Terceira Guerra Mundial?

 Angélica Sampaio*

Ele está obcecado, na sua contumácia pelo poder e com o ego ferido porque a Ucrânia iria fazer parte da OTHAN. Pro Putin isso é uma ofensa que o ex-território que antes era comandado pela Rússia estivesse com esse poder. E estando na OTHAN estaria com poder bélico oferecido pela Europa e pelos EUA. Além disso, pra ele a Ucrânia estando do lado de lá dos seus “inimigos” seria um encurtamento até chegar a capital Moscou em caso de ataque ou ameaça de guerra. Enfim, ninguém tem razão. 

Mas em se tratando de guerrear contra quem não pode lutar, é no mínimo covardia. A Ucrânia é um gatinho diante do leão russo. Infelizmente a situação é preocupante. O Putin está fora do juízo normal. Deus tenha piedade de nós. 

Que a ameaça da 3ª Guerra Mundial se afaste de nós. O armamento bélico da Rússia é alta potência. E a China já se declarou do lado da Rússia. Se uma guerra estourar o que será dos inocentes? Toda a cadeia global vai ruir. A economia de todo o planeta vai colapsar

*Angélica Sampaio é cearense, graduada em Letras e Especialista em Literatura pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Escritora, professora de língua portuguesa.

O deserto verticalizado

Pe. Geovane Saraiva*

Foto: Arquivo/Geovane Saraiva

Em Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre, sendo ele a imagem do Deus invisível, o primogênito da criação e nele tudo subsistindo,[1] temos a mais ampla comunicação de Deus com o mundo, na sinopse de sua perfeita manifestação em favor da humanidade. Na mais elevada obra de seu amor divino, no que diz respeito às criaturas de Deus, que não se prescinda no maior esplendor da Igreja, ela como prolongamento do mistério do mesmo Cristo e Senhor, através do tempo e de todo o delineamento da história, até o cumprimento de sua promessa, em seu retorno glorioso.

Cristo e Senhor bem que ajuda, no sentido de que, voltados para a cidade de Fortaleza-CE, no seu lado arrojado e moderno, com construção verticalizada, torres e arranhas-céus, nos faz pensar no pobre estado do Ceará, de clima semiárido, com lugares quase desertos. Refletir, sim, nas “alturas” da capital alencarina, que nos parece um deserto, longe de vegetação, levando-se em conta as residências lá no alto. Como não se atentar, a partir de um ângulo perpendicularizado e aprumado de nossa cidade? Que seja na lógica do Livro Sagrado: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os seus construtores; se o Senhor não cuida da cidade, em vão vigiam as sentinelas”.[2]


Sem um olhar profético, fica quase impossível para a criatura humana se tornar guardiã da fé e portadora de esperança em um mundo da técnica, aqui em questão a engenharia, bela, esplendorosa e encantadora pelas edificações da cidade de Fortaleza, mas, provavelmente, em contrariedade e desarmonia com a vontade de Deus.

Da parte do gênero humano, incorporado pelo Sacramento do Batismo no mistério de Cristo, nota-se e percebe-se a alegoria da videira e dos ramos, como na sua palavra: “Eu sou a videira verdadeira, e vós sois os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muitos frutos, porque sem mim nada podeis fazer”.[3]

O mundo da querida cidade de Fortaleza, que caminha para três milhões de habitantes, é antagônico, complexo e diverso. Para que Fortaleza possa ser transformada, em meio às grandes modificações ou transições, urge uma aproximação dos que vivem na aridez do alto, nos condomínios verticalizados com os que vivem em lugares também áridos, na extrema carência, convindo superar essas incongruências, também preconceitos e intolerâncias, mas tudo dentro do contexto da esperança cristã, na certeza de que se chegará o tempo em que Deus acabará com o domínio dos que pensam numa civilização individualista, longe de Deus, com explorados e exploradores, um povo longe de ser livre e independente.

Que as pessoas, umas confiando nas outras, com um amor verdadeiro, jamais se distanciem e nem contrariem aqueles que ousam usar de complacência e indulgência. Dom Helder Câmara, o filho mais ilustre de Fortaleza, bem que pode nos ensinar, num olhar, solidário, terno e afável, mesmo com as discrepâncias, contrastes e disparidades da nossa urbe. Guardemos sua utópica aventura humanitária e seu pacifismo profético, em seu pensamento: “O verdadeiro cristianismo rejeita a ideia de que uns nascem pobres e outros ricos, e que os pobres devem atribuir a sua pobreza à vontade de Deus”.

Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).



[1]  Cf. Hb 13, 8; Cl 1, 15

[2]  Cf. Sl 127

[3]  Cf. Jo 15, 1-8)



Uma só coisa é necessária, ouvir Jesus

Alvim Aran*

Em nossa sociedade agitada corremos o risco de cair num ativismo cego e acabamos por esquecer do essencial que é Jesus, ou seja, ouvir a palavra de Deus. No evangelho escrito por Lucas (10, 38-41) temos alguns pontos para auxiliar-nos em nossa reflexão, mais especificamente: escuta, dialogo e a palavra encarnada. Do evangelho citado acima destacamos os seguintes trechos:

➢ “Recebeu-o em sua casa” (hospitalidade)

➢ “Ficou sentada aos pés do Senhor” (Escuta)

➢ O diálogo de Jesus com Marta, muito “ocupada pelo muito serviço” doméstico.

➢ E Jesus dizendo, pelas letras de Lucas, que “pouca coisa é necessária, até mesmo uma só”, isto é, ouvir a palavra encarnada de Deus.

O primeiro tópico é essencial para nós, pois antes de ouvir Jesus temos que recebe-lo e trata-lo bem como fez Abraão com o hospede (Gn 18, 1-10). A hospitalidade que devemos ter com Jesus deve ser cultivada em todos momentos, em suma, tratar bem as pessoas e acolhê-las como se fosse nossas irmãs e irmãos. Esse acolhimento, falando de nossa sociedade egocêntrica, deve ser voltado a escuta, assim como fez Maria aos pés de Jesus enquanto Marta se preocupava com os afazeres domésticos. 

A história dessas duas mulheres traz uma reflexão atual para nós, não sabemos ouvir as pessoas, e consequentemente não ouviremos Jesus também. Muitas vezes quando chega alguém em nossa casa nos preocupamos em fazer café, comida, se a casa está limpa, etc. Mas as vezes esquecemos de ouvir a pessoa que foi nos visitar e dar atenção a ela, foi o que Marta fez. 

Pois é, quantas e quantas vezes somos as Martas da vida? Nos preocupamos tanto com o físico que esquecemos do espiritual. Em determinado momento, em muitos, nossas irmãs e irmãos precisam ser escutados, um desabafo ou uma palavra de conforto, e não somos sensíveis a isso. 

A nossa falta de sensibilidade, ou melhor dizendo, nossa falta de contato com Jesus vem minando nossas relações humanas. Jesus foi o mestre da humanidade, com efeito o poeta diz que “tão humano assim, só pode ser Deus”, e então passamos ao último tópico: uma só coisa é necessária.

Irmão Carlos, durante a vida religiosa, diz que “se não vivermos o evangelho, Jesus não vive em nós”, isto é, a única coisa necessária a todos nós é o ouvir Jesus numa experiência contemplativa de oração assim como fez Maria, e depois de ter ouvido seremos capazes de colocar isso em pratica, aí entra Marta. 

Para ilustrar a ideia de Marta e Maria usarei mais um exemplo mineiro, quando chega alguém em nossas casas temos o costume de conversar bastante e depois de um tempo falamos para pessoa esperar que iremos preparar um café. Com Jesus também deve ser assim, primeiro escutamos tudo que o Mestre tem a dizer, depois cuidamos da cozinha, isto é, cuidamos de nossas irmãs e irmãos pelo mundo afora. Depois de aprender a ouvir a Jesus, aprenderemos ouvir tantos crucificados existenciais por aí.

*Aluno de 2º ano de Filosofia, Seminário Maior de Diamantina-MG 

Catequese: novo céu e nova terra

 Pe. Geovane Saraiva*

O batismo é o primeiro passo da iniciação à vida crista. O batismo é também o nascimento para a vida cristã. Mediante o batismo, homens e mulheres, por serem criaturas humanas, são consagrados como filhos e filhas de Deus, tornando-se templos do Espírito Santo, assim como assegura o apóstolo Paulo: “Pela graça do batismo, que possamos chegar ao estado de homem perfeito à estatura da maturidade de Cristo” (Ef 4, 13). Animados, evidentemente, pela Palavra de Deus, lâmpada para nossos passos e luz para nossas estradas da vida (cf. Sl 15), a Igreja de Deus não para, prosseguindo sua caminhada através da catequese.

