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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

1 de maio de 2014

A solidariedade de Francisco para com os desempregados


RealAudioMP3 Cidade do Vaticano (RV) – “Fiquem certos da minha solidariedade e oração; não se desencorajem. Eu os abraço fraternalmente e a todos os responsáveis peço que realizem todo esforço de criatividade e de generosidade para reacender a esperança nos corações desses nossos irmãos e de todos os desempregados. Por favor, abram os olhos e não fiquem de braços cruzados!”

Essas palavras de Francisco foram pronunciadas na Audiência Geral de 24 de abril, em resposta a um vídeo que recebeu de operários de uma siderúrgica que está prestes a fechar. Tratou-se do enésimo apelo do Papa em prol dos trabalhadores neste seu primeiro ano de pontificado.

A preocupação do Pontífice espelha toda a tradição da Igreja Católica neste campo, e que a Doutrina Social expressa com as seguintes palavras:

O trabalho representa uma dimensão fundamental da existência humana como participação não só na obra da criação, como também da redenção.

Em seu último apelo, vendo os trabalhadores desesperados, Francisco se dirige diretamente aos empresários, pedindo a eles generosidade e criatividade para contornar esses momentos de dificuldades. Isso é possível? Nosso colega Diego Amorim contatou um empresário cristão de Brasília, Lucas Mendonça. Clique acima para ouvir a reportagem completa.

(BF)

Rádio Vaticano

Comissão de tutela de menores reunida na Casa Santa Marta



Cidade do Vaticano (RV) – A Comissão para a tutela dos menores, instituída por Francisco em dezembro passado, reúne-se pela primeira vez entre quinta-feira, 01 e sábado, 03, anunciou a Sala de Imprensa da Santa Sé.

“No decorrer dos trabalhos, prevê-se uma reflexão sobre a natureza e os objetivos da Comissão, bem como sobre a integração com outros membros representativos de novas áreas geográficas do mundo”, refere a nota oficial.

Pe. Federico Lombardi adiantou quarta-feira, 30, que o Papa vai cumprimentar os membros da comissão no início dos trabalhos, marcados para a Casa de Santa Marta, residência de Francisco.

A nova Comissão vai coordenar o combate e prevenção de abusos sexuais na Igreja Católica e foi criada após a reunião do Papa o Conselho consultivo de oito cardeais (C8) dos cinco continentes, em dezembro de 2013.

Concretamente, a Comissão deve analisar o estado atual dos programas para a proteção dos menores, formular sugestões para novas iniciativas por parte da Cúria Romana e propor nomes de especialistas em diversas áreas para uma aplicação sistemática da nova iniciativa, em colaboração com as Conferências Episcopais e institutos religiosos.

Desde que Bergoglio iniciou seu papado, referiu-se diversas vezes à problemática da pedofilia na Igreja, e em 11 de abril passado, pediu publicamente perdão pelos abusos sexuais cometidos por sacerdotes a menores, ao receber a Agência Internacional Católica da Infância (BICE).

A Comissão tem 8 membros, dentre os quais a irlandesa Marie Collins, vítima de abusos por parte de um padre.
(CM)

 Rádio Vaticano 

52ª AG em Aparecida: "Oração, trabalho e fraternidade"


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Aparecida (RV) – Hoje 1º de maio, Dia do Trabalho, prosseguem em Aparecida as atividades da 52ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida. Os mais de 350 bispos presentes iniciaram o dia participando da celebração Eucarística no Santuário Nacional, presidida pelo Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer. 

“Oração, trabalho e fraternidade”:desta forma foi definido, pelo porta-voz da 52ª Assembleia Geral (AG), Dom Dimas Lara Barbosa, o evento que começou ontem, 30, e vai até o dia 9 de maio. O tema central da Assembleia é a renovação paroquial, que foi tratado na edição anterior da AG, em 2013, e resultou no texto Estudo 104 da CNBB: “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”. De acordo com o Arcebispo de Manaus (AM) e Presidente da Comissão para o Tema Central da Assembleia, Dom Sérgio Eduardo Castriani, que participou ontem da coletiva de imprensa, esta reflexão é fruto de um momento especial vivido por toda a Igreja. “Está sendo um período muito rico, de renovação e reflexão sobre a conversão pastoral da Igreja, e da paróquia em particular”. Ele explica que o trabalho dos bispos agora recolhe as contribuições das comunidades, paróquias e dioceses de todo país. “O processo foi muito fecundo e marcou profundamente a vida da Igreja no Brasil. Propomos agora um documento final que será apreciado pelos bispos”, disse.

Antes de iniciar o estudo deste tema, os bispos na tarde de ontem, discutiram as conjunturas social e eclesial do Brasil e do mundo. “Começamos assim para que possamos ter diante de nossos olhos e trazer no coração o momento que se vive na Igreja e na sociedade, porque isso que vai emoldurar a discussão e o desenrolar de toda a Assembleia”, explicou o Arcebispo de Mariana (MG), Dom Geraldo Lyrio Rocha.

Durante a coletiva de imprensa de ontem, foi divulgada uma nota da Conferência pela celebração do 1º de maio, Dia do Trabalho. O episcopado brasileiro reconhece os avanços conquistados pela classe trabalhadora, mas também pontua os desafios que ainda persistem neste campo. No texto, a CNBB se faz solidária aos trabalhadores, manifestando apoio às suas lutas e reivindicações. Sobre o texto eis o que nos disse Dom Guilherme Werlang, Bispo de Ipameri (GO)…

Ainda sobre os trabalhos da 52ª Assembleia Geral nós conversamos com o Secretário Geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner…

A edição de 2014 da Assembleia Geral tem a influência do clima festivo após as recentes canonizações de São José de Anchieta, São João XXIII e São João Paulo II. “São santos muito próximos de nós. Especialmente João Paulo II. Creio que dificilmente haverá outro tão fotografado como ele. Muitos viram, ouviram e até tocaram. É um estímulo para a fé”, disse o Arcebispo de Salvador (BA) e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger. Ele revelou que são muitos os processos de beatificação e canonização em andamento no país. “Eles evangelizam, e muito, continuando a fazer o que nós somos chamados a fazer. São testemunho vivo daquilo que é o Evangelho”, completou. 

