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20 de novembro de 2016

Filme 'Sob Pressão' retrata dia de cão num hospital público do Rio

Por Neusa Barbosa
Elenco do filme: Álamo Facó, Júlio Andrade, Ícaro Silva Andréa Beltrão e Julia Shimura.Desde o título, “Sob Pressão”, o novo filme do diretor Andrucha Waddington, anuncia o clima de emergência que caracteriza essa história, em torno da crise permanente no atendimento público de saúde no Brasil. 
Partindo do livro “Sob Pressão – A rotina de guerra de um médico brasileiro”, o filme explora experiências relatadas pelo médico Márcio Maranhão, que funcionou como consultor técnico nas filmagens, garantindo um realismo contundente, não raro assustador.
A situação-base é um dia infernal, o que não é raridade no setor de emergências de um hospital público, ainda mais em se tratando, como este cenário do filme, de uma instituição localizada num extremo do Rio de Janeiro.
Ao final de mais um plantão, o exausto dr. Evandro (Julio Andrade), chefe da emergência, se depara com um quadro dramático. Tem que decidir se opera primeiro um traficante ou um policial militar, ambos colhidos em mais uma guerra do tráfico nas imediações. A chegada de um menino de classe média alta, filho de um dono de jornal, ferido por uma bala perdida, completa o impasse, já que o centro cirúrgico é um só.
Numa verdadeira situação de guerra, Evandro é pressionado por diversas frentes – como o capitão PM (Thelmo Fernandes) que exige que ele opere o seu homem, abandonando o traficante, e a administradora do hospital, Ana Lucia (Andréa Beltrão), temerosa das consequências da demora no atendimento ao filho do dono de jornal.
Evandro lida ainda com seus próprios fantasmas, o pior deles a dependência química – fato não incomum em profissionais da saúde como ele, corroídos pelas angústias dilacerantes do trabalho e a disponibilidade de psicofármacos ao alcance das mãos.
Diretor experimentado em gêneros diversos, da comédia (“Eu Tu Eles”) ao documentário (“Viva São João”), Waddington mostra mão segura na manutenção de um clima de permanente tensão nos corredores deste hospital despojado, em que repercutem algumas das mazelas do Brasil. E o faz de maneira a privilegiar o lado humano de seus personagens, cujo coração bate sempre no ritmo da história.
Premiado no Festival do Rio, Julio Andrade mostra, mais uma vez, por que é um dos mais respeitados atores da atualidade no país, compondo um protagonista marcado por falhas que nunca se afasta da ética pessoal, afirmando sua responsabilidade profissional diante de tudo.
Ao seu lado, fazem bonito outros médicos jovens da equipe, especialmente Carolina (Marjorie Estiano), a recém-chegada que pega no tranco em seu primeiro dia de trabalho, e Paulo (Ícaro Silva), um dedicado assistente que se contrapõe eventualmente a Evandro, mas nunca lhe nega lealdade. Também premiado no Rio, o coadjuvante Stepan Nercessian injeta, de vez em quando, racionalidade e simpatia no meio do caos.
Filmado em setores abandonados da Santa Casa de Cascadura, zona norte do Rio, “Sob Pressão” tem seu ponto alto num realismo que chega a requintes de quase crueldade. Mais apavorante é pensar que no dia a dia de tantos hospitais do país situações iguais ou piores possam estar se repetindo neste exato momento. 

Reuters

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Mundo: Liberdade religiosa tem de deixar de ser um 'direito órfão'

