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21 de fevereiro de 2018

Candidata surda é aprovada em 1º lugar no Mestrado em Serviço Social da Uece

O Mestrado Acadêmico em Serviço Social, Trabalho e Questão Social (MASS) da Universidade Estadual do Ceará (Uece) prepara-se para receber sua primeira aluna surda. A candidata Mariana Marques da Hora foi aprovada em primeiro lugar no processo seletivo do semestre 2018.1.
Atualmente coordenado pela professora Liana Brito, o MASS foi criado em 2011 e já formou 43 mestres. "Praticamente 100% dos profissionais já estão inseridos no mercado de trabalho. A maioria, no ensino superior", ressalta a coordenadora. "Além desses temos os alunos matriculados, dentre os quais 15 estão em fase de conclusão", finaliza.
O vice-coordenador, Estenio Azevedo, fala sobre essa primeira experiência com uma candidata surda nos quase sete anos do curso. "Nesse processo inicial encontramos acolhimento institucional. O reitor Jackson Sampaio nos acolheu para pensar e discutir as questões, o Centro de Humanidades nos disponibilizou seu professor intérprete para acompanhar Mariana em todas as fases necessárias, além do apoio recebido do Centro de Ciências Sociais Aplicadas", disse o docente.
Assistente Social pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Mariana Hora conta sobre a dificuldade de participar de eventos relacionados à sua área de estudo e da satisfação em encontrar na Uece a oportunidade que faltava.
"Sempre que possível procuro participar de eventos relacionados com o Serviço Social, quando tem acessibilidade, o quê não é fácil (...). Agora, na Uece, além de ter direito ao intérprete de Libras nas aulas e nas demais atividades acadêmicas, pela primeira vez, terei um professor orientador que se comunica em Libras e também faz parte da comunidade surda, então, a expectativa é que seja uma experiência muito rica", comemora Mariana.
Seu orientador será o vice-coordenador do curso, Estenio Azevedo, que possui conhecimento básico da Língua Brasileira de Sinais (Libras), trabalhará com Mariana o tema de sua dissertação: "O Direito de Acesso à Justiça das Pessoas Surdas: Análise crítica da acessibilidade comunicacional e atitudinal no Poder Judiciário".
"Quero usar a experiência acadêmica para contribuir socialmente com a comunidade surda e, também, me aperfeiçoar profissionalmente, através das pesquisas e atividades a serem desenvolvidas e divulgadas, principalmente no que se refere ao acesso à Justiça pelas pessoas surdas", revela a recém-aprovada no MASS.
Estênio Azevedo fala ainda do desafio e da oportunidade que a experiência trará para o curso. "É um desafio, mas ao mesmo tempo algo que permitirá construir mais condições de acesso, acessibilidade e o rompimento das barreiras, sejam elas linguísticas, atitudinais e de comunicação, que precisem ainda ser superadas".
A Uece possui atualmente, pelo menos, mais dois alunos surdos em seus programas de pós-graduação. Eles fazem parte do Mestrado Acadêmico em Filosofia (CMAF) e do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada (PosLA), ambos vinculados ao Centro de Humanidades (CH).

UECE

"Um erro, uma barbárie, uma desumanidade", diz Vargas Llosa sobre a pena de morte

Autor peruano afirmou ser contra a medida por ela fechar para sempre a possibilidade de corrigir um erro
Ele afirmou ser contra o indulto ao ex-presidente Fujumori pela mesma razão | Foto: Jonathan Nackstrand / AFP / CP
Ele afirmou ser contra o indulto ao ex-presidente Fujumori pela mesma razão | Foto: Jonathan Nackstrand / AFP / CP

