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Dica de leitura: As autoras mais vendidas da Flip 2019 livro a livro

Veja também os 30 livros mais vendidos da Flip 2019 - e a lista vai de Grada Kilomba a Luccas Neto

Redação, O Estado de S. Paulo

As escritoras mais vendidas da Flip 2019 Foto: Estadão
lista de livros mais vendidos da Flip tem uma conexão direta com o encantamento que seu autor ou autora desperta na plateia do festival literário e com o burburinho em torno do que disse ou de seu carisma. Em 2019, Grada Kilomba, escritora e artista portuguesa com raízes em Angola e em São Tomé, foi a autora mais vendida na loja que a Livraria da Travessa monta na Flip com seu livro Memórias da Plantação - Episódios de Racismo Cotidiano.
Temas como os que ela trata em sua obra, além que questões identitárias, de gênero e políticas dominaram a lista de livros mais vendidos da Flip 2019.
A cearense Jarid Arraes aparece no ranking com dois livros. Djamila Ribeiro, que fez sucesso na Flip passada e este ano não participou da programação oficial, também emplacou um livro na lista.
Conheça, a seguir, os livros escritos por mulheres que foram destaque nesta edição do evento, realizada entre 10 e 14 de julho, em Paraty, e abaixo, os 30 livros mais vendidos da Flip 2019 - tem até Luccas Neto, o youtuber, que não estava na festa.

