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6 de junho de 2016

BRASIL: 73% DA POPULAÇÃO QUE CONSOME AÇÚCAR E PRATICA ATIVIDADE FÍSICA ESTÁ COM O PESO ADEQUADO

domtotal,com, 04/06/2016



Ingrediente tem papel fundamental como fornecedor e repositor de energias para pessoas ativas.
Ingrediente tem papel fundamental como fornecedor e repositor de energias para pessoas ativas.
A pesquisa "Consumo equilibrado: uma nova percepção sobre o açúcar", realizada pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia no âmbito da Campanha Doce Equilíbrio, aponta que 73% da população que consome açúcar e pratica atividade física está com peso adequado. O resultado reforça o que diretrizes nutricionais já indicam no que diz respeito a não "vilanização" de ingredientes e ao uso do açúcar dentro de um estilo de vida saudável.
De acordo com o Dr. Daniel Magnoni, cardiologista e chefe de nutrição do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, o açúcar é considerado prejudicial porque a população o enxerga isoladamente, se esquecendo de um componente importante, que é o estilo de vida: "O ingrediente só é negativo quando ingerido em grande quantidade e somado à uma vida de excessos, estresses e sedentarismo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 10% das calorias totais diárias podem ser obtidas via açúcar".
O preparador físico Marcio Atalla observa a recomendação da OMS para que as pessoas sejam ativas. "Para adultos entre 18 e 64 anos é preciso pelo menos 150 minutos de atividade por semana, o que é aproximadamente 30 minutos por dia. Vale ressaltar que o movimento está relacionado à medicina preventiva", orienta Atalla.
Segundo o endocrinologista e responsável pelo Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP, Dr. Marcio Mancini, o sedentarismo é um dos principais fatores em relação ao estilo de vida da população e ao desenvolvimento de doenças, como a obesidade. Os dados da pesquisa mostram que apenas 30% dos entrevistados praticam atividades físicas. Apesar da taxa baixa, desse total, 67% ingerem açúcar e, dos que consomem, a maioria mantem o peso adequado (73%).
"Esse índice mostra que o ingrediente não é a principal causa da obesidade ou do sobrepeso, e sim um coadjuvante. Doenças como obesidade e diabetes são multifatoriais, ou seja, podem ter diversas causas, sendo que nenhuma delas é o consumo isolado do açúcar. No caso do diabetes, já sabemos que a sacarose não aumenta mais a glicemia do que outros carboidratos quando ingerida em quantidade equivalente. Isto é, o açúcar pode ser inserido em uma dieta saudável", explica o endocrinologista.
A pesquisa mostra que 71% dos entrevistados consomem açúcar habitualmente. Desse total, 46,5% utilizam o ingrediente de uma a três vezes na semana, sendo que a preferência (85%) é pelo tipo branco. "Existe um terrorismo nutricional. Pessoas buscando dietas restritivas e da moda, se esquecendo do prazer de comer e, principalmente, do saber se alimentar. Nenhum exagero é saudável, seja o consumo excessivo ou escasso de determinado ingrediente", salienta Marcia Daskal, nutricionista e proprietária da Recomendo Assessoria em Nutrição. 
Além disso, o Dr. Daniel Magnoni acredita que é preciso trabalhar os conceitos de educação nutricional com a população e ensinar de que forma o açúcar pode ser usado. Menos da metade dos entrevistados tem o costume de olhar os rótulos dos produtos (36%). Desse contingente,
54% buscam informações sobre o açúcar especificamente. "Há um certo grau de dificuldade para diferenciar o açúcar adicionado com o presente nos alimentos. É muito importante trabalhar junto à população os conceitos de rotulagem e de consumo consciente", salienta o especialista.
Ainda de acordo com a amostra, em uma pergunta de múltipla escolha, 88% dos que consomem açúcar afirmaram utilizar o ingrediente no chá ou café, 61,5% no preparo de sobremesas e bolos, 57% nos sucos e 42% no leite. Além disso, 46% afirma ingerir doces (bolo, tortas etc) de uma a três vezes por semana e 26% todos os dias.
"Com esta pesquisa, tivemos mais uma comprovação de que o açúcar faz parte da rotina do brasileiro de forma significativa. Muito tem se falado do ingrediente como o vilão da saúde, fato que não se comprova. É preciso sempre lembrar do consumo equilibrado que, uma vez colocado em prática, não traz nenhum risco", finaliza o Dr. Magnoni.
Mais informações sobre a pesquisa:
·         71% dos entrevistados consomem açúcar habitualmente;
·         85% têm preferência pelo tipo branco;
·         88% afirmam adicionar açúcar ao café e ao chá;
·         26% ingerem alimentos açucarados todos os dias;
·         67% dos que praticam atividade física consomem açúcar. Destes, 73% têm o peso normal.

