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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

8 de setembro de 2017

Morada permanente

Padre Geovane Saraiva*
Jesus, ao se dirigir aos seus discípulos, deixa claro que a verdadeira vida consiste em entrar num caminho estreito, exigente e pouco atrativo, única saída para os cristãos como verdadeira via para a salvação. Ao mesmo tempo, Jesus de Nazaré está a nos dizer que abraçar a fé em Deus Salvador é uma sabedoria divina, e loucura aos olhos humanos, mas sem jamais perder de vista o projeto de Deus, pela força vivificadora e inspiradora do Livro Sagrado, traduzido em doação, generosidade e amor. O Papa Francisco nos desafia com a seguinte assertiva: “A regra de ouro que Deus inscreveu na natureza humana criada em Cristo é a regra de que só o amor dá sentido e felicidade à vida”.

Resultado de imagem para mes da bibliaÉ por isso mesmo que Deus quer, através do Livro Sagrado, enriquecer, com seu amor infinito, as criaturas que Ele criou, convencendo-as da morada permanente. Contar com esse didático e pedagógico livro não tem graça divina maior, ontem, hoje e por toda a eternidade, como na palavra de Josué: “Que o livro desta Lei esteja sempre nos teus lábios: medita nele dia e noite, para que tenhas o cuidado de agir de acordo com tudo que está escrito nele. Assim serás bem-sucedido nas tuas realizações e alcançarás êxito” (cf. Js 1, 8).

A música litúrgica nos assegura: “Tua Palavra é lâmpada para os meus pés, Senhor! (…) luz para o meu caminho”, oferecendo aos seres humanos sempre mais o sentido da vida, dentro da mais profunda lógica divina da morada permanente. Que a palavra de Deus possa ser, de verdade, um maravilhoso farol a iluminar a existência da humanidade, animando-a no sentido de voltar-se ao absoluto de Deus, no dizer de Dom Helder: “Tenho pena dos empobrecidos, dos sem-abrigo, e mais pena ainda sinto dos instalados e enraizados, como se este mundo fosse morada permanente”.

Inspirados e animados pelo Livro Sagrado, saibamos olhar o mundo, num sincero desejo de fermentá-lo e transformá-lo, apresentando ao mesmo mundo sinais de esperança e solidariedade, seguros de que Deus leva em conta nosso esforço místico, testemunho coerente e vontade de lutar e viver.

*Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza –geovanesaraiva@gmail.com

Aluna surda defende dissertação de mestrado em 1ª banca da USP traduzida em língua de sinais

do BOL, em São Paulo
  • Ricardo Benichio/Folhapress
    Estudante defende dissertação de mestrado em banca totalmente traduzida em Libras
    Estudante defende dissertação de mestrado em banca totalmente traduzida em Libras
A aluna Natália Francisca Frazão, de 32 anos, defendeu sua dissertação de mestrado em educação pela USP em Ribeirão Preto (SP), em uma banca totalmente traduzida em Libras, a língua brasileira de sinais. 
De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, o feito é inédito na universidade e aconteceu na última segunda-feira (4). Durante 4 horas, a estudante Natália, que é surda, defendeu sua tese com auxílio de duas intérpretes, que traduziam a língua para membros da banca, e vice-versa.
A estudante é graduada em administração, escolheu fazer pós-graduação em administração de empresas, e tem por objetivo contribuir com a inclusão e acessibilidade de surdos no ambiente acadêmico. A dissertação que lhe valeu o título de mestre fala sobre as lutas sociais estabelecidas pela associação de surdos da cidade de São Paulo.
(Com informações do jornal Folha de S.Paulo)

