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Morre o acadêmico Murilo Melo Filho

Jornalista, Melo Filho acompanhou de perto a política nacional, a construção de Brasília e a guerra do Vietnã
Faleceu, na manhã da última quarta-feira (27), o acadêmico e jornalista Murilo Melo Filho, vítima de falência múltipla de órgãos. Ele tinha 91 anos. Sexto ocupante da Cadeira nº 20, Melo Filho nasceu em Natal. Aos 12 anos, começou a trabalhar no Diário de Natal, com Djalma Maranhão, escrevendo um comentário esportivo. Aos 18 anos, foi para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Melo e Souza e foi aprovado em concursos públicos para datilógrafo do IBGE e do Ministério da Marinha, ingressando a seguir no Correio da Noite, como repórter de polícia. Trabalhou na Tribuna da Imprensa, no Jornal do Commercio, no Estado de S. Paulo, e na Manchete. Dirigiu e apresentou na TV-Rio, o programa político Congresso em Revista, que ficou no ar ininterruptamente durante sete anos. Foi também membro do Conselho Administrativo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e membro da União Brasileira de Escritores (UBE). Seus textos estão nos livros Cinco dias em junho (1967), O desafio brasileiro (1970), O brasileiro Rui Barbosa (2009) e Políticos ao entardecer (2009).

Via PUBLISHNEWS

ABL apresenta “Casamento suspeitoso”, de Ariano Suassuna na Leitura Dramatizada de novembro

Academia Brasileira de Letras e a Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena formaram uma parceria em 2019 e promovem apresentações teatrais da peça “O casamento suspeitoso”, entre outras, adaptadas para o formato de leitura dramatizada. O espetáculo tem a direção de Eduardo Almeida e o elenco é composto por alunos e ex-alunos da Escola. São eles: Matheus Racinne, Fabricio Sigales, Jhô Teodorio, César Vieira, Vivianne Baptista, Teo Pasquini, Miriã Duarte, Bruna Morais e Janice Fernandes.
A leitura
Na história, Lúcia vem do Recife, acompanhada do seu amante e de sua mãe, para casar-se com um ingênuo herdeiro de uma fortuna na cidade de Taperoá, interior da Paraíba. Os golpistas, porém, não esperavam se deparar com a esperteza da dupla de empregados, Cancão e Gaspar, que armam várias situações para provar que Lúcia é uma impostora e interesseira. Mas ao perceber que será desmascarada, a trambiqueira tentará reverter a situação, criando uma cilada para os dois serviçais. Em quem o herdeiro acreditará?
Com um pouco mais de uma hora de duração, jovens e adultos poderão se encantar com uma divertida história que tem como tema central o casamento por interesse ou, como o dito popular, o “golpe do baú”.
O evento foi realizado no dia 27 de novembro, às 15h00, no Teatro R. Magalhães Jr., localizado na Academia Brasileira de Letras, Av. Presidente Wilson, 203 – Castelo. Entrada franca.
Fonte: ABL

Presidente da ABL recebe Prêmio Internacional para a Latinidade

Distinção homenageia a atividade literária e científica internacional

O presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Marco Lucchesi, é o vencedor do Prêmio Internacional para a Latinidade deste ano. O nome de Lucchesi foi escolhido por unanimidade pela Academia Romena e pelo Museu Nacional de Literatura Romena.
Considerada um dos maiores prêmios nacionais do país, a distinção homenageia a atividade literária e científica internacional. Marco Lucchesi foi informado do resultado na última segunda-feira e deve receber o prêmio no próximo dia 28, em Bucareste. 
Em entrevista hoje à Agência Brasil, Lucchesi disse que ficou muito contente com a homenagem. "Não imaginava essa hipótese. O prêmio traz uma aliança ainda mais profunda do meu percurso e diálogo com a Romênia e com a literatura romena, que é muito rica". O Prêmio Internacional da Latinidade privilegia uma expressão latina mais ampla, dentro da qual o mundo se insere, "dentro de um panorama maior da latinidade", afirmou o escritor. 
Lucchesi lembrou o papel da União Latina, entidade fundada em maio de 1954 e composta pelos países cujas línguas oficiais ou nacionais são românicas, ou seja, neolatinas ou latinas, na promoção e disseminação de sua essência comum e daquilo que identifica o mundo latino. No entanto, dificuldades financeiras levaram a União Latina a suspender, em 26 de janeiro de 2012, todas as suas atividades. 
"A Romênia, porém, mantém muito viva essa perspectiva latina. Faz parte da própria cultura romena esse reconhecimento identitário a partir de uma herança latina", destacou Marco Lucchesi. 
Poeta, escritor, romancista, ensaísta e tradutor, Lucchesi estabeleceu contato com a Academia Romena pela primeira vez no ano passado, durante sua gestão na presidência da ABL, mas sua aproximação com a Romênia é mais antiga, porque tem livros publicados no idioma romeno. Desde 2003, ele dialoga com grandes intelectuais e artistas daquele país.
Fonte: Correio do Povo

