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23 de março de 2018

Falar de si mesmo: a força da literatura autobiográfica

Quem escreve livros desse gênero está fazendo uma espécie de acerto de contas terrivelmente pessoal.

 
Falar de si mesmo: a força da literatura autobiográfica
Por Objetivo Sorocaba

É comum ficarmos aborrecidos com quem fala muito de si. Nessas oportunidades, somos testemunhas de um desfile de elogios que a pessoa faz a ela mesma. A sabedoria popular sempre condenou quem advoga em causa própria.
Mas tudo muda quando a pessoa que resolve se abrir escreve muito bem. O resultado dessas confissões: a prosa autobiográfica. Os melhores livros desse gênero costumam ser implacáveis. Quem os escreve está fazendo uma espécie de acerto de contas terrivelmente pessoal. Nesses casos, a crueldade anda de mãos dadas com o humor. Não deixam de ser exemplos de sabedoria: quem tem a capacidade de rir de si mesmo subiu alguns preciosos degraus rumo à sanidade mental.
Seguem alguns dos melhores exemplos da literatura autobiográfica:

“Sete anos bons”, de Etgar Keret

Relato dos sete anos em que o autor, um dos melhores de sua geração, viveu em Tel Aviv. Os defeitos de Keret são esquadrinhados sem dó. São páginas que conseguem ser, ao mesmo tempo, sarcásticas e comoventes.

“Febre de bola”, de Nick Hornby

A partir do seu fanatismo pelo futebol e pelo Arsenal, Hornby vai dos jogos mais marcantes aos dramas pessoais. Uma aula de como contar histórias com leveza.

Ciclo “Minha luta”, de Karl Ove Knausgard

Um dos grandes empreendimentos literários dos últimos anos. Ao longo dos seis volumes que formam o ciclo, Knausgard hipnotiza o leitor com páginas da mais sombria tristeza misturadas com páginas de um profundo amor pela vida. Knausgard mostra que uma pessoa pode amar a cultura pop sem necessariamente excluir as referências consideradas mais eruditas.

“King Kong e cervejas”, de Fabricio Corsaletti

Uma das principais vozes da literatura brasileira contemporânea faz um belo retrato da adolescência vivida no interior de São Paulo. O tom descontraído revela a segurança de quem tem muito a dizer.
Texto: Nelson Fonseca Neto, professor do Objetivo Sorocaba

Por G1

Com Maria Bethânia, documentário aborda a literatura e poesia africanas

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Maria Bethânia está no documentário Karingana. Foto: CineGroup/Divulgação
Maria Bethânia está no documentário Karingana. Foto: CineGroup/Divulgação
Após circular nos festivais de cinema do ano passado, o documentário Karingana – Licença para contar estreia nesta sexta-feira, às 21h35, no canal Curta!. O filme reúne depoimentos de personalidades como a cantora Maria Bethânia, o angolano José Eduardo Agualusa e os moçambicanos Mia Couto e Mingas, que falam sobre a palavra, a poética e a literatura de países africanos e de como há influência na língua portuguesa. Com filmagens em Moçambique e Angola, o longa-metragem tem direção da pernambucana Monica Monteiro, da CineGroup, também responsável por outras produções de televisão, como os programas Chegadas e partidas e Boas-vindas, ambos exibidos no GNT.

A produção é definida como um ensaio poético de Maria Bethânia, que apresenta trechos de obras que tenham semelhanças ou conexão com o português. Resistência à colonização, conexão com os idiomas nativos e tradições orais são alguns dos pontos explorados a partir da importância da escrita. Curiosidades são apresentadas por especialistas locais. A palavra "karingana" é semelhante ao nosso "era uma vez", utilizado para iniciar narrativas literárias.

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Na televisão, Maria Bethânia apresenta um programa sobre literatura e poesia no Arte1, intitulado Poesia e prosa, que já teve duas temporadas. No ano passado, a cantora baiana recitou poema de Ariano Suassuna, que completaria 90 anos em junho se estivesse vivo. A atração também é dirigida por Mônica Monteiro.

