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8 de outubro de 2018

Sensação literária japonesa questiona o que é ser 'normal'

Sayaka Murata, 39 anos, é um dos grandes nomes da nova literatura japonesa. Seu décimo livro, Querida Konbini, é o primeiro a ganhar tradução para o português e chega ao Brasil pela editora Estação Liberdade depois de vender 700 mil exemplares no Japão e ser traduzido para outros 17 idiomas.
Sayaka Murata
A escritora japonesa Sayaka Murata, cujo livro 'Querida Konbini' está sendo lançado no Brasil  Foto: KENTARO TAKAHASHI
A história tem fascinado tanta gente porque coloca diversos pontos de interrogação sobre o comportamento padrão da atual sociedade – é uma dica de leitura para todo escritor de autoajuda, em especial aos que publicam receitas práticas e simples para se viver melhor. Aquele que se considera um “cidadão de bem” e vive a combater quixotescamente o mau do mundo, como o Cabo Daciolo em sua promessa de destruir as estátuas da Havan, talvez se surpreenda com o romance japonês. 

A crítica parte do ponto de vista de uma mulher que busca o tempo todo não causar estranheza pelo seu jeito de ser, mas quanto mais ela procura meios para passar desapercebida, mais ficam gritantes essas peculiaridades. A protagonista e narradora é Keiko Furukura, de 36 anos, que o jornalista Nicolas Gatting, do Japan Times, definiu muito bem: “mortalmente séria em circunstâncias absurdas”. E essa dualidade é a principal artimanha encontrada pela autora para trazer humor em situações que poderiam ser apenas de repulsa.

