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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

3 de fevereiro de 2018

A diversidade de ritmos, artistas e parcerias musicais dão o tom certo para a esperada 19ª edição do Festival Jazz & Blues, que acontece nas cidades de Guaramiranga e Fortaleza


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Além do agitado roteiro de férias dos pré-carnavais e do próprio feriado em si, outro aguardado momento no calendário cultural do primeiro semestre no Ceará é o Festival Jazz & Blues. Com a força de celebrar e reunir artistas e público em torno das muitas ramificações sonoras que estes gêneros musicais contemplam, o evento completa 19 edições em 2018.
Opção para quem busca outros ritmos em meio ao descanso do período momino, a festa acontece de 10 a 13 de fevereiro em Guaramiranga, na serra de Baturité, dá uma pausa na Quarta-Feira de Cinzas e segue com mais programação nos dias 15 e 16, em Fortaleza.
Além dos sons que nomeiam o evento, o Festival promete também choro, forró, valsa e mambo. Ritmos diversos, arranjos autorais ou ricos improvisos que transformam tudo em um grande encontro da música, em diferentes palcos.
Progamação completa, falta apenas contar os dias para que a música ecoe alto em "Guará", como o município é carinhosamente chamado pelos visitantes. Os preparativos dos últimos detalhes contagiam tanto músicos quanto os profissionais responsáveis pela produção e a cidade cravada entre as montanhas da região serrana será tomada por shows, ensaios abertos, aulas de formação musical e ainda homenagem a artistas consagrados.
Estes atrativos ocuparão a estrutura que será erguida na rua principal de Guaramiranga, a cerca de 600 metros da Praça do Teatro Rachel de Queiroz. O espaço abrigará os "Shows ao Pôr do Sol", os espetáculos das 21h, as Jam Sessions, além dos "Ensaios Abertos" à tarde e as atividades musicais pela manhã, destinadas às crianças.
Capital
Já em Fortaleza, três espaços recebem as apresentações. No Cineteatro São Luiz acontecem shows nos dias 15 e 16, às 19 horas. No Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB)haverá oficina de gaita no dia 15, às 17h, e show às 18h30. Para fechar a edição, o Theatro José de Alencar (TJA) será palco da Festa de Encerramento no dia 16, às 20h30, com dois grandes concertos.
Em Guaramiranga, a programação musical começa com o Café no Tom, sempre às 11h, no Restaurante Basílico, localizado na Praça do Teatro Rachel de Queiroz. Segundo os organizadores, este momento permite um diálogo descontraído e especial com os músicos convidados. Álém desse contato, o público pode conferir de perto "canjas" e números de improviso.
Participam dessa conversa, respectivamente de sábado a terça, Juarez Moreira (MG), Davi Duarte (CE), Filó Machado (SP) e Jefferson Gonçalves (RJ). Também às 11h, no domingo (11) e na segunda (12), acontecem oficinas na sede da Associação dos Amigos da Arte de Guaramiranga (AGUA).
No domingo a oficina é de sopros, com o mineiro naturalizado canadense Marcelo Padre, do Duo Estro Cuba, e na segunda é de guitarra, com o cearense Lu D'Sosa.
Já no fim da tarde, o destino certo para os fãs é o palco principal do Festival Jazz & Blues, onde, às 17h, acontece o já tradicional Ensaio Aberto, com a presença de uma das atrações da noite. Na sequência, às 17h30, é a hora do "Show ao Pôr do Sol". Com a noite, além do clima agradável que a Serra permite, às 21h, mais duas atrações continuam a festa. À meia-noite, começam as "Jam Sessions", atração reconhecida pela leveza e boa troca entre plateia e convidados.
Atrações
A voz precisa, as composições inspiradas, os arranjos elaborados e a notável sensibilidade de um dos maiores mestres da música brasileira aportam no Festival este ano. Dori Caymmi destaca a autenticidade da beleza melódica da voz do pai, Dorival Caymmi (1914-2008), a quem se refere o título do novo álbum, "Voz de Mágoa".
No show, que acontece no dia 12 em Guaramiranga e 15 em Fortaleza, ele apresenta sua forma única de tocar violão, com afinações pouco convencionais e harmonias criativas. Tudo ao lado dos virtuosos Itamar Assiere (piano), Jefferson Lescowich (contrabaixo) e Ricardo Costa (bateria). Além da sensível voz da família Caymmi, os quatro dias de folia serão seguidos de parcerias musicais, tributos e celebrações.