De Aparecida para a Rádio Vaticano, Silvonei José.

Rádio Vaticano 

Dia do Trabalhador: CNBB aponta avanços e desafios



Aparecida (RV) - Durante a primeira coletiva de imprensa da 52ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, foi divulgada nota por ocasião do Dia do Trabalhador. No texto, o episcopado brasileiro reconhece os avanços conquistados pela classe trabalhadora, mas também pontua os desafios que ainda persistem neste campo. A CNBB se faz solidária aos trabalhadores, manifestando apoio às suas lutas e reivindicações.

“A nota sublinha situações que depõem contra a dignidade dos trabalhadores quando fala de um salário mínimo que ainda é baixo, mesmo reconhecendo que houve uma melhora. Também chama a atenção para as situações precárias de trabalho, o desemprego forçado e lembra dos imigrantes que estão chegando ao nosso país” explica o arcebispo de Mariana (MG), Dom Geraldo Lyrio Rocha, durante a entrevista coletiva.

No texto consta, ainda, a palavra deixada aos trabalhadores por São João Paulo II em visita a São Paulo no dia 3 de julho de 1980. Além disso, fala as mortes decorrentes das obras da Copa do Mundo.

Dom Geraldo Lyrio Rocha explicou que é tradição da CNBB divulgar uma mensagem voltada aos trabalhadores sempre que a Assembleia ocorre no dia 1º de maio, e considera que a reflexão apresentada hoje traz pontos de “máxima relevância e de extraordinária atualidade”.

A mensagem oficial pelo Dia do Trabalhador é assinada pelo arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, Cardeal Raymundo Damasceno Assis; pelo arcebispo de São Luís (MA) e vice-presidente, Dom José Belisário Silva; e pelo bispo auxiliar de Brasília (DF) e Secretário-geral, Dom Leonardo Steiner.

Confira abaixo a mensagem na íntegra:

Nota da CNBB por ocasião do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora

Reunidos na 52ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, de 30 de abril a 9 de maio de 2014, em Aparecida-SP, nós, os bispos do Brasil, dirigimos esta mensagem de esperança aos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros na comemoração de seu dia neste 1º de Maio. Ao saudá-los, pedimos que estejam com vocês a graça e a paz de Cristo Ressuscitado, o Filho do Carpinteiro, a quem confiamos a vida, a luta, os sonhos e as utopias de todos vocês.

O Dia do Trabalhador e da Trabalhadora é ocasião propícia para recordar que o trabalho “constitui uma dimensão fundamental da existência humana sobre a terra” (Laborem Exercens, 4). Vocês, trabalhadores e trabalhadoras, “conhecem a dignidade e a nobreza do próprio trabalho, vocês que trabalham para viver melhor, para ganhar para suas famílias o pão de cada dia, vocês que se sentem feridos na sua afeição de pais e de mães ao verem filhos mal alimentados, vocês que ficam tão contentes e orgulhosos quando lhes podem oferecer uma mesa farta, quando podem vesti-los bem, dar-lhes um lar decente e aconchegante, dar-lhes escola e educação em vista de um futuro melhor. O trabalho é um serviço a suas famílias, e a toda a cidade, um serviço no qual o próprio homem cresce na medida em que se dá aos outros” (São João Paulo II aos trabalhadores em São Paulo, 3 de julho de 1980).

Assegurar trabalho decente a todos, com condições dignas para exercê-lo e com justa remuneração, é responder a esta vocação que faz do homem e da mulher colaboradores de Deus na obra da criação. Assim, constitui sinal de esperança constatar a queda do desemprego em nosso país, bem como o aumento dos salários e a ascensão social de milhares de trabalhadores.

Reconhecemos, no entanto, a permanência de situações que depõem contra a dignidade dos trabalhadores. O salário mínimo ainda é muito baixo e se mantém distante do valor digno preconizado pela nossa Constituição. A disparidade salarial entre os que exercem a mesma função também é uma triste realidade em nosso país quando se observa o fator gênero e raça.

Persistem igualmente situações de trabalho precário e de desemprego disfarçado, em que pessoas entram nas estatísticas como ocupadas, quando, na verdade, estão inseridas no mercado informal à procura de novas e melhores ocupações. Esta realidade tem atingido a maioria dos nossos jovens. Acrescente-se também o trabalho escravo que vitima milhares de pessoas em todas as regiões do país, bem como as más condições laborais a que são submetidos muitos trabalhadores imigrantes, conforme denúncia da Campanha da Fraternidade 2014.

O Brasil tem uma das taxas de rotatividade no trabalho mais altas do mundo. Preocupa-nos o crescimento vertiginoso dos acidentes de trabalho e das doenças ocupacionais. Confirmam isso as recentes mortes de operários nas obras da Copa. A essas se somam as inúmeras mortes de trabalhadores que ficam no anonimato pelo país.

