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12 de outubro de 2017

Por que o Dia das Crianças no Brasil acontece em 12 de outubro?

Data da celebração difere da data universal criada pela ONU

Quando é o dia das crianças
UNICEF BRASIL/CAVADAS
Neste 12 de outubro o Brasil comemora o Dia das Crianças, uma data própria do país, aprovada na década de 20 pelo Congresso Nacional e ratificada pelo presidente Arthur Bernardes no decreto 4.867, de 5 de novembro de 1924. Ele diz: "fica instituído o dia 12 de outubro para ter lugar, em todo o territorio nacional, a festa da criança". A ideia surgiu depois de um congresso celebrado um ano antes, em que se discutiu os direitos dos meninos e meninas da América Latina. Para comemorar o dia, o Google dedicou um doodle em sua página inicial de busca.
Por que o Dia das Crianças no Brasil acontece em 12 de outubro?
 
Para além dos presentes e dos passeios, o dia também serve de balanço para se avaliar como as políticas voltadas às crianças estão se desenvolvendo no país. O Brasil enfrenta ainda desafios importantes na área, como o aumento na taxa de homicídios de crianças e adolescentes, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Curiosamente, a data no Brasil só passou a ser comemorada em 1960. Foi quando a Fábrica de Brinquedos Estrela fez uma promoção conjunta com a Johnson & Johnson para aumentar suas vendas.
O dia no país acontece em uma data diferente da oficial internacional. A ONU reconhece o dia 20 de novembro como o Dia Mundial da Criança, pois nesta data foi aprovada a Declaração Universal dos Direitos da Criança, em 1959. A ideia de se dedicar um dia internacional às crianças também serve para se fazer uma chamada sobre as necessidades dos pequenos e reconhecer o trabalho das pessoas que atuam todos os dias para que as crianças tenham um futuro melhor.

El Páis

Catalunha sob os olhares do mundo

por Marlyana Lima - Editora
Atenção senhores passageiros, em breve um novo e importante país pode entrar na rota de viagem para as suas próximas férias. Em meio à efervescência política provocada pela iminente confirmação de independência da Catalunha, a região formada pelas províncias de Barcelona, Girona, Lérida e Tarragona mostra ao mundo o quanto tem a oferecer a quem pretende visitá-la.
Das áreas urbanas, que exibem obras magníficas de Gaudí, museus centenários e também edifícios ultramodernos, até os recantos rurais como a Costa Dourada e o Parque da Zona Vulcânica La Garrotxa, os catalães têm muito a oferecer aos visitantes sedentos por cultura, história, gastronomia e aventuras radicais.
Isso sem falar de seu grande templo esportivo: o Camp Nou do FC Barcelona, o maior estádio da Europa com capacidade para quase 100 mil pessoas. As visitas são bem populares e o tour completo, incluindo passagem pelos vestiários e pelo museu dos atletas, custa em média U$ 35. Acredite, milhões de fãs do "Barça", vindos de todas as partes do mundo, colocam esse passeio no topo da lista.
Ícone maior de Barcelona: a Igreja da Sagrada Família projetada por Antonio Gaudí
Primeiro destino
Discussões políticas à parte, a Catalunha (ainda) é o primeiro destino turístico da Espanha. Na multicultural Barcelona, a capital regional, o preservado Bairro Gótico mescla-se com a arquitetura modernista de Gaudí, o movimento das lojas de "Las Ramblas" e o Museu Picasso, entre outras centenas de atrações antigas e modernas que fazem da cidade uma das mais populares e interessantes da Europa.
Geograficamente, a Catalunha faz fronteira com a França e Andorra ao norte, o Mar Mediterrâneo a leste e as comunidades autônomas espanholas de Aragão a oeste e Valência ao sul. As línguas oficiais são o catalão, o espanhol e o occitano aranês. Seus moradores são bem fieis às origens, mas por conta do grande fluxo turístico, é muito comum ouvir diálogos em inglês.
Barcelona
Difícil escolher entre tantas possibilidades. Mas visitar a obra-prima neogótica de Gaudí: a Igreja da Sagrada Família é definitivamente imperdível. O arquiteto catalão projetou o interior da igreja no formato de uma cruz latina com cinco corredores. A opulenta ornamentação permite que se caminhe sob as abóbadas de até 70 metros de altura. A basílica é tão grandiosa que sua construção ainda está em curso. A conclusão está prevista para 2026, centenário da morte de seu criador.
Hoje museu, a Casa Batlló de Gaudí, tem cinco áreas distintas. Com visão futurista, Josep Batlló queria um lar familiar que fosse diferente de qualquer outra coisa e contratou Gaudí para criar um projeto ousado. Acabou por deixar de herança uma obra prima da arquitetura urbana. Paga-se U$ 28 para visitá-la.

