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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

26 de abril de 2014

Sim, é verdade... Padre Geovane Saraiva que deu banho de dom Hélder na Jangadeiro

Lúcio Brasileiro
Lúcio Brasileiro
paco@opovo.com.br

Padre Geovane Saraiva que deu banho de dom Hélder na Jangadeiro, compareceu sobre Espiritualidade à página nobre dominical do O POVO.

Sim, é verdade, na união ítalo-brasileira, Beatriz Philomeno trazia mesmos copãs do último fim de semana da inesquecível trilogia engendada por Guida-Oto Sá Cavalcante no Guajiru, Júlia, Alfredo Gurjão.

Sim, é verdade, Edson e Ítala Ventura escolheram restô do Marina Park para quebrar jejum da Semana Santa.

Sim, é verdade, por conta da maratona Mário Queirós empalmou Nova York em turma levando Vanessa do quarteto Almada.

Sim, é verdade, já podendo ajoelhar Jório da Escóssia baixou Waikiki para folguedo reaparecente.

Sim, é verdade, João Borges (Unimed) que está em São Paulo poderá encontrar presidente da Agência Nacional de Saúde segunda no Rio.

SÓ PASSA QUEM TIVER
Cid Gomes leva grande randicape na sucessão, conhecer já adversário, assim candidato além de merecer sua confiança, há de desfrutar por suas qualidades e conduta, da fé do eleitorado, nome portanto sem contestação moral. 

PALESTRA NAS MONSENHORES
Padre Eugênio fala para Associação das Mulheres Pensantes amanhã meio-dia no Ideal sob tema Renovar é Vida.

REI DE COPAS
Após sucesso no México em 70, com aquele time até eu ! ), Zagalo dirigiu Seleção no mundial seguinte, Alemanha, onde cometeu façanha do Brasil não marcar em quatro partidas, perder duas vezes e ostentar média de gols mais baixa da história, menos de um por jogo.

FITAS
Rodrigo-Risângela Coelho hospedaram na Toca Rafael Moysés-Babi Colares. No bar do Cine Rin-Tin-Tin dois Diógenes e respectivas, Daniel e Domingos, Lilian e Tamara. Na SS Paulo- Odete Aragão curtiram região vinícola de Bordeaux, afinal ele preside Clube do Rio Tinto que tenta levantar. Júlia-Netinho Galdino rotearam Londres fito visitar filha Camila que conheci num verão de Ibiza.

BON MOT
Quem nasce em degrau do meio, só adquire experiência daí pra cima e jamais será um completo. Monteiro Lobato

Mudar pela alegria - Dom Walmor

  domtotal.com

Dom Walmor Oliveira de Azevedo*
Alegrai-vos! Este é o impactante convite de Jesus Ressuscitado a cada discípulo. Mais que isso, é uma intimação que o Mestre faz ao coração dos homens, que foi feito para hospedar a alegria. A humanidade procura a felicidade e sem ela não dá conta de viver. Mas, tantas vezes, busca ser feliz de modo desarvorado, comprometendo situações sociais e humanas. É importante compreender que a verdadeira felicidade é o bem supremo. Por isso, o Mestre Ressuscitado, vencedor da morte, faz o convite para que todos se alegrem diante dos dons e bênçãos, tesouro inesgotável do amor de Deus. 

O tempo pascal é, pois, na força pedagógica da liturgia da Igreja Católica, a oportunidade rica de exercitar o coração na procura do bem supremo, a verdadeira felicidade. Essa tarefa deve ser vivida fixando o olhar no Ressuscitado, a vitória perfeita e completa na história da humanidade, vida que venceu a morte, amor que venceu o ódio. Há de se ter presente o que Aristóteles sublinhava quanto às diferentes concepções de felicidade, identificada com a conquista de bens diversos, desde virtudes, sabedoria prática, sabedoria filosófica, acompanhada ou não por prazer, ou como posse de bens matérias. Nem mesmo ele, admirável nas raízes da sabedoria filosófica, conseguiu articular uma conclusão que pudesse fazer entender o significado da felicidade.  