Livros escritos por mulheres em destaque na Flip

Memórias da Plantação - Episódios de Racismo Cotidiano
Autora: Grada Kilomba
Tradução: Jess Oliveira
Editora: Cobogó (249 págs.; R$ 48)
Obra compila episódios cotidianos de racismo escritos sob a forma de pequenas histórias psicanalíticas. Das políticas de espaço e exclusão às políticas do corpo e do cabelo, passando pelos insultos raciais, Grada Kilomba desmonta a normalidade do racismo, expondo a violência e o trauma de se ser colocada/o como outra/o. Trata-se de uma obra interdisciplinar que combina teoria pós-colonial, estudos da branquitude, psicanálise, estudos de gênero, feminismo negro e narrativa poética.
Grada Kilomba nasceu em Lisboa, em 1968.
Fique Comigo
Autora: Ayobami Adebayo
Tradução: Marina Vargas
Editora: HarperCollins Brasil (240 págs.; R$ 39,90)
Romance de estreia da autora, Fique Comigo é ambientado na Nigéria e dá voz a marido e esposa enquanto eles contam a história de seu casamento - e as forças que ameaçam destruí-lo. Yejide e Akin se apaixonaram na faculdade e logo se casaram. Apesar de muitos terem esperado que Akin tivesse várias esposas, ele e Yejide sempre concordaram que o marido não seria poligâmico. Porém, após quatro anos de casamento, e de se consultar com médicos especialistas em fertilidade e curandeiros, tomar chás estranhos e buscar outras curas improváveis, Yejide não consegue engravidar. Ela está certa de que ainda há tempo, mas então a família do marido aparece na sua casa com uma jovem moça que eles apresentam como a segunda esposa de Akin. O romance não apenas debate as questões familiares da sociedade nigeriana, como também demonstra com realismo as mazelas e as dificuldades políticas enfrentadas pela população desse país nos anos 1980. 
Ayobami Adebayo nasceu em Lagos, na Nigéria, em 1988.
Sobre o Autoritarismo Brasileiro
Autora: Lilia Moritz Schwarcz
Editora: Companhia das Letras (288 págs.; R$ 49,90)
A autora reconstitui, em Sobre o Autoritarismo Brasileiro, a construção de uma narrativa oficial (o brasileiro é tolerante, aberto, pacífico, acolhedor, etc.), que acabou por obscurecer uma realidade marcada pela herança perversa da escravidão e pelas lógicas de dominação do sistema colonial. Ao investigar esses subterrâneos da história do país, e suas permanências no presente, a historiadora e antropóloga deixa expostas as raízes do autoritarismo no Brasil.
Lilia Moritz Schwarcz nasceu em São Paulo, em 1957.
Uma Noite Markovitch
Autora: Ayelet Gundar-Goshen
Tradução: Paulo Geiger
Editora: Todavia (400 pág.; R$ 64,90)
Às vésperas da Segunda Guerra, um grupo de jovens vai da Palestina à Europa. Lá, jovens judias que nunca conheceram os esperam. O objetivo: casamentos fictícios com os quais as meninas poderão escapar da Europa sob Hitler e alcançar a futura pátria judaica, então sob o domínio britânico. Dois dos jovens são amigos íntimos, mas muito diferentes. Zeev Feinberg, um sujeito alto e musculoso, acostumado a ter mulheres a seus pés. O outro, Iaakov Markovitch, é um cara monótono e sem carisma. No entanto, é Markovitch quem fica com a mulher mais bonita, e, quando eles alcançam Israel, ele se recusa a se divorciar, com a esperança de que ela o amará algum dia.
Ayelet Gundar-Goshen nasceu em Israel, em 1981, e Uma Noite Markovitch é seu romance de estreia.
Maternidade: Um Romance
Autora: Sheila Heti
Tradução: Julia Debasse
Editora: Companhia das Letras (312 págs.; R$ 59,90)
Em Maternidade, a autora reflete sobre os ganhos e as perdas para uma mulher que decide se tornar mãe, tratando a decisão que mais traz consequências na vida adulta com franqueza, originalidade e humor. Ao se aproximar dos 40, a narradora questiona se aquela é uma experiência que ela quer ter. A narrativa se estende ao longo de muitos anos e é moldada a partir de conversas com seus pares e seu parceiro e de sua relação com os pais.
Sheila Heti nasceu em Toronto, Canadá, em 1976.
Lugar de Fala
Autora: Djamila Ribeiro
Editora: Pólen (128 págs.; R$ 19,90)
Com o objetivo de desmistificar o conceito de lugar de fala, a filósofa, feminista e ativista contextualiza o indivíduo tido como universal numa sociedade cisheteropatriarcal eurocentrada, para que seja possível identificarmos as diversas vivências específicas e, assim, diferenciar os discursos de acordo com a posição social de onde se fala.
Djamila Ribeiro nasceu em Santos, em 1980
Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis
Autora: Jarid Arraes
Editora: Pólen (176 pág.; R$ 35)
Eva Maria do Bonsucesso, mulher negra no século 19 que se envolveu em uma briga com um homem branco e dono de escravos, Maria Firmina dos Reis, autora do primeiro abolicionista brasileiro, e Teresa de Benguela, rainha do quilombo do Quariterê, no Mato Grosso, são algumas das personagens da cearense Jarid Arraes neste livro que reúne o perfil dessas brasileiras no formato de literatura de cordel.
Jarid Arraes nasceu em Juazeiro do Norte, em 1991. 
Cat Person e Outros Contos
Autora: Kristen Roupenian
Tradução: Ana Guadalupe
Editora: Companhia das Letras (256 págs.; R$ 44,90)
Cat Person, conto que dá nome ao livro, viralizou depois de ter sido publicado na New Yorker. Ele narra o desastroso encontro entre um homem e uma mulher que se conheceram na internet e seu inesperado desfecho. A coletânea traz 12 contos, com tom ora sombrio, ora hilariante, que apresentam uma galeria de personagens profundamente humanos e estranhamente inquietantes, que buscam se relacionar em dias marcados por angústias, contradições, perversões e uma dificuldade intransponível de comunicação.
Kristen Roupenian nasceu nos Estados Unidos, em 1981.
Redemoinho em Dia Quente
Autora: Jarid Arraes
Editora: Alfaguara (152 págs.; R$ 39,90)
Estreia na poeta cordelista nos contos, o livro mostra mulheres de idades e personalidades diversas fazendo coisas inesperadas. Entre suas personagens estão uma beata que toma um alucinógeno e vê Padre Cícero, uma mototaxista em seu primeiro dia de trabalho, meninas, jovens, idosas lésbicas, uma mulher trans e muitas outra. Redemoinho em Dia Quente faz um retrato do sertão do Cariri pelo olhar dessas mulheres, e marca as pazes de Jarid com sua terra natal.
Jarid Arraes nasceu em Juazeiro do Norte, em 1991.
O Corpo Dela e Outras Farras
Autora: Carmen Maria Machado
Tradução: Gabriel Brum
Editora: Planeta Monotauro (240 págs.; R$ 55,90)
Uma esposa se recusa a remover a fita verde de seu pescoço mesmo após súplicas de seu marido. Uma mulher relata seus encontros sexuais lentamente, como uma praga que consome a humanidade. Uma vendedora descobre algo terrível dentro das costuras dos vestidos de festa de uma loja. Uma cirurgia de redução de peso resulta em um hospedeiro indesejado. Ao mesmo tempo antiquado e sexy, estranho e mordaz, cômico e extremamente sério, o livro O Corpo Dela e Outras Farras alterna uma violência brutal e o sentimento mais rebuscado. Realismo, ficção científica, comédia, horror, fantasia e fábula - há tudo nesta coletânea.
Carmen Maria Machado nasceu em Allentown, nos Estados Unidos, em 1983.
Paletó e Eu: Memórias do Meu Pai Indígena
Autora: Aparecida Vilaça
Editora: Todavia (200 págs.; R$ 49,90)
Paletó morreu aos 85 anos, depois de ter vivido por décadas na floresta em meio aos Wari’. Desde 1986, a antropóloga Aparecida Vilaça tem vivido longos períodos entre eles e, aos poucos, construiu com Paletó uma relação de pai e filha. Este é um livro raro, em que erudição e emoção convivem em doses generosas.
Aparecida Vilaça nasceu no Rio de Janeiro

