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Choram porque amam

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29 de junho de 2016

Lote Com 22 Livros Católicos (diversos Autores E Títulos)

CRACÓVIA: PAPA FRANCISCO VISITARÁ DE SURPRESA AS IRMÃS DA APRESENTAÇÃO

O convento das religiosas, fundado pela beata Sofia Czeska, está inserido nos itinerários espirituais dos jovens que irão à JMJ de Julho
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Suore Della Presentazione
Segundo o programa oficial da visita do Papa à Polônia no dia 28 de Julho, quinta-feira, visitará a comunidade das Irmãs da Apresentação.
“Trata-se de uma visita privada. O Santo Padre rezará com as irmãs e encontrará os estudantes das escolas que elas gerenciam”, explicou mons. Damian Muskus, coordenador geral do Comitê organizador da JMJ 2106 na ocasião da apresentação da visita de Francisco à Polônia.
Sofia Czeska, fundadora das Irmãs da Apresentação foi beatificada no dia 9 de junho de 2013, em Cracóvia.
O motivo da visita do Pontífice é em sinal de reconhecimento pelo trabalho que desenvolvem no Vaticano e também em homenagem à beata, verdadeira apóstola da misericórdia. Zenit

MOSTRA-NOS O PAI E ISSO NOS BASTA

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Gosto de pensar que nossos olhos não mentem.
Talvez um dos ensinamentos da encarnação seja, justamente, esse convite à fuga dos estereótipos.
Talvez um dos ensinamentos da encarnação seja, justamente, esse convite à fuga dos estereótipos.

Por Fabrício Veliq*

“Disse Felipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta. Respondeu-lhe Jesus: há tanto tempo estou convosco, e ainda não me conheces, Felipe? Quem me viu a mim, viu o Pai; como dizes tu: mostra-nos o Pai? Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é quem faz as suas obras. Crede-me que eu estou no Pai e que o Pai está em mim. Crede, pelo menos, por causa das mesmas obras”. João 14: 8-11.

À primeira vista, a resposta de Jesus me chama muita atenção nesse texto. Imagino a feição de Jesus ao responder a Felipe, algo como: Poxa vida, Felipe, você está comigo já há quase três anos e ainda não entendeu o que venho falando com você constantemente? Como assim, mostra-nos o Pai? Poxa vida, Felipe!

Porém, antes de sair tacando pedras no Felipe, pensemos sobre o contexto em que ele vivia. Felipe era um judeu e, como judeu, tinha uma visão bem estabelecida para si de como seria o Pai. Havia sido criado tendo o Pai como o Senhor onipotente, o criador dos céus e da Terra, aquele que fala e os montes estremecem; estava dentro de uma cultura que não esperava que Deus se fizesse humano, um Deus que tinha muito clara a separação entre puro e impuro, que não se misturava com os pecadores, etc. Dessa forma, nada de estranho pedir a Jesus para mostrar o Pai, aquele que Jesus tanto pregava sobre Ele e que todos os judeus conheciam seus feitos maravilhosos desde o Egito. O pedido era normal. Era até digno de exaltação, uma vez que ver o Pai já bastava e nada mais era necessário. Podemos supor que Felipe já tinha em sua cabeça como seria o Pai, como falaria, de que forma se dirigiria a Israel e o salvaria do poderio romano da época, o que, com certeza, na cabeça de todo judeu, seria de uma forma totalmente diferente daquela que aparecia em Jesus.

Penso que, muitas vezes, somos assim também e, se formos atirar pedras no Felipe, comecemos tacando em nós mesmos. Quantas vezes temos nossa visão pré-estabelecida a respeito de Deus, a respeito dos outros, a respeito das situações? Quantas vezes, assim como Felipe, criamos esse pré-conceito de como seria Deus, levando-nos a considerar que só pode ser Deus agindo se for da forma que estamos acostumados a ver e ouvi-lo de acordo com o que fomos ensinados, nos tornando cegos e surdos ante os diversos sinais que chegam até nós da parte Dele?

A resposta de Jesus nos remete a um novo ponto. “Não crês que estou no Pai, e que o Pai está em mim? (...) Crede-me que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras”. A resposta de Jesus nos convida a um ponto mais profundo de conhecimento de Deus. Ao propor que Felipe cresse por causa das mesmas obras, Jesus pressupõe que é necessário que Felipe conhecesse as obras de Deus. Mas, não conhecia Felipe as obras de Deus como colocamos mais acima, visto ser um judeu e ter ouvido desde pequeno as narrativas da ação de Deus em favor de seu povo? Como, então, Felipe não conseguia enxergar as mesmas obras em Jesus?

