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19 de setembro de 2017

Filme de Daniela Thomas levanta discussões sobre a representatividade negra no cinema

por Diego Benevides* - Crítico de cinema
Vazante
A caprichada fotografia em preto e branco não salva o longa-metragem “Vazante”
É recorrente que os ânimos se acentuem no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que chega à 50ª edição se reafirmando como o mais importante encontro cinematográfico que discute e dá espaço para as tendências da produção nacional. Em sua primeira exibição no Brasil, após passagem no Festival de Berlim, “Vazante” reacendeu as questões sensíveis do protagonismo negro no cinema.
O longa de Daniele Thomas foi exibido na mostra competitiva do último sábado (16). Ambientada em Minas Gerais, no século XIX, a trama acompanha Antonio, que se casa com a jovem Beatriz após perder a esposa. As constantes expedições de Antonio exaltam a solidão de Beatriz, que encontra nos escravos uma companhia que se transforma em traição conjugal.
Projeto dos sonhos de Daniela Thomas, “Vazante” é marcado especialmente pelo apuro estético, a partir de uma fotografia em preto e branco impecável e da precisão da reconstituição da época. O incômodo, no entanto, surgiu do substrato da narrativa proposta pela cineasta. A diretora conta que sua obra é um registro do opressor que vive suas relações de poder, sejam econômicas ou afetivas, de forma patriarcal.
O foco nessa hierarquia dos brancos inevitavelmente suscita os questionamentos sobre as feridas vividas pelos negros no Brasil. Tudo bem que a diretora tenha explicado que sua intenção não foi mesmo pensar a representatividade negra na história que conta, mas isso faz com que a obra abdique de uma abordagem política em uma sociedade contemporânea onde as opressões são constantemente questionadas pela arte.
A trama arrastada de “Vazante” em momento algum alcança o tom épico a que se propõe, já que opta por um ritmo mais espaçado, envernizado e burocrático. Enquanto se preocupa com o estilo da imagem, filmada com olhar cirúrgico pela cineasta, o roteiro não parece encontrar seu real conflito, a não ser exaltar os caprichos de um homem que desconhece não apenas a ética, mas a humanidade que existe no outro.
Os escravos do filme estão lá para servir, seja como mão de obra ou desejo sexual. Eles também são incapazes até mesmo de serem entendidos pelo público, já que os diálogos africanos não são legendados. A voz, literalmente, é dos brancos poderosos. No caso da sinhá Beatriz, incomoda o tom tranquilizante de beatificação reforçado até a última cena. Há ainda uma tentativa de mostrar como surgiu a miscigenação no Brasil, mas que acoberta a violência que houve nesse processo.
Arrependimento
“Eu acho que não faria o filme agora. Só quero reforçar que temos que ter cuidado com essas dores que valem mais do que outras dores”, disse a diretora, ao ser questionada no debate se, hoje, ela faria “Vazante” com a mesma abordagem.
Durante toda a sabatina, a cineasta respondeu com segurança os apontamentos negativos sobre o filme, em especial feitos por mulheres negras que estavam na plateia. Sua principal carta na manga foi reconhecer, desde o início, que este não é um filme sobre representatividade negra. Entretanto, depois de horas sendo questionada, de forma até violenta, sobre sua visão histórica, o principal deslize de Daniela foi não pensar direito ao confessar que não faria mais o filme. Sua defesa firme se dissolveu com apenas uma citação.
“Para mim, o fato de ser chamada de conservadora vai me fazer ficar refletindo cinco horas para entender para onde foi a minha militância com a causa”, completou. De uma forma ou de outra, o debate que o filme levantou comprova que existe cada vez mais um compromisso das artes em geral em pensar, criticar e propor sobre temas que ainda são sensíveis. O preconceito racial não acabou com a escravidão e a dívida deixada por esse tempo sombrio não pode passar batido.
Muito se tem cobrado, inclusive em Hollywood, a presença de negros em altos cargos da indústria cinematográfica e na linha de frente do elenco. Ver “Vazante” dá a impressão de uma obra que já nasce ultrapassada, sem preocupação em pensar a representatividade não apenas da cor, mas das minorias que hoje encontram no discurso político uma arma de defesa e, principalmente, de cobrança. É difícil cometer caprichos sem compromisso com o que existe ao redor, com os tempos sombrios que não ficaram apenas no passado, mas estão cada vez mais presentes hoje.
A diretora contou também que, antes de começar a carreira do filme nos festivais, mostrou o resultado para a atriz Camila Pitanga, que já tinha alertado sobre a câmera privilegiar, acima de tudo, os personagens brancos. “Se eu tivesse me colocado no protagonista negro, eu estaria morta aqui. Podia ser pior”, ponderou a cineasta, com uma voz embargada durante o debate.
É importante que “Vazante” traga à tona esse diálogo em um festival como o de Brasília, sempre politizado. Curioso, no entanto, foi observar a ira com que a plateia sabatinava a diretora, que tentou manter o equilíbrio para explicar suas intenções com o filme. O espaço de debate é importante para construir novas memórias, mas a falta de empatia do filme foi respondida pela plateia também com pouca empatia. “Estou apanhando e ainda vou apanhar muito (com o filme)”, finalizou Daniela.
*O crítico viajou a Brasília a convite do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Diário do Nordeste

