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6 de setembro de 2018

Maior parte das obras da Bienal de SP é de autoria masculina


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"Glömd", de Mamma Anderson e "Rodtchenko", de Waltercio Caldas ( Fotos:Per-Erik Adamsson/Vicente de mello )
Dos sete curadores escolhidos para organizarem os espaços no pavilhão da 33ª Bienal de São Paulo - Afinidades Afetivas, que começa nesta sexta (7), quatro são mulheres e três, homens. Porém, as obras selecionadas por esses mesmos artistas não refletem esse equilíbrio - boa parte das peças selecionadas são de homens. Em entrevista aos jornalistas na manhã da última terça-feira (4), os curadores convidados explicaram suas escolhas.
A sueca Mamma Andersson diz esperar que os visitantes vejam as obras "de artistas e não de gêneros". Waltercio Caldas fez coro ao afirmar que não partiu da escolha de nomes de artistas para sua seleção, mas sim de obras.
Selecionado pela Fundação Bienal, o curador espanhol Gabriel Pérez-Barreiro apresentou desde o início uma proposta que distribui o poder de decisão e dá prioridade às influências entre processos e artistas.
Durante a coletiva, ele afirmou que deu liberdade total aos artistas convidados. "Estamos acostumados a olhar para a lista de artistas como se fosse a de uma exposição. Mas na Bienal tem, por exemplo, um espaço enorme dedicado às obras de Denise Mila", conta, citando a artista que cria esculturas e instalações com grandes pedras de cristais.
Conceito
A ideia de "Afinidades Afetivas" guiou a construção dessa Bienal. A expressão nasce da associação de um romance de Goethe Afinidades eletivas (1809) com o pensamento de Mário Pedrosa em sua tese "Da natureza afetiva da forma na obra de arte" (1949). Sete artistas de diferentes origens, gerações e práticas artísticas foram convidados por Pérez-Barreiro a conceber, cada um deles, uma exposição coletiva selecionando seus pares.
Alejandro Cesarco concentra sua pesquisa em artistas que trabalham sobre tradução e imagem; Antonio Ballester Moreno propõe um diálogo de sua obra com referenciais que tratam da história da abstração e a relação com a natureza, a pedagogia e a espiritualidade; Claudia Fontes pretende ativar questões envolvendo relações entre arte e narrativa; Mamma Andersson elabora questões de figuração na tradição da pintura, desde a arte popular à arte contemporânea; Sofia Borges prepara uma pesquisa sobre a tragédia e a forma ambígua; Waltercio Caldas desenvolve uma reflexão histórica sobre a forma e a abstração e Wura-Natasha Ogunji reúne um grupo de artistas que trabalham com proximidade, compartilhando questões sobre a identidade e a diáspora africana.
Além desses espaços, doze projetos individuais foram eleitos por Pérez-Barreiro. Três deles são homenagens póstumas a Aníbal López (1964-2014, Guatemala), Feliciano Centurión (Paraguai, 1962 - Argentina, 1996) e Lucia Nogueira (Brasil, 1950 - Reino Unido, 1998).
Museu Nacional
Outras questões foram levantadas durante a entrevista, como o incêndio no Museu Nacional, no Rio, que destruiu boa parte do casarão imperial. "É uma catástrofe de dimensões mundiais. Isso mostra como o Brasil não tem política de estado para a cultura", disse o vice-presidente da Bienal. "Não há inovação sem conservação", acrescentou Saron, que acredita que o incêndio destruiu milhões de anos de pesquisas.
No caso da Fundação Bienal, Saron afirmou que começou há três anos o processo de digitalização e higienização de um milhão de obras e documentos da instituição. Parte deste material deve estar disponível online até 2021 - ano no qual a fundação completa 60 anos.
Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc, também prestou solidariedade sobre a destruição do museu carioca e aproveitou para criticar as propostas dos presidenciáveis. "Estamos às vésperas das eleições e eu não ouvi uma frase do que eles pretendem fazer em relação a cultura do país". (Com informações da Folhapress e da Fundação Bienal)
Diário do Nordeste

