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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

31 de agosto de 2017

UMA AMAZÔNIA PARA CHAMAR DE SUA

Grecianny Carvalho Cordeiro*

Todos os países sonham em ter uma Amazônia para chamar de sua, uma floresta tropical possuidora de um bioma invejável, com uma fauna e flora fabulosas, o pulmão do mundo capaz de salvar a humanidade do iminente caos.
            Só quem não pensa assim é o governo brasileiro.
            Quantos países já mandaram estudiosos, cientistas e exploradores para a Amazônia, em missões autorizadas ou ocultas?
            O governo federal, atolado em uma crise financeira sem precedentes, com origem na corrupção endêmica de longa data, em que os escândalos sobre má gestão e roubo descarado de administradores públicos pipocam na mídia, quebrando estados, deixando o povo brasileiro cada vez mais empobrecido, por último, resolveu colocar à venda parte da Amazônia.
            A Reserva Nacional do Cobre e seus Associados, conhecida por RENCA, uma área de 47 mil metros quadrados, localizada nos estados do Pará e Amapá, foi extinta por meio de um decreto.
            A übermodel Gisele Bündchen postou nas redes sociais sua indignação, declarando que o governo estava leiloando a Amazônia para atender aos interesses privados.
            O governo federal tentou se justificar, declarando que o RENCA não era o paraíso.
            Certamente.
            Se o RENCA não é o paraíso, com certeza, a inexistência de uma reserva protegida na região da Amazônia, completamente entregue aos interesses privados, aos empresários e exploradores amigos do poder, ávidos por ouro, será o inferno na terra. 
            Todo mundo sabe que a Amazônia é terra de ninguém, em que o tráfico de drogas e de armas corre frouxo; em que a extração ilegal de madeira e de minerais é feita de forma absurda, violando áreas de preservação e áreas indígenas, com ou sem o consentimento dos índios e moradores da região.
            Isso sempre aconteceu e sempre acontecerá porque envolve muito dinheiro e muita gente poderosa, entretanto, entregar oficialmente um dos maiores patrimônios do país ao particular, é algo absurdo.
            O governo federal voltou um pouco atrás e editou outro decreto, autorizando a exploração mineral em áreas que não sejam de conservação da natureza ou de demarcação indígena. A exploração da área será acompanhada por representantes de vários ministérios.
            O lobo cuidando do rebanho.
            Eis um governo perdido em sua própria incompetência e promiscuidade, em que a troca de favores, a compra e venda de interesses é a moeda de troca.
            Salvar o mandato do presidente teve um preço alto.
            E salvar a Amazônia não faz parte do plano.


*Promotora de Justiça

Conheça um dos maiores clássicos da literatura cristã de todos os tempos

Este livro contém uma das cenas mais arrepiantes que você lerá na vida

Os cristãos já nasceram sob uma perseguição implacável dos poderosos deste mundo – e continuam sofrendo perseguição implacável até o dia de hoje, apesar do silêncio cúmplice da grande mídia que evita abordar relatórios como o deste link, sobre os números que colocam o cristianismo como a religião mais perseguida do mundo inclusive na atualidade.
Um dos mais famosos e sangrentos períodos de terror humano para os seguidores de Cristo aconteceu sob o império de Nero, que reinou em Roma do ano 54 até 68 d.C.
Para evitar que São Pedro, o Papa, fosse executado pelos perseguidores imperiais daquele tempo, os cristãos da comunidade romana o aconselharam a sair da cidade. O primeiro Papa sentiu com força aquele dilema entre permanecer em Roma e resistir junto com a Igreja nascente ou fugir para a Galileia e pregar o Evangelho a partir de lá.
É nesse contexto que se desenrola a história de uma das mais extraordinárias obras da literatura cristã de todos os tempos: Quo Vadis, do autor polonês Henryk Sienkiewicz.
O título, em latim, significa “Aonde vais?” – e você já vai entender em que contexto aparece esta pergunta.
No relato, o grave contexto de perseguição faz com que Pedro resolva abandonar a Cidade Eterna. De manhã cedo, porém, quando vai atravessar a Porta Latina para sair de Roma, ele é atingido por uma luz intensa que vem na sua direção. Quando a luz se aproxima, ele reconhece Jesus, que vem caminhando com a cruz sobre os ombros.
Pedro cai de joelhos perante o Senhor, ergue-lhe os braços e pergunta em latim:
Quo vadis, Domine?” – ou seja, “Para onde vais, Senhor?”
Cristo responde:
“Já que abandonas o meu povo, eu vou a Roma para ser crucificado mais uma vez”.
Foi quando o Apóstolo entendeu com toda a clareza que, a exemplo de Cristo, ele também devia ficar em Roma e, se fosse preciso, encarar a morte – e morte de cruz.
Envergonhado por ter tentado poupar-se, mesmo que fosse com a justificativa de continuar pregando o Evangelho em segurança, Pedro voltou a Roma para junto da comunidade perseguida.
E a continuação da história todos nós conhecemos: São Pedro foi preso e sofreu o martírio por Cristo em torno ao ano 64 d.C., crucificado de cabeça para baixo na colina do Vaticano.
Caravaggio - Domínio Público