Fonte: Diário de Pernambuco

Prefeitura de Fortaleza abre inscrições para Academia Enem

A Prefeitura de Fortaleza, por meio da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Juventude de Fortaleza, inicia o processo de inscrição online para o Academia Enem 2018.
A plataforma ficará disponível para o recebimento de inscrições até o preenchimento das 8 mil vagas disponibilizadas, por meio do formulário eletrônico.
O curso é gratuito e tem o objetivo de orientar e preparar os estudantes para o ingresso no ensino superior por intermédio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Os alunos terão direito a uniforme do projeto, material didático, lanche e vale-transporte, para os dias de aula. Todo o material é gratuito. As aulas terão inicio nos dias 7 e 8 de abril.
Para realizar a matrícula, basta que o jovem esteja cursando ou tenha concluído o ensino médio. Na primeira etapa da inscrição o candidato preencherá o formulário online com informações relativas à escolaridade e práticas sociais.
Já a segunda etapa será a validação da matrícula presencialmente. O candidato deverá estar portando identidade, CPF, comprovante de residência e o código de validação, gerado ao final do preenchimento do formulário de inscrição.
Tribuna do Ceará

Box com seis discos de Belchior é lançado hoje (23)

por Roberta Souza - Repórter
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Foi na infância, enquanto ouvia por tabela os discos do pai, que o mineiro Renato Vieira teve contato com a obra de Antônio Carlos Belchior. A admiração pelo trabalho do cearense foi crescendo até ganhar profissionalização, no momento em que ele passou a atuar como jornalista e a fazer coberturas musicais. Quando chegava nas lojas de disco, achava curiosa a forma dispersa como a discografia de Bel era apresentada, e isso o levou a produzir nos últimos três anos uma coletânea - "Pequeno Mapa do Tempo" (2017) - e dois boxes - "Três Tons" (2016) e "Tudo Outra Vez" (2018), este último nas plataformas digitais e lojas físicas a partir de hoje (23).
"O que acontecia era que você tinha os discos no YouTube, mas às vezes com o som muito ruim. Eu perguntava aqui em São Paulo para os lojistas se o pessoal procurava Belchior, eles diziam que todo dia tinha alguém atrás", conta Renato. A primeira parceria veio então com a Universal Music, relançando por ocasião dos 70 anos do cearense, em 2016, um box com os discos "Alucinação" (1976), "Melodrama" (1987) e "Elogio da Loucura" (1988).
Em seguida, já depois da morte do cantor, recebida com pesar em 30 de abril de 2017, saiu uma coletânea com 14 faixas pela Warner Music, com destaque para a primeira versão de "A Palo Seco", lançada em compacto de 1973, e de uma gravação acústica de "Galos, Noites e "Quintais", introduzida por um trecho do Salmo 50 feita para álbum promocional de lançamento da Warner no Brasil.
A seleção também comportou regravações de "Apenas Um Rapaz Latino Americano" e "Como Nossos Pais" feitas para uma coletânea de 1981.
Em paralelo, o jornalista já trabalhava no box "Tudo outra vez", o mais recente lançamento, que reúne seis discos gravados por Belchior para os selos Chantecler, Warner e Elektra, entre 1974 e 1982: "Coração Selvagem" (1977), "Todos os Sentidos" (1978), "Belchior/Era uma vez um homem e o seu tempo" (1979), "Objeto Direto" (1980) e "Paraíso" (1982).
"Minha batalha sempre foi pelo relançamento dos discos originais. Agora vai ser muito mais fácil ouvi-lo em formato físico ou via streaming. Consegui colocar de novo na praça nove discos do Belchior", comemora ele.
Produção
As reedições, remasterizadas por Ricardo Garcia, estão repletas de faixas-bônus de compactos e projetos especiais. O maior destaque, no entanto, fica por conta de uma versão inédita da faixa "Como Se Fosse Pecado", que permaneceu arquivada por 40 anos.
Originalmente parte do disco "Coração Selvagem", a canção foi censurada, só estando disponível entre as faixas de "Todos os Sentidos", um ano depois. No entanto, durante a pesquisa, Renato descobriu uma gravação da música de 1977 e é ela que pode ser ouvida no novo box.
"'Coração selvagem' foi mixado em Los Angeles e eu encontrei um dos discos testes de prensagem que haviam sido enviados ao Brasil naquele período. O Ricardo Garcia fez um trabalho incrível, o som está muito bom", destaca o produtor musical do box "Tudo outra vez".
Além de Ricardo na remasterização, Renato contou ainda com o trabalho de Leandro Arrais na digitalização das capas e de João Antônio Franz para a transcrição das letras e da ficha técnica.
"Tenho visto muitas pessoas no Facebook reclamarem do preço (R$220 na pré-venda), mas a gente chamou o melhor remasterizador do Brasil para esse projeto. Tiramos esses discos da matriz original, o som está o melhor possível e tudo isso tem um custo", justifica. "Como a obra ficou muito tempo fora de catálogo, achei que ela devia renascer do jeito mais digno possível. Acho que é preferível fazer algo digno, sério, perfeito do ponto de vista de som e arte gráfica, por um preço elevado, do que um preço baixo, mas sem qualidade. Tô seguindo o que o fã do Belchior gostaria que fosse", pontua.
Análise
Pesquisadora da obra de Belchior há cerca de duas décadas, Josy Maria (USP) identifica dois pontos altos do trabalho de Renato Vieira. Primeiro, o relançamento de uma obra que permanece atual; segundo a organização de uma discografia sob um olhar crítico. "São canções que falam de assuntos que a gente tá vendo hoje, seja na política brasileira, nas relações de migração, ou nas relações entre pais e filhos", pontua.
"A segunda importância é de dar ao público um material que passa pelo viés de um profissional que trabalha com música. Infelizmente, ainda não temos hoje em dia essa organização na internet", observa.
Os textos produzidos por Renato para os encartes contêm informações que diferenciam o material: são críticas dos discos que saíram em jornais e revistas da época e ajudam a reconstituir um olhar sobre a obra do cearense.
"Coloquei o olhar de críticos muito ativos nos anos 70, como José Ramos Tinhorão e Sérgio Cabral. Esses discos que a gente adora ou foram muito amados ou muito criticados. O único disco com críticas unânimes (e negativas) foi o primeiro", conta.
"Paraíso, o último da caixa, foi absolutamente criticado. Ele nunca tinha saído em CD, e no tempo do vinil, seu som não era muito bom. Eu mesmo achava que era um disco menor, mas quando fui ouvir a remasterização, vi o quanto era super bem gravado. Sendo assim, esse projeto pode servir pra mudanças de opinião, como foi o meu caso", projeta.
Box

