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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

2 de novembro de 2017

"Eu escrevo dos meus fantasmas. Eu queria explorar essa auto-flagelação "

México 
El Páis
A escritora mexicana Paulette Jonguitud, em Coyoacán.
A escritora mexicana Paulette Jonguitud, em Coyoacán. 
Eles estão saindo. Eles saem e não há nada a fazer: eles morrem. Em algumas margaritas e seus fantasmas , Paulette Jonguitud narra, entre outros, a morte da irmã gêmea de Oscar. Um câncer Óscar não entende que sua irmã está morrendo, que ele morreu. Então nasce um momento que é medido com dor, uma experiência diferente. Parece normal, mas é outro. Há segundos, minutos, cores e texturas. E também há fantasmas. A carne é diluída e tudo adquire um tom translúcido, eu vivo, os mortos, as vozes. Há asas de mosca em todos os lugares. É disso que se trata esse livro, antes de morrer, quando você está morto. O que você está fazendo com isso?
Oscar quer ser o câncer que mata sua irmã, o corpo rasgado pelo câncer, para estar mais perto. E então ele ordena prótese de silicone e ele se torna o homem elefante, um homem que é mil tumores. Assim, ele se aproxima de sua irmã.
O personagem de Óscar bebe, em parte, do autor. "Eles me disseram muito tarde que minha tia estava doente, então eu consegui acompanhá-la por um mês, até o dia em que ela morreu", diz Jonguitud, 38. "Eu a vi quebrar, eu vi ela ir, e levou quase quatro anos para processar esse tempo, e só poderia fazê-lo. Só então poderia aprender a ser sem alguém. Eu escrevo os fantasmas que são parte de mim. Os fantasmas pessoais que eles te atormentam, como nos sonhos: eu em todas as minhas facetas, atormentando-me, queria explorar essa auto-flagelação ".
Alguns ... é o segundo romance do autor. Em Moho (2011), o primeiro, um calo esverdeado assume pouco a pouco o corpo de uma mulher. Aparece na virilha e avança até que não haja outra mulher do que o calo. É o molde. Em uma entrevista que ele deu, Jonguitud disse: "Estou interessado no que acontece na mente quando testemunha a decomposição".
Elmer Mendoza disse que o autor tem um olho para coisas tremendas e para fazer as pessoas se sentir mal
O novo é parte do primeiro lote de romances da editora Caballo de Troya. Em sua apresentação, o escritor mexicano Elmer Mendoza disse que o autor tem um olho para as coisas tremendas e fazer as pessoas se sentir mal. Ele disse isso de uma maneira boa.
Há Oscar e também há o sonúnico. Jonguitud diz isso e também diz irmão mais novo, nunca pelo nome. E, talvez, porque o sonúnico existe até a perda. Existe como para seu irmão morto, o irmão mais velho e sua própria mãe, cujas memórias estão perdidas, devido à doença de Alzheimer. Memórias morrem e com eles uma boa parte do passado do filho mais novo. Um passado que diminui. O autor escreve: "Um único filho sem mãe é um órfão duplo, só conhece seu passado, só ela sabe que era uma criança e que ela riu debaixo da mesa e que ela se ferrou em uma piscina".
- O que acontece com alguém que encolhe o passado? O que é um passado em declínio?
- Bem ... Ele se torna o único testemunho de seu passado, o único que sabe que ele existia. É uma pequena coisa sobre os mexicanos da minha geração, que nasceram em um país que praticamente já não há um país que quebrou, que foi dissolvida, o que não é a mesma de quando eu era criança. Quando éramos crianças, ele teve seus problemas, pobreza, violência, mas não era um lugar que comesse seus jovens.
Este livro nasceu da fadiga produzida por ser uma mulher no México
Antes de ficar completamente perdido, a mãe do único filho insiste em encontrar uma esposa para seu filho morto. Como os chineses, diz ele, os chineses se casam com seus mortos, então eles não estão sozinhos. E então a mãe faz malha de papel e pano, uma bainha. Ele malha a boneca e pede ao irmão mais novo que o encontre um pouco, seus ossos, para colocá-los dentro. Muertitas não vai faltar, diz a mãe. "Deus sabe que o que resta neste país são cadáveres de meninas".
Além de um manual de sobrevivência, alguns ... é um estudo da violência machista. Óscar e sua irmã trabalharam em um projeto. Eles estavam procurando um lugar, o mais perigoso, eles se despiram e se fotografaram. Um ato de rebelião. Invadir, como o autor diz, para que eles não o invadem. "Este é um produto do livro da minha fadiga também, da minha dor, que ser uma mulher é uma luta diária, que no México é tão difícil ser uma mulher".
E assim vai, de Oscar para a mãe, da dor à perda, da decomposição à violência. O romance é um diálogo entre Oscar, a mãe e o irmão mais novo, um diálogo sobre a perda, o futuro ou o passado, mas perto. E aparecem, o tempo todo, fantasmas. O autor fica em sua pele, no big brother, no elefante, mesmo em Alan Turing, um personagem da novela que o irmão mais novo nunca escreve.
"Eu queria escrever livros que não doem, mas ainda não posso", conclui.
COMPRA ONLINE "ALGUMAS MARGARITAS E SEUS FANTASMA"
Autor:  Paulette Jonguitud.
Editora:  Caballo de Troya (2017).
Formato: versão Kindle (167 páginas).