Um dos principais nomes da literatura latina, Mario Vargas Llosa manifestou em entrevista ao jornal El Comercio sua oposição à pena de morte, classificando tal medida como "um erro, uma barbárie, uma desumanidade que está contra as tendências mais modernas do Direito". "Um liberal jamais deve aceitá-la. Ela fecha para sempre a possibilidade de corrigir um erro, e a chance de cometer um erro está sempre presente, mesmo nos julgamentos mais claros e mais honestos", argumentou.
Recentemente, o caso de María Jimena, uma menina de 11 anos que foi estuprada e assassinada, reativou a discussão sobre o assunto no Peru. "Eu sou contra a pena de morte, acredito que não deve ser aplicada em nenhum caso. Tendo dito isso, estou convencido de que os criminosos devem cumprir suas sentenças. É a razão pela qual eu me opus totalmente ao indulto a Fujimori", disse o autor em relação ao fato do presidente Pedro Pablo Kuczynski ter concedido perdão humanitário ao ex-presidente Alberto Fujimori na véspera de Natal.
Na entrevista, o Nobel de Literatura em 2010 chamou o atual mandatário de mentiroso e traidor. "Se ele tivesse falado que perdoaria Fujimori, eu nunca teria corroborado sua nomeação como eu fiz. Ele é um mentiroso, sem qualquer dúvida, que tem decepcionado muitas pessoas. Entre elas, amigos como eu", acrescentou o escritor, um dos mais de 230 nomes que assinaram um manifesto contra o indulto em dezembro do ano passado. Ele também afirmou que apoiará a renúncia de Kuczynski se houver provas de que ele se beneficiou de favores com a empresa brasileira Odebrecht.
"Se for verdade que ele se beneficiou, enquanto presidente do Conselho de Ministros, porque ele fez favores a Odebrecht, sem dúvida, a pressão para que ele saia deve ser apoiada, em nome democracia, para punir um presidente. Aparentemente, não só ele seria um traidor de seus princípios e seus eleitores, mas também um corrupto, que, claro, merece uma sanção e, quanto mais cedo o Peru se livrar de um presidente assim, melhor", argumentou o escritor de títulos como "Conversa no Catedral", "A festa do chibo" e "A guerra do fim do mundo" .
O peruano de 81 anos ainda chamou atenção para a "menoridade" da democracia no país, reestabelecida em 2000, apontando uma "governabilidade incompleta" e que é importante unir forças para que ela seja mantida. "É uma democracia imperfeita, é claro, há presidentes presos ou perseguidos por má administração, mas o importante é preservar essa democracia tão deteriorada, uma deterioração para qual infelizmente Kuczynski contribuiu", analisou.
O Ministério Público peruano investiga pagamentos milionários para consultorias que a empreiteira brasileira fez para duas empresas relacionadas a Kuczynski, enquanto ele era ministro do então presidente Alejandro Toledo (2001-2006). Ele nega qualquer vínculo, mas a própria companhia refutou sua negativa. O pleno do Congresso do Peru rejeitou, em 21 de dezembro, o pedido de impeachment apresentado pela oposição sob a alegação de "permanente incapacidade moral" de Kuczynski pelos seus vínculos com a Odebrecht.

Correio do Povo

Ana Cristina de Moraes lança livro no CDMAC amanhã, 22

por Iracema Sales - Repórter
Transpor o pensamento estético, tendo como ponto de partida o uso das linguagens artísticas, para o campo da formação pedagógica. Essa é uma das propostas do livro "Educação estética na universidade: antropofagias e repertórios artístico-culturais de estudantes", da professora do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Ana Cristina de Moraes, cujo lançamento acontece nesta quinta (22), às 19h, no auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC).
A obra é fruto da tese de doutorado da autora, realizada entre os anos de 2012 e 2015, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e publicada em 2016. O lançamento contará com apresentação de vídeo sobre a pesquisa que originou a obra e leitura dramática de alguns textos.
Ana Cristina integra um grupo de estudo na UECE que trabalha com arte-educação, atuando no projeto de extensão em artes cênicas. As linguagens artísticas funcionam como ferramentas para a construção de propostas voltadas à formação de professores.
Com sensibilidade, a pesquisadora inova na maneira da escrita acadêmica, ao recorrer à literatura de cordel, construção de poemas e elaboração de diálogos no texto do trabalho, que tem como foco investir na formação estética de estudantes, professores e arte-educadores. A intenção é tornar o material mais literário, além de fazer alusão ao título, quando lança o desafio à antropofagia. Os versos em cordel e os recursos literários seguem o desafio proposto pelo livro, uma parceria entre a Editora da UECE (Ediuce) e a Editora CRV, de Curitiba.
A pesquisa investiga "como os estudantes percebem o processo de formação pedagógica por meio das artes", explica Ana Cristina, enfatizando a importância do aprimoramento da educação estética na Academia. Participaram do estudo 52 estudantes, sendo o maior número da Faculdade de Educação de Itapipoca (Facedi). "Trabalhei com grupos e professores que atuam em projetos de extensão com envolvimento e formação em arte", assinala.
Público
Uma das constatações do estudo é o valor dos projetos de extensão, considerados fundamentais no processo de formação estética de estudantes e professores. Os reflexos podem ser observados no público: os moradores de Itapipoca, município localizado na região Norte do Estado, distante 130 km da Capital. A cidade não conta com teatro e nem mesmo possui uma sala de cinema. Assim, as atividades propiciadas por alunos e professores do núcleo da UECE em Itapipoca, mediante os projetos de extensão, contribuem para que a população tenha acesso a algumas manifestações artísticas.
Ana Cristina cita a criação de grupos de teatro, de contação de história, cora (que inclui canto e percussão) - como a Banda de Lata - e atividades na linguagem do cinema. A formação de público está embutida na proposta que, ao mesmo tempo, possibilita a fruição artística.
A investigação da autora tem como fundamentação o estudo do currículo de cada um dos sete cursos presenciais de Pedagogia ministrados pela UECE no Estado. "Foquei em Itapipoca por trabalhar no município desde 2003", justifica. Os depoimentos dados pelos alunos, gravados e transformados em vídeo de nove minutos, demonstram a importância da formação estética para o ensino, sobretudo de arte-educação.
Convergência
A universidade funciona como um dos pontos de convergência para a formação, acesso e recepção de manifestações artístico-culturais. A autora cita o grupo de teatro Dona Zefinha e a companhia de dança Balé Baião. "Dentro da faculdade eles tiveram oportunidade de formação devido aos projetos de extensão. Muitos se transformam em multiplicadores e criam grupos de teatro de boneco e corais", assegura.
"O livro aponta, de modo poético e ao mesmo tempo acadêmico, reflexões sobre as concepções de educação e experiência estética e as contextualiza com base na percepção de estudantes de licenciatura de uma universidade pública estadual cearense. Além disso, apresenta um olhar sobre o contexto educativo-cultural do Ceará e perspectivas importantes para a efetivação de uma proposta de educação estética na formação de educadores", observa a pesquisadora, que demonstra ousadia ao inovar o texto acadêmico.
A obra é voltada a professores, mas o campo de interesse é extenso, abrangendo aqueles que se interessam pelo estudo das artes, já que propõe uma reflexão sobre o pensamento estético. A proposta da pesquisa que originou o livro é analisar "processos de educação estética e os acessos a saberes culturais variados, oferecidos pela universidade e que possibilitem tal educação".

