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19 de outubro de 2017

Em livro, jornalista Luís- Sérgio Santos esmiuça a trajetória do O Estado, jornal com 80 anos de atividade no Ceará

Além da fartura de documentos e notas, o livro apresenta série de registros fotográficos, como a primeira edição do jornal em 1936. Luis-Sérgio costura depoimentos a uma pesquisa histórica que revela décadas de atuação da imprensa local
Narrar e condensar oito décadas de existência de um veículo de comunicação é fundamentalmente uma tarefa árdua. Soma-se a este expediente o fato de que o jornal cuja história é resgatada representa uma das mais tradicionais publicações da capital cearense.
Lançar luz sobre esta trajetória é o desafio da obra "Intimorata: A Saga do Jornal O Estado - de José Martins Rodrigues a Venelouis Xavier Pereira", escrita pelo jornalista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luís-Sergio Santos.
O livro será lançado oficialmente amanhã (20), às 19h, no Auditório Eva Herz, da Livraria Cultura. Além da atrativa oportunidade de adquirir o livro no local, o público pode participar de palestra e sessão de autógrafos com o autor. A noite ainda conta com uma mesa-redonda composta pelos professores e pesquisadores Francisco Auto Filho (Uece) e Roberto Martins Rodrigues (UFC).
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Ao todo, relata o escritor, foram quatro e decisivos anos de intensa pesquisa. Um mergulho cujo ponto de partida foi o próprio acervo da publicação. Em paralelo, a construção da narrativa ganho impulso com o consumo e catalogação de jornais, revistas, livros e dezenas de entrevistas junto a fontes primárias. Caso específico de profissionais responsáveis por construir o cotidiano do O Estado.
Sobre os desdobramentos da obra, Luis-Sérgio assevera que este trabalho completa uma lacuna dentro da historiografia da imprensa local. "Espero que esta obra estimule novas linhas de pesquisa, se isso acontecer já cumpre muito de sua função, que é ampliar a história do próprio Ceará através deste jornal".
Inteiro desde a fundação, em 1936, e atravessando conjunturas políticas e sociais distintas, a trajetória do O Estado é marcada pelo combate e superação de adversidades. Diante deste objeto, coube ao autor atravessar e checar o grande volume de dados e informações adquiridas. A partir disto, o próximo passo foi estabelecer um fio condutor que contemplasse os 80 anos de atividade deste impresso.
Resgate
"O grande narrador do livro é o próprio jornal. É como se ele contasse essa história. Foi também um grande aprendizado, afinal o livro carrega como pano de fundo (também) a história política do Ceará", descreve Luis-Sérgio.
O trabalho do jornalista é dividido em duas partes: a primeira cobre de 1936 a 1965; o segundo momento parte de 1966 até os dias atuais. Como norte, a busca por devassar um jornal marcado pela superação de desafios, embates contra o poder e responsável por um capítulo consistente na história do jornalismo nacional. No contexto narrativo, ficou clara a opção por estabelecer e unir diferentes pontos de vista e "causos" importantes dessa história através dos dois grandes ciclos vividos pelo O Estado.
Adentramos o início, com José Martins Rodrigues, onde nasce um jornal com diversidade de temas, seções e cadernos especiais e passa pela atuação de Alfeu Aboim e Walter de Sá Cavalcante.
A outra linha narra a retomada aos trilhos pelas mãos de Venelouis Xavier Pereira. Ao tomar posse do jornal em 1966, inaugura o ciclo que continua até hoje, com seus sucessores.
Entre os grandes feitos dessa fase, constam a batalha contra a Ditadura Militar Brasileira (1964-1985) e a implantação, em 1970, do sistema offset de impressão.
Enquanto livro, os fatos e situações acompanham uma leitura fluída e dinâmica. Outro alicerce dá conta da fartura de notas sobre as situações e casos apurados ao longo da pesquisa. "Foi uma imersão espetacular. Me contaminei com essa história e saio dela com uma visão muito atual e ampla sobre o jornalismo e, sobretudo, pelo valor do impresso na sociedade. Minha fonte de pesquisa foi o papel. Nossa história é contada no dia a dia pelo jornais. Estes são os grandes narradores", finaliza o autor.