O Povo

Mansão de Picasso na Costa Azul francesa é vendida por 20 mi de euros

Villa em que o pintor espanhol Pablo Picasso (1881-1973) passou os últimos anos de sua vida (FOTO: AFP / VALERY HACHE)
A mansão da Costa Azul francesa onde Picasso passou seus últimos anos foi vendida nesta quinta-feira, 12, por pouco mais de 20 milhões de euros a um empresário neozelandês em um leião em Grasse.
O artista espanhol comprou a propriedade de Mougins, perto de Cannes (sudeste) em 1961, morou nela com sua segunda esposa e musa inspiradora, Jacqueline Roque, e morreu ali 12 anos depois.
Roque disputou a propriedade com os filhos de Pablo Picasso após sua morte e se suicidou nesta casa em 1986. Sua filha, Catherine Hutin-Blay, nascida de um primeiro casamento, a herdou e vendeu, em 2007, por mais de 10 milhões de euros.
A propriedade, em um terreno de três hectares, que havia pertencido à família dona da cerveja Guinness e onde Winston Churchill passava as férias, foi comprada por um holandês.
Este a rebatizou de "O covil do Minotauro", a ampliou e construiu uma piscina, um elevador, uma quadra de tênis e um spa, antes de dificuldades financeiras o obrigarem a interromper as obras.
O novo dono aspirava a concluir aquelas obras "com a intenção de revender a casa por 170 milhões de euros", disse Maxime Van Rolleghem, advogado do banco holandês Achmea Bank, credor do proprietário.
A casa é um bom negócio. "Muitas vilas de prestígio valem muito mais na Costa Azul", acrescentou Van Rolleghem.
O advogado indicou que um investidor neozelandês de origem cingalesa, Rayo Withanage, apresentou, em junho, uma oferta no valor de 20,2 milhões de euros (23,8 milhões de dólares).
Nesta quinta-feira, nenhum outro investidor se apresentou no tribunal para o leilão, então será este homem. à frente da companhia de investimentos BMB, fundada em 2004 com um príncipe de Brunei, que arrematou o bem.
Contudo, a venda ainda não foi totalmente concluída, uma vez que o comprador tem dois meses para obter os fundos necessários.
"Rayo Withanage é proprietário a partir de hoje, mas deve pagar o preço em dois meses", confirmou Van Rolleghem.
A antiga mansão de Picasso se destaca por suas vistas da baía de Cannes e das montanhas, mas se encontra em um entorno um pouco barulhento e está sujeita a uma servidão de passagem (direito de transitar) para pedestres.
A casa principal, modesta na época de Picasso, data do século XVIII e foi profundamente restaurada. Grandes janelas de vidro foram adicionadas para contar com uma maior iluminação natural.
Do período de Picasso, a única peça original é o ateliê, onde há traços de tinta deixados pelo artista, mas a propriedade não contém nenhuma obra sua, segundo a agência imobiliária Michael Zingraf.
Esta empresa foi contatada há três anos para revender o imóvel, cujo valor estimou em entre 20 e 25 milhões de euros em seu estado inacabado das obras. Devido aos obstáculos financeiros do proprietário, a agência não pôde assumir seu mandato de venda nem organizar visitas.
AFP
O Povo

