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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

9 de junho de 2017

Meio Ambiente, patrimônio de todos

Padre Geovane Saraiva*

Eis nosso grande e maior desafio: o de proteger e conservar nosso querido Brasil, bem como todo o meio ambiente. Vemos toda uma riqueza sempre mais ameaçada pela devastação das florestas e de outros ecossistemas, nos grandes projetos, pela expansão de monoculturas da soja e da cana-de-açúcar e pelo crescimento da agroindústria ou do agronegócio, de um modo predatório. Sem esquecer a exploração desenfreada e gananciosa que o homem realiza, nas suas ações, no que diz respeito às madeireiras, mineradoras, fazendas e grandes empresas transnacionais, que existem de fato para destruir todo esse patrimônio.

Resultado de imagem para meio ambiente parque do cocóResultado de imagem para meio ambiente parque do cocóQue a Semana do Meio Ambiente ajude a conscientizar as pessoas de boa vontade da importância desse mesmo meio ambiente, da maravilhosa obra da humanidade, belo prodígio divino, que devemos não só contemplar e louvar, mas pensar de verdade na criação, com uma nova mentalidade, a partir do projeto do Criador e Pai, confiado ao homem: “E Deus viu que tudo que tinha feito era muito bom” (cf. Gn 1,10).

Quando alhures dissemos em artigo que toda civilização necessita de figuras exemplares, modelos e referenciais, que mostrassem concretamente ao mundo os grandes sonhos e utopias, os valores últimos e as motivações dos seres humanos, na sua relação e ação com Deus e seus semelhantes, com a natureza ou meio ambiente, aproximava-nos de uma inspiração. Parece até que antevíamos a grande novidade ou presente que o mundo acolheu carinhosamente, com a eleição do Papa Francisco, alertando-nos: “Nunca esqueçamos que o meio ambiente é um bem coletivo, patrimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos”. 

Como decorrência do nosso batismo, é assaz necessário perceber e valorizar sempre mais a “Casa Comum” como local sagrado, como a casa da vida, habitação da humanidade. Convém buscar um diálogo sincero, no sonho de um mundo fraterno e solidário, no qual as pessoas saibam cuidar da referida casa. Foi pensando em uma vida com maior encanto na face da terra, no seu sentido mais largo e mais profundo, que o nosso querido Papa Francisco nos deu de presente, aos 18 de junho de 2015, a sua Encíclica, sobre o tema acima referido, o da ecologia, do meio ambiente, querendo nos dizer que somos chamados, na esperança, a cuidar do planeta.

Deus quer abrir a nossa mente e coração diante de gritos, dores e gemidos da terra, grande casa e mãe, A partir da assertiva do saudoso Pe. Libânio: “Rios e mares, antes gigantescos úteros de vida, que vêm sendo esterilizados pela poluição industrial, esgotos, sujeira produzida pelo ser humano. Se esquece de que a água, fonte de vida, transforma-se facilmente em uma das piores fontes de morte, ao transmitir doença. Por ela navegam germes de morte até os confins da terra”.

*Pároco de Santo Afonso, Jornalista, Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal, integra a  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com

O causo do Zé

Gonzaga Mota*

Minhas campanhas políticas para Deputado Federal, foram difíceis e pobres. A equipe de trabalho era constituída pelo gordo motorista Vandir, apelidado de sargento Garcia, e o assessor de “marketing” “para assuntos aleatórios”, Zé Limeira. Este, filho de Quixadá, ex-chefe dos engraxates do antigo Abrigo Central, era conhecido no Ceará por ser apaixonado torcedor do Ferroviário(Ferrim). Zé não sabia ler e nem escrever, porém fez dois livros. O primeiro foi prefaciado por sua amiga, a imortal Rachel de Queiroz, e o outro tive a honra de fazer a apresentação. Pois bem, percorríamos por terra, numa D-20, várias sedes dos municípios do Estado, inclusive muitos povoados. Nossa propaganda eleitoral: santinhos com a oração de São Francisco, de um lado, e do outro a figura do “Padim Ciço”. Além, evidente,  de mencionar o que fiz e ainda pretendia fazer pelo povo cearense. Quando o cansaço chegava dormíamos na camionete. Essa luta desigual começava em julho do ano da eleição. Zé Limeira era o grande incentivador. Conquistávamos votos no corpo a corpo, como se dizia, visitando mercados públicos, praças, estabelecimentos comerciais, forrós, quermesses, etc. Campanhas duras, mas honestas. Certa vez, chegamos a um povoado de um município do Sertão Central. Estava em festa. Era época da novena do padroeiro. Fomos participar do bingo de uma porca. Zé Limeira muito entusiasmado teve sorte e “bingou”. Foi buscar o prêmio e lhe entregaram uma porca de bicicleta. Danou-se, fez uma grande confusão. Conclusão: na eleição passada eu havia conseguido 188 votos naquele povoado e na seguinte 26 votos.