Santo Agostinho a definia como a posse do verdadeiro absoluto, isto é, a posse de Deus, fonte de todas as outras felicidades. Nesta mesma direção, São Boaventura a compreende como ponto final do itinerário que leva a alma ao Criador. Essas reflexões concluem que a felicidade não é, então, a conquista de patrimônios nem de poder, mas conhecimento, amor e posse de Deus. Assim, ela não é um simples estado de alma, mas algo recebido de fora, que se relaciona a um bem maior e verdadeiro. 

Essas ponderações apontam para o enorme desafio existencial vivido atualmente, quando a experiência da felicidade é confundida com a conquista de bens materiais e prazeres efêmeros. Um entendimento inadequado que sustenta a dinâmica perversa de se buscar conquistas a qualquer preço. Deste modo, cresce o egoísmo, a mesquinhez, e a humanidade se distancia da vivência da solidariedade, o que acaba com qualquer perspectiva de alegria verdadeira. A solidariedade é o que pode curar os males da convivência humana, tão deteriorada em um tempo de tantas possibilidades. A razão crucial dessa crise, indiscutivelmente, está na identificação da felicidade como acúmulo, sem limites, de bens materiais e poder, o que resulta na efemeridade dos bens da criação e no distanciamento do Criador. 

São vários os entendimentos a respeito da felicidade no pensamento filosófico. Em comum, a anuência de que ela não é um bem em si mesmo, já que para ser felicidade é indispensável o conhecimento dos bens que são a sua fonte. Assim, pode-se afirmar que sua conquista, com simplicidade, é a experiência do encontro com Deus, o bem supremo, tão próximo de nós. Sua experiência existencial tornou-se possível pela encarnação do Verbo, Jesus Cristo, o Filho de Deus que morre e ressuscita para resgate e salvação da humanidade. Ele é o Salvador do mundo, o bem supremo, próximo de cada pessoa. 

A conquista da felicidade é o encontro pessoal com Deus, que produz a efusão da alegria. Trata-se de uma felicidade que não é passageira ou periódica e tem a força que possibilita grandes transformações. É exemplar para a história da humanidade a força da alegria produzindo a radical mudança dos discípulos de Jesus. A presença amorosa de Cristo Ressuscitado faz dos discípulos ignorantes homens sábios. O medo cede lugar à audácia amorosa. Essa alegria experimentada é fruto da ação do Espírito de Deus, que tira Jesus da morte, vencida definitivamente pela vida. Uma felicidade autêntica e duradoura, fonte da força dos discípulos de Jesus, origem da sabedoria necessária para transformar tudo o que precisa ser mudado, pela alegria.

*O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, é doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma (Itália) e mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma (Itália). Membro da Congregação do Vaticano para a Doutrina da Fé. Dom Walmor presidiu a Comissão para Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), durante os exercícios de 2003 a 2007 e de 2007 a 2011. Também exerceu a presidência do Regional Leste II da CNBB - Minas Gerais e Espírito Santo. É o Ordinário para fiéis do Rito Oriental residentes no Brasil e desprovidos de Ordinário do próprio rito. Autor de numerosos livros e artigos. Membro da Academia Mineira de Letras. Grão-chanceler da PUC-Minas. 