Tudo outra vez
Belchior


box
Warner Music
2018, 6 CD's
R$ 219,90
Disponível por streaming


Di[ario do Nordeste

Qual o rumo?

Gonzaga Mota*
Os sentimentos de humildade e amor, objetivando dias melhores, são fundamentais para a sociedade. Por outro lado, o ódio, a ganância, a inveja e a ambição, dentre outros, são comportamentos incompatíveis com uma existência saudável da humanidade.
A educação encontra-se na base de qualquer sociedade, nação ou comunidade. Por sua vez, quando falamos em educação, não pretendemos nos deter somente no aspecto relativo ao conhecimento tradicional.
Também à formação comportamental representativa do caráter, do modo de ser do indivíduo, do respeito aos outros, isto é, aquela educação que não se aprende apenas nos bancos escolares, porém, no dia a dia de uma sociedade.
Os bons exemplos e orientações oriundas dos pais, dos professores, dos amigos, dos patrões, dos governantes etc permitem a constituição de um agrupamento livre de truculência física ou mental.
A violência em todas as suas formas - como desemprego, a fome, o analfabetismo, a imprensa e o "marketing" tendenciosos, as más pessoas públicas, a discriminação - conduz qualquer sociedade a um clima de perplexidade, revolta e apatia, motivando mais violência.
Convém ressaltar o exemplo de São Francisco de Assis. Ele analisou de forma ecumênica a religião e o mundo observando os valores pessoais interiores. Deu ênfase ao diálogo, ao meio ambiente, à caridade, à justiça e à sabedoria. Como seria bom se nos dias de hoje, nós, os líderes, bem como as pessoas que decidem e formam opinião seguissem o pensamento de São Francisco. "É ilusão, é ilusão diz o Sábio. Tudo é ilusão" (Ec 1,2).
*Professor aposentado da UFC

Brasileira ganha prêmio internacional por pesquisa sobre zika e Chagas

Rafaela Ferreira, professora da Universidade Federal de Minas Gerais, ganhou prêmio da Unesco, que reconhece o trabalho de mulheres cientistas que mais se destacaram em 2017 (Foto: Divulgação)
A pesquisadora mineira Rafaela Ferreira, professora adjunta do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ganhou ontem, 21, em Paris, um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco), que reconhece o trabalho de mulheres cientistas que mais se destacaram no mundo em 2017.