*Professor aposentado da UFC

Casal celebra 60 anos de casados indo todas as noites ao Parque do Povo, em Campina Grande

O amor cantado por Dorgival Dantas, que foi a principal atração da noite de quinta-feira (8) no Parque do Povo, em Campina Grande, Agreste da Paraíba, é um dos ingredientes do casamento de 60 anos de Cornélia de Souza Costa e Wilson Fernandes Costa, ambos de 80 anos.
Os dois estavam no público do show e contaram vão ao Parque do Povo quase diariamente na época junina. “Jantamos e viemos para cá. Nossa ligação com o São João vem porque nos conhecemos dançando forró há pouco mais de 65 anos no Sítio São João”, disse a aposentada.
O casal revelou que o interesse inicial foi mútuo. “Quando bati o olho nela eu tive a certeza. Ela é um espetáculo, uma joia”, relembrou Wilson. Após a primeira dança, veio o pedido para ir ao cinema, depois começou o namoro. Cinco anos mais tarde ele a pediu em casamento. Da união, eles tiveram dois filhos e criaram mais quatro sobrinhos. “O marido da minha irmã cometeu suicídio e ela morreu de desastre [acidente automobilístico]”, contou Cornélia.
De mãos dadas e em busca de um xote para dançar, os dois afirmaram que mudam de palco conforme a música. “A gente vem para dançar. Quando uma ‘ilha’ não está boa, é só ir para outra. Todo sábado também tem o ‘Momento Junino’, na Pirâmide, que a gente não perde um”, disse Cornélia.
 
O amor cantado por Dorgival Dantas é um dos ingredientes do casamento de 60 anos de Cornélia de Souza Costa e Wilson Fernandes Costa, ambos de 80 anos, em Campina Grande (Foto: Kamylla Lima/G1)
O amor cantado por Dorgival Dantas é um dos ingredientes do casamento de 60 anos de Cornélia de Souza Costa e Wilson Fernandes Costa, ambos de 80 anos, em Campina Grande (Foto: Kamylla Lima/G1)

'A pessoa que está solteira quer encontrar alguém'

Os casais estavam numerosos no Parque do Povo na quinta-feira. A principal atração da noite, conhecido com o “Poeta Forrozeiro”, Dorgival Dantas tem um repertório vasto de canções que retratam o amor. “Faço canções que falam de amor para a gente valorizar mais o ter e não o separar. E se estiver sozinho procurar alguém”, explicou o cantor.
Outro casal que foi ao Parque do Povo para celebrar a felicidade foi Adriana Cabral, de 49 anos, e Marcelo Eduardo, de 47. “Vim hoje só para ver o show de Dorgival, curtir com ele e aproveitar uma noite tranquila ao som de uma boa música de forró que só o Poeta sabe fazer”, afirmou a vendedora.
Dorgival Dantas disse que não canta apenas para casais, porque, segundo ele, “a pessoa que está solteira quer encontrar alguém”. “Eu vejo muito: ‘quem está solteiro aí?’. Não faço isso, vejo isso como marketing de alguns cantores. Torço muito para quem está solteiro encontrar um par durante um show meu”, revelou o cantor.
Quem estava sem par no show e mesmo assim aproveitando eram Ariadna Silva, de 61 anos, e Daysa Laurentino, de 27 anos. A primeira mora em Campina Grande e é aposentada. Falou que foi para o Parque do Povo porque ama o show romântico de Dorgival. A outra é turista. Vinda do Rio de Janeiro, ainda ensaia passos de forró. “Eu estou amando. Primeira vez que venho participar da festa. Muito bom tudo. Está bem seguro com muitas áreas de lazer. É bem legal. Já aprendi a dançar forró, já tomei caipirinha”, comemora a maquiadora.
 