Relatório da 'Ajuda à Igreja que Sofre' dá conta do aumento do extremismo em todo o mundoLisboa - A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), ligada à Santa Sé, apresentou quinta-feira, 17, em Lisboa o relatório mais recente sobre Liberdade Religiosa no Mundo, que dá conta do aumento do extremismo em todo o mundo.
O deputado Fernando Negrão, presidente do Grupo Parlamentar informal de Solidariedade para com os Cristãos Perseguidos, foi o responsável pela apresentação do documento, na Sociedade de Geografia, e destacou um estudo que reforça a urgência da liberdade religiosa ser cada vez mais ‘um direito de todos’ e não ‘um direito órfão’.
Numa análise ao período entre junho de 2014 e junho de 2016, o relatório sobre Liberdade Religiosa no Mundo, da AIS, dá conta do surgimento de “um novo fenómeno de violência com motivação religiosa, que pode ser descrita como hiperextremismo islamita, um processo de radicalização intensificada, sem precedentes na sua expressão violenta”.
O fenómeno é caraterizado pelo “sistema radical de lei e governo” e por “tentativas sistemáticas de aniquilar ou afastar todos os grupos que não se conformam à sua perspetiva”.
Fernando Negrão salientou a importância da liberdade religiosa ser “um privilégio de todos, incluindo dos ateus” e independentemente de qual seja ‘a ideia de Deus’, algo que atualmente não acontece pois esta relação está hoje dominada por uma noção, de ‘vida ou de morte’, de sujeição ou eliminação.
“Aumentaram as situações extremas de violência em todo o mundo, aumentaram  as atrocidades contra todo o tipo de cristãos e todas as minorias religiosas, que são por norma ‘as mais sacrificadas’, acrescentou.
Este relatório da AIS refere que a liberdade religiosa diminuiu em 11 dos 23 países com “piores infrações” a este direito; dos 38 países com violações mais significativas da liberdade religiosa, 55% permaneceram estáveis e apenas em 8% a situação melhorou.
O relatório aponta o dedo a “atores não-estatais”, ou seja, organizações fundamentalistas ou militantes como “responsáveis pela perseguição religiosa” em 12 países.
A apresentação do documento contou com a presença do arcebispo de Erbil (Iraque), D. Banhar Warda, que deixou o seu testemunho acerca de uma comunidade que acolhe atualmente milhares de cristãos perseguidos, vindos de outras regiões do país que foram tomadas pelo Estado Islâmico.
‘São 10 mil famílias que ainda esperam que a sua vida possa regressar ao normal e o vosso apoio é muito importante’, foi a mensagem que o prelado deixou durante a sessão.

Ecclesia

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Zygmunt Bauman: “A desigualdade está fora de controle”

Zygmunt Bauman: “A desigualdade está fora de controle”Bauman, nascido em Poznan em 1925, teve que emigrar com sua família para a então União Soviética quando era apenas uma criança, fugindo da perseguição nazista. Novamente, em 1968, teve que fugir do que então era seu país, escapando de um expurgo marcado pelo antissemitismo após a guerra árabe-israelense. Ele temporariamente estabeleceu-se em Tel Aviv, e depois foi para a Inglaterra, onde fez carreira na Universidade de Leeds.
Em uma recente entrevista com Gonzalo Suárez, do El Mundo da Espanha, o intelectual polonês – que acaba de publicar um novo ensaio intitulado “Estranhos batendo na porta”, referindo-se às sucessivas ondas de refugiados que procuram asilo na Europa – explica, com um lúcido realismo, a passagem do mundo relativamente estável de algumas décadas ao que temos hoje.
“Os europeus”, explica Bauman na entrevista, “se deparam com a chegada repentina de milhões de pessoas que, até recentemente, tinham vidas muito semelhantes às nossas: empregos de qualidade, casas próprias, ambições profissionais… E, de repente, são refugiados que perderam tudo por causa da guerra. Sua aparição em massa nos torna conscientes de quão frágil, instável e temporária é a segurança de nossas vidas. A imigração nos causa tanta ansiedade por causa do medo de perder tudo o que conquistamos, pelo aumento da precariedade da vida ocidental. E quando vemos milhares de refugiados acampados em uma estação de trem europeia, percebemos que já não são simples pesadelos, mas realidades que podemos ver e tocar”.
Segundo Bauman:
Estas pessoas que estão vindo agora são refugiados que não são miseráveis, sem pão ou água. São pessoas que, ontem, tinham orgulho de seus lares, de suas posições na sociedade, que, frequentemente, tinham um alto grau de educação e assim por diante. Mas, agora eles são refugiados. E eles vêm para cá. Quem eles encontram aqui? A precariedade. O precário vive na ansiedade. No medo. Nós temos pesadelos. Tenho uma ótima posição social e quero mantê-la. 
Essa precariedade – segundo Bauman – traz a ideia de andar em areia movediça. Agora, surgem estas pessoas da Síria e da Líbia. Elas trazem esta ameaça de países distantes para nossas casas. De repente, elas aparecem ao nosso lado. Não conseguimos omitir suas presenças. 
Os refugiados simbolizam, personificam nossos medos. Ontem, eram pessoas poderosas em seus países. Felizes. Como nós somos aqui, hoje. Mas veja o que aconteceu hoje. Eles perderam suas casas, perderam seus trabalhos. 
O choque está apenas começando. Não existem atalhos para solucionar o problema. Não existem soluções rápidas. Então, precisamos nos preparar para um tempo muito difícil que está chegando. Esta onda de imigração que aconteceu no ano passado não foi a última. Há mais e mais pessoas esperando. Precisamos aceitar que esta é a situação. Vamos nos unir e encontrar uma solução. 
Para ler a entrevista completa (em espanhol) em El Mundo de Espanha, clique aqui.