Aí talvez esteja o ponto mais crucial que a narrativa nos leva a pensar: a distância entre o saber e o enxergar. É muito comum sabermos que Deus é amor, que Deus salva, liberta e transforma. Sabemos disso e, como cristãos, não temos a menor dúvida que Deus faz todas essas coisas, contudo enxergar que essa salvação divina pode vir de diversas maneiras e que a libertação de Deus pode ser, diversas vezes, da forma que não estamos acostumados exige de nós outro tipo de atitude, ou seja, uma atitude de humildade frente à ação de Deus no mundo em favor da humanidade e da criação.

Estaria Felipe preso em seus pré-conceitos, preso às formas, aos estereótipos da ação de Deus e talvez por isso houvesse nele a dificuldade de ver Deus em Jesus? Aquilo que Felipe tanto almejava ver a ponto de dizer que “isso somente nos basta” estava ao seu lado, conversando com ele sem ele perceber. Não estaríamos nós, muitas vezes, na mesma situação? Querendo tanto alguma coisa a ponto de não perceber que ela está diante de nossos olhos, necessitando somente que deixemos os estereótipos e pré-conceitos de lado e abramos nossos olhos para enxergar?

A outra parte da resposta de Jesus foi: “crede, ao menos, por causa das mesmas obras”.

Gosto de pensar que nossos olhos não mentem. Aquilo que é visto por nós, por mais que queiramos negar, não tem como falarmos que não vimos.  Assim, são excelentes indicadores para os humanos. O comportamento, quando visto, é revelador da alma ou, como diria Lao-Tsé: “a alma não tem segredos que o comportamento não revele”. Jesus, em sua fala, convida Felipe a atentar para as mesmas obras feitas por ele e, a partir da conclusão de que as obras de Jesus eram as mesmas obras do Pai, mesmo da forma que Felipe não esperava, percebesse que já estava diante do Pai, tornando seu pedido sem sentido nenhum. Muitas vezes, ao termos um olhar atento percebemos que algumas perguntas e questões, simplesmente, perdem seu sentido, visto a profundidade da questão se revelar diante de nossos olhos.

Essa narrativa se mostra como um excelente convite de Jesus. Um convite ao olhar atento, ao fugir dos estereótipos que criamos para nós e nos quais fomos criados, enfim, um convite à percepção do essencial naquilo que se mostra.

Talvez um dos ensinamentos da encarnação seja, justamente, esse convite à fuga dos estereótipos que marcam tanto a vida humana na sociedade, uma vez que essa encarnação revela um amor tão grande que se faz pequeno igual àquele a quem se ama, obtém tudo através da entrega incondicional, e salva através daquilo que era o fim de todo que não tinha salvação nenhuma.

Tudo diferente daquilo que se esperava que fosse. E por isso mesmo, belo, mistério e divino.

*Fabrício Veliq é mestre e doutorando em teologia pela Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte (FAJE), formado em matemática e graduando em filosofia pela UFMG.Atualmente ministra cursos de teologia no curso de Teologia para Leigos do Colégio Santo Antônio, ligado à ordem Franciscana. É protestante e ama falar sobre teologia em suas diversas conversas por aí.

A COMPAIXÃO DO PASTOR EM SÃO GREGÓRIO MAGNO

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Sendo pastores do povo de Deus necessitamos também vivermos a graça da compaixão.
O esforço do Monge e Papa Gregório é para que a sua vida seja um instrumento da graça de Deus.
O esforço do Monge e Papa Gregório é para que a sua vida seja um instrumento da graça de Deus.

Por Dom Vital Corbellini*

Introdução

Estamos no ano da misericórdia como tempo de graça e de missão na nossa vida de seguidores e missionários de Jesus Cristo. Sendo pastores do povo de Deus necessitamos também nós vivermos a graça da compaixão para assim ter compaixão com os outros a exemplo de Jesus Cristo para com o seu povo. Vamos ver esses dados em São Gregório Magno, Monge e Papa que governou a Igreja de 590-604 em um de seus escritos, a Regra Pastoral. O Papa se preocupou muito com a atuação dos pastores para que fossem próximos do povo sem deixar de serem próximos de Deus. 

1. O valor da compaixão

Gregório fala da importância da compaixão do Pastor para com o seu povo a exemplo de Jesus de Nazaré. "Ele tenha uma atenção plena de compaixão para com cada pessoa". Essa atitude dá o diferencial de outras lideranças na sociedade. Ele não deixa de mencionar a importância da contemplação que o faz desapegar-se da terra mais que os outros. Aqui entra a bondade do pastor pois ele carregará a enfermidade dos outros. Pela altura da sua contemplação, se elevará acima de si mesmo sempre aspirando aos bens espirituais. O esforço dele é para que a sua vida seja um instrumento da graça de Deus. 

