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Versão fac-símile do livro de Hercule Florence é lançada

 por Diego Barbosa - Repórter
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Páginas do livro "L'Ami des Arts Livré À Lui-Même", que vem em edição caprichada, com dois volumes em capa dura. Trabalho levou sete anos para ficar pronto, englobando restauro, digitalização e publicação
O automatismo na forma como geralmente registramos o mundo pouco abre espaço para ponderações sobre técnicas e avanços embutidos ali - em uma suposta "simples" câmera de celular, por exemplo. Séculos de estudos e pesquisas demonstram, contudo, que o processo fotográfico atravessou uma diversidade de experimentos e desafios até concretizar-se enquanto arte e ofício, o que merece atenção de nossa parte, sobretudo se quisermos compreender a amplitude da linguagem.
Essa inquietação de partir do material bruto para ir alavancando descobertas e aperfeiçoamentos no campo fotográfico foi o expediente de Hercule Florence (1804-1879). O francês, nascido em Nice - apesar de cidadão de Mônaco - foi pioneiro em pesquisar e experimentar novas tecnologias no século XIX, produzindo uma vasta obra iconográfica sobre o interior paulista e brasileiro, quando aqui residiu.
Desenhista e pintor de formação autodidata, tinha por característica ser um jovem inquieto e curioso, ávido pela leitura de "Robinson Crusoé" e fascinado por viagens. O talento unido à paixão pelo desbravar, não à toa, rendeu-lhe um lugar, aos 20 anos de idade, na Expedição Langsdforff (1825-1829), que saiu da Europa rumo ao Brasil, mapeando territórios.
Por aqui, Florence ficou até o fim da expedição, realizando, com a equipe, um monumental levantamento de dados geográficos e etnográficos do País. Posteriormente, radicou-se na vila de São Carlos, atual Campinas (SP), onde viveu até seu falecimento, em 1879.
Lançamento
Uma considerável parte das descrições referentes à empreitada - compreendendo a versão mais completa do relato da viagem fluvial empreendida pela Langsdorff - encontra-se no livro inédito "L'Ami des Arts Livré À Lui-Même", cujo lançamento do fac-símile acontece na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, em São Paulo, no próximo dia 18.
O mesmo também estará disponível para aquisição no site do Instituto Hercule Florence (somente em francês). A tiragem é limitada a 300 exemplares numerados, que poderão ser reservados. Durante o lançamento, haverá dois exemplares para manuseio.
Cuidadosa, a edição levou sete anos para ficar pronta, englobando todo o processo de produção - restauro, digitalização e publicação - e chega ao público em versão luxuosa, numa caixa com dois volumes em capa dura. Além de dados sobre a expedição, o manuscrito também reúne a autobiografia de Florence, incluindo a descrição de seus inventos e uma visão sobre a sociedade da época.
Na ocasião do lançamento, cada um desses detalhes será debatido por um grupo de profissionais: Profª Drª Maria de Fátima Costa (historiadora/UFMT), Prof. Dr. Boris Kossy (historiador/ECA-SP), Prof. Dr. Carlos Zeron (diretor da Brasiliana Guita e José Midlin) e Antonio Florence (do Instituto Hercule Florence).
Relevância
Os aspectos referentes à montagem da sofisticada caixa traduzem a importância conceitual do conteúdo. "L'Ami des Arts livré à lui-même" é considerada a obra mais importante de Hercule Florence, sendo fonte de peso para um maior conhecimento sobre a história da fotografia no mundo e dos processos científicos do século XIX. De igual maneira, o documento deve alimentar curiosidades sobre como eram os deslocamentos à época.
Em 423 páginas, apresenta duas partes distintas: uma que registra as principais invenções de Hercule (poligrafia, fotografia, estudo dos céus para jovens paisagistas, ensaio sobre a impressão de pinturas a óleo em estampas, zoofonia, quadros-transparentes, entre outras); e outra com a autobiografia do desbravador, apresentando um panorama sobre sua infância e juventude na Europa, desde as condições de vida até as dificuldades na criação dos filhos.
Complexo, o procedimento para trazer a obra à tona levou em conta as especificidades das tintas metaloácidas do manuscrito, naturalmente sujeitas à oxidação (o que pode danificar a celulose do papel e ocasionar perda de suporte).
Também foi dado destaque à conservação do original - realizada paralelamente ao processo de digitalização -, com dois processos distintos de restauro.
O reconhecimento a Hercule Florence no Brasil entra na esteira de outras produções que enfatizaram as contribuições do pesquisador. Entre eles, uma mostra no Noveau Musée National de Monaco, no ano passado.
Entre as publicações, é importante destacar livros como "A World History of Photography" (1984), de Naomi Rosenblum; "Les Multiples Inventions de la Photographie" (1989), organizado por Jean-Pierre Bady; e "Hercule Florence: A descoberta isolada da fotografia no Brasil" (1977), de Boris Kossoy, um dos estudiosos que comporão a mesa de debates no lançamento em São Paulo.
Mais informações:
Lançamento de caixa com fac-símile do livro "L'Ami Des Arts Livré À Lui-memê", de Hercule Florence. Dia 18/09, às 16h, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Midlin - Sala