O espanhol Alejandro Morellón ganha o Prêmio Hispano-Americano de História Curta Gabriel García Márquez

Bogotá 
Alejandro Morellón com o Prêmio Hispano-Americano de História Curta Gabriel García Márquez.
Alejandro Morellón com o Prêmio Hispano-Americano de História Curta Gabriel García Márquez. 
O escritor Alejandro Morellón (Madrid, 1985) ganhou o 4º Prêmio Hispânico Americano de História Curta Gabriel García Márquez com o El estado natural de las coisas , uma coleção de sete histórias. "Seu tom é convincente, espirituoso e efetivamente irônico, a metáfora que reside em seus argumentos fantásticos reflete com grande precisão nossas preocupações diárias", disse o júri liderado por Alberto Manguel, diretor da Biblioteca Nacional da Argentina, durante a decisão da manhã Quarta-feira em Bogotá. "Uso fantasia intencionalmente, é um recurso nascido da minha leitura como criança", explica o autor para EL PAÍS. "A ficção não discute com a realidade para explicar a realidade".
O escritor, o primeiro espanhol a ganhar este prêmio, competiu contra Liliana Colanzi da Bolívia com Our Dead World ; Federico Falco, argentino e um cemitério perfeito ; o escritor também espanhol Soledad Puértolas com meninos e meninase Daniel Salinas Basave, do México, que chegou à final com Bad Whiskey Days . Morellón receberá US $ 100.000 e seu livro circulará nas 1.445 bibliotecas públicas da Colômbia como parte do prêmio organizado pelo Ministério da Cultura e pela Biblioteca Nacional da Colômbia. "Faz-me especialmente feliz que os colombianos tenham acesso ao meu livro".
Para a fantasia, Morellón acrescenta humor e ironia como uma extensão de si mesmo. É a maneira dele de se infiltrar em suas histórias. "Eu sou engraçado por nascimento", diz o finalista do prêmio Nadal em 2015 com seu primeiro romance. E aqui está um cavalo branco , "eu nunca consegui fazer sem essa parte do meu jeito de ser".
Este recurso literário foi destacado pelos membros do júri também composto pelo escritor colombiano Roberto Burgos Cantor; o narrador, jornalista, crítico literário e tradutor da Argentina, Vlady Kociancich; o tradutor canadense da literatura espanhola, Anne McLean; e o cineasta e escritor espanhol Vicente Molina Foix. "Os conflitos de casal se concretizaram na divisão física da arquitetura de uma casa, a tragédia da pobreza diária em nossas sociedades é contada na tragicomia de um homem que decide vender sua mão esquerda, as catástrofes naturais tão presentes em nosso tempo Eles não enfrentam como tragédias ou dão origem à resignação, mas criam rituais que deifiquem, por exemplo, um furacão, com ofertas humanas ", continua a avaliação.
Durante a ação de graças, Morellón lembrou a figura de Gabriel García Márquez como mentor, "um reflexo em que encontrei uma referência literária". Ao lado do autor colombiano estão os livros de Kafka, outra das referências que aparecem na breve história desse escritor que não deseja desistir da história. "Ele me fez saber, ele me acompanhará para a vida porque ele me representa", diz ele. "Já existem muitos bons exemplos que contribuíram para superar o dilema entre o romance e a história, como Editorial Páginas de Espuma na Espanha". O autor não acredita que esse gênero serve como uma justificativa ou passo antes de livros mais extensos.
É por isso que ele antecipa que seu próximo projeto terá mais de 10 páginas. Prepare um romance. Sempre com uma bala na câmara, como ele lembrou durante suas palavras de agradecimento. "Se eu não fosse um escritor, gostaria de ser um livreiro, considero que a condição de um livreiro é a de um farmacêutico que recomenda e que viva em livros".
El País

Conheça 10 cemitérios considerados atração turística

por Marlyana Lima - Editora

Pode parecer estranho, mas não são poucas as pessoas que gostam de visitar cemitérios famosos, mundo afora. É o chamado necroturismo. Mórbido? Nem tanto! A verdade é que existem turistas que não dispensam uma conferida nesses locais quando estão de passagem pelas principais cidades do mundo. 
Alguns são visitados por serem a última morada de personalidades. Outros por conta da riqueza arquitetônica de seus túmulos e criptas. Há também os que são cercados por áreas verdes e inspiram a meditação. O fato é que os cemitérios mais populares do mundo chegam a oferecem tours guiados com especialistas. 
De olho nesse nicho, o site HostelBookers, especialista em hospedagem, elaborou uma lista com os mais belos e simbólicos cemitérios do mundo. Confira:

Père Lachaise - França

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Paris tem fama de possuir os mais belos cemitérios da Europa. O mais conhecido é o Père Lachaise. Na cidade mais visitada do mundo, esse campo santo é tão movimentado que tem horário de visitas definido. A maioria dos turistas é atraída pela extensa lista de “moradores” ilustres. Fãs de Jim Morrison, Édith Piaf, Allan Kardec, Balzac, Proust, Chopin, Modigliani, Maria Callas, Molière, Oscar Wilde, entre outros nomes marcantes, não medem esforços para prestar homenagem a seus ídolos. O local foi projetado pelo arquiteto Alexandre Théodore Brongniart, em 1803.

Arlington National Cemetery - Estados Unidos

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Fica no Condado de Arlington, na Virginia, o mais tradicional cemitério militar dos Estados Unidos que chega a atrair quatro milhões de visitantes todo ano. O simbolismo patriótico norte-americano preenche o espaço cujas lápides homenageiam americanos mortos desde a Guerra da Independência até a Guerra do Iraque. Entre os destaques estão o Memorial de Iwo Jima e o Túmulo do Soldado Desconhecido. Lá também estão enterrados membros da família Kennedy, incluindo o ex-presidente John F. Kennedy.

