhe um atributo de singular percepção e interpretação da beleza interna das coisas. Cada palavra inventada como que adivinha a secreta natureza daquilo a que se refere, entende-se como se nenhuma outra pudesse ter sido utilizada em seu lugar. As imagens de Mia Couto evocam a intuição de mundos fantásticos e em certa medida um pouco surrealistas, subjacentes ao mundo em que se vive, que envolve de uma ambiência terna e pacífica de sonhos - o mundo vivo das histórias.
Como biólogo tem realizado trabalhos de pesquisa em diversas áreas, com incidência na gestão de zonas costeiras e na coleta de mitos, lendas e crenças que intervêm na gestão tradicional dos recursos naturais. É diretor da empresa Impacto, Lda. - Avaliações de Impacto Ambiental. Em 1992, foi o responsável pela preservação da reserva natural da Ilha de Inhaca.
Saiba Mais
Seminário internacional - "Recriar o Pensamento, Mudar a Realidade", com o escritor moçambicano Mia Couto. Dia 29 de junho, às 19 horas, no Teatro Celina Queiroz, no Campus da Unifor (Av. Washington Soares, 1321 - Edson Queiroz)
Ingressos - À venda pelo site www.Unifor.Br
Descontos - Alunos, egressos, professores e funcionários da Unifor têm 50% de desconto
Empresas parceiras da Unifor têm 20% de desconto
Contato - (85) 3477.3000

Diário do Nordeste

Cine Cultura Popular exibe curtas cearenses nesta quinta-feira

Filme ‘Tempo de Lagoa’ é um dos escolhidos para esta edição do Cine Cultura Popular (Foto: Divulgação)
O Cine Cultura Popular, que ocorre nesta quinta-feira, 15, às 16 horas, no Museu da Cultura Cearense (MCC) no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, exibe os curta-metragens Tempo de Lagoa e Encatária. Com acesso gratuito, a ação é uma realização do Núcleo Educativo, que fomenta atividades de caráter pedagógico a partir do patrimônio, da memória e das práticas da cultura cearense.
Desde janeiro deste ano, as sessões que ocorrem sempre uma vez por mês são compostas por filmes enviados pelos realizadores cearenses por meio de formulário eletrônico. Um grupo de educadores do Museu que formam o Núcleo Educativo organizam as exibições. A sessão do Cine Cultura Popular acontece no Mini-auditório do Museu da Cultura Cearense.
TEMPO DE LAGOA (HD/10’41’/ 2015)’
Sinopse: A lagoa acolhe, protege e alimenta aqueles que se achegam em suas margens, lava os que adentram suas águas. Como um manto temporal, desacelera corpos e mentes fustigados pelo fluxo alucinante de uma cidade que teima em lembrar que tempo é dinheiro
Direção: Juan Lima, Luiz James, Marcelino Oliveira e Wagner Abreu
Argumento: Juan Lima
Fotografia: Marcelino Oliveira ; Thiago Nascimento
Encatária (HD/20’/2015)
Sinopse: Encantária é o lugar onde seres sagrados se manifestam através de forças da natureza. E através de Pajé Barbosa, da etnia Pitaguary, esse lugar se revela em sua dimensão; seja em uma roda de conversa, caminhando na Serra da Monguba ou em um ritual.
Direção de Produção: Leandro Bezerra
Montagem: Fernanda Brasileiro
Direção de Fotografia: Alisson Severino
Trilha Sonora: Ana Paula Oliveira
Blog O Povo

Thiago Delegado: músico de grandes projetos

Thiago é precursor do "DelegasCia" e "A Hora do Improviso"
Em entrevista exclusiva ao Dom Total, o músico contou um pouco mais sobre sua carreira, projetos e parcerias.
Em entrevista exclusiva ao Dom Total, o músico contou um pouco mais sobre sua carreira, projetos e parcerias. (Reprodução)