Casais, solteiros e crianças estavam entre o público do show de Dorgival Dantas no Parque do Povo, em Campina Grande (Foto: Kamylla Lima/G1)Casais, solteiros e crianças estavam entre o público do show de Dorgival Dantas no Parque do Povo, em Campina Grande (Foto: Kamylla Lima/G1)

Homenagens

A noite começou com o show de Giullian Monte. Com a sanfona, ele não perdeu tempo em animar com hits que iam do sertanejo ao forró eletrônico o público que chegava ao Parque do Povo. Em seguida, quem subiu no palco principal foi João Lima. Neto do paraibano Pinto do Acordeon, ele aproveitou o show para cantar a música “Hora do Adeus”, imortalizada na voz de Luiz Gonzaga, para dedicar ao avô.
Dorgival Dantas fez a abertura do show com “Gosto de tudo grande” consagrada por Marinês. Antes de entoar a música, ele nomeou e parabenizou grandes nomes do forró tradicional, como Biliu de Campina, Os Três do Nordeste, Flávio José e Tom Oliveira. Ao longo do show cantou “Asa Branca”, um dos maiores sucessos do Rio do Baião.

Do G1

Reginaldo Manzotti volta ao Ceará para lançamento de seu novo livro

O padre Reginaldo Manzotti volta ao Ceará para o lançamento do seu livro “Batalha Espiritual”. O evento acontece neste sábado (10), a partir das 17h, no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza.
O livro fala sobre a batalha entre o bem e o mal que é travada desde os primórdios da humanidade. O padre Reginaldo Manzotti desfaz todos os mitos que rodeiam esse combate crucial, desvendando com detalhes a natureza do adversário e as armas humanas e sobrenaturais para assegurar a vitória de Jesus Cristo.
Ingresso
Na compra de um kit, a pessoa adquire um convite em uma das lojas Casa Pio em Fortaleza e região metropolitana. Confira:
1 livro Batalha Espiritual + 1 livro Encontros + uma camiseta = um convite para frontstage (R$ 80)
1 livro = convite para arquibancada (R$ 35)

Tribuna do Ceará 

Documentário inédito narra a história da primeira palhaça negra no Brasil

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Série conta a história da palhaça Xamego
Considerado a principal atração do Circo Guarany nas décadas de 1940 a 1960, o palhaço Xamego era encenado pela atriz Maria Eliza Alves dos Reis.
A primeira palhaça negra no Brasil tem sua história contada no documentário inédito Minha Avó Era Palhaço!, que o SescTV exibe no dia 16/6, sexta, às 20h, com direção de Ana Minehina e Mariana Gabriel, neta de Xamego.
Mariana, que também sonha em ser palhaça, não conheceu a avó, mas sempre ouviu histórias sobre ela.
"Memórias que não saem da minha cabeça e que carrego com os meus guardados mais preciosos", comenta.
No documentário, essas lembranças vão construindo a história de Maria Eliza por meio de depoimentos da família, de representantes do circo e de especialistas.
Daise Gabriel, filha de Xamego, recorda o início da carreira de sua mãe, com luxo e conforto. Filha do proprietário do Circo Guarany, João Alves, Maria Eliza já nasceu no meio artístico, em 1909. "Era circo itinerante, mas era tão grande que para se deslocar de uma praça para outra tinha que fretar vagões de trem", assegura Daise. Antes de ser palhaço, assim mesmo, no masculino, Maria Eliza foi cantora e formava dupla com sua irmã Efigênia, mas foi no circo, como Xamego, que alcançou o sucesso.
Sua música tema nas apresentações era Xamego, de autoria de um amante do circo, o Rei do Baião Luiz Gonzaga, em parceria com Miguel Lima.
Minha Avó Era Palhaço! destaca a influência dos negros no espetáculo circense e o preconceito que sofriam nesse meio. Daise fala que seu avô João Alves era o único negro em um seleto grupo de proprietários brancos. Entretanto e felizmente, era respeitado e reconhecido. O machismo era outro revés que predominava na época. Segundo a historiadora Ermínia Silva, o termo palhaça nem existia. "Palhaço era coisa de homem", afirma.
"O feminino de palhaço só vai existir após o surgimento das escolas de circo, no final da década de 1970 e começo de 1980", explica Ermínia. Seria esse o motivo de Maria Eliza ser um palhaço? Tabajara Pimenta, o homem-foca, acredita que não. "Era ela que fazia questão de não divulgar, penso eu".
O documentário aborda ainda o momento em que Maria Eliza resolveu ser palhaço; a participação da Caravana do Peru que Fala, do apresentador Silvio Santos, que levava diversos artistas ao circo; e os momentos difíceis do Circo Guarany. Imagens de arquivos e vídeos ajudam a narrar a história dessa mulher forte e decidida, que morreu em 2007, aos 98 anos.
Diário do Nordeste