Mais informações:
Lançamento do livro "Intimorata - A saga do jornal O Estado, de José Martins Rodrigues a Venelouis Xavier Pereira", de Luís-Sérgio Santos. Sexta-feira (20), às 19h, Auditório da Livraria Cultura (Av. Dom Luís, 1010, Meireles)
Contato: (85) 4008.0800

Diário do Nordeste

XI Bienal Internacional de Dança do Ceará começa hoje (19) em Sobral e amanhã (20) em Fortaleza

 por Iracema Sales - Repórter
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Mais do que celebrar seus 20 anos de criação, a XI edição da Bienal Internacional de Dança do Ceará - que acontece de 19 a 29 em Fortaleza e em seis municípios do Interior - mostra que a arte tem o poder de resistir. "Os tempos são difíceis. Mas não vamos nos intimidar com ameaças de obscurantismo ou julgamentos sumários", afirma o diretor artístico da Bienal, Ernesto Gadelha, admitindo que nem sempre as condições são ideais - em referência às dificuldades sociais, econômicas e políticas enfrentadas no Brasil neste momento. O cenário artístico, atingido pela escassez de financiamento, não é dos mais favoráveis.
A proposta desta edição, cuja abertura em Fortaleza acontece nesta sexta (20), às 21h, no palco principal do Theatro José de Alencar, é investir em artistas que fizeram parte da programação do evento, ao longo de duas décadas. Os espetáculos "A cadeirinha e eu", da Cia Dita, criação de Fauller a partir da obra homônima da coreógrafa cearense Silvia Moura, e "A morte do Cisne", com a bailarina Wilemara Barros (foto) abrem os trabalhos da Bienal e sua programação multifacetada. A ideia é abranger diferentes tendências artísticas e poéticas, com lente voltada para a inclusão.
Um dos mais qualificados eventos de dança contemporânea realizado no Estado, a Bienal Internacional de Dana do Ceará - que em Sobral começa hoje (19), no Teatro São João - tem o mérito de descobrir e movimentar a dança no Ceará.
No Interior, seis cidades que já fazem parte do circuito da dança no País, recebem o evento: Paracuru, Itapipoca, Trairi, Sobral, Juazeiro do Norte e, agora, Aquiraz. "Nossa proposta é descentralizar as ações da Bienal", celebra Ernesto Gadelha, explicando que o evento trabalha com convites e não mais por convocatória.
"A gente vai aos festivais e consulta parceiros de outros estados e países. Assistir a um espetáculo ao vivo é diferente de ver em vídeo. A dança é uma arte viva", justifica. A Bienal abrange várias dimensões como formação, difusão, circulação e produção de conhecimento. A programação deste ano contabiliza 25 companhias locais, nove nacionais e nove de sete países.
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Atrações
Os coreógrafos cearenses Cláudio Bernardo, radicado na Bélgica, e Dora Andrade serão homenageados na festa de abertura, ao lado do secretário da Cultura do Ceará, Fabiano dos Santos Piúba.
E celebrando os 20 anos da primeira edição, a programação da noite inicial em Sobral e Fortaleza termina com festa e o forró da cantora Eliane, além do DJ Guga de Castro, na Praça do Teatro São João e no Jardim do Theatro José de Alencar, respectivamente.
Em Fortaleza, depois do show de Eliane, a festa continua com o melhor do rap francês, com o artista Dadoo.
Com toda a programação gratuita. Em Fortaleza,os espetáculos ocuparão diversos palcos da cidade: Theatro José de Alencar, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), Cineteatro São Luiz, Sesc Iracema, Centro Cultural Bom Jardim, Praça dos Leões e Centro Cultural Banco do Nordeste.
Ao todo, serão mais de 60 atrações de dança e música, somando 80 apresentações artísticas de bailarinos, companhias, DJs e músicos.
Destaque
Um dos destaques de outro estado é a São Paulo Companhia de Dança (SPCD), gerida pela Associação Pró-Dança sob direção de Inês Bogéa, que retorna a Fortaleza para o evento.
A SPCD apresenta-se na noite de abertura da Bienal, nesta sexta, no palco principal do Theatro José de Alencar, com duas coreografias: "Pássaro de Fogo" (2010), de Marco Goecke, e "14'20''" (2002), de Jirí Kylián - coreografia indicada ao prêmio APCA 2017 na categoria Interpretação.
"É uma alegria retornar a Fortaleza para este festival, que é um marco na dança do País. Para esta ocasião, pensamos em um programa especial que contempla duas grandes estreias da nossa Temporada 2017", fala Inês Bogéa.
Criado por Marco Goecke quando o balé "Pássaro de Fogo", de Michel Fokine, completou 100 anos, durante o Holland Dance Festival (2010), o pas de deux para a música de Stravinsky remodela o conto de fadas russo sobre a luta de Ivan Tsarevich contra o mago Koschei para libertar Tsarevna e seus companheiros do cativeiro.
"Seu dueto também pode ser interpretado como o encontro entre o pássaro de fogo e o príncipe, duas criaturas de diferentes naturezas: um pássaro que dança e um humano que voa", afirma o crítico alemão Volkmar Draeger.
Já "14'20''" é um extrato do balé 27'52'' - cujo título refere-se à duração do espetáculo - de Jirí Kylián. Ao som da música eletrônica de Dirk Haubrich, entremeada por uma voz feminina em alemão e outra masculina em francês, vemos um duo que traz para a cena questões de tempo, amor, vida e morte, temas recorrentes nas obras deste coreógrafo.
Esta é a quarta obra de Kylián a compor o repertório da São Paulo Companhia de Dança (Sechs Tänze, Indigo Rose e Petite Mort).