Neptune Memorial Reef - Estados Unidos

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Em vez de sete palmos abaixo do chão, os "moradores" desse "cemitério" ficam a 12 metros de profundidade. Projetado para ser o maior arrecife criado pelo homem, a obra foi elaborada como uma tentativa de recriar a Cidade Perdida de Atlantis, mas acabou transformada em mausoléu subaquático para restos mortais cremados de moradores da Flórida. Apelidado de “a cidade dos mortos”, o local passou a atrair mergulhadores, turistas e curiosos interessados em observar a vida marinha presente no ambiente.

La Recoleta - Argentina

La Recoleta
Incluído nos roteiros turrísticos de Buenos Aires, é conhecido por abrigar figuras ilustres argentinas, de ex-presidentes a músicos e escritores. Nada que supere, no entanto, a fama  do túmulo da ex-primeira dama Eva Perón. Muitos visitantes também se interessam por sua arquitetura neoclássica e pelos belos jardins que rodeiam o local.

Catacombe dei Cappuccini - Itália

Catacombe dei Cappuccini 
É na região siciliana, mais precisamente em Palermo, que se encontra um dos cemitérios mais exóticos e macabros do mundo. É preciso coragem para passear entre as subterrâneas Catacumbas dei Cappuccini. Ali, os restos mortais estão expostos nas paredes e alguns pendurados em ganchos. O local ficou famoso, desde o século 16, pelo processo de embalsamento utilizado.

Okunoin - Japão

Okunoin
Fica em Koyasan, o maior cemitério japonês com suas mais de 200 mil sepulturas. Localizado em uma encosta do Monte Koya, a cerca de 50 Km de Osaka, é extremamente bem cuidado e se assemelha mais a templo de meditação. Também é considerado o local mais sagrado de Koyasan, já que abriga o mausoléu de Kobo Daishi, fundador da seita budista Shingon.

Cemitério Alegre - Romênia 

Merry Cemetery
Apesar de soar contraditório, o local onde os moradores de Sapânta (norte da Romênia) sepultam seus mortos, ganhou esse nome desde que suas lápides começaram a ser trocadas. Em lugar do cinza, elas ganharam cores e desenhos de arte primitiva.

St. James Cemetery - Reino Unido

Highgate Cemetery
Nesse caso, há dois motivos que atraem visitantes: a arquitetura gótica e o túmulo de Karl Marx, que está enterrado com sua esposa, no setor reservado para os banidos da Igreja Anglicana. O local, no norte de Londres, também tem fama de mal-assombrado.

Hollywood Forever - Estados Unidos

Hollywood Forever
Localizado na Avenida Santa Monica, em Los Angeles, abriga grandes nomes da cultura norte-americana. Ali foram sepultados astros como Rodolfo Valentino, George Harrinson e o roqueiro Johnny Ramone, cujo túmulo tem um busto tocando de guitarra.

Staglieno - Itália

Staglieno
É um dos maiores da Europa. Fica em uma encosta no bairro de mesmo nome, em Gênova, e é famoso por seus túmulos elaborados e esculturas de artistas como Leonardo Bistolfi, Augusto Rivalta, Giulio Monteverde e Edoardo Alfieri. 

Zentralfriedhof - Áustria

Zentralfriedhof
É o cemitério central de Viena e o segundo maior da Europa. O espaço é tão amplo que é permito trânsito privado de carros dentro do cemitério e há um ônibus para transportar os visitantes. Inaugurado em 1874, tem áreas para protestantes, budistas, judeus, mórmons e muçulmanos. Dentre os famosos túmulos que abriga, destacam-se grandes nomes da música clássica, como Beethoven, Brahms, Schubert e Strauss.

Diário do Nordeste

A cidade do céu

Padre Geovane Saraiva*
Somos convidados, à luz da esperança cristã, a pensar na transitoriedade da vida, a partir do Dia de Finados, como um dia muito especial a envolver a todos, na saudosa lembrança, fixando na mente e no coração nossos irmãos, amigos e familiares já falecidos. A vida é dom e graça de Deus, como sempre costumo repetir. Nós, que “não temos aqui na terra cidade permanente, mas estamos à procura da cidade que há de vir” (cf. Hb 13, 14), valorizando a vida como um dom que de Deus recebemos? Olhamos para a vida, tendo em vista a realidade inevitável da morte? Que a feliz eternidade, sonho de todos os seguidores de Jesus de Nazaré, seja um esforço de constante fidelidade ao projeto de Deus Pai ao longo da nossa existência.

Resultado de imagem para creio na vida eternaComo é indispensável, nesse contexto, pensar na caridade fraterna e no amor para o qual somos destinados: o de amar como Deus amou, amando-o em primeiro lugar e reservando-lhe momentos de oração e intimidade, no louvor, na súplica e no agradecimento, pelo dom maravilhoso da vida! É a palavra de Deus mesmo que nos convida ao amor verdadeiro, com todas as nossas forças, conscientes de que fomos criados para a eternidade e que na acesa chama da esperança nada de desânimo nem decepção. Resta nos convencermos da realidade da morte como nossa amiga, irmã e companheira inseparável, na esperança de contemplar Deus face a face no céu e saborear sua afável e terna misericórdia, na certeza que nossa prece suba aos céus pelos nossos irmãos falecidos.