Site da ABL tem tradução para mais de 100 idiomas

Búlgaros, chineses e árabes estão na lista de leitores que já podem ter acesso ao conteúdo do site da Academia Brasileira de Letras (ABL) em seus próprios idiomas. O presidente da ABL, Marco Lucchesi, disse à Agência Brasil que o site da academia está disponível em mais de 100 idiomas. “Teremos a presença dos nossos escritores em todas as partes do mundo”.
Marco Lucchesi revelou que o processo faz parte de um movimento mais amplo que envolve convênios com outras academias, como a Pontifícia Academia de Ciências, fundada em Roma, em 1603, com o nome de Academia dos Linces, a mais antiga do mundo em ciências do mundo; ou a Academia Real da Espanha, além de parcerias firmadas com órgãos da Alemanha e da Romênia, entre outros países.
Os convênios fizeram Lucchesi perceber que o site da ABL, que registra em torno de 7 mil a 8 mil visitas diárias, poderia expandir esse número ao levar seu conteúdo para outras nações. “Através do instrumento importante do Google Tradutor, estamos disponibilizando nosso conteúdo para 99% dos internautas de todo o mundo, com 100 idiomas de maior frequência.”
Lucchesi acredita que, “na pior das hipóteses”, os usuários estrangeiros aumentarão, no início, em 10%. Com a divulgação do processo, os acessos poderão dobrar ou até triplicar, estimou o presidente da ABL
As informações poderão ser traduzidas desde os idiomas mais falados no mundo e até línguas mais específicas como o hebraico e o zulu.

Tradução automática

Todos os internautas, de qualquer parte do mundo, já podem acessar o conteúdo da ABL no seu idioma, reiterou Marco Lucchesi. A barra de tradução não aparece, contudo, no site dos brasileiros. “É uma tradução automática.” O imortal da ABL admitiu que, no passado, essa ferramenta do Google Tradutor apresentou problemas que, entretanto, passaram por constantes aprimoramentos. “Hoje, as ferramentas têm se aprimorado bastante e vão se auto aprimorando na medida em que são frequentadas e regulamentadas pela própria vocação dos usuários.”
Marco Lucchesi avaliou que “na medida em que caminhamos todos na perspectiva de uma cultura da paz internacionalizada, tirando partido da globalização, tiramos o que nos parece mais vantajoso que é o diálogo entre os povos. Saber o que cada instituição produz e prepara. É também uma forma de levar Machado de Assis e os demais escritores brasileiros para o mundo todo”.
O portal da ABL recebe um número expressivo de usuários de fora do Brasil. Estudo que analisou esse cenário verificou a necessidade de auxiliar eventuais interessados em conhecer a história da entidade em seus respectivos idiomas, bem como as informações e os textos mais atuais.
O processo de tradução automática ficará restrito ao conteúdo textual do site, não se aplicando a imagens, vídeos ou áudios, que se manterão no idioma brasileiro. O 'site' da ABL tem em torno de 30 mil páginas. “É um 'site' muito rico e bem estruturado, de alto alcance em nível internacional”.
De acordo com informação da assessoria de imprensa da ABL, o Portal da Academia terá seu conteúdo sempre produzido e exibido inicialmente em português. “Quando o sistema detectar a possibilidade de se tratar de um usuário estrangeiro, o 'site' oferecerá uma barra de idiomas. Se o internauta decidir não fazer a leitura em português, poderá selecionar o idioma desejado facilmente. Segundo o projeto, em instantes, o conteúdo textual será traduzido, independentemente de algumas imprecisões, pois são feitas por computador”.

