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Ignácio de Loyola Brandão deve ser eleito para a ABL

Escritor não tem concorrentes de peso na disputa pela vaga; eleição ocorre nesta quinta (14)


Maurício Meireles
SÃO PAULO
A ABL (Academia Brasileira de Letras) vai preencher na tarde desta quinta-feira (14) a última de uma série de vagas abertas ao longo de 2018. A instituição elege o sucessor do sociólogo e cientista político Helio Jaguaribe, morto em setembro do ano passado, aos 95 anos.
O eleito para a cadeira 11 deve ser Ignácio de Loyola Brandão, autor de “Zero” e um dos principais nomes da geração de escritores brasileiros surgida nos anos 1960 e 1970 —dois deles, Antônio Torres e Nélida Piñon, já compõem o quadro de imortais da casa.
Na prática, Brandão concorre como candidato único. O anúncio de que apresentaria sua candidatura afastou eventuais interessados de peso —com ele, disputa uma série de autores desconhecidos que sempre surgem quando há uma vaga na instituição fundada por Machado de Assis.
 Ignácio de Loyola Brandao na estreia a peca "Eu Sou Essa Outra", em 2018
Ignácio de Loyola Brandao na estreia a peca "Eu Sou Essa Outra", em 2018 - Marcus Leoni/Folhapress
O nome do autor uniu alas da casa que, se não chegam a ser exatamente antagônicas, costumam se interessar por candidaturas diferentes —é o caso da dos escritores e a chamada “ala dos notáveis”, formada por políticos, juristas, médicos e egressos de outros ofícios que não a literatura.
A candidatura também congrega apoiadores no Rio de Janeiro, onde vive a maior parte dos imortais, e de São Paulo, onde o autor teria apoio de nomes como Celso Lafer e Lygia Fagundes Telles. O candidato também escreveu a biografia da antropóloga Ruth Cardoso (1930-2008), mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que é imortal.
Além disso, os últimos dois eleitos —o cineasta Cacá Diegues e o jurista Joaquim Falcão— não eram escritores, o que abriu espaço para o novo escolhido ser alguém que viesse da literatura.
Nascido em Araraquara, Brandão foi jornalista, começando sua carreira no Última Hora. Para o romance “Zero”, o autor se inspirou em histórias que não puderam ser publicadas no jornal, por conta da censura. O livro se tornou uma das principais obras brasileiras sobre a ditadura militar —foi lançado antes na Itália, em 1974, e só um ano depois no Brasil, onde foi logo censurado.
O autor, que é cronista no jornal O Estado de S. Paulo, publicou também obras como “Não Verás País Nenhum”, “Cabeças de Segunda-feira” e “O Anjo do Adeus”, entre outras.
Folha de São Paulo

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