Keiko trabalha há 18 anos em uma loja de conveniência (Konbini, em abreviação no japonês). A família e as amigas insistem para que ela procure um emprego melhor, mas a padronização e as regras daquele estabelecimento lhe dão conforto. É o lugar onde se sente de fato compreendida, pois existe um manual de conduta que torna os funcionários iguais. Ela acredita que consegue ouvir a loja e antever o que os clientes vão precisar. No entanto, nunca foi efetivada de cargo.
A dificuldade para pertencer ao mundo vem desde a infância. Quando criança, bateu com a pá na cabeça de um colega de classe e não entendeu o motivo de levar bronca dos professores, já que o aluno estava atrapalhando a aula. Também não entendeu a lógica de os amigos terem a ideia de enterrar um pássaro morto na praça. Para ela era muito mais sensato colocá-lo na churrasqueira.
Mais velha, em visita à casa da irmã, conta: “O bebê começou a chorar. Minha irmã correu para pegá-lo no colo e ficou tentando silenciá-lo. Olhei para a pequena faca que havíamos usado para cortar o bolo pousada sobre a mesa. Minha irmã parecia estar sofrendo tanto, coitada... Pensei que se o objetivo era apenas fazer o bebê ficar quieto, seria bem fácil. Limpei os lábios sujos pelo creme de bolo e assisti enquanto ela embalava o filho.”
Keiko nota muito claramente a influência que os outros têm sobre ela. A protagonista percebe que está se expressando no mesmo tom de uma colega de trabalho. Ao mesmo tempo, passa a se vestir como outra funcionária, que tem mais ou menos sua idade. Suas roupas passam a ser elogiadas pela irmã e Keiko se sente bem com isso. 
A busca para agradar aos que estão a sua volta chega ao ponto de ela fazer um acordo absurdo com Shiraha, seu colega de trabalho misógino e sociopata. Ela oferece casa e comida em troca de um relacionamento de fachada. “É como um animal de estimação”, diz. Assim, tem a expectativa de que a família e os amigos pararão de importuná-la com o fato de nunca ter tido interesse por sexo. 
A autora, assim como a protagonista, trabalhou em loja de conveniência, período que considerou importante para reparar no comportamento das pessoas e ter tempo para escrever. A seguir, a entrevista que Murata concedeu ao Aliás por e-mail. 
Qual foi o impacto que seu livro causou no Japão?
A personagem que “se torna um ser humano” por meio da imagem fria de um manual, parece ter impressionado bastante os leitores. “Sou uma pessoa normal, no entanto, não sei mais o que ‘normal’ significa”, disseram muitos deles.
Por que acha que essa obra ganhou também tanta notoriedade em outros países?
A ideia de que uma loja de conveniência excessivamente cortês seja típica do Japão é surpreendente, mas acho que um pouco dessa notoriedade talvez se deva ao interesse por esse aspecto japonês. Além disso, o desconforto em relação à ideia de “normalidade” é um tema ubíquo, ele ultrapassa épocas e culturas, talvez haja esse aspecto com o qual seja fácil simpatizar.
Quem é Keiko Furukura na sua opinião?
Keiko Furukura é um “espelho”. É uma existência que reflete a natureza genuína das pessoas ao seu redor. Quando uma pessoa que se considera normal é colocada diante dela, imagino que ela deva ficar estupefata ao ver sua própria figura bizarra refletida nesta última.
Você trabalhou em uma loja de conveniência. Sofreu algum tipo de preconceito como a protagonista?
As pessoas próximas nunca me disseram nada, mas me senti desconfortável quando um rapaz do turno da noite comentou maldosamente que eu não devia fazer bicos na minha idade e me disse que devia arrumar uma namorada logo.
‘Querida Konbini’ questiona o comportamento padrão. Você acha que o mundo, de uma maneira geral, está evoluindo para aceitar as diferenças?
Sim, acredito. Um editor por quem tenho respeito disse que ler romances expande a existência. Acredito que imaginar a vida de outras pessoas expanda nossa existência e nos faça aceitar pessoas diferentes de nós, essa é minha esperança.
Outro tema abordado no livro é o machismo. Como você vê a questão de gênero no Japão e no mundo?
Fui pressionada a ser uma “garota bonitinha” desde a infância, isso era muito penoso e eu não sabia quem eu era por um bom tempo. Consegui me afirmar graças aos livros. Acho que o sexismo está profundamente enraizado no Japão e, em certos casos, muitas pessoas sequer são capazes de perceber o que estão sofrendo. Entretanto, acredito que as coisas enfim estejam mudando pouco a pouco. Tenho esperanças disso.
É cada vez maior o número de pessoas que optam por se fechar em um universo particular e evitam o convívio social. O que acha disso? 
Não acho que viver em um mundo próprio seja ruim. É belo viver em um mundo peculiar, que só nós conseguimos ver. Embora acredite que seria ainda mais belo se pudéssemos mostrá-lo para os outros e apreciar os mundos uns dos outros.
Como é ser escritora no Japão? Você consegue viver apenas dos livros?
No Japão, a maioria dos escritores se vê pressionada por prazos. Há muitos que publicam vários livros por ano. Eu não consigo escrever múltiplas obras ao mesmo tempo, por isso escrevo devagar. Há editores com os quais posso contar, nós bebemos, conversamos e estabelecemos uma relação de confiança. Atualmente posso viver apenas da minha atividade como escritora.
O que você anda fazendo? Já tem data para a publicação de um novo romance?
Um novo livro chamado Habitante do Planeta Terra (Chikyu Seijin) foi publicado há pouco. A narrativa é mais idiossincrática, triste e grotesca do que a de Querida Konbini. Não trabalho mais em uma loja de conveniência, então entro em um café e escrevo enquanto bebo chá preto. Estou escrevendo uma nova obra atualmente. 
Estadão

A Palavra Não

Por Uaçaí de Magalhães Lopes
A Palavra Não
Foto: Arquivo pessoal
                                      Para minha filha Carmen




Está na hora de dizer
NÃO ao sim.
Se você é mulher     
e tem vergonha de falar:
diga NÃO.
Se olhe no espelho:
se veja naquelas mulheres de Atenas.
 “É impossível conter a primavera”.
As mulheres se uniram contra o Fascismo.
Não queremos outro
“Primeiro de Maio de Chicago”
aqui no Brasil.
Lembre-se das passeatas
do dia 29 de setembro de de 2018
do Campo Grande descendo a Ladeira 
até o Farol da Barra em Salvador,
representando todas as passeatas
ocorridas por todo o Brasil e pelo mundo afora.
VIVA O 29 DE SETEMBRO 
este dia será lembrado na história:
DIA MUNDIAL DA LUTA CONTRA O FACISMO.
 
 
 
Se você alguma vez foi assediada.
Alguém ficou se encostando
demasiadamente em você
no ônibus, no metrô.
Grite, denuncie, perca o medo:
diga NÃO.
 
