XI Bienal Internacional de Dança do Ceará começa hoje (19) em Sobral e amanhã (20) em Fortaleza

 por Iracema Sales - Repórter
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Mais do que celebrar seus 20 anos de criação, a XI edição da Bienal Internacional de Dança do Ceará - que acontece de 19 a 29 em Fortaleza e em seis municípios do Interior - mostra que a arte tem o poder de resistir. "Os tempos são difíceis. Mas não vamos nos intimidar com ameaças de obscurantismo ou julgamentos sumários", afirma o diretor artístico da Bienal, Ernesto Gadelha, admitindo que nem sempre as condições são ideais - em referência às dificuldades sociais, econômicas e políticas enfrentadas no Brasil neste momento. O cenário artístico, atingido pela escassez de financiamento, não é dos mais favoráveis.
A proposta desta edição, cuja abertura em Fortaleza acontece nesta sexta (20), às 21h, no palco principal do Theatro José de Alencar, é investir em artistas que fizeram parte da programação do evento, ao longo de duas décadas. Os espetáculos "A cadeirinha e eu", da Cia Dita, criação de Fauller a partir da obra homônima da coreógrafa cearense Silvia Moura, e "A morte do Cisne", com a bailarina Wilemara Barros (foto) abrem os trabalhos da Bienal e sua programação multifacetada. A ideia é abranger diferentes tendências artísticas e poéticas, com lente voltada para a inclusão.
Um dos mais qualificados eventos de dança contemporânea realizado no Estado, a Bienal Internacional de Dana do Ceará - que em Sobral começa hoje (19), no Teatro São João - tem o mérito de descobrir e movimentar a dança no Ceará.
No Interior, seis cidades que já fazem parte do circuito da dança no País, recebem o evento: Paracuru, Itapipoca, Trairi, Sobral, Juazeiro do Norte e, agora, Aquiraz. "Nossa proposta é descentralizar as ações da Bienal", celebra Ernesto Gadelha, explicando que o evento trabalha com convites e não mais por convocatória.
"A gente vai aos festivais e consulta parceiros de outros estados e países. Assistir a um espetáculo ao vivo é diferente de ver em vídeo. A dança é uma arte viva", justifica. A Bienal abrange várias dimensões como formação, difusão, circulação e produção de conhecimento. A programação deste ano contabiliza 25 companhias locais, nove nacionais e nove de sete países.
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Atrações
Os coreógrafos cearenses Cláudio Bernardo, radicado na Bélgica, e Dora Andrade serão homenageados na festa de abertura, ao lado do secretário da Cultura do Ceará, Fabiano dos Santos Piúba.
E celebrando os 20 anos da primeira edição, a programação da noite inicial em Sobral e Fortaleza termina com festa e o forró da cantora Eliane, além do DJ Guga de Castro, na Praça do Teatro São João e no Jardim do Theatro José de Alencar, respectivamente.
Em Fortaleza, depois do show de Eliane, a festa continua com o melhor do rap francês, com o artista Dadoo.
Com toda a programação gratuita. Em Fortaleza,os espetáculos ocuparão diversos palcos da cidade: Theatro José de Alencar, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), Cineteatro São Luiz, Sesc Iracema, Centro Cultural Bom Jardim, Praça dos Leões e Centro Cultural Banco do Nordeste.
Ao todo, serão mais de 60 atrações de dança e música, somando 80 apresentações artísticas de bailarinos, companhias, DJs e músicos.
Destaque
Um dos destaques de outro estado é a São Paulo Companhia de Dança (SPCD), gerida pela Associação Pró-Dança sob direção de Inês Bogéa, que retorna a Fortaleza para o evento.
A SPCD apresenta-se na noite de abertura da Bienal, nesta sexta, no palco principal do Theatro José de Alencar, com duas coreografias: "Pássaro de Fogo" (2010), de Marco Goecke, e "14'20''" (2002), de Jirí Kylián - coreografia indicada ao prêmio APCA 2017 na categoria Interpretação.
"É uma alegria retornar a Fortaleza para este festival, que é um marco na dança do País. Para esta ocasião, pensamos em um programa especial que contempla duas grandes estreias da nossa Temporada 2017", fala Inês Bogéa.
Criado por Marco Goecke quando o balé "Pássaro de Fogo", de Michel Fokine, completou 100 anos, durante o Holland Dance Festival (2010), o pas de deux para a música de Stravinsky remodela o conto de fadas russo sobre a luta de Ivan Tsarevich contra o mago Koschei para libertar Tsarevna e seus companheiros do cativeiro.
"Seu dueto também pode ser interpretado como o encontro entre o pássaro de fogo e o príncipe, duas criaturas de diferentes naturezas: um pássaro que dança e um humano que voa", afirma o crítico alemão Volkmar Draeger.
Já "14'20''" é um extrato do balé 27'52'' - cujo título refere-se à duração do espetáculo - de Jirí Kylián. Ao som da música eletrônica de Dirk Haubrich, entremeada por uma voz feminina em alemão e outra masculina em francês, vemos um duo que traz para a cena questões de tempo, amor, vida e morte, temas recorrentes nas obras deste coreógrafo.
Esta é a quarta obra de Kylián a compor o repertório da São Paulo Companhia de Dança (Sechs Tänze, Indigo Rose e Petite Mort).

Mais informações:
XI Bienal Internacional de Dança do Ceará. De 19 a 29 de outubro, em Sobral (19 a 22), Fortaleza (20 a 29), Paracuru (20 e 21), Trairi (20 e 21), Aquiraz (21 e 22), Juazeiro do Norte (25 e 26) e Itapipoca (27 e 28). Abertura hoje (19) em Sobral, na Praça São João, e amanhã (20), em Fortaleza, no TJA. Gratuito. Bienaldedanca.Com.

Diário do Nordeste

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