Livro-ensaio combina arte urbana de São Paulo, Nova York e Berlim em imagens e textos

por Roberta Souza - Repórter
A capital paulista se diferencia pela vegetação que cresce o cimento da metrópole ( Fotos: reprodução )
Às vezes é mais fácil se definir mostrando para o outro o que não se é. Isso vale para pessoas e para coisas também. O livro "Grafite - Labirintos do olhar" segue essa lógica. Logo na introdução, Gabriela Longman, jornalista, deixa muito claro o que ela e o pai, o fotógrafo Eduardo Longman não propõem com o material. Ampliam o recorte subentendido no título e negam o projeto visual para quem possa julgar apenas pela aparência.
Ao receber a obra, com 123 imagens captadas de três cidades - São Paulo, Nova York e Berlim - e textos leves de uma repórter casados com essa imersão visual, faz-se necessário ler logo de cara que "não é apenas um livro de fotografia - ainda que as fotos extrapolem e muito, o registro documental - não é um diário de viagem, não é um catálogo artístico e não é uma reportagem - ainda que essas categorias estejam misturadas aqui e ali".
O projeto é resultado de incursões dos autores pelas ruas das três capitais mencionadas e surgiu de conversas entre pai e filha sobre trabalhos que poderiam realizar juntos. Ele lembrou de um ensaio emblemático que fizera sobre o centro paulista para a 14ª Bienal Internacional de São Paulo (exibido também no MIS em 1980); e ela, como jornalista da área de cultura, trouxe o interesse pelo desenvolvimento da linguagem global do grafite em diferentes arquiteturas e contextos.
O livro é bilíngue e vem sendo trabalhado desde 2014. Lançado em abril deste ano no período de realização da SP-Arte, no Pavilhão da Bienal do Ibirapuera, ele faz refletir sobre cada uma das cidades representadas num tempo em que conceitos e políticas públicas dedicadas à arte urbana soam contraditórios.
Estrutura
"Grafite - labirintos do olhar", cujo design foi criado pela Bloco Gráfico, apresenta-se com capa impressa em serigrafia e uma combinação de papéis que remete à sinalização urbana. São Paulo, Nova York e Berlim têm cada uma um capítulo fotográfico, evidenciado pelos textos curtos em quatro folhas amarelas que antecedem os retratos visuais. O livro conta ainda com três pôsteres, que dão maior visualização a uma intervenção de grafite por cidade.
Mas ainda que os textos de Gabriela não sejam tão longos, ela consegue tocar em discussões sociais, econômicas e políticas tão atuais quanto históricas. Vai das origens da manifestação em Nova York, aos contextos de realização em Berlim, sem deixar de comentar a postura do prefeito de São Paulo, João Dória, frente às intervenções da cidade. É interessante como as ideias se misturam e fazem crer que, embora se desenvolvam em lugares distintos, interligam-se e seguem uma lógica semelhante em todas as localidades. Fortaleza incluso.
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Grafites em Berlim (Alemanha)