Se seu marido quer transar
e você está cansada,
vai fazer sexo só por obrigação:
diga NÃO.
 
Mas se você é homosexual
não foi aceito por sua família
já foi excluido ou banido, e daí?
o que você tem que dizer
a toda essa gente?
Diga NÃO.
 
Lembre-se das passeatas
do dia 29 de setembro de 2018
pelo nosso Brasil inteiro,
gritando pelo amor
e pela humanidade.
Pregando a igualdade
de todos seres humanos.
Quando nascemos nada sabemos
a cultura nos torna o que somos.
O importante mais é o amor
o que se passa, se vai... nada fica.
 
Se você é Trans, é Bi, é Tri,
é homem, é mulher,
seja o que você quiser.
Se sente impedido de ser,
de viver, de amar, só há algo a fazer:
diga NÃO.
 
Somos uma naçãomultivariada de muitas etnias:
dos Tupis e dos Guaranis
dos Tupinambás, dos Tapuias
e de tantas outras nações
que aqui estavam bem antes
da INVASÃO dos Portugueses.
 
Também da mesclas dos primeiros brancos
que aqui foram largados
nos primeiros dias da INVASÃO.
 
De tantas Nações Negras dos tempos da escravidão:
dos Sangays, dos Benins
e dos Malis entre tantas outras.
Com seus Idiomas e suas Músicas
que muito constituíram os nossos “BRASIS”.
 
E também dos séculos passados:
Espanhóis, Italianos,
Japoneses, Chineses
e também Coreanos
E chegando ainda hoje,
os Venezuelanos
na crise desencadeada
pelos Norte-Americanos.
 
Não somos uma sociedade perfeita:
Sim, há criminalidade.
Convivendo com riqueza
junto com muito pobreza.
Mas, também há um espírito
de aceitação e amor
que é o que se constitui
como o POVO BRASILEIRO.
 
Faz desse 29 de setembro de 2018
um exemplo ao mundo
pelo que somos:
esta mescla de povos, de raças,
e de democracia sexual.
 
 
 
Há um prazer nessa variedade.
Toda mistura de raças provocou
“variou” todas as crenças.
 
Há uma vulgaridade,
em nossa religiosidade:
O cristão é macumbeiro,
o macumbeiro é cristão.
 
O comunista baiano,
não pisa em Ebó não senhor.
 
Há uma “baianidade”,
junto com o Negro Nagô.
Em quase todo o Brasil:
terra do Nosso Senhor.
 
Basta pensar na comida.
Desfiles de Carnaval.
Há uma louca nostalgia.
Que a todos dá guarida.
 
Se o Brasil é tanta cor,
riqueza e simpatia,
tanta cordialidade?
Somos todos estes povos,
toda esta variedade?
 
Somente algo a dizer:
diga NÃO à covardia,
diga NÃO ao racismo,
diga NÃO à homofobia,
diga NÃO à pedofilia,
diga NÃO à FOME,
diga NÃO à MISÉRIA.
 
Já sofremos o bastante,
para somente num instante
alguém querer desfazer.
Ser feliz é o que queremos,
somos todos brasileiros:
hoje é matar ou morrer.
 
Salvador, 30 de setembro de 2018.

Dentro da rotina das redes sociais, mulheres dividem as dificuldades e os pontos positivos de expor a maternidade