Acessibilidade

Marco Lucchesi salientou outro ponto no qual a ABL está trabalhando nos últimos meses, que é garantir a acessibilidade de deficientes visuais ao 'site' da instituição. A ideia, disse Lucchesi, é garantir acesso mais fácil, mais amigável, para pessoas com problemas de deficiência visual, utilizando recursos de voz, em um futuro próximo.
Para isso, já está agendada visita à ABL de representantes do Instituto Benjamin Constant. “Isso nos obriga, com muita alegria, diga-se de passagem, a repensar todos os processos, sobretudo o processo tátil de uma aproximação segura e confortável. No mês de julho essa visita será feita”, anunciou.
Por Agência Brasil

Academia Brasileira de Letras doa livros para índios guaranis no Rio

  • Ação faz parte de projeto que prevê maior aproximação cultural da ABL com oito aldeias guaranis do estado

Emoção

  • Para Lucchesi, com a doação, “a academia cumpre seu papel, com um gesto simples, de poucas palavras, mas um gesto de afeto, de encontro, que é o que precisamos hoje nessa cultura da paz tão importante para a nação brasileira”.



Escritor Ignácio de Loyola Brandão é o novo imortal da ABL

Ignácio de Loyola Brandão
O escritor Ignácio de Loyola Brandão foi eleito ontem (14), por unanimidade, para ocupar a cadeira 11 da Academia Brasileira de Letras (ABL), vaga com a morte do acadêmico e jurista Helio Jaguaribe, no dia 10 de setembro do ano passado, no Rio de Janeiro.
Loyola Brandão venceu outros 11 concorrentes: Eloi Angelos Guio D’Aracosia, Rodrigo Cabrera Gonzales, Placidino Guerrieri Brigagão, José Roberto Guedes de Oliveira, Lucas Menezes, Remilson Soares Candeia, José Itamar Abreu Costa, Marilena Barreiros Salazar, Raquel Naveira, Felisbelo da Silva e Sérgio Caldeira de Araújo.
O presidente da ABL, professor Marco Lucchesi, disse à Agência Brasil que todos os acadêmicos estavam tomados de emoção. “Porque Ignácio é um marco na moderna ficção brasileira e traz uma inteligência muito profunda da vida das cidades, com uma espécie de experimentalismo e de profunda intensidade dos seus quadros, às vezes até mesmo ferozes, mas sempre criativos”.
Os ocupantes anteriores da cadeira 11 foram Lúcio de Mendonça (fundador), que escolheu como patrono Fagundes Varela; Pedro Lessa, Eduardo Ramos, João Luís Alves, Adelmar Tavares, Deolindo Couto, Darcy Ribeiro e Celso Furtado.

Jornalista e escritor

Ignácio de Loyola Brandão nasceu em Araraquara (SP), em 1936. Atuou como jornalista em sua cidade natal e continuou a carreira após mudar-se para a capital paulista, aos 21 anos. Trabalhou no jornal Última Hora e nas revistas Claudia, Realidade, Setenta, Planeta, Ciência e Vida, Lui. Encerrou a carreira escrevendo para a revista Vogue. Atualmente escreve uma crônica quinzenal para o jornal O Estado de S. Paulo.
Pelo conjunto de sua obra, recebeu o Prêmio Machado de Assis, em 2016, em seu novo formato, quando passou a ser o único outorgado pela Academia Brasileira de Letras. Publicou mais de 42 livros, entre romances e contos, crônicas, viagens, infantis e infanto juvenis e uma peça teatral.
À Agência Brasil, o novo imortal disse estar ainda “meio zonzo” com sua eleição para a cadeira 11 da ABL. “Nunca imaginei que iria estar aqui e estou. O menino de Araraquara está aqui”, afirmou o escritor, lamentando que seu pai não estivesse presente para saborear essa vitória. “Estou muito feliz. Cheguei em um ponto que ainda terá muitos outros pela frente. É apenas mais um degrau. O começo da vida”, avaliou.
Agência Brasil