O Papa Gregório faz um jogo de palavras importantes para que em tudo haja o equilíbrio entre contemplação e ação evangelizadora: "Que, elevando-se, se cuide de não ser atento às misérias do próximo e, fazendo-se totalmente próximo das misérias do outro, se cuide de não abandonar as altas aspirações". Nós vemos na atualidade, a importância da contemplação e da ação na vida do pastor de almas. 

2. Seguindo Paulo

Gregório segue Paulo que viveu a Palavra de Deus e ação no mundo. "Introduzido nos segredos do céu não deixou de contemplar o quarto dos pobres seres de carne; o mesmo olhar do coração, elevado ao alto e que fixa o olhar sobre as realidades invisíveis, ele o abaixa, cheio de compaixão, na direção dos segredos das fraquezas humanas". Vemos a vida do pastor não separada de seu povo e ao mesmo tempo a necessidade de viver a dimensão espiritual, da oração, da eucaristia e da palavra de Deus. Sua contemplação ultrapassa o céu, e sua solicitude não se desinteressa do leito dos esposos; unido pelo laço da caridade ao que está no alto e ao que está embaixo, ele é, em si mesmo, arrebatado com poder pela força do Espírito, e nos outros, pela compaixão, experimenta a fragilidade.

3. Jacó, a escada

Gregório colocou em suas considerações o exemplo de Jacó que viu no alto uma escada para o Senhor e embaixo uma pedra unta de óleo e anjos que subiam e desciam (Cf. Gn 28,11-18). Os pregadores disse Gregório, se elevam ao alto pela contemplação para Aquele que é a cabeça santa da Igreja, isto é, o Senhor Jesus Cristo, e pela miséria que os anima descem também até os membros que estão embaixo. 

4. Moisés, a tenda e a sua ação

Moisés foi o homem que entrava na tenda e saia. Ele era arrebatado pela contemplação e quando estava fora, era pressionado pelas necessidades das pessoas que sofriam mais que ele. Dentro, meditava os segredos de Deus; fora carregava o fardo das pessoas pobres e necessitadas. Nas suas dúvidas, retornava sempre à tenda e diante da Arca da Aliança consultava o Senhor. Dessa forma, os pastores são convidados a consultar o Senhor na Tenda, pela oração, diante do sacrário, nas páginas do livro sagrado em vista de solução das suas dúvidas, correspondendo dessa forma, ao povo de Deus a ele confiado. 

5. Seguindo Jesus

Gregório tem presente Jesus, o Pastor da compaixão. Ele ao assumir a nossa humanidade se revelou o enviado do Pai. Ao se imergir na oração sobre o monte e nas cidades exerceu a sua atividade prodigiosa, sendo o Homem da compaixão. Assim Jesus torna-se o exemplo para os pastores que se pela contemplação saboreiam já os bens eternos, devem, pela compaixão se ocuparem das necessidades dos fracos. Na verdade lança-se a caridade para as alturas no momento em que se deixa atrair para baixo, para as misérias do próximo, de modo que essa descida junto às fraquezas, retome com força seu impulso para as alturas como Senhor Jesus.

O Senhor nos dê um coração cheio de compaixão para viver a Palavra de Deus junto às pessoas mais necessitadas que nós. Vivamos a unidade ligados à eucaristia, pela contemplação e pela ação evangelizadora. 


CNBB, 14-06-2016.

*Dom Vital Corbellini: Bispo de Marabá (PA).

BEJA: PRÉMIO INTERNACIONAL «TERRAS SEM SOMBRA» DISTINGUE ARQUEÓLOGO SÍRIO ASSASSINADO EM PALMIRA

Agência Ecclesia 29 de Junho de 2016, às 12:30
        
Iniciativa conta com a presença de Jorge Sampaio e do ministro da Cultura

Beja, 29 jun 2016 (Ecclesia) – O Festival ‘Terras sem Sombra’ (FTSS) vai distinguir este ano o o arqueólogo sírio Khaled al-Asaad, assassinado em Palmira às mãos do autoproclamado Estado Islâmico, em 2015.

Num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, o Departamento do Património Histórico e Artístico (DPHA) da Diocese de Beja, que promove o festival, informa que a cerimónia de entregue dos prémios se realiza sob a presidência do ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, este sábado, no Auditório do Centro das Artes em Sines, a partir das 18h30.