Cineteatro São Luiz recebe mostra de terror, clássicos dos anos 1930 às produções mais recentes

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Festivais, maratonas e mostras especiais. Assim é feita a divulgação de filmes clássicos de velhos favoritos do público, na programação do Cineteatro São Luiz de Fortaleza, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado (Secult). Esta semana, o projeto Mostra Gêneros do Cinema é dedicado ao terror. A partir desta terça-feira (19) até a sexta-feira (22), serão exibidos nove produções que não podem faltar no repertório dos fãs deste gênero. As sessões – duas ou três por dia – são gratuitas.
“Fizemos um recorte que cobre 90 anos do gênero”, explica Duarte Dias, programador e curador de cinema do Cineteatro São Luiz. “Começamos com os clássicos da década de 1930, de quando o terror se consolidou no campo cinematográfico. A gente abre a mostra com ‘Drácula’, de 1931, e finaliza com ‘Drácula de Bram Stoker’ (1992), de Francis Ford Coppola. São dois filmes marcantes sobre esse personagem tão presente no imaginário de quem curte esse gênero cinematográfico”, adianta. 
Além de duas versões da história do conde vampiro da Transilvânia, serão exibidos “Frankenstein” (1931) e “A Noiva de Frankenstein” (1935), com Boris Karloff no papel da criatura; “O Bebê de Rosemary” (1968), de Roman Polanski; “O Iluminado” (1980), de Stanley Kubrick; “A Hora do Pesadelo” (1984) e “Pânico” (1996), de Wes Craven; e o recente “Invocação do Mal” (2013).
A Mostra Gêneros do Cinema é uma oportunidade para conferir, entre outras coisas, as transformações técnicas, estéticas e narrativas do cinema de terror – que, paradoxalmente, costuma seduzir ao tempo em que também causa repulsa, revelando temores mais primitivos. Esse gênero se inicia focado em personagens marcantes, como o Drácula, Frankenstein e a Múmia e ao longo do tempo esse foco vai mudando para questões triviais fantásticas, nascendo novos ícones do terror como o assassino dos pesadelos Freddy Krueger, da franquia “A Hora do Pesadelo”.
Programação
A mostra abre nesta terça-feira com “Drácula” e “O Iluminado”, às 16h e às 18h30, respectivamente. O “Drácula” de 1931 foi dirigido por Tod Browning e tem classificação etária de 14 anos. A obra conta a história do conde vampiro (Bela Lugosi), vindo dos Cárpatos, que aterroriza Londres por carregar uma maldição que o obriga a beber sangue humano para sobreviver. 
Com classificação de 16 anos, “O Iluminado” foi baseado no romance de mesmo nome do escritor Stephen King. Dirigido por Stanley Kubrick, ele mostra um homem (Jack Nicholson) que é contratado para vigiar um hotel, durante um rigoroso inverno. Coisas estranhas começam a atormentar o homem, pondo em risco sua mulher (Shelley Duvall) e seu filho (Danny Lloyd). 
No segundo dia a mostra traz a exibição de três longas; “Frankenstein”, às 14h, “A Noiva de Frankenstein”, 16h e “O Bebê de Rosemary”, às 18h30, todos com classificação indicativa de 14 anos. Henry Frankenstein (Colin Clive) é um cientista louco que vagueia à noite pelo cemitério na companhia de Fritz (Dwight Frye), à procura de diversos cadáveres para fazer um único homem. Em “A Noiva de Frankenstein”, o Dr. Frankenstein (Colin Clive) e seu monstro retornam e agora querem criar uma nova criatura, uma mulher (Elsa Lanchester) para ser a companheira da criatura monstruosa. Nas duas produções, a criatura é vivida por Boris Karloff, seu intérprete mais famoso até hoje.