Marissa Pimenta publica dúvidas e experiências com a maternidade desde a gravidez de Martin, hoje com oito meses
Conciliar rotinas de trabalho, burocracias do cotidiano e ainda cuidar da educação e vida de outro ser humano não parece uma tarefa nada fácil. E de fato não é. Longe dos estereótipos de famílias felizes e sem problemas, algumas mulheres dedicam parte do dia a dia às redes sociais para mostrar que a maternidade recompensa e é bonita. Contudo, além de tudo, é uma questão ainda mais complexa do que se desenha há milênios na sociedade.
Presentes cada vez mais nas redes sociais, criadoras de conteúdo em plataformas como o Instagram optaram por trazer situações reais vivenciadas ao lado dos filhos e companheiros nesse processo de ser e se tornar mãe. Entre os eventos sociais, "recebidos", desfiles e marcas, elas compartilham a ida do filho à escola, a alimentação de uma criança e os questionamentos típicos dessa faixa etária.
Nacionalmente, nomes como os de Thais Farage, Lu Ferreira, Lia Camargo e Carol Rocha são destacados quando o assunto é revelar laços maternos. No Ceará, Edith Gomes, 27 anos, com cerca de 225 mil seguidores no Instagram, protagoniza essa atividade de forma natural. A presença nas redes aconteceu muito cedo, logo aos 18 anos, com um blog. Aos 22, tornou-se mãe e, a partir disso, o filho Yan, 4 anos, veio agregar dentro desse universo.
Tudo aconteceu da forma mais simples possível: com adaptação. "A mulher que é provedora de um lar e assume a responsabilidade de ser mãe, sabe a luta e o quanto acaba abrindo mão de estar mais tempo com o filho. Porém, essa é a realidade, não quero que Yan cresça dentro de uma bolha. Ele sabe de tudo, todas as vezes que eu preciso sair para trabalhar ou viajar", comenta.
Parte do todo
Entre as viagens frequentes e a rotina intensa de fotos e aparições, quem segue Edith vê o pequeno em diversos momentos. "Eu crio o Yan para o mundo. O que compartilho nas redes sociais são consequências da minha realidade, não tinha como ser diferente", justifica ao comentar sobre o processo de explicar ao filho o seu trabalho diário.
"A maior dificuldade é, sem dúvidas, a quantidade de tempo (o que não significa qualidade) e as viagens. A nossa rotina é de uma família normal, deixo e pego ele no colégio todos os dias, ele passa a semana comigo, moramos na nossa casa. Todas as vezes que vou trabalhar, eu aviso. Ele cresceu vendo e vivendo isso".
Quem também vivencia essa realidade é Marissa Pimenta, 26 anos. Gerente de marketing e presença ativa nas redes, a jovem acumula mais de cinco mil seguidores no Instagram. Mostra a rotina do bebê Martin, com quase oito meses, e faz questão de ele estar sempre presente na timeline. Palavras como empoderamento soam com firmeza neste momento. "O feminismo veio ainda mais forte pra mim na maternidade. É muito louco ver de onde parte cada cobrança que paira sobre você só pelo fato de ser mulher, e grávida. Muitas coisas nos são impostas, e a gente não tem de aceitar não. Desde que descobri que estava grávida e comecei a ter alguns questionamentos via internet, vi várias mães se solidarizando e me ajudando".
Ajuda profissional
Enquanto isso, Isa Xavier, 30 anos, pediatra e mãe de dois filhos, possui perfil no Instagram que recebe demandas frequentes de outras mães. Segundo ela, a identificação é outro fator importante. "As pessoas me veem nessas várias facetas e muitas se veem nos mesmos papéis. Eu acabo mostrando, por conta da profissão, como essas mães podem trazer uma alimentação melhor para esses filhos e, além disso, a buscar uma melhoria na vida delas".
Em um meio com tanta exposição, essas mulheres não saem ilesas, seja da ajuda ou do julgamento do outro. De acordo com Marissa, o fato de expor vivências próprias colabora no contato com pessoas na mesma situação: "Conheci tanta gente maravilhosa que só conseguiria mesmo chegar até elas por meio do universo digital".
Edith ressalta que o apoio dos seguidores é constante, mas algumas pessoas a julgam por não entender seu trabalho. Para Marissa, é necessário entender o que se deve partilhar, justamente por conta desse acesso aberto. "Tem sido muito gostoso ter essa experiência 'online' com ele. Não forço a barra. Há momentos que quero registrar, mas que às vezes nem cabe e prefiro guardar".
Isa acredita igualmente no poder dessa parceria. "Engana-se quem acha que a gente não aprende, não ganha nem cresce. Ao divulgar o meu conhecimento como pediatra e as aflições e dúvidas que tenho, como toda mãe, eu vou acabar falando com pessoas que não conheço, e talvez nunca fosse conhecer pessoalmente, e que podem me dar um conselho, uma opinião", afirma.
Dificuldades reais
Ao conciliar trabalho e filhos, tanto Edith, quanto Marissa e Isa ressaltam esse eterno conflito de atender ambas as situações. "É muito difícil você desapegar e voltar à rotina de trabalho, de saídas, sabendo que tem uma pessoinha lhe esperando em casa. Um ser que depende de você e para quem toda uma vida é traçada, basicamente, pela rotina que criam juntos", comenta a produtora.
E é nas redes sociais que boa parte das mães consegue encontrar apoio. Ao visualizar uma rotina fora do padrão e não-romantizada das cores com as quais costumam pintar a maternidade, as mulheres encontram uma rede de suporte para os momentos de dificuldade e partilhar as vitórias.
Segundo dados da Kantar TNS sobre comportamento online de mães no Brasil, baseados no estudo global Connected Life, elas preferem as atividades online. Uma de suas favoritas, com 91% das usuárias, é acessar as redes sociais. São, em média, quatro horas diárias nas telas do celular, dispositivo ao qual elas mais recorrem.
O Facebook, com 91%, é o canal favorito, seguido pelo YouTube, com 78%, e o Instagram, com 47%. Mandar mensagens e trocar e-mails também estão entre as ações online bastante praticadas.
Se o provérbio africano diz que "é preciso uma aldeia para educar uma criança", muitas vezes é no mundo digital que as mulheres encontram essa aldeia em busca de conforto, apoio e compreensão.
Marissa aponta a necessidade de entender que também existem outros fatores na vida: "Se desesperar é normal, se culpabilizar é normal, mas estar desse jeito todos os dias não é saudável e talvez você precise de ajuda. A gente tenta ser a melhor mãe que podemos ser, às vezes não conseguimos, mas gente, tá tudo bem. Aceitem ajuda daqueles que têm amor e carinho por você e sua família".
4 horas
É o tempo, em média, que as mães passam, ao dia, no celular. E olhar as redes sociais é a atividade que mais realizam quando estão conectadas, segundo dados do grupo de pesquisa Kantar TNS

