2 de março de 2015

A EUCARISTIA E OS APÓSTOLOS

Thiago Rodrigues Ibiapina *

Thiago RodriguesA Eucaristia é sem dúvida fonte é ápice de toda a missão a da Igreja presente no mundo. (Lumen Gentium, n. 11). Nela está o fundamento de nossa fé deixado por Nosso Senhor Jesus Cristo nas vésperas de sua paixão. É o centro de toda a vida cristã. (Ecclesia de Eucharistia, n. 27).  Jesus mesmo afirmou: “Eu estarei sempre convosco, até o fim do mundo” (Mt 28,20). E é na Eucaristia que ele se faz presente a cada dia no meio de nós, seu verdadeiro corpo místico. Mas como a Eucaristia chegou até nós? Como esta dádiva que é o próprio Deus se perpetuou pelos séculos? Devemos tudo isso a um grupo de homens chamados pelo próprio Jesus: Os apóstolos.

Sabemos que após o nosso batismo professamos a fé da Igreja que é “una, santa, católica e apostólica”. Nesta “apostolicidade” é que nos apoiamos para expressar a credibilidade de nossa fé. Jesus chamou os que ele quis e a esses ele confiou seu poder, seu múnus, e claro o próprio sacerdócio. A Eucaristia é santa por excelência, é católica e una, mas é também apostólica, pois a Igreja foi edificada sobre o ‘alicerce dos apóstolos’ (Ef 2,20), testemunhas de Jesus, colaboradores da ação de Deus. Chamados e enviados em missão pelo próprio Cristo. Tendo-os escolhido, o Senhor Jesus confiou-os o poder de celebrar a Eucaristia ao longo dos séculos. A Eucaristia então é celebrada de acordo com a fé dos apóstolos, sem esta fé não haveria uma ‘continuação’ da Eucaristia. Pensemos então se os apóstolos não tivessem colocado sua fé em Jesus, na Eucaristia, haveria Eucaristia? Acreditamos que não. Afinal, esta fé permanece imutável, e é essencial para a Igreja (Ecclesia de Eucharistia). Tenho que ter consciência que a Igreja crê antes de mim, que não existe uma fé particular, a fé é em Jesus, é a fé dos apóstolos.

O mais interessante é que mesmo a Igreja ainda sendo guiada por estes apóstolos, que são os bispos, não podemos esquecer o caráter da participação dos fieis em seu sacerdócio real (Lumen Gentium, n. 10). Mas é confiada ao ministro ordenado a realização do sacrifício eucarístico. Por isso se prescreve no Missal Romano que somente o sacerdote pode recitar a oração eucarística enquanto o povo lhe associa com fé e silêncio (IGMR 147). Aqui no Brasil, a conferência permitiu uma espécie de participação dos fieis por meio das respostas na oração eucarística, a fim de promover a oração e a catequese dos mesmos.

Concluímos então constatando que sem apóstolos não haveria Eucaristia. Cristo institui, mas eles que foram os responsáveis pela propagação da fé, porque antes de tudo eles creram primeiro. Os apóstolos é que foram responsáveis e ainda são por ordenarem sacerdotes tirados do meio do povo para que celebrem o a Santa Missa e assim tenhamos Eucaristia. Eles, os apóstolos creram por primeiro neste Mistério sublime que são o corpo e o sangue do Senhor em espécies de pão e vinho. Rezemos pedindo ao Senhor que chame mais apóstolos, mais homens de boa vontade que desejam segui-lo tornando-se sacerdotes. Pois nenhuma comunidade cristã se edifica sem ter sua raiz e o seu centro na celebração eucarística 

(Presbyterorum ordinis, n. 6).
REFERÊNCIAS:
Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis, Bento XVI, Paulinas 2009.
Constituição Dogmática Lumen Gentium, Paulus, 2012.
Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, João Paulo II, Paulinas 2003.

*[1] Bacharelando em Filosofia na Faculdade Católica de Fortaleza e seminarista da Arquidiocese de Fortaleza.

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