Aleteia

Tese de mestrado mostra luta pela liberdade de mulheres escravizadas

Sumaia Villela - Correspondente da Agência Brasil
Tese sobre luta de mulheres escravizadas em Alagoas se transforma em livro - Foto Sumaia Vilela/Agência Brasil
Tese sobre luta de mulheres escravizadas em Alagoas se transforma em livro - Foto Sumaia Vilela/Agência BrasilSumaia Villela/Agência Brasil













Alagoas, estado onde surgiu o quilombo mais famoso do Brasil: Quilombo dos Palmares; terra onde viveu e lutou um dos ícones da resistência à escravidão no país, Zumbi. Embora marcada pela presença masculina nas lutas de vida e morte travadas no território contra a escravidão, uma tese de mestrado de um historiador alagoano buscou revelar o outro lado da resistência negra: a de mulheres escravizadas de Maceió, que em seus cotidianos usavam as mais variadas estratégias para conquistar a liberdade e, consequentemente, abalar o sistema escravagista.
O estudo Sobreviver e Resistir se converteu em livro recém-lançado em Alagoas e com data marcada para lançamento em São Paulo, no mês de janeiro. Danilo Luiz Marques percorreu documentos históricos e jornais situados entre 1849 – ano em que ocorreram muitos desembarques ilegais de navios negreiros na costa alagoana e que, segundo ele, traziam muitas africanas livres – e 1888, quando a escravidão foi abolida no Brasil.
Nesse período, Maceió tem desenvolvimento urbano e demográfico intenso, quando foi proclamada capital da província alagoana. Muitos escravizados e alforriados recorreram à cidade por enxergar melhores oportunidades de vida. Como destaca o autor, foi nessa época, também, que surgiram leis limitantes à escravidão, como a do ventre livre, de 1850, e da legalização do pecúlio (economias juntadas por escravizados em trabalhos extras), de 1871.
Danilo juntou fragmentos de documentos públicos, anúncio e matérias de jornal para tentar reconstruir as histórias das mulheres citadas na tese. “O material que encontrei é bastante lacônico, mas mesmo assim a gente consegue entrever um retalho de trajetórias de vida que demonstram como africanas livres e escravizadas conseguiam juntar dinheiro e conquistar suas alforrias, através de fugas, trabalho ao ganho [realizações de trabalhos a terceiros com parte da remuneração compartilhada com seus senhores], desvios de pequenas produções de seus senhores”, explica o historiador.
Segundo ele, a decisão por contar as hitórias femininas encontradas durante a pesquisa veio da quase inexistência de estudos sobre mulheres escravizadas em Alagoas, e a recente produção brasileira – desde os anos 80 – nesse sentido. Na documentação analisada o autor também relata ter encontrado, em 80% dos casos, trajetórias de vida de mulher.
O conceito de luta cotidiana contra a escravidão também foi uma escolha consciente. “Geralmente a gente via, há uns anos, que a única forma de resistir à escravidão era com formação de quilombos e revoltas. O que alguns autores, desde os anos 80 vêm nos mostrando, é que também no dia a dia, através de pequenas ações, foi possível resistir à escravidão e desestabilizar as instituições escravistas”, justifica Danilo.
Entre os autores citados na tese, e a partir de suas próprias conclusões, o historiador buscou destacar ainda que a luta pela abolição, frequentemente reduzida aos brancos abolicionistas, foi travada pelos próprios escravizados, que tinham consciência dos diferentes meios para tentar a liberdade. Na luta pela alforria ou pela garantia da liberdade teoricamente garantida, os fragmentos de história dessas mulheres revelam artifícios usados na resistência à escravidão, algumas com sucesso, outras sem conclusão determinada.