Como é maravilhoso aprender de Santo Agostinho, na beleza de sua obra “A cidade de Deus”, colocando-nos diante da vida humana como um mistério de amor, segundo o projeto de Deus, quando “dois amores estabeleceram duas cidades, a saber: o amor próprio, levado ao desprezo a Deus, a terrena; e o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a celestial”! Mesmo sendo enormes a saudade e a dor pela partida dos nossos entes queridos, que nossa humilde e confiante oração seja a de jamais perder de vista a esperança, na certeza da promessa da imortalidade, conforto e consolo garantido. Amém!

*Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com

Com shows em Fortaleza e Sobral, Feira da Música 2017 divulga programação completa

Otto encera a Feira da Música com show na Praça Verde (Foto: Kenza Said)
Entre os próximos dias 1º e 4, Fortaleza e Sobral recebem a 16ª edição da Feira da Música, um dos mais tradicionais festivais da cidade. Na abertura, o cabo-verdiano Mário Lúcio encontra os cearenses Lorena Nunes, Cainã Cavalcante, Igor Barreto e Nonato Lima no palco do Cineteatro São Luiz. O encerramento é com o pernambucano Otto, na Praça verde do Dragão do Mar. Dividido em vários palcos, a Feira tem shows pagos e gratuitos.
Veja a programação completa
PROGRAMAÇÃO MUSICAL
Quarta-feira, 01/11
++ Cineteatro São Luiz (R$ 20 – inteira, R$ 10 – meia)
17h – Orquestra de Sopro de Pindoretama (Foyer)
20h – Abertura da XVI Feira da Música
20h30 – Show com Mário Lúcio (Cabo Verde) e Lorena Nunes, Cainã Cavalcante, Igor Barreto e Nonato Lima
++ Praça dos Leões
Ingressos: Gratuito
22h às 00h – Forró Regional Asa Branca
00h às 02h – Os Muringas
Quinta-feira, 02/11
++ Teatro Carlos Câmara
Programação Show Business
Ingressos: Gratuito
15h às 15h40 – Erivan Produtos do Morro
15h40 às 16h20 – New Model
16h20 às 17h – Pulso de Marte
17h às 17h40 – Intuición
++ Theatro José de Alencar
17h – Escola de Música de Paracuru (Pátio Nobre) – Gratuito
Ingressos: R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia), R$ 5 + 1 kg de alimento (meia social)
18h às 18h40 – Ouse
18h55 às 19h35 – Lilt
19h50 às 20h30 – COLORIDA
20h45 às 21h25 – Projeto Rivera
21h40 às 22h20 – Seu Pereira (PB)
Sexta-feira, 03/11
++ Teatro Carlos Câmara
Programação Show Business
Ingressos: Gratuito
15h às 15h40 – Berg Menezes
15h40 às 16h20 – Procurando Kalu
16h20 às 17h – Clau
17h às 17h40 – Matheus Santiago
++ Theatro José de Alencar
17h – Escola de Música de Guaramiranga (Calçada) – gratuito
Ingressos: R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia), R$ 5 + 1 kg de alimento (meia social)
18h – Coral Canto da Casa (Pátio Nobre)
19h às 19h40 – Limiar do Desconhecido
19h55 às 20h35 – Zeis – De Preto em Blue
20h50 às 21h30 – Casa Maré
21h45 às 22h45 – Dazara Sounds
22h25 às 23h20 – Dusouto (RN)
Sábado, 04/11
++ Praça Verde
18h – Fundação Raimundo Fagner (Passarela)
19h – Orquestra Sanfônica Essência – Tapera das Artes (Passarela)
20h – Luthieria Cata Vento – Tapera das Artes (Passarela)
21h às 22h – Casa de Velho
22h30 às 00h – Otto (PE)
PROGRAMA CEARÁ MÚSICA – PAINÉIS
Auditório do Centro Cultural Dragão do Mar
Ingressos: Gratuito
Quarta-feira, 01/11
14h às 16h – Eixo 01 – Regulamentação e Legislação com André Brayner (mediador), Leonardo Salazar,Gerson Marques , Paulo Maranhão e Amaudson Ximenes.
16h às 18h – Eixo 02 – Memória com Alênio Carlos (mediador) e George Frizzo.
Quinta-feira, 02/11
9h às 11h – Eixo 03 – Produção com Camila Rodrigues (mediadora), Pena Schimit e Ivan Ferraro
11h às 13h – Eixo 04 – Circulação com Márcio Caetano (mediador), Paulo André, Anderson Foca, Denor Sousa e Orlângelo Leal
Sexta-feira, 03/11
9h às 11h – Eixo 05 – Distribuição com Juarez Sampaio (mediador) e Izabel Marigo
11h às 13h – Eixo 06 – Difusão e Comunicação com Isabel Andrade (mediadora), Bernardo Rua, Cyro Thomaz
Sábado, 04/11
14h16h – Eixo 07 – Formação com Mona Gadelha (mediadora), Inti Queiroz, Luiz Helênio e Paulo Victor
PROGRAMAÇÃO SOBRAL
Projeto Largo Musical/Conexão Porto Dragão especial Feira da Música
6 de Novembro (segunda – feira)
Local: Anfiteatro da Ecoa
Programação:
19h – Roda de Conversa sobre produção de carreira artística com Mário Lucio (Cabo Verde) e Ivan Ferraro
7 de Novembro (terça – feira)
Local: Largo das Dores
19h – Mário Lúcio (Cabo Verde\AFR)
20h – C. Magrão (Sobral)
21h – Daniel Peixoto (Fortaleza)
*Programação sujeita a alterações.
O Povo