Os 30 livros mais vendidos na Flip 2019

1. Memórias da Plantação - Episódios de Racismo Cotidiano, de Grada Kilomba (Cobogó)
2. Fique Comigo, Ayobami Adebayo (HarperCollins)
3. Ideias Para Adiar o Fim do Mundo, de Ailton Krenak (Companhia das Letras)
4. Sobre o Autoritarismo Brasileiro, de Lilia Moritz Schwarcz (Companhia das Letras)
5. Também os Brancos Sabem Dançar, de Kalaf Epalanga (Todavia)
6. Meu Pequeno País, de Gael Faye (Rádio Londres)
7. Uma Noite Markovitch, de Ayelet Gundar-Goshen (Todavia)
8. Maternidade, de Sheila Heti (Companhia das Letras)
9. O Oráculo da Noite: A História e a Ciência do Sonho, de Sidarta Ribeiro (Companhia das Letras)
10. Lugar de Fala, de Djamila Ribeiro (Polen)
11. Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis, de Jarid Arraes (Polen)
12. Cat Person e Outros Contos, de Kristen Roupenian (Companhia das Letras)
13. Redemoinho em Dia Quente, de Jarid Arraes (Alfaguara)
14. O Corpo Dela e Outras Farras, de Carmen Maria Machado (Planeta)
15. A Terra Inabitável: Uma História do Futuro, de David Wallace Wells (Companhia das Letras)
16. Paletó e Eu: Memórias do Meu Pai Indígena, de Aparecida Villaça (Todavia)
17. Noite em Caracas, de Karina Sainz Borgo (Intrínseca)
18. Os Sertões, de Euclides da Cunha (Penguin/Companhia das Letras)
19. A Maquinação do Mundo: Drummond e a Mineração, de José Miguel Wisnik(Companhia das Letras)
20. Não Há Tempo a Perder, de Amyr Klink (Tordesilhas)
21. Forças Armadas e Política no Brasil, de José Murilo de Carvalho (Todavia)
22. As Mulheres de Tijucopapo, de Marilene Felinto (Edição do Autor)
23. Olhos D’Água, de Conceição Evaristo (Pallas)
24. As Coisas Que Perdemos no Fogo, de Mariana Enriquez (Intrínseca)
25. Para Educar Crianças Feministas: Um Manifesto, de Chimamanda Ngozi Adichie (Companhia das Letras)
26. Os Sertões - Edição Crítica, de Euclides da Cunha (Ubu)
27. Cumbe, de Marcelo D’Salete (Veneta)
28. Sobre Lutas e Lágrimas: Uma Biografia de 2018, de Mario Magalhães (Record)
29. O Pecado Original da República - Personagens e Eventos Para Compreender o Brasil, de José Murilo de Carvalho (Bazar do Tempo)
30. Brincando com Luccas Neto, de Luccas Neto (Pixel)

Festa literária de Paraty é sucesso de público, debate e autores

Ao todo, 636 programas para a Flip deste ano foram cadastrados no site.
Foram 636 programas, com destaque para a participação de jovens.
Foram 636 programas, com destaque para a participação de jovens. (Fernando Frazão)

A 17ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), encerrada domingo (14) na cidade histórica de Paraty, na Costa Verde do estado do Rio de Janeiro, recebeu 42 autores em seu programa principal, dos quais 24 mulheres e 18 homens, de 13 nacionalidades – Angola, Argentina, Brasil, Burundi, Canadá, Cabo Verde, Espanha, Estados Unidos, Israel, Nigéria, Portugal, Reino Unido, Venezuela.
O autor homenageado nesta edição foi Euclides da Cunha. Houve alta em relação aos 33 escritores convidados na programação principal da Flip 2018.
Além dos escritores, participaram do Programa Principal da Flip 2019 a Universidade Antropófaga, com 19 integrantes, na apresentação de abertura da festa; o Núcleo de Arte Mundana Companhia, com 11 membros, do evento Máquinas do Tempo; e Roberta Estrela D’Alva e o Núcleo Bartolomeu, da Flip Slam (batalha de poesias). Já o programa educativo contou com 57 autores.
Ao todo, 636 programas para a Flip deste ano foram cadastrados no site.
Acessos e redes sociais
A festa teve forte movimentação nas redes sociais. O aplicativo Flip, lançado no último dia 10, registrou 3 mil usuários ativos. No instagram, os posts alcançaram mais de 1,5 milhão de pessoas; a média das stories foi de 2 mil visualizações; e a hashtag #Flip2019 foi usada 2 milhões de vezes. No facebook, as postagens atingiram mais de 150 mil pessoas. No youTube, os vídeos contabilizaram 15 mil visualizações e 2,3 mil horas assistidas.
Foram registrados 8.813 acessos no Auditório da Matriz, onde ocorreram as mesas literárias da Flip, com ingresso pago; 12.973, no Auditório da Praça; 1.525 na Biblioteca Casa Azul; 3.326 na Central Flipinha; 640, no Barco Educativo; 246, na Terra Nova-Máquinas do Mundo, e 237, no Cinema da Praça.
A Flip 2019 contabilizou 452 contratações de prestadores de serviços, sendo 197 diretas e 255 indiretas, constituídas de mão de obra de fornecedores.
Livros mais vendidos
A feira também teve movimento intenso de venda de livros. A obra Memórias da Plantação, da autora portuguesa Grada Kilomba, editora Cobogó, teve 648 exemplares vendidos; e a nigeriana Ayobami Adebayo, Harper Collins, autora do livro Fique Comigo vendeu 546 exemplares.
Também foram muito procurados os livros Ideias para adiar o fim do mundo, do líder indígena brasileiro Ailton Krenak, Cia. das Letras (373); o livro Também os brancos sabem dançar, do autor angolano Kalaf Epalanga, Todavia (272); Meu pequeno país, do rapper e romancista do Burundi Gael Faye, Radio Londres (268); Uma noite Markovitch, da escritora Ayelet Gundar Goshan, de Israel, editora Todavia (263); Sobre o autoritarismo brasileiro, da historiadora brasileira Lilia Moritz Schwartz, Cia. das Letras (213); Maternidade, da canadense Sheila Heti, Cia. das Letras (211); Lugar de fala, da filósofa brasileira Djamila Ribeiro, Polén (179); e Oráculo da noite, do neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro, Cia. das Letras (175).
Realização
Em entrevista ontem (15), a curadora da Flip 2019, a jornalista e editora Fernanda Diamant, disse estar muito feliz com os resultados da festa. “O que eu imaginava se realizou de forma muito próxima. Acho que chegou na meta, com adesão do público. Tivemos recorde de presença no teatro, sala cheia”, afirmou. Até as mesas matinais, que costumam ficar menos ocupadas, receberam bastante público.
O total de 8.813 visitantes somente no Auditório da Matriz foi 19% maior do que o registrado na edição 2018 da Flip. No público total, o aumento estimado foi de 10%.
A jornalista também comemorou a participação infantojuvenil na Flip. “Tivemos muita participação dos jovens de Paraty. É um desejo da equipe e da Flip fazer atividades educativas. Isso aconteceu antes e durante o evento”. Segundo ela, as crianças que visitaram a festa participaram de atividades não só da programação principal, mas das ações paralelas.
Aplicativo
O aplicativo lançado durante o evento permitiu acompanhar, em tempo real, gratuitamente, as atividades da Flip 2019, por meio de transmissões ao vivo das mesas do programa principal e dos melhores momentos. A curadora celebrou os 3 mil usuários ativos conquistados durante o evento.
A partir de ontem (15), o aplicativo ganhou conteúdo exclusivo para assinantes, que terá, inclusive, debates e conteúdos selecionados das 17 edições da festa e entrevistas exclusivas com autores. São dois planos de assinatura do aplicativo: o mensal, no valor de R$ 35/mês, e o anual, por R$ 249, parcelados em até dez vezes.
O usuário poderá ver as mesas, rever o que mais gostou, ouvir podcasts (áudios e vídeos).