Outra realidade inquietante é a expansão da terceirização do trabalho no Brasil. Estudos do DIEESE (2011) revelam que o trabalhador terceirizado fica 2,6 anos a menos no emprego, tem uma jornada semanal de trabalho de três horas a mais e ganha 27% menos. A cada dez acidentes de trabalho, oito ocorrem entre terceirizados. A aprovação do Projeto de Lei 4.330, que regulamenta a prática da terceirização no país, poderá aumentar a precarização no mundo do trabalho.

A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem diminuição do salário é uma justa reivindicação dos trabalhadores que não pode mais ser protelada. Da mesma forma, a regulamentação da ‘PEC das domésticas’ é uma urgência que colocará fim a esta dívida social da nação brasileira. O mesmo se diga em relação aos aposentados que, após doarem sua vida com seu trabalho, são prejudicados com perdas na aposentadoria que lhes tiram o direito a uma vida tranquila e segura. Rever o fator previdenciário é demonstração de respeito e de reconhecimento aos aposentados.

Lembramos estas situações no Dia do Trabalhador e da Trabalhadora para chamar a atenção da sociedade brasileira para seu compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras com quem a CNBB se faz solidária, manifestando apoio às suas lutas e reivindicações. Anime a esperança de nossos trabalhadores e trabalhadoras a palavra de Cristo: “tenham coragem, eu venci o mundo” (Jo 16,33).

A todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, nossa especial e carinhosa bênção. O operário São José alcance de seu Filho, Jesus Cristo, proteção e graça para todos.

Aparecida-SP, 1º de maio de 2014


Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva, OFM
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Vice Presidente da CNBB


Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

 Rádio Vaticano 

Visite o novo site da Santa Sé: www.vatican.va


Cidade do Vaticano (RV) – O site da Santa Sé foi renovado. A página inicial é mais clara, ágil e simples e traz mais informações. A novidade está na rede desde 30 de abril. 

A ‘home page’ do site dá mais espaço à informação, que ocupa grande parte da tela. Todos os discursos recentes de Francisco estão na primeira página, ao lado da tradicional organização da Santa Sé e da imagem do Papa, com letras novas e mais atraentes. 

O site tem oito línguas: italiano, inglês, francês, espanhol, alemão, latim, chinês e português, e em breve, também em árabe. Constam ainda os tuítes papais e quatro novas seções: atualidade, calendário do Papa, fotos e vídeos.

À direita, no alto, foi inserido um espaço dedicado a temas emergentes, como o dos abusos. Podem ser vistas as linhas-mestres criadas por Bento XVI e confirmadas por Francisco: um modo para informar as vítimas sobre seu direito de pedir e obter justiça pelos males sofridos e o apoio do bispo ou superior religioso competente para um percurso de cura. 
(CM)

Rádio Vaticano 

São José Operário - Dom Orani




Rio de Janeiro (RV) - A memória de São José Operário vem-se celebrando liturgicamente desde 1955. A Igreja recorda assim – seguindo o exemplo de São José e sob o seu patrocínio –, a valorização do ser humano e a questão sobrenatural do trabalho. Todo o trabalho humano é colaboração com a obra de Deus Criador, e, por Jesus Cristo, converte-se na medida do amor a Deus e da caridade com os outros em verdadeira oração e em apostolado.

Quanto ao título: São José Operário: ele trabalhou a vida toda para sustentar a Sagrada Família e depois ver Nosso Senhor Jesus Cristo dar a vida pela humanidade. É uma inspiração para este dia primeiro de maio, que recorda a luta dos trabalhadores do mundo todo pleiteando respeito a seus direitos. Foi uma das motivações que levou o Papa Pio XII a instituir a festa de “São José Trabalhador”, em 1955, na mesma data em que se comemora o Dia do Trabalho em quase todo o planeta.

Foi no primeiro de maio de 1886, em Chicago, maior parque industrial dos Estados Unidos à época, que os operários de uma fábrica se revoltaram com a situação desumana a que eram submetidos e pelo total desrespeito à pessoa que patrões demonstravam. Eram trezentos e quarenta em greve e a polícia massacrou-os sem piedade. Mais de cinquenta ficaram gravemente feridos e seis deles foram assassinados num confronto desigual.

São José é o modelo ideal de operário e de homem que viveu a caridade. Ele sustentou sua família durante toda a vida com o trabalho de suas próprias mãos, cumpriu sempre seus deveres para com a comunidade, ensinou ao Filho de Deus a profissão de carpinteiro e, dessa maneira suada e laboriosa, permitiu que as profecias se cumprissem e seu povo fosse salvo, assim como toda a Humanidade.

A Igreja, ao apresentar-nos São José como modelo, não se limita a louvar uma forma de trabalho, mas a dignidade e o valor de todo o trabalho humano honrado. Na primeira Leitura da Missa, lemos a narração do Gênesis em que o homem surge como participante da Criação. A Sagrada Escritura também nos diz que Deus colocou o homem no jardim do Éden para que o cultivasse e guardasse.

O trabalho foi desde o princípio um preceito para o homem, uma exigência da sua condição de criatura e expressão da sua dignidade. E a forma como colabora com a Providência Divina sobre o mundo. “Enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que se movem pelo chão” (Gn 1, 28).

Porém, com o pecado original, a forma dessa colaboração sofreu uma alteração como consequência do pecado: “com fadiga te alimentarás dela todos os dias da tua vida... Comerás o pão com o suor de teu rosto” (Gn 3, 17-19).