Única representante da América Latina entre as 15 vencedoras do International Rising Talents (talentos internacionais em ascensão, numa tradução livre), Rafaela recebeu uma premiação de 15 mil euros para dar continuidade a uma pesquisa que busca desenvolver medicamentos para o tratamento do vírus da Zika e da doença de Chagas.

A cientista ganhou, no ano passado, a versão brasileira dessa premiação, o Para Mulheres na Ciência. Com esse reconhecimento, ela espera obter mais apoio e visibilidade para o desenvolvimento da pesquisa.

“De um ponto de vista mais prático, o problema que a gente tem é o alto investimento necessário para desenvolver um medicamento, e que vai ficando cada vez caro maior conforme o avanço do seu estágio do desenvolvimento”, explica. Conhecidas como doenças negligenciadas, o Chagas e a zika historicamente não atraem o interesse da indústria farmacêutica.

“O Chagas, por exemplo, foi descrito há mais de 100 anos [pelo cientista brasileiro Carlos Chagas] e até hoje a indústria simplesmente não investe muito nisso porque é uma doença que afeta países mais pobres. É muito importante ter um esforço de instituições públicas para que a gente possa avançar no desenvolvimento desses fármacos”, observa a pesquisadora.

Gravidade

Apesar de ter recebido, em 2006, o selo da Organização Mundial da Saúde que certifica o país como livre da transmissão do Chagas pela picada do mosquito barbeiro (Triatoma infestans), a doença continua circulando no Brasil por meio de outras formas de transmissão, especialmente a oral, que ocorre na ingestão de alimentos triturados com o mosquito.

Isso acontece com o caldo de cana-de-açúcar e açaí, por exemplo, que são triturados com o mosquito sem que as pessoas percebam. O barbeiro é o vetor do Chagas, ele transmite para o corpo humano o protozoário Trypanosoma cruzi, que causa a doença.

Mesmo com o controle da ocorrência de novos casos em território nacional, a magnitude da doença de Chagas no Brasil permanece relevante, segundo o Ministério da Saúde.
 
Agência Brasil 

José Padilha mostra 'mecanismo' da corrupção do Brasil em nova série do Netflix

Embora procuradores e juízes tenham conquistado fama internacional por seu combate à impunidade, a série de Padilha tem como foco o menos conhecido trabalho policial.
"O Mecanismo" começa uma década antes da operação Lava Jato. (Divulgação)

Por Caroline Stauffer
A operação Lava Jato, que tem derrubado parlamentares e empresários, atormentou dois presidentes e conquistado a atenção da mídia, estreia como uma série do Netflix nesta semana, muito antes do que qualquer previsão sobre como a investigação terminará na vida real.
Com "O Mecanismo", o diretor José Padilha, mais conhecido pela série "Narcos" e pelos filmes "Tropa de Elite", espera lembrar os espectadores de que a corrupção no Brasil não é culpa de nenhum político ou partido específico.
"O Brasil, e até a imprensa estrangeira, ficou preso em uma batalha ideológica que não tem muito a ver com o mundo real", disse Padilha, durante entrevista por telefone.
"Realmente existe um mecanismo que cria a estrutura lógica da política aqui", disse. "A série está tentando assumir uma posição que não é ideológica."
"O Mecanismo" começa uma década antes da operação Lava Jato, com policiais federais no sul do Brasil investigando um esquema de lavagem de dinheiro em 2003 e não conseguindo prender o principal suspeito.
Por fim, eles revelam um esquema de propina entre políticos, construtoras e a Petrobras na vida real, chamada de Petrobrasil na série.
Embora procuradores e juízes tenham conquistado fama internacional por seu combate à impunidade, a série de Padilha tem como foco o menos conhecido trabalho policial.
Padilha disse que uma das principais personagens, a agente policial Verena Cardoni, é baseada na agente Erika Marena, cujo trabalho levou a primeira prisão de um executivo da Petrobras.
Ela disse à Reuters em 2015 que a Lava Jato seria a maior investigação de lavagem de dinheiro do Brasil com consequências globais, o que se mostrou verdade.
"O Mecanismo", que estreia na sexta-feira, foi escrito pela roteirista Elena Soárez e baseado em um livro do jornalista Vladimir Netto.
Perguntado quantas temporadas estão planejadas para a série, Padilha disse: "Minha intenção é acabar isso quando a corrupção acabar, então vai durar bastante tempo, se depender de mim".

Reuters