Crianças discutem sobre arte em visita ao Museu da Fotografia

Já na produção para esta pauta, um entrave: “Que obras de arte são essas?” e “É lugar para criança?” foram algumas das perguntas ouvidas pela reportagem ao consultar pais sobre o convite do Vida&Arte para levar grupo de crianças para uma tarde no Museu da Fotografia, na Capital. Alimentada por questões que extrapolam o campo artístico, a desconfiança dos pais tem relação com o momento vivido pelo País, onde casos como o da exposição Queermuseu, no espaço Cultural Santander, em Porto Alegre, e da performance La Bête, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, geraram repercussão negativa ao questionar que tipo de obras poderiam ser vistas por crianças. Na contramão desse distanciamento, o V&A convidou cinco crianças para visitar uma exposição e conversar sobre como interpretam a arte.
Os irmãos Maria, de 5 anos, e Bento, de 7, foram os caçulas de grupo formado também por Sophia e Beatriz, as duas com 11 anos, e Stephany, de 12. Na tarde do último domingo, os cinco refletiram, riram e divergiram no espaço cultural localizado no bairro Varjota.
Logo no início da mostra Um imaginário de Cidade, a série de imagens Em Processo do jovem fotógrafo paulista Victor Dragonetti, que retrata momentos das manifestações de junho de 2013, prendeu a atenção do grupo. Na cena, jovens são atingidos por policiais com bombas de gás lacrimogêneo. Sophia apontou que os retratados pareciam sentir “medo”, enquanto Maria interpretou que havia “um bicho atacando eles”. Stephany sintetizou: “A foto mostra uma situação de medo e coragem. Você se arrisca a levar um tiro de um policial, mas, ao mesmo tempo, você está tendo muita coragem para se manifestar”.
Já a instalação Baldes - progresso reflejado, do belga Patrick Hamilton, obra que mostra imagens em fundo de baldes no chão, descolou o olhar das crianças. Todo mundo estranhou pelos quadros não estarem na parede, mas logo o grupo estava engajado em entender a obra. “É diferente, né?”, refletiu Beatriz, não tirando o olho. Já de frente para o trabalho A Garota Afegã, do norte-americano Steve McCurry, o grupo se demorou. “É o meu preferido de todos, mas é assustador”, apontou Bento. “Eu tenho a impressão de que ela não está no quadro e está olhando a gente”, elaborou Maria, ganhando risos de todos.
Já mirando obras compostas a partir de computação gráfica, o grupo se dividia. Sophia defendeu a arte como um meio de refletir a realidade. “Quando tem montagem, não é de verdade. Eu fico mais interessada quando é real”, apontou. Para ela, uma mostra como essa tem de se “preocupar mais” em ligar os visitantes com o passado. “Dá para a gente saber tudo o que a gente não viveu, mas nosso pais viram”, diz, dando como exemplo “aqueles telefones de fio”.
A obra A Menina Afegã atraiu atenção do grupo e o quadro foi classificado como
A obra A Menina Afegã atraiu atenção do grupo e o quadro foi classificado como "assustador" FOTOS JULIO CAESAR
Por outro lado, Bento defende que fazer arte é juntar passado e presente. “É pra ter os dois tempos. O tempo de antes e o tempo de hoje misturados”, confia. Beatriz diz preferir quando a obra mistura fantasias. “Gosto quando a arte é interativa, dinâmica. E não tem problema nas (obras) que têm montagem, o artista que sabe. Eu gosto dos quadros quando tem Photoshop, gosto das fotos em preto e branco”, aponta. Para ela, que durante o passeio fotografou algumas das obras, seria “uma honra” ter uma fotografia sua num museu.
Sobre a importância de crianças irem ao museu, Sophia ponderou: “É importante ter museu para a gente saber que os lugares e as pessoas não são iguais”. Para Stephany, não deve haver censura quando o assunto é arte. “Para saber se criança pode ou não ir (a uma exposição) depende muito do conteúdo, das imagens e de respeitar a faixa etária”, diz, apontando que proibição não é saída. “Tem coisas no mundo que eu ainda não vi, não aprendi. Com a arte, a gente vai conhecendo coisas novas, coisas que pessoas viveram e vivem e que a gente não sabe”, completa ela, apontando que o museu poderia ser um espaço ainda melhor se combinasse a fruição com música. “Seria mais animado”, sugere.
Já Maria disse não ter o que reclamar de uma tarde no museu. Empolgada, deixou apenas uma sugestão: “E se na saída tivesse um parquinho?”.