Neste 20 de novembro, a Agência Brasil busca contribuir para o compartilhamento da memória da resistência negra contra a escravidão no país, que foi o último das Américas a abolir esse perverso sistema. Para isso, contamos um pouco das histórias presentes no livro.
Feliciana
Essa africana escravizada, de Angola, foi traficada ainda criança e trabalhou boa parte de sua vida para Joaquim Pereira da Roza Calheiros. Aos 60 anos obteve alforria, depois da morte do seu proprietário, que deixou em seu testamento a promessa de liberdade. Segundo o historiador, era uma estratégia utilizada pelos escravistas para garantir o controle do escravizado e evitar a insubordinação.
Depois de décadas sob jugo da escravidão, a idosa, porém, não conseguiu a sonhada liberdade. Foi escravizada novamente, desta vez por Antonio Ventura de Lima, um proprietário de engenho do município de Santa Luzia do Norte. Feliciana lutou. Procurou a Secretaria de Polícia de Maceió, em 1872, e prestou queixa da sua condição, disposta a não retornar ao cativeiro. O pesquisador não encontrou pistas posteriores do destino da sexagenária. Ele destaca também que sua filha Rozalina, apesar de ter nascido quando já vigorava a Lei do Ventre Livre, também não escapou da escravidão. Segundo os registros históricos, era mantida como escrava.
Ana
A história da escravizada Ana é registrada na década final do regime escravagista no Brasil. Ela é tida no livro como exemplo de resistência por meios considerados ilegais, como fugas. Pertencente a Ursulina Joaquim de Melo, moradora do município de Coruripe, passou 14 anos fugida, fato encontrado em um anúncio do jornal O Liberal, em agosto de 1880. Ela se libertou aos 35 anos, e durante todo esse tempo serviu em Maceió e seus subúrbios, "em diversas casas como forra e com o suposto nome de Maria”, segundo trecho destacado no livro.
Chegou a ser presa, mas conseguiu a soltura “por protetores”. Diante disso, se oferece uma recompensa para quem a devolvesse à proprietária, assim como responsabilizava em perdas e danos “qualquer pessoa que ocultar a referida escrava”. Danilo destaca que essa estratégia de reescravização, feita 14 anos depois, pode ter sido usada para “suprir a escassez de mão de obra" ocasionada para "o abastecimento das províncias do Sudeste”.
Era, segundo o autor, uma estratégia utilizada por senhores não pertencentes à elite, de poucas posses, em busca da renda que traria cada escravizado reconquistado. “Ao não conseguir [a reescravização], eles afetavam diretamente a produção, seja em engenhos de açúcar ou de algodão. Um dos motivos que levaram ao esfacelamento do sistema escravista no Brasil”, argumenta. Não foi encontrado registro posterior que determinasse se Ana conseguiu continuar livre ou se voltou ao cativeiro.
Joanna
Na luta pela liberdade, se encontra também o papel de associações abolicionistas, que possuíam fundos de emancipação e realizavam campanhas contra a escravidão. A Sociedade Libertadora Alagoana foi uma delas. Joanna foi uma das escravizadas que obteve a alforria com a ajuda financeira do grupo. Não há muitas informações sobre sua vida; sabe-se que foram necessários três pagamentos – um deles no valor de 85.110 reis, segundo documentação histórica – para conquistar a sua liberdade. Segundo o autor, os documentos produzidos pelos abolicionistas falham em citar a participação de escravizados no processo de libertação.
Roza
Danilo Marques, autor de livro sobre mulheres escravizadas em Alagoas - Sumaia Vilela/Agência Brasil
Danilo Marques, autor de livro sobre mulheres escravizadas em Alagoas - Sumaia Vilela/Agência BrasilSumaia Villela/Agência Brasil
No livro, o historiador também aborda realidades de africanas “livres” que, na verdade, estavam em uma condição entre libertas e escravizadas. Pessoas que ingressaram no Brasil depois de uma lei aprovada em 1831, em que se institui livres todos aqueles escravizados que vierem de fora. Eram, porém, colocadas sobre a tutela do poder público, e precisavam trabalhar por um período mínimo de 14 anos, em local determinado pelo Império (sobretudo para serviços privados), para garantir a liberdade definitiva.