Em “O Bebê de Rosemary” um jovem casal, interpretado por Mia Farrow e John Cassavetes, se muda para um prédio habitado por estranhas pessoas, onde coisas bizarras acontecem. Quando ela engravida, passa a ter estranhas alucinações e a desconfiar que marido está envolvido em algo sinistro.
Diversidade
Dirigido por Wes Craven, um dos mestres do terror no cinema, “A Hora do Pesadelo” (1984, 16 anos) apresentou ao mundo o personagem Freddy Krueger (Robert Englund). No filme, um grupo de adolescentes tem pesadelos horríveis e perigosamente reais, com um homem deformado com garras de aço. O filme abre as sessões de quinta-feira (21), às 16 horas.
Ele será seguido, às 18h30, por “Invocação do Mal”, de 2013, dirigido por James Wan. Ron Livinston e Lili Taylor encontram em sua nova casa uma entidade demoníaca. Decididos a continuarem a morar na casa o casal contrata a famosa dupla de investigadores paranormais, Patrick Wilson e Vera Farmiga, que no começo desacreditam no caso, mas decidem fazer uma visita. A sexta começa com outro clássico de Wes Craven – “Pânico” (1997), às 16h. E, ao cair da noite, a mostra se encerra com a versão de Francis Ford Coppola para a história de Drácula, um dos últimos grandes filmes de vampiro já feitos.
Mais informações:
Mostra Gêneros do Cinema – De terça-feira (19) até sexta-feira (22), com sessões às 14h, 16h e 18h30, no Cineteatro São Luiz Fortaleza (Rua Major Facundo, 500 – Centro).
Gratuito.
Contato: (85) 3231.9461

Diário do Nordeste

Livraria Saraiva encerra uma das lojas em shopping de Fortaleza

Uma das unidades da livraria Saraiva encerrou as atividades no shopping Iguatemi Fortaleza nesta segunda-feira, 18. Localizada no piso térreo, a loja tinha porte menor que o da Saraiva MegaStore, que mantém o funcionamento da marca em uma das entradas do shopping.
Por email, a rede de livrarias informou aos clientes sobre o fechamento das portas da unidade: "Caro cliente, a loja Saraiva do Iguatemi Fortaleza, no piso térreo, encerrou suas atividades". Com o fechamento desta unidade, Fortaleza mantém outras duas lojas da livraria, sendo uma no próprio Iguatemi Fortaleza e a mais recente, no North Shopping Fortaleza.  
 "A Saraiva avalia constantemente a sua rede de lojas, considerando aberturas, reformas e fechamentos, dentro de seu plano de transformação e de manter sua operação saudável e cada vez mais multicanal para atender aos clientes em todas as plataformas, em lojas físicas e no e-commerce", explica a empresa por meio de nota enviada à imprensa. "Vale destacar que, desde o início do ano, a rede tem feito um movimento para a abertura e readequação de suas unidades, como pode ser atestado pela inauguração da loja no North Shopping", complementa.
A livraria foi fundada em 1914 em São Paulo. No ano de 2008, a empresa adquiriu a Livraria Siciliano e passou a ter 20% do mercado livreiro do Brasil. Também em nota, o Iguatemi explicou que a loja funcionava no shopping desde 1998, quando ainda levava nome de Siciliano. "A Administração informa que já está prospectando no mercado opções de serviços para uma breve ocupação do espaço, a ser oportunamente informado à imprensa e à sociedade cearense", diz a nota.
Redação O POVO Online