Diário do Nordeste

Museu da Fotografia Fortaleza abre as portas para o projeto "Pau de Arara", sobre tradições nordestinas



Já são 13 anos de projeto e dez edições. "Pau de Arara" é um programa de extensão idealizado e coordenado pelo professor de fotografia dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Universidade de Fortaleza (Unifor), Jari Vieira. Criado em 2004, visa documentar a cultura de cidades pelo Interior do Nordeste.
Neste sábado (3), às 14h, o Museu da Fotografia Fortaleza recebe Jari para uma palestra gratuita. Na ocasião, o público irá descobrir como funciona o projeto, além de ver algumas fotos produzidas na última edição. Haverá também a exibição de um documentário inédito sobre a região do Cangaço.
Para o terceiro documentário, o grupo fez o percurso de Serra Talhada a Triunfo, em Pernambuco, fazendo a rota do cangaço, culminando na casa de Lampião. Com duração de 22 minutos, o produto audiovisual, além de mostrar a cultura local, acompanha os estudantes entrando em contato com essas tradições.
"É muito gratificante conseguir, através da fotografia, que o aluno perceba a importância de estudar essas culturas e que se reconheçam nelas", afirma Jari Vieira.
O grupo já levou o prêmio de Melhor Fotografia Artística no Expocom - Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação, em 2016 e 2017. Nesta última edição a fotografia premiada foi a da aluna Iara Maria Pereira, "O Atabaque de Ogã", tanto na edição regional como na nacional.
Desde 2016 o grupo aposta na produção audiovisual com os documentários. O primeiro foi realizado na região da Serra da Capivara; o segundo, na cidade de Exu (PE).
Extensão
Por meio das imagens e vídeos, o projeto "Pau de Arara" mostra a diversidade que existe na cultura local. Os alunos que participam ganham a oportunidade de ter uma vivência importante, que levarão para toda a vida após o término da faculdade.
Ao longo dessa década o projeto já passou por mais de 15 cidades e três estados - Ceará, Pernambuco e Piauí -, e tem na conta mais de 400 fotografias.
Em Assaré (CE), por exemplo, o objetivo era conhecer mais sobre o poeta Patativa; em Nova Olinda (CE), o trabalho se desenvolveu em torno do artesão Expedito Seleiro; e em Exu, mergulhou na vida e obra de Luiz Gonzaga, o rei do Baião.
O grupo de extensão teve início em 2004, começando sua trajetória percorrendo o centro de Fortaleza, conhecendo as praças principais da cidade. "Passamos dois anos fazendo a versão do Centro e foi quando a coordenação do curso começou a se envolver mais no projeto e demonstrei o interesse de ir para cidades próximas", explica Vieira.
As cidades escolhidas para a nova empreitada, em 2006, foram: Redenção - berço da libertação dos escravos no Ceará e no Brasil - e Canindé, cidade reconhecida pela sua tradição religiosa. "Depois sugeri um local que pudéssemos passar mais de um dia, pois quanto mais tempo você passa, mais coisa consegue absorver", comenta.
A partir de 2015 o grupo consolidou suas excursões para mais longe, começando pela região do Cariri, passando por Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha. "Tenho como objetivo principal formar profissionais que reconheçam e valorizem seu lugar. Se a gente não valorizar, não é alguém vindo de fora que irá fazer isso", aponta o professor.
No centro
O nome "Pau de Arara" vem do tradicional transporte usado no Nordeste, bem conhecido pelos sertanejos e romeiros que recorrem a ele para atravessar a terra árida do sertão.
O termo foi escolhido para homenagear o Nordeste logo no nome, já que se tratava de um projeto que tinha como cerne a valorização do povo da região.
Nascido em Juazeiro do Norte, Jari Vieira vê desde criança as tradições populares de perto. A ideia de criar o grupo veio da vontade de fazer com que os alunos vissem e estudassem o que estava próximo deles. "Via que eles sabiam muito sobre a Torre Eiffel, de Paris e do Big Bang, na Inglaterra, mas não entendiam nada sobre o Padre Cícero e literatura de cordel", justifica o professor.
Criado para os cursos do departamento de Comunicação Social da Unifor - Jornalismo e Publicidade e Propaganda - o projeto acontece uma vez por semestre e hoje atende sete cursos diferentes da casa. As viagens e hospedagens são bacanas pela própria instituição.
"Espero que esse aprendizado fique neles, que levem para a vida. Que entendam que toda a cultura do Nordeste é muito rica, mesmo sofrendo com a seca e as intempéries", finaliza Jari.

