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18 de dezembro de 2018

Filme "Minha Vida em Marte" mostra mulher em busca da realização pessoal e desconstrução do amor

A atriz e dramaturga Mônica Martelli retorna ao universo da personagem Fernanda

Em 2019, CCBB terá exposição com mais de 100 obras de Paul Klee

Mostra foi pensada especialmente para o Brasil e terá 16 pinturas, 39 papéis, cinco gravuras, cinco fantoches e 58 desenhos e objetos pessoais de Paul Klee.
Quadro 'Tempelgärten', de Paul Klee (1920).
Quadro 'Tempelgärten', de Paul Klee (1920). (Wikipedia Commons)

O Centro Cultura Banco do Brasil (CCBB) realizará exposição inédita com cerca de 100 obras do artista Paul Klee (1879-1940). A mostra "Paul Klee - Equilíbrio Instável" foi pensada especialmente para o Brasil e terá 16 pinturas, 39 papéis, cinco gravuras, cinco fantoches e 58 desenhos e objetos pessoais de Paul Klee.

No CCBB São Paulo, a exposição será aberta para o público no dia 13 de fevereiro, ficando em cartaz até 29 de abril. Depois vai percorrer outros Estados: no CCBB Rio de Janeiro ficará entre 15 de maio e 12 de agosto; na unidade de Belo Horizonte, a mostra poderá ser conferida entre 28 de agosto e 18 de novembro.

A curadoria da exposição é de Fabienne Eggelhöfer, curadora chefe, diretora de exposições, acervo e pesquisa do Zentrum Paul Klee, de Berna, na Suíça, cidade onde o artista viveu.

Agência Estado

O novo cinema da Paraíba nasce ousado e criativo

Festival Aruanda do Audioviosual abre espaço para um Estado que raramente consegue produzir um longa-metragem e cuja maior tradição no cinema documental.
A atriz Luana Valentim no set de filmagem de 'Beiço de Estrada'.
A atriz Luana Valentim no set de filmagem de 'Beiço de Estrada'. (Reprodução do Facebook 'Beiço de Estrada')

A grande surpresa do Festival Aruanda do Audioviosual, encerrado na semana passada, não veio da mostra competitiva principal, mas de uma paralela intitulada Sob o Céu Nordestino. Essa seção já existia há alguns anos para abrigar a produção da região Nordeste. Mas a novidade é que, neste 13º Aruanda, ela foi preenchida integralmente por longas-metragens paraibanos.

Para um Estado que raramente consegue produzir um longa-metragem e cuja maior tradição encontra-se no cinema documental (Linduarte Noronha e Vladimir Carvalho são as figuras mais notáveis), a atual safra, que mescla documentários e ficção, é de encher os olhos. O crítico e professor da USP Jean-Claude Bernardet, presente no evento, a classificou de "excepcional". Tanto que propôs um prêmio da crítica especial para esse segmento.

São seis longas, como se disse, mas deveriam ser sete, pois o documentário consagrado ao grande Jackson do Pandeiro, dirigido por Marcus Vilar, não pôde ser apresentado por problemas ainda pendentes com direitos autorais de som e imagem. Além desses filmes, outros sete devem chegar até o próximo ano. Estão na boca do forno.

Os longas paraibanos em cartaz no Fest Aruanda foram Beiço de Estrada, de Eliézer Rolim, Estrangeiro, de Edson Lemos Akatoy, O Seu Amor de Volta (Mesmo que ele não Queira), de Bertrand Lira, Rebento, de André Morais, Sol Alegria, de Tavinho Teixeira, e Ambiente Familiar, de Torquato Joel.

Tal safra não configura, possivelmente, um "movimento", no sentido clássico do termo, com uma poética estabelecida em cima de regras e posturas preestabelecidas, mas um desses círculos virtuosos ocasionais, beneficiados pela soma de uma política de incentivo inteligente com a presença de talentos individuais.

O boom se deve, de acordo com os cineastas, a um edital da prefeitura de João Pessoa, que leva o nome de Walfredo Rodrigues um dos pioneiros do cinema paraibano, em parceira com o Fundo Setorial da Ancine.

De acordo com o diretor Marcus Vilar, "houve outro fato marcante: os filmes de curta e média-metragens advindos do curso de cinema da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Alguns redundaram em longas, sendo o mais famoso Estrangeiro, filme que já circulou por mostras de cinco países", escreveu ele em artigo no jornal Correio da Paraíba (Cinema da Paraíba não para, 9/12/2018).