Mais informações:
XI Bienal Internacional de Dança do Ceará. De 19 a 29 de outubro, em Sobral (19 a 22), Fortaleza (20 a 29), Paracuru (20 e 21), Trairi (20 e 21), Aquiraz (21 e 22), Juazeiro do Norte (25 e 26) e Itapipoca (27 e 28). Abertura hoje (19) em Sobral, na Praça São João, e amanhã (20), em Fortaleza, no TJA. Gratuito. Bienaldedanca.Com.

Diário do Nordeste

Academia de Letras concede Medalha Martins Filho ao jornalista Pádua Lopes

Jornalista Pádua Lopes, ao lado de José Augusto Bezerra, Angela Gutiérrez, Fernanda Quinderé e Pedro Henrique Saraiva Leão ( Foto: Kleber A. Gonçalves )
O jornalista, escritor e superintendente do jornal Diário do Nordeste, Pádua Lopes, foi agraciado com a Medalha Martins Filho, concedida pela Academia Fortalezense de Letras (AFL), em cerimônia realizada na noite de ontem, na Academia Cearense de Letras (ACL). Ele se junta ao professor Tales de Sá Cavalcante e ao médico Lúcio Alcântara, já homenageados pela comenda.
Em seu discurso, Pádua Lopes agradeceu e se demonstrou emocionado pela honraria. "O fato oscula meu amor-próprio, com a suavidade do pouso de uma borboleta sobre a flor, mas ele alerta, ao mesmo tempo, para a elevação de minha responsabilidade para com a cultura cearense. Espero, sinceramente, me colocar à altura do desafio e corresponder às expectativas de um agraciado com essa láurea", ressalta o homenageado, que recebeu a Medalha das mãos de José Augusto Bezerra, ex-presidente da ACL.
O homenageado destacou ainda que se sente honrado em ter sido escolhido, dentre várias opções, para receber a Medalha. "Tenho de reparar que os círculos culturais da cidade estão repletos de candidatos dignos de receberem também essa honrosa distinção. E é bom que assim seja; pois, como assinalou o Padre Vieira: "A honra e crédito maior de uma comunidade é que faltem cargos e sobejem beneméritos" Se havia tantos nomes aptos à Medalha, mais me dignifica e emociona a escolha", pontuou Pádua Lopes.
Segundo a presidente da AFL, Fernanda Quinderé, a condecoração foi aprovada em louvor através de reunião ordinária da entidade. "Homenagem que fazemos aos amigos e àqueles que beneficiam o andamento da nossa academia. Pádua Lopes foi escolhido por ser uma personalidade na cultura que ele é, mas também, por atender à Academia com muita simpatia e simplicidade. Essa é a terceira vez que realizamos essa homenagem através da Medalha Martins Filho, que acontece de dois em dois anos".
O escritor Pedro Henrique Saraiva Leão, encarregado pela saudação ao homenageado, relembrou a importância de Pádua Lopes para a AFL. "E um homem modesto, mais de alta cultura intelectual, que sempre soube ser da cultura. Um amigo dos amigos e dos livros".

Diário do Nordeste

Crônica ‘Um sol que chega’, da escritora Ayla Andrade

Por Ayla Andrade*

Ilustração: Jéssica Gabrielle Lima
Ia eu escrever sobre o calor que toma nosso corpo e juízo nesses últimos dias. É preciso mesmo ter Fortaleza na alma pra aguentar, sem hesitar, os efeitos do sol na boca, na cabeça, nas dobras do corpo enquanto você derrete ao andar. 
Ia eu escrever sobre esse calor que nos forma, que nos desorienta. Pensei em todas as sensações que a quentura provoca: a pele rachada, a terra rachada, o êxodo. Assola. O sol assola. “Um sol pra cada pessoa” como a gente escuta dizer por aí entre línguas de fora e goles d’água.