Ignácio de Loyola Brandão deve ser eleito para a ABL

Escritor não tem concorrentes de peso na disputa pela vaga; eleição ocorre nesta quinta (14)


Maurício Meireles
SÃO PAULO
A ABL (Academia Brasileira de Letras) vai preencher na tarde desta quinta-feira (14) a última de uma série de vagas abertas ao longo de 2018. A instituição elege o sucessor do sociólogo e cientista político Helio Jaguaribe, morto em setembro do ano passado, aos 95 anos.
O eleito para a cadeira 11 deve ser Ignácio de Loyola Brandão, autor de “Zero” e um dos principais nomes da geração de escritores brasileiros surgida nos anos 1960 e 1970 —dois deles, Antônio Torres e Nélida Piñon, já compõem o quadro de imortais da casa.
Na prática, Brandão concorre como candidato único. O anúncio de que apresentaria sua candidatura afastou eventuais interessados de peso —com ele, disputa uma série de autores desconhecidos que sempre surgem quando há uma vaga na instituição fundada por Machado de Assis.
 Ignácio de Loyola Brandao na estreia a peca "Eu Sou Essa Outra", em 2018
Ignácio de Loyola Brandao na estreia a peca "Eu Sou Essa Outra", em 2018 - Marcus Leoni/Folhapress
O nome do autor uniu alas da casa que, se não chegam a ser exatamente antagônicas, costumam se interessar por candidaturas diferentes —é o caso da dos escritores e a chamada “ala dos notáveis”, formada por políticos, juristas, médicos e egressos de outros ofícios que não a literatura.
A candidatura também congrega apoiadores no Rio de Janeiro, onde vive a maior parte dos imortais, e de São Paulo, onde o autor teria apoio de nomes como Celso Lafer e Lygia Fagundes Telles. O candidato também escreveu a biografia da antropóloga Ruth Cardoso (1930-2008), mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que é imortal.
Além disso, os últimos dois eleitos —o cineasta Cacá Diegues e o jurista Joaquim Falcão— não eram escritores, o que abriu espaço para o novo escolhido ser alguém que viesse da literatura.
Nascido em Araraquara, Brandão foi jornalista, começando sua carreira no Última Hora. Para o romance “Zero”, o autor se inspirou em histórias que não puderam ser publicadas no jornal, por conta da censura. O livro se tornou uma das principais obras brasileiras sobre a ditadura militar —foi lançado antes na Itália, em 1974, e só um ano depois no Brasil, onde foi logo censurado.
O autor, que é cronista no jornal O Estado de S. Paulo, publicou também obras como “Não Verás País Nenhum”, “Cabeças de Segunda-feira” e “O Anjo do Adeus”, entre outras.
Folha de São Paulo

Livros doados pela ABL chegam em São Tomé e Príncipe

No último dia 5 de março chegou uma nova remessa de livros, em São Tomé e Príncipe, na África, de autores brasileiros, doados pela Academia Brasileira de Letras para a Biblioteca Nacional do país.
O transporte de livros pela Marinha Brasileira faz parte do Protocolo de Intenções assinado entre a ABL e a Marinha do Brasil, no dia 17 de julho de 2018, objetivando o transporte de livros para os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
A cerimônia de entrega das obras contou com a presença do Embaixador do Brasil em São Tomé e Príncipe, Vilmar Rogério Coutinho Junior, e também com o Presidente da Biblioteca Nacional de Porto Príncipe, Alcindo Sousa.
ABL