Mais informações:
Lançamento do livro "Educação estética na universidade: antropofagias e repertórios artístico-culturais de estudantes", de Ana Cristina de Moraes. Nesta quinta (22), às 19h, no auditório do CDMAC (R. Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema). Contato: (85) 3488.8600. R$ 35 (preço no dia do evento)

Diário do Nordeste

Documentário mostra papel das mulheres no futebol de várzea paulistano

Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil
Resultado de imagem para Mulheres do Progresso: muito além da várzea
O papel das mulheres nos times de futebol amador na periferia de São Paulo é o tema do documentário Mulheres do Progresso: muito além da várzea. O curta-metragem estreia na noite desta quarta-feira (21) no Cine Olido, no centro da capital paulista. As quatro mulheres que têm suas histórias retratadas no filme estarão presentes para conversar com o público.
“Quando a gente fala de futebol, automaticamente já vem essa imagem masculina, A gente nunca imagina que o diretor do time é uma mulher”, destaca a diretora e roteirista Jamaica Santarém, ao comentar como o documentário mostra a importância das mulheres na organização dos times. O trabalho delas se estende, segundo a cineasta, também para fora do campo. “A gente percebeu que toda a atuação dessas mulheres vai além da várzea. A várzea é como se fosse um elo para que elas tenham uma atuação voltada a essa periferia. Todas têm jornada dupla, tripla, são mães. Todas têm uma atividade que executam dentro da comunidade”, acrescentou.
Um exemplo disso é Sindy Rodrigues, que não só é vice-presidente do Esporte Clube Explosão da Vila Joaniza, na zona sul paulistana, como faz parte do Conselho de Políticas para Mulheres da região. Acompanhando o pai desde o começo do time, Sindy, que hoje tem 27 anos, está envolvida desde criança com a várzea. “Eu sempre participei, desde pequenininha”, afirma Sindy, que é mãe de cinco filhos.
União das quebradas
Nos últimos seis anos, quando começou a exercer cargos na gestão do time, ajudou a expandir a atuação do Explosão. “Eu consegui, de certa forma, levar o nome do time para outras regiões. Antes, a gente só jogava aqui na região. Começamos a jogar na zona norte, na zona leste”, conta.
Segundo Jamaica, o esporte é mesmo uma forma de troca e união entre os moradores das zonas periféricas da capital paulista. “Esses jogos, esses festivais, esses campeonatos criam essa possibilidade de unir todas as quebradas. Você vê que todo mundo dos times se conhece, por mais que exista uma rivalidade dentro de campo”, ressalta a diretora do filme.
Os times são núcleos, de acordo com Jamaica, de afeto e solidariedade. “Cada time é uma família. Eles se ajudam. Se um tá com problema financeiro, eles juntam grana para ajudar o jogador. Se tem um jogador que precisa de atendimento médico e não tem condições, eles se ajudam”, exemplifica.
No Explosão, Sindy busca agora forças para apoiar as categorias de adolescentes. “A gente poder oferecer o lanche antes da partida, uma chuteira decente. Porque tem criança que nem tem chuteira, pega emprestado”, diz, ao comentare o tipo de estrutura que gostaria que o clube pudesse oferecer aos jovens.
Após a estreia no Cine Olido, com três exibições, o curta-metragem, que tem 14 minutos, será levado a quatro comunidades retratadas no trabalho. A produção é da Rede Doladodecá, com fomento do Programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI) da prefeitura de São Paulo.