Cine Humberto Mauro recebe retrospectiva do diretor francês Jean-Pierre Melville

Com cópias restauradas, mostra comemora centenário de nascimento do diretor.
Cena do filme
Cena do filme "Circulo Vermelho". (Divulgação)

Considerado um dos maiores cineastas do mundo e pai do movimento da nouvelle vague francesa, Jean-Pierre Melville tem a filmografia marcada pela aproximação com o cinema noir norte-americano e a criação de um universo ficcional único. O Cine Humberto Mauro recebe parte desse universo com a mostra mundial Retrospectiva Jean-Pierre Melville, produzida pelo Institut Français, em colaboração com a Fundação Jean-Pierre Melville, que marca as comemorações do centenário de nascimento do diretor.
O público poderá conferir cópias digitais restauradas, disponibilizadas pela Cinemateca da Embaixada da França no Brasil – incluindo O círculo vermelho (1970), O exército das sombras (1966), o curta 24 horas na vida de um palhaço (1946) e dois documentários sobre o diretor.
De ascendência judia, seu verdadeiro nome é Jean-Pierre Grumbach, nascido na França, em 1917. Adotou o sobrenome Melville em homenagem a Herman Melville, famoso escritor norte-americano, autor de Moby Dick. Durante a Segunda Guerra Mundial, o diretor fugiu da França, ocupada pelos nazistas, e se juntou à resistência francesa, da qual fez parte até o fim da guerra, chegando a receber condecorações por “atos de guerra”.  
A paixão de Melville pelos Estados Unidos não estava ligada apenas à literatura, como sugere seu nome artístico. Grande cinéfilo, era fascinado pelo cinema norte-americano produzido nos anos 30 e 40, principalmente pelos filmes noir – estética que trabalharia em sua filmografia nos anos seguintes.
Para Vítor Miranda, da Gerência de Cinema das FCS, a filmografia de Melville é grande reflexo de sua trajetória pessoal. Seus filmes podem ser divididos entre os policiais, neo noir e os filmes de guerra. “A paixão que Melville sentia pelo cinema americano é retomada na sua filmografia. Algumas produções do diretor podem se caracterizar como neo noir por trabalharem com questões formais e narrativas do cinema noir. A vivência Melville durante a Segunda Guerra Mundial também teve grande influência em suas produções”, destaca Miranda.  
Destaques – A mostra conta com a exibição do longa O Círculo Vermelho (1970), claro exemplo do gênero neo noir explorado pelo diretor. Contando com atores como Alain Delon, que marcaria presença em posteriores produções do diretor, a trama acompanha um grupo formado por ladrões, assassinos e policiais corruptos na tentativa de roubar uma joalheria. “Melville torna a narrativa policial hollywoodiana mais sutil, reapropriando a ideia clássica do crime no filme noir. Em O círculo vermelho, o caráter e a moral dos personagens são dúbios, sem maniqueísmos”, conta Miranda.
Outro destaque é Exército das sombras (1966), baseado na obra homônima do escritor Joseph Kessel. A trama é protagonizada por um engenheiro civil que leva uma vida pacata até se ver envolvido em um conflito de guerra. Segundo Miranda, além de um reflexo de sua trajetória de vida, a temática de guerra proporcionou que o diretor trabalhasse com os conceitos de moralidade, ética e vingança.
Os longas O Silêncio do Mar (1949), Bob, o Jogador (1955), Léon Morin, Padre (1961), Técnica de um Delator (1962) e o curta 24 horas na vida de um palhaço (1946) completam as exibições de autoria de Melville. Também fazem parte da mostra os documentários Sob o nome de Melville (2008), de Olivier Bohler, e o inédito In The Mood for Melville (2017) de Benjamin Clavel, que abordam a obra do cineasta francês e fornecem ferramentas para compreender a filmografia de um dos maiores nomes do cinema mundial.
Ainda que tenha sido fã dos diretores de estúdio de Hollywod, Melville realizou a maior parte da sua carreira de forma independente, mantendo seu controle criativo no âmbito do roteiro e direção de suas obras. Com o sucesso comercial e criativo, ele pode, ao final de sua carreira, abrir seu próprio estúdio.
Tal trajetória e carreira influenciou diretamente nomes do cinema mundial contemporâneo como Michael Mann, Quentin Tarantino, Takeshi Kitano, Jim Jarmusch e Paul Thomas Anderson, além de Truffaut e Godard.
História Permanente do Cinema – Dialogando com a Retrospectiva Jean-Pierre Melville, a sessão História Permanente do Cinema do dia 2 de novembro exibe o clássico Os sicilianos (1969), do também francês Henri Verneuil. Estrelado por Alain Delon, no papel de um ladrão profissional, a trama acompanha o roubo de uma joalheria.
Mostra Retrospectiva Jean-Pierre Melville
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes – Av. Afonso Pena, 1.537
Período: 2 a 8 de novembro
Entrada gratuita
Informações para o público: (31) 3236-7400

Fundação Clóvis Salgado

2020 é última chance de salvar o clima, diz ONU

A ambição das metas do Acordo de Paris precisa subir imediatamente para que o mundo tenha chance de estabilizar temperatura em menos de 2°C.
A atual trajetória de emissões põe a Terra no rumo de um aquecimento de 3,2ºC no fim deste século, segundo o Pnuma.
A atual trajetória de emissões põe a Terra no rumo de um aquecimento de 3,2ºC no fim deste século, segundo o Pnuma.