Jurista e educador Joaquim Falcão toma posse na Cadeira 3 da ABL

O jurista Joaquim Falcão / Reprodução
O jurista Joaquim Falcão
Reprodução
O jurista, educador e intelectual público Joaquim Falcão tomou posse na Cadeira 3 da Academia Brasileira de Letras, hoje, sexta-feira, dia 23 de novembro, em solenidade no Salão Nobre do Petit Trianon. O novo Acadêmico foi eleito no dia 19 de abril deste ano, na sucessão do Acadêmico, escritor e jornalista Carlos Heitor Cony, falecido no dia 5 de janeiro de 2018. Em nome da ABL, a Acadêmica, escritora e ensaísta Rosiska Darcy de Oliveira fez o discurso de recepção.
Antes, Joaquim Falcão discursou na tribuna. Ao terminar, assinou o livro de posse. A seguir, o Presidente Marco Lucchesi convidou o Acadêmico e jornalista Merval Pereira para fazer a aposição do colar; o Acadêmico e professor Arnaldo Niskier (decano presente) para entregar a espada; e o Acadêmico e escritor Marcos Vinicios Vilaça para entregar o diploma. Terminada a cerimônia, o Presidente, então, declarou empossado o novo Acadêmico.
A mesa da cerimônia foi presidida por Marco Lucchesi e composta pelos seguintes Acadêmicos e convidados: Alberto da Costa e Silva, Secretário-Geral da ABL; Merval Pereira, Segundo Secretário; Rosiska Darcy de Oliveira; Paulo Câmara, Governador Pernambuco; Jarbas Vasconcellos, Governador Maranhão.
Os ocupantes anteriores da Cadeira foram: Filinto de Almeida (fundador) – que escolheu como patrono Artur de Oliveira –, Roberto Simonsen, Aníbal Freire da Fonseca e Herberto Sales.
 

DISCURSO DE POSSE
“Comecei propondo a ABL como patrimônio cultural. Termino propondo o estado democrático de direito como patrimônio político. Ambos dentro do comando de nossa constituição: ampliar a cidadania plena.
“Cultura é a capacidade de cada um escolher seu melhor futuro. Matéria-prima da democracia, tão importante quanto segurança, emprego, saúde, educação e justiça. Nenhuma economia funciona sem eficiente infraestrutura: rodovias, saneamento, transportes, energia e tanto mais. Assim, também, a democracia. Não funciona sem adequada infraestrutura para a livre circulação de direitos e deveres culturais. Direito é energia. Move igualdades e liberdades. Não pode faltar.
“Como energia, focalizo o direito de ler, de leitura e a literatura. Por todos os meios: livro, jornal, laptop, celular, internet, rádio, tv, exposições de arte. Analógicos, dialógicos, presenciais. Ler vendo, ler lendo, ler ouvindo, ler acessando. Sou dos que acreditam que mesmo em era visual, nunca se leu tanto no mundo. Apenas, lê-se diferentemente. Sejam grandes romances, instalações, twitter, facebook ou whatsapp.
Vencemos o analfabetismo que nos impedia de tecnicamente ler. Não devemos nos entregar à outra escuridão. Aquela onde alguém escolhe por nós o que nós mesmos podemos escolher”.
E encerrou: “O direito de expressão é direito relacional. Entre a liberdade do emissor e a escolha do receptor. Um energiza e dá vida ao outro. Mas, Austregésilo de Athayde, de Caruaru, nordestinado, diria o pernambucano Marcos Accioly, cimento que une esta instituição já com 120 anos, dizia: ‘O direito não é do jornalista, é do povo’”.
 

DISCURSO DE RECEPÇÃO
Rosiska Darcy de Oliveira afirmou, em seu discurso de recepção, que “uma vida que faz sentido é realmente um fazer. O sentido de uma vida não nos é dado, é escultura do tempo, é lapidação da matéria insondável da existência, é gênio e arte nas escolhas. Nada disso lhe faltou.
“Joaquim tem o dom de fazer o sentido da sua vida jogando no caleidoscópio do seu destino seus múltiplos talentos, atividades, criações, pertencimentos, afetos, andanças, como se toda essa diversidade pudesse se entender entre si, harmoniosamente, como se pertencesse a uma mesma matriz.
“Creio que essa matriz, como disse na abertura desse discurso, seja o sangue de seus ancestrais que formou com o seu essa pessoa única, Joaquim de Arruda Falcão Neto, advogado, jurista, jornalista, homem de letras, educador, intelectual público e que, por todos esses títulos, pertence a partir de hoje à Academia Brasileira de Letras.
 