Por Larissa Troian
Repórter Dom Total
Violonista, compositor e arranjador, Thiago Delegado vem mostrando seu valor ao longo dos anos. Resultado disso são suas premiações no BDMG Instrumental de 2011, Jovem Instrumentista BDMG 2009, Prêmio Marco Antônio Araújo 2011 – O melhor disco instrumental independente de 2010 produzido em Minas Gerais, entre outros.
Em entrevista exclusiva ao Dom Total, o músico contou um pouco mais sobre sua carreira, projetos e parcerias. Formado em Engenharia Eletrônica e de Telecomunicações, Thiago tocava violão nas horas vagas: “Eu gostava de tocar violão, mas violão de faculdade mesmo, acompanhando, não tinha pensado em ser músico. Aí eu frequentava um lugar que chama Pedacinhos do Céu, tradicional do Choro, lá no Caiçara. Um dia o dono de lá viu que eu gostava de violão e me pediu para que quando eu formasse, o procurasse para conhecer alguns choros. Fui na casa dele, ele me aplicou uns choros, eu também sabia ler cifra, coisa que aprendi através de songbooks. Foi então que ele me chamou para tocar lá no Pedacinho do Céu aos finais de semana. A música foi entrando devagarinho na minha vida, ao passo que fui abandonando a engenharia. Mesmo formado, nunca atuei na área”.
Indagado a respeito de suas influências musicais, Thiago revelou que ouvia muita música em casa, com a família: “A gente ouvia muito Chico, Tom Jobim, Paulinho da Viola, Cartola. Como fui criado em Caratinga, a gente viajava muito e sempre escutava durante as viagens. Minha mãe gostava muito dessa coisa da MPB da década de 60 e 70. A música instrumental, inclusive, veio bem depois na minha vida, fui criado com a música popular brasileira mesmo”.
Com grandes colegas musicais como o letrista Murilo Antunes, o artista contou como surgem essas parcerias: “Eu gosto de ser parceiro dos meus amigos, a gente tem que ter a liberdade para falar que não está gostando de alguma coisa. Se fizer alguma parceria com alguém desconhecido fica mais difícil, as vezes o camarada faz uma letra para uma música sua que fica esquisita, mas aí você não tem liberdade para falar pois ele não é seu amigo. Então essa coisa da parceria vem da amizade mesmo, sou parceiro dos meus amigos”.
Precursor de um projeto de música instrumental brasileira intitulado DelegasCia, que acontece todos às quintas, na Casa de Cultura (Padre Marinho, 30 – Santa Efigênia), Thiago falou sobre como tudo começou: “No início era Delegas Trio. Surgiu mais ou menos dois anos após eu sair do Pedacinhos do Céu, que fiquei meio órfão. Eu comecei a tocar com a galera do samba, mas eu estava acostumado com aquele ritmo semanal, coisa que é boa para mim que não fiz escola de música, então minha escola era tocando na noite. Foi aí que procurei o Fernandinho, lá da Casa e sugeri que eu e mais dois amigos começássemos a tocar lá. Esse projeto começou na quarta-feira, depois mudou para quinta. Foram várias formações e a de agora está muito legal, que somos eu, André Limão, Christiano Caldas e Aloizio Horta. Já fazem 9 anos que demos início ao projeto”.
Além do DelegasCia, Thiago apresenta também o “A Hora do Improviso”, talk show da rádio Inconfidência: “Eu falo muito, sempre gostei muito de comunicar, conversar. Então tive essa ideia de ao invés um jornalista entrevistando, um músico entrevistando outros músicos, com instrumento na mão, tocando as músicas e conversando. É um talk show de uma hora, então conta a vida do camarada, a história. Fiquei com isso na cabeça e comentei com o Tutti Maravilha sobre a possibilidade e ele sempre me incentivou muito a fazer. Procurei a diretoria da Inconfidência e depois de um tempo, consegui. Eu estou muito feliz com o programa, já estamos no meio da segunda temporada”.
Thiago ainda revelou que seus prêmios são superimportantes especialmente pelo fato de não ter formação em música: “O mais legal para mim é isso, esses prêmios ficam como se fossem diplomas, alguma coisa que corrobora o fato deu estar lidando com a música, algum título musical, já que sempre fui muito autodidata. Foram todos incentivos para que eu pudesse continuar no meu caminho musical”.
Finalizando a entrevista, o músico mandou um recado aos futuros violonistas que estão chegando: “Não tenham medo de errar. Acho que o pessoal tem muito medo de errar e fica se preparando demais para o momento. Tem que ir lá e fazer, não ter medo de compor, de entrar nas rodas de choro e samba. Música é troca, então é importante também trocar figurinhas com outros músicos. É fundamental estudar para caramba, mas o mais legal é trocar experiências, conhecer o trabalho do outro e mostrar o seu”.