Por Claudio Angelo
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente publicou nesta terça-feira (31) seu relatório anual sobre o tamanho da dívida climática da humanidade. A boa notícia é que, aplicando tecnologias já existentes hoje, o mundo conseguiria chegar a 2030 com grande folga dentro da meta de estabilizar o aquecimento global em menos de 2ºC, como recomenda o Acordo de Paris. A má notícia é que um plano global para aplicar essas tecnologias em larga escala precisa começar a ser executado daqui a dois anos – e até agora não há o menor sinal de que isso esteja no horizonte.
O relatório, chamado Emissions Gap Report, se destina a medir o tamanho do buraco (“gap”, em inglês) existente entre a ambição das metas climáticas colocadas na mesa pelos países e a trajetória de emissões necessária para evitar que a temperatura da Terra atinja níveis catastróficos neste século.
Há oito anos ele é publicado sempre às vésperas das conferências do clima da ONU, que acontecem entre novembro e dezembro. E há oito anos a mensagem é a mesma: o buraco é imenso e, se todos não começarem a correr, não será possível fechá-lo.
A edição de 2017 mostra que, para ter uma chance maior do que 66% de manter o aquecimento em menos de 2ºC sem arrebentar a economia global, a humanidade precisa chegar a 2030 emitindo no máximo 42 bilhões de toneladas de gás carbônico (CO2) e outros gases de efeito estufa. Em 2016 nós emitimos 51,9 bilhões, o que nos deixa um “buraco” de, no mínimo, 11 bilhões de toneladas de CO2 equivalente em 2030. E isso se todas as metas nacionais (NDCs) do Acordo de Paris forem cumpridas com régua e compasso. Não parece ser o caso, dado, por exemplo, que os EUA estão dando para trás no seu compromisso.
Para ter mais de 50% de chance de estabilizar o clima em 1,5ºC, o “centro da meta” do Acordo de Paris – temperatura acima da qual as geleiras polares poderiam entrar em colapso rápido, condenando as nações insulares ao afogamento –, o nível de emissão necessário em 2030 é menor: 36 bilhões de toneladas. O buraco, portanto, é de pelo menos 16 bilhões.
Para dar ideia do que isso significa, reduzir 11 bilhões de toneladas de CO2 para ficar nos 2ºC equivaleria a zerar emissões de “dois EUA” em 12 anos. Tentar cumprir a meta de 1,5ºC equivaleria a zerar emissões de uma China e um Brasil. A atual trajetória de emissões põe a Terra no rumo de um aquecimento de 3,2ºC no fim deste século, segundo o Pnuma.
“Já em 2016, os primeiros artigos científicos apontavam que com os compromissos das NDCs ainda ficaríamos em torno de 3oC. Ainda é preciso considerar que muitas propostas, como a brasileira, não têm ainda detalhamento que assegure que o está lá efetivamente poderá ser alcançado”, disse ao OC a ecóloga Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília, coautora do relatório. “Ou seja, já partimos devendo e sem muita certeza de que os países irão entregar o que está nas NDCs.”
A única solução, segundo o relatório, é partir para um aumento imediato da ambição das NDCs – já em 2020, quando as metas começam a rodar. O Acordo de Paris prevê esse aumento, mas a negociação internacional é famosa por ter um grau de pressa bem menor que o da atmosfera. A primeira conversa sobre o assunto, o chamado “diálogo facilitativo”, está prevista para o ano que vem. E uma revisão das NDCs só está programada para ocorrer a partir de 2023. Vários países, como China e União Europeia, têm suas metas iniciais (fracas) para 2030, quando em tese a humanidade já reveria ter fechado o buraco de emissões. A matemática da atmosfera é, portanto, clara: ou bem se aumenta a ambição coletiva antes do prazo oficial, ou bem tostamos o planeta.
“Perder a opção de revisar as NDCs em 2020 tornaria praticamente impossível fechar o buraco de emissões”, afirmou o Pnuma.
Ferramentas técnicas para isso existem. Pela primeira vez, o relatório do Pnuma trouxe um cardápio de tecnologias que poderiam ser aplicadas a custos baixos (ou negativos) para reduzir emissões. Apenas seis delas – energia eólica, solar, eficiência energética, carros de passeio eficientes, reflorestamento e fim do desmatamento – seriam capazes de reduzir de 15 bilhões a 22 bilhões de toneladas de CO2 equivalente até 2030. É mais do que o mundo precisa para fechar o “gap”.
O problema é que entre saber o que precisa ser feito e fazê-lo há um fosso mais difícil de transpor do que o de emissões de carbono. Alguns países desenvolvidos, como os da UE, vêm pressionando pelo aumento da ambição coletiva para 2020. No entanto, emergentes como o Brasil insistem, não sem razão, em que não há conversa sobre ambição de corte de emissões sem uma conversa simultânea sobre ambição do financiamento climático.
E no topo de um diálogo que já não era simples de equilibrar sentou-se um elefante: o Partido Republicano dos EUA com Donald Trump. O presidente americano cortou os aportes de seu país ao Fundo Verde do Clima e prometeu tirar os EUA do Acordo de Paris, ampliando a percepção no mundo em desenvolvimento de que alguém chegou ao banquete antes, comeu toda a lagosta e agora quer empurrar a conta.
A 23ª Conferência do Clima da ONU, que começa na próxima segunda-feira (6) em Bonn, na Alemanha, será um termômetro do impacto da retirada dos EUA sobre a confiança internacional. Diplomatas esperam que Fiji, anfitriã da conferência, apresente um plano para o diálogo facilitativo de 2018. Será um teste para a determinação do mundo em acertar as contas com a atmosfera.