Burson Marsteller

MARIANA GODOY ENTREVISTA - CIRO GOMES (04/12/2015)

DIPLOMATA BRASILEIRO É VAIADO E TEM FALA CORTADA EM CONFERÊNCIA DA OIT POR NEGAR GOLPE

Membros da bancada dos trabalhadores brasileiros presentes na reunião do Comitê se levantaram do plenário para denunciar o golpe de estado. Delegados que representam trabalhadores e sindicatos de mais de 100 países somaram o coro em protesto ao governo brasileiro, suspendendo temporariamente a sessão meio aos protestos de representantes dos trabalhadores; discurso negando golpe teria se dado a mando de Serra

Por Lucas Bulgarelli, de Genebra (Suíça)
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Ocorre desde a segunda-feira (30) em Genebra a 105ª Conferência Internacional do Trabalho, principal reunião da Organização Internacional do Trabalho, organismo pertencente às Nações Unidas.

A discussão proposta na tarde desta sexta-feira no plenário Comitê de Normas da OIT tratava de uma denúncia de violação pelo governo de Honduras da Convenção 169, instrumento que trata sobre os direitos dos povos indígenas e originários. Um membro da diplomacia brasileira pertencente à Missão Permanente do Brasil na ONU tomou a fala para se referir à situação política brasileira, assinalando no seu discurso que as manifestações contrárias ao governo Temer se baseiam em um julgamento político sobre procedimento constitucional. Sua fala teria sido feita a mando de José Serra, ministro das Relações Internacionais.

Membros da bancada dos trabalhadores brasileiros presentes na reunião do Comitê se levantaram do plenário para denunciar o golpe de estado. Delegados que representam trabalhadores e sindicatos de mais de 100 países somaram o coro em protesto ao governo brasileiro, suspendendo temporariamente a sessão meio aos protestos de representantes dos trabalhadores.

A presidente da sessão, Cecilia Mulindeti-Kamanga, interrompeu o diplomata, alegando que o representante do governo infringiu as regras da Conferência ao tratar de assunto fora da pauta. O governo brasileiro teve sua fala cortada na Conferência como sanção pela infração cometida.

Foto: Reprodução/Twitter

O PAPA ESTABELECE QUE NEGLIGÊNCIA EM CASOS DE ABUSO BASTE PARA DESTITUIR A BISPOS

Por Alvaro de Juana
Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

VATICANO, 04 Jun. 16 / 04:11 pm (ACI).- Em um novo passo no combate aos abusos do clero contra menores, o Papa Francisco assinou e publicou a Carta Apostólica Motu Proprio “Como uma mãe amorosa” em que reforça as medidas nestes casos.

O documento contém 5 artigos e a novidade é que o Santo Padre estabelece também que entre as causas mais graves já previstas para afastar bispos do seu cargo esteja também a negligência.

O Papa escreve que "Como uma mãe amorosa a Igreja ama a todos seus filhos, mas cuida e protege com um afeto particular os menores e indefesos. Consciente disto, a Igreja dedica um cuidado vigilante à tutela das crianças e dos adultos vulneráveis”. Trata-se de uma tarefa em que os bispos “devem emprestar uma particular diligencia em proteger a aqueles que são mais fracos entre as pessoas a eles confiadas”.

O próprio Francisco explica que “o Direito Canônico já prevê a possibilidade separar (um bispo) do trabalho eclesiástico por causas graves”. Mas “com a presente carta quero precisar que entre tais causas graves está compreendida a negligência dos Bispos no exercício de sua função, em particular relativo às causas de abusos sexuais a menores e adultos vulneráveis”.