A catequese a consideramos uma tarefa abundantemente indispensável e relevante, essencial à vida da comunidade de fé. Em tempos de pandemia, vemo-la como um compromisso eclesial neste ano de 2022, o qual se torna enormemente urgente para a Igreja, com sua concretude para nossa Paróquia de Santo Afonso. Daí que acolho, com maior prazer e satisfação, as equipes de catequese, vendo-as como instrumentos da bondade de Deus, no contexto da educação na fé de nossas crianças, jovens e adultos. Que surja, pela catequese, uma consciência sempre e cada vez maior, que nós, criaturas humanas, e a própria Igreja estejamos a caminho para a casa definitiva do Pai.

É importante perceber e acolher a catequese como uma nova etapa, que se inicia com você, querida criança, querido irmão e irmã! É um caminho novo que se abre, mas não sendo igual, incomparável ao anterior, no sentido de que a caminhada redimensionada é, sim, uma feliz ocasião para que a comunidade de fé possa reavaliar sua vida, desafiada a vivenciar sua fé, a qual se traduz em amor: “Deus é amor, e quem permanecer no amor, permanece em Deus e Deus permanece nele” (1Jo, 4, 7ss).

Que seja muito verdadeira sua acolhida, como projeto redentor, que tem como objetivo o do fortalecimento da fé e da esperança. A mente, o coração e os olhos voltam-se na direção do futuro, através da catequese, tendo como fundamento a luz que jamais se extingue, com a humanidade reconciliada e pacificada em Deus. Ficou para trás sua realidade contraditória, agora direcionada para um cenário sagrado e beatífico, longe de choro, tristeza, enfermidade e morte; enfim, será a paz, o novo céu e a nova terra! Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).


O suicídio do Pe. Geraldo Oliveira

Pe. Geovane Saraiva*

Eu, Pe. Geovane Saraiva, quando estudante de Teologia, há quase 40 anos, já naquele tempo, num esforço de organização do lado financeiro, passei a “pagar” o INSS; foram 35 anos, mês a mês, ininterruptos. Lembrei-me de que, quando padre recém-ordenado, eu estava na Cúria, quando esta tinha suas funções no subsolo da Catedral Metropolitana de Fortaleza, para pagar o INSS no banco, e lá se encontrava o Pe. Jessé Sousa Oliveira, de saudosa memória, que, percebendo o meu compromisso de pagamento, disse para deixar com ele. Obrigado, Pe. Jessé! Há pouco mais de três anos, portanto, venho recebendo a justa aposentadoria, a qual considero razoável, em torno de 4 salários. Colegas ou pessoas podem fazer “pequenos” comentários, até com ironia: “Ele vive bem!”.

A vida continua, os problemas de saúde vão crescentemente surgindo, sem esquecer os demais obstáculos e embaraços inerentes à existência. Guardemos o pensamento de Dom Helder: “Quando os problemas parecem ser absurdos, os desafios são apaixonantes”, que nos envolve num duelante e persistente combate, o qual deve levar uma compreensão compassiva e condescendente da durabilidade ou subsistência humana.

Cabe aqui, pois, com o suicídio do Pe. Geraldo Oliveira, sacerdote aposentado, idoso, com 50 anos de ordenação e 77 de idade, o reconhecimento do valor e da importância de cada vida como um benefício ou presente, mas a partir das marcas de resistência, incontestáveis, como nossos cactos – ou mandacarus – nordestinos, vegetações de uma importância ímpar e providencial, ao produzir até flores raras, também na resistência às adversidades do tempo, sem nos esquecermos das lições deixadas por Dom Helder e tantas pessoas paradigmáticas e dadivosas, na disposição de resistir aos contratempos da vida, na afável ternura de alma e na clemência e indulgência de coração.

Pe. Geraldo, querendo dignidade, não resistiu aos reveses da vida, não aceitando viver no ostracismo, esbulhado, isolado, interditado e acotovelado, numa vida sombria, inútil e sem sentido. Da parte do bispo e dos colegas sacerdotes, pedia clemência e indulgência, como se olha para a mãe Terra e por ela nutre um amor desmedido e muito verdadeiro, na consciência de encontrar o alimento da sua própria realização, na vontade humana a se conjugar com vontade divina, no compartilhamento de bens e dons, além dos bens materiais.