Mais informações:
Palestra "Pau de Arara". Neste sábado (3), às 14h, no Museu da Fotografia Fortaleza (R. Frederico Borges, 545, Varjota). Gratuito. Inscrições: (sympla.Com.Br). Contato: (85) 3017.3661

Diário do Nordeste

Campeão de indicações ao Oscar, 'A Forma da Água' é destaque nos cinemas

Com elementos de diversos gêneros, o filme embarca na fantasia com rigor técnico impecável.
'A Forma da Água', de Guillermo del Toro, retrata o romance inusitado entre a faxineira muda Elisa Esposito (Sally Hawkins) e um humanoide anfíbio (Doug Jones).
'A Forma da Água', de Guillermo del Toro, retrata o romance inusitado entre a faxineira muda Elisa Esposito (Sally Hawkins) e um humanoide anfíbio (Doug Jones). (Divulgação)

Por Neusa Barbosa e Alysson Oliveira
Veja um resumo dos principais filmes que estão em cartaz no país:
“A FORMA DA ÁGUA”

- Campeão de indicações (13) ao Oscar 2018, depois de vencer o Leão de Ouro em Veneza 2017, “A Forma da Água”, de Guillermo del Toro, retrata o romance inusitado entre a faxineira muda Elisa Esposito (Sally Hawkins) e um humanoide anfíbio (Doug Jones), capturado em águas da América do Sul no princípio dos anos 1960. Aprisionada num laboratório, a criatura é submetida a violência pelo funcionário do governo Strickland (Michael Shannon).

Devido à sua mudez, Elisa tem poucos amigos, o vizinho Giles (Richard Jenkins) e a colega Zelda (Octavia Spencer). É com eles que traça um plano mirabolante de resgatar o homem anfíbio de sua prisão, contando com a ajuda de um cientista (Michael Stuhlbarg) – que eles não sabem que é também um espião russo. Com elementos de diversos gêneros, o filme embarca na fantasia com rigor técnico impecável.
“TODO O DINHEIRO DO MUNDO”

- Realizando um filme sobre um dos mais famosos sequestros do século 20, o do herdeiro John Paul Getty III, o diretor Ridley Scott viu-se envolvido num dilema na vida real quando o astro Kevin Spacey, intérprete do bilionário John Paul Getty, foi cercado de acusações de assédio sexual.

A um mês da estreia internacional, prevista para dezembro de 2017, Scott tomou a decisão de refilmar todas as cenas com Spacey, o que acarretou no gasto de 10 milhões de dólares. A ousadia parece ter compensado, já que o substituto, o veterano Christopher Plummer, arrebatou a solitária indicação ao Oscar, a de melhor ator coadjuvante, para o filme.

Baseado em roteiro de David Scarpa e John Pearson, o enredo resgata o drama do jovem John Paul Getty III (Charlie Plummer), de 16 anos, que é sequestrado nas ruas de Roma, em 1973. Seus sequestradores esperam receber milhões de seu avô (Christopher Plummer), mas ele, desde o início, recusa qualquer negociação – exibindo, não se sabe se frieza ou um sangue-frio cínico, quando declara que tem 14 netos e não gostaria de estimular esse tipo de chantagem.
“PADDINGTON 2”

- A sequência de “As Aventuras de Paddington” consegue um feito raro: é melhor do que o original que, por si só, já era bastante bom. Agora que o pequeno urso já foi apresentado ao público, e sua vida em Londres está estabelecida, o filme pode começar direto com a ação.

A tia de Paddington, que o criou e mora na floresta, fará 100 anos, e ele quer dar-lhe de presente um livro raro e caríssimo sobre Londres. Mas este acaba sendo roubado por um ator egocêntrico e decadente (Hugh Grant), que, ao mesmo tempo, consegue incriminar o ursinho. A família Brown, que o adotou, tenta provar sua inocência. Enquanto isso, Paddington faz amizades com seus companheiros de presídio.

Novamente dirigido por Paul King, o longa, que estreia apenas em cópias dubladas – Bruno Gagliasso empresta a voz ao protagonista –, é o tipo de filme infantil com sagacidade e graça, que não menospreza a inteligência das crianças, nem entedia os adultos.
“A REPARTIÇÃO DO TEMPO”

- “A Repartição do Tempo” é um filme curioso dentro da cinematografia nacional: mistura de ficção científica com comédia numa embalagem que homenageia os clássicos dos anos de 1980. O problema é que no filme, dirigido por Santiago Dellape, nada disso funciona.

O cenário principal é um departamento de registro de patentes em Brasília, onde tudo é emperrado por causa da burocracia. Um inventor deixa lá sua máquina do tempo para registrar, mas os poderes dela são descobertos por Lisboa (Eucir de Souza), chefe do local, que a usa para aumentar a produtividade dos funcionários que, estranhamente, são clonados pelo equipamento.

Nada faz muito sentido na trama – como a máquina do tempo que clona – mas não seria lá um grande problema se tudo se conjugasse de maneira orgânica. Os elementos não se integram entre si e tudo parece meio gratuito – inclusive a pequena participação do eterno Trapalhão Dedé Santana.