Mês para reflexão

Gonzaga Mota*
Setembro é o mês dedicado à Bíblia, ou seja, à Palavra de Deus. Sua leitura e interpretação une, fé e vida. A Bíblia foi concebida e escrita por pessoas com inspiração divina. É dividida em duas partes: o Antigo e o Novo Testamentos (Pactos). Os livros ou textos religiosos que a compõem permitem a análise da humanidade.
Com relação ao Antigo Testamento, os cristãos da Igreja Católica admitem 46 livros, já os protestantes, por exemplo, consideram 39, sendo 7 apócrifos (Tobias, Judite, I Macabeus, II Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruque). Por sua vez, o Novo Testamento é composto por 27 livros aceitos por todos cristãos.
O Antigo Testamento mostra detalhes acerca da criação do mundo e descreve a aliança de Deus com o povo. O segundo foi escrito após o nascimento de Jesus e, de uma maneira geral, evidencia os ensinamentos do Senhor.
Sem dúvida, a Bíblia é a obra mais vendida e traduzida em todo o mundo, talvez a mais lida, no entanto nem sempre compreendida. Não basta tê-la, é fundamental lê-la e analisá-la buscando lições para a vida material e espiritual. Além de compreendê-la, é importante vivê-la e anunciá-la ao próximo.
Segundo Abraham Lincoln: "Estou ultimamente ocupado em ler a Bíblia. Tirai o que puderdes desse Livro pelo raciocínio e o resto pela fé, e, vivereis e morrereis um homem melhor". A rigor, como se diz, a Bíblia é o Livro dos livros.
Toda mensagem positiva, verbal ou escrita, de filósofos, teólogos, cientista, pensadores, escritores, etc, baseia-se nas propostas e ensinamentos bíblicos, isto é, na Palavra de Deus. No amor.

*Professor aposentado da UFC

Espetáculo conta a história de mulheres em uma antiga Fortaleza cheia de isolamento e poder

O presente é um prato incansavelmente requentado e indigesto para aqueles que precisam se nutrir das migalhas da história. Existe um passado que se recusa a ser passado, percorrendo gerações antes e depois de 1932, ano em que os Campos de Concentração se estabeleceram no Ceará, como recurso ao isolamento das vítimas da grande seca. Uma rígida estrutura sustenta nossa ficção inspirada na realidade: Marly e Eunice, duas mulheres que atravessam a cidade de Fortaleza feito as paralelas dos trilhos de um trem.
Embora o termo seja mais associado à experiência nazista na Segunda Guerra Mundial, antes disso, em 1932, a seca, a burguesia e o Estado corroboraram para o estabelecimento de 7 Campos de Concentração no Ceara. Dois deles em Fortaleza. Um deles, “Urubu”; o outro, “Matadouro”. Na boca dos retirantes flagelados, o lugar, de promessa de trabalho e pão, acabava por virar o “Curral do Governo”.
“Trinta e Duas” nos leva a uma peregrinação pelos ciclos históricos de isolamento, poder e resistência da Fortaleza do Século XX. São várias as formas de Campo de Concentração possíveis em uma sociedade desigual. Com a chegada da seca, o sertanejo é fadado às condições de retirante, flagelados e, logo após, favelado, permanecendo, muitas vezes, à beira do mesmo trilho que o trouxe do interior. Até o momento em que a especulação imobiliária não atropele sua casa.
Processo criativo
“Também os mortos não estarão seguros diante do inimigo, se ele for vitorioso. E esse inimigo não tem cessado de vencer”. O pequeno trecho de Walter Benjamin nos serviu como retrovisor durante esse processo, sempre seguindo em frente sem esquecer a necessidade de perceber os caminhos já trilhados. As urgências que nos impulsionam como artistas na atualidade refletem batalhas que já foram travadas por outras gerações – mudam os atores, mas o palco da História nos apresenta sempre o mesmo espetáculo requentado. Nossa invenção é totalmente baseada em fatos reais.
Os 29 concludentes do CPBT (Curso de Princípios Básicos do Teatro José de Alencar) que atuam em “Trinta e Duas”, dirigidos pelas mãos experientes da atriz e diretora Neidinha Castelo Branco, escolhem trabalhar sua dramaturgia baseada em um passado que se recusa a ser passado. Herdando diferentes aprendizados das turmas de Miolo (2014/2015) e Afoita (2015/2016), a turma de 2016/2017 se aproveita da trajetória de duas mulheres para trazer à tona um debate que nos é negado: os Campos de Concentração da década de 30, os conflitos urbanos que culminam com a higienização da cidade, a estrutura social que permanece em pleno funcionamento, caia a peça que cair.
Serviço
Espetáculo Trinta e Duas
Local: Theatro José de Alencar
Sessões: 8 de setembro (19h)
9 de setembro (17h e 19h)
10 de setembro (17h e 19h)
Ingressos: R$ 10 (inteira) R$ 5 (meia)
Censura: 12 anos

Tribuna do Ceará

Coluna Artesã das Palavras: Escritor e crítico da própria obra… é possível?