Fortaleza recebe exposição itinerante que celebra a língua portuguesa


Participantes poderão aprender, de forma divertida e interativa, as peculiaridades da língua, principalmente no Brasil e em Portugal ( Foto: Divulgação )
No feriado que celebra a Independência do Brasil, realizado nesta sexta-feira (7), Fortaleza receberá, pela primeira vez, a exposição itinerante 'A Energia da Língua Portuguesa', que contará com diversas atividades interativas relacionadas ao nosso idioma para o público de todas as idades. Organizado pela EDP, o evento seguirá até domingo (9), no Aterro da Praia de Iracema, sempre de 10h às 19h. A entrada é gratuita.
Conforme a organização, o evento contará com uma estrutura que possibilita aos visitantes o contato direto com informações, dados e curiosidades sobre os países que falam o português. Os participantes poderão, inclusive, aprender de forma divertida as peculiaridades da língua, principalmente no Brasil e em Portugal, além de curiosidades sobre expressões comuns do idioma.
Com 300 metros quadrados (m²) de espaço, a exposição também visa convidar os visitantes à leitura e à convivência, com puffs espalhados e estantes recheadas de livros. No domingo, às 15h, a área externa da estrutura vai receber também o show do rapper Vinícius Terra.
Serviço:
Exposição itinerante A Energia da Língua Portuguesa - Fortaleza
Local: Aterro da Praia de Iracema
Período: 7 a 9 de setembro de 2018 (sexta-feira a domingo)
Horário: 10h às 19h
Entrada Gratuita

Diário do Nordeste

Com imagens inéditas, Roger Ballen, aclamado fotógrafo americano, inaugura a primeira mostra internacional do Museu da Fotografia

