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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

12 de setembro de 2018

Escuta da Palavra de Deus

Padre Geovane Saraiva*
O convite à escuta da Palavra de Deus, em setembro, mês dedicado ao Livro Sagrado, quer questionar nosso relacionamento e nosso modo de viver, indo além do escutar e do prestar atenção, num compromisso e engajamento, obedientes à vontade de Deus, que sempre quer ouvir nosso grito e clamor, sem esquecer do louvor e da gratidão, na humilde simplicidade e confiante entrega.

São Francisco de Assis e seu amor pela CriaçãoDeus nos criou para que experimentemos, como filhos seus, a liberdade, que se encontra entre os maiores anseios do ser humano, sendo uma conquista a ser alcançada através do constante esforço de responder, dentro dos propósitos divinos. É o Reino de Deus, instaurado por Jesus de Nazaré, que foi encarnado por São Francisco na sua essência, compreendendo-o e vivendo-o de um modo inigualável, genuíno e original. Ele revelou o cristianismo na sua natureza e fim, como o que existe de mais belo e precioso, por isso mesmo exerceu vigorosa influência sobre o ser humano, indicando-nos o caminho da plena liberdade.

A Bíblia nos ensina que na vida temos que ultrapassar as barreiras da morte no dia a dia. Para nós, cristãos, vencer os sinais de morte significa já ter o céu aqui na terra, mas, pela convergência de esforços e boas ações, encontramos, é claro, seu ápice na feliz ressurreição. Quando a Escritura Sagrada nos fala que “Deus será tudo em todas as coisas” (1 Cor 15, 28), na nossa compreensão, é para que tenhamos diante dos olhos o céu como pátria, na imagem do banquete nupcial ou no regozijo beatífico dos eleitos, ainda como vitória definitiva e plena reconciliação com Deus, Senhor da vida e da história.

Na nossa cultura predomina uma forte tendência ao dualismo. De um lado bem distinto, apresenta-se o ser humano e tudo ao seu redor como matéria; do outro lado, o mistério de Deus, de Jesus e do Espírito Santo. Ficam patentes, na mente e no interior das pessoas, dois mundos, com dificuldade de conciliação e entendimento. Ora, tudo que recebemos de Deus ­- dons, qualidades e talentos - deveria ser bem administrado, multiplicado e partilhado, num espírito solidário, sendo, evidentemente, o início da promessa vindoura.

Sem renunciar ao nosso ser pessoa humana e às nossas tendências mais profundas, deixemo-nos questionar pela Palavra de Deus, no sentido da vivência da nossa fé, na grandeza da própria vida, numa só coisa, como dom e graça de Deus, que tudo fez por amor, dando-nos cabeça para pensar e coração para amar, inspirados na atmosfera imorredoura da oração e ternura do Poverello de Assis. Amém!

*Padre, Jornalista, Colunista e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE. Da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza

Nos 10 anos da morte de David Foster Wallace, tradutor de 'Graça infinita' diz que autor 'criou novo tipo de beleza na prosa'

Caetano Galindo falou ao G1 sobre o escritor americano. Para ele, 'brilho verbal não perdeu nada da atualidade' e 'livro dolorosíssimo investiga solidão, dependência, vício, carência, amor e desamor'.

O escritor americano David Foster Wallace (1962-2008), autor de 'Infinite jest', cuja morte completa dez anos nesta quarta-feira (12) — Foto: Divulgação/David Foster Wallace Books
 
O escritor americano David Foster Wallace (1962-2008), autor de 'Infinite jest', cuja morte completa dez anos nesta quarta-feira (12) — Foto: Divulgação/David Foster Wallace Books