Redação Dom Total

O povo se reúne para festejar o santos Antônio, João Batista, Pedro e Paulo

No encontro com as diversas tradições regionais, as festas juninas foram adquirindo contornos característicos.
A festa junina é um patrimônio cultural importante para nosso povo.
A festa junina é um patrimônio cultural importante para nosso povo. (Divulgação)

O mês de junho é marcado pelas festas juninas. Em muitas cidades do Brasil, o povo costuma se reunir para festejar Santo Antônio, São João Batista, São Pedro e São Paulo. É neste mês que acontece um fenômeno natural interessante: no hemisfério sul, o dia é mais curto e a noite mais longa e no hemisfério norte, o contrário, o dia é mais longo e a noite mais curta. Tal fenômeno era motivo de celebrações em meio aos povos antigos, que pediam colheita farta e aproveitavam para agradecer as já realizadas.
No encontro com as diversas tradições regionais, as festas juninas foram adquirindo contornos característicos. No Brasil, tornou-se tradição, por exemplo, o erguimento do mastro, o estender bandeirinhas e pendurar balões coloridos, o forró e os fogos de artifício. As comidas típicas em sua maioria derivam do milho: canjica, bolos, pamonha, pipoca. No entanto, é na região Nordeste que os festejos populares ganham maior expressão.
Campina Grande (PB), por exemplo, é conhecida por ter o maior São João do mundo. É por lá que inclusive é desenvolvido um projeto em parceria com a prefeitura municipal, o “Fé e Cultura”. “A festa junina é um patrimônio cultural importante para nosso povo, no sentido de que atravessaram gerações, conservando as danças próprias que são as quadrilhas, as fogueiras, o colorido das bandeirinhas e o forró que anima nossos parques, ruas e salões”, explica padre Luciano Guedes, pároco da Catedral de Campina Grande.
Coordenador do projeto Fé e Cultura, padre Luciano explica que o surgimento da iniciativa é uma cooperação entre a diocese e a prefeitura, para dar à festa realizada no Parque do Povo uma visibilidade maior na dimensão religiosa, especialmente sobre a origem do São João. “Neste espaço instalou-se uma cidade cenográfica, com réplica da Catedral de Nossa Senhora da Conceição e de outros prédios históricos da cidade. Aproveita-se este cenário para exposições e narrativas da nossa cultura religiosa local, enfatizando os santos e seus significados. Dessa forma, indicamos referenciais para recordar aos paraibanos e ao nosso turista visitante, a identidade da festa de São João”, sublinha.
Outra cidade conhecida por ter uma grande organização em torno deste tipo de comemoração é Caruaru (PE). Por lá a tradição é forte e todos os anos a cidade recebe um grande fluxo de turistas. O bispo diocesano, dom Bernardino Marchió, garante que não se pode imaginar Caruaru sem a festa de São João e as suas feiras: “A cidade foi se desenvolvendo ao redor destes dois elementos que movem a sua economia e as festas (…). Tem as promessas a Santo Antônio para arranjar um casamento, em frente às casas não pode faltar a fogueira de São João e São Pedro é respeitado no seu dia 29 de junho como feriado municipal”.
No entanto, dom Bernardino faz ainda uma consideração, ele diz que a religiosidade popular pode ter suas tradições, mas garante que não deve-se confundir com festas religiosas: “Todos os padres tem a impressão de que o mês de junho é o mês com menos frequência na missa e nas celebrações dos sacramentos. Tirando os casamentos matutos, raramente há casamentos religiosos neste período. As famílias estão ocupadas em receber familiares e amigos que vem de longe ou na preparação das comidas gigantes como pamonha, canjica e pé de moleque!”, finaliza.