É impossível pousar os olhos sobre as obras de Roger Ballen sem sentir inquietação. Com referências provocadoras e até perturbadoras, o fotógrafo norte-americano propõe em sua obra um passeio norteado pelo sentido da existência. Sinestésico, onírico e, ainda assim, um retrato literal das questões sociais e humanas. Neste fim de semana, as quatro décadas de trabalho do artista integrarão a exposição Mind Games. Com curadoria da artista portuguesa Ângela Berlinde, as fotografias inauguram a primeira mostra internacional do Museu da Fotografia.
Considerado um dos mais importantes fotógrafos do século 21, Ballen é reconhecido pela multidisciplinaridade ao longo da trajetória artística e circula sua obra entre a pintura, o desenho, a instalação, tendo a fotografia como eixo principal. Natural de Nova York, o artista consolidou o trabalho no meio rural e nas pequenas localidades da África do Sul, onde vive há cerca de 35 anos e fotografou pessoas vivendo à margem da sociedade no continente. Num movimento que ele mesmo define como "linha de frente", Ballen trouxe também significado psicológico, além de físico.
Além da inauguração da exposição que ocorre neste sábado, 8, haverá dois momentos importantes: visita mediada, às 10h, e no horário de abertura da mostra, às 14h, uma palestra com o próprio artista. No horário da manhã, o equipamento receberá exclusivamente quem estiver inscrito pelo sympla.com.br. A visita mediada contará com as presenças de Roger Ballen, Ângela Berlinde e integrantes do educativo do MFF.
"Um trabalho que circula entre o surreal, provoca espanto, causa alguma ternura porque há certas figuras engraçadas no sentido cômico", explica Ângela. A artista cita as fortes referências documentais de Ballen e as transformações ao longo dos 40 anos de trabalho. "São imagens que trazem um jogo de elementos, fazem pensar, convocam uma transformação e nos levam a refletir sobre nossos principais medos, os principais desejos",diz.
Com curadoria rigorosa, a mostra traz cerca de 60 obras de acervo inédito no Norte e Nordeste. As imagens estarão expostas em médio e grande formato, sendo a maioria em preto e branco, com um diferencial: a exibição das imagens a cor, produzidas pela primeira vez por Ballen, que são criações mais recentes.
Em processo recente principalmente nos últimos dois anos, Ballen utilizou a fotografia digital colorida após décadas de preto branco. "Nesta exposição em Fortaleza gostaria de mostrar mais dessas imagens, pois acredito que isso estimulará as questões estéticas que diferenciam o preto e branco da fotografia colorida", escreve Roger.
Divididas em sete seções, a mostra conta ainda com instalação performática que remonta também as referências de Ballen. Além das experiências visuais, há a novidade de uma experiência sensorial. Em uma instalação denominada com Ballenhouse, foi montada uma cenografia que remonta desde os cenários usados na fotografia documental dos primeiros anos do trabalho do artista, trazendo referências de precariedade , marginalidade e, ao mesmo tempo, o realismo fantástico. A cenografia também conta com trabalho de Narcélio Grud, que na mostra, dialoga com o surrealismo do fotógrafo.
De acordo com Fernanda Oliveira, coordenadora do Museu da Fotografia, a mostra é uma grande oportunidade de dialogar com a obra de Ballen. "Essa é a primeira proposta de uma exposição internacional no museu, nós já temos diversas obras importantes internacionais dentro da nossa coleção, mas uma exposição temporária de um único artista é a primeira vez, o museu sempre tenta em todas as suas atividades fazer uma diálogo muito próximo com o público, mesmo sendo um trabalho com um artista internacional", diz.
A coordenadora ressalta que haverá tradução simultânea para todos os participantes da palestra e da visita guiada. "Em todos os outros casos de visita guiada, o nosso educativo passa essa visão do artista para o público, desta vez a gente vai abrir uma visita mediada com o próprio Ballen, isso também foi uma proposta inovadora", conclui.
Mind Games
Quando: visita mediada no sábado, 8, às 10 horas; palestra e abertura da mostra às 14 horas
Onde: Museu da Fotografia Fortaleza (rua Frederico Borges, 545 - Varjota)
Informações: (85) 3017 3661
Gratuito
Entrevista com Roger Ballen
Em 50 anos, seu trabalho busca respostas sobre a existência humana. Você encontrou?
Roger Ballen: Bem, meu trabalho é relacionado a esta busca por respostas sobre mim mesmo e a condição humana. Mas, se há algum resultado, diria que não encontrei nada, não tenho nenhuma resposta. Na verdade agora eu tenho até menos respostas do que quando comecei. E eu acho que isso deixa as pessoas nervosas e um pouco ansiosas. Elas procuram por uma resposta, mas não há nada de errado em não encontrar nada.
Nestas fotos, as pessoas aparecem de forma grotesca. Como é a sua relação com elas?
Roger Ballen: Tenho tido uma boa relação com os fotografados. As pessoas com quem trabalho gostam de trabalhar comigo, gostam de me ajudar e de serem fotografados. Tem sido uma relação positiva para todas as partes e eu acho que isso é o mais importante. A África do Sul, como o Brasil, é um País violento e se não fossem essas relações eu já teria perdido a minha câmera há muito tempo ou talvez coisas piores tivessem acontecido. Não vejo nenhum conflito ético.
O Povo

Arquivo Nacional vive sob risco há 17 meses

Imóvel sem alarme de incêndio abriga a Lei Áurea, os autos da Inconfidência Mineira, os acervos da Casa Edison e da TV Tupi e outros documentos da história do Brasil.


O Arquivo prevê que a licitação para as obras de cumprimento do que foi exigido seja lançada em outubro.

O Arquivo prevê que a licitação para as obras de cumprimento do que foi exigido seja lançada em outubro. (Divulgação)
A pouco menos de cinco quilômetros do Museu Nacional, que foi destruído por um grande incêndio, um edifício de sete andares com hidrantes desativados e sem alarme de incêndio abriga a Lei Áurea, os autos da Inconfidência Mineira, os acervos da Casa Edison e da TV Tupi e outros documentos da história do Brasil. É o prédio F do Arquivo Nacional, instituição que completou 180 anos em 2 de janeiro. Desde o início de 2017, há um laudo que aponta sua precariedade para enfrentar o fogo.

Um ano e cinco meses após a elaboração do documento, que constatou a necessidade de substituição dos hidrantes, uma verba de R$ 4 milhões foi liberada em agosto pelo Ministério da Justiça (ao qual o Arquivo é subordinado) para a adequação do prédio às exigências feitas pelos bombeiros.