RENATO ABÊ
O Povo

Crianças carregam muitas dúvidas sobre o mundo em poucos anos de vida


O Povo

'Kizomba', a dança angolana que conquista o mundo

A palavra significa "festa" em kimbundu, uma das línguas mais faladas no país.
Um curso de kizomba, dança popular angolana, no bairro de Mabor, em Luanda, em 27 de agosto de 2017
Um curso de kizomba, dança popular angolana, no bairro de Mabor, em Luanda, em 27 de agosto de 2017 (AFP)

Em um pátio amarelado de Luanda, entre um labirinto de ruas, os jovens se mexem ao som de uma música animada. É a "kizomba", uma dança angolana que embeleza o mundo.
"Stop! Os homens ficam parados, agora somente as meninas se mexem. Assim, assim está bom". Vitor Espeçao discursa para seus alunos, como faria um oficial ao comando de suas tropas, no bairro de Mabor.
Os dançarinos obedecem. Sob o olhar atento de um grupo de crianças, eles rebolam.
"É o que gosto nessa dança", comenta entusiasmado o professor: "a alegria e a harmonia".
A origem da kizomba é objeto de debate. É de origem angolana, com um toque das Antilhas ou de Cabo Verde, e se tornou popular nos anos 1990 graças ao cantor Eduardo Paim.
A palavra significa "festa" em kimbundu, uma das línguas mais faladas no país.
A kizomba se inspira na semba, considerada a dança tradicional do país. Dança-se em casal, bem junto, mas com um ritmo mais lento. É menos agitada, mas mais sensual que a semba.
'Necessidade de carinho'
"É um estilo muito tranquilo, muito suave. Não se faz muitos movimentos e se dança com calma", descreve Elsa Domingos Cardoso, uma estudante de 22 anos. "Seja kizomba ou semba, dançar me deixa feliz".
Nos últimos anos, a kizomba invadiu as pistas de dança de toda a Europa e mais além.
"É normal que funcione em todos os lugares", considera Mario Contreiras, um arquiteto de Luanda convertido em promotor da kizomba.
"Nosso mundo precisa de carinho", explica. "Nós dançamos a kizomba nos abraçando. Na Europa e no mundo não existe um equivalente. Então quando descobrem uma dança que vem da África em que as pessoas se abraçam, mesmo sem se conhecer (...), eles gostam".
A kizomba se tornou uma moda, com cursos em Paris, Nova York e Joanesburgo.
Com isso, a Angola, até então conhecida por sua guerra civil e seu petróleo, abre caminho na cena mundial da dança.
Mas Zelo Castelo Branco confessa que não reconhece a "sua" kizomba que é praticada no exterior. De tanto viajar, diz, perdeu sua alma.
"Todo mundo dança a kizomba, isso tudo bem. Mas os que a ensinam no exterior mudaram o estilo", lamenta o DJ. "Já não é a tradicional e familiar que dançamos com nossas mulheres, filhos, parentes (...), é extravagante, é quase a 'tarraxinha'".
'Nossa cultura'
A tarraxinha (pronunciado tarachinia) é uma variação da kizomba, mais lenta e parecida com o "pole dance". Na Angola, um país cristão, a tarraxinha está reservada quase exclusivamente aos adultos.
Mateos Vandu Mavila, um dos chefes da tropa que treina no bairro de Mabor, não se atreve a incluí-la no programa quando se apresentam em festas ou casamentos.
"Tudo depende da idade das pessoas que participam da festa", assegura. "Nós não concordamos que os jovens dancem a tarraxinha (...), é sensual demais".
Mario Contreiras lamenta a confusão entre a kizomba e a tarraxinha. "O mundo tentou associar a kizomba à sensualidade e a um certo erotismo. Para nós é algo muito sério, é a nossa forma de expressão, é a nossa cultura".
Para defender esta cultura, este arquiteto se juntou ao projeto "Kizomba nas ruas", criado em 2012. Todos os domingos ao anoitecer transforma o passeio marítimo de Luanda em uma pista de dança para uma turma informal, gratuita e aberta a todos.
"O objetivo é promover a kizomba (...), dar a oportunidade de aprender e valorizar a cultura angolana", declara Manuel Miguel, de 26 anos, um dos artífices da operação.
Para Mario Contreiras a "Angola é a festa e a kizomba é a Angola".