Reuters

50 anos do importante 1968

Uma explosão de efervescência contestatória que para alguns simplesmente não mudou nada e para outros mudou tudo.
Maio de 1968: quando trabalhadores e estudantes desafiaram o poder.
Maio de 1968: quando trabalhadores e estudantes desafiaram o poder. (Religión Digital)

Por Saturnino Rodríguez
1968 foi um ano bissexto, iniciado numa segunda-feira, segundo o calendário gregoriano, que precisamente a Organização das Nações Unidas (ONU), através da UNESCO, havia declarado o Ano Internacional dos Direitos Humanos, já que no dia 10 de dezembro se celebrava o 20º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Popularmente, todos o conhecem como Maio francês, que não foi o único e nem tampouco o principal.
Revolução ou Rebelião?... “Novos movimentos sociais”
Ao estudar os caminhos seguidos pelos sujeitos coletivos no século XX, o cientista político e historiador estadunidense Charles Tilly, em seu livro de 2010: Los movimientos sociales - 1768-2008, destaca como nessa voragem sociopolítica os anos de 1968 e 1989 representam uma onda mobilizadora medular na histórica contemporânea.
Por uma parte, em 1968, nascem os chamados “novos movimentos sociais”, ao passo que 1989 constitui a participação política pela abertura democrática nos regimes socialistas da Europa do Leste. O desenvolvimento dos meios de comunicação seriam chaves no desdobramento dessas campanhas.
Para o jornalista e economista Joaquim Estefanía foi uma rebelião contra o autoritarismo e o imperialismo. Manuel Leguineche, em seu livro Aquel año 68, en Protagonistas del siglo XX, cita o que foi o “maio francês” de 1968 para alguns dos mais famosos franceses.
Para o filósofo francês Jacques Derrida foi “um acontecimento que não sabemos denominar de outra forma a não ser por sua data, 1968”.
Para o sociólogo e filósofo Raymond Aron era uma “revolução 'introuvable'” (“revolução inencontrável”).
Para o advogado e presidente francês François Mitterrand, líder da oposição socialista francesa naquele momento, era “a revolução dos zangãos”.
Para o general e presidente francês Charles De Gaulle, líder da oposição naquele momento, “era a revolução dos filhinhos de papai”.
1968 é hoje mais um símbolo que o começo de uma mudança. Uma explosão de efervescência contestatória que para alguns simplesmente não mudou nada e para outros mudou tudo.
Às vezes, fala-se dela como um ciclo revolucionário (como o da revolução de 1848 ou a revolução de 1989), pela coincidência temporal, no ano de 1968, do “maio francês – que se costuma considerar o epicentro do movimento – com fatos e processos similares.
O ano de 1968 em 10 flashes:
1. O “maio francês”
O “maio francês” se tornou quase o símbolo do restante dos movimentos em outros países. Os estudantes universitários de Paris e outras cidades francesas colocaram em xeque o governo direitista do general De Gaulle. A revolta que começou nas salas se transferiu às ruas, levantou barricadas e isolou do restante da cidade o central Bairro Latino, habitado majoritariamente por estudantes e estrangeiros. O movimento tinha mais sinais de um mal-estar geracional que de uma revolução no sentido marxista ou classista do termo, mas se estendeu por outros países.

O líder franco-alemão Daniel Cohn-Bendit, hoje eurodeputado desde 1994, publicou um livro com um título revelador: Esquerdismo, remédio da doença senil do comunismo que invertia o sentido de uma famosa obra de Lênin: Esquerdismo, doença infantil do comunismo.
2. A “primavera de Praga” e seu esmagamento
Paralelamente aos acontecimentos do maio francês, na “Cortina de ferro”, como chamava Churchill aos países da Europa do Leste, seguindo o lema do sociólogo Radovan Richte em se gerar “um socialismo com rosto humano”, o próprio Secretário Geral do Partido Comunista e chefe do governo checo Alexander Dubcek lançava um audaz plano de reformas para democratizar o sistema.

A sociedade estava influenciada pelo trabalho crítico de cineastas como Milos Forman e Jiri Menzel, por escritores de envergadura como o checo Milan Kundera ou por importantes filósofos do marxismo heterodoxo como o húngaro Georg Lukács. [Leonid Ilítch] Brejnev decidiu acabar com a situação e, entre os dias 20 e 21 de agosto, meio milhão de soldados e 7.000 tanques do Pacto de Varsóvia invadiram a Checoslováquia para derrotar o governo e prender os principais dirigentes.

Os partidos comunistas da Europa ocidental reagiram com grande descontentamento à intervenção militar soviética e três dos mais importantes, os da Itália, França e Espanha, a criticaram abertamente, distanciaram-se de Moscou e renovaram seu pensamento e propostas: nascia o chamado “eurocomunismo”. Nesta excisão, destaca-se a figura de Enver Hoxha, chefe de Estado e ditador comunista albanês.