Aleteia

Ex-Trem da Alegria faz 40 anos de carreira e relembra baque ao deixar grupo

Gisele Alquas
Do UOL, em São Paulo
  • Reprodução/Facebook
    Luciano Nassyn tem 44 anos e atualmente é músico, produtor e terapeuta holístico
    Luciano Nassyn tem 44 anos e atualmente é músico, produtor e terapeuta holístico
Luciano Nassyn, 44, que alcançou fama na década de 1980 com o Trem da Alegria, comemora 40 anos de carreira. O cantor, que já trabalhava com publicidade e música desde os 4 anos, entrou no grupo aos 12 e passava mais tempo ao lado de Patrícia Marx, Juninho Bill, Vanessa e Amanda - que substituiu Patrícia - do que com a família. Amigos inseparáveis na época, Luciano relembra dos shows, das brigas com os integrantes e dos ciúmes que eles sentiam entre si.
"Tínhamos umas brigas homéricas, discutíamos muito, mas era legal, nos tornamos uma família. Até hoje a Patrícia é uma irmã. Eu e o Juninho tivemos divergências profissionais, nos afastamos, mas depois voltamos a nos falar, é uma pessoa que adoro. Com a Vanessa e Amanda falo pouco, mas nunca perdemos contato", afirma Luciano em entrevista ao UOL.
Ele conta que o grupo fazia mais de 20 shows por mês e que estudavam em aviões, ônibus e hotéis. Tanta convivência gerava ciúmes entre os integrantes, mas nada que abalasse a amizade. "Tínhamos muito ciúmes entre a gente. Se o Juninho ficava conversando com outros meninos, eu ficava muito bravo", diz.
Divulgação
Luciano Nassyn, ex-Trem da Alegria, faz show em homenagem aos 40 anos de carreira
Segundo Luciano, os pais deles é que se desentendiam entre si por vaidade. "Às vezes o que estraga o ser humano é o ego inflado. Com a gente não existia isso. Nossos pais se davam bem, mas era complicado por causa desse problema de um querer que o outro aparecesse mais", relembra.
O ex-astro mirim entrou para o Trem da Alegria depois de participar de um festival de música no SBT e foi lá que ele conheceu Juninho Bill, que cantou uma música de Luciano chamada "Incrível Huck". Depois, Luciano e Patrícia Marx participaram do programa "Clube da Criança", da extinta TV Manchete, com Xuxa e o palhaço Carequinha. Com o sucesso da atração, surgiu o Trem da Alegria. 
Luciano deixou o grupo, que lotava estádios de futebol, em 1989, aos 15 anos, e lançou carreira solo. A decisão não foi dele, mas da gravadora. O músico conta que foi bem difícil deixar o Trem da Alegria, mas que aprendeu a lidar com o afastamento.
"Eu já estava 'velho' para o grupo, era o mais alto da turma. Não estar mais com os meus amigos me deu um baque, não foi fácil. Eles queriam que eu fizesse dupla com a Vanessa, mas eu queria cantar rock. Três anos depois lancei meu disco solo, foi legal, mas não teve tanta divulgação. E foi bem na época em que o sertanejo estourou no Brasil, então o disco passou batido", lamenta.
O cantor ressalta que não se arrepende de nada que viveu. "Tudo era bom. Hoje tenho mais 500 músicas compostas que estou enviando para artistas. Estou produzindo videoclipes e novas músicas e vou lançar em breve", adianta ele, que realizou recentemente um show em homenagem aos seus 40 anos de carreira com repertório nostálgico.