O Arquivo prevê que a licitação para as obras de cumprimento do que foi exigido seja lançada em outubro. Os bombeiros concederam prazo até março de 2019 para essa adequação. "Quando soube do incêndio no Museu Nacional, fiquei imaginando que o Arquivo pode ser o próximo. A situação é grave", afirma o presidente da Associação dos Servidores do Arquivo Nacional (Assan), Rodrigo Mourelle.

No fim de fevereiro de 2017, a empresa C.M. Couto Sistemas Contra Incêndios realizou testes para avaliar a rede de combate a incêndios no prédio F. "O sistema de hidrantes encontra-se em avançado estado de deterioração por corrosão. Está desativado e sem possibilidade de reativação", afirma o laudo emitido em março daquele ano.

"Considerando que a atual canalização tem mais de 50 anos, não recomendamos o reparo, pois a vida útil média é de 20 anos", continua o documento, assinado pelo coronel bombeiro Jorge Benedito de Oliveira. "Considerando o alto valor dos ativos e informações históricas arquivadas na instalação, é imperiosa a necessidade de substituir a canalização de combate a incêndio em caráter emergencial", continua.

Gestão

Enquanto o Arquivo trocava de comando cinco vezes nos últimos dois anos, os documentos que guarda permaneciam sob risco. Um corte no orçamento (inicialmente previsto em R$ 22 milhões) quase paralisou o órgão em 2017 e levou o Ministério Público Federal a emitir recomendação, em setembro daquele ano, para que o Ministério da Justiça complementasse o valor, o que foi feito, segundo a pasta.

Em dezembro de 2017 foi lançada uma licitação para a adequação do conjunto de prédios do Arquivo Nacional às exigências dos bombeiros, mas ela acabou anulada porque não contemplava todos os andares do prédio F. 

Agência Estado

No Museu do Ipiranga, rachaduras e isolamento

Desde junho, a maioria das 30 mil peças do acervo foi retirada e transferida para imóveis alugados. Restaram só itens de difícil remoção, como o quadro 'Independência ou Morte'.
Entorno do prédio está isolado com faixas vermelhas. As falhas no revestimento e no reboco da fachada são evidentes.
Entorno do prédio está isolado com faixas vermelhas. As falhas no revestimento e no reboco da fachada são evidentes. (Francisco Emolo/Jornal da USP)

"Não ultrapasse a faixa. Risco de queda de revestimento", sinalizam placas no entorno do Museu Paulista, na zona sul da cidade de São Paulo. Mais conhecido como Museu do Ipiranga, o prédio está fechado desde agosto de 2013, após parte do forro ceder mais de 10 centímetros e pedaços do reboco da fachada caírem. Com uma obra de restauro e ampliação prevista, deve reabrir em 2022, nas comemorações do bicentenário da independência.

Hoje, todo o entorno do prédio está isolado com faixas vermelhas. As falhas no revestimento e no reboco da fachada são evidentes, de modo que os tijolos ficam aparentes em algumas partes. Além disso, as esquadrias das janelas estão lascadas, há limo na base e os muros da entrada estão com rachaduras, dentre outros problemas.

Desde junho, a maioria das 30 mil peças do acervo foi retirada e transferida para imóveis alugados. Restaram só itens de difícil remoção, como o quadro Independência ou Morte, de 1888, do artista Pedro Américo.

Como adiantou o jornal O Estado de S. Paulo, o projeto de restauro e ampliação inclui livraria, café, auditório e até mirante. Em 2017, o valor estimado para a obra era de R$ 80 milhões. Construído às margens do Córrego do Ipiranga em 1890, o prédio foi transformado em museu em 1895 e, em 1963, passou para a USP.

Na tarde desta quarta-feira, 5, o professor aposentado Jean de Albuquerque, de 65 anos, levou um casal de amigos para conhecer o Parque da Independência. "Se o museu estivesse aberto, daria muito mais gente aqui." Já a dona de casa Marisa Leite, de 63 anos, visitava o local pela primeira vez, vinda de Belém, capital do Pará. "É lindo mesmo desse jeito."

Também em São Paulo a passeio, natural de Montes Claros (MG), o agente dos Correios Ueder Ferreira de Souza, de 37 anos, acredita que o incêndio no Museu Nacional do Rio possa acelerar o processo de resgate de prédios históricos. "Talvez tenha sido benéfico para os outros." 

Agência Estado