"Estava sentado aqui mesmo onde estou agora. Na frente do computador. Quando minha mulher recebeu um email de uma ex-aluna com a notícia. E me avisou. Eu só lembro de ter primeiro desacreditado. E depois travado. Levantei e fui até o piano, que é o que eu faço pra botar o cérebro em ordem... pra tentar aceitar..."
O escritor e tradutor Caetano Galindo consegue recordar detalhes do que aconteceu em 12 de setembro de 2008. Foi o dia em que morreu David Foster Wallace. Nesta quarta-feira (12), faz exatamente dez anos que o cultuado autor americano cometeu suicídio, aos 46. Era (e ainda é) um dos mais inventivos nomes da literatura mundial das últimas décadas.
Também professor de Linguística Histórica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Galindo traduziu para o português a obra-prima "Infinite jest", originalmente lançada em 1996. Com 1.144 páginas e 1,499 kg, o romance saiu no Brasil apenas em 2014. O título é "Graça infinita" (Companhia das Letras).
Nesta conversa com o G1 por-mail, Galindo descreve como "hiperativa", "ansiosa" e "ruidosa" a voz de Foster Wallace.
Para o tradutor, essa voz estava 'decidida a extrair dessas características uma nova forma de beleza", numa linguagem que "pode ser considerada um triunfo estético". Foster Wallace teria se dinstinguido "por uma maneira mais profunda, mais 'real' e mais honesta de olhar a condição humana, seu tempo, seus problemas".
No ano que vem, a mesma editora planeja soltar no Brasil a obra póstuma de Foster Wallace, "The pale king", romance inacabado que ganhou aqui o título de "O rei pálido". Quem traduziu foi justamente Galindo.

Leia, a seguir, a entrevista:

 
O escritor, tradutor e professor de Linguística da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em foto de 2014 — Foto: Kate Griffin/Divulgação
 
G1 – Se o David Foster Wallace foi 'a voz de sua geração', como afinal soa essa voz?
Caetano Galindo – Hiperativa. Ansiosa. Ruidosa. E decidida a extrair dessas características uma nova forma de beleza.
O escritor, tradutor e professor de Linguística da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em foto de 2014 — Foto: Kate Griffin/Divulgação
"Ele não nega o mundo, o excesso de dados, de informação, e consegue devolver uma linguagem que aceita isso tudo e pode ser considerada um triunfo estético."
G1 – Por que David Foster Wallace virou quem virou: este escritor tão cultuado, tido como gênio? A que se deve o sucesso (entre críticos, fãs)?
Caetano Galindo – Eu acho a coisa técnica realmente de segundo plano. Ele diferia de todo mundo pelo mesmo motivo pelo qual escritores de hoje, como [o norueguês Karl Ove] Knausgaard e [a italiana Elena] Ferrante, podem se distinguir. E pelo qual se distinguiram escritores anteriores, como Joyce ou Tolstói. Por uma maneira mais profunda, mais "real" e mais honesta de olhar a condição humana, seu tempo, seus problemas. Por um comprometimento ético mais intenso. E pela coragem de derivar desse olhar a literatura necessária para a sua expressão.
G1 – Em um texto de 2014 para a revista 'piauí', você escreveu: 'Sim, ele [Foster Wallace] sempre escreveu (assim, no miúdo, no nível da frase, da invenção verbal) melhor que quase todo mundo'. O que significa isso, na prática?
Caetano Galindo – A principal qualidade da prosa dele é o permanente potencial de invenção, de deslumbramento.
"Ele diz até as mesmas coisas que os outros podem dizer de um jeito novo, perfeito, inédito mas, depois que você leu nele, inevitável. Daí ele ter gerado até imitadores. Ele criou um novo tipo de beleza na prosa, que desobedece os cânones de Proust, de Henry James e até de Thomas Pynchon, o escritor com quem ele mais se parece."
As frases dele são confusas, complexas, ramificadas, com uma mistura de vocabulário de tudo quanto é nível, mas sempre caracterizadas por esse elemento de "surpresa", de "pasmo" pro leitor.
 