Nobel da Paz quebra silêncio sobre violência em Myanmar


Resultado de imagem para Nobel da Paz Aung San Suu Kyi
Líder de fato do país, Aung San Suu Kyi é criticada por minimizar situação denunciada por vítimas e testemunhas no oeste do país, onde, segundo a ONU, está em curso um processo de limpeza étnica contra minoria muçulmana. A líder de fato de Myanmar, a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, quebrou o silêncio nesta terça-feira (19/09) sobre a violência contra a minoria muçulmana rohingya no estado de Rakhine (oeste), denunciada pela ONU como um processo de limpeza étnica.

No discurso, Suu Kyi, que ocupa um cargo similar ao de primeira-ministra, pintou uma realidade paralela à que denunciam ONGs, vítimas e testemunhas. E se limitou a dizer que seu governo não foge de suas responsabilidades e está ao lado daqueles que sofrem.

"Apesar de todos os esforços, não conseguimos parar o conflito. Não é a intenção do governo fugir de suas responsabilidades", disse Suu Kyi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, diante de diplomatas, autoridades e jornalistas. "Condenamos todas as violações dos direitos humanos. Comprometemos-nos com o Estado de direito e a ordem."

Na coletiva, retransmitida ao vivo pela televisão local, Suu Kyi se comprometeu a levar ajuda humanitária à região, além de permitir o retorno dos refugiados rohingyas, referindo-se a eles como "muçulmanos", que fugiram para Bangladesh.

A líder do país, apoiada pelos militares que governavam Myanmar e mantêm uma influência considerável, também afirmou que não há uma imagem clara dos eventos no estado de Rakhine. "Também estamos preocupados. Queremos descobrir quais são os problemas reais. Houve alegações e contra-alegações. Temos de ouvi-las todas", disse.

Ela também se comprometeu a resolver nos tribunais qualquer violação dos direitos humanos que possa ter ocorrido em Rakhine durante a ofensiva militar em resposta a um ataque de radicais rohingyas, realizado em 25 de agosto.

A mensagem à nação foi transmitida dias depois que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, classificou a crise dos rohingyas de limpeza étnica e pediu a suspensão das ações militares.

No discurso, Suu Kyi garantiu que as operações militares em Rakhine foram finalizadas em 5 de setembro. No entanto, o êxodo continuou após esta data com a fuga de aproximadamente 400 mil rohingyas – metade mulheres e crianças – para a vizinha Bangladesh, onde sofrem com falta de alimentos, água e assistência sanitária.

Muitos rohingyas denunciaram terem sofrido ataques e violações por parte das forças de segurança, acusados também de terem queimado vilarejos e residências da minoria muçulmana.

A Anistia Internacional se mostrou desapontada com o discurso da líder birmanesa e acusou Suu Kyi de ignorar a crise no oeste do país. "Existem provas 'esmagadoras' de que as forças de segurança estão envolvidas numa campanha de limpeza étnica", afirmou a organização não governamental, também nesta terça-feira, reagindo às declarações de Suu Kyi.

A organização lamentou que a líder de fato de Myanmar e Prêmio Nobel da Paz não tenha denunciado diretamente o "envolvimento" de militares que provocaram a fuga de centenas de milhares de rohingyas para Bangladesh.