É frequente observar que a sociedade materialista dos nossos dias valoriza o que produz e aprecia os homens “pelo que ganham”, pela sua capacidade de obter um maior nível de bem-estar econômico. É hora de todos nós, cristãos, anunciarmos bem alto que o trabalho é um dom de Deus, e que não faz nenhum sentido dividir os homens em diferentes categorias, conforme os tipos de trabalho, considerando umas ocupações mais nobres do que outras. O trabalho, todo o trabalho, é testemunho da dignidade do homem, do seu domínio sobre a criação; é o meio de desenvolvimento da personalidade; é vinculado de união com os outros seres; fonte de recursos para o sustento da família; meio de contribuir para o progresso da sociedade em que se vive e para o progresso de toda a humanidade.

Proclamando São José como protetor dos trabalhadores, a Igreja quis demonstrar que está ao lado deles, os mais oprimidos, dando-lhes como patrono o mais exemplar dos homens, aquele que aceitou ser pai adotivo de Deus feito homem, mesmo sabendo o que poderia acontecer à sua família. José lutou pelos direitos da vida do ser humano ao proteger Jesus, e, agora, coloca-se ombro a ombro na luta pelos direitos humanos dos trabalhadores do mundo, por meio dos membros da Igreja que aumentam as fileiras dos que defendem os operários e seu direito a uma vida digna.

São José ensina-nos a realizar bem o ofício que nos ocupa tantas horas: as tarefas domésticas, o laboratório, o arado ou o computador, o trabalho de carregar pacotes ou de cuidar da portaria de um edifício... A categoria de um trabalho reside na sua capacidade de nos aperfeiçoar humana e sobrenaturalmente, nas possibilidades que nos oferece de levar adiante a família e de colaborar nas obras em favor dos homens, na ajuda que através dele prestamos à sociedade...

Contudo, São José, enquanto trabalhava, tinha Jesus diante de si. Jesus deve ter-lhe ajudado em seu trabalho. Quando se sentia cansado, olhava para o seu filho, que era o Filho de Deus, e aquela tarefa adquiria aos seus olhos um novo vigor, porque sabia que com o seu trabalho colaborava com os planos misteriosos, mas reais, da salvação. Peçamos-lhe, hoje, que ele nos ensine a ter a presença de Deus e a exercer a caridade que ele teve enquanto exercia o seu ofício. E não nos esqueçamos da Virgem Maria, a quem vamos dedicar com muito amor este mês de maio que hoje começa. Não nos esqueçamos de oferecer em sua honra, nestes dias, alguma hora de trabalho ou de estudo, e, principalmente o Santo Rosário, oração contemplativa que nos faz entrar na história da salvação.

Orani João, Cardeal Tempesta. O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
 Rádio Vaticano 

São José, protetor dos trabalhadores


 RealAudioMP3

Cidade do Vaticano (RV) - Em virtude dos movimentos trabalhistas surgidos no século XX, o 

Papa Pio XII instituiu em 1955 a festa de São José Operário.

O objetivo do Pontífice foi oferecer ao trabalhador um modelo e um protetor.

A visão dignificante e santificadora do trabalho está nas origens da própria Revelação quando se lê que Deus trabalhou seis dias e descansou no sétimo, que o mundo e o homem são obras de suas mãos. 
Jesus nos falou: “Meu Pai trabalha até agora e eu também trabalho”.

Também Jesus quis se apresentar como o filho do carpinteiro e também ele estava presente na oficina de Nazaré.

Não podemos deixar na sombra a figura de Maria em seu trabalho de dona de casa, cozinhando, limpando a casa, lavando as roupas de sua família. 

Por último vale a frase de São Paulo “quem não quiser trabalhar não deverá comer e que coma o fruto de seu trabalho”.

São José é o protetor dos trabalhadores. Já escrevia Leão XIII em sua encíclica Rerum Novarum: “ Os proletários e os operários têm como direito especial recorrer a São José e de procurar imitá-lo. José, de fato de família real, unido em matrimônio com a mais santa e a maior entre todas as mulheres, considerado como o pai do Filho e Deus, não obstante tudo passou a vida toda a trabalhar e tirar do seu trabalho de artesão tudo o que era necessário ao sustento da família.”

Nossos cumprimentos a todos os trabalhadores e nossas orações pelas crianças que trabalham e pelos desempregados.
(CAS)

Rádio Vaticano 

Fundação Centesimus Annus promove encontro internacional sobre sociedade e trabalho


Cidade do Vaticano (RV) - Realiza-se de 8 a 10 de maio, na Sala Nova do Sínodo, no Vaticano, o encontro internacional anual promovido pela Fundação Centesimus Annus – Pro Pontífice sobre o tema "Boa sociedade e futuro do trabalho: solidariedade e fraternidade podem fazer parte das decisões relativas ao mundo dos negócios?"


"No ano passado, em seu discurso dirigido aos membros da fundação, o Papa Francisco pediu-lhes para refletir sobre os espaços concretos que a solidariedade pode ter na vida econômica. Optamos por acolher esse convite como diretriz do encontro deste ano", explicou o Presidente da Fundação Centesimus Annus – Pro Pontifice, Domingo Sugranyes Bickel, na apresentação da iniciativa. 

A reflexão, animada por expoentes do organismo, empresários e representantes do mundo eclesial provenientes de vários países, partirá de uma visão abrangente das tendências econômicas atuais, especialmente no que diz respeito à questão da criação de oportunidades de trabalho. 

Depois, a análise se concentrará numa série de quesitos sobre questões de importância primordial, como a tendência ao aumento das diferenças entre trabalhos altamente qualificados de um lado e trabalhos pouco qualificados de outro; a diminuição dos trabalhadores tradicionais nas indústrias; a passagem, depois de quase um século, da percepção e medida das desigualdades fundada no binômio, países desenvolvidos e subdesenvolvidos, a uma época em que as desigualdades são medidas dentro de cada país.