O tratamento dado pelos patrões era igual ao dos escravizados não livres, mas Danilo registra que essas africanas se colocavam constantemente como indivíduos de direitos, e adotavam estratégias de resistência no cotidiano durante o período de tutela. É o caso de Roza, apreendida como contrabando no litoral norte de Alagoas, em Camaragibe, em 1850, que depois da morte do seu arrematante, João d'Amorim Lima, se recusou a servir às herdeiras, protocolou o pedido de emancipação e abandonou o local de trabalho.
Roza casou-se com Joze, uma estratégia, segundo o escritor, muito usada para conquistar a liberdade, pois frequentemente os direitos emancipatórios eram extendidos ao cônjuge. A formação de famílias negras também contribuíam para formar uma rede de apoio, conforme citação da pesquisadora Camillia Cowling, feita no estudo.
Henriqueta e Luiza
O bom comportamento também é citado como forma de escravizados conseguirem a emancipação. Henriqueta, apreendida em Camaragibe, em 1850, usou dessa estratégia para requerer a liberdade. Fato que foi destacado na decisão do responsável pelos africanos livres, chamado de curador. Já para Luiza, a insubordinação foi o que possivelmente a levou para um destino diferente do inicialmente traçado.
Destinada a prestar serviços ao tenente Bernardo Joaquim Correia, ela se negou a acompanhá-lo quando o militar mudou de residência, tendo sido transferida para lavar roupas no Hospital de Caridade, uma instituição eclesiástica. Segundo historiadores citados no livro, se esperava uma disciplina mais rigorosa nesses locais, mas a hipótese é que a opção era a melhor para Luiza, porque a rede de solidariedade formada entre escravizados ajudava a minar o sistema e a lutar pela liberdade. “Sair de Maceió poderia significar nunca mais ver seus familiares e amigos”, argumenta Danilo em um trecho da tese.
Benedita
A africana livre Benedita foi ainda mais longe na insubordinação, O historiador encontrou documentos que descrevem a rebeldia em obedecer seus arrematantes e mesmo se negar a morar na mesma casa. “Queriam dizer que não eram escravizadas e que, portanto, tinham a liberdade de residir no local em que bem entendessem”, argumenta o pesquisador. Benedita conseguiu que seu algoz, Manoel Claudino d'Arrochela Jaime, permitisse que ela vivesse e trabalhasse fora da sua residência, mas fixou uma quantia a ser paga semanalmente pela mulher. Ela deveria alugar a própria liberdade.
Para pagá-lo, a africana passa a vender legumes e frutas nas ruas de Maceió, fato comum a mulheres escravizadas da época, segundo Danilo. Uma lei municipal aprovada na época, porém, viria a inviabilizar esse comércio para escravizados. “A gente cria a hipótese de que esses serviços foram proibidos primeiro porque as autoridades percebiam que ajudava no ajuntamento de recurso para comprar alforrias e entrar na Justiça pedindo a liberdade, mas também para proteger o interesse do comércio local. Não deixa de ser um enfrentamento ao poder escravista essa vida de vender quitutes nas ruas”, analisa o historiador.
Sem ter como trabalhar, Benedita para de pagar Manoel, o que lhe impede, junto com a fama de insubordinada, de conseguir sua emancipação. Determinada a ser livre, a africana faz três pedidos sucessivos, todos negados pelo Estado. O próprio arrematante envia argumentação afirmando que ela não poderia ser emancipada enquanto não lhe desse o dinheiro devido. Segundo o historiador, a rebelde Benedita sumiu dos documentos oficiais posteriormente. Não se sabe se ela conseguiu, enfim, gozar da sua até então téorica liberdade.