Diário do Nordeste

Nobel de Economia vai para 2 americanos por trabalhos sobre clima

EFE/Copenhague
Os americanos William D. Nordhaus e Paul M. Romer ganharam nesta segunda-feira o prêmio Nobel de Economia por terem trabalhado em métodos para favorecer o crescimento sustentável e sobre a relação entre a economia e o clima, informou a Academia Real das Ciências da Suécia.
Os dois "desenvolveram métodos que abordam alguns dos assuntos mais fundamentais e urgentes de nosso tempo: o crescimento sustentável em longo prazo na economia global e o bem-estar da população".
De acordo com a Academia Sueca, Nordhaus mostra em suas pesquisas como a atividade econômica interage com a química e a física básica para causar a mudança climática.
Nordhaus foi "a primeira pessoa que criou um modelo quantitativo que descreve a interação entre a economia e o clima", acrescentou a Academia.
Além disso, os trabalhos de Nordhaus mostram que a maneira mais eficaz de combater as consequências dos problemas causados pela mudança climática "é um plano global de impostos sobre o carbono em todos os países", acrescentou a Academia Sueca.
Quanto a Romer, suas pesquisas mostram que "a acumulação de ideias sustenta o crescimento econômico em longo prazo. Demonstrou como as forças econômicas estão por trás da vontade das empresas para gerar novas ideias e inovações", segundo a instituição sueca.
A Academia também destacou que Romer construiu as bases do que se conhece como "a teoria do crescimento endógeno", que "gerou grande quantidade de novas pesquisas em regulamentações e políticas que fomentam ideias novas e a prosperidade em longo prazo".
O Nobel de Economia, cujo nome oficial é Prêmio de Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel, é o único dos seis prêmios que não foi criado pelo magnata sueco, mas foi adotado em 1968 a partir de uma doação à Fundação Nobel do Banco Nacional da Suécia por ocasião de seu 300º aniversário.
O prêmio foi outorgado 49 vezes pela Academia Real das Ciências da Suécia para 79 pessoas, mas apenas uma mulher foi agraciada, a americana Elinor Ostrom, que dividiu o Nobel em 2009 com Oliver Williamson por sua análise sobre política econômica das propriedades comuns.
Os dois ganhadores dividirão as 9 milhões de coroas suecas (970 mil euros) que são concedidas este ano a cada um dos Nobéis, que serão entregues em 10 de dezembro em uma cerimônia dupla em Oslo (Noruega), para o da Paz, e Estocolmo, para o restante.
O prêmio de Medicina abriu na segunda-feira passada a rodada de anúncios da presente edição dos prestigiados prêmios, seguido pelos de Física, Química e da Paz, na sexta-feira.