Cearenses vão a Roma assistir à canonização

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Amanhã (27) é um dia especial para os católicos de todo o mundo. É neste dia que dois importantes nomes da Igreja - os papas João Paulo II e João XXIII - serão canonizados, sob os olhares de milhares de pessoas. Para acompanhar de perto este momento, dezenas de cearenses deixaram sua terra natal e foram até Roma, na Itália.
Apenas a Comunidade Católica Shalom enviou àquele país uma representação composta por 300 pessoas de várias cidades do Brasil. Cerca de 30 membros do grupo são de Fortaleza. Vitor Aragão, 22 anos, missionário, recebeu a viagem de presente da família e será um dos fiéis que acompanhará a celebração na Praça de São Pedro. "É um sonho realizado vir ao Vaticano, ao coração da Igreja, e se encontrar com o vigário de Cristo na Terra, o papa Francisco, e junto dele viver um momento de graça, que é a canonização de João Paulo II, um santo do nosso tempo, amigo dos jovens e que tanto revolucionou o nosso tempo".
Para Vitor, a canonização de João Paulo II representa a confirmação da santidade de alguém que, até os seus últimos dias de vida, foi fiel a Deus e amou o homem do nosso tempo com todo amor e misericórdia possível. "Vir a Roma é presenciar tudo isso, além de ser uma consequência da fé vivida no Ceará. É um turismo diferente, uma experiência de fé".
Daniele Borges, 36 anos, saiu de Juazeiro do Norte para vivenciar em Roma as santificações. Em um grupo de cinco pessoas, ela acompanhará de perto a celebração. "Acredito que somos uma semente de João Paulo II. É uma grande emoção contemplar essa graça de nosso tempo", destaca.
Mesmo distante, os católicos cearenses demonstram sua felicidade neste momento. Francisca Marques da Silva, de 107 anos, já acompanhou a missão de dez papas em sua vida. Mas foi João XXIII e, em especial, João Paulo II aqueles que mais a marcaram, por isso, o fato de as duas canonizações acontecerem juntas é motivo de muita alegria e de preparação em casa.
Segundo Jarison de Lima Brito, 20, bisneto de dona Francisca, a centenária é um exemplo de fé. Há mais de 80 anos, ela reza o terço de São João Batista, do qual é devota, uma demonstração de sua fidelidade e dedicação. "As tradições que ela viveu no passado, eu vivo no presente. Herdei sua fé em Deus. Não é qualquer pessoa que pode acompanhar dez papados e agora vivenciar duas canonizações, celebrações muito especiais para todos nós", relata.
Festa
Em Fortaleza, a comemoração pela canonização acontecerá, no domingo, no Condomínio Espiritual Uirapuru, a partir das 15h, com a oração do Terço da Misericórdia. A programação conta ainda com as apresentações musicais dos cantores Paulo José, Naldo José, Suely Façanha e Ministério de Música Shalom. A entrada é gratuita.
Diário do Nordeste

Estudo mostra impacto do novo Código Florestal

Legislação reduziu de 50 mi de hectares para 21 mi as áreas que precisam ser restauradas no país.

Redução da necessidade de recuperação pode agravar crise.
A revista científica norte-americana Science, na sua edição de 25 de abril, apresenta um artigo que decifra o Novo Código Florestal e os impactos causados pela nova legislação na conservação ambiental e produção agrícola no Brasil.
No artigo, os autores demonstram que a revisão do código florestal brasileiro proporcionou uma grande anistia para quem desmatou até 2008, reduzindo em 58% o passivo ambiental dos imóveis rurais no Brasil.
Com isso, a área desmatada ilegalmente, que pela legislação anterior deveria ser restaurada, foi reduzida de 50 para 21 milhões de hectares (Mha), sendo 22% Áreas de Preservação Permanente nas margens dos rios e 78% áreas de Reserva Legal.
Essas reduções, segundo os autores, afetam os programas nacionais de conservação ambiental, principalmente na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Por exemplo, a recuperação da Mata Atlântica, onde resta somente de 12 a 16% de floresta, é vital para provisão de serviços ambientais, dentre os quais se destaca o fornecimento de água para geração de energia hidroelétrica e abastecimento dos grandes centros urbanos.
Dessa forma, a redução da necessidade de recuperação ambiental pode agravar a crise de abastecimento de água que já assola a região metropolitana de São Paulo e outras grandes cidades brasileiras.
O estudo, liderado pelos professores Britaldo Soares Filho e Raoni Rajão, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em colaboração com a Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo brasileiro e pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e do centro de pesquisa americano Woods Hole Research Center, mostra ainda que é infundada a afirmação de que a conservação ambiental conflita com o fortalecimento da produção agrícola no País.
Segundo o estudo, somente 1% do total nacional de áreas de lavoura ocupa margens de rios que devem ser restauradas.  Apesar de constatações como essa, a publicação do estudo coincide com notícias de desmatamento crescente na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, e a pressão contínua dos ruralistas que, organizados, buscam ampliar ainda mais a anistia dada pelo novo código florestal.
“O lobby rural tem que entender que já teve um ganho substancial e se continuar a boicotar ou sabotar o código florestal vai dar um tiro no pé, pois a produtividade agrícola depende da manutenção do meio ambiente e estabilidade do clima”, diz Britaldo Soares Filho.
Mesmo tendo feito grandes concessões ao setor rural, se a nova legislação for levada a cabo, argumenta o estudo, ela poderá trazer, finalmente, valor à floresta em pé. Em particular, proprietários que detêm áreas de florestas além do exigido pela lei poderão negociar no mercado financeiro os títulos conhecidos como Cotas de Reservas Ambientais (CRA), o que ofereceria uma alternativa econômica para a preservação de parte dos 88 Mha de vegetação nativa que ainda poderiam ser desmatados legalmente.
Além disso, a implementação do agora obrigatório Cadastro Ambiental Rural (CAR) em todo território nacional pode inaugurar uma nova era de governança ambiental, tendo em vista o seu potencial para detectar e punir os desmatamentos ilegais através de imagens de satélite e do registro eletrônico das propriedades.
Por fim, para a implementação plena do Código Florestal e mitigação das mudanças climáticas, o estudo defende a criação de formas de pagamento por serviços ambientais e a necessidade de incentivos econômicos aportados por fundos internacionais como o recém criado Fundo de Varsóvia para o REDD+ (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação florestal).
 “A efetivação do Código deverá estar amarrada a benefícios econômicos para aqueles proprietários que conservarem sua vegetação nativa. Isto será crucial para que o Brasil consiga conciliar a conservação ambiental com o desenvolvimento agrícola”, afirma Raoni Rajão.
A revista científica Science é publicada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência e é considerada uma das revistas mais prestigiadas de sua categoria.
Para chegar aos números publicados, os autores analisaram uma extensa base de dados cartográficos sobre o Brasil através de software desenvolvido pela própria UFMG, que incorpora as complexas regras do novo Código Florestal.
Instituto Carbono Brasil