AFP

Fiéis celebram 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida

Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil*
Era outubro de 1717, três pescadores - João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia - ficaram encarregados de conseguir peixe para a festa que a Vila de Santo Antônio de Guarantinguetá iria oferecer ao governante da capitania hereditária de São Paulo e Minas de Ouro, que estava de passagem pela região. O problema é que, naquela época, não era tempo de peixe naquele mês.
Após várias tentativas puxando a rede no Rio Paraíba do Sul, um pedaço do corpo de uma imagem de Nossa Senhora Conceição apareceu para os pescadores. Curiosos, eles lançaram a rede mais uma vez e pescaram a cabeça da imagem, que se encaixou perfeitamente ao corpo.
Eles colocaram a imagem da santa no barco. E depois disso,  os peixes começaram a aparecer, em quantidade abundante, tão grande que quase fez o barco virar, segundo os relatos históricos da tradição católica.
A imagem da santa foi então levada para a casa de Silvana da Rocha Alves, esposa de Domingos, mãe de João e irmã de Felipe, que juntou as duas partes com cera e fez um altar para a santa. E foi ali que teve início a devoção à santa: todos os sábados os moradores iam até a casa de Silvana para rezar para Nossa Senhora - que depois tornou-se padroeira do Brasil. 
Anos depois, já em 1732, o pescador Felipe Pedroso entregou a imagem a seu filho, que construiu o primeiro oratório aberto ao público. A partir daí, foi construída uma capela, uma igreja, uma basílica até que, em 1946, foi lançada a pedra fundamental para a construção do novo santuário, o quarto maior do mundo, iniciada em 1955.
A aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida completa 300 anos este ano com uma programação extensa de homenagens e celebrações. Hoje, 12 de outubro, quando se celebra o Dia da Padroeira do Brasil, o santuário espera receber milhares de peregrinos.
300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida
Celebração pelos 300 anos da aparição de Nossa Senhora AparecidaThiago Leon/Santuário de Nossa Senhora Aparecida
Programação
As comemorações da Festa da Padroeira do Brasil, com o tema Senhora Aparecida: 300 anos de Bênçãos e de Graças, tiveram início no dia 10. Hoje (12), às 9h30, será realizada a missa solene em comemoração aos 300 anos da aparição da imagem, que será presidida pelo cardeal italiano Giovanni Battista Re, representante do Papa Francisco nas festividades.
Haverá ainda uma procissão solene, no final do dia, e um show com a apresentação dos músicos Daniel, Fafá de Belém, Renato Teixeira, Padre Fábio de Melo e Agnaldo Rayol, entre outros.
Em entrevista à Agência Brasil, o padre João Batista, reitor do Santuário Nacional, disse que a expectativa é de que cerca de 170 mil pessoas estejam na cidade de Aparecida, no interior de São Paulo, nesta quinta-feira (12). “Tudo depende da questão financeira também. Os peregrinos, de lugares mais distantes, não conseguem vir porque a viagem se torna muito cara. Mas acreditamos que, para o dia de amanhã, serão 170 mil, se chegar a 200 mil pessoas”.
Fiéis de todo o país se dirigem até o santuário, inclusive a pé, em romaria. Pela Via Dutra, em São Paulo, passaram 5.453, entre os dias 1 de setembro e 10 de outubro, sendo 1.278 somente na terça-feira (10), segundo a CCR NovaDutra, concessionária da rodovia. A empresa estima que o número de peregrinos aumente 43% em comparação com o contabilizado na preparação para a festa litúrgica do ano passado, quando 8.640 pessoas caminharam pela via em direção ao Santuário Nacional. Uma curiosidade deste ano é o aumento do número de ciclistas romeiros.
No percurso, os peregrinos que caminham para pagar promessas, agradecer a padroeira ou pedir sua ajuda recebem apoio da concessionária e do estado, especialmente em caso de ser necessário atendimento à saúde, e também de voluntários. Entre estes, a organização do encontro Jubileu dos 300 anos registrou a presença de fiéis da Igreja Adventista, que montaram um ponto de apoio no trecho da Dutra que passa pelo município de Taubaté (SP). Lá, eles ofertam alimentação, cuidados com os pés e outros serviços de saúde, como massagem e teste de glicemia.
Os eventos para a celebração foram preparados durante cinco anos. “Essa festa começou em 2012. São cinco anos que se vem preparando esse momento e amanhã (12) será o ponto alto. Nossa Senhora visitou todas as dioceses do Brasil. Tivemos muitos eventos religiosos e culturais pelo Brasil afora a homenageando e inclusive, pela primeira vez na história, uma escola de samba homenageou Nossa Senhora durante o Carnaval de São Paulo [este ano], com a escola Unidos de Vila Maria”, disse.