No espírito da mesma clemência e indulgência divinas, como não ficarmos de coração compungido, pesaroso e entristecido, diante de inúmeros acontecimentos, carregados pelos evidentes sinais de morte, sobretudo no suicídio do Pe. Geraldo Oliveira, na cidade de Surubim-PE, em 1º de fevereiro de 2022? Que saibamos agradecer os ventos, examinar o céu pela manhã, ao meio-dia, à tarde e à noite, numa oração de súplica e ação de graças, na mais elevada sinceridade para com Deus, pela vida de tantos irmãos, não esquecendo os sacerdotes idosos, afastando-os do ostracismo.

Oportunas são as palavras de Dom Milton Kenan, bispo de Barretos-SP: “Por que há padres cometendo suicídio? Por que há padres e bispos que já sepultaram a vocação? Porque não encontraram alguém para se sentar com eles, para ouvi-los; porque não encontraram alguém que os olhasse sem julgá-los. Se deixarmos para mais tarde a decisão de romper com essa lógica, continuarão a multiplicar os casos, como o do Padre Geraldo, que, depois de 50 anos de sacerdócio, procurou a dignidade na morte por conta própria. Como bispo da Igreja, obrigado Pe. Geraldo pelo seu ministério!”.

Pe. Olegário Melo, da diocese de Cametá-PA, entre muitos colegas sacerdotes, igualmente, se manifestou, sendo solidário: “O suicídio do Pe. Geraldo, o último padre condenado a morrer tragicamente, foi em consequência desse tipo de ações malignas no presbitério: não aceitação da pessoa do outro, só porque já é idoso, ultrapassado... Muito triste e repugnante! Deveria ser o contrário: muito respeito, muito carinho e muito cuidado! Lamentavelmente, muitos não pensam dessa forma... Rezemos, pois, pela nossa verdadeira conversão, a fim de que sejamos instrumentos de fraternidade, perdão, respeito e amor aos padres idosos” (…).

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

Dom Helder nasceu há 113 anos

Pe. Geovane Saraiva*

Dom Helder Câmara nasceu aos 07/02/1909, em Fortaleza-CE, e iniciou sua vida no ministério sacerdotal com 22 anos de idade, em profunda sintonia e comunhão com Jesus de Nazaré, pão da Vida, pão descido do céu. Eis um sinal vivo da presença de Deus, com a concretude do Dom da Paz, já no santinho de sua ordenação sacerdotal, na mesma cidade de Fortaleza (15/08/1931), assim se manifestou: “Angelorum esca nutrivisti populum tuum”, que quer dizer: “Teu povo se alimenta do pão do céu”.

Vem à mente o Pe. José Comblin, teólogo de saudosa memória, com sua luminosidade fulgurante, sendo seu distintivo peculiar, ao se manifestar no sentido de persuadir, no alargamento da mente e do coração das pessoas de boa vontade, imprimindo o caráter de perene imortalidade de Dom Helder: “Eu sou daqueles que têm a convicção de que os escritos de Dom Helder ainda serão fonte de inspiração na América Latina, daqui a mil anos, ao lançar sementes destinadas a produzir uma messe abundante nesta nova época do cristianismo”.

Conhecido como cidadão planetário, o mundo foi para Dom Helder Câmara campo de ação apostólica, vivendo-a a partir dos seus 27 anos na Cidade Maravilhosa-RJ (1936-1964). Cognominado Artesão da Paz, viveu a ternura e a solidariedade ao lado dos irmãos empobrecidos e, em 1948, na condição de padre jovem no Rio de Janeiro, acreditou ser possível seu sonho por um mundo melhor, ao externar: “Se eu pudesse, sairia povoando de sono e de sonhos as noites mal dormidas dos desesperados”.

Ele, pequeno na estatura, mas grande nos sonhos, nos ideais, era de uma beleza inusitada e incomparável, com aquele corpo franzino, mas que, pela pregação do Evangelho, se via transmutado e agigantado, na esperança utópica por um mundo justo, solidário e de paz. Que o dom maravilhoso do legado de Dom Helder seja percebido como uma mina de ouro a ser explorada, mas naquele seu sólido e incontestável compromisso: o do mundo solidário, reconciliado e pacificado em Deus!

Dom Helder era místico, sim, na exuberância magnífica de sua ação pastoral, identificado com seu povo, e, ao tomar posse, em 1964, como Arcebispo de Olinda e de Recife, no exemplo do Bom Pastor, assim se expressou: “Quem estiver sofrendo, no corpo e na alma; quem, pobre ou rico, estiver desesperado, terá lugar especial no coração do bispo”.

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).