Agência Brasil

'Literatura precisa ir além de protestos políticos', defende a premiada Ayelet Gundar na Flip

Autora israelense participou de mesa com a nigeriana Ayobami Adebayo na tarde desta sexta (12). Escritoras debateram representação das mulheres na literatura.

 
Por Thaís Matos, G1
 
Ayelet Gundar-Goshen ganhou o principal prêmio literário de Israel com seu novo romance “Uma noite, Markovitch”. Ele foi celebrado muito por seu contexto político e histórico: um grupo de jovens da Palestina vai até a Europa sob comando nazista para resgatar mulheres judias por meio do casamento.
Denso, ele toca ainda no machismo: O personagem principal se apaixona pela mulher com que casa e não quer lhe dar o divórcio, mesmo contra sua vontade.
O pano de fundo é político sim, mas a autora não quer ser lida apenas sob esse viés. Durante debate na 17ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), ela fez um apelo.
“Todos os romances devem ser lidos no nível político, mas eu não quero que ele seja uma declaração política. Isso me incomoda.”
“A literatura tem que ser mais complexa e profunda que faixas e gritos, ir além de protestos. Eu não quero que usem meu livro pra fazer diagnósticos sobre a sociedade israelense. Luta política é feita na rua.”
A também premiada Ayobami Adebayo, escritora nigeriana, dividiu mesa com a israelense e concordou com a colega.
“O processo político é importante, mas secundário. Todas as consequências sempre pairam sobre pessoas, indivíduos, o elo mais fraco.”
As autoras chamaram atenção para o sofrimento maldito de mulheres em sociedades em conflito.
“A guerra acontece no mundo estatal, mas na sala de estar. Essa história aconteceu numa época em que todo mundo estava preocupado com algo maior. A mulher dizia ‘fizeram algo errado comigo’ e as pessoas diziam ‘estamos em guerra, não há espaço para lidar com sua tragédia pessoal’”, diz Ayelet.
“Acontece com muitas mulheres até hoje. Em Israel, as pessoas pedem que as mulheres segurem seu sofrimento pessoal para depois que os conflitos acabarem.”

Protagonistas, mulheres e fortes

Ayobami Adebayo, escritora nigeriana premiada, participa de mesa na Flip 2019 — Foto: Walter Craveiro/Flip/Divulgação
Ayobami Adebayo, escritora nigeriana premiada, participa de mesa na Flip 2019 — Foto: Walter Craveiro/Flip/Divulgação

As duas autoras escrevem sobre dilemas de mulheres fortes em sociedades patriarcais.
Ayobami até quis escrever sobre amor, mas a realidade não a deixava em paz. "Comecei a escrever sobre amor, mas depois me veio o patriarcado e as consequências em uma sociedade que não vê os dois como iguais. Não dá para ignorar o desequilíbrio na relação dos casais", explica.
Já Ayelet escreveu pensando em sua filha. "Eu leio para minha filha e muitas das personagens femininas estão inconscientes, como a Bela Adormecida ou a Branca de Neve. A Ariel está muda. Muitas das histórias que eu ouvi quando era criança não têm as personagens femininas que eu gostaria que ela visse."
"Eu queria que minhas personagens celebrassem seus corpos e tivessem uma vida."
Em seu romance "Fique comigo", Ayobami narra a história de uma mulher que não pode ter filhos e seu marido é forçado pela família a ter uma segunda esposa capaz de engravidar.
"Uma vez eu ouvi alguém dizer 'por que você está falando assim com ela, ela é mãe de alguém'. E isso me machucou. Por que não colocar todas as mulheres nesse pedestal, e não só as que optaram pela maternidade?", questiona a escritora.
"Na Nigéria, nos anos 1980, ainda era bastante comum uma segunda esposa. E é preciso entender que os homem também estão presos porque às vezes eles não querem ter uma segunda esposa, mas precisam disso pra se validar na sociedade", diz.