Khaled al-Asaad, que nasceu e morreu na cidade de Palmira, vai ser distinguido na categoria de ‘Património Cultural’.

A laudatio ao antigo diretor do Departamento de Arqueologia de Palmira vai ser pronunciada pelo ex-presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, e o galardão vai ser recebido por dois jovens sírios, que estudam arqueologia nas universidades de Lisboa e Coimbra.

O Prémio Internacional ‘Terras sem Sombra’ 2016 vai distinguir na categoria de ‘Música e Musicologia’ o diretor do Festival de Lucerna (Suíça), Michael Haefliger, apresentado como “o mais importante do mundo”.

O diretor do DPHA José António Falcão destaca que o músico e programador alemão constitui “uma referência para a difusão da música erudita”.

O elogio do homenageado vai ser da responsabilidade do diretor artístico do FTSS, Juan Ángel Vela del Campo.

Já a Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal vai receber o prémio dedicado à ‘Salvaguarda da Biodiversidade’.

José António Falcão, também diretor-geral do FTSS, assinala o “exemplo de intervenção da sociedade civil na defesa da biodiversidade”.

O elogio à associação, que surgiu em 1996 com o objetivo de mobilizar voluntários para trabalhos de reflorestação, vai ser feito pelo professor catedrático de História e Filosofia, Viriato Soromenho Marques.

A sessão de entrega do Prémio Internacional ‘Terras sem Sombra’ termina com um recital da soprano Ana Cosme, do Coro do Teatro Nacional de S. Carlos, e do pianista Nuno Lopes, no este sábado, no Auditório do Centro das Artes em Sines.

O galardão consta de um diploma e de uma obra de arte encomendada a um artista contemporâneo e foi instituído em 2011 para homenagear uma personalidade ou instituição que se tenham destacado, “a nível global”, nos três pilares que norteiam o festival do Baixo Alentejo: “Promoção da Música, valorização do Património Cultural e a salvaguarda da Biodiversidade.”

A 12.ª edição do FTSS realizou-se com tema «Torna-Viagem: o Brasil, a África e a Europa (Da Idade Média ao Século XX)» e começou a 27 de fevereiro em Almodôvar, tendo percorrido mais sete municípios - Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Castro Verde e Beja.

CB/OC

TURQUIA: PAPA CONDENA ATENTADO «HEDIONDO» EM ISTAMBUL


Agência Ecclesia 29 de Junho de 2016, às 11:11       

Francisco convidou a um momento de oração em silêncio pelas vítimas
(Lusa)
Cidade do Vaticano, 29 jun 2016 (Ecclesia) - O Papa Francisco condenou hoje o atentado no aeroporto de Istambul, que fez pelo menos 36 mortos, e expressou a solidariedade da Igreja Católica à população turca.

“Na noite passada [terça-feira], em Istambul, foi levado a cabo um hediondo ataque terrorista, que matou e feriu muitas pessoas. Rezamos pelas vítimas, as suas famílias e o querido povo turco”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a oração do ângelus na solenidade de São Pedro e São Paulo, dia feriado no Vaticano.

A intervenção conclui-se com uma oração: “Que o Senhor converta os corações dos violentos e sustenha os nossos passos no caminho da paz”.

Francisco convidou depois os peregrinos e visitantes reunidos na Praça de São Pedro a rezar "em silêncio", durante alguns instantes.

O aeroporto de Atatürk, um dos maiores da Europa, foi atingido na noite de terça-feira por um triplo atentado suicida que resultou em pelo menos 36 mortos e 147 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.

A autoria do ataque ainda não foi reivindicada; o primeiro-ministro turco afirmou que os primeiros indícios apontam para o autoproclamado Estado Islâmico.

Também o presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, condenou o “terrível atentado" em Istambul, o quarto neste ano, considerando-o como "mais uma inaceitável demonstração da barbárie dos que recusam a paz".

O chefe de Estado “apresenta sentidas condolências à Turquia e às famílias de todas as vítimas de diversas nacionalidades", refere o comunicado divulgado pela página oficial da Presidência da República.

OC

VATICANO: FRANCISCO ALERTA PARA IGREJA «FECHADA» E COM MEDO DOS «PERIGOS»

Agência Ecclesia 29 de Junho de 2016, às 10:30 
Foto: Osservatore Romano       
Foto: Osservatore Romano
Papa presidiu à Missa da Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo com arcebispos de todo o mundo

Cidade do Vaticano, 29 jun 2016 (Ecclesia) - O Papa Francisco presidiu hoje no Vaticano à Missa da solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, padroeiros de Roma, na qual alertou para a “tentação” de uma Igreja “fechada”.