Consultas como terapeuta holístico

Além de trabalhar com música, Luciano Nassyn passou a se dedicar profissionalmente à terapia holística e vibracional e oferece consultas espirituais pela internet e pessoalmente. Ele afirma que tem uma espiritualidade aflorada desde pequeno e que recentemente resolveu exercer de forma mais objetiva sua mediunidade.
"Teve uma época que olhava para as pessoas e não sabia se estavam vivas ou mortas. Comecei a sentir a espiritualidade mito forte. Passei por várias religiões e fui buscando terapia alternativas", explica o ex-astro mirim, que mantém um canal no Youtube sobre a terapia.
Reprodução
O grupo Trem da Alegria era formado por Juninho Bill, Vanessa, Luciano e Patrícia Marx

Acessório transforma iPhone em barbeador

Acessório japonês transforma iPhone em barbeador (Foto: Divulgação)
Smartphones têm uma série de acessórios inusitados, mas os japoneses podem ter inventado o mais inesperado. Um aparelho desenvolvido pela empresa Thanko transforma iPhones em barbeadores elétricos.
O acessório oferece uma lâmina rotatória e se conecta no aparelho da Apple através da porta Lightning (aquela usada para recarregar a bateria).
Vendido por 980 ienes (R$ 28), o barbeador está disponível apenas no Japão.

G1

"Fortaleza Impossível' é carta de amor aos anos 80

por Matheus Mans - Agência Estado
O escritor Jason Rekulak: "Tinha verões feitos só para mim, sem nenhuma supervisão. Queria passar esse sentimento para outras pessoas"
Década de 80. O mundo pop está em ebulição com a chegada dos videogames, a volta de John Lennon e as roupas coloridas. Sem falar das ombreiras. Nesse cenário, está um trio de amigos esquisitos que querem roubar uma edição da revista Playboy com Vanna White, estrela da TV e sensação entre adolescentes.
Essa é a premissa de "Fortaleza Impossível", livro de estreia do americano Jason Rekulak, que faz uma divertida homenagem à década de 1980. "Cresci nessa época e sentia uma liberdade maravilhosa que, com certeza, meus filhos não sentem hoje", afirma Rekulak, quando questionado pela reportagem sobre a inspiração para sua obra. "Tinha verões feitos só para mim, sem nenhuma supervisão. Podia andar de bicicleta em todos os lugares e não tinha problemas depois. Eu, definitivamente, queria passar esse sentimento para outras pessoas com o meu livro".
Rekulak admite que a obra faz parte da onda saudosista, que cresceu após o lançamento de "Stranger Things", série original da Netflix que deve ganhar uma segunda temporada neste ano. "Terminei meu romance seis meses antes de 'Stranger Things' ir ao ar, mas amei a forma como ela capturou a magia da infância. Definitivamente, estava tentando capturar um sentimento semelhante".
Videogames
"Fortaleza Impossível", porém, vai além das histórias de garotos de bicicleta ou das fotos de Vanna White. Espécie de primo espiritual do best-seller "Jogador Nº 1", o livro de Rekulak cria, no meio da trajetória do trio, um romance entre um dos garotos e a filha do homem responsável pela loja que vende as revistas. E não espere mais uma história água com açúcar, à la John Green. O que a move é a programação de jogos eletrônicos.
Com isso, muda completamente o objetivo de Billy, um dos garotos do trio. Ele não quer mais ver as fotos de Vanna White na Playboy. Quer criar um jogo eletrônico, em um sistema arcaico de 8 bits e para computadores, que seja um grande sucesso. Ao mesmo tempo, ele se apaixona - ainda que seus amigos estejam mais preocupados com a reputação na escola e rejeitem Mary, a garota de Billy.
Rekulak também lembra como começou a programar computadores. "Foi aos 14 anos, uma época que eu estava com medo de falar ao meu pai que queria ser escritor. Por isso, canalizei minha energia criativa para o design de jogos eletrônicos. Comecei a contar as minhas histórias em computadores", recorda.
No fim, valeu a pena Rekulak canalizar suas energias para a literatura: "Fortaleza Impossível" se destaca na onda de nostalgia que atinge a cultura pop, seduzindo pela leveza da trama.