Vidas negras importam

Dom Zanoni Demetino Castro*

Brasil, Brasil, ainda não reparaste o crime de lesa humanidade, os três séculos de escravidão.

Brasil, que matas o povo negro e oprimis sua gente, Que vergonha! 

Desde o dia 24/01/2022, temos recebido notícias sobre a morte do jovem negro congolês Moise Mugenyi. O fato não pode ser visto isolado do contexto que vivem e passam milhares de jovens negros e negras mortos nos últimos tempos. Das 34 .918 mortes violentas de jovens divulgadas no final do ano de 2021, 80% são de jovens negros. O cenário é desolador para nossas famílias e comunidades negras. Queremos manifestar nossa solidariedade à família de Moise Mugenyi  e às demais famílias, pela dor, sofrimentos e o luto. 

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que, a ninguém é lícito tirar a vida de um inocente, pois é um ato contrário à dignidade da pessoa e à santidade do Criador. “Não mates o inocente e o justo” (Ex 23,7). Entendemos que a missão da Igreja é evangelizar seguindo os passos e atitudes de Jesus, acolhendo seus ensinamentos e proclamando o Evangelho. “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vô-la dou como o mundo dá” (Jo 14,27). Entendemos que a violência é contraria à verdade da nossa fé, à verdade da nossa humanidade. Portanto, a verdadeira paz é vida em plenitude.

Queremos externar nossa indignação com o genocídio de nossa juventude negra. Vidas negras importam. Somos 56% do total da população brasileira e por isso, conclamamos as autoridades civis e jurídicas competentes a tomar uma atitude em favor da vida, a favor das vidas negras. Pedimos que os autores destas mortes sejam punidos na forma da Lei.

Como Pastor, chamado a cuidar e consolar as pessoas, compartilho com todos, sobretudo que mais sofrem neste momento, minhas orações e bênçãos.

*Arcebispo de Feira de Santana e Bispo referencial para a Pastoral Afrobrasileira da CNBB.


Seminário Maior de Brasília

Pe. Geovane Saraiva*

Nada mais amplo e mais abrangente do que a expressão “pão em todas as mesas" ou “pão para quem não o tem”. A saudade bateu-me, no espírito da elevada gratidão, recordando os bons tempos do Seminário Maior de Brasília, com todos aqueles fraternos colegas das diversas dioceses do Brasil que lá estudavam, quando cantávamos, antes das refeições principais: “Abençoai, Senhor, abençoai esta mesa, esta refeição nossa, e fornecei o pão para quem não o tem. Assim seja!”. Tudo isso acontecia dentro do sublime e excelso espírito do maior reconhecimento da bondade divina, evidentemente pelo dom da gratuidade, esquecendo-nos das circunstâncias que não nos foram edificantes.

Quarenta anos depois, graças a Dom Zanoni, Arcebispo de Feira de Santana, no neologismo de seu aniversário, “sessentar”, na iniciativa de formar o grupo de WhatsApp Seminário Maior BSB, que nos leva a crer num encontro mais aprofundado. Que neste ano de 2022, que já se iniciou, tenhamos um espírito de maior abertura, convidados que somos a refletir e a pensar, agradecidos, na nossa vida de bispos, padres e ex-seminaristas como bons profissionais, naquele arcabouço do tempo de formação no seminário. Que a nossa caminhada aqui neste mundo seja dom e graça, a partir de Jesus Nazaré, sem esquecer sua e nossa querida mãe, Maria de Nazaré.

Quão maravilhoso foi nos encontrar como ex-alunos do Seminário Maior Nossa Senhora de Fátima! Neste tempo de pandemia, buscamos um salutar convívio de filhos de Deus e irmãos uns dos outros, numa demonstração de serem possíveis nossas relações, mesmo em meio aos “antagonismos” (recordando o professor Pe. Astério Campos), num mundo diverso como o nosso, levando em conta as restrições que nos são impostas, sendo as mesmas causas de agravo e detrimento. Como grupo, que sejamos sal e luz, perante a realidade hodierna, na notoriedade visível da tenebrosa e nefasta “escuridão”.

Que Deus nos dê o pão verdadeiro, a refeição nossa, na ideia de Dom Zanoni Demittino Castro, que pede coragem de nossa parte, para que sejamos bons caminheiros ou peregrinos, revestidos do manto de justiça, paz e esperança. Que nos voltemos para os nossos companheiros nos desertos da vida, preocupados, quando vezes e vezes vem o desânimo, faltando-lhes coragem e esperança. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

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