O eurocomunismo foi desenvolvido pelos dois principais partidos ocidentais da época: o Partido Comunista Italiano (PCI) e o Partido Comunista Francês (PCF) e também pelo Partido Comunista da Espanha (PCE). Historicamente, os partidos comunistas que renunciaram ao leninismo em favor do eurocomunismo, e até a atualidade, costumam ser denominados marxistas revolucionários em contraposição aos marxista-leninistas.
3. Auge e fracasso da revolução cultural na China
O ano de 1968 foi decisivo para o futuro da China: por um lado, Lin Biao afirmava que “a revolução cultural triunfou”, ao passo que, por outro, sua derrota foi destacada pelo extermínio ou absorção no exército da maioria dos “guardas vermelhos” que foram seu motor.

Era outro movimento de massas, composto em sua maioria por estudantes universitários mobilizados por Mao Tsé-Tung, entre 1966 e 1967, durante a Revolução Cultural, contra os elementos elitistas da sociedade e que, depois, desencantados, seriam os primeiros dissidentes chineses.

A China virava a página de um complicado período de sua história contemporânea, de extremismo ideológico que levava à revolução permanente e à guerra civil, mas também de retificação para a estabilidade, a moderação e a modernização, como demonstrou no seguinte quarto de século.
4. A ofensiva do Tet no Vietnã
1968 significou um “antes e um depois” na guerra do Vietnã, que atingia a marca de 536.000 soldados. No entanto, a ofensiva guerrilheira do mês de janeiro, coincidindo com as festividades do Tet (novo ano lunar) e o início da época chuvosa no trópico vietnamita, mudou a tendência à escalada militar e a partir desse momento os Estados Unidos buscaram uma forma de se retirar. Tornava-se patente e insustentável o fracasso do intervencionismo imperial.

O envolvimento estadunidense no conflito vietnamita havia começado em 1961 com Kennedy, que invocou a “teoria do dominó” (ao parecer de Einsenhower) segundo a qual se todo Vietnã caísse nas mãos comunistas, cairia toda a Indochina e poderia ser seguido pelo restante da Ásia. Com isso, o comunismo se tornaria imparável.

O otimismo oficial norte-americano de vitória, baseado nos “3 M” do general Maxwell Taylor (Men, Money, Material, ou seja, homens, dinheiro, material de guerra) se desmoronava pressionado pela opinião de seus aliados e a do público. Em 1975, cairia Saigon, que era rebatizada com o nome de “cidade Ho Chi Minh”. O país era reunificado, todo ele sob o regime socialista e com sua capital na nortenha Hanói. O imperialismo havia sido derrotado.
5. Clamor mundial contra a guerra do Vietnã
As manifestações contra a guerra do Vietnã foram numerosas nos Estados Unidos. Uma das principais partia do monumento a Lincoln, em Washington, até chegar ao Pentágono. A derrota dos Estados Unidos foi obra do povo vietnamita, que passou de um milhão de mortos. Contudo, foi determinante a reviravolta da opinião pública estadunidense contra a guerra, que cobrou 58.000 vidas de jovens estadunidenses e destroçou o futuro de 300.000 que foram feridos ou mutilados.

Em 1968, após oito anos de intervenção, os Estados Unidos tinham perdido sua imagem de potência anticolonialista e pacifista para surgir como uma potência imperialista e agressiva. O impacto popular de fotos como a do Massacre de My Lai, causando 500 mortes de crianças, mulheres e anciãos e a da jovem manifestante oferecendo uma flor à Guarda Nacional frente ao Pentágono confirmavam o “Não à guerra” que havia se internacionalizado.

O movimento hippie e o festival de Woodstock (Estados Unidos)
O Festival de Woodstock foi uma festa de rock e movimento hippie, no White Lake de Nova York, que durante três dias do mês de agosto agrupou cerca de 500.000 jovens. Woodstock se tornou o ícone de uma geração cansada das guerras, que pregava a paz e o amor como forma de vida e demonstravam sua rejeição ao sistema, portanto, grande parte das pessoas que compareceram a tal festival era hippie.

Os sacerdotes irmãos Berrigan contra a guerra do Vietnã
Daniel Berrigan foi um sacerdote jesuíta ativista pela paz estadunidense e poeta que, assim como seu irmão Philip Berrigan, também sacerdote, esteve na lista dos 10 fugitivos mais procurados pelo FBI, por sua participação nos protestos civis contra a guerra do Vietnã. Junto ao monge trapista Thomas Merton, famoso escritor e poeta, fundaram uma coalizão intereclesial contra a Guerra do Vietnã e escreveram conjuntamente cartas aos principais jornais argumentando a necessidade de lhe colocar fim. Encarcerado em várias ocasiões, Berrigan continuou como ativista contra a guerra e participou dos protestos contra a intervenção estadunidense na América Central, contra a Guerra do Golfo, a Guerra do Kosovo, a Guerra do Afeganistão e a Invasão do Iraque, em 2003.