"Este livro procura situar o grafite nem no céu, nem no inferno, mas quer exaltar alguma de suas qualidades, especialmente o ideal de liberdade, risco e experimentação que muitas dessas obras de arte trazem em si", propõe a autora.
Partindo desse princípio, as páginas trazem obras de artistas mundialmente conhecidos e de autores anônimos; trabalhos encomendados e outros feitos na ilegalidade; obras de homens e mulheres de diferentes nacionalidades, técnicas e estilos.
"A seleção baseia-se no diálogo entre a obra - o estêncil, o mural, o adesivo - e o suporte - a ponte, a parede, o muro, o vidro. É a conversa entre a obra artística, o ritmo e a vida nessas três aldeias globais o verdadeiro tema desse ensaio", situa Longman na introdução, que acompanha uma nota explicativa sobre o que eles entendem por grafite - o desenho figurativo no espaço público.
Cidades
De São Paulo, Longman destaca duas marcas naturais que a maior parte das capitais europeias, americanas e asiáticas não tem: a vegetação tropical - plantas, raízes, arbustos que brotam em qualquer canto em meio às fissuras do concreto; e o relevo - em referências às ladeiras íngremes. São essas interações que valorizam o material visual da cidade.
De Nova York, as reflexões partem de um contexto periférico, de uma "guerra ao grafite" orientada também sobre a persistência da discriminação racial. E avança sobre uma paisagem que muda todos os dias, sujeita à venda e à demolição de imóveis, às novas mãos de tinta fresca ou à erosão causada por vento, chuva e neve.
De Berlim, chama atenção o conceito de "cidade zumbi", cuja gentrificação não tem se contentado em destruir espaços criativos. "Essa zumbificação ameaça transformar Berlim em cidade museológica de verniz, com a 'cena artística' preservada como parque de diversões para quem puder pagar os aluguéis cada vez mais caros", cita a autora.
Os Longman sugerem, por fim, uma aproximação da manifestação que escolheram detalhar com o "primo" jazz. Separados por um século, eles partilham uma origem semelhante: negra, suburbana, provocativa, alegre, dolorida. "Enquanto o primeiro foi a trilha sonora de um século lindo e terrível, o segundo tem tudo para ser a matriz visual de uma era que ainda nos desafia, intriga e interroga". Tomara, então, isso continuar.
Livro
Grafite - Labirintos do olhar
Eduardo Longman e Gabriela Longman
BEI Editora
2017, 182 páginas
R$60

Diário do Nordeste

Uma artista afro-latina esboça um novo quadro da "Criação de Adão" de Michelangelo

Que tipo de imagem de Deus é a pessoa humana, se nos atrevemos a imaginar Deus de forma diferente? Que humanos foram excluídos de se verem à imagem de Deus?
A artista retrata Adam através da raiz da palavra, adamah, que é feminino.
A artista retrata Adam através da raiz da palavra, adamah, que é feminino. (Reprodução)