Artistas e coletivos culturais organizam mostra teatral na capital paulista

Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil
Resultado de imagem para mostra teatral na capital paulistaApós conquistarem a instalação da Casa de Cultura na Vila Guilherme, artistas e coletivos culturais fazem até o próximo dia 26 uma mostra teatral no espaço, na zona norte paulistana. “Em 2014, os movimentos culturais, os artistas ocuparam o casarão que estava lá abandonado, largado. A gente fez uma pressão para transformar em um equipamento cultural”, conta a atriz e diretora Yara Toscano sobre o processo que levou o local a ser reformado pela prefeitura.
O prédio, construído em 1924, foi reinaugurado como equipamento cultural em junho deste ano. O imóvel, tombado como patrimônio histórico, funcionou como escola estadual até 1970. Depois funcionou como administração regional, mas acabou fechado em 2004, sendo reaberto agora, abrigando oficinas, apresentações, debates, saraus e exibições de filmes.
“É um espaço que está começando a ter várias atividades culturais”, enfatiza Yara. Nesse sentido, a mostra de teatro também é uma forma de convidar a população local para aproveitar o espaço. “O casarão vai começando a ser um espaço de pertencimento de todo mundo da região. É um espaço para todo mundo fazer cultura”, acrescenta a atriz.
O festival conta com a participação de grupos da região da Vila Guilherme ou de outros pontos da cidade, mas que utilizam o casarão para ensaios. Por isso, os espetáculos têm um perfil heterogêneo. “Cada grupo de teatro faz um tipo de pesquisa teatral. Tem várias peças para públicos diferentes”, destaca Yara.
Temática jovem
Como diretora, ela participa da peça A Ponte, baseada no texto da dramaturga brasileira Lucienne Guedes. Uma peça que, segundo Yara, trata de reflexões sobre a vida dos jovens, mas que passou por uma releitura feita pelos participantes da montagem, na maioria adolescentes. “O grupo fez uma leitura muito própria de questões de gênero”, explica a diretora.
“A personagem, a Iris, o grupo resolveu colocá-la na posição de discutir a violência contra a mulher. Toda amarração da peça vai tratando sobre como essas meninas se sentem sendo controladas e vigiadas e violentadas pelos meninos”, detalha Yara sobre a construção do enredo.
Em outro espetáculo, Enquadro, Yara compõe o elenco. A história foi desenvolvida a partir de uma pesquisa a respeito do caso de Douglas Rodrigues, que morreu após ser baleado por um policial militar em 2013, no Jardim Brasil, também na zona norte. Na ocasião, o agente disse que o tiro foi acidental. “Partiu da história dele e de outros jovens que sofrem violência na periferia. A gente está tratando essa questão da violência de Estado do ponto de vista do jovem. Ele que constrói a peça”, explica a atriz.
Bodas de Sangue será encenada pelo coletivo artístico Lado B, trazendo o renomado escritor espanhol Frederico Garcia Lorca para a mostra. Uma tragédia que se desenrola a partir do momento em que uma noiva foge às vésperas do casamento com um antigo namorado, passada na região de Andaluzia, na Espanha, em 1933.
A programação completa está na página http://www.spcultura.prefeitura.sp.gov.br/projeto/2232/#tab=agenda