Diário do Nordeste

Feira de vinil leva 20 expositores ao Mercado dos Pinhões neste sábado

Grupo de pessoas comprando vinis no Mercado dos Pinhões. Na frente, duas mulheres olham para um disco e estão sorrindo.
Os apaixonados por vinis poderão, neste sábado, 2, trocar materiais e experiências com outros amantes do bolachão. A Feira Afins de Vitrola acontece no Mercado dos Pinhões, a partir das 17 horas, com troca e venda de LPs, vitrolas, agulhas, borrachas e outros equipamentos. Para animar o event, o local vai receber o DJ Marcius Fish.
 
A feira acontece sempre no primeiro sábado de cada mês desde julho de 2015, reunindo lojistas, sebos e consumidores. Nesta semana, serão 2 expositores, entre eles, nomes como Adriano Colecionador, Bolacha Preta, Cavernal Discos, Edmar Pontes, Elmo Camisetas, Fish Vinil, Freelancer Discos.
 
Serviço 
Feira Afins de Vitrola 
Quando: sábado, 2, a partir das 17 horas  
Onde: Mercado dos Pinhões (Praça Visconde de Pelotas - Centro) 
Gratuito 
Redação O POVO Online

O Livro dos Mestres dá voz a 79 mestres da tradição popular cearense

Mestre Françuli. Artesanato em flandre Fotos Jarbas Oliveira/ Divulgação
Mestre Françuli. Artesanato em flandre Fotos Jarbas Oliveira/ Divulgação
Nomeado oficialmente por meio de um edital - no caso, o Tesouros Vivos da Cultura -, é na labuta diária que um mestre da cultura se faz e se legitima como tal. De Acopiara a Viçosa do Ceará, de norte a sul do Estado, são eles os detentores por excelência de uma cultura, transmitida, em sua grande parte, pela oralidade e que cada vez mais necessita ser lembrada e enaltecida. Dora Freitas (jornalista e produtora cultural) e Sílvia Furtado (historiadora) sentiram, assim, que era a hora de dar voz a eles.
“Começamos a pensar nesse projeto no final de 2012, formatamos e colocamos na Lei Rouanet para ser aprovado, ficamos um tempo captando recursos e, em 2015, começamos a viajar”, recorda Sílvia. Numa expedição que percorreu 36 cidades do Ceará, a dupla - juntamente com o fotógrafo Jarbas Oliveira - chegou a 79 nomes (23 deles já falecidos). Em destaque, ofícios dos mais variados: da arte em bilro à confecção de rede de travessa e cerâmicas. Xilogravura. Vaqueiros e aboiadores. Medicina popular. Mestres em benditos, dramas, reisados, bumba meu boi. Tocadores de rabeca. Artesanato em flandre. Tocador de sino. Penitente.
O resultado desse rico mapeamento pode ser visto no Livro dos Mestres - O Legado dos Mestres: Cultura e Tradição Popular no Ceará. A publicação, saída pela Fundação Waldemar Alcântara com o projeto gráfico da LaBarca.Design, terá seu lançamento hoje, 31, às 18h30min, na sede da própria instituição. Na ocasião, Mestre Aldenir (Crato) marcará presença, bem como Zé Pio com seu Boi Ceará e a Mestra Ana Norberto (Tianguá) e o grupo Drama em Cena. “Havia uma lacuna em termos de publicação desses mestres. Uma compilação com todos eles ainda não havia. Tivemos que retornar para alguns mestres mais de uma vez, mas foi um trabalho extremamente prazeroso”, confessou Dora Freitas.
Ao longo de 512 páginas, o livro mergulha na história de cada um deles com perfis sempre em primeira pessoa, acompanhados de pequenos relatos de viagem das organizadoras, que transportam o leitor a peculiaridades durante o processo de abordagem, entrevistas e a sessão de fotos propriamente dita. E cor, muita cor. “Quando começamos as visitas, não tínhamos ainda nada definido em relação às fotos. Mas o sertão é muito colorido. E mais do que as vestimentas, as casas desses mestres também são. Vimos que esse seria o caminho”, complementou Jarbas.
Livro dos Mestres terá seu desdobramento no formato DVD “com as falas deles e a inclusão dos grupos também. Até julho do ano que vem sairá”, adiantou Dora Freitas.
Serviço
Lançamento do Livro dos Mestres
Quando: hoje, 31, às 18h30min
Onde: sede da Fundação Waldemar Alcântara (rua Júlia Vasconcelos, 100 - Pio XII)
Preço do livro: R$ 100
Telefone: (85) 3257 6927
TERESA MONTEIRO