Nasa descobre estrela tão fria quanto Pólo Norte

Médias climáticas variam de - 48 graus a – 12 graus (quando está nos seus dias mais quentes).

O objeto está a 7,2 anos-luz de distância da Terra.
Cientistas da Nasa descobriram por imagens de telescópios o que é, até o momento, a mais fria "anã marrom" (uma espécie de estrela mais “fraca”), que, supreendendo os astrônomos, é tão fria quanto o Pólo Norte. Médias climáticas variam de - 48 graus a – 12 graus (quando está nos seus dias mais quentes. O objeto, que tem o nome de WISE J085510.83-071.442,5,  está a 7,2 anos-luz de distância da Terra e seria a quarta mais próxima do sol.
"É muito emocionante descobrir um novo vizinho do nosso sistema solar que está tão perto", disse Kevin Luhman, astrônomo da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, segundo divulgou a Nasa. O mesmo cientista identificou que a estrela pode explicar temperaturas de atmosferas de planetas. "Em decorrência da sua temperatura extrema, deve dizer-nos muito sobre as atmosferas de planetas, que muitas vezes têm temperaturas semelhante frias."
O que são anãs marrons
De acordo com o que explicam cientistas da Nasa, anãs marrons são originalmente estrelas, com características semelhantes, mas não possuem massa para queimar combustível nuclear e irradiar a luz das estrelas.
EBC

Reflexão para o 2º Domingo de Páscoa


A primeira leitura deste domingo nos relata a vida dos primeiros cristãos. Ela está estruturada sobre quatro colunas: o ensinamento dos apóstolos, a partilha dos bens, a partilha do pão ou Eucaristia e as orações em comum.

O ensinamento dos apóstolos ou catequese provocava nos discípulos uma mudança de vida. A fé na palavra de Deus, revelada por e em Jesus Cristo, agora era explicada pelos apóstolos, e os cristãos deixavam de ser simples cidadãos, para com suas vidas, testemunharem Jesus Cristo. Esse testemunho veremos concretamente nas outras três colunas.

Se acreditavam em Jesus Cristo, elas criam que Deus era Pai de todos e isso os levava a um sentimento de radical fraternidade, daí a partilha de bens, a renúncia à propriedade particular, onde tudo é, livremente, colocado em comum e distribuído de acordo com as necessidades pessoais. Com isso não existe mais pobres.

A partilha do pão celebrava a memória de Jesus que partilhou sua vida. Assim, se reuniram para realizar o gesto e o mandamento de Jesus: “Fazei isso em minha memória de mim”.
O Senhor estava presente no meio deles de modo eucarístico e era partilhado como alimento, como sustento para o dia a dia.

Finalmente a Comunidade também se reunia para louvar o Senhor e, certamente, rezar o Pai-Nosso.
O autor dos Atos nos fala ainda que esse estilo de vida simples, fraterno e temente a Deus, suscitava a adesão de outras pessoas a fazerem parte do grupo dos amigos de Jesus.