É inútil procurar por uma unidade temática ou estilística entre esses filmes. Há diversidade muito grande entre as obras, que vão do ambiente regional banhado por uma certa metafísica (Rebento) a um intimismo místico à la Terrence Malick (Estrangeiro), até a ode libertária e dionisíaca de Sol Alegria, passando pelos bastidores de adivinhos e cartomantes em O Seu Amor de Volta. Beiço de Estrada, de Eliézer Rolim, é uma história de abandono contada em tom mais clássico. E Ambiente Familiar, de Torquato Joel, explora o tema das novas configurações familiares em estilo plástico e figurativo, com imagens bastante sensoriais e que lembram, às vezes, as do russo Andrei Tarkovski.

"Não existe algo como uma estética paraibana", abre o jogo Bertrand Lira, diretor de Seu Amor de Volta, vencedor do Prêmio Especial da Crítica criado para esse segmento. Bertrand defende mais a particularidade de cada obra do que problemáticos pontos comuns que indiquem uma tendência.

Diretor de Rebento, André Morais concorda com Bertrand. "Nossos esforços como grupo foram mais empregados na luta política audiovisual do que discussões estéticas", diz. "Lutamos pelos editais e depois para que eles de fato acontecessem. Ficamos muito focados nisso." Por sorte, essa batalha burocrática não contamina seu longa, história de uma mulher que, depois de parir e cometer um ato radical, sai numa busca metafórica por redenção em busca de seu pai.

Bertrand Lira lembra que há, entre os colegas, estéticas mais rurais, próximas da tradição documental paraibana, e outras mais urbanas. Ele próprio ambienta seu longa no centro histórico de João Pessoa, em ruas do bas-fonds, com seres desesperados frequentando as pequenas salas de quiromantes e videntes. Já Morais, de Rebento, optou pelo campo. "Quis ir para o sertão por causa de uma memória afetiva muito forte, cheia de implicações maternas", diz. "Mas um sertão não necessariamente paraibano; poderia ser no interior da Amazônia ou de Minas Gerais."

Edson Lemos, de Estrangeiro, diz que seu filme se distancia da tradição rural paraibana e vai em direção oposta. "É uma ode à praia." Filmado em preto e branco, seu longa usa a natureza, mar e praia, no caso, como caminho de espiritualidade, reencontro de sua personagem feminina consigo mesma após anos de exílio voluntário.

Esse tônus espiritual parece presente de maneira ainda mais evidente em Ambiente Familiar, de Torquato Joel. Torquato é conhecidíssimo na Paraíba como docente e também como autor de curtas que marcaram época, como Passadouro e Transubstancial. Faz um cinema metafísico, de construção imagética bastante influenciada pela pintura e tendo como horizonte a poesia profunda de Augusto dos Anjos.

Existe portanto esse eixo da espiritualidade, marcante, mas não dominante. Sol Alegria, por exemplo, ocupa-se mais dos corpos que do espírito. Busca, na carnalidade, uma forma de transgressão e liberação, com cunho político e contestador.

Num ponto, os diretores são unânimes: "Manter essa diversidade é muito mais importante que encontrar pontos comuns em nossas obras", diz Eliézer.

Após o boom do cinema pernambucano, com o grupo Árido Movie e que teve seguimento em diretores como Kleber Mendonça Filho (de O Som ao Redor e Aquarius), depois do cinema mineiro com cineastas como André Novais, Affonso Uchôa e outros, depois do coletivo cearense Alumbramento, talvez tenha chegado a hora de o cinema paraibano despontar no panorama nacional. Por enquanto, há que se comemorar esse momento especial. Em seguida, será preciso estudá-lo, pois sua importância já extrapola as fronteiras do Estado da Paraíba.

Agência Estado

Papa publica mensagem para Dia Mundial da Paz

Celebração do dia 1º de janeiro tem como tema 'A boa política está ao serviço da paz'.
'Se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade', afirma o Papa.
'Se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade', afirma o Papa. (AFP)