A medida, que entrará em vigor no dia 5 de setembro, assinala que “o Bispo diocesano ou o eparca, ou aquele que, também se for a título temporário, tem a responsabilidade de uma Igreja particular, ou de outra comunidade de fiéis (…) pode ser legitimamente afastado de seu encargo, se por negligência, realizou ou omitiu ato que tenham provocado um dano grave a outros, sejam pessoas físicas, seja uma comunidade em seu conjunto. O dano pode ser físico, moral, espiritual ou patrimonial”.

A Carta do Papa estabelece ademais que “o Bispo diocesano ou o eparca pode ser afastado somente se houvesse objetivamente faltado de maneira muito grave à diligência que foi pedida por seu ofício pastoral, também sem grave culpa moral de parte dela”.

“No caso de que se trate de abusos a menores ou de adultos vulneráveis é suficiente que a falta de diligência seja grave”, assegura o Motu Proprio.

Por outro lado, o Pontífice também estabelece que “a competente Congregação da Cúria romana pode iniciar uma investigação sobre isso, dando notícia ao interessado e a possibilidade de entregar documentos e testemunhos”.

“Ao Bispo será dada a possibilidade de defender-se, algo que poderá fazer com os meios previstos no direito. Todos os passos da investigação lhe serão comunicados e lhe será dada sempre a possibilidade de encontrar-se com os Superiores das Congregações”.

No ponto número 4, o Papa assinala que “a Congregação estabelecerá, em base às circunstâncias do caso dar no tempo mais breve possível o decreto que o afaste”, assim como “exortar fraternalmente o Bispo a apresentar sua renúncia em um prazo de 15 dias”. “Se o Bispo não der sua resposta no tempo previsto, a Congregação poderá o emitir o decreto que estabelece o afastamento”.  Esta decisão deverá contar sempre com a aprovação do Papa.

O porta-voz da Santa Sé, o Pe. Federico Lombardi, explicou à imprensa que o documento não sai ao encontro de casos de abusos por parte de bispos pois já têm um caminho judicial estabelecido pela Congregação da Doutrina da Fé, mas sim de “negligência em atos do ofício por parte de bispos”.

O Pe. Lombardi quis sublinhar que não se trata de uma nova lei, mas de regrar e reforçar alguns cânones já existentes. O que sim é uma novidade é a “constituição de um Colégio de Juristas que assistirá o Santo Padre antes que tome uma decisão definitiva” a qual poderia estar formada por cardeais e bispos.

7 FORMOSAS REPRESENTAÇÕES NÃO TRADICIONAIS DA VIRGEM MARIA


REDAÇÃO CENTRAL, 04 Jun. 16 / 03:00 pm (ACI).- A Virgem Maria era judia; não obstante, diferentes culturas e etnias retrataram frequentemente a Mãe de Deus, Jesus e outros personagens bíblicos como se pertencessem ao seu lugar de origem.
Como por muitos séculos o cristianismo se desenvolveu na Europa, estes personagens importantes da história da salvação foram representados como europeus de pele branca. Entretanto, outras culturas os representaram também de acordo com as suas próprias aparências.
A seguir, confira 7 formosas representações não europeias da Virgem Maria:
1. Virgem da Tailândia
Via pccholyland.wordpress.com
2. Nossa Senhora de Haile Selassie (Etiópia)
Miko Stavrev / Wikimedia Commons
3. A Virgem e o Menino uso nativo americano (Estados Unidos)
Karla Solorzano / Pinterest
4. A Virgem Negra de Czestochowa (Polônia)
Public Domain / Wikimedia Commons
5. Virgem de Pequim (China)
DR
6. Nossa Senhora de Akita (Japão)
Via pccholyland.wordpress.com
6. Asian Madonna (Coreia)
7. Nossa Senhora de Guadalupe (México)
Public Domain / Wikimedia Commons
Confira também:

ASSIM O MATEMÁTICO JOHN LENNOX DEFENDE A EXISTÊNCIA DE DEUS

MADRI, 04 Jun. 16 / 04:00 pm (ACI).- “Disparando contra Deus. Porque os novos ateus não atingem o alvo” é o novo livro do catedrático em Matemática da Universidade de Oxford, John Lennox, no qual defende a existência de Deus como “a base da moralidade” frente a um ateísmo onde “tudo é permitido” entre cujos defensores citou o escritor Christopher Hitchens e o cientista Richard Dawkins.

Esta última obra, conforme afirmou durante a apresentação em maio na cidade de Salamanca (Espanha), surgiu como uma resposta “à ideia de que a religião é perigosa na cultura europeia”, um conceito que se estendeu como consequência de atentados como os do dia 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque.

