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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

7 de agosto de 2015

A profecia desceu do céu em Francisco

Padre Geovane Saraiva*

A dureza e o fechamento do coração de muitos irmãos se deparam com a ação de Deus através da voz dos profetas (cf. Ez 2, 2-5). Como é importante e mesmo indispensável a missão de profetizar,  no sentido de fazer descobrir com nitidez o projeto de Deus nas mais diversificadas situações angustiantes da vida. O profeta jamais prescinde de anunciar a verdade que é dura e que não se gosta de escutar e não se quer ouvi-la, mesmo conscientes de que é a Boa Nova que liberta, salva e nos deixa repleto de esperança.

A profecia desceu do céu sobre a humanidade, personificada no Santo Padre, o Papa Francisco, de um modo muito concreto na sua Encíclica Laudato Si, dizendo-nos que “No fim, encontrar-nos-emos face a face com a beleza infinita de Deus e poderemos ler com jubilosa admiração, o mistério do universo, o qual terá parte conosco na plenitude sem fim”. Miguel Cervantes (1547-1616), principal nome da poesia e da literatura espanhola, bem que pode iluminar e fortalecer nosso texto, quando diante das incertezas e dificuldades, nos assegura que “Quem perde seus bens, perde muito; quem perde um amigo, perde mais; mas quem perde a coragem, perde tudo”. Nosso querido Francisco, ao nos presentear com a sua carta Louvado Sejas, nos fala para muito além de Cervantes, nos fala de uma vida para além do sol, quando nos assegura: “Estamos caminhando para o sábado da eternidade, para a nova Jerusalém, para a casa comum do Céu. Diz-nos Jesus: 'Eu renovo todas as coisas' (cf. Ap 21, 5). A vida eterna será uma maravilha compartilhada, onde cada criatura, esplendorosamente transformada, ocupará seu lugar e terá algo para oferecer aos pobres definitivamente libertados”.

A América do Sul (Equador, Bolívia e Paraguai) acolhem de 05 a 13 de julho de 2015, repletos de esperança, as palavras do Santo Padre como se fossem as mesmas comovedoras palavras ditas pelo Filho de Deus a Tomé, pedindo de ver as suas chagas e feridas no contexto de uma América do Sul marcada por feridas e acentuados empobrecimentos, desde o início da sua própria história. O Augusto Pontífice, com suas palavras encantadoras, proféticas e esperançosas, através de sua visita apostólica, visita este continente como um peregrino da esperança.

Papa Francisco ao visitar três países da América Sul, deseja expressar no seu rigor e austeridade, dizendo ao mundo inteiro que só perseguindo seu sonho em favor justiça e da paz, continuará sua ação profética e em nome de Deus; convencido de que seu apelo em favor das periferias do mundo, oferecendo-lhe sinais claros de que no Evangelho está a base de toda a vida humana e, igualmente, colocando-se como seu defensor contumaz, num clamor pela qualidade de vida no planeta e na luta pela restauração do mesmo. No contexto da cultura do descarte, que tanto tem destacado o Bispo de Roma, gostaria de lembrar que o Paraguai, último país da visita, depois da guerra que teve início em 1864, antes era uma potência econômica na América Latina, era um país forte, nunca mais se encontrou. Era um país independente da Europa.

Mas o Império Inglês achava que o exemplo do Paraguai causava medo e que não devia ser seguido pelos demais países latino-americanos, que eram totalmente dependentes do Reino Unido. Daí o apoio financeiro e militar a tríplice aliança. Argentina, Brasil e Uruguai uniram suas forças e no dia 1º de maio de 1865 foi selado o acordo da tríplice aliança e a partir daí, os três países unidos, dando as mãos e juntos lutaram para deter, descartar o Paraguai, que era forte.  Francisco pediu que o Equador “enfrente os desafios atuais, avaliando as diferenças, fomentando o diálogo e a participação sem exclusões para que as conquistas em progresso que estão sendo conseguidas garantam um futuro melhor para todos”.

Como é maravilhoso rezar e suplicar para o Papa Francisco e seu rebanho as melhores e mais abundantes bênçãos: “Nós vos louvamos, Pai, com todas as vossas criaturas que saíram da vossa mão poderosa. São vossas e estão repletas da vossa presença e da vossa ternura. Louvado sejas (...)”. Amém!

