Pular para o conteúdo principal

Com imagens inéditas, Roger Ballen, aclamado fotógrafo americano, inaugura a primeira mostra internacional do Museu da Fotografia

É impossível pousar os olhos sobre as obras de Roger Ballen sem sentir inquietação. Com referências provocadoras e até perturbadoras, o fotógrafo norte-americano propõe em sua obra um passeio norteado pelo sentido da existência. Sinestésico, onírico e, ainda assim, um retrato literal das questões sociais e humanas. Neste fim de semana, as quatro décadas de trabalho do artista integrarão a exposição Mind Games. Com curadoria da artista portuguesa Ângela Berlinde, as fotografias inauguram a primeira mostra internacional do Museu da Fotografia.
Considerado um dos mais importantes fotógrafos do século 21, Ballen é reconhecido pela multidisciplinaridade ao longo da trajetória artística e circula sua obra entre a pintura, o desenho, a instalação, tendo a fotografia como eixo principal. Natural de Nova York, o artista consolidou o trabalho no meio rural e nas pequenas localidades da África do Sul, onde vive há cerca de 35 anos e fotografou pessoas vivendo à margem da sociedade no continente. Num movimento que ele mesmo define como "linha de frente", Ballen trouxe também significado psicológico, além de físico.
Além da inauguração da exposição que ocorre neste sábado, 8, haverá dois momentos importantes: visita mediada, às 10h, e no horário de abertura da mostra, às 14h, uma palestra com o próprio artista. No horário da manhã, o equipamento receberá exclusivamente quem estiver inscrito pelo sympla.com.br. A visita mediada contará com as presenças de Roger Ballen, Ângela Berlinde e integrantes do educativo do MFF.
"Um trabalho que circula entre o surreal, provoca espanto, causa alguma ternura porque há certas figuras engraçadas no sentido cômico", explica Ângela. A artista cita as fortes referências documentais de Ballen e as transformações ao longo dos 40 anos de trabalho. "São imagens que trazem um jogo de elementos, fazem pensar, convocam uma transformação e nos levam a refletir sobre nossos principais medos, os principais desejos",diz.
Com curadoria rigorosa, a mostra traz cerca de 60 obras de acervo inédito no Norte e Nordeste. As imagens estarão expostas em médio e grande formato, sendo a maioria em preto e branco, com um diferencial: a exibição das imagens a cor, produzidas pela primeira vez por Ballen, que são criações mais recentes.
Em processo recente principalmente nos últimos dois anos, Ballen utilizou a fotografia digital colorida após décadas de preto branco. "Nesta exposição em Fortaleza gostaria de mostrar mais dessas imagens, pois acredito que isso estimulará as questões estéticas que diferenciam o preto e branco da fotografia colorida", escreve Roger.
Divididas em sete seções, a mostra conta ainda com instalação performática que remonta também as referências de Ballen. Além das experiências visuais, há a novidade de uma experiência sensorial. Em uma instalação denominada com Ballenhouse, foi montada uma cenografia que remonta desde os cenários usados na fotografia documental dos primeiros anos do trabalho do artista, trazendo referências de precariedade , marginalidade e, ao mesmo tempo, o realismo fantástico. A cenografia também conta com trabalho de Narcélio Grud, que na mostra, dialoga com o surrealismo do fotógrafo.
De acordo com Fernanda Oliveira, coordenadora do Museu da Fotografia, a mostra é uma grande oportunidade de dialogar com a obra de Ballen. "Essa é a primeira proposta de uma exposição internacional no museu, nós já temos diversas obras importantes internacionais dentro da nossa coleção, mas uma exposição temporária de um único artista é a primeira vez, o museu sempre tenta em todas as suas atividades fazer uma diálogo muito próximo com o público, mesmo sendo um trabalho com um artista internacional", diz.
A coordenadora ressalta que haverá tradução simultânea para todos os participantes da palestra e da visita guiada. "Em todos os outros casos de visita guiada, o nosso educativo passa essa visão do artista para o público, desta vez a gente vai abrir uma visita mediada com o próprio Ballen, isso também foi uma proposta inovadora", conclui.
Mind Games
Quando: visita mediada no sábado, 8, às 10 horas; palestra e abertura da mostra às 14 horas
Onde: Museu da Fotografia Fortaleza (rua Frederico Borges, 545 - Varjota)
Informações: (85) 3017 3661
Gratuito
Entrevista com Roger Ballen
Em 50 anos, seu trabalho busca respostas sobre a existência humana. Você encontrou?
Roger Ballen: Bem, meu trabalho é relacionado a esta busca por respostas sobre mim mesmo e a condição humana. Mas, se há algum resultado, diria que não encontrei nada, não tenho nenhuma resposta. Na verdade agora eu tenho até menos respostas do que quando comecei. E eu acho que isso deixa as pessoas nervosas e um pouco ansiosas. Elas procuram por uma resposta, mas não há nada de errado em não encontrar nada.
Nestas fotos, as pessoas aparecem de forma grotesca. Como é a sua relação com elas?
Roger Ballen: Tenho tido uma boa relação com os fotografados. As pessoas com quem trabalho gostam de trabalhar comigo, gostam de me ajudar e de serem fotografados. Tem sido uma relação positiva para todas as partes e eu acho que isso é o mais importante. A África do Sul, como o Brasil, é um País violento e se não fossem essas relações eu já teria perdido a minha câmera há muito tempo ou talvez coisas piores tivessem acontecido. Não vejo nenhum conflito ético.
O Povo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Corpo do Jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na terça-feira