"A afirmação de Suu Kyi de que seu governo 'não tem medo de um escrutínio internacional' é vaga. Se Myanmar não tem nada a esconder, então deve permitir que investigadores da ONU entrem no país, incluindo o estado de Rakhine", disse a Anistia.

Estima-se que mais de 1 milhão de rohingyas viviam no estado de Rakhine, vítimas de uma crescente discriminação desde o início da violência sectária de 2012, que causou pelo menos 160 mortes e deixou cerca de 120 mil rohingyas confinados em 67 campos de deslocados.

As autoridades de Myanmar alegam que os rebeldes rohingyas querem criar um Estado muçulmano autônomo no país de maioria budista. As autoridades de Myanmar classificam os rohingya de "bengaleses", ou seja, cidadãos do país vizinho Bangladesh. Apesar de alguns deles viverem há gerações no país, o governo de Myanmar lhes nega a cidadania plena. Um membro da etnia rohingya que deixar Myanmar é tratado como migrante caso queira voltar.

PV/lusa/efe/afp/ap/rtr/dpa

'Diário de Anne Frank' ganha versão graphic novel

"É necessário chegar a uma nova geração leitores".
Foto do passaporte de Anne Frank sobre cadernos do diário que ela escreveu no sótão da casa em Amsterdã.
Foto do passaporte de Anne Frank sobre cadernos do diário que ela escreveu no sótão da casa em Amsterdã. (ANP/AFP)

O "Diário de Anne Frank", uma das obras mais vendidas no mundo, será publicado pela primeira vez no formato graphic novel em quase 50 países - informou a editora francesa Calmann-Levy nesta segunda-feira (18).
Após um acordo com o Fundo Anne da Basileia (Suíça), o diário da jovem judia de origem alemã que faleceu de tifo em fevereiro de 1945, no campo nazista de Bergen-Belsen, foi adaptado pelo autor israelense Ari Folman e seu compatriota e ilustrador David Polonsky.
"Quando o Fundo Anne Frank nos propôs adaptar o diário para os quadrinhos, nossa resposta foi: 'De jeito nenhum!'", afirmaram os autores em Paris.
"Mas temo que chegaremos ao dia em que já não restem sobreviventes do Holocausto no planeta, nem nenhuma testemunha viva para explicar esta história", completou Folman, diretor do filme de animação "Valsa com Bashir" (2008), vencedor do Globo de Ouro e indicado ao Oscar.
"É necessário chegar a uma nova geração leitores", justificou.
A graphic novel não tem a totalidade do diário - "isto nos obrigaria a conceber mais de 3.500 páginas", disse Folman -, mas inclui várias cartas dirigidas por Anne Frank a sua amiga imaginária Kitty.
Outros trechos de poucas linhas na obra original publicada em 1947 foram ampliados.
"Tentamos preservar o senso de humor mordaz de Anne, seu sarcasmo e sua obsessão com a comida", declarou Folman.
Os períodos de depressão e desespero da jovem são tratados, sobretudo, com cenas de fantasia ou oníricas na publicação, que tem classificação indicativa para a partir de 12 anos.
No conjunto, a publicação de 160 páginas é extremamente fiel ao texto original.

AFP

Ciclista britânico bate recorde ao dar volta ao mundo em menos de 79 dias

O aventureiro, de 34 anos, entrou para o livro Guinness dos recordes. Ciclista teve que pedalar 16 horas por dia para percorrer os 29.000 quilômetros necessários para completar o desafio.
Britânico Mark Beaumont chega em Paris após completar a volta ao mundo em 78 dias.
Britânico Mark Beaumont chega em Paris após completar a volta ao mundo em 78 dias. (AFP)