Chega de vilões e heróis

 
Ayelet Gundar, escritora israelense, durante apresentação na Flip 2019 — Foto: Walter Craveiro/Flip/Divulgação
Ayelet Gundar, escritora israelense, durante apresentação na Flip 2019 — Foto: Walter Craveiro/Flip/Divulgação

Ayelet é psicóloga e, por isso, empática com todos os personagens. Seu protagonista, Markovitch, poderia ser escrito como um monstro por subjugar sua esposa a uma condição que ela não quer ter. E é inspirado na história real do vizinho do seu namorado.
"Quando ouvi aquela história, cheguei em casa e fiquei pensando que tipo de homem faria isso. Mas sou psicóloga e pensei que é muito fácil julgar assim. Então comecei a investigar por que nos apegamos a algo mesmo sabendo que aquilo é não é nosso."
A busca por essas perguntas a levou para a construção da própria história de Israel, que, para a autora, também não lida bem com seus heróis e vilões.
“Nós gostamos que a mitologia seja limpa. Pode ser sangrenta, mas um sangue nobre. Mas nos bastidores há esse homem patético que se apaixona por uma mulher que nunca teria se não fosse por força da lei religiosa.”
“Há um deslocamento entre o que acontece no palco e nos bastidores. Há coisas que não se encaixam na narrativa. E nós nos perguntamos se olhamos para eles ou escondemos. Markovitch não faz parte da narrativa que os israelenses vêm contando.”

Flip tem aplicativo que permite assistir ao vivo a mesas de debates

Participantes poderão ver acervo de vídeos das edições anteriores

Crianças acompanham atividades na tenda da Flipinha, o espaço infantil da 12ª Festa Literária Internacional de Paraty (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Já está no ar o aplicativo da 17ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) na Costa Verde fluminense. A nova plataforma permite aos usuários assistir, ao vivo e gratuitamente, as mesas da edição da festa deste ano e receber notificações para acompanhar o programa principal.
Além disso, é possível ver todo o acervo de vídeos das 16 edições anteriores da Flip, incluindo entrevistas históricas e melhores momentos da festa, que mistura literatura, arte e cultura. O aplicativo está disponível para Android e iOS. Após a realização da Flip, o aplicativo passará a ser exclusivo de assinantes, em dois planos diferentes: mensal, ao custo de R$ 35, e anual, no valor de R$ 249, parcelado em até dez vezes.

Direitos humanos

O movimento Ocupa Beauvoir, de mulheres que trabalham com a questão da desigualdade de gênero no mercado literário, realiza, na programação paralela da Flip, a ação “De Rosa Luxemburgo a Marielle Franco”. O movimento lança e distribui gratuitamente, durante o evento, uma série artística de cartazes interativos em homenagem a dez mulheres ativistas de direitos humanos, nacionais e estrangeiras, que morreram por causa de sua luta sobre o tema.
Neste sábado (13), às 10h, as integrantes do Ocupa Beauvoir fazem uma roda de conversa sobre o processo de construção dessa ação, que contou com a participação de escritoras brasileiras, convidadas a escrever cartas para as ativistas assassinadas, como se narrassem o que ocorreu depois de sua morte. A ação conta com parceria do Barco Pirata da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei), que ficará ancorado no cais de Paraty até domingo (14).

Multimídia

A diretora do movimento e curadora da ação na Flip, Leila Vilhena, informou que os cartazes retratam Esther Ballestrino, fundadora da Associação Mães da Praça de Maio, na Argentina; a ambientalista hondurenha Berta Cáceres; a parteira de origem Ixil Maia, na Guatemala, Juana Santiago; a pescadora brasileira Nilce Magalhães, líder do Movimento dos Atingidos por Barragens; a brasileira Luana Barbosa, morta em uma abordagem policial; a jornalista japonesa Itô Noé. A filósofa, economista e ativista polaco-alemã Rosa de Luxemburgo; a vereadora Marielle Franco; a travesti e ativista americana pelos direitos da comunidade LGBT Marsha Johnson; e Dandara, guerreira e líder negra do Quilombo de Palmares, completam a lista.
Os cartazes multimídia foram ilustrados por dez artistas. Eles têm um QRCode que permite às pessoas, usando a câmera do celular, ter acesso imediato ao áudio exclusivo das escritoras lendo as cartas que escreveram para as ativistas mortas. “É uma característica do Ocupa Beauvoir. Todos os cartazes são interativos”, disse à Agência Brasil a idealizadora do movimento, Leila Vilhena.