Por Vanessa Passos*
Ilustração: Jéssica Gabrielle Lima
escrita, em parte, é um ato solitário. Digo “em parte” porque, se levarmos em consideração os livros já lidos pelos escritores, ou as conversas roubadas dos cafés e das praças, ou, ainda, os lugares que observamos, precisaremos admitir que a escrita não é tão solitária assim. 
Também sei que a solidão a que nos referimos trata da relação do escritor com as palavras, que compreende a eterna busca pela palavra exata, pelo anseio de construir um personagem complexo ou pelo desejo de desenvolver uma trama bem elaborada. Tudo isso nos faz nutrir a ideia de que a solidão é sempre o melhor caminho para a escrita.
No entanto, neste processo laborioso, sabemos que a literatura faz parte de um sistema, segundo Antonio Cândido: autor-obra-leitor. De um lado, está o escritor. Do outro, o(s) possíveis leitor(es). A ponte que os une, portanto, é a obra.
Sem desejar parecer óbvia, vamos pensar que, se cada escritor tem por fim um produto (um livro) cuja finalidade é alcançar outras pessoas (os leitores), não seria estranho imaginar que ele (o autor) tem autoridade absoluta para ser unicamente o crítico de sua obra? Mais ainda, se já temos um conjunto de obras reconhecidas por leitores (comuns ou críticos), por que razão ignorar a importância de um feedback?
feedback, em sua essência, significa dar resposta a um determinado pedido ou acontecimento. No âmbito da literatura, receber feedback  pode trazer à tona um outro conceito, o de leitor beta, ou seja, aquela pessoa que realiza a segunda leitura de um texto depois da primeira versão. Desse modo, qual será a importância desse processo para quem escreve? É realmente necessário?
O processo de criação literária é algo individualizado. Existem escritores (como eu), que são amantes de caderninhos, moleskines e blocos de anotações, nos quais fazem planejamento de escrita, ficha de personagens ou escrevem várias e várias versões. Há outros para quem a ausência de caneta e papel é irrelevante. Eles registram com a alma, com o corpo que captam todos os sentidos e faíscas de ideias que surgem no cotidiano. Não há regras nem fórmulas.
Mas tanto um escritor como o outro, após escrever seu livro, pretende que ele encontre um leitor. É neste ponto que reside a relevância de um feedback. Será possível alguém ser escritor e crítico da própria obra?
Ao escrever, devotamos de forma religiosa todas as nossas energias para a escrita. Criar, recriar, construir imagens a partir de palavras demanda tempo e energia. Estamos envolvidos afetivamente no processo. Tão envolvidos que alguns escritores sentem falta da convivência diária com os personagens que criaram. Em outras ocasiões, alguns personagens têm enorme dificuldade de assimilarem o ponto final de uma história e ficam voltando constantemente para atormentarem seus autores, como é o caso de alguns personagens de Lygia Fagundes Telles e de Lygia Bojunga Nunes.
Por fim, o feedback funciona como um espectro, ele transforma uma ideia unívoca em diversos pontos de luz que podem iluminar os caminhos da escrita. Receber feedback e saber ouvi-lo com atenção é um ato de humildade. Além disso, pode contribuir bastante para melhorar nosso texto. Muitos escritores dão a devida importância ao feedback. Cito ao menos um para ilustrar este argumento. Numa entrevista ao Jornal Rascunho publicada em livro, Milton Hatoum, escritor, tradutor e professor brasileiro, comenta a respeito das versões que escreveu de sua obra-prima Dois irmãos (2000):
 “Entre oito e onze versões. Quando terminei, entreguei o livro para alguns amigos lerem. Alguns críticos leitores, apaixonados por literatura, umas quatro ou cinco pessoas. Raduan Nassar foi um dos que leram e deram boas sugestões. Todos deram boas sugestões. Eu não sabia mais o que tinha que despertar ou não despertar. Eu precisava ter aquelas cinco leituras, ir cruzando aquelas observações para ver o que realmente era comum a todas. Você tem que mudar, reelaborar e escrever. Parece uma besteira, mas, nesse aspecto, gosto de dialogar. Porque a literatura é diálogo.”
Cientes de que “literatura é diálogo”, percebemos que receber feedbacks passa a ser uma prática inevitável. Se não recebermos antes, de amigos e de pessoas de nossa confiança que estão dispostas a fazer sugestões sobre nosso texto, receberemos depois, dos leitores e críticos que lerão a obra.
Quem tiver curiosidade de conhecer a obra organizada por Luís Henrique Pellanda, que mencionei no texto, o livro intitula-se: As melhores entrevistas do Rascunho – Vol. 1.
*Vanessa Passos é escritora, professora de Língua Portuguesa, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGLetras-UFC) e pesquisadora do Grupo de Pesquisa – Espaços de Leituras: Cânones e Bibliotecas. Gosta de viajar, de ler histórias para a filha, de visitar bibliotecas e de criar coreografias. Ela assina, semanalmente, a coluna Artesã das Palavras no blog Leituras da Bel.
Blog O Povo