“Esperamos que esse jubileu nos ajude, ainda mais, a consolidar no coração do povo brasileiro, essa esperança que Nossa Senhora Aparecida representa para o povo. Esse é o grande legado que ela traz para o povo brasileiro: a esperança de um novo tempo”, disse o padre.
Rainha do Brasil
Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que recebeu o nome de Aparecida por ter “aparecido” aos pescadores, foi proclamada rainha do Brasil em 1904 e, em 1930, passou a ser a padroeira do país. Somente em 1953 é que a festa de Nossa Senhora passou a ser celebrada no dia 12 de outubro, por determinação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
“O Brasil, desde a sua colonização, tem uma identidade católica. E a devoção aos santos é algo muito próprio da Igreja Católica. Por isso, a devoção, sobretudo à Nossa Senhora, que é a santa das santas e a mãe de Jesus, é algo que está muito presente na vida do catolicismo. A partir desse encontro [da aparição da imagem aos pescadores] surgiu a devoção a essa que o povo passou logo a chamar de 'Aparecida'”, explicou o padre João Batista.
Segundo ele, a devoção a Nossa Senhora no país começou com o encontro da imagem, mas tem forte ligação com os brasileiros por ela ser mãe e simbolizar a esperança, o que a levou a ser proclamada padroeira pela Igreja Católica (em 1930) e pelo então presidente Getulio Vargas (em 1931).
“Nós brasileiros temos uma ligação muito forte com a figura da nossa mãe. Sentimos muito a ausência da mãe quando ela não está conosco. Nossa Senhora, a mãe de Jesus, ocupa, dentro do universo religioso esse espaço materno, esse colo materno. Por isso ela cativa o povo brasileiro, tanto o povo simples e humilde quanto os governantes como foi o caso da Princesa Isabel e de D. Pedro I ”, disse.
Desde 1980, por força de decreto presidencial, o 12 de outubro passou a ser dedicado à padroeira, motivo pelo qual a data tornou-se feriado nacional.
Santuário Nacional
O santuário recebe, anualmente, cerca de 12 milhões de peregrinos. É o maior santuário do mundo dedicado a Maria. Foi declarado de âmbito nacional em 1984, pela CNBB.
As atividades religiosas no local tiveram início definitivamente em 1982, quando a imagem foi transladada da Basílica Velha para a nova Basílica.
A imagem
A imagem original de Nossa Senhora Aparecida, confeccionada em terracota (barro cozido), sofreu um ataque no dia 16 de maio de 1978, quando foi quebrada em mais de 200 pedaços (um jovem transtornado a teria arremessado ao chão). Ela foi levada ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde a artista plástica Maria Helena Chartuni começou o trabalho de reconstituição. Neste mesmo ano, a imagem foi restaurada e levada de volta ao Santuário Nacional de Aparecida.
Em 2012, a imagem foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). Até hoje, continua exposta no nicho do Santuário Nacional de Aparecida.
Padroeira de Brasília
Nossa Senhora também é padroeira de Brasília. A escolha ocorreu ainda na época da construção da cidade, por isso é esperada grande celebração na Esplanada dos Ministérios. Segundo a Arquidiocese de Brasília, 70 mil pessoas devem participar das celebrações.
A primeira missa começará às 8h30. A missa solene será presidida pelo arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal Sérgio da Rocha, às 17h, também na Catedral. Após a celebração, será realizada procissão pela Esplanada dos Ministérios, com a imagem da Padroeira.
A Polícia Militar do Distrito Federal informou que, às 16h30, tanto a via S1 quanto a N1 do Eixo Monumental serão interditadas. A partir das 18h, toda a Esplanada será fechada por causa da procissão. As vias serão liberadas por volta das 19h30.
Carimbo e selo 
Em comemoração aos 300 anos da aparição da imagem, os Correios lançaram um carimbo postal e o selo. O lançamento será no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, com as presenças do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, e do presidente dos Correios, Guilherme Campos.
O carimbo apresenta a imagem de Nossa Senhora Aparecida acompanhada do texto “Aparecida 300 anos de Fé e Devoção” e “Jubileu 300 anos de bênçãos 1717 – 2017”.
A ilustração do bloco reproduz a cena do encontro da imagem pelos três pescadores. A arte é uma simulação gráfica de aquarela, tendo como base o elemento água, em referência ao local onde foi resgatada a imagem.
* Colaboraram Helena Martins e Julia Buonafina, de Brasília