G1 – Quem nunca leu 'Graça infinita' pode querer saber: 'Com relação a temas e estrutura narrativa, o que o 'Graça infinita' tem de tudo isso?'. Repasso a pergunta.
Caetano Galindo –
"'Graça infinita' é uma das mais profundas investigações de solidão, dependência, vício, carência, amor e desamor. Isso por baixo da superfície, que tem assassinos cadeirantes, hamsters mutantes, uma sociedade de gente tão feia que anda coberta por um véu. O livro é dolorosíssimo e, por isso mesmo, necessário. Pra te fazer ver certas partes de você mesmo e dos outros."
Sobre estrutura, bom... o livro já influenciou muita coisa.
"Tem gente que vê por exemplo o primeiro episódio de 'Breaking Bad' como repetição da estrutura do 'GI' ['Graça infinita'], onde há uma primeira cena que parece totalmente incompreensível e absurda, até você ler o resto do livro e poder voltar àquilo."
Mas é claro que ele não "inventou" esse recurso. A estrutura em forma de triângulo de Sierpinski, que ele mesmo mencionou (e que eu comento aqui).
Ou o fato de que o livro desenvolve laboriosamente dezenas de tramas centenas e páginas e deixa TODAS (à exceção talvez de UMA) exatamente no momento anterior ao da decisão!
Capa do romance 'Graça infinita', do americano David Foster Wallace (1962-2008) — Foto: Divulgação/Companhia das Letras
 
Capa do romance 'Graça infinita', do americano David Foster Wallace (1962-2008) — Foto: Divulgação/Companhia das Letras

G1 – O 'Graça infinita' tem 22 anos mas pode soar (in)felizmente bastante atual. Geralmente se diz isso a respeito dos temas abordados. Agora, e com relação ao texto mesmo? Você já traduziu gente como James Joyce, Thomas Pynchon, T. S. Eliot, Lou Reed e Bob Dylan. Existe um ranking de dificuldade nisso aí? Se sim, em que lugar o David Foster Wallace entra nisso e qual a maior dificuldade para traduzi-lo?
 
Caetano Galindo 
"A prosa, o brilho verbal do Wallace não perdeu NADA de atualidade. Ele continua mais recompensador nesse quesito do que quase todo escritor ativo. Muito mais do que a Ferrante (que eu adoro) e o Knausgaard, por exemplo."
Em termos de dificuldade, a prosa dele seria muito difícil de traduzir, não fosse o fato de que quando eu sentei pra traduzir a primeira página de "GI", eu estava havia quase dez anos lendo tudo que ele escreveu, relendo, lendo sobre... eu vinha lidando com aqueles problemas antecipadamente, pensando alternativas... eu escrevi pastiches de Wallace... aí eu estava "treinadinho"... :)
"Mas, no fundo, eu sempre repito que a maior dificuldade pra traduzir "GI" nem foi a prosa (até por essas coisas que eu mencionei) mas sim a necessidade de habitar durante dias a fio a mente de viciados, depressivos, suicidas... e de habitar aquelas mentes com a intensidade suficiente pra gerar alguma 'verdade' no texto final. Você tem que 'viver' aquelas coisas por dentro."
G1 – Para os fãs, pode ser bem fascinante a angústia do David Foster Wallace, a personalidade dele, o jeitão, até a aparência e as roupas. Ao traduzir, você ficou tentado a estabelecer relações entre a personalidade do autor e a obra dele?
Caetano Galindo – Sim e não. É desejável não fazer. Mas difícil. A coisa do suicídio por exemplo: é nítido que esse dado alterou a leitura de certos contos dele. Mas será desejável?
"Por outro lado, não acho interessante o culto da personalidade nesse nível, de imitar roupas e atitudes de certo autor. Ainda mais que se tratava, talvez até mais do que a 'média', de uma pessoa com profundos problemas, não apenas 'internos'."
"Os depoimentos recentes de Mary Karr, ex-namorada dele, colocam a figura dele, em tempos de #MeToo, numa luz nada agradável. Porém, como diz a Clare Hayes-Brady numa entrevista esses dias, ele escreveu obsessivamente sobre misoginia, sobre violência contra a mulher, sobre 'homens hediondos'..."
 