"Neste cenário, composto de fatos novos e desconhecidos, aprofundaremos o que pode significar a solidariedade ou a falta dela na economia e na vida social, considerando a questão em termos teóricos e práticos; abordando, por exemplo, temas como a luta contra a economia do crime e a organização de programas eficazes de ajuda social. Analisaremos também como os empresários consideram a solidariedade e a fraternidade em suas próprias atividades", disse ainda o presidente da fundação.

"Como responsáveis de atividades econômicas, sabemos que em nossas organizações existem homens e mulheres e não máquinas ou entes mecânicos teóricos, tais como o chamado 'homo oeconomicus', fruto de certas teorias clássicas, elevadas a ideologia. Trabalhamos com pessoas, ou seja, seres humanos capazes de generosidade e gratidão. Não é suficiente que a empresa seja eticamente responsável e participativa. Os problemas atuais superam o nível macro-econômico e é preciso uma mudança de prioridades no âmbito coletivo", disse ainda Sugranyes Bickel. 

Segundo o Presidente da Fundação Centesimus Annus – Pro Pontífice, "nesta mudança a Doutrina Social da Igreja pode trazer novas ideias, livres de laços ideológicos e vão além de interesses de partes. O Papa Francisco nos convida a este empreendimento ambicioso e nós tentamos seguir o seu passo rápido".

Para 2014, a fundação programou outros encontros internacionais como o seminário em Dublin, na Irlanda, sobre reforma financeira e bem comum, e um encontro em Nova York sobre a questão urgente da pobreza e a responsabilidade de proteger as populações vulneráveis. Sobre essas questões, a Fundação pretende realizar um documento contendo as conclusões e uma série de recomendações a serem apresentadas ao Santo Padre e difundidas nas universidades, organizações econômicas e centros de estudos. (MJ)

Rádio Vaticano 

A memória de Cristo na Palavra e na Eucaristia

 domtotal.com

Roteiro Homilético
A proposta de reflexão da liturgia dominical é de autoria do Pe. Johan Konings SJ, preparada pelo Pe. Jaldemir Vitório SJ, professor e reitor da FAJE (Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia).

A saudade é a gostosa presença do ausente. Quando alguém da família ou uma pessoa querida está longe, a gente procura se lembrar dessa pessoa.

É o que aconteceu com os discípulos de Emaús (Lc 24,13-55, evangelho de hoje). Jesus tinha sumido... mas, sem que o reconhecessem, estava caminhando com eles. Explicava-lhes as Escrituras. Mostrava-lhes as passagens do Antigo Testamento que falavam dele. Pois existe no Antigo Testamento um veio escondido que, à luz daquilo que Jesus fez, nos faz compreender que Jesus é o Messias: os textos que falam do Servo Sofredor, que salva o povo por seu sofrimento (Is 52–53); ou do Messias humilde e rejeitado (Zc 9–12); ou do povo dos pobres de Javé (Sf 2–3) etc. Jesus ressuscitado abriu, para os discípulos de Emaús, esse veio. Textos que eles já tinham ouvido, mas nunca relacionado com aquilo que Jesus andou fazendo... e sofrendo.

Isso é uma lição para nós. Devemos ler a Sagrada Escritura através da visão de Jesus morto e ressuscitado, dentro da comunidade daqueles que nele creem. É o que fazem os apóstolos na sua primeira pregação, quando anunciam ao povo reunido em Jerusalém a ressurreição de Cristo, explicando os textos que, no Antigo Testamento, falam dele (1ª leitura, At 2,14.22-33). Para a compreensão cristã da Bíblia é preciso “ler a Bíblia na Igreja, reunidos em torno de Cristo ressuscitado”.

O que aconteceu em Emaús, quando Jesus lhes abriu as Escrituras, é parecido com a primeira parte de nossa celebração dominical, a liturgia da palavra. E muito mais parecido ainda com a segunda parte: Jesus abençoa e parte o pão, e nisso os discípulos o reconhecem presente. Desde então a Igreja repete este gesto da fração do pão e acredita que nele Cristo mesmo se torna presente. É o rito eucarístico de nossa missa.

Emaús nos ensina as duas maneiras fundamentais para ter Cristo presente em sua ausência: ler as escrituras à luz de sua memória e celebrar a fração do pão, o gesto pelo qual ele realiza sua presença real, na comunhão de sua vida, morte e ressurreição. É a presença do Cristo pascal, glorioso – já não ligado a tempo e espaço, mas acessível a todos os que o buscam na fé e se reúnem em seu nome.

Por um trabalho decente e saudável para todos

  domtotal.com

Por meio do trabalho, precisamos fazer surgir a civilização do bem viver e da solidariedade.

Por Dom Roberto Francisco Ferreria Paz*
O 1º de maio em que celebramos a Festa de São José Operário, padroeiro dos trabalhadores, nos unimos as lutas, anseios e conquistas daqueles que engrandecem a Nação com sua labor digna, honesta e solidária. Recordamos neste dia o assassinato de oito trabalhadores em Chicago em 1886, acusados de terroristas.