O padre Berrigan foi um dos principais organizadores de Catonsville Nine (os nove de Catonsville) que, no dia 17 de maio de 1968, foram à junta de recrutamento militar em Catonsville (estado de Maryland), pegaram 378 recipientes de arquivos, levaram ao estacionamento e lançaram sobre eles napalm, feito em casa, que era o incendiário usado pelos militares dos Estados Unidos no Vietnã e colocaram fogo. Esse grupo de católicos emitiu um comunicado confrontando “a Igreja Católica, a outros coletivos cristãos e às sinagogas dos Estados Unidos, por seu silêncio e covardia frente aos crimes de nosso país”.
Revoltas e mobilizações universitárias
O Free Speech Movement (FSM) (ou Movimento Liberdade de Expressão) foi um protesto estudantil que começou no campus da Universidade da Califórnia, Berkeley, sob a liderança do estudante Mario Savio e outros. Nos protestos, sem precedentes até essa data, os estudantes reivindicavam que a administração universitária não proibisse a realização de atividades políticas dentro do campus e reconhecesse seu direito à liberdade de expressão e liberdade acadêmica. O movimento Liberdade de Expressão é citado frequentemente como um ponto de começo para muitos movimentos estudantis de protesto dos anos ao redor de 1968.

Contracultura e ‘underground’
Nos laboratórios da Universidade de Berkeley, em San Francisco, havia nascido o LSD, droga sintética alucinógena que inspirou a nova corrente da arte psicodélica que entrou na moda entre a juventude. Tudo isso fazia parte da “contracultura” ou “underground” que contradizia os valores e a hipocrisia imperantes na sociedade. Do mesmo modo com o tema da sexualidade. Neste ambiente, surgiu a convocação para três dias de festival musical em Woodstock, na costa leste. “Contracultura” foi o termo alcunhado pelo historiador estadunidense Theodore Roszak, professor da Universidade Estatal da Califórnia, em seu livro precisamente desse ano de 1968: “O nascimento de uma contracultura”. E era a base dos “beatniks” (derrotado) e, depois, do movimento “hippie” e até da música pop.
6. O massacre de Tlatelolco, México
Os acontecimentos de 1968 na capital mexicana demonstrariam o dramatismo que as lutas sociais podiam alcançar nos países periféricos, sendo protagonistas os estudantes universitários. Apesar de o México ser um país excepcionalmente democrático na América Latina, junto ao Chile e Costa Rica, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) demonstrou tendência ao autoritarismo na conjuntura de 1968.

Os estudantes da grande Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM) realizaram uma série de assembleias para demandar uma reforma universitária, semanas antes da realização dos Jogos Olímpicos, em setembro, tomando a Praça das Três Culturas (ou Tlatelolco). Tropas combinadas de polícia e exército irromperam provocando o cerco a mais de 4.000 manifestantes, ocorrendo a matança de 200 pessoas, presos e “desaparecidos” executados depois, em uma verdadeira manobra de conspiração governamental para acabar com o movimento opositor, em sua face mais visível que era o movimento estudantil, segundo a doutrina dos Estados Unidos de “segurança nacional” e terrorismo de Estado, semelhante a seguida pelas ditaduras militares no continente.
7. Martin Luther King, assassinado em Memphis, Estados Unidos
Martin Luther King foi um pastor estadunidense da Igreja Batista e ativista em prol dos direitos dos negros, razão pela qual recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1964, e que morreu assassinado no dia 4 de abril de 1968, em Memphis, Tennessee. O assassinato de Martin Luther King provocou uma onda de violência e protestos por todo o país. Na imagem, Washington D. C após os distúrbios de abril de 1968.
8. 1968: Protestos sociais em todo o mundo
Os movimentos de 1968 compartilharam de um modo muito impreciso a mesma dimensão cultural e política, com grande presença estudantil, de natureza colegiada (mais ou menos manipulada ou espontânea), mas sempre ultrapassando os canais de participação cidadã convencional, sindicais ou políticos.

As manifestações universitárias na Espanha e fechamento de várias Faculdades
Diferente do Maio Francês, da Primavera de Praga e de outras repercussões da denominada revolução de 1968 em outros países, na Espanha não passaram de greves e manifestações reprimidas pelo governo de Franco, que grupos de esquerda buscaram conectar com as mobilizações universitárias e que, em alguns casos, mantinham algum tipo de contato internacional com jovens espanhóis presentes em Paris, Londres, Estados Unidos e Checoslováquia. Curiosamente, é nesse ano de 1968 que se aprova a criação das Universidades “Autonómas” em Madri, Barcelona e Bilbao.