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil* O corpo do jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na próxima terça-feira (9), no Memorial do Carmo, segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), respeitando o desejo do imortal. Cony morreu ontem (6), aos 91 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos após dez dias de internação. Segundo a ABL, como a morte ocorreu em um fim de semana, procedimentos jurídicos e administrativos terão que ser resolvidos nesta segunda-feira (8). Após a cremação, suas cinzas devem ser lançadas em um local que remete a sua infância. Também a pedido do jornalista, seu corpo não foi velado na sede da academia. A amiga e também jornalista Rosa Canha disse que Cony desejava uma cerimônia íntima. "Ele não queria velório, não queria missas nem nenhum tipo de homenagens. Ele pediu muito que fosse uma cerimônia apenas para a família".  Saiba MaisTemer lamenta morte do jornalista Carlos Heitor Cony Carlos Heitor Cony nasceu no Rio em 14 de março de 1926.…

Participe da Coletânea "100 Poetas e 100 Sonetos"

O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade está selecionando 100 poetas para compor a Coletânea “100 Poetas e 100 Sonetos”. Os sonetos são de tema livre e devem ser metrificados em qualquer tamanho ou estilo, rimados ou não. 

Não haverá taxa de inscrição e nem obrigatoriedade de aquisição do livro pelos participantes, que em contrapartida cedem seus direitos autorais. 

A data e local do lançamento da coletânea serão definidos posteriormente. 

Para participar, envie o seu soneto para o email ihd@institutohoraciodidimo.org ou pelo formulário até 10/07/2019 com uma breve biografia.

Por https://institutohoraciodidimo.org/2019/06/11/coletanea-100-poetas-e-100-sonetos/

O Natal em Natal (RN), a capital potiguar fundada em 25 de dezembro de 1599

Neste mês, a cidade se reveste de enfeites e de festas culturais, através do projeto 'O Natal em Natal'.
Considerada uma das maiores e mais bonitas do Brasil, a Árvore de Natal instalada no bairro de Mirassol encanta a natalenses e turistas. (Alex Regis/ Secom Natal)
Os moradores da capital do Rio Grande do Norte têm um motivo a mais para se alegrar e vivenciar esta época do ano. Afinal, eles celebram o “Natal em Natal”. Aliás, a capital potiguar recebeu este nome devido a data da sua fundação: 25 de dezembro de 1599. Neste mês, a cidade se reveste de enfeites e de festas culturais, através do projeto “O Natal em Natal”, promovido pela prefeitura municipal. Ao todo, segundo a prefeitura, são mais de 40 eventos que contemplam dança, música, teatro, audiovisual, artesanato, gastronomia e outras manifestações culturais.
Na zona sul da capital, foi acessa, no dia 3 de dezembro,  a tradicional “árvore de Mirassol”, com 112 metros de altura, ornamentada com enfeites nos formatos de …