As crianças… ia eu dizer sobre as crianças. Vocês já viram como ficam as crianças no centro da cidade, puxadas pelo braço, aquela cara de descontentamento, sufoco e sede eterna?
Ia eu escrever que durante um tempo trabalhei, de manhã a tarde, rodando numa kombi. Sem ar-condicionado, janelas minúsculas e a gente gritando para o motorista: segue pra BR e acelera! Era nossa chance de sobrevivência, um descanso na loucura, alguns minutos de respiro. Desde então tenho pavor de calor. Eu não tomo banho, tomo banhos: antes, durante e depois do calor. Daqueles banhos de senhores sertanejo de antigamente. Molha-se e não enxuga-se. Se é de pingar que seja d’água. Suor em bicas nos tira a dignidade.
Maior prova de amor por aqui é andar de mãos dadas no sol. Já experimentou? É pacto de fluídos para uma vida! É o próprio derretimento das calotas coronárias através das mãos suarentas. Ia escrever sobre isso também.
Ia dizer eu que o calor de dentro pode não ser tão mordaz quanto o de fora, em Fortitudine, e que a gente já foi bem juntinho da Nigéria um dia e que nossas dunas talvez sejam irmãs. O calor de lá como o de cá.
Pensei ainda que a menopausa nos espreita em algum lugar do relógio. Preciso pensar em planos ou panos que resfriem as carnes por dentro e por fora quando Dezembro chegar.
Ia eu dizer, enquanto ofegava no ônibus em busca de ar, que as pracinhas da cidade são mais importantes que as igrejas porque somos de uma modorra herdada geração a geração, fundida pelo sol.

Ia eu escrever que o calor pode nos tornar resistentes, duros, secos, mas preparados e pertinazes. Antes de tudo, fortes.
Ia eu escrever sobre tudo isso, mas choveu.
E me apascentei em calma e umidade aqui na rede.

Ayla Andrade

Outubro, 2017
*Ayla Andrade é assistente social, cronista, contista e amante do cotidiano. Ela já publicou o livro Mais feliz dos silêncios (Editora Substânsia, 2014) e publicou contos em algumas antologias, entre elas Encontos e desencontos, Antologia Massanova e O cravo roxo do Diabo: o conto fantástico no Ceará.
Blog O Povo

Multas de trânsito poderão ser pagas no crédito ou débito

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Uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicada ontem no Diário Oficial permite que multas de trânsito e demais pagamentos relativos a veículos podem ser parcelados no cartão de crédito. Cartões de débito também poderão ser utilizados para pagamentos integrais. A resolução, no entanto, não é impositiva. Com isso, fica a cargo de órgãos locais de trânsito a decisão de aderir ou não a esse modelo de pagamentos.
No Ceará e em Fortaleza, órgãos de fiscalização de trânsito devem aderir à medida. Em nota, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE) afirma que vai articular com a Secretaria da Fazenda (Sefaz) para viabilizar o que estabelece a Resolução. “O Detran entende que se trata de uma medida que facilita, para os proprietários de veículos, a solução de pendências para pagamento de multas de trânsito”, diz a nota.
Em Fortaleza, a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) admite de maneira mais direta que vai aderir à resolução, garantindo que “possibilitará que o pagamento das multas seja feito de forma parcelada por meio de cartões de crédito”. Contudo, o órgão pondera que ainda vai tomar as medidas cabíveis para se adequar, por se tratar de uma decisão recente.
De acordo com a resolução do Contran, o objetivo da medida é “aperfeiçoar a forma de pagamento das multas de trânsito e demais débitos relativos ao veículo, adequando-a a métodos de pagamento mais modernos utilizados pela sociedade”. Antes da resolução, apenas multas aplicadas a veículos registrados no exterior poderiam ser pagas parceladamente.
No caso dos pagamentos por cartão de crédito, a dívida será do titular com a administradora do serviço. As operadoras arcarão com possíveis atrasos. De acordo com a resolução, os parcelamentos podem ser feitos para mais de uma multa e os órgãos de trânsito receberão o valor integral no momento da operação e proceder a regularização do veículo.
Nos casos em que houver cobrança de juros no parcelamento, o titular do cartão ficará responsável pelo pagamento do acréscimo e tem o direito de ter acesso a informações sobre custos operacionais antes da efetivação da operação.
De acordo com a norma, não poderão ser parcelados os seguintes tipos de débito: multas inscritas em dívida ativa; parcelamentos inscritos em cobrança administrativa; veículos licenciados em outras unidades da federação; multas aplicadas por outros órgãos autuadores que não autorizam o parcelamento ou arrecadação por meio de cartões de crédito ou débito.
JOÃO MARCELO SENA