Por Cecíla González-Andrieu*

O primeiro encontro com a obra "The Creation of God" de Harmonia Rosales foi impressionante. A obra é linda e familiar. Como a "Criação de Adão" de Michelangelo, a pintura de Rosales retrata a criação da humanidade. No entanto, os tons de pele, gênero e história que estão sendo retratados pela artista são surpreendentemente diferentes.
Na pintura de Rosales, Deus é uma avó negra que cria uma humanidade à sua imagem, enquanto belos anjos pretos a cercam. A artista retrata Adam através da raiz da palavra, adamah, que é feminino. Adamah expressa a criatura humana, masculina e feminina, feita de terra. A terra em que o novo humano descansa evoca o “terceiro mundo” nas suas cores e contornos, alguns dos quais ainda permanecem visíveis na carne da mulher.
Como sugere o título, o trabalho esboça a Imago Dei. Que tipo de imagem de Deus é a pessoa humana, se nos atrevemos a imaginar Deus de forma diferente? Que humanos foram excluídos de se verem à imagem de Deus? E quais novas ideias sobre Deus e que relação com ele ganharemos se nos relacionarmos com as formas em que outros expressam sua imagem?
O que revela a considerável angústia e controvérsia em torno da nova pintura de Rosales é que precisamos de novas ferramentas para trabalhar com a arte. A relação muitas vezes contraditória entre arte e religião na modernidade não precisa ser dessa maneira, e uma das primeiras pessoas a abrir mãos e apreciar os artistas foi o papa João Paulo II, que escreveu uma carta pastoral intitulada "Para os Artistas" em 1999. Nela, o papa insiste que "com consideração amorosa, o Artista divino passa para o artista humano uma centelha de sua própria sabedoria, chamando-o a compartilhar seu poder criativo". A pintura de Rosales nos obriga a fazer uma pergunta de dois lados: como vemos o ato criador de Deus? E, como vemos o ato criador desse artista em particular nesta pintura? Arte e fé lidam com os relacionamentos e com o nosso coração, isso os torna muito complicados.
Muitos de nós no mundo ocidental nos acostumamos a encontrar a "arte" apenas em museus e galerias. Muitas vezes, nos referimos a uma obra de arte pelo nome do artista: "etiquetando", por assim dizer, "veja o Warhol!" Isso diminui a própria voz do trabalho. Como os artistas inconformistas mostraram, pensemos em "Readymades" de Marcel Duchamp ou na "Sair pela loja de presentes" de Banksy, apenas chamar algo de "arte" ou adicionar uma assinatura famosa pode "elevar" um objeto, não por seu mérito, mas com base na fama do artista. Quase toda a arte considerou grandiosas as características de rostos europeus brancos, produzidos por homens e para homens. Isso empobrece a história humana, forçando uma interpretação que se concentra em uma perspectiva muito particular e exclui todas as demais.
Essas limitações da arte são preconceitos geralmente aceitos, que tristemente tiram a arte do seu papel vital nas comunidades humanas, incluindo as funções religiosas da arte. "A Criação de Deus", de Harmonia Rosales, enfrenta esses preconceitos e cumpre a função religiosa da arte de criar comunidade, envolvendo nossas histórias fundamentais tão habilmente quanto a primeira versão de Michelangelo feita no século XVI com a histórias da Criação do livro do Gênesis.
Quando encontrei a pintura "Criação de Deus" no Instagram poucos dias depois da sua publicação, já tinha sido vista por milhares de pessoas e gerou centenas de comentários, incluindo alguns negativos em que Rosales foi acusada de apropriação cultural e de manchar o legado do nome de Michelangelo.
Fazer arte é construir um relacionamento, e aceitemos, os relacionamentos são difíceis. Como no início de qualquer bom relacionamento, devemos permitir que a arte fale por si mesma. Isso exige disciplina. Para dar à arte o direito apenas de ser não significa que não façamos perguntas, mas sim que nos tornemos conscientes dessas questões e das ideias que elas produzem. Quando percebo às minhas reações, a arte se abre a mim e, em um ato de reciprocidade, revela muito sobre mim mesma.
Então, tome um momento para olhar a pintura e se perguntar o que está acontecendo em você agora?
Observe o ano de produção: 2017. Observe a localização: Chicago. A arte, que tem sua longevidade, surge das experiências das comunidades, da sua história, das suas alegrias e tristezas. Como você vê esse cenário histórico concreto revelando-se neste trabalho? O que você pode ver agora sobre a vida e a fé de Chicago em 2017 que você não podia ver antes?
Sem contrastar acriticamente o trabalho às intenções ou biografia da artista, percebemos o que ela facilita a partir de um encontro mais completo com a obra. Aqui é importante notar a diferença que a experiência única de cada artista faz para sua interpretação das histórias do Gênesis. O que é revelado quando Michelangelo interpreta o Gênesis como um homem renascentista europeu e Harmonia Rosales como uma latina negra nos Estados Unidos do século XXI?
Prestar atenção às comunidades para quem um trabalho foi feito, sua apreciação ou rejeição, e como isso muda nas comunidades subsequentes ao longo do tempo e lugar é um ato que revela a complexidade da diversidade humana. Nosso amor, rejeição, questões, atos de preservação ou, no sentido religioso, atos de veneração de uma obra de arte nos permitem conhecer aqueles que foram e fazem parte dessa relação que acabamos de colocar. Somos todos semelhantes agora; compartilhamos um amor. E, portanto, não precisamos rejeitar a "Criação de Adão" de Michelangelo para amar a "Criação de Deus" de Rosales, há espaço suficiente em nossos corações para amar as duas. As comunidades que deram origem a eles os encontraram e as encontrarão no futuro em toda sua gloriosa diferença.
Uma relação honesta com a arte pode dar grandes frutos, só precisamos trabalhar arduamente.