CNBB

Corpus Christi: Sentido, Origem e história

Nos ambientes urbanos, apesar das dificuldades estruturais, as comunidades continuam expressando sua fé Eucarística.
Geralmente a festa termina com uma concentração em algum ambiente público, onde é dada a solene bênção do Santíssimo Sacramento.
Geralmente a festa termina com uma concentração em algum ambiente público, onde é dada a solene bênção do Santíssimo Sacramento. (Divulgação)

Na quinta-feira, após a solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja celebra devotamente a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, festa comumente chamada de Corpus Christi.
A motivação litúrgica para tal festa é o louvor merecido à Eucaristia, fonte de vida da Igreja. Desde o princípio de sua história, a Igreja devota à Eucaristia um zelo especial, pois reconhece neste sinal sacramental o próprio Jesus, que continua presente, vivo e atuante em meio às comunidades cristãs.
Celebrar Corpus Christi significa fazer memória solene da entrega que Jesus fez de sua própria carne e sangue, para a vida da Igreja, e comprometer-nos com a missão de levar esta Boa Nova para todas as pessoas.
Origem da solenidade
Na origem da festa de Corpus Christi estão presentes dados de diversas significações. Na Idade Média, o costume de celebrar a missa com as costas voltadas para o povo, foi criando certo mistério em torno da Ceia Eucarística. Todos queriam saber o que acontecia no altar, entre o padre e a hóstia. Para evitar interpretações de ordem mágica e sobrenatural da liturgia, a Igreja foi introduzindo o costume de elevar as partículas consagradas para que os fiéis pudessem olhá-la.
Este gesto foi testemunhado pela primeira vez em Paris, no ano de 1200. Entretanto, foram as visões de uma freira agostiniana, chamada Juliana, que historicamente deram início ao movimento de valorização da exposição do Santíssimo Sacramento.
Em 1209, na diocese de Liége, na Bélgica, essa religiosa começa a ter visões eucarísticas, que se vão suceder por um período de quase trinta anos. Nas suas visões ela via um disco lunar com uma grande mancha negra no centro. Esta lacuna foi entendida como a ausência de uma festa que celebrasse festivamente o sacramento da Eucaristia.
Nasce a festa de Corpus Christi
Quando as ideias de Juliana chegaram ao bispo, ele acabou por acatá-las, e em 1246, na sua diocese, celebra-se pela primeira vez uma festa do Corpo de Cristo. Seja coincidência ou providência, o bispo de Juliana vem a tornar-se o Papa Urbano IV, que estende a festa de Corpus Christi para toda Igreja, no ano de 1264.
Mas a difusão desta festa litúrgica só será completa no pontificado de Clemente V, que reafirma sua significação no Concilio de Viena (1311-1313). Alguns anos depois, em 1317, o Papa João XXII confirma o costume de fazer uma procissão, pelas vias da cidade, com o Corpo Eucarístico de Jesus, costume testemunhado desde 1274 em algumas dioceses da Alemanha.
O Concílio de Trento (1545-1563) vai insistir na exposição pública da Eucaristia, tornando obrigatória a procissão pelas ruas da cidade. Este gesto, além de manifestar publicamente a fé no Cristo Eucarístico, era uma forma de lutar contra a tese que negava a presença real de Cristo na hóstia consagrada.
Atualmente a Igreja conserva a festa de Corpus Christi como momento litúrgico e devocional do Povo de Deus. O Código de Direito Canônico (onde estão contidas as normas da Igreja) confirma a validade das exposições públicas da Eucaristia e diz que principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, haja procissão pelas vias públicas (cf. cân. 944).