O ciclista britânico Mark Beaumont terminou nesta segunda-feira à noite (horário local), em Paris, sua volta ao mundo em bicicleta, um trajeto percorrido em menos de 79 dias, batendo um novo recorde e superando a conquista fictícia do famoso personagem de Júlio Verne, Phileas Fogg.
O aventureiro, de 34 anos, conseguiu dar a volta ao mundo de bicicleta em 78 dias, 14 horas e 14 minutos, segundo o livro Guinness dos recordes.
Ele saiu de Paris em 2 de julho e chegou nesta segunda-feira pouco antes das 19h00 (14h00 de Brasília) no Arco do Triunfo, em pleno horário do rush.
"Fui além do que já havia feito, física e mentalmente", declarou o ciclista em sua chegada, onde era esperado por sua esposa e suas duas filhas, assim como um grupo de fãs.
"Foram, sem dúvida, os dois meses e meio mais longos da minha vida", acrescentou, enquanto posava ao lado de sua mãe e agente, Una.
O recorde anterior remontava a 2015 e foi estabelecido pelo neozelandês Andrew Nicholson, com 123 dias.
Em 2008, Mark Beaumont conseguiu realizar esta façanha em 195 dias.
No livro "A Volta ao Mundo em 80 Dias", de Júlio Verne, Phileas Fogg demorou 80 dias para realizar a travessia, pegando trens e barcos. Já Mark Beaumont cruzou os oceanos Atlântico e Pacífico de avião, e completou o resto do trajeto de bicicleta.
O ciclista teve que pedalar 16 horas por dia para percorrer os 29.000 quilômetros necessários para completar o desafio.

AFP

Lady Gaga posta foto rezando com terço e reacende rumores sobre “conversão”

A foto contrasta com a performance da cantora exibida num clipe de 2010 que irritou cristãos de todo o mundo; na ocasião, ela engolia um rosário

Um post feito por Lady Gaga em seu perfil no Instagram tem alimentado as especulações de mudança de vida da cantora, que estaria se aproximando da fé católica. Na foto, ela aparece rezando com um terço nas mãos. Na descrição ela explica o motivo pelo qual ficará longe de apresentações nos próximos meses. Após ter cancelado o show que faria no Rock in Rio, na última semana, agora ela adiou uma parte de sua turnê pela Europa, devido às fortes dores que sente no corpo, por causa da fibromialgia, uma síndrome clínica que afeta principalmente a musculatura. A previsão é de que até o início de 2018 ela não volte aos palcos.
A devoção expressada pela imagem difere muito do escândalo provocado pelo clipe da música Alejandro, de 2010, no qual ela aparece engolindo um terço. Essa foi uma das várias performances executadas pela artista no passado que despertaram a ira de cristãos, chegando a gerar boatos em ambientes religiosos de que a cantora era praticante do satanismo. Desde 2016, contudo, não há registros de novas agressões à fé cristã.
No ano passado, para a surpresa dos fãs, a cantora publicou no Instagram uma foto sua segurando uma bíblia e ao lado de um padre. Na legenda, ela agradecia as palavras ditas por ele na missa daquela manhã.  “Obrigada, padre Duffell, pela bela homilia, como sempre”, dizia ela. A foto foi feita no restaurante italiano do pai de Lady Gaga, em Nova York.
A repercussão da foto gerou uma nova manifestação pública de fé. Isso por que um artigo publicado pelo site CatholicLink questionava quão legítimas seriam as manifestações das celebridades sobre fé, e citava a foto de Gaga. A própria cantora respondeu num comentário também publicado no Instagram: “Não somos só ‘celebridades’: somos humanos e pecadores, filhos, e nossas vidas não estão vazias de valores, porque lutamos. Nós fomos perdoados tanto quanto o nosso próximo. Deus nunca é modinha, não importa quem seja o crente”.
Também em 2016, no mês de abril, ela postou outra foto entrando em uma igreja católica de Chicago. Em fevereiro do mesmo ano publicou um trecho do Salmo 25, que contém trechos como: “Por amor de vosso nome, Senhor, perdoai meu pecado, por maior que seja” e “Olhai-me e tende piedade de mim, porque estou só e na miséria. Aliviai as angústias do meu coração, e livrai-me das aflições. Vede minha miséria e meu sofrimento, e perdoai-me todas as faltas”.
Agora, parece que diante do delicado momento em que sua saúde atravessa, Lady Gaga se apoia mais uma vez em sua fé. A nota que acompanha a imagem dela com o rosário em mãos diz:
“Sempre fui sincera sobre minhas lutas de saúde física e mental. É complicado e difícil de explicar, e estamos tentando descobrir isso. Assim que eu me fortalecer e quando me sentir pronta, vou contar a minha história e planejo levar isso com força para que eu não só possa aumentar a conscientização, mas expandir a pesquisa para os outros que sofrem como eu, para que eu possa ajudar a fazer uma diferença. Eu uso a palavra “sofrer” não por piedade, ou atenção, e fiquei desapontada por ver pessoas online sugerindo que estou sendo dramática, fazendo isso ou me fazendo de vítima, para sair de turnê. Se você me conhecesse, você saberia que isso não poderia estar o mais longe da verdade. Eu sou uma lutadora. Eu uso a palavra sofrer não só porque o trauma e a dor crônica mudaram minha vida, mas porque eles me impedem de viver uma vida normal. Eles também estão me impedindo de fazer o que mais amo no mundo: atuar para os meus fãs. Estou ansiosa por voltar à minha turnê em breve, mas tenho que estar com meus médicos agora, para que eu possa ser forte e pode me apresentar para todos vocês nos próximos 60 anos ou mais. Eu amo muito vocês”.