Segundo o jornal ABC, o matemático sublinhou que a ciência e a religião “não se opõem” e também se mostrou contra a ideia estendida de que “toda religião é perigosa” pois “as pessoas que pegam as armas em nome de Cristo não seguem seu nome, mas o desobedecem”, apontou.

Nesse sentido, destacou que “o novo ateísmo ignora os rios de sangue criados pelas sociedades ateias” e recordou alguns nomes, como Stalin, Pol Pot ou Mao Tse-Tung, ditadores que tentaram impor sociedades baseadas na ausência de Deus.

“Durante vários séculos na Europa, a moralidade e a ética tiveram como base a lei de Deus, mas com o secularismo da Ilustração, essa dimensão transcendente desapareceu”, destacou e explicou que este é “o problema dos ateus” que não encontram “em que devem basear a moralidade e a ética”.

Por isso recordou a obra “Os irmãos Karamazov”, de Fiodor Dostoyevski, no qual afirma que “se Deus não existi, tudo é permitido”, por isso “há uma relação muito direta entre Deus e a moralidade”.

Nesse sentido, o autor britânico apontou que a “mensagem central do cristianismo” é que “Jesus Cristo morreu na cruz para salvar a humanidade”, uma mensagem que segundo Lennox é “difícil de ser compreendida atualmente na Europa”, porque “o conceito de pecado desapareceu completamente”, embora ainda se mantém “o sentido de culpa”.

Destacou ainda que é primordial compreender “a mensagem da misericórdia e o perdão que explicam a morte de Deus pelos nossos pecados”.

ESCRITORES BRANCOS DO SEXO MASCULINO: UNIVERSITÁRIOS PEDEM PARA NÃO ESTUDAR

Os estudantes enviaram um documento para o departamento do curso pedindo que o estudo dos grandes poetas ingleses não seja mais pré-requisito para outras disciplinas
De acordo com o texto dos alunos, priorizar esses escritores cria uma cultura “especialmente hostil aos estudantes de cor | Universidade de Yale/Divulgação
Da Redação  [02/06/2016]  [17h57]
 De acordo com o texto dos alunos, priorizar esses escritores cria uma cultura “especialmente hostil aos estudantes de cor | Universidade de Yale/Divulgação
De acordo com o texto dos alunos, priorizar esses escritores cria uma cultura “especialmente hostil aos estudantes de cor Universidade de Yale/Divulgação

Estudantes de inglês da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, enviaram um pedido ao departamento do curso: eles querem a retirada do estudo dos “grandes poetas ingleses”, escritores brancos, do sexo masculino, nas matérias introdutórias que servem de pré-requisito para outras disciplinas. “É inaceitável que um estudante de Yale que queira introduzir-se na literatura inglesa deva ler apenas autores brancos do sexo masculino”, escreveram na petição.

De acordo com o texto dos alunos, priorizar esses escritores cria uma cultura “especialmente hostil aos estudantes de cor”. Com essa escolha, apontam eles, a universidade não prepara seus estudantes para fazerem estudos “de alto nível relativos à raça, sexo, sexualidade, etnia, nacionalidade”. E insistem: “pedimos que os grandes poetas ingleses sejam abolidos”.

Segundo o texto, é preciso “descolonizar” as disciplinas do curso e não “diversificar”. “A educação do século 21 é uma educação diversa: nós escrevemos a vocês hoje inspirados pelo ativismo estudantil em toda a universidade, e para se certificar de que vocês sabem que o departamento de Inglês não é imune à chamada coletiva para a ação”, afirmam na petição. “É de sua responsabilidade como educadores ouvir as vozes dos estudantes”.

Como reação, alguns professores do departamento anunciaram estar orgulhosos da coragem dos alunos de contestar o currículo do curso, como Jill Richards. Já a professora Catherine Nicholson, responsável por ensinar a matéria dos ‘grandes poetas ingleses’, elogiou o questionamento sobre os motivos pelos quais o conteúdo é considerado um pré-requisito indispensável, mas defendeu que a disciplina em si, pelo conhecimento que traz, não é uma ferramenta de exclusão ou opressão; para ela é mais um exercício de “resistência e libertação”.