Parábola da indecisão

Você é do tipo que "fica em cima do muro"?

Havia um grande muro separando dois grandes grupos.
De um lado do muro estavam Deus, os anjos e os servos leais de Deus.
Do outro lado do muro estavam Satanás, seus demônios e todos os humanos que não servem a Deus.
E em cima do muro havia um jovem indeciso, que havia sido criado num lar cristão, mas que agora estava em dúvida se continuaria servindo a Deus ou se deveria aproveitar um pouco os prazeres do mundo.
O jovem indeciso observou que o grupo do lado de Deus chamava e gritava sem parar para ele:
– Ei, desce do muro agora… Vem pra cá!
Já o grupo de Satanás não gritava e nem dizia nada. Essa situação continuou por um tempo, até que o jovem indeciso resolveu perguntar a Satanás:
– O grupo do lado de Deus fica o tempo todo me chamando para descer e ficar do lado deles. Por que você e seu grupo não me chamam e nem dizem nada para me convencer a descer para o lado de vocês?
Grande foi a surpresa do jovem quando Satanás respondeu:
– É porque o muro é MEU.
* * *
Reflexão: Nunca se esqueça: Não existe meio termo. O muro já tem dono. Pense nisso.
* * *
(Enviada por Reginaldo, da Comunidade Alpha e Ômega. Via Totus Mariae)

Palácio das Artes apresenta o espetáculo 'Nuvens de Barro'

Coreografia criada de maneira colaborativa entre os bailarinos da CDPA é inspirada no universo poético de Manuel de Barros.
A coreografia foi criada de maneira colaborativa entre os bailarinos da Cia de Dança.
A coreografia foi criada de maneira colaborativa entre os bailarinos da Cia de Dança. (Divulgação)