Preconceito

Nesta nova edição da Flip, a Primavera Editorial realiza hoje (12), na Casa da Porta Amarela, debate sobre afroempreendedorismo, black money e preconceito. Participam Débora Luz e Bruno Brígida, empreendedores do Clube da Preta.
A editora aproveitará a Flip para lançar novos títulos que abordam a importância de trabalhar em prol da diversidade nos negócios e no mundo corporativo. Entre eles, destaque para “Brilhe na Sua Praia”, resultado da mistura entre exasperação e otimismo de duas garotas negras inglesas.

Cordel

Patrimônio histórico e artístico nacional desde 2018, a literatura de cordel participa da Flip pela primeira vez. “A partir do momento em que existe o registro de um bem cultural de natureza imaterial, ele já nasce, depois de pesquisa feita com os defensores desse patrimônio, com as recomendações de salvaguarda”, explicou o diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Hermano Queiroz.
Uma das ações de salvaguarda é a inserção da literatura de cordel na Flip. Cerca de dez a 15 cordelistas e representações da literatura de cordel marcam presença no Escritório Técnico do Iphan em Paraty até o dia 14, para realizar oficinas para o público, rodas de conversa, apresentações musicais, declamações, geogravuras, lançamento de livros. “É o primeiro passo para uma ação maior na própria Flip, construindo de forma cuidadosa e estratégica esse espaço para o cordel lá. Já é uma conquista”, disse Queiroz.

Doação de livros

Durante a Flip, a casa editorial Estrela Cultural vai doar 300 exemplares de algumas obras de seu catálogo para bibliotecas de escolas públicas de Paraty. O objetivo é promover educação e cultura de maneira inovadora. Entre os livros que serão lançados na festa, destaque para Brinquedos Miúdos e Graúdos-nascidos da barriga da língua portuguesa, de autoria da poeta e pesquisadora Selma Maria Kuasne.
Agência Brasil

Flip: subúrbio carioca vira cenário de contos de terror

Paraty instala totens com informações turísticas para participantes da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Quando se fala em histórias de terror, os leitores logo pensam em um castelo na Transilvânia ou em uma mansão vitoriana na Inglaterra. Mas é na periferia carioca que o autor Hedjan Costa, morador de Anchieta, no subúrbio do Rio de Janeiro, resolve ambientar seus contos assustadores.
A coletânea Gótico Suburbano será lançada neste sábado (13) na Feira Literária de Paraty (Flip). São dez contos que usam temas e cenários tipicamente suburbanos, como os vagões de trem, os grupos de bate-bola e a brincadeira de soltar pipa.
“A ideia de escrever contos de terror no subúrbio veio da minha própria experiência como morador. Eu cresci na zona sul, então, quando me casei e me mudei, eu acabava percebendo várias coisas que talvez passassem despercebidas a quem nasceu e cresceu aqui. As relações humanas, a questão do público e do privado, o uso dos espaços públicos. E, como leitor apaixonado de histórias de terror e suspense, algumas situações e cenários sempre me pareciam perfeitos para gerar uma história assustadora”, conta o autor.
Em seu primeiro livro solo de contos, o autor diz que as mazelas do subúrbio aparecem nas histórias.
Segundo ele, a ideia é mostrar uma imagem do subúrbio que extrapola os clichês. “O subúrbio, no imaginário de muitos moradores do estado do Rio, é um lugar de violência, abandono, de samba e onde o trem passa. Eu quis mostrar que o subúrbio vai além disso, com determinados costumes e práticas que são típicos de cada bairro”.

Terror na Flip

O livro será lançado na Casa Fantástica, às 18h. O espaço é voltado para os gêneros de fantasia, ficção científica, mistério e terror. Além de lançamentos de livros, a casa receberá mesas-redondas nesta sexta-feira (12) envolvendo o gênero do terror, como “Criaturas Fantásticas: criando monstros, bestas-feras e outros bichos” e “O medo como inspiração: horror e mistério na literatura nacional”.
Agência Brasil

Programação da Flip movimenta a cidade de Paraty

Evento segue até 14 de julho

Em sua 17ª edição, a Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) traz uma extensa programação que segue até o próximo dia 14. Entre as instituições que participam da feira este ano está o Museu da Língua Portuguesa, que foi atingido por um incêndio e passa por reconstrução. Em Paraty, o museu promoverá o primeiro 'Flip Slam', ou batalha de poesia falada, com convidados de seis países (Cabo Verde, Portugal, Brasil, Inglaterra, Estados Unidos e Espanha). O 'Flip Slam' acontecerá no dia 12 de julho. Com curadoria de Roberta Estrela D’Alva, uma das pioneiras do movimento slam no Brasil, a batalha de poesia internacional será realizada no Auditório da Praça.
Já o slam da Língua Portuguesa reunirá artistas nacionais na Casa da Cultura de Paraty, com microfone aberto ao público. A apresentação é de Emerson Alcalde, do Slam da Guilhermina, de São Paulo. O Museu da Língua Portuguesa também apresenta uma mesa literária, no dia 11, com o escritor e músico angolano Kalaf Epalanga e com o rapper e romancista Gaël Faye, natural do Burundi e criado na França.

Literatura e música

Na exposição interativa “A Energia da Língua Portuguesa”, na Praça Aberta, os visitantes conhecerão expressões típicas do idioma português e peculiaridades da língua nos países onde ela é falada. O público poderá participar ainda de gincanas, entre outras atrações.