"Logo: fiquemos com a obra, que foi o que ele deixou, e que era a arena em que ele, de novo com uma sinceridade rara e difícil, abordava e tentava elaborar até seus mais profundos defeitos pessoais."
G1 – Você se lembra do 12 de setembro de 2008, dia da morte do David Foster Wallace?
Caetano Galindo – Ah, sim. Estava sentado aqui mesmo onde estou agora. Na frente do computador. Quando minha mulher recebeu um email de uma ex-aluna com a notícia. E me avisou. Eu só lembro de ter primeiro desacreditado. E depois travado. Levantei e fui até o piano, que é o que eu faço pra botar o cérebro em ordem... pra tentar aceitar...
G1 – Você se lembra da primeira vez em que leu o David Foster Wallace? Sua primeira impressão foi boa, assim, de cara? Ela mudou depois de traduzi-lo?
Caetano Galindo – Lembro. Eu comecei por "Infinite jest". O primeiro capítulo não me pegou. Mas quando eu terminei o segundo, que é todo ele uma loooonga descrição de um viciado esperando a pessoa que vai levar maconha para ele, e que era a coisa mais nervosa, obsessiva e circular que eu já tinha lido... aí eu já estava preso.
E, sim. Traduzir sempre tem esse efeito. O que é ruim fica pior depois do processo. E o que é bom fica ainda melhor. Porque você teve que desmontar a máquina. Teve que ver o texto nu.
G1 – Em post de 13 de abril de 2017, você escreveu que acabava de terminar sua tradução de 'The pale king', citando 'cerca de três anos', 'mais e um milhão e trezentos mil caracteres'. O texto, você diz, é 'uma coleção de fragmentos inter-relacionados', 'um gigantesco conjunto de cacos'. O tem de atraente aí?
Caetano Galindo – "O rei pálido" não é um romance inacabado como "Almas mortas". Não é uma linha interrompida na metade.
Ele estava trabalhando segundo o mesmo método que gerou "GI". Criando histórias mais ou menos independentes, cenas longas, com personagens recorrentes. Apenas depois é que surgiria algum esboço de "trama" pra unificar tudo aquilo.
O que nos restou do livro são alguns fragmentos menores e outros muito extensos, mas todos eles razoavelmente independentes.
"Uma coisa que não se diz com frequência é que no fundo DFW era um contista. E mesmo um romance imenso como 'GI' é na verdade um painel meio frágil composto de histórias independentes e interrelacionadas das mais diversas maneiras."
"Ler o 'RP' é como ler uma coleção de contos que tem os mesmos personagens reaparecendo. E uma coleção de contos extremamente bons."