Imaginação e poesia voltam aos palcos com o espetáculo Nuvens de Barro, trabalho da Cia. de Dança do Palácio das Artes que homenageia e se inspira na obra do poeta Manoel de Barros. Com direção coreográfica de Fernando Martins e direção cênica de Joaquim Elias e Fernando Martins, a montagem estreou em outubro do ano passado e recria a delicadeza, a simplicidade e o humor, sempre presentes nos versos de um dos maiores representantes do período pós-moderno da literatura brasileira.
As palavras do escritor “poesia não é para compreender, mas para incorporar” mergulham a apresentação em uma intimidade, já conhecida pela Cia., entre a poesia e a dança. O universo lírico de Manoel de Barros se reflete na inventiva e inventada coreografia, com movimentos que criam o híbrido e o mutável: uma dinâmica na qual coisas se humanizam e pessoas se coisificam.
Imersos neste realismo fantástico, os bailarinos voam fora da asa nos movimentos e interações, tanto entre si quanto com o próprio cenário. A poética está na imagem e no verbo, e contribui para o estabelecimento de uma relação afetiva com o público quando este percebe os elementos cênicos da apresentação. Como afirma Cristiano Reis, regente da Cia. de Dança, “a delicadeza do mundo criado por Manoel de Barros pode ser imaginada e compreendida por qualquer pessoa. ”
Fruto de dois meses de pesquisas, a coreografia foi criada de maneira colaborativa entre os bailarinos da Cia de Dança, que se debruçaram sobre a obra de Barros até encontrar um ponto que unisse a dança e a poesia e indicasse o caminho para o novo trabalho.
O nome da coreografia também é uma alusão às metáforas de Manoel de Barros. A ideia é unir dois elementos que já possuem um significado explícito e criar um terceiro, quase irreal ou inimaginável. A nuvem transmite a leveza, o lado delicado do trabalho. Já o barro é a parte mais pesada, mais palpável. “Quando estávamos pensando no nome da coreografia, esses dois elementos surgiram de uma forma muito nítida para nós. Então, decidimos uni-los, criando as ‘nuvens de barro’, um diálogo interessante com o realismo fantástico do Manoel”, explica Cristiano Reis.
Caminhos diferentes para a criação – Os convidados para conduzir a montagem de Nuvens de Barros compartilham de diferentes experiências no universo literário de Manoel de Barros. A escolha dos diretores, Joaquim Elias e Fernando Martins, surgiu por uma necessidade de trabalhar a nova coreografia a partir de um olhar mais amplo, unindo elementos da narrativa teatral e da dança. Joaquim Elias, que além da vivência no teatro possui grande intimidade com a obra do poeta, iniciou as atividades com a preparação corporal e cênica do grupo. Já Fernando Martins ficou responsável por desenvolver a vivacidade e fisicalidade dos bailarinos – no processo, aplicou no grupo uma técnica denominadaBrain Diving, que consiste em conectar corpo e mente e transformar essa conexão em movimento. O grupo passou, então, a pensar como dar fisicalidade e realismo aos elementos identificados anteriormente nas oficinas com Joaquim.
Figurino, cenografia, iluminação e trilha sonora – Outros componentes cênicos também refletem a interação entre corpos e objetos. O figurino, por exemplo, criado por Rai Bento e Renata Alice, traz fortes referências à simplicidade da vestimenta dos povos camponeses ao mesmo tempo em que reproduz a silhueta de peças mais urbanas, mas sem deixar claro o que define cada estilo. Tecidos delicados e transparências reproduzem a ideia de movimento e leveza. As cores das peças também evocam o ambiente natural de Manoel de Barros, com predominância de tons terra, ocre e com leves toques de verde musgo.
Já o cenário do espetáculo é construído a partir de um olhar mais voltado para texturas lembrando cascas de árvores e pedras. Enquanto a iluminação cênica remete tanto aos raios de sol quanto às sombras.
A trilha sonora mescla composições instrumentais, de autoria do músico Rodrigo Salvador, a trabalhos de outros artistas da música nacional, como Tom Zé, que foram selecionadas por Fernando Martins. A proposta de Rodrigo é criar um ambiente sonoro que combine o peso dos instrumentos de percussão, como o tambor, com a leveza da viola caipira, da kalimba e da rabeca, para dar a sensação de que algo pesado e, ao mesmo tempo, sutil, recai sobre os bailarinos no desenrolar da coreografia.
Cia de Dança Palácio das Artes – Corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado, é reconhecida como uma das mais importantes companhias do Brasil e é uma das referências na história da dança em Minas Gerais. Foi o primeiro grupo a ser institucionalizado, durante o governo de Israel Pinheiro, em 1971, com a incorporação dos integrantes do Ballet de Minas Gerais e da Escola de Dança, ambos dirigidos por Carlos Leite – que profissionalizou e projetou a Companhia nacionalmente. O Grupo desenvolve hoje um repertório próprio de dança contemporânea e se integra aos outros corpos artísticos da Fundação – Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral Lírico de Minas Gerais – em produções operísticas e espetáculos cênico-musicais realizados pela Instituição ou em parceria com artistas brasileiros. A Companhia tem a pesquisa, a investigação, a diversidade de intérpretes, a cocriação dos bailarinos e a transdisciplinaridade como pilares de sua produção artística. Seus espetáculos estimulam o pensamento crítico e reflexivo em torno das questões contemporâneas, caracterizando-se pelo diálogo entre a tradição e a inovação.