O Povo

Conflito na Venezuela é por riqueza, diz Nobel da Paz

"Para avaliar um conflito é preciso saber os detalhes que estão por trás", disse Menchú.
A ganhadora do Nobel Rigoberta Menchú.
A ganhadora do Nobel Rigoberta Menchú. (AFP)

A profunda crise na Venezuela é consequência de um conflito por riquezas em seu território, afirmou nesta quarta-feira (18) a ganhadora do Nobel da Paz de 1992, Rigoberta Menchú, em visita a Lima.
"O tema de Venezuela... é um conflito profundo e complexo. Não é uma luta entre cidadãos. É porque na Venezuela ainda há petróleo, diamantes, níquel, ouro. É a parte mais rica do nosso continente. Para avaliar um conflito é preciso saber os detalhes que estão por trás", disse Menchú em entrevista coletiva.
A ativista indígena guatemalteca participa na capital peruana da cúpula do Pacto da América Latina pela Educação com Qualidade Humana (Palech).
"Como Prêmio Nobel não tenho o poder real para acompanhar esse processo (na Venezuela). Nós defensores de direitos humanos temos um limite porque não temos a capacidade institucional. Minha posição é respeitar", acrescentou
Menchú também criticou as políticas migratórias do presidente Donald Trump no Estados Unidos, onde, segundo ela, cresceram "a intolerância, a falta de respeito e a rejeição aos migrantes".
Segundo ela, o massacre em Las Vegas no começo de outubro, onde um homem armado disparou sobre os assistentes em um show, deixando 58 mortos, "foi um profundo pedido de atenção ao povo americano, porque não é possível viver difundindo as armas, a violência e a intolerância".

AFP

Decreto que facilita doação de órgãos é publicado no Diário Oficial

Aécio Amado - Repórter da Agência Brasil*
Brasília - Presidente Michel Temer durante assinatura do decreto de transplante e doação de órgãos (Alan Santos/PR)
Presidente Michel Temer assinou ontem decreto de transplante e doação de órgãos Alan Santos/PR
O decreto 9.175 que altera o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), assinado ontem (18) pelo presidente Michel Temer, está publicado no Diário Oficial da União desta quinta-feira (19). O novo texto retira a possibilidade de consentimento presumido para doação e reforça a decisão expressa da família do doador no processo. Além disso, acaba com a exigência do médico especialista em neurologia para diagnóstico de morte encefálica.
O decreto regulamenta a Lei 9.434, de 1997, conhecida como Lei dos Transplante de Órgãos, e também inclui o companheiro como autorizador da doação. Até então, era necessário ser casado oficialmente com o doador para autorizar o transplante.
“A autorização deverá ser do cônjuge, do companheiro ou de parente consanguíneo, de maior idade e juridicamente capaz, na linha reta ou colateral, até o segundo grau, e firmada em documento subscrito por duas testemunhas presentes à verificação da morte”, diz o texto em seu parágrafo 1º do Artigo 20.
“Este novo decreto vai fortalecer a legislação que regula todo o processo de doação e transplante no Brasil, de modo a aperfeiçoar o funcionamento do Sistema Nacional de Transplantes frente a evolução das ações e serviços da rede pública e privada de saúde”, disse o ministro substituto da Saúde, Antônio Nardi.
A lei cria a Central Nacional de Transplantes (CNT). Ela vai administrar as informações sobre a redistribuição de órgãos doados a pacientes da lista de espera, caso o paciente anteriormente selecionado não faça o transplante. Além disso, a central vai apoiar o gerenciamento da retirada de órgãos e tecidos e apoiar seu transporte, incluindo a interlocução com a Força Aérea Brasileira (FAB).
A não exigência de um neurologista para diagnosticar a morte encefálica é, segundo o Ministério da Saúde, uma demanda do Conselho Federal de Medicina (CFM). No novo texto, o diagnóstico de morte encefálica será confirmado com base nos critérios neurológicos definidos em resolução específica do conselho.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil é, em números absolutos, o segundo maior transplantador do mundo. O país tem 27 centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos, além de 14 câmaras técnicas nacionais, 506 centros de transplantes, 825 serviços habilitados, 1.265 equipes de transplantes, 63 bancos de tecidos, 13 bancos de sangue de cordão umbilical públicos, 574 comissões Intra-hospitalares de Doação e Transplantes e 72 organizações de Procura de Órgãos.
*Colaborou Marcelo Brandão