"Paz para esta casa!" Com estes votos o Papa Francisco inicia o novo ano e abre a sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz, divulgada nesta terça-feira, 18, em vista da recorrência do próximo 1º de janeiro. São as palavras com as quais Jesus envia os apóstolos em missão e a casa da qual fala, é "toda família, comunidade, todo país, todo continente" e é também "a nossa casa comum", da qual Deus nos confia os cuidados.
O desafio da boa política
O coração da mensagem, datada de 8 de dezembro de 2018, é a estreita relação entre a paz e a política da qual Francisco descreve potencialidades e vícios na perspectiva presente e futura, colocando ambas em um  "desafio" diário, em um "grande projeto" fundado "na responsabilidade recíproca e na interdependência dos seres humanos".
A paz, como uma "flor frágil que tenta florescer no meio das pedras de violência" - escreve o Papa, citando o poeta Charles Peguy – se choca com "abusos" e "injustiças", "marginalização e destruição" que a política provoca, quando "não é vivida como um serviço à comunidade".
A boa política, por outro lado, é um "veículo fundamental para construir cidadania e obras" e, se "implementada no respeito fundamental da vida, liberdade e dignidade", pode se tornar uma "forma eminente de caridade".
Caridade e virtude por uma política a serviço da paz e dos direitos
E se a ação do homem é sustentada e inspirada pela caridade, recorda Francisco citando Caritas in Veritate de Bento XVI - "contribui para a edificação daquela cidade universal de Deus para a qual avança a história da família humana".
É um programa em que os políticos de todas as afiliações podem encontrar-se, contanto que operem para o bem da família humana, praticando virtudes que “sujeitam-se ao bom agir político”: justiça, equidade, respeito, sinceridade, honestidade, lealdade.
O bom político é - conforme descrito pelas bem-aventuranças do cardeal vietnamita François Xavier Nguyễn Vãn Thuận que o Papa retoma - quem tem a consciência de seu papel, quem é coerente, credível, capaz de ouvir, corajoso e comprometido com a unidade e a mudança radical. Disto a certeza expressa na Mensagem de que "a boa política está a serviço da paz".
Virtudes e vícios da política
Mas a política não é feita apenas de virtudes e de respeito pelos direitos humanos fundamentais. Francisco dedica um parágrafo de sua Mensagem aos "vícios" que "enfraquecem o ideal de uma autêntica democracia". São aquele que ele define "inépcia pessoal", "distorções no meio ambiente e nas instituições", sobretudo a corrupção e, em seguida, o não respeito das regras, a justificação do poder com a força, a xenofobia, o racismo: eles "tiram credibilidade aos sistemas", são “a vergonha da vida pública e colocam em perigo a paz social".
Política, jovens e confiança no outro
Mas há também outro aspecto vicioso da política que o Papa destaca e que tem a ver com o futuro e os jovens. Quando o exercício do poder político - escreve ele - visa apenas "salvaguardar os interesses de certos indivíduos", o futuro "fica comprometido e os jovens podem ser tentados pela desconfiança, por ser verem condenados a permanecer à margem".
Quando, por outro lado, a política é concretamente traduzida em encorajar jovens talentos e vocações que requerem a sua realização, a paz propaga-se nas consciências e “torna-se uma confiança dinâmica". Uma política está, portanto, a serviço da paz - afirma Francisco. - se reconhece os carismas de cada pessoa entendida como "uma promessa que pode liberar novas energias".
Necessidade de artesãos da paz
Mas o clima de confiança, é a consideração do Pontífice, não é "sempre fácil", em particular "nestes tempos". A esse respeito, Francisco recorda o "medo do outro" generalizado, os "fechamentos", "os nacionalismos" que marcam a política de hoje,  colocando em discussão a fraternidade de que nosso mundo globalizado tanto necessita. Disto a referência a "artesãos da paz" e autênticos "mensageiros" de Deus que animam nossas sociedades.
A este desejo se soma também, por parte do Papa, um apelo - cem anos após o fim da Primeira Guerra Mundial - de cessar com a "proliferação descontrolada de armas" e com a "escalada em termos de intimidação".
Recordam-nos a paz – diz o Pontífice-  especialmente as muitas crianças vítimas da guerra . “A paz não pode jamais reduzir-se ao mero equilíbrio das forças e do medo. Manter o outro sob ameaça significa reduzi-lo ao estado de objeto e negar a sua dignidade.
A política da paz inspirada no Magnificat
O afresco que emerge da Mensagem do Papa conclui-se no último parágrafo com ênfase na relação entre direitos e deveres, para reiterar que - como nos recorda o septuagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos - o "grande projeto político da paz" baseia-se na "responsabilidade recíproca e na interdependência dos seres humanos".
Isso nos desafia no compromisso diário e nos pede uma "conversão de coração e da alma". Para aqueles que querem se comprometer na "política da paz", o Papa sugere por fim o espírito do Magnificat que Maria canta em nome de todos os homens:  A «misericórdia [do Todo-Poderoso] estende-se de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes (...), lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre» (Lc 1, 50-55).

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