Peçamos ao Senhor que nossa vida de batizados, de homens e mulheres que crêem em Jesus, seja fiel à nossa profissão de fé.
Para isso vale que cada noite nossa consciência diante do Senhor nos diga até onde vivemos nossa fé, se fomos capazes de partilhar nossos bens, nosso tempo, nossa atenção, nossa capacidade de ajudar o outro.
A partilha do pão eucarístico da vida que é Jesus deverá refletir o meu dia, meu ato de partilhar os bens que geram vida, com aquele irmão ou irmã, aquele próximo que é carente deles.
Feliz Páscoa!

Pe. Cesar Augusto dos Santos, SJ

Rádio Vaticano 

João XXIII: Biografia destaca coragem


A biografia oficial de João XXIII, que é canonizado este domingo no Vaticano, destaca a coragem e a bondade do Papa que liderou a Igreja Católica entre 1958 e 1963.
“No seu quinquénio papal, apareceu ao mundo como a imagem verdadeira do bom pastor: manso e suave, empreendedor e corajoso, simples e ativo, cumpre os gestos cristãos das obras de misericórdia corporais e espirituais, visitando os presos e os doentes, acolhendo homens de todas as nações e todas as fés, exercitando para com todos um apurado sentido de paternidade”, refere o texto preparado para a cerimónia de canonização do Papa italiano, que se vai celebrar na Praça de São Pedro.
O documento recorda que o novo santo era chamado “o Papa da bondade” e que a sua vida se apoiou num “profundo sentido de oração”.
“Transparecia dele, iniciador de uma renovação da Igreja, a paz de quem confia sempre no Senhor”, acrescenta a nota biográfica.
O documento fala num magistério “muito apreciado", sobretudo com as Encíclicas Pacem in terris e Mater et magistra, para além de recorda a ação de “evangelização, de ecumenismo e de diálogo com todos”.
Angelo Giuseppe Ronacalli nasceu no dia 25 de novembro de 1881 em Sotto il Monte, diocese e província de Bérgamo (Itália), e nesse mesmo dia foi batizado; foi o quarto de 13 irmãos, nascidos no seio de uma família de camponeses.
Entrou no Seminário de Bérgamo, onde estudou até ao segundo ano de teologia, e ali começou a redigir os seus escritos espirituais, que depois foram recolhidos no ‘Diário da alma’.
De 1901 a 1905 foi aluno do Pontifício Seminário Romano, graças a uma bolsa de estudos da Diocese de Bérgamo, e prestou um ano de serviço militar, sendo ordenado padre a 10 de agosto de 1904, na capital italiana.
Em 1915, durante a I Guerra Mundial, foi chamado como sargento sanitário e nomeado capelão militar dos soldados feridos que regressavam da linha de combate.
Após a guerra abriu a "Casa do estudante" e trabalhou na pastoral dos jovens estudantes, antes de ser chamado a Roma, em 1921, por Bento XV, que o nomeou presidente nacional do Conselho das Obras Pontifícias para a Propagação da Fé.
Em 1925, Pio XI nomeou-o visitador apostólico para a Bulgária e elevou-o à dignidade episcopal, o que representou o início da carreira diplomática ao serviço da Santa Sé, passando depois pela Turquia e Grécia (nomeado em 1935), onde se encontrava quando começou a II Guerra Mundial.
Neste período salvou muitos judeus com a "permissão de trânsito" fornecida pela Delegação Apostólica.
“Escolheu como lema episcopal ‘Obedientia et pax’ [obediência e paz], programa que o acompanhou sempre”, destaca o Vaticano.
A biografia recorda que João XXIII “sofreu em silêncio as incompreensões e dificuldades de um ministério marcado pela pastoral dos pequenos passos”, na relação com as comunidades cristãs, fiéis de outras religiões e toda a sociedade.
Em 1944, o Papa Pio XII nomeou-o núncio apostólico em Paris e em 1953 foi criado cardeal, sendo enviado para Veneza como patriarca.
Depois da morte de Pio XII, foi eleito Papa a 28 de outubro de 1958 e assumiu o nome de João XXIII.
O novo santo faleceu a 3 de junho de 1963 e foi beatificado em setembro de 2000, por João Paulo II, que será canonizado com ele.
OC