Respondendo às manifestações universitárias, no mês de janeiro, o governo fecha a Faculdade de Política e Economia de Madri e, no mês de maio, é fechada a Faculdade de Filosofia de Madri, após a tentativa de se proclamar uma “Comuna estudantil”. No mês de março, é fechada a Universidade de Sevilha e ocorrem manifestações nas universidades de Zaragoza, Bilbao, Granada, Pamplona, Santiago e Barcelona com atuações policiais. Alcançaram maior impacto como atos culturais solidários com as mobilizações operárias, como os concertos de Raimon (o com maior presença no dia 18 de maio) nos recintos universitários de várias Faculdades da Universidade Complutense de Madri, cuja condição jurídica e tolerância das autoridades acadêmicas tornava a convocação possível.

As primeiras ações terroristas do ETA na Espanha
Como fatos vinculados a 1968, mas conectados pela sensibilidade propensa à luta armada, ao anticapitalismo e ao terceiro-mundismo, é significativo que em 1968 se produziram os primeiros atentados do ETA, que conduziram ao Processo de Burgos. Destacou-se que a relação existente entre esse primeiro grupo do ETA e o Partido Nacionalista Basco tinha muito a ver com uma ruptura geracional entre pais e filhos, similar à existente entre os franceses que viveram a Segunda Guerra Mundial e a resistência e os jovens das barricadas de maio. O assassinato, anos depois, em um hipermercado em Barcelona e o assassinato do jovem vereador basco M. Ángel Blanco desataram o clamor popular em manifestações multitudinárias.
9. As redes de computadores e a conquista da lua
Os historiadores destacaram 1968 como o ano em que começou a operar a interconexão de computadores colocados em rede, que inicialmente era um projeto secreto do Pentágono, já que no caso de um ataque teriam capacidade de coordenação e de resposta, mesmo se a sede do alto comando fosse destruída no primeiro golpe. Um tempo depois, o Pentágono transferia para um grupo de universidades essa tecnologia com a qual, em pouco tempo, seria possível o desenho da linguagem “html” e o surgimento da rede mundial de redes ou “www”, mais conhecida como a internet. Toda uma revolução para a comunicação entre pessoas e também as empresas.

A tecnologia da internet está muito ligada a outro avanço tecnológico: ao dos satélites e a exploração do espaço, com a competição das superpotências dos Estados Unidos e a URSS, que seria a primeira a colocar um satélite em órbita terrestre (o Sputnik), também a enviar um ser vivo ao espaço e fazê-lo regressar (a cachorrinha Laika), bem como ao primeiro ser humano, de ida e regresso (o astronauta Gagarin). Os Estados Unidos compensavam o atraso colocando um homem na lua e situando uma estação permanente no espaço. Os Estados Unidos foram se impondo sobre a URSS que caiu na ruina financeira.

1968 tornava os Estados Unidos a única e indiscutível hiperpotência militar do planeta, tal como se tornou hoje em dia, conseguindo o desaparecimento do império soviético. No dia 11 de outubro de 1968, os Estados Unidos realizaram a primeira missão tripulada e levaram à órbita terrestre o Apolo-7. No dia 8 de dezembro de 1968, a URSS decidiu lançar uma nave tripulada à órbita lunar, mas o lançamento foi adiado devido às falhas no foguete portador Protón. No dia 21 de dezembro de 1968, os astronautas estadunidenses Frank Borman, Jim Lovell e Bill Anders realizaram o primeiro voo tripulado ao redor da Lua, no Apolo-8.
10. A Conferência do Episcopado Latino-Americano de Medellín, Colômbia
Também a Igreja (e outras confissões) recebia o impacto de 1968. O Concílio Vaticano II, entre 1963 e 1965, impulsionado pelo Papa João XXIII e continuado por seu sucessor Paulo VI, marcou uma importante renovação da Igreja Católica, indo ao encontro das mudanças próprias do mundo moderno e da aproximação com o sentir e o sofrer dos fiéis. Destacou que o pecado é, antes de tudo, a injustiça que há e que a paz deve se basear na justiça. Mensagem reiterada e apontada na encíclica papal Populorum Progressio, em 1967. No mesmo ano, isto foi repetido em um Encontro dos Bispos do Terceiro Mundo, no qual se refletia a nova consciência eclesial, encabeçado pelo brasileiro Hélder Câmara. Se a Igreja se voltava ao mundo, sua postura se radicalizava ali onde o mundo era pobre e oprimido. Não podia ser de outra forma.

Este espírito era levado em conta para América Latina por seus bispos, reunidos entre agosto e setembro de 1968, na II Conferência do Episcopado Latino-Americano, em Medellín, Colômbia. Os bispos ali reunidos constatavam que o continente latino-americano vivia um momento histórico, no qual se fazia necessário estar atento aos “sinais dos tempos”. Estava em jogo a emancipação da América Latina, a libertação de seus povos. A miséria, concluíam, “é uma injustiça que clama ao céu”. Paulo VI, na primeira viagem que era realizada por um Papa à América, dizia na abertura de Medellín que “nossa força está no amor”... “nem o ódio e nem a violência são a força de nossa caridade. Entre os diversos caminhos para uma justa regeneração social, nós não podemos escolher nem o do marxismo ateu, nem o da rebeldia sistemática, muito menos o do derramamento do sangue e o da anarquia”.