Museu do Ipiranga

O Salão Nobre da Casa de Cultura de Paraty vai abrigar uma exposição com imagens históricas que mostram o início da construção do Museu Ipiranga, em 1885, e a modificação do espaço urbano ao redor do prédio ao longo dos séculos. No local, acontece no dia 12, às 10h30, a mesa literária “D. Pedro I – O Coração do Rei”, com a historiadora e jornalista Iza Salles e a historiadora e museóloga Vera Tostes.
No sábado (13), às 10h30, o Salão Nobre sediará debate sobre a história da construção do Museu do Ipiranga e as intervenções que serão feitas para sua recuperação, a partir de setembro deste ano. Na mesa, a diretora do Museu, Solange Ferraz de Lima, e Pablo Hereñú, arquiteto responsável pelo projeto de restauração do edifício monumento.

Música e poesia luso-brasileira

O palco instalado em frente à exposição “A Energia da Língua Portuguesa” receberá a cantora e compositora Adriana Calcanhotto no dia 11, às 22h30. No dia 12, será a vez do artista português Dino d’Santiago, vencedor este ano do Play - Prêmios da Música Portuguesa, nas categorias Melhor Artista Solo, Melhor Álbum (Mundo Nôbu) e Prêmio da Crítica. A apresentação está programada para começar às 23h50 e terá participação do músico angolano Kalaf Epalanga.
No sábado (13), às 14h15, será a vez de o rapper Vinicius Terra. Professor de português e literatura, o artista é considerado pioneiro na cultura hip-hop por buscar o fortalecimento dos laços entre os países de língua portuguesa.

 Paraty (RJ) - O músico Mestre Pé apresenta o show Pé de palavra, na Flipinha, para crianças  (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Foto de edição anterior da Flip (Tomaz Silva/Arquivo/Agência Brasil) - Tomaz Silva/Agência Brasil

Gastronomia

A Flip não é somente um evento literário. Para o dia 12, às 12h, está programado, no Salão Nobre da Casa de Cultura, um showcooking com o chef português Miguel Laffan, vencedor de uma estrela Michelin, e Ana Bueno, chef do restaurante Banana da Terra, de Paraty. Eles vão preparar juntos uma receita que vai reproduzir as técnicas de sabores da culinária portuguesa de séculos passados.

Sesc na Flip

Cerca de 100 atrações estão previstas para o espaço do Serviço Social do Comércio (Sesc) na Flip 2019. Exposições, oficinas, bate-papos, cafés literários, lançamentos de livros, cinema, música e intervenções artísticas ocorrerão em quatro espaços fixos: unidade Santa Rita, na Casa Edições Sesc, unidade Caborê e espaço do Areal do Pontal. Todas as atividades são abertas e gratuitas.
Haverá shows musicais com os cantores Chico Cesar; Cátia de França; e Dandara Manoela, que apresentará o álbum Retrato Falado e a Orquestra Mundana, formada por músicos brasileiros, imigrantes e refugiados.

Para crianças

Para o público infantil, estão previstas brincadeiras e leitura no espaço "Ler e brincar é só começar", na unidade Santa Rita, durante os quatro dias da Flip. No Sesc Areal do Pontal, o bate-papo “Criança escrevendo para crianças” contará com a presença da escritora amazonense Beatriz Guimarães Menezes, de 18 anos, cujo primeiro livro foi publicado aos 8 anos. Haverá, ainda, contação de histórias, intervenções poéticas, performances circenses e apresentações artísticas.

Record e autores

O Grupo Editorial Record leva à cidade de Paraty quase vinte autores, dos quais quatro participam da programação oficial da Flip: as jornalistas Cristina Serra e Marilene Felinto; o crítico de cinema Ismail Xavier e o historiador José Murilo de Carvalho. Monica Benício, companheira da vereadora Marielle Franco, morta há mais de um ano no Rio de Janeiro, junto com seu motorista Anderson Gomes, participará de mesa literária sobre Euclides da Cunha na Casa Libre & Sta. Rita de Cássia, no dia 12, às 18h30, ao lado do biógrafo Mário Magalhães.
Outro escritor que se dedica à temática do sertão brasileiro, Graciliano Ramos, será o foco do debate programado para sexta-feira (12), às 15h, do qual participarão seu neto, o também escritor Ricardo Ramos Filho, e o biógrafo Mário Magalhães.

Brejeiras

Lançada em abril do ano passado, a Revista Brejeiras é escrita por cinco mulheres lésbicas (Camila Marins, Cristiane Furtado, Laila Maria, Luísa Tapajós e Roberta Cassiano) e se destina a igual público. Durante a Flip, as editoras são as convidadas da Casa Philos, onde promoverão o lançamento da quarta edição da revista.