America
Tradução: Ramón Lara.

O pianista cego que aprende só com os ouvidos

Ele pode levar um mês para aprender de ouvido uma partitura, mas não desiste


Nobuyuki Tsujii nasceu cego. Isso não o impediu de iniciar sua educação como pianista aos 4 anos de idade. Aos 7 anos, ele venceu seu primeiro prêmio no Japão. Confira aqui uma performance marcante sua.
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ProUni já tem mais de 300 mil inscritos; prazo encerra hoje

Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
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As inscrições para o Programa Universidade para Todos (ProUni) do segundo semestre de 2017 terminam hoje (9). Estão sendo oferecidas 147.492 bolsas em 1.076 instituições privadas de educação superior. O prazo foi aberto na última terça-feira (6) e até as 13h de quinta-feira (8), o Ministério da Educação já registrava 307.668 inscritos, em um total de 593.691 inscrições. O estudante pode selecionar até duas opções de curso, entre os 27.237 disponíveis.
Os interessados em participar do ProUni podem consultar as bolsas oferecidas e se inscrever na página do programa na internet. O número de bolsas oferecidas é 17% maior em relação à segunda edição do programa do ano passado. Do total de bolsas, 67.603 são integrais e 79.889, parciais.
O ProUni é voltado para estudantes da rede pública ou bolsistas integrais de escolas particulares. Também estão incluídas as pessoas com deficiência e professores da educação básica em escolas públicas que compõem o quadro de pessoal permanente da instituição.
Podem concorrer às bolsas do ProUni estudantes brasileiros que não tenham diploma de curso superior e tenham feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016, obtido mínimo de 450 pontos na média de notas do exame e não tenham zerado a redação. Os candidatos que pleitearem bolsas integrais devem ter renda familiar bruta mensal per capita de, no máximo, um salário mínimo e meio. No caso da bolsa parcial, a renda familiar não pode ser maior que três salários mínimos.
No caso dos professores, a oferta é restrita aos cursos de licenciatura, e não há necessidade de cumprir o requisito da renda. O ProUni tem ainda ações conjuntas com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que permite ao bolsista parcial financiar a parte da mensalidade não coberta.
O estado de São Paulo lidera o número de bolsas ofertadas (35.047), seguido de Minas Gerais (16.610) e do Paraná (11.590). O maior número de bolsas oferecidas está concentrada nos cursos de engenharia (16.314), administração (14.273), pedagogia (10.191) e direito (8.606). Para medicina, há 658 vagas disponíveis.
Cronograma
O processo seletivo será constituído de duas chamadas sucessivas, sendo que a primeira ocorrerá em 12 de junho e a segunda está prevista para 26 de junho. O candidato selecionado deverá comparecer à respectiva instituição de educação superior para a comprovação das informações prestadas e a eventual participação em processo seletivo próprio, quando for o caso, no período de 12 a 19 de junho, na primeira chamada, e de 26 a 30 de junho, na segunda chamada.
Para participar da lista de espera, o estudante deverá manifestar seu interesse na página do programa, entre 7 e 10 de julho. A lista estará disponível no sistema, para consulta pelas instituições de educação superior, no dia 13 de julho. Nesse caso, o candidato deverá comparecer à instituição e entregar a documentação no período de 17 a 18 de julho.