Cine Humberto Mauro recebe retrospectiva do diretor francês Jean-Pierre Melville

Com cópias restauradas, mostra comemora centenário de nascimento do diretor.
Cena do filme
Cena do filme "Circulo Vermelho". (Divulgação)

Considerado um dos maiores cineastas do mundo e pai do movimento da nouvelle vague francesa, Jean-Pierre Melville tem a filmografia marcada pela aproximação com o cinema noir norte-americano e a criação de um universo ficcional único. O Cine Humberto Mauro recebe parte desse universo com a mostra mundial Retrospectiva Jean-Pierre Melville, produzida pelo Institut Français, em colaboração com a Fundação Jean-Pierre Melville, que marca as comemorações do centenário de nascimento do diretor.
O público poderá conferir cópias digitais restauradas, disponibilizadas pela Cinemateca da Embaixada da França no Brasil – incluindo O círculo vermelho (1970), O exército das sombras (1966), o curta 24 horas na vida de um palhaço (1946) e dois documentários sobre o diretor.
De ascendência judia, seu verdadeiro nome é Jean-Pierre Grumbach, nascido na França, em 1917. Adotou o sobrenome Melville em homenagem a Herman Melville, famoso escritor norte-americano, autor de Moby Dick. Durante a Segunda Guerra Mundial, o diretor fugiu da França, ocupada pelos nazistas, e se juntou à resistência francesa, da qual fez parte até o fim da guerra, chegando a receber condecorações por “atos de guerra”.  
A paixão de Melville pelos Estados Unidos não estava ligada apenas à literatura, como sugere seu nome artístico. Grande cinéfilo, era fascinado pelo cinema norte-americano produzido nos anos 30 e 40, principalmente pelos filmes noir – estética que trabalharia em sua filmografia nos anos seguintes.
Para Vítor Miranda, da Gerência de Cinema das FCS, a filmografia de Melville é grande reflexo de sua trajetória pessoal. Seus filmes podem ser divididos entre os policiais, neo noir e os filmes de guerra. “A paixão que Melville sentia pelo cinema americano é retomada na sua filmografia. Algumas produções do diretor podem se caracterizar como neo noir por trabalharem com questões formais e narrativas do cinema noir. A vivência Melville durante a Segunda Guerra Mundial também teve grande influência em suas produções”, destaca Miranda.  
Destaques – A mostra conta com a exibição do longa O Círculo Vermelho (1970), claro exemplo do gênero neo noir explorado pelo diretor. Contando com atores como Alain Delon, que marcaria presença em posteriores produções do diretor, a trama acompanha um grupo formado por ladrões, assassinos e policiais corruptos na tentativa de roubar uma joalheria. “Melville torna a narrativa policial hollywoodiana mais sutil, reapropriando a ideia clássica do crime no filme noir. Em O círculo vermelho, o caráter e a moral dos personagens são dúbios, sem maniqueísmos”, conta Miranda.
Outro destaque é Exército das sombras (1966), baseado na obra homônima do escritor Joseph Kessel. A trama é protagonizada por um engenheiro civil que leva uma vida pacata até se ver envolvido em um conflito de guerra. Segundo Miranda, além de um reflexo de sua trajetória de vida, a temática de guerra proporcionou que o diretor trabalhasse com os conceitos de moralidade, ética e vingança.
Os longas O Silêncio do Mar (1949), Bob, o Jogador (1955), Léon Morin, Padre (1961), Técnica de um Delator (1962) e o curta 24 horas na vida de um palhaço (1946) completam as exibições de autoria de Melville. Também fazem parte da mostra os documentários Sob o nome de Melville (2008), de Olivier Bohler, e o inédito In The Mood for Melville (2017) de Benjamin Clavel, que abordam a obra do cineasta francês e fornecem ferramentas para compreender a filmografia de um dos maiores nomes do cinema mundial.
Ainda que tenha sido fã dos diretores de estúdio de Hollywod, Melville realizou a maior parte da sua carreira de forma independente, mantendo seu controle criativo no âmbito do roteiro e direção de suas obras. Com o sucesso comercial e criativo, ele pode, ao final de sua carreira, abrir seu próprio estúdio.
Tal trajetória e carreira influenciou diretamente nomes do cinema mundial contemporâneo como Michael Mann, Quentin Tarantino, Takeshi Kitano, Jim Jarmusch e Paul Thomas Anderson, além de Truffaut e Godard.
História Permanente do Cinema – Dialogando com a Retrospectiva Jean-Pierre Melville, a sessão História Permanente do Cinema do dia 2 de novembro exibe o clássico Os sicilianos (1969), do também francês Henri Verneuil. Estrelado por Alain Delon, no papel de um ladrão profissional, a trama acompanha o roubo de uma joalheria.
Mostra Retrospectiva Jean-Pierre Melville
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes – Av. Afonso Pena, 1.537
Período: 2 a 8 de novembro
Entrada gratuita
Informações para o público: (31) 3236-7400

Fundação Clóvis Salgado

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