Agência Ecclesia

No caminho, nosso coração ardia

Padre Geovane Saraiva*

Somos convidados, neste tempo da Páscoa, a reconhecer e seguir o Senhor ressuscitado, desejosos de um convívio fraterno e de partilha solidária. Ele quer ser presença e caminhar com a humanidade, para revelar o sentido misterioso de sua vida, morte e ressurreição, de modo especial, quer está ao lado dos que passam por situações exigentes e difíceis, dos que estão sem rumo e necessitados. Numa comparação com os discípulos de Emaús, muitas vezes ficamos desiludidos e perplexos, tristes e desanimados, como se a vida não tivesse mais sentido. Mas Cristo, um anônimo e estranho viajante tornou-se companheiro de caminhada. A presença de Jesus causou no coração deles algo diferente, tão forte, a ponto de provocar-lhes uma mudança radical de vida.

A ressurreição é a grande verdade que deve mexer com a nossa vida, assim como sucedeu com as comunidades, no início do cristianismo. É uma mística a invadir toda nossa existência, ao mesmo tempo em que se renova a nossa esperança, trazendo-nos um novo sentido, certos de que, pela graça do ressuscitado, experimentamos a certeza da plenitude em Deus, dom maior da vida humana. O Evangelho dos discípulos de Emaús tem a sua parte central na explicação das Escrituras e no anúncio da ressurreição, pelo próprio Jesus ressuscitado, tornando-se nosso irmão, amigo e companheiro de caminhada, ao revelar o projeto salvífico do nosso Deus e Pai.

Ele, ao ficar conosco, é aquele que comunica e partilha a vida. É aquele que constantemente está do nosso lado, nas alegrias, tristezas e desafios da vida, amando cada pessoa com amor eterno, na sua missão libertadora e redentora. Jesus desceu do céu e veio morar entre nós desejando revelar a vontade do Pai, estabelecendo-se no meio da humanidade. Ele não quer só conversar conosco, mas demonstrar toda a força de seu amor infinito, oferecendo-nos sua amizade e dando-nos sua vida pela nossa realização plena: a salvação.

Eles sentiram a necessidade de retornar para junto dos outros e contar a maravilhosa novidade: O Senhor está vivo! Nós o vimos! Ele nos falou das Escrituras e comeu o pão conosco. Nosso coração ardia pelo caminho (cf. Lc 24,13-35). O coração deles ardia, consumia-se em chamas e inflamava-se de amor, porque ele é eterno e nele está o sentido da vida, causando-lhes profundas motivações. Jesus ressuscitado, o qual os discípulos reconheceram ao partir o pão, quer ficar conosco, abrir nossos olhos e ficar no nosso meio e caminhar com o seu povo.

Emaús hoje é a nossa comunidade, é o nosso dia a dia. Embora, muitas vezes não reconheçamos Jesus nos caminhos da nossa vida e não acreditamos que ele está ao nosso lado, também não acreditamos que ele ressuscitou de verdade. Mas é indispensável um profundo desejo de encontrá-lo, num contexto de desânimo, semelhante ao percurso dos mesmos discípulos. Falar com o Senhor ressuscitado, ouvir falar do Senhor ressuscitado é maravilhoso! Ele quer ser consolo para nossas vidas, força nas nossas dificuldades, luz a iluminar nossos caminhos e, sobretudo, abrir nossos olhos e fazer arder nossos corações. Quando será que o nosso coração irá arder em profundidade com a sua presença?

Que a experiência da Páscoa arda em nossos corações, ao reconhecermos que, verdadeiramente o Senhor ressuscitou! O Papa Francisco disse neste Sábado Santo de 2014: “Cada um de nós também tem uma Galileia, o lugar da redescoberta do nosso batismo, a fonte viva, de onde encontramos a energia, a raiz da nossa fé e da nossa experiência cristã. Galileia significa retorno à Graça de Deus, que nos toca no início do caminho da nossa vida cristã: a experiência do encontro pessoal com Jesus, que nos chama a segui-lo e a participar da sua missão”. O caminho de Emaús, na nossa visão é o mesmo. Que seja ardente o desejo do encontro com o Senhor ressuscitado, não nos cansando de dizer: Fica conosco, Senhor!

*Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, colunista, blogueiro, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso -geovanesaraiva@gmail.com