Aplicativo para telefone celular facilita fiscalização das contas públicas

Ivan Richard Esposito - Repórter da Agência Brasil
Resultado de imagem para aplicativoEntender o significado da infinidade de números e planilhas dos contratos públicos para construção de praças, escolas e também de grandes obras é uma tarefa para especialista e uma missão praticamente impossível para o cidadão comum. Mas a parceria entre o Poder Público e um grupo de programadores resultou em um aplicativo para celular que pode revolucionar a maneira como a sociedade acompanha e fiscaliza a aplicação dos recursos públicos.
Vencedor de um concurso público promovido pelos ministérios da Justiça, do Planejamento e pela Controladoria-Geral da União (CGU) e lançado esta semana, o aplicativo As Diferentonas permite que o cidadão compare a aplicação dos recursos destinados pelo governo federal a sua cidade com o montante repassado a outro município de perfil socioeconômico semelhante.
“O mote todo do aplicativo é o de ajudar o cidadão a comparar o uso da verba do município dele com a de outros parecidos. A pessoa digita o município que interessa e o aplicativo usa dados socioeconômicos para descobrir os mais parecidos e já mostra os resultados com as 'diferentices'”, explicou o professor da Universidade Federal de Campina Grande Nazareno Andrade, um dos responsáveis pelo aplicativo.
Nazareno explicou à Agência Brasil que a ideia do aplicativo surgiu de um meme que viralizou nas redes sociais, a partir de uma brincadeira com o termo 'diferentona'. “Queríamos pegar essa ideia do meme para quebrar a formalidade [dos dados] do governo federal, aproximar das pessoas e elas descobrirem se a cidade delas é a 'diferentona' das outras”.
Uma das formas de despertar o interesse das pessoas pelo aplicativo, e também pelos dados públicos, é o humor. Nazareno contou que um dos desenvolvedores do aplicativo nasceu na cidade de Emas, município de 13 mil habitantes do sertão da Paraíba. Em meio ao processo de criação, a equipe quis identificar em que a cidade poderia ser diferente.
“Descobrimos que Emas é a 'diferenona', porque ela recebeu R$ 1 milhão para convênio de esporte e lazer que nenhuma outra cidade do tamanho dela recebeu na Paraíba”, exemplificou Andrade.
A diretora adjunta da Secretaria de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça, Carolina Yumi de Souza, que coordenou o concurso para a escolha do aplicativo, disse que a ideia era conseguir desenvolver uma ferramenta que conseguisse “traduzir” os dados do Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse (Siconv), ferramenta oficial do governo para gerenciar transferências de recursos.
“Os dados fornecidos pelo Poder Públicos são muitos complicados de entender”, reconheceu Yumi de Souza. “O aplicativo tem esse aspecto de não só fazer o cidadão se envolver, mas ajudar ao Estado na fiscalização, evitar e diminuir a corrupção e cobrar do Pode Público que providências sejam tomadas se uma obra não for concluída”, salientou.
Interatividade
Além de poder acompanhar o andamento de obras, o aplicativo também permite que o cidadão questione o ritmo de construção do empreendimento e denuncie eventuais suspeitas de irregularidade.
“A gente usa as metáforas de seguir uma obra, seguir uma cidade, acompanhar, comentar, discutir com outras pessoas sobre aquela obra. Permitimos a troca de informações e de denúncias à CGU. A partir de uma obra a pessoa pode adicionar comentários positivos, negativos e gerar uma denúncia”, disse Nazareno.
Concurso
Para o desenvolvedor, foi importante o Estado promover o concurso, uma vez que, segundo ele, a sociedade civil tem um entendimento melhor das necessidades dos cidadãos. “Nunca o Estado vai fazer pelo cidadão como se fosse o [próprio] cidadão. O Estado não consegue criar uma ferramenta com a visão do cidadão. E no momento em que o Estado faz um concurso como esse [abre a possibilidade] para que um paraibano, de 30 e poucos anos, que tem uma certa vivência fora da máquina do governo, mostre isso”.
De acordo com Carolina Yumi de Souza, o concurso teve 54 inscritos que apresentaram protótipos na primeira fase. Desses, foram escolhidos os três melhores para a segunda etapa Cada um deles recebeu R$ 10 mil. Na terceira e última fase, o aplicativo As Diferentonas foi o selecionado, e os desenvolvedores ganharam mais R$ 30 mil.
O aplicativo está disponibilizado em uma versão de teste no portal do Ministério da Justiça para as pessoas baixarem. Em fevereiro será disponibilizado nas lojas online. “Desde agora estamos fazendo uma campanha para que ele se torne conhecido, mas uma campanha mais maciça será feita em fevereiro”, disse Yumi de Souza.