Cristiano Reis – Atual regente da Cia de Dança Palácio das Artes (CDPA), Cristiano Reis é natural de Uberlândia/MG e é integrante da Cia há 17 anos. É mestre e licenciado em Artes Cênicas pela Escola de Belas Artes da UFMG e gestor cultural pela Fundação Clóvis Salgado. Atua como coreógrafo, professor e preparador corporal de atores. Como bailarino da Cia de Dança Palácio das Artes recebeu os prêmios de Melhor bailarino, SESC/SATED-MG e SINPARC USIMINAS pelas coreografias Quimeras e Carne Agonizante, em 2008, e também prêmio de Revelação em Artes Cênicas SESC/SATED-MG pelo espetáculo Coreografia de Corde”, em 2005. Como coreógrafo, recebeu prêmios em festivais e concursos como o Festival de Joinville, Passo de Arte, FestSesi/Araxá, Dança Ribeirão, Festdança/São José dos Campos, São Leopoldo em Dança, entre outros. Destacam-se os prêmios de Melhor Coreógrafo do CBDD de Uberaba e Prêmio estímulo do Festival de Dança do Triângulo de Uberlândia, ambos em 2010. Em 2015, assumiu a direção artística da Cia de Dança Palácio das Artes.
Fernando Martins – Natural de Uberaba/MG, tem 28 anos dedicados à dança. Em sua trajetória estabeleceu importantes caminhos dentro de seu amadurecimento profissional e importantes parcerias artísticas como co-fundador da Randon Collison na Holanda, projeto que se dedica a subsidiar jovens coreógrafos em suas pesquisas e produções artísticas. Hoje se dedica ao aprofundamento de sua pesquisa de linguagem intitulada Brain Diving e a produção musical na área da dança contemporânea na criação de trilhas sonoras personalizadas. Integrou o Balé da Cidade de São Paulo, Galili Dance Company, Random Collison, Quasar Cia. de Dança, J.Gar.Cia Dança Contemporânea, e residências artísticas e: Escuela Profesional de Danza Contemporánea de Mazatlán | México (EPDCM), Escola de Dança São Paulo e Illinois University- USA. Coreografou trabalhos para o Balé da Cidade de São Paulo, Galili Dance, Random Collison, Ribeirão Preto Cia de Dança, Grupo Êxtase de Dança/ Viçosa/MG entre outros.
Joaquim Elias – Natural de Pimenta-MG. As Artes Cênicas e a Psicologia são suas áreas de atuação e pesquisa. Nas artes cênicas desde 1987, já atuou como bailarino, ator, diretor, preparador corporal e professor. Estudou com Philippe Gaulier (Paris 2002-2003), entre outros temas: Bufão, Clown, Tragédia Grega, Máscaras, Criação de Personagens e Direção. Psicólogo clínico com especialização em Gestalt-terapia pelo Instituto Gestalt de Vanguarda Cláudio Naranjo (MG) e em Biopsicologia pelo Instituto Visão Futuro (SP). Seus últimos trabalhos de direção foram: FRAGMENTOS D´UBU (com os participantes da oficina "No encalço dos bufões" - 2015), “Memórias em Tempos Líquidos” (com Eliseu Custódio e Jimena Castiglioni – 2013), “[gaveta]”, com Camila Morena da Luz, em 2013 e “Quintal” (Ciacasca – 2011).
Manoel de Barros – Manoel Wenceslau Leite de Barros foi um advogado, fazendeiro e poeta brasileiro. Nasceu em Cuiabá (MT) em 19 de dezembro de 1916. Passou a infância tendo uma profunda relação com a natureza ao seu redor, fosse sentindo a textura da terra com os pés; fosse correndo e brincando entre árvores e galhas, que futuramente, inspirariam e definiriam sua obra. Após passar a fase da educação básica em Campo Grande (MS), muda-se para a cidade do Rio de Janeiro. Apesar de se dedicar aos estudos, a mente inquieta do menino não para. Foi só quando conheceu os livros de Padre Antônio Vieira que passou a entender a literatura não como uma responsabilidade verídica, mas sim como uma arte em que a verossimilhança pode imperar. Escreveu seu primeiro poema aos 19 anos e, a partir daí, cria um estilo próprio. Expoente da geração de 45, Manoel de Barros criou um universo próprio, com construções literárias que não respeitavam as normas da língua padrão. Neologismos e sinestesias sempre estiveram presentes em seus poemas, características comumente comparadas a Guimarães Rosa. Viveu por alguns anos na Bolívia e no Peru. Em seguida, mudou-se para Nova York (EUA), onde morou por um ano. Na Capital do Mundo, estudou cinema e pintura. Quando retorna ao Brasil, conhece Stella, sua futura esposa, com quem teve três filhos: Pedro, João e Marta. Dentre os inúmeros prêmios literários que recebeu ao longo da vida, destacam-se o Prêmio Orlando Dantas (1960), Prêmio Nacional de poesias (1966). Prêmio Jabuti de Literatura (1989), Prêmio Alfonso Guimarães da Biblioteca Nacional (1996) Prêmio Academia Brasileira de Letras (2000) e Prêmio APCA 2004 de melhor poesia (2005). Faleceu no dia 13 de novembro de 2014, aos 97 anos de idade. 