Era o embate pela jornada de oito horas, pelo reconhecimento da organização sindical e pela cidadania dos trabalhadores. Essas conquistas que custaram vidas e demandaram crescimento na unidade, empenho pela dignidade e reconhecimento dos direitos sociais, foram postos em cheque pela chamada globalização financeira, que homologa a hegemonia do capital sobre o trabalho, desconstruindo a estabilidade e as garantias laborais, introduzindo a precarização e terceirização do trabalho.
Voltamos aos tempos do capitalismo selvagem, que especula com o arrocho salarial, o trabalho semiescravo e forçado, e a exploração da mulher. Neste quadro mundial, o papa Bento XVI clamava na “Caritas in Veritate” por novas formas de solidariedade, e aderia abandeira do trabalho decente, que inclui não só a remuneração justa para manter uma família, mas a estabilidade e salubridade do trabalho, como via de realização e humanização da pessoa trabalhadora.
Torna-se necessário também a redução da jornada, com a repartição das ofertas de postos de trabalho, almejando o máximo de alocação da mão de obra, como o cuidado com sua reposição e valorização.
O trabalho continua sendo a chave da questão social, e junto ao povo trabalhador queremos fazer surgir a civilização do trabalho, do bem viver e conviver que possibilite a alternativa da globalização da solidariedade e da esperança. Que São José proteja, encoraje e abençoe aos nossos irmãos e irmãs trabalhadores/as. Deus seja louvado!
*Dom Roberto Francisco Ferreria Paz é bispo de Campos (RJ).

Quando o pontífice atrai mais do que o Coliseu

  domtotal.com

Em viagem pelo Papa Bergoglio. Na Bolsa do turismo, falam em "fator anticonjuntural". Na prática: a única voz em crescimento em um momento de crise generalizada. Mas, para os fiéis que triplicaram as presenças na Praça de São Pedro, é simplesmente o "efeito Francisco".
Sobe para um valor recorde de cinco bilhões dólares o volume de negócios do turismo religioso na Itália em 2014, pelo estímulo da atração exercida pelo papa argentino. Uma pesquisa encomendada pela Coldiretti por ocasião da canonização de Wojtyla e de Roncalli revela que Roma é a meta italiana preferida pelos peregrinos. Em média, a cidade eterna pode contar com sete milhões de visitantes por ano, segundo a World Tourism Organization.
Na Itália, o Papa Bergoglio arrasta também os outros destinos religiosos: santuários marianos como Loreto e Caravaggio, cidades franciscanas como Assis e San Giovanni Rotondo. A fé como porto seguro.
"Os números que temos sobre os participantes nas audiências e nas celebrações religiosas registram um aumento significativo", observa o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi. "Os dados sobre a frequência e a proveniência dos peregrinos atestam que cresceu consideravelmente também a circulação dos grupos, não só italianos. Chegam comitivas e pessoas de todas as partes do mundo".
Em suma, trata-se de um "fluxo universal de pessoas de várias nacionalidades", com uma "rotação muito ampla", destaca o padre Lombardi. A entidade bilateral do turismo do Lácio confirma a tendência de crescimento.
Se muitos europeus, como franceses e alemães, mas também japoneses e chineses preferem se alojar no coração da cidade eterna, quem vem da América do Sul escolhe as estruturas do interior de Roma. Os pedidos de licença de ônibus também subiram até as estrelas.
Dois em cada cinco italianos são mais propensos a visitar a Urbe. "A eleição de Francisco aumentou o interesse dos viajantes italianos em relação à capital", informa uma pesquisa da TripAdvisor, realizado com mais de 1.300 usuários da comunidade. Cerca de 42% dos italianos se declaram tencionados a visitar Roma por causa do Papa Bergoglio, com um aumento de 28% no tráfego de web nas páginas dedicadas à cidade eterna.
Estatísticas e senso comum coincidem: nas ruas ao redor da Praça de São Pedro, nas quartas-feiras de manhã e nos domingos para o  Angelus, a presença de turistas e peregrinos subiu constantemente no últimos 12 meses.
Os "viajantes religiosos" no mundo são 300-330 milhões por ano, com um faturamento anual de 18 bilhões de dólares, com um enorme potencial de crescimento para a Itália, se considerarmos que, entre os destinos preferidos do turismo religioso espalhados pelo globo, estão a Cidade do México, onde o santuário de Nossa Senhora de Guadalupe atrai 10 milhões de peregrinos todos os anos, Medjugorje, em rápida ascensão especialmente entre os fiéis italianos, e ainda Jerusalém, Assis, Lourdes.
O que deu um impulso decisivo para o turismo religioso na Itália em 2014 foi justamente a chegada de Francisco. Cerca de 4% dos turistas presentes na Itália para as pontes de primavera tem um "motivo" de fé. Roma, Assis, Pádua. E depois Pompeia, Loreto, Oropa, San Giovanni Rotondo, Cássia.
Segundo a última pesquisa da ISNART, a clientela estrangeira constitui 60% do segmento turístico religioso: 45,3% provêm da Europa, e 14,9 % dos países extraeuropeus. O estudo mostra que 41,4% dos turistas religiosos têm idade entre 30 e 50 anos, 44,4% confiam a organização da viagem ao circuito da intermediação, operadores turísticos e agências de viagem. Cerca de 32,7% preferem viajar acompanhados do parceiro, 20% escolhem uma excursão organizada, 19,7% têm um grupo de amigos, 13,3% a família, enquanto 9,8% viajam sozinhos.
O perfil do turista por devoção reflete a sobriedade de Francisco. O peregrino é parcimonioso (não é"high-spender") e viaja principalmente na baixa temporada, contribuindo assim para o ajuste sazonal dos destinos. Está em andamento também um inesperado "revival" das formas mais tradicionais de turismo. Cada vez mais devotos voltam a percorrer a pé os itinerários religiosos rumo aos destinos de culto.
O percurso histórico de maior destaque continua sendo o caminho espanhol de Santiago, mas na Itália novamente está em voga a Via Francigena, no norte, com um percurso de 1.000 km a pé, de Aosta a Roma.
Um volume de negócios que corresponde ao crescimento do Papa Bergoglio nos meios de comunicação, como demonstram os oito pontos a mais de share na TV da Via Crucis no Coliseu em comparação com o pontificado anterior.
La Stampa, 29-04-2014