ONU celebra Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito

Marieta Cazarré - Correspondente da Agência Brasil
A Organizaçao das Nações Unidas (ONU) celebra neste domingo (20) o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito (WDR, World Day of Remembrance, em inglês). A data é lembrada anualmente, sempre no terceiro domingo de novembro.
De acordo com a ONU, todo ano morrem cerca de 1,25 milhão de pessoas em acidentes de trânsito no mundo. O número de feridos varia entre 30 e 50 milhões de pessoas. Brasil, China e Índia respondem por 40% das mortes globais de acidentes devido ao tamanho da população e à taxa de motorização.
Segundo relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) lançado este ano, as mortes por lesões causadas no trânsito aumentaram 3% nas Américas entre 2010 e 2013. O documento analisou 31 países e territórios do continente americano e registrou mais de 154 mil mortes devido a lesões relacionadas ao trânsito em todo o continente americano em 2013, número que representa quase 12% de todas as mortes relacionadas ao trânsito no mundo.
Acidentes dessa natureza são a principal causa de morte entre jovens (de 15 a 29 anos), particularmente entre homens (73%).
Ainda de acordo com a OPAS, o Brasil é o país da América do Sul com a maior taxa de mortalidade no trânsito, e fica em terceiro lugar quando comparado aos países das Américas. O Brasil está empatado com a Bolívia (25 para cada 100 mil habitantes) e atrás de Belize e República Dominicana, apenas. A taxa média regional é de 15,9 mortes para cada 100 mil habitantes.
De acordo com relatório publicado no ano passado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas em 2013, mais de 41 mil pessoas perderam a vida nas estradas brasileiras. Os países de baixa ou média renda acumulam 90% das mortes no trânsito, enquanto somam 54% dos veículos no mundo. A Europa tem as menores taxas per capita, e a África, as maiores.
De acordo com relatório divulgado pelo Escritório de Estatística da União Europeia (Eurostat), os acidentes rodoviários na União Europeia (UE) vitimaram 26.100 pessoas em 2015. Apesar de um pequeno aumento em relação a 2014 (+0,5%), a tendência nos últimos 20 anos tem sido a diminuição do número de vítimas.
Segundo o documento, em comparação com 1995, o número de vítimas foi reduzido em cerca de 38 mil pessoas, o que representa queda de quase 60%, passando de 64 mil mortes para pouco mais de 26 mil, em 2015.
De acordo com o portal oficial sobre o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito (http://worlddayofremembrance.org) , as seis maiores causas de mortes no trânsito são o excesso de velocidade, o consumo de bebidas alcoólicas, a falta de cinto de segurança, a falta de equipamento de segurança para as crianças cadeirinha e o assento de elevação), a falta do capacete aos usuários de motocicleta e o uso do celular.
Na tentativa de refrear o alto índice de acidentes, a ONU lançou a Década Mundial de Ações para a Segurança no Trânsito (de 2011 a 2020) e governos de todo o mundo se comprometeram a tomar novas medidas de prevenção, com o objetivo de reduzi-los em até 50%.

SEMEANDO A LEITURA: Projeto Dom Helder Câmara, arte e missão

Paróquia Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza CE

19/11/2016

Projeto Dom Helder Câmara: Arte e Missão realizou na tarde deste sábado, 19 de novembro, a segunda edição do Semeando a leitura proporcionando às crianças e às famílias de nossa comunidade um momento de encontro com o mundo encantado da leitura. Durante o evento contou-se histórias, além de dinâmicas com criação de novas histórias, pintura de rosto, participação especial do “Sr Livro” e finalizou com a doação de livros e revistinhas. Como diria Rubem Alves “Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar”.