“[É] uma tentação que existe sempre na Igreja: a tentação de fechar-se em si mesma, diante dos perigos. Mas mesmo aqui há uma brecha por onde pode passar a ação de Deus: a oração”, declarou na homilia da celebração em que entregou o pálio aos novos arcebispos metropolitas de todo o mundo.

Francisco desafiou as comunidades católicas a passar “do fechamento à abertura, do medo à coragem, da tristeza à alegria” e, perante a tradicional delegação do Patriarcado de Constantinopla (Igreja Ortodoxa), da “da divisão à unidade”.

Os pálios dos novos arcebispos metropolitas – entre eles quatro brasileiros – vão ser impostos pelos núncios apostólicos (representantes diplomáticos da Santa Sé) nas respetivas arquidioceses.

Na sua homilia, o Papa recordou episódios das primeiras comunidades cristãs, pouco depois da morte e ressurreição de Jesus, recordando que o apóstolo Pedro foi preso por Herodes e libertado por causa da “oração da comunidade”.

Já em liberdade, Pedro procura entrar numa casa amiga, mas a porta não se abre de imediato, o que, segundo Francisco, “deixa intuir o clima de medo em que se encontrava a comunidade cristã, fechada em casa e fechada também às surpresas de Deus”.

“Pedro bate à porta. ‘Olha!’ Há alegria e medo: ‘abrimos ou não?’ E ele está em perigo, porque a polícia podia prendê-lo, mas o medo paralisa-nos, paralisa-nos sempre; fecha-nos, fecha-nos às surpresas de Deus”, acrescentou.

O Papa sublinhou que “a principal via de saída dos fechamentos” na Igreja “é a oração”.

“A oração, como humilde entrega a Deus e à sua santa vontade, é sempre a via de saída dos nossos fechamentos pessoais e comunitários. É a grande via de saída dos fechamentos”, explicou.

A homilia falou ainda da “abertura” que se verificou na vida de São Paulo, por causa do Evangelho, e que o levou a anunciar Cristo “àqueles que não o conhecem e, depois, para se lançar, por assim dizer, nos seus braços e ser levado por Ele”.

O Papa saudou a delegação enviada pelo patriarca ecuménico Bartolomeu, de Constantinopla, para celebrar uma “festa de comunhão para toda a Igreja”.

Francisco instituiu em 2015 uma mudança na imposição do pálio aos novos arcebispos, determinando que seja apenas entregue e não colocado pelo Papa nesta celebração anual de 29 de junho.

A imposição do pálio - faixa de lã branca com seis cruzes pretas de seda - será realizada nas respetivas arquidioceses, pelo núncio apostólico (representante diplomático da Santa Sé) no país.

Os pálios são insígnias litúrgicas, envergadas pelos arcebispos metropolitas nas suas igrejas e nas da sua província eclesiástica.

OC

HOJE A IGREJA VIVE A SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO, O DIA DO PAPA

EDAÇÃO CENTRAL, 29 Jun. 16 / 05:00 am (ACI).- “O dia de hoje é para nós dia sagrado, porque nele celebramos o martírio dos apóstolos São Pedro e São Paulo... Na realidade, os dois eram como um só; embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho”, explicou o Bispo Santo Agostinho (354-430) em seus sermões no início do cristianismo.
Esta celebração recorda que São Pedro foi eleito por Cristo: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Humildemente, ele aceitou a missão de ser “a rocha” da Igreja.

O Papa por sua parte, como Sucessor de Pedro e Vigário de Cristo, é o princípio e fundamento perpétuo e visível da unidade, tanto dos bispos como da multidão de fiéis. É Pastor de toda a Igreja e tem poder pleno, supremo e universal. Por isso, também é comemorado nesta data o dia do Sumo Pontífice.

Do mesmo modo, comemora-se São Paulo, o Apóstolo dos gentios, que antes de sua conversão foi um perseguidor dos cristãos e passou, com sua vida, a ser um ardoroso evangelizador para todos os católicos, sem reservas no anúncio do Evangelho.

Como o Papa Bento XVI recordou em 2012, “a tradição cristã tem considerado São Pedro e São Paulo inseparáveis: na verdade, juntos, representam todo o Evangelho de Cristo”.

“Apesar de ser humanamente bastante diferentes e não obstante os conflitos que não faltaram no seu mútuo relacionamento, realizaram um modo novo e autenticamente evangélico de ser irmãos, tornado possível precisamente pela graça do Evangelho de Cristo que neles operava. Só o seguimento de Cristo conduz a uma nova fraternidade”, destacou.