Versão fac-símile do livro de Hercule Florence é lançada

 por Diego Barbosa - Repórter
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Páginas do livro "L'Ami des Arts Livré À Lui-Même", que vem em edição caprichada, com dois volumes em capa dura. Trabalho levou sete anos para ficar pronto, englobando restauro, digitalização e publicação
O automatismo na forma como geralmente registramos o mundo pouco abre espaço para ponderações sobre técnicas e avanços embutidos ali - em uma suposta "simples" câmera de celular, por exemplo. Séculos de estudos e pesquisas demonstram, contudo, que o processo fotográfico atravessou uma diversidade de experimentos e desafios até concretizar-se enquanto arte e ofício, o que merece atenção de nossa parte, sobretudo se quisermos compreender a amplitude da linguagem.
Essa inquietação de partir do material bruto para ir alavancando descobertas e aperfeiçoamentos no campo fotográfico foi o expediente de Hercule Florence (1804-1879). O francês, nascido em Nice - apesar de cidadão de Mônaco - foi pioneiro em pesquisar e experimentar novas tecnologias no século XIX, produzindo uma vasta obra iconográfica sobre o interior paulista e brasileiro, quando aqui residiu.
Desenhista e pintor de formação autodidata, tinha por característica ser um jovem inquieto e curioso, ávido pela leitura de "Robinson Crusoé" e fascinado por viagens. O talento unido à paixão pelo desbravar, não à toa, rendeu-lhe um lugar, aos 20 anos de idade, na Expedição Langsdforff (1825-1829), que saiu da Europa rumo ao Brasil, mapeando territórios.
Por aqui, Florence ficou até o fim da expedição, realizando, com a equipe, um monumental levantamento de dados geográficos e etnográficos do País. Posteriormente, radicou-se na vila de São Carlos, atual Campinas (SP), onde viveu até seu falecimento, em 1879.
Lançamento
Uma considerável parte das descrições referentes à empreitada - compreendendo a versão mais completa do relato da viagem fluvial empreendida pela Langsdorff - encontra-se no livro inédito "L'Ami des Arts Livré À Lui-Même", cujo lançamento do fac-símile acontece na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, em São Paulo, no próximo dia 18.
O mesmo também estará disponível para aquisição no site do Instituto Hercule Florence (somente em francês). A tiragem é limitada a 300 exemplares numerados, que poderão ser reservados. Durante o lançamento, haverá dois exemplares para manuseio.
Cuidadosa, a edição levou sete anos para ficar pronta, englobando todo o processo de produção - restauro, digitalização e publicação - e chega ao público em versão luxuosa, numa caixa com dois volumes em capa dura. Além de dados sobre a expedição, o manuscrito também reúne a autobiografia de Florence, incluindo a descrição de seus inventos e uma visão sobre a sociedade da época.
Na ocasião do lançamento, cada um desses detalhes será debatido por um grupo de profissionais: Profª Drª Maria de Fátima Costa (historiadora/UFMT), Prof. Dr. Boris Kossy (historiador/ECA-SP), Prof. Dr. Carlos Zeron (diretor da Brasiliana Guita e José Midlin) e Antonio Florence (do Instituto Hercule Florence).
Relevância
Os aspectos referentes à montagem da sofisticada caixa traduzem a importância conceitual do conteúdo. "L'Ami des Arts livré à lui-même" é considerada a obra mais importante de Hercule Florence, sendo fonte de peso para um maior conhecimento sobre a história da fotografia no mundo e dos processos científicos do século XIX. De igual maneira, o documento deve alimentar curiosidades sobre como eram os deslocamentos à época.
Em 423 páginas, apresenta duas partes distintas: uma que registra as principais invenções de Hercule (poligrafia, fotografia, estudo dos céus para jovens paisagistas, ensaio sobre a impressão de pinturas a óleo em estampas, zoofonia, quadros-transparentes, entre outras); e outra com a autobiografia do desbravador, apresentando um panorama sobre sua infância e juventude na Europa, desde as condições de vida até as dificuldades na criação dos filhos.
Complexo, o procedimento para trazer a obra à tona levou em conta as especificidades das tintas metaloácidas do manuscrito, naturalmente sujeitas à oxidação (o que pode danificar a celulose do papel e ocasionar perda de suporte).
Também foi dado destaque à conservação do original - realizada paralelamente ao processo de digitalização -, com dois processos distintos de restauro.
O reconhecimento a Hercule Florence no Brasil entra na esteira de outras produções que enfatizaram as contribuições do pesquisador. Entre eles, uma mostra no Noveau Musée National de Monaco, no ano passado.
Entre as publicações, é importante destacar livros como "A World History of Photography" (1984), de Naomi Rosenblum; "Les Multiples Inventions de la Photographie" (1989), organizado por Jean-Pierre Bady; e "Hercule Florence: A descoberta isolada da fotografia no Brasil" (1977), de Boris Kossoy, um dos estudiosos que comporão a mesa de debates no lançamento em São Paulo.
Mais informações:
Lançamento de caixa com fac-símile do livro "L'Ami Des Arts Livré À Lui-memê", de Hercule Florence. Dia 18/09, às 16h, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Midlin - Sala Villa-Lobos, em São Paulo. Gratuito. Site: bbm.usp.br
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Diário do Nordeste

