"Fortaleza Impossível' é carta de amor aos anos 80

por Matheus Mans - Agência Estado
O escritor Jason Rekulak: "Tinha verões feitos só para mim, sem nenhuma supervisão. Queria passar esse sentimento para outras pessoas"
Década de 80. O mundo pop está em ebulição com a chegada dos videogames, a volta de John Lennon e as roupas coloridas. Sem falar das ombreiras. Nesse cenário, está um trio de amigos esquisitos que querem roubar uma edição da revista Playboy com Vanna White, estrela da TV e sensação entre adolescentes.
Essa é a premissa de "Fortaleza Impossível", livro de estreia do americano Jason Rekulak, que faz uma divertida homenagem à década de 1980. "Cresci nessa época e sentia uma liberdade maravilhosa que, com certeza, meus filhos não sentem hoje", afirma Rekulak, quando questionado pela reportagem sobre a inspiração para sua obra. "Tinha verões feitos só para mim, sem nenhuma supervisão. Podia andar de bicicleta em todos os lugares e não tinha problemas depois. Eu, definitivamente, queria passar esse sentimento para outras pessoas com o meu livro".
Rekulak admite que a obra faz parte da onda saudosista, que cresceu após o lançamento de "Stranger Things", série original da Netflix que deve ganhar uma segunda temporada neste ano. "Terminei meu romance seis meses antes de 'Stranger Things' ir ao ar, mas amei a forma como ela capturou a magia da infância. Definitivamente, estava tentando capturar um sentimento semelhante".
Videogames
"Fortaleza Impossível", porém, vai além das histórias de garotos de bicicleta ou das fotos de Vanna White. Espécie de primo espiritual do best-seller "Jogador Nº 1", o livro de Rekulak cria, no meio da trajetória do trio, um romance entre um dos garotos e a filha do homem responsável pela loja que vende as revistas. E não espere mais uma história água com açúcar, à la John Green. O que a move é a programação de jogos eletrônicos.
Com isso, muda completamente o objetivo de Billy, um dos garotos do trio. Ele não quer mais ver as fotos de Vanna White na Playboy. Quer criar um jogo eletrônico, em um sistema arcaico de 8 bits e para computadores, que seja um grande sucesso. Ao mesmo tempo, ele se apaixona - ainda que seus amigos estejam mais preocupados com a reputação na escola e rejeitem Mary, a garota de Billy.
Rekulak também lembra como começou a programar computadores. "Foi aos 14 anos, uma época que eu estava com medo de falar ao meu pai que queria ser escritor. Por isso, canalizei minha energia criativa para o design de jogos eletrônicos. Comecei a contar as minhas histórias em computadores", recorda.
No fim, valeu a pena Rekulak canalizar suas energias para a literatura: "Fortaleza Impossível" se destaca na onda de nostalgia que atinge a cultura pop, seduzindo pela leveza da trama.

Diário do Nordeste

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