O NOVO ACADÊMICO
Jurista, educador, intelectual público, Joaquim Falcão, sexto ocupante da Cadeira 3 da ABL, tem 74 anos, nasceu no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro – mas mantém origem e vínculos com Olinda, Pernambuco. Bacharel em Direito pela Universidade Católica do Rio de Janeiro (Summa cum Laude), é mestre em Direito na Harvard Law School, mestre em Planejamento de Educação e doutorado na Universidade de Genebra. Foi Diretor, na década de setenta, da Faculdade de Direito da PUC-Rio. Professor Associado da Universidade Federal de Pernambuco e Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fundador e professor titular da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro.
Indicado pelo Senado, foi conselheiro representante da sociedade civil na primeira gestão do Conselho Nacional de Justiça, na época presidido pelo Ministro Nelson Jobim. Quando, então, se combateu o nepotismo e os adicionais salariais dos magistrados.
Trabalhou diretamente com Roberto Marinho, Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto, que o convidaram para dirigir a Fundação Roberto Marinho, na década de noventa. Na época, criou o Telecurso 2000, que chegou a ter mais de dois milhões de alunos. Criou, também, o pioneiro Globo Ecologia, com Cláudio e Elza Savaget, e o Canal Futura, com Roberto de Oliveira.
Ruth Cardoso o convidou para conselheiro da Comunidade Solidária, quando importantes avanços na organização e mobilização da sociedade civil foram feitos, inclusive a criação do GIF. Seu livro Democracia, Direito e Terceiro Setor, publicado pela Editora FGV – Rio de Janeiro, em 2006, reflete esta mobilização. Com um jovem grupo de professores de direito, de formação nacional e global, criou a Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas.
Na área jurídica, especializou-se no Supremo Tribunal Federal e publicou o livro O Supremo, pela Edições de Janeiro – Rio de Janeiro, em 2015. Organizou com colegas os livros Onze Supremos, publicado pela Editora Letramento – Belo Horizonte, em 2017; Impeachment de Dilma Rousseff: entre o Congresso e o Supremo, em 2017, editora Letramento – Belo Horizonte; e em breve sairá o novo livro O Supremo Criminal. Entre outros livros que escreveu estão também: Os advogados: ensino jurídico e mercado de trabalho, pela Editora Massangana, 1984; Quase Todos, em 2014, pela Editora FGV.
Faz parte de múltiplas instituições como: Vice-Presidente do Instituto Cultural Itaú; Conselheiro da Fundação do Câncer; Conselheiro da Fundação Bienal de São Paulo; Membro do Instituto dos Advogados do Brasil; Conselheiro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; Membro da Ordem dos Advogados do Brasil; Conselheiro da Transparência Internacional.
AUTORIDADES
Compareceram à cerimônia, além dos Acadêmicos, parentes e convidados, as seguintes autoridades  (em ordem alfabética): Alexandre Moraes e Sra. Vivian – Min. STF; Carlos Ayres Britto e Sra. Rita – Min STF; Ellen Gracie Northfleet – Min. STF; Flávio Dino e Sra. Daniele; João Roberto Marinho e Sra. Gisela – Pres. Org. Globo; Jorge Hue e Sra.; Luís Roberto Barroso e Sra. Teresa Cristina – Min. STF; Nelson Jobim e Sra. Adrienne – Min. STF; Og Fernandes e Sra. – Ministro STJ; Paulo Câmara e Sra. Ana – Governador de Pernambuco; Paulo Herkenhoff Raul Henry e Sra. Luiza, Deputado Federal; Ricardo Brennand e Sra. Graça; Sérgio Fernando Moro e Sra. Rosângela; Sidnei Benetti – Ministro STJ.
ABL

Morre o acadêmico Helio Jaguaribe

Ele foi o nono ocupante da cadeira número 11 da Academia Brasileira de Letras. Eleito em 3 de março de 2005, o intelectual sucedeu o economista Celso Furtado.