Observatório do Clima, 31-10-2017.

FINADOS: Tempo para não esquecer de quem deixou saudades

Reserve um tempo para visitar os vivos e os mortos que foram e são importantes para você

Para quem vive longe de sua terra natal, as férias são um tempo propício para visitar vivos e mortos. Isso mesmo! Sempre existe aquele tio doente, aquela vó com saudade, aqueles primos distantes, aquele amigo de infância.
Quando visito minha Santa (e bela) Catarina, sempre aproveito para dar uma passadinha no Parque da Saudade, onde meu pai está sepultado. Já passei tantas vezes naquele lugar, mas dessa vez, um detalhe me chamou à atenção. A grande maioria dos túmulos estavam enfeitados com flores de plástico. Algumas até pareciam de verdade. Outras eram cópias grosseiras dessa beleza frágil que a natureza cria para atrair abelhas e beija-flores. As imitações nascidas em lojinhas de R$ 1,99 não atraíam ninguém. Eram flores solitárias. O sol as castigava e roubava sua cor. Este é um dos resultados no nosso prático espírito moderno.
Tempo para não esquecer de quem deixou saudades
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Por que flores de plástico?

Por que as pessoas optaram por colocar as tais flores de plástico no lugar do repouso de seus entes queridos? Fiquei imaginando algumas repostas. Alguém diria que é melhor, pois elas não murcham, não soltam cheiro, não precisam de água. Tudo isso tem apenas um significado: podemos esquecer os mortos, pois as flores artificiais não precisam de cuidado.
Aí está o X da questão: o cuidado. Somente cuidamos daquilo que tem vida. Se mortos estão mortos, por que lhes dar flores vivas? Mas este não era exatamente o sentido de oferecer flores e velas aos mortos? Acreditamos na vida apesar de sua fragilidade. Recordamos os que morreram, apesar do tempo. As flores são símbolos fortes de vidas são sinais de cuidado, presentes infalíveis. Na dúvida, dê flores. O bom é que elas são “inúteis”. Não servem senão para encantar por alguns momentos. Algumas não duram uma semana, e ainda exigem cuidado. Depois murcham e desaparecem sem ferir a mãe terra. Flores naturais são ecologicamente corretas. As flores de plástico levarão muitos anos até se reintegrar à natureza. Duram demais. Já nascem mortas.

A vida precisa vencer

Eu estava distraído nesses pensamentos quando minha irmã disse que, naquele cemitério, havia um túmulo totalmente diferente. Era de uma garotinha muito nova, quem sabe doze anos, que havia falecido no dia 12 de junho de 2004, Dia dos Namorados. Havia gramináceas plantadas sobre o túmulo, enfeitado com bonequinhas e borboletas, presépios e flores. Acredite: de verdade!
Bem ao lado, havia uma árvore onde uma casinha abrigava pequenos pássaros atraídos pela comida que alguém, generosamente, deixara ali. Beija-flores vinham beber a água açucarada que existia em um recipiente próprio. Alguns vasos de flores estavam ao redor daquele monumento à vida. Minha irmã descobriu que a pessoa, que mantinha aquele lugar, tomara o cuidado de deixar uma garrafinha de plástico com água e um pequeno furo, de modo que a água ia aos poucos alimentando as flores. Afinal, o plástico não era tão ruim assim. Percebemos que as garrafas estavam vazias. Enchemo-nas e as colocamos novamente nas flores. Antes de sair, fizemos uma prece natural. Impossível não ser elevado ao êxtase quando a vida vence. Aquela garotinha vive, e vive muito!
Padre Joãozinho, SCJ

Novembro Azul lembra importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata

Letycia Bond - Repórter da Agência Brasil
Monumentos são iluminados em apoio à campanha Novembro Azul para chamar a atenção dos homens sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata (Valter Campanato/Agência Brasil)
Monumentos são iluminados em apoio à campanha Novembro Azul para chamar a atenção dos homens sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata Valter Campanato/Agência Brasil
O câncer de próstata é o foco de mais uma edição da campanha Novembro Azul, organizada pela Sociedade Brasileira de Urologia. O câncer de próstata, tipo mais comum entre os homens, é a causa de morte de 28,6% da população masculina que desenvolve neoplasias malignas. Somente entre 2016 e 2017, 61,2 mil novos casos foram estimados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Com o intuito de estimular a população masculina a superar a vergonha em relação ao assunto e cuidar da saúde, a campanha realiza diversas ações ao longo do mês. Em São Paulo, a programação, que começa na segunda-feira (5) e vai até dia 23, inclui mutirões para esclarecer dúvidas, uma caminhada e palestras. Em Brasília, será realizado na Câmara dos Deputados o X Fórum de Saúde do Homem, no dia 21. Por ocasião da campanha, como em anos anteriores, o Congresso Nacional e o Cristo Redentor serão iluminados de azul.
Os aspectos culturais, como o machismo, têm impacto no diagnóstico e controle da doença, muitas vezes associada com a perda da virilidade. Como consequência, há o isolamento e a baixa autoestima do paciente que, não raro, tem dificuldade para buscar ajuda e médica e durante o tratamento precisa se afastar das atividades laborais.
“A gente não consegue conversar porque as pessoas mudam de assunto rapidinho. De cara, a pessoa quer saber da vida sexual, não quer saber se você passa mal, se desmaia. Você fica meio invisível. Meu irmão mesmo disse: ‘Você é um câncer mais ou menos’, porque imagina-se que você tem que fazer aquela cara de dor, ou então, não considera que você tem câncer”, desabafa o assistente administrativo Liomardes Lino, que já passou por uma cirurgia para tratar a doença teve uma recidiva no ano passado, que o levou à radioterapia.
De acordo com dados do Inca, a cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata, nove têm mais de 55 anos. Considerado novo para desenvolver a doença, Lino foi diagnosticado com o câncer de próstata aos 48 anos, em 2014. Foi por insistência de sua esposa que fez o exame chamado Antígeno Prostático Específico (PSD), que acusava um alto grau de anormalidade dos níveis esperados da proteína produzida pela próstata.
Exames de toque
Para o urologista Mário Fernandes Chammas Jr, a cultura machista da América Latina é um fator que atrapalha a detecção e, portanto, o tratamento da doença. Ele assegura que o exame de toque retal é simples e rápido, com duração de 5 a 10 segundos, e defende as consultas regulares ao médico. “Muitas vezes, o paciente acaba falando: ‘Era só isso?’. E perde o medo inicial.”
Além do tabu em relação ao exame, outro aspecto relevante é o fato de que a maioria de casos é assintomática. “É diferente de outros tipos de câncer, em que aparece algo no seu corpo, algo que provoca medo e te faz ir ao médico. Em larga maioria, só há sintoma quando já está muito avançado. Cabe ao médico procurar antes que chegue a esse ponto”, afirma.
Rede de apoio
Liomardes Lino participa atualmente de um grupo de homens que passaram ou passam pelo tratamento e trocam experiências por meio do aplicativo Whatsapp. Desse encontro, surgiu também a página Eu tive câncer de próstata, no Facebook, criada pelo representante de medicamentos Fernando César de Toledo Maia. Também diagnosticado com câncer de próstata, ele conta que se sentia isolado e lamentava não encontrar um canal de troca de experiências. "Senti necessidade de fazer porque não tive onde me apoiar, eu não conhecia histórias. A única história que ouvia era: 'você vai ficar impotente, incontinente’”, conta Maia.
Na opinião dele, o governo deveria realizar campanhas de impacto, como as que conseguiram reduzir o número de fumantes no país, para chamar atenção para a importância e a gravidade do tema. “A campanha deve comunicar a possibilidade de metástase [quando o câncer se espalha por outros órgãos]”, opina.
Ele relata que, mesmo no grupo, a preocupação principal dos integrantes é quanto aos possíveis efeitos colaterais do tratamento e que nenhum deles faz acompanhamento psicológico, embora muitos estejam enfrentando problemas com a família e depressão. “Eles não acreditam que a psicoterapia traria um retorno a esses problemas [sexuais]. Conheço um médico que havia casado com uma pessoa mais nova e que não quis se tratar porque achou que ia perder a virilidade”, diz.
Mário Fernandes Chammas Jr. esclarece que não é o câncer que leva a uma possível impotência sexual, mas sim o tratamento. “Nos tratamentos mais comuns no Brasil, a radioterapia e a cirurgia, quando você ataca a próstata, machuca os tecidos em volta dela, incluindo o nervo responsável pela ereção.”
Ele acrescenta que boa parte dos pacientes recupera a função, havendo a opção de aplicar medicamentos diretamente no pênis e, em último caso, utilizar uma prótese peniana. Em todos os casos, o urologista é o profissional médico qualificado para prescrever o método mais indicado.

Sintomas e prevenção
O médico explica também que o tipo mais comum de câncer de próstata é o adenocarcinoma. Na fase inicial da doença, são comumente identificados sangue na urina, dificuldade em urinar, diminuição do jato de urina e aumento da frequência ao banheiro.
Para investigar o câncer de próstata são feitos dois exames: o de toque retal, que avalia o tamanho, a forma e a textura da próstata, e o Antígeno Prostático Específico (PSD). Para confirmar uma suspeita sinalizada pelos dois testes, é feita uma biópsia, que consiste em analisar pequenos pedaços da glândula. A função da próstata é a produção de um líquido que compõe parte do sêmen, que nutre e protege os espermatozóides.
Homens cujo pai ou irmão tiveram câncer de próstata antes dos 60 anos têm maior chance de também desenvolvê-lo. Outros fatores de risco são sobrepeso e tabagismo. Praticar atividades físicas e manter uma alimentação saudável são formas de prevenir a doença.
Quando se manifesta da forma menos agressiva dos três níveis existentes, o paciente deve frequentar o médico a cada três meses e seguir uma rotina de exames laboratoriais, protocolo estabelecido por especialistas há cerca de dez anos.
Direitos do paciente com câncer
Os pacientes com câncer têm direito a receber auxílio-doença – se for afastado do trabalho por mais de 15 dias – e o saque do Programa de Integração Social e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep). Quem é atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pode solicitar ainda o benefício chamado Tratamento Fora de Domicílio (TFD), valor que cobre despesas como transporte aéreo, terrestre e fluvial, diárias para alimentação e pernoite. No caso do TFD, a liberação depende da disponibilidade orçamentária do município ou estado. Alguns estados, como o Rio de Janeiro, asseguram ainda a gratuidade de ônibus intermunicipais, trem, metrô e barca. A lista dos completa dos direitos do paciente está disponível no site do Inca.