Perdão, dom e graça

Padre Geovane Saraiva*
O mundo em que vivemos é profundamente marcado por vingança, ódio e preconceitos. Considerando o bem maior da comunidade dos filhos de Deus, o maravilhoso é que contamos com a proposta de Jesus: a do perdão sem limites para os seus seguidores. Urge a necessidade de generosidade e misericórdia sempre maior, capaz de destruir o ódio e a agressividade reinantes no mundo, fugindo também da lógica dos números da matemática, a respeito do perdão. O Papa Francisco assegura aos que querem observar o chamado do Filho de Deus, afirmando que restam "a alegria, a paz e a liberdade interior que vêm do ser perdoado, podendo, por sua vez, abrir-se à possibilidade de perdoar; que o perdão não nega o erro sofrido, mas reconhece que o ser humano, criado à imagem de Deus, é sempre maior do que o mal que comete".

Imagem relacionadaNo perdão, na misericórdia e na reconciliação, experimenta-se a compaixão de Deus, quando a justiça se transforma em misericórdia: “Perdoa a injustiça cometida por teu próximo: assim, quando orares, teus pecados serão perdoados” (cf. Eclo 28, 2). Portanto, é proposta a sábia lição de que só com muito amor no coração é possível dar continuidade ao projeto do Salvador da humanidade, de que Deus quer constantemente entrar na nossa história, perdoando nossas graves misérias e ao mesmo tempo oferecendo o dom e a graça de praticá-lo no dia a dia.

O Filho de Deus, que desceu do céu e veio morar entre nós, revela o amor e o perdão misericordioso do Pai, estabelecendo-se no meio de seu povo, anunciando a justiça de Deus. Jesus não quer só conversar com cada pessoa, mas demonstrar toda a força de seu amor infinito, sobretudo no perdão e na misericórdia, doando, visível e nitidamente, sua própria vida, como proposta do perdão sem limites (cf. Mt 18, 21-35). A criatura humana é grande aos olhos de Deus, bem maior e acima do mal que reina no mundo.

Abracemos o Evangelho de Jesus, mas com a consciência de que o perdão não tem limites nem tréguas. Que a salvação que nos é oferecida seja essencialmente de perdão e misericórdia, grande verdade e eixo da vida dos cristãos. Jesus nos ensina a viver constantemente perdoando, convencendo-nos de que o perdão é dom e graça divina, renovando-nos a esperança e apontando-nos o verdadeiro sentido da vida. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com