Você pensa com a razão ou com a emoção?

Como você toma as suas decisões mais sérias? Você é mais racional ou emocional na hora de fazer as suas escolhas, ou seja, usa mais o coração ou cérebro?

Cientistas fizeram essa pergunta para centenas de estudantes da Universidade Estadual da Dakota do Norte. E os cientistas notaram que a resposta revelava uma série de características psicológicas.
A maioria das pessoas que dizia que o seu ‘eu’ estava no coração (cerca de metade dos entrevistados) era mulher e tinha mais chance de confiar nas emoções para fazer decisões morais – como responder a um guarda de prisão que dizia que iria matar um prisioneiro e seu filho se você mesmo não matasse seu filho. Bizarro, sabemos. Nessa situação hipotética, pessoas ‘coração’ tinham mais chances de dizer que não matariam o próprio filho – uma escolha emocional e não racional, já que duas pessoas estariam condenadas e não apenas uma. Já pessoas que dizem que o ‘eu’ está no cérebro tinham performances melhores em testes de conhecimento geral e reagiam menos em situações estressantes.
Agora novas pesquisas estão adicionando um tempero extra a essas descobertas. Um estudo recente mostra que o local onde pessoas colocam seu ‘eu’ pode interferir em suas visões sobre a legalização do aborto ou os critérios que definem a morte de uma pessoa. Cientistas da Universidade de Columbia usaram vários parâmetros para estabelecer se uma pessoa é mais emotiva ou racional (coração x cérebro) – assim a definição era menos sujeita a uma única resposta sem muita reflexão do entrevistado.
Por exemplo, imagine que você é um doador de órgãos e que, após a sua morte e os transplantes, você tivesse 100 milhões de dólares para distribuir entre as pessoas que recebessem os órgãos. A maior parte das pessoas daria a maior parte ou para o receptor do coração ou do cérebro (no exercício o transplante cerebral era possível), com apenas uma pouca quantia indo para os receptores dos olhos, estômago e outras partes. Homens deram mais dinheiro para os receptores do cérebro, mas nem tantas mulheres davam mais dinheiro para os receptores do coração.
Quem afirmava pensar com o coração era mais passível a apoiar leis mais rígidas para o aborto, baseadas na primeira detecção da batida cardíaca do feto, e afirmavam que a morte deveria ser decretada quando o coração para de bater e não quando o cérebro para de funcionar. Também é engraçado que essas pessoas tinham maiores chances de doar dinheiro para entidades de pesquisas sobre doenças cardíacas enquanto pessoas cerebrais doavam para entidades que pesquisavam doenças como o Alzheimer.
Os cientistas acreditam que onde localizamos nosso ‘eu’ é relacionado com a visão que temos sobre o nosso relacionamento com outras pessoas. Gente que se considera mais independente localiza o eu no cérebro enquanto os mais família apontam o coração.
Se o que os cientistas acham, que a localização do eu pode determinar traços de personalidade, ficar provado, um novo campo de pesquisa pode ser aberto. Pode-se determinar, por exemplo, as melhores opções de carreira para alguém, novas estratégias de marketing serão criadas e também a nossa forma de interpretar outras pessoas pode mudar.

(via Pazes)