Independentes

Com o espírito de colaboratividade, os espaços Casa Libre e Santa Rita da Cassia se uniram para participar da 17ª edição da Flip e prometem atrair, além de escritores, muitos leitores, com a meta de destacar iniciativas que incentivam a leitura.
“Queremos também reforçar a bandeira da bibliodiversidade, outra marca dessa parceria com a produtora cultural Cassia Carrenho”, disse a presidente da Liga Brasileira de Editoras (Libre), Raquel Menezes. Ela entende que a união das duas casas traz uma oportunidade de mostrar, de forma prática, que por meio da colaboratividade é possível fazer muita coisa dentro do mercado editorial e com um objetivo único de garantir acesso à leitura.
No dia 10, a Casa Libre e Santa Rita da Cassia vão desenvolver uma programação voltada exclusivamente para os professores. Nesse mesmo dia, entre outras atrações, haverá o workshop “Bibliotecas transformadoras”, conduzido por Renata Costa, secretária-executiva do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL).
Na sexta-feira (12), o destaque será a tecnologia. A “Tarde Digital”, em parceria com Árvore de Livros, Bibliomundi, Bookwire e Storytel, vai debater como usar o conteúdo digital para transformar pessoas em leitores.
Agência Brasil

Guia Flip 2019: pontos que merecem destaque no principal evento literário do País


Da diversidade de temáticas às novas abordagens e formatos de apreciação da literatura, um roteiro para otimizar encontros e saberes


Em um onipresente diálogo entre a tradição e a modernidade - observado da arquitetura colonial ao movimentar intenso dos dias de evento - a Flip consolida-se, a cada edição, como um farto campo de trocas. Neste 17º ano, a festa chega robusta, com 33 autores confirmados e outros distribuídos em Casas Parceiras. Quanto ao orçamento, foi calculado em R$ 5, 4 milhões, conforme anúncio em 15 de maio.
De forma geral, os ingressos manterão o mesmo valor do ano passado, R$ 55, com possibilidade de meia-entrada. A programação, por sua vez, tem curadoria da editora Fernanda Diamant, sucessora da jornalista Joselia Aguiar. A nova ocupante do posto tem passagens pela Publifolha (onde foi assistente de Arthur Nestrovski) e Editora 34. Também é sócia da Quatro Cinco Um, revista mensal de resenhas e ensaios que começou a circular em maio de 2017.
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Localizada no litoral fluminense, Paraty transforma-se, durante quatro dias, em palco incontornável da literatura
Arte: Lincoln Souza
Arranjos
A presença de Diamant sinaliza algo distinto das edições passadas: um olhar mais acurado sobre a não-ficção e a busca por formatos variados das mesas. Não à toa, debates sobre história, política, ciência e jornalismo, por exemplo, deverão pautar os encontros no evento.
A diversidade editorial e representatividade temática e de escritores e escritoras, sob outro espectro, serão mantidas.
A escolha pela homenagem ao plural Euclides da Cunha reflete esse aspecto, observado inclusive no nome de todas as mesas, que herdaram designações de cidades, rios e pontos geográficos do sertão da Bahia, cenário de "Os Sertões". Abaixo, você confere alguns dos mais importantes pontos a se destacar na festa deste ano. Monte seu roteiro e boas incursões!
Diversidade
Com a proposta de otimizar novas abordagens, olhares e perspectivas sobre temas outrora eclipsados, a Flip 2019 dará maior atenção a debates sobre feminismo negro, culturas indígenas, questões de raça e imigração, música, arte e arquitetura, poesia e mineração, maternidade na ficção, teatro, cinema, ciências e até mudanças climáticas. As atividades envolvendo os assuntos serão distribuídas em espaços oficiais e alternativos e numa variedade de formatos, como oficinas e mesas.
Amplitudes
Entre as novidades anunciadas, vale destaque o site repaginado que estará a serviço dos (as) visitantes. Mais abrangente e com um mapa interativo, comunicará de forma integrada toda a programação do evento, contando com a parte educativa e as casas parceiras; estas, por sua vez, terão autonomia para subir suas programações na plataforma e o público poderá criar a própria agenda, unindo toda a programação disponível com o espaço público da cidade.
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Uma das casas presentes na Flip para apreciação do público
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Slam
A partir da curadoria da atriz e cantora paulista Roberta Estrela D'Alva, uma das pioneiras do movimento no Brasil, ações gratuitas de slam permearão os dias de festa. A intenção, conforme o nome à frente das atividades, é mostrar ao público que literário não é somente o que está escrito. Assim, o minitorneio, parte da programação oficial do evento, envolverá seis poetas internacionais e refletirá a potência da prática. A apresentação será em12 de julho, no Auditório da Praça.
Fantasia
Na Rua do Comércio, 90, acontecerá, pela segunda vez, encontros sobre literatura fantástica, com amplitude cada dia maior nas letras do Brasil. Já confirmaram presença as editoras Lendari, Draco, Luva, Empíreo e Avec, além da Presságio, que organiza o espaço. Entre as temáticas, estão ficção científica ecológica e o crescimento do mercado nacional de HQs. A casa também será palco da entrega do Prêmio Argos, o mais antigo prêmio de literatura fantástica nacional.
Educativo
Fundada em 2005 e, hoje, com mais de 17 mil livros catalogados, a Biblioteca Comunitária Casa Azul é eixo fundamental do Programa Educativo da Flip, conduzido por Belita Cermeli. Na edição deste ano, além do acesso a pé para a sede na Ilha das Cobras, a 15 minutos desde o Centro Histórico, está sendo preparado um barco, que transportará o público gratuitamente entre esses dois espaços: os locais de programação da Flip e a sede do aconchegante lar dos livros.

Diário do Nordeste
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