Reforma da Cúria encontra cada vez mais resistências

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O Papa Francisco reuniu entre os dias 28 a 30 de abril o seu "C8", os oito cardeais que o aconselham para a reforma da Cúria Romana. Responsáveis dentro da administração vaticana tentam frear a reorganização em curso. As iniciativas do novo papa não encontram unanimidade, mas a sua popularidade e a sua determinação dificultam qualquer resistência real.
Os rumores correm desde o início do novo pontificado. A Cúria Romana freia as reformas iniciadas pelo Papa Francisco. O último exemplo disso veio na sessão de trabalho do "C8", o conselho de oito cardeais externos à Curia do qual o papa jesuíta se cercou expressamente para reformar o governo da Santa Sé.
Em pauta – e certamente assim será também na próxima sessão no início de julho – está inscrita a racionalização dos 12 Pontifícios Conselhos, os dicastérios (equivalentes a pequenos ministérios) que, com nove congregações (para a Doutrina da Fé, as Causas dos Santos, o Culto Divino etc.) constituem a Cúria.
O elevado número de tais conselhos, o intrincamento das suas áreas de competência e a sua falta de coordenação foram destacados, particularmente durante os debates que antecederam o último conclave. Por exemplo, aqueles que tratam de questões sociais, como a saúde, os migrantes, o "Cor unum" (que trabalha contra a pobreza) e o "Justiça e Paz", poderiam se fundir. Ou ao menos ser unidos em um único polo, com um coordenador.
Mas, na prática, nenhum chefe de dicastério deseja ver desaparecer o seu próprio ente. "O nosso presidente toma todas as iniciativas possíveis para se mostrar absolutamente necessário", observa, sorrindo, um prelado que trabalha em um Pontifício Conselho. Um zelo para melhor resistir à diminuição das estruturas romanas desejada pelo Papa Francisco.
Outros se voltam diretamente para as pessoas próximas ao novo papa para defender a sua administração. Por exemplo, o cardeal Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que falou com o cardeal Oscar Maradiaga, coordenador do "C8", durante a última sessão, para tentar manter prerrogativas financeiras no seu dicastério.
A reunificação destas últimas dentro de um novo "Secretariado para a Economia" provocou intervenções na direção contrária por parte da Secretaria de Estado, onipotente com o Papa Bento XVI. De acordo com diversas fontes, o secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal Pietro Parolin, tem sido pressionado pela sua equipe para tentar, em vão, não perder o controle das finanças em benefício do novo secretário para a economia, o cardeal australiano George Pell.
Mas a resistência na Cúria não se concentra só na reforma da qual ela é objeto. Visa também ao próprio Papa Francisco, cujo estilo e cujos modos não encontram unanimidade. "Criticar o papa não é algo que se costuma fazer quando se trabalha na Santa Sé", observa uma fonte entre os colaboradores.
Por exemplo, toda a semana de retiro em silêncio no início da Quaresma, imposta fora de Roma pelo papa, não convenceu todos os presentes. Até então, eles estavam bastante acostumados a se contentar com um breve período espiritual dentro da sua agenda de trabalho.
Para além dessas iniciativas, as críticas internas ao novo papa também dizem respeito a assuntos de fundo. E não só dentro da Cúria. O consistório extraordinário sobre a família convocado para o fim de fevereiro passado pelo papa mostrou isso claramente. A divisão dos cardeais, que lá discutiram principalmente sobre o problema do acesso aos sacramentos dos divorciados em segunda união, mostra a sua hesitação antes de seguir o papa no caminho de uma evolução nessa matéria.
"Os bispos se irritam ao ver a sua autoridade posta em discussão, contestada, porque se opõe a eles o que o papa diz", é o que Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio, ouve dos seus contatos: "Para eles, Francisco tira a verticalidade da Igreja".
"Muitos dos altos prelados da Cúria eram intocáveis", acrescenta o padre Jean-Paul Muller, tesoureiro-geral dos salesianos: "Vendo esse papa tão próximo e acessível das pessoas, eles se assustam, porque entendem que já não são mais intocáveis, que ele vai questioná-los, que vai lhes pedir contas".
"Se o conclave fosse refeito, ele não seria mais reeleito", afirma um cardeal eleitor da Cúria, que participou do último conclave. Mas não é apenas nos mais altos escalões da Igreja que há pessoas que aceitam a mudança de má vontade. Os empregados do Vaticano também se preocupam. Chegou a hora do rigor, agora que o verdadeiro estado das finanças foi exposto claramente depois das auditorias externas dos grandes escritórios internacionais.
Desde fevereiro, as novas contratações estão bloqueadas, as horas extras não são mais pagas, e foi introduzida a obrigação de "bater o cartão". A progressão na carreira não parece estar mais garantida como antes. Daí se percebe um clima social que une o descontentamento com a tradição de lealdade em relação ao pontífice.
Nesse ambiente, o Papa Francisco, ao invés, continua, lenta mas seguramente. "Ele não se precipita em nada. Prorrogou os cargos de muitas pessoas. De longe, a impressão que se tem é de que tudo continua sendo um pouco vago, mas isso é estratégico para o seu sucesso. Ele está convencido do fundamento das reformas e sente desde a sua eleição uma expectativa por parte do restante da Igreja a esse respeito", garante Michel Roy, secretário-geral da Cáritas.
"Tornou-se muito difícil resistir a esse papa", afirma o padre Muller, porque, se Bento XVI estava sozinho, Francisco tem o povo do seu lado, e essa é a sua força".
La Croix, 29-04-2014