Papa Francisco, o peregrino da esperança

Padre Geovane Saraiva*

Os profetas são aquelas pessoas chamadas e enviadas, com a missão de falar em alto e bom tom a respeito do projeto de Deus para a humanidade; de proclamar ou anunciar as mudanças de costumes, de maneira a tocar intimamente o coração dos homens. Mais ainda e ao mesmo tempo em que obediente e fiel ao seu Mestre e Senhor, querem animar e colocar um espírito novo no coração dos desanimados, tal qual aconteceu com Amós: “O Senhor chamou-me quando tangia o rebanho e o senhor me disse: Vai profetizar para Israel, o meu povo” (cf. Am 7, 15). Neste mesmo sentido, o exemplo maior vem do próprio Vigário de Cristo na terra, o Papa Francisco, na sua mística e força inabaláveis, ao assumir a condição de  profeta e peregrino da esperança, no emblemático lema de São Francisco de Sales: “Fazer-se tudo para todos”.

Quando nos voltamos para o Santo Padre, O Papa Francisco, anunciando o Evangelho ao povo de Israel de hoje, à juventude empobrecida, indígenas, presidiários, crianças, idosos e sofredores de toda sorte, revestido do espírito da ternura e da compaixão, visivelmente concretizado na sua peregrinação pelo Equador, Bolívia e Paraguai, de 05 a 13 de julho de 2015. Na última etapa de seu peregrinar como profeta e apanágio da esperança, no Santuário Nacional de Nossa senhora de Caacupé, no Paraguai, assim se expressou: “Deus não desilude, não abandona o seu povo, embora existam momentos ou situações onde parece que Ele não está”.

Deus seja louvado por nos ter dado do céu um Francisco, inspirado em Francisco de Assis, profundamente concreto e inspirador, na sua ação pastoral utópica e sonhadora, mas longe dos falsos evangelizadores, que em suas mensagens, sejam escritas ou faladas, convidam os leitores a construir um projeto de ficção, entrando em caminhos, muitas vezes marcados por comoventes aventuras, caminhos que são intercalados por sonhos, fantasias, segredos, entrando em cena o enredo com o objetivo relevador, no que se propõe o autor, muitas vezes na construção do que é forte ou frágil.

Francisco, além de se sobrepor ao mundo das ideias e da ficção, cumpre magistralmente e de modo incomparável sua missão de profeta e pastor universal, dizendo-nos que restaurar a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, hoje, é tarefa de todos os cristãos, chamando-os e enviando-os, a exemplo dos profetas. Embora distintas sejam as funções, sabemos que a vocação divina é a mesma para todos, quando se percebe uma acentuada tendência de se retornar ao luxo e à glória do mundo, mesmo dentro da Igreja. O Papa Francisco surpreende, impressiona e causa admiração, quando anuncia ao mundo a importância da simplicidade, da humildade e do despojamento, do diálogo e da proximidade com as pessoas, também quando quebra protocolos e dispensa privilégios, títulos e honrarias.

Aquela voz que inspirou o Santo de Assis, a ir e restaurar a Igreja, além de ser muito evidente e contumaz no nosso Sumo Pontífice, através de seus generosos gestos de humildade e simplicidade, sem esquecer a sua palavra profética em favor da vida humana e da vida do planeta, sempre provocando pacto e impacto assim como uma boa notícia. A capela de São Damião, a Igreja Porciúncula e a Igreja de São Pedro, restauradas pelo Pobrezinho de Assis, representam a Igreja inteira e a própria humanidade, que precisa sempre mais de restauração e renovação e o Santo Padre está convencido, num esforço enorme de não se afastar desse ideal, como profeta da paz e peregrino da esperança.

Somos todos tocados e sensibilizados pela graça de Deus, através do Vigário de Cristo na terra, homem convicto e corajoso, que não tem medo de dialogar com o mundo contemporâneo, nas questões internas da Igreja e nos desafios, nas dores e nas angústias do Planeta, onde percebemos sua maestria e disposição, não só como apanágio espiritual, mas como inspirador consequente. Nada melhor do que rendermos graças ao bom Deus pelo Augusto Pontífice, instrumento visível e sinal do Senhor Deus, Uno e Trino, comunidade estupenda de amor infinito, ensinando-nos a contemplar-Vos na beleza do universo, onde tudo fala de Deus, mistério indizível (cf. Laudato Si, p. 196).

Essa nova fase da Igreja, inaugurada a partir de 13 de março de 2013, com a eleição do Sucessor de Pedro, requer e clama por novos agentes e missionários com propostas claras, à luz do Evangelho, numa mensagem de alegria e esperança, no reavivamento da proposta de Francisco de Assis, em que no Cântico das Criaturas, Deus é louvado de modo integral na clara afirmação da fraternidade universal, nos profundos gestos do Papa Francisco, na bela e maravilhosa visita apostólica ao nosso continente latino-americano, que dela esperamos muitos e bons frutos, para a maior glória de Deus.

*Escritor, blogueiro, colunista, vice-presidente da Previdência Sacerdotal e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE – geovanesaraiva@gmail.com