Fundação Clóvis Salgado

A peregrinação à Meca na era do smartphone

Os telefones participam, inclusive, dos preparativos para a oração, como se pode ver em um shopping center em que os fiéis interrompem as compras e estendem tapetes para rezar.
Peregrino muçulmano tira selfie na Grande Mesquita, em Meca.
Peregrino muçulmano tira selfie na Grande Mesquita, em Meca. (AFP)

À direita, torres e restaurantes; à esquerda, a esplanada da Grande Mesquita de Meca, resplandecente sob o sol. Com o braço estendido, Abdurahmán grava e mostra ao vivo a peregrinação a seu filho, que ficou na Tanzânia.
Nabil, de 18 anos, está a milhares de quilômetros do pai, em outro continente, mas esta manhã participa, de alguma forma, deste momento único na vida dos muçulmanos: a grande peregrinação à Meca, na Arábia Saudita.
Graças ao Imo, um aplicativo que permite realizar ligações por vídeo, o jovem segue com detalhes a jornada do seu pai, Abdurahmán, um dos 1,73 milhão de peregrinos estrangeiros esperados pelos sauditas.
"Espero um dia fazer a peregrinação", afirma Nabil através deste aplicativo a um jornalista da AFP na Meca.
"Quando entrei no Haram (os arredores da Grande Mesquita), quis mostrar a Nabil como era e até que ponto somos felizes e afortunados", conta Abdurahmán com um sorriso.
Tarifa de internet
Conscientes de que a peregrinação à Meca não escapa ao fascínio pela imagem e à paixão pela transmissão instantânea, as agências encarregadas de organizar as viagens dos peregrinos ao exterior propõem pacotes que incluem uma tarifa de internet móvel, para evitar que os fiéis gastem uma fortuna com 'roaming'.
Por isso, a qualquer hora e em qualquer lugar, se vê um ou outro peregrino gravando com seu telefone para mostrar o seu entorno à família ou amigos.
Os telefones participam, inclusive, dos preparativos para a oração, como se pode ver em um shopping center em que os fiéis interrompem as compras e estendem tapetes para rezar.
Enquanto espera a chamada para a oração, um peregrino olha em seu telefone várias fotografias que acaba de tirar, e para em uma 'selfie'. Não sabe se aplica um filtro para deixá-la em preto e branco ou se prefere lhe dar um estilo vintage.
Um pouco mais tarde, a alguns passos de uma rede de cafeterias americana, o malásio Mohamed revisa suas fotografias.
"Desde que cheguei, tirei muitas fotos e as publiquei no Instagram. O Facebook te lembra todos os anos do que você fez nos anos anteriores. De volta ao meu país, estas imagens vão reaparecer e será uma lembrança", conta Mohamed, jornalista de 26 anos.
Ele aguarda os comentários dos seus amigos. "Já viram as imagens pela televisão, e com as minhas fotos veem (a Meca) de outro modo", afirma.
"Tenho que tirar fotos para lembrar disso. Nunca imaginei que viria aqui, ainda sou jovem, muitos muçulmanos querem vir mas não têm oportunidade", declara Mohamed, emocionado.
Abdurahmán, Mohamed e outros peregrinos também são filmados. Mais de 17.000 câmeras de vigilância foram instaladas em diferente locais da peregrinação, segundo um responsável da defesa civil. As imagens vão para o Centro de Comando e Controle da Meca.
Ao anoitecer, Mohamed e Abdelaziz Zahran, dois primos de 19 e 20 anos, respectivamente, vão à esplanada da Grande Mesquita.
"Aqui há pessoas de todas as nacionalidades, (...) às vezes tentamos falar com elas", declara Abdelaziz. E, naturalmente, ambos imortalizam o momento.

AFP