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Santo Tomás de Aquino e a celebração do Corpo de Cristo
Santo Tomás de Aquino destacava três aspectos teológicos centrais do sacramento da Eucaristia. Primeiro, a Eucaristia faz o memorial de Jesus Cristo, que passou no meio dos homens fazendo o bem (passado). Depois, a Eucaristia celebra a unidade fundamental entre Cristo com sua Igreja e com todos os homens de boa vontade (presente). Enfim, a Eucaristia prefigura nossa união definitiva e plena com Cristo, no Reino dos Céus (futuro).
A Igreja, ao celebrar este mistério, revive estas três dimensões do sacramento.
Por isso envolve com muita solenidade a festa do Corpo de Cristo. Não raro, o dia de Corpus Christi é um dia de liturgia solene e participada por um número considerável de fiéis (sobretudo nos lugares onde este dia é feriado).
Devoção popular e a Procissão
É necessário destacar que muito mais do que uma festa litúrgica, a Solenidade de Corpus Christi assume um caráter devocional popular. O momento ápice da festa é certamente a procissão pelas ruas da cidade, momento em que os fiéis podem pedir as bênçãos de Jesus Eucarístico para sua cidade. O costume de enfeitar as ruas com tapetes de serragem, flores e outros materiais, formando um mosaico multicor, ainda é muito comum em vários lugares.
Algumas cidades tornam-se atração turística neste dia, devido à beleza e expressividade de seus tapetes. Ainda é possível encontrar cristãos que enfeitam suas casas com altares ornamentados para saudar o Santíssimo, que passa por aquela rua.
A procissão de Corpus Christi conheceu seu apogeu no período barroco. O estilo da procissão adotado no Brasil veio de Portugal, e carrega um modo popular muito característico.
Geralmente a festa termina com uma concentração em algum ambiente público, onde é dada a solene bênção do Santíssimo Sacramento. Nos ambientes urbanos, apesar das dificuldades estruturais, as comunidades continuam expressando sua fé Eucarística, adaptando ao contexto urbano a visibilidade pública da Eucaristia.
Corpus Christi no Brasil de hoje
A Gaudium Press registra que no Brasil a solenidade de Corpus Christi é feriado nacional o que, sem dúvida, é ainda uma reminiscência de outras eras, merecidamente guardada.
Este ano de 2017, Ano Mariano para todo o Brasil, a Diocese de Tubarão estará comemorando nessa Festa de Corpus Christi os 181 anos de instalação da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, em Tubarão, e também comemora os 70 anos de sua emissora a Rádio Tubá.
A programação prevista é de que haverá Missa comemorativa do Corpo de Deus presidida pelo Bispo Diocesano, Dom João Francisco Salm, na Catedral, às 15 horas e que, após a Santa Missa inicia-se o cortejo da procissão com o Santíssimo exposto que passará pelas ruas Anita Garibaldi, Salvato José Elias e da Piedade. A emissora diocesana Rádio Tubá, que comemora seus 70 anos de fundação, fará a transmissão de todas as cerimônias ao vivo.
As pessoas que se desejarem ajudar na preparação dos enfeites e decoração das ruas poderão dirigir-se para as imediações da Catedral já a partir das 8:30 horas de quinta-feira. Os voluntários poderão agregar-se às diversas equipes pastorais, comunidades, movimentos e grupos de moradores responsáveis pela ornamentação de alguns trechos do percurso.
A forte tradição de devoção eucarística que existe na diocese, faz esperar que muitos fiéis, devotamente, preparem a frente das casas com altares ornamentados para saudar o Santíssimo que passa por sua rua: O importante é valorizar este momento afetivo da vida dos fiéis quando eles demonstram publicamente sua devoção e fé.

Gaudium Press