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Museu da Fotografia Fortaleza abre as portas para o projeto "Pau de Arara", sobre tradições nordestinas



Já são 13 anos de projeto e dez edições. "Pau de Arara" é um programa de extensão idealizado e coordenado pelo professor de fotografia dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Universidade de Fortaleza (Unifor), Jari Vieira. Criado em 2004, visa documentar a cultura de cidades pelo Interior do Nordeste.
Neste sábado (3), às 14h, o Museu da Fotografia Fortaleza recebe Jari para uma palestra gratuita. Na ocasião, o público irá descobrir como funciona o projeto, além de ver algumas fotos produzidas na última edição. Haverá também a exibição de um documentário inédito sobre a região do Cangaço.
Para o terceiro documentário, o grupo fez o percurso de Serra Talhada a Triunfo, em Pernambuco, fazendo a rota do cangaço, culminando na casa de Lampião. Com duração de 22 minutos, o produto audiovisual, além de mostrar a cultura local, acompanha os estudantes entrando em contato com essas tradições.
"É muito gratificante conseguir, através da fotografia, que o aluno perceba a importância de estudar essas culturas e que se reconheçam nelas", afirma Jari Vieira.
O grupo já levou o prêmio de Melhor Fotografia Artística no Expocom - Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação, em 2016 e 2017. Nesta última edição a fotografia premiada foi a da aluna Iara Maria Pereira, "O Atabaque de Ogã", tanto na edição regional como na nacional.
Desde 2016 o grupo aposta na produção audiovisual com os documentários. O primeiro foi realizado na região da Serra da Capivara; o segundo, na cidade de Exu (PE).
Extensão
Por meio das imagens e vídeos, o projeto "Pau de Arara" mostra a diversidade que existe na cultura local. Os alunos que participam ganham a oportunidade de ter uma vivência importante, que levarão para toda a vida após o término da faculdade.
Ao longo dessa década o projeto já passou por mais de 15 cidades e três estados - Ceará, Pernambuco e Piauí -, e tem na conta mais de 400 fotografias.
Em Assaré (CE), por exemplo, o objetivo era conhecer mais sobre o poeta Patativa; em Nova Olinda (CE), o trabalho se desenvolveu em torno do artesão Expedito Seleiro; e em Exu, mergulhou na vida e obra de Luiz Gonzaga, o rei do Baião.
O grupo de extensão teve início em 2004, começando sua trajetória percorrendo o centro de Fortaleza, conhecendo as praças principais da cidade. "Passamos dois anos fazendo a versão do Centro e foi quando a coordenação do curso começou a se envolver mais no projeto e demonstrei o interesse de ir para cidades próximas", explica Vieira.
As cidades escolhidas para a nova empreitada, em 2006, foram: Redenção - berço da libertação dos escravos no Ceará e no Brasil - e Canindé, cidade reconhecida pela sua tradição religiosa. "Depois sugeri um local que pudéssemos passar mais de um dia, pois quanto mais tempo você passa, mais coisa consegue absorver", comenta.
A partir de 2015 o grupo consolidou suas excursões para mais longe, começando pela região do Cariri, passando por Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha. "Tenho como objetivo principal formar profissionais que reconheçam e valorizem seu lugar. Se a gente não valorizar, não é alguém vindo de fora que irá fazer isso", aponta o professor.
No centro
O nome "Pau de Arara" vem do tradicional transporte usado no Nordeste, bem conhecido pelos sertanejos e romeiros que recorrem a ele para atravessar a terra árida do sertão.
O termo foi escolhido para homenagear o Nordeste logo no nome, já que se tratava de um projeto que tinha como cerne a valorização do povo da região.
Nascido em Juazeiro do Norte, Jari Vieira vê desde criança as tradições populares de perto. A ideia de criar o grupo veio da vontade de fazer com que os alunos vissem e estudassem o que estava próximo deles. "Via que eles sabiam muito sobre a Torre Eiffel, de Paris e do Big Bang, na Inglaterra, mas não entendiam nada sobre o Padre Cícero e literatura de cordel", justifica o professor.
Criado para os cursos do departamento de Comunicação Social da Unifor - Jornalismo e Publicidade e Propaganda - o projeto acontece uma vez por semestre e hoje atende sete cursos diferentes da casa. As viagens e hospedagens são bacanas pela própria instituição.
"Espero que esse aprendizado fique neles, que levem para a vida. Que entendam que toda a cultura do Nordeste é muito rica, mesmo sofrendo com a seca e as intempéries", finaliza Jari.

Mais informações:
Palestra "Pau de Arara". Neste sábado (3), às 14h, no Museu da Fotografia Fortaleza (R. Frederico Borges, 545, Varjota). Gratuito. Inscrições: (sympla.Com.Br). Contato: (85) 3017.3661

Diário do Nordeste

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