Livro aborda a memória crítica da escravidão


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Diante de um fenômeno complexo, que atravessa a História do Brasil a partir da chegada dos europeus e que ainda reverbera em nossa sociedade, uma profusão de vozes. São 50 os "textos críticos", de historiadores e de autores dos campos sociológico e antropológico, que compõem o "Dicionário da escravidão e liberdade". Organizado pela historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz (USP) e pelo historiador Flávio dos Santos Gomes (UFRJ), o livro surge como uma obra de referência, reunindo a polifônica produção sobre o tema, que ganhou mais força no último meio século, instigada pelas lutas por direitos civis da população negra.
Lilia Moritz Schwarcz apresenta a obra, em lançamento na Universidade de Fortaleza (Unifor). Ela realiza palestra, aberta ao público, nesta quarta-feira, 12, às 9h30, na Biblioteca da universidade. Além do evento, na quarta, começa a feira de livros no campus, que se estende até 20 de setembro, no Centro de Convivência da Unifor.
A proposta dos organizadores foi entregar ao leitor uma obra com textos de especialistas, mas acessível ao público não acadêmico. Os verbetes aqui correspondem a ensaios, tratando de temas como o tráfico de escravos, as relações do comércio negreiro da costa africana, a transição de uma escravidão indígena para aquela onde predominaram populações traficadas da África, as leis que ordenavam o sistema escravista e as diferentes escravidões presentes no território do Brasil, às épocas da Colônia e do Império.
O formato proporciona uma leitura não cronológica, aparentemente mais apropriada a uma temática repleta de nuances. "Não se estuda o escravismo sem emoção e sem um sentimento de vergonha e remorso", escreve no prefácio o diplomata, historiador e ensaísta Alberto da Costa e Silva. São sensações que se inscrevem num olhar crítico, em que não cabem versões romantizadas do abolicionismo, como a narrativa heroica de que o Ceará foi a primeira província a abolir a escravidão ou as versões que maqueiam o conservadorismo da Lei Áurea, de 1888.
Mais informações:
Palestra com a historiadora Lilia Moritz Schwarcz e lançamento do livro "Dicionário da escravidão e liberdade". Quarta, 12, às 9h30, no Auditório da Biblioteca Unifor (Av. Washington Soares, 1321 - Edson Queiroz). Entrada franca. Contato: (85) 3477.3000
Diário do Nordeste

Publicação reúne informações e curiosidades sobre a discografia dos Mutantes

FÃ DOS MUTANTES, a jornalista e cantora Chris Fucaldo reúne em livro histórias sobre os discos da banda Divulgação
FÃ DOS MUTANTES, a jornalista e cantora Chris Fucaldo reúne em livro histórias sobre os discos da banda Divulgação
Nos 50 anos da eletrizante estreia fonográfica dos Mutantes, título incontornável quando se publicam listas dos melhores discos de todos os tempos, os fãs da banda ganham Discobiografia Mutante - Álbuns que Revolucionaram a Música Brasileira (Garota FM Books), com histórias que envolvem a produção e gravação de seus 15 álbuns recuperadas pela jornalista, cantora e compositora Chris Fuscaldo. A publicação é bilíngue e não mira apenas no público brasileiro do trio.
Viabilizado por uma campanha de financiamento coletivo que contou com colaboradores daqui e de países como Escócia, Espanha, França, Peru e Los Angeles, o livro conta, por exemplo, como foram escolhidas as imagens das capas - na foto do inaugural Os Mutantes, Rita Lee está envolta numa toalha de mesa comprada por sua mãe num bazar de igreja, entre os irmãos Arnaldo, de quimono chinês, e Sérgio Dias Batista, de echarpe de bolas. A foto foi na casa do fotógrafo Olivier Perroy, o mesmo da antológica capa de Tropicália ou Panis Et Circencis, o disco coletivo que saiu também em 1968.
A ideia Chris veio da efeméride. A semente foi a monografia de fim de curso de jornalismo, de 2002, justamente sobre a linguagem das capas, e as entrevistas com o trio que fez então e ao longo de sua trajetória profissional de 20 anos. "Não podia deixar passar o aniversário do disco em branco", diz a jornalista, que escreveu também Discobiografia Legionária (Leya), que disseca os álbuns da Legião Urbana, e está lançando seu CD autoral Mundo Ficção.
"Os fãs dos Mutantes sabem quase tudo, mas há informações novas, como a existência de uma fita do álbum Tecnicolor, gravado em 1970, com uma sonoridade diferente da que foi recuperada para o lançamento de 2000. Pouca gente sabe que Arnaldo passou na Inglaterra antes de voltar para São Paulo e gravou sintetizadores e overdubs, fazendo com que ele voltasse com uma cópia diferente da que o resto da banda tinha trazido. Ou seja: há material inédito!", vibra Chris, ela própria ouvinte de Rita desde a infância e dos Mutantes a partir da adolescência.
Ag. Estado