Por G1 Rio
 
Hélio Jaguaribe será velado na Academia Brasileira de Letras, na quarta-feira
Hélio Jaguaribe será velado na Academia Brasileira de Letras, na quarta-feira

O acadêmico, jurista, sociólogo e escritor Helio Jaguaribe morreu na noite deste domingo (9), em sua residência, em Copacabana, no Rio de Janeiro, vítima de falência múltipla dos órgãos.
O corpo de Jaguaribe será velado na Sala dos Poetas Românticos, no Petit Trianon, a partir das 10h desta quarta-feira (12) e o sepultamento está previsto para o mesmo dia, às 15h, no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Cemitério São João Batista, em Botafogo.
O acadêmico deixa viúva e cinco filhos. Nono ocupante da Cadeira nº 11 da ABL, Helio Jaguaribe foi eleito em 3 de março de 2005, na sucessão de Celso Furtado.
 
 
Morre o intelectual Hélio Jaguaribe
Morre o intelectual Hélio Jaguaribe
"Pare ele, ação e pensamento permanecem indissociáveis, como Darcy Ribeiro e Celso Furtado, que o precederam na cadeira 11. Cientista político de alta erudição e consciência vigilante, deixou obra vasta e criativa", disse o presidente da ABL, Marco Lucchesi.
O representante citou dois títulos: "A dependência político-econômica da América Latina, verdadeiro clássico na área, e 'Um estudo crítico da história', considerado por Lucchesi como "divisor de águas da interpretação do processo histórico publicado em nosso país".
O presidente da ABL também classificou Jaguaribe como "homem de gestos largos e entusiasmado, Helio continua vivo pelas virtudes de sua obra, saudosa do futuro".
 
‘Tudo é Irrelevante, Hélio Jaguaribe’ é o segundo filme em cartaz no Cine Teatro Recreio  (Foto: Divulgação)
‘Tudo é Irrelevante, Hélio Jaguaribe’ é o segundo filme em cartaz no Cine Teatro Recreio (Foto: Divulgação)

Trajetória

Helio Jaguaribe de Mattos nasceu no Rio de Janeiro, em 23 de abril de 1923, e se formou em Direito, em 1946, pela PUC-Rio.
Em 1952, deu início, com um grupo de jovens cientistas sociais, a um projeto de estudos para a reformulação do entendimento da sociedade brasileira, fundando o Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (Ibesp).
Lá, foi secretário-geral e diretor da revista do Instituto, batizada de "Cadernos de nosso tempo", de relevante influência no Brasil e na América Latina.
Em 1956, promoveu a constituição do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb), uma instituição de altos estudos, do Ministério da Educação e Cultura, no campo das Ciências Sociais, do qual foi designado chefe do Departamento de Ciência Política.
Ele pediu exoneração de ambas as funções em 1959, por discordância com mudanças na orientação dos institutos. Passou, então, alguns anos colaborando, sem vínculos permanentes, com diversas instituições acadêmicas, no Brasil e no exterior.
Em 1964, depois de pública condenação do golpe militar, afastou-se do país e foi lecionar nos Estados Unidos. De 1964 a 1966, ele trabalhou na Universidade de Harvard; de 1966 a 1967, na Universidade de Stanford; e de 1968 a 1969, no MIT – Massachusets Institute of Tecnology.
Retornando ao Brasil em 1969, Jaguaribe ingressou no Conjunto Universitário Cândido Mendes onde, por alguns anos, foi diretor de Assuntos Internacionais. Com a fundação do Instituto de Estudos Políticos e Sociais, em 1979, foi designado decano, função que exerceu até 2003.
Naquela data, completando 80 anos, propôs sua substituição por alguém mais jovem, o professor Francisco Weffort, ex-Ministro da Cultura do Governo Fernando Henrique Cardoso, que foi escolhido para o cargo. Para Jaguaribe foi conferido o título de decano emérito e, nessa função, continuou suas pesquisas.
Por sua contribuição às Ciências Sociais, aos estudos latino-americanos e à análise das Relações Internacionais, recebeu o grau de Doutor Honoris Causa da Universidade de Johannes Gutenberg, de Mainz, RFA (em 1983); da Universidade Federal da Paraíba (em 1992) e da Universidade de Buenos Aires (em 2001).
Em 1996, foi agraciado, por sua contribuição às Ciências Sociais, com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico. Em 1999, o Ministério da Cultura conferiu, por sua contribuição ao desenvolvimento cultural do país, a Ordem do Mérito Cultural.
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