“Comunidades eclesiais de Base” e “Teologia da Libertação”

Como resposta eclesial latino-americana ao Concílio e à Conferência de Medellín, em 1968, surgiam no Brasil e em toda a América as Comunidades Eclesiais de Base (CEB), animadas pelo franciscano Leonardo Boff . O teólogo e professor peruano Gustavo Gutiérrez publicava Teologia da Libertação, que seria como o nascimento de uma forte corrente e compromisso da Igreja, compreendendo que o Evangelho exige “a opção preferencial pelos pobres” e, daí, recorrer às ciências humanas e sociais para definir as formas em que deve se realizar aquela opção. Todo um movimento que se estenderia como ação e pensamento em outros teólogos por toda a Igreja, com preocupação dos hierarcas mais intolerantes.
Em resumo...
Concluímos com uma citação do famoso historiador e agudo analista Eric John Ernest Hobsbawm: “Em 1968-1969, uma onda de rebelião sacudiu aos três mundos ou grande parte deles, encabeçada essencialmente pela nova força social dos estudantes, cujo número se contava, agora, por centenas de milhares, inclusive nos países ocidentais de tamanho médio, e que logo se converteriam em milhões”. Eric Hobsbawm utiliza a palavra “rebelião”, considerando que na ordem do dia não figurava a “revolução mundial” como a entendeu a geração de 1917, porque “ninguém esperava já uma revolução social no mundo ocidental”.
“Outro mundo é possível”
Hoje, aqueles sonhos de 1968 entre a realidade e a utopia temos desejado reviver com aquilo de que em nossa época “outro mundo é possível”. É a necessidade de reviver esses tempos anteriores, quando se pensou com ilusão, mas ilusoriamente, que tudo seria possível.

Parecia factível que seria possível “trazer o céu à terra” e assim torná-la habitável. A realidade mostrou com insistência que temos os pés sobre o chão do insustentável e que será necessário saltar o impossível. Algo do espírito de 1968 está fazendo falta para superar essa contradição.

Religión Digital, 28-01-2017.

E O CRIME SE ORGANIZOU

Grecianny Carvalho Cordeiro*

Crime organizado não é coisa nova. Sempre existiu e sempre existirá.
Exemplos não faltam. Podemos citar Al Capone, o famoso gângster americano que contrabandeava e comercializava bebidas na época em que vigorava a lei seca nos Estados Unidos.
Existe crime organizado relacionado ao tráfico de drogas e de armas, ao tráfico de pessoas e de órgãos, à lavagem de dinheiro... O que diferencia a criminalidade organizada de outro tipo de criminalidade é a sua forma de atuação, estruturada como se fora uma empresa, onde cada componente exerce um determinado papel, com divisão de atribuições, tendo por objetivo a obtenção de vantagens por meio do cometimento de crimes. Logo, não estamos falando aqui de amadores, mas sim de criminosos altamente perspicazes.
A criminalidade organizada se caracteriza, também, por possuir braços nos mais diversos espaços, na esfera privada e pública, esta última, por sua vez, imprescindível ao sucesso de qualquer empreitada criminosa, garantindo ao criminoso estar sempre adiante, sempre um passo à frente daquele que poderia detê-lo: o Estado.
Acontece que, há algum tempo, vem surgindo um tipo de criminalidade organizada bem diferente daquela até então existente: a nascida no interior dos presídios, por meio da união de presos – às vezes por meio de um pacto de sangue – os quais juram lealdade aos “mandamentos” de sua respectiva facção, encarregada de protegê-los no interior dos estabelecimentos penais, e de prestar auxílio à sua família, do lado de fora dos muros da prisão.
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O fato é que a massa carcerária que superlota os presídios brasileiros se uniu, se organizou; cooptou novos adeptos e simpatizantes; arrecada dinheiro necessário à sua manutenção através do pagamento de “estadias” dos presos ou de financiamento para o cometimento de crimes extramuros ou de gerenciamento das “bocas de fumos”; agentes públicos estão em suas folhas de pagamento...
E vem as chacinas, os massacres, as rebeliões, as fugas, as mortes de policiais.
O cidadão assiste atônito à ocupação das ruas, dos bairros, das cidades, pelas facções que imprimem seus selos nas paredes e determinam o toque de recolher.
O Estado se mantem impávido e colosso, incapaz de reconhecer que falhou. E continua errando ao negar o óbvio.
O crime se organizou e vem ganhando espaço a cada dia.
Talvez seja a hora de o Estado ter humildade e reconhecer que errou para que, mais tarde, não possa dizer que perdeu.


*Promotora de Justiça