'O Grande Circo Místico' é escolhido para representar Brasil em disputa por vaga no Oscar

Filme de Cacá Diegues conta a história de cinco gerações de uma mesma família proprietária de circo e mescla realidade com fantasia em um universo místico.
O filme tem lançamento previsto para novembro.
O filme tem lançamento previsto para novembro. Foto (Divulgação)
SÃO PAULO - "O Grande Circo Místico" vai representar o Brasil na disputa para concorrer a uma vaga na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2019, informou o Ministério da Cultura nesta terça-feira.
O filme de Cacá Diegues conta a história de cinco gerações de uma mesma família proprietária de circo e mescla realidade com fantasia em um universo místico, de acordo com a Academia Brasileira de Cinema (ABC), onde o anúncio foi feito.
"Da inauguração do Grande Circo Místico em 1910 até os dias de hoje, o público vai acompanhar, com a ajuda de Celavi, mestre de cerimônias que nunca envelhece, as aventuras e amores da família Kieps, do seu auge a sua decadência, até o surpreendente final", disse a ABC em seu site.
O filme tem lançamento previsto para novembro.
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood vai anunciar a lista com todos os indicados ao Oscar em 22 de janeiro, e a cerimônia de premiação será realizada em 24 de fevereiro, em Los Angeles.

Reuters
 

Luta dos negros contra brutalidade policial chega a festival de cinema de Toronto

Várias cidades americanas foram palco, nos últimos anos, de episódios fatais de violência policial contra pessoas negras, que deram origem ao Black Lives Matter.
Amandla Stenberg e Algee Smith, protagonistas de
Amandla Stenberg e Algee Smith, protagonistas de "The Hate U Give", no Festival de Cinema de Toronto em 7 de setembro de 2018 (AFP)

O Festival de Cinema de Toronto colocou sob os holofotes o racismo e a brutalidade da polícia dos Estados Unidos contra a população negra com o filme "The Hate U Give", que foi exibido no fim de semana em estreia mundial na metrópole canadense.
Adaptação do romance homônimo, este filme dirigido por George Tillman Jr. foi aclamado pela crítica e pelo público americano, antes de seu lançamento oficial nos Estados Unidos, em 19 de outubro.
"Espero que (o filme) melhore a autoestima das pessoas negras, das meninas negras, que as ajude a se sentir mais fortes e a reivindicar a verdade" durante qualquer episódio de violência policial, resumiu Amandla Stenberg, que interpreta Starr, uma adolescente que busca seu caminho entre o esquecido bairro negro onde mora e a elegante escola de brancos onde estuda.
O filme acompanha esta menina de 17 anos em sua batalha para viver aceitando plenamente sua herança afro-americana, até que ela presencia o assassinato de um amigo de infância por um policial branco e se vê imersa em uma intriga judicial que lembra muitas tragédias que marcaram recentemente os Estados Unidos.
Várias cidades americanas foram palco, nos últimos anos, de episódios fatais de violência policial contra pessoas negras, que deram origem ao Black Lives Matter, um movimento que combate o abuso policial contra essa população.
"Espero que (este filme) lance luz sobre esses eventos e evoque empatia nas pessoas para que haja um diálogo real sobre isso", disse Stenberg.
A 43ª edição do Festival de Cinema de Toronto (TIFF) começou na quinta-feira e terminará em 16 de setembro na capital econômica do Canadá.
Com mais de 300 curtas e longa-metragens de 74 países em exibição, é o maior festival de cinema da América do Norte. Também é visto como uma plataforma de lançamento para o Oscar.

AFP