ESTUPRARAM A JOVEM E A DEMOCRACIA

golpenuncamais
 
A jovem adolescente tem 16 anos e foi estuprada covardemente. A jovem democracia está sendo estuprada por um impeachment que é golpe.
Por Selvino Heck
A jovem adolescente tem 16 anos.
A jovem democracia tem 30 anos.
A jovem adolescente foi estuprada covardemente. Primeiro, por animais sem rosto e sem nome. Depois, por um delegado que disse não ter havido estupro. Por fim, por um governador interino que pediu a pena de morte para os estupradores.
A jovem democracia está sendo estuprada por um impeachment que é golpe. Mais que o afastamento de uma presidenta da República legitimamente eleita, quem é atacado é a democracia de tão pouca história no país do latifúndio, dos coronéis, das elites sem soberania, dos rentistas sem pátria.
(‘Estupraram a democracia’ foi o grito de guerra das mulheres na frente do prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) em ato no dia 16 de maio de 2016. E elas passaram por cima das grades ali colocadas, deixaram a segurança a ver navios e avançaram no protesto até o prédio do STF. Coragem, ousadia e desobediência civil.)

Se alguém pensa que os dois estupros nada têm a ver um com o outro, enganou-se. Quem estupra uma jovem adolescente sem dó nem piedade, não tem apreço pelo ser humano, não sabe da dignidade da mulher e da santidade do seu corpo. Quem estupra a democracia como se fosse um gesto qualquer sem consequência, não sabe o valor da liberdade e da justiça, não tem apreço pelo povo e sua soberania. Como uns e outros podem construir juntos a democracia, ou serem democratas de verdade? Como uns e outros podem conviver respeitando a pessoa humana e a mulher?
Aprendi nos tempos de Seminário, nas aulas de grego e latim que democracia junta duas palavras: ‘demos’ e ‘kratein’. Demos significa povo. Kratein quer dizer governo do povo. Ou seja, a democracia só subsiste com a vontade popular. Sem a chancela do povo, que se dá pelo voto, a democracia é golpeada, sofre estupro, vira ditadura.
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O Brasil tem pouco tempo e história de vida de democrática. Nem meia dúzia de presidentes eleitos pelo voto popular concluíram seu mandato. Este – 1985/2016 – é o mais longo período de vida democrática. Vida democrática conquistada nas ruas, nas Diretas-Já , na Constituinte, nas greves, na educação popular freireana, com muito suor e lágrimas, no sofrimento das torturas, dos assassinatos políticos, das prisões e do exílio.

O estupro das mulheres acontece todos os dias, quase como se fosse um ritual e uma festa, como se o corpo do outro e da outra não fosse divino, sagrado, como se o prazer sádico permitisse qualquer coisa, como se os valores predominantes numa sociedade machista e homofóbica estivessem na lei e fossem permitidos. Na prática, muitas vezes o são. Na cabeça das pessoas e no silêncio geral. A cultura do estupro, acompanhada da impunidade, sub-repticiamente e muitas vezes às claras, é admitida e assim praticada: ‘foi ela que deu chance’; foi ela que usou roupas provocativas’; ‘foi ela que bebeu demais’; ‘foi ela que frequentou ambientes onde não devia estar’.
Há que preservar a santidade e a dignidade do corpo e das mentes, a humanidade, como há que preservar a democracia da sociedade, o respeito às diferenças, o sentido do coletivo.
Nenhum país ou Nação constroem-se ou são dignos de assim serem chamados se aceitarem qualquer tipo de estupro, estupro de qualquer natureza. Nenhum ser humano tem direito sobre o outro ou pode usurpar o poder concedido coletivamente. Cada ser humano é livre, dispõe de seu corpo e dos seus sentimentos.
A cultura do vale tudo, do pode tudo, do poder absoluto, do desrespeito às leis e às pessoas, do coronel do ‘manda quem pode, obedece quem precisa’, do favor que não aparece e da corrupção deslavada, ainda está presente, muitas vezes dominante. O momento de crise, seja política, seja de valores, pode ser a hora de acordar, de perguntar-se sobre o que afinal está acontecendo, sobre o que eu e cada um, sobre o que a comunidade e a sociedade, coletivamente, podem e devem fazer. Para ter esperança. Para ter futuro. Para que nunca mais aconteça.
*Selvino Heck é deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul – 1987/1990.
Em três de junho de dois mil e dezesseis