Os 350 metros que separam Bertone do papa

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Não é só um problema de metragem de um apartamento, mas sim de estilos de vida que, para um homem da Igreja, não é pouca coisa. O caso é o da majestosidade do apartamento dentro dos muros leoninos que, precisamente a seu pedido, foi "designado" ao já ex-secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone.
Ele está situado no Palazzo San Carlo, justamente em frente à Domus de Santa Marta, onde o Papa Francisco decidiu morar. As "fofocas" que vazaram do Vaticano o descreveram como um apartamento faraônico, de 700 metros quadrados, com mais de 100 metros de terraço, muito mais do que prestigioso.
Agora, estaria em andamento a reforma externa do edifício, que os andaimes montados do lado de fora tornam bem visível. Uma solução que, segundo alguns jornais, teria parecido um verdadeiro excesso para o Papa Francisco, que "teria ficado furioso com tanta opulência".
Nos últimos dias, chegou o ressentido esclarecimento do cardeal salesiano, confiada a uma carta enviada aos jornais de Vercelli e Gênova, duas dioceses das quais ele foi bispo. Bertone agradece a quem lhe mostrou solidariedade. Salienta, no entanto, que a metragem descrita para um apartamento que ele admite ser "espaçoso" – como são "normalmente as residências nos antigos palácios do Vaticano" – seria o dobro da real. Mas ele não fornece números. Ele assegura que os trabalhos das reformas do apartamento, por cuja utilização ele obviamente não paga nada, são às suas custas. Lembra também que é "temporária a concessão do uso desse apartamento" e que, depois dele, "algum outro irá usufruir dele".
Depois, ele dá a notícia mais importante, a do telefonema de "solidariedade" recebido no dia 23 de abril passado do Papa Francisco, assegurando que ele foi posto a par de tudo desde a "atribuição" desse apartamento. Para acrescentar, em tom polêmico com a mídia: "Até mesmo foi comparado o espaço do 'meu' apartamento com a suposta restrição da residência do papa".
O deslize do cardeal é sobre essa "suposta restrição" em relação aos cerca de 70 metros quadrados da suíte 201 da Domus de Santa Marta ocupada pelo pontífice. O uso, talvez impróprio, desse termo parece ter despertado irritação do outro lado do Tibre. É como se estivesse sendo colocada em discussão a autenticidade da escolha da vida de Francisco e também o seu modelo de Igreja "pobre e para os pobres".
Uma escolha que o papa também reiterou nessa terça-feira na sua homilia matinal em Santa Marta: "Toda comunidade cristã deveria comparar a sua própria vida com aquela que a primeira Igreja animava e verificar a sua própria capacidade de viver em 'harmonia', sem 'fofocas', de dar testemunha da ressurreição de Cristo, de assistir os pobres".
Para Francisco, é justamente da atitude em relação aos pobres e de quanto cada um é pobre é se mede a fidelidade ao Evangelho. Parecia estar dirigido precisamente a Bertone aquele tuíte publicado no dia 24 de abril passado por Francisco, no dia seguinte ao telefonema de solidariedade: "Um estilo de vida sóbrio é bom para nós e permite-nos uma melhor partilha com os necessitados". Assim como o dia dia 26 de abril: "Ninguém pode sentir-se dispensado da partilha com os pobres nem da justiça social". Não são só enunciações, são lembretes específicos para aqueles que resistem. E também são um programa de governo que vai se definindo.
Desde segunda-feira passada, o Papa Francisco participa dos trabalhos do Conselho dos oito cardeais, dedicado aos resultados das consultas dedicadas à gestão econômica da Santa Sé e do Governatorato, uma "due diligence" sobre a atividade econômica e financeira da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica.
Então, em tempos de spending review, por que não pensar que aqueles que, como "cidadãos" do Vaticano – onde os impostos praticamente não são pagos –, moram (gratuitamente) em residências suntuosas possam pagar uma contribuição para alimentar um fundo para aqueles que não podem se permitir o luxo de ter uma casa? Seria um ato simbólico, mas também muito concreto, que muitos apreciariam.
L'Unità, 30-04-2014

Saiba como surgiu o feriado do dia 1º de maio

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Data se tornou feriado em cerca de oitenta países no mundo.

O primeiro dia do mês de maio é considerado feriado em alguns dos países do mundo. Além do Brasil, Portugal, Rússia, Espanha, França, Japão e cerca de oitenta países consideram o Dia Internacional do Trabalho um dia de folga.
A data surgiu em 1886, quando trabalhadores americanos fizeram uma paralisação no dia primeiro de maio para reivindicar melhores condições de trabalho. O movimento se espalhou pelo mundo e, no ano seguinte, trabalhadores de países europeus também decidiram parar por protesto. Em 1889, operários que estavam reunidos em Paris (França) decidiram que a data se tornaria uma homenagem aos trabalhadores que haviam feito greve três anos antes.
Gradativamente, outros países foram aderindo ao feriado. No Brasil, o feriado começou por conta da influência de imigrantes europeus, que a partir de 1917 resolveram parar o trabalho para reivindicar direitos. Em 1924, o então presidente Artur Bernardes decretou feriado oficial.
Além de ser um dia de descanso, o 1º de maio é uma data com ações voltadas para os trabalhadores. Não por acaso, a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) no Brasil foi anunciada no dia 1º de maio de 1943. Por muito tempo, o reajuste anual do salário mínimo também acontecia no Dia do Trabalho.
Este ano, foram organizadas diversas manifestações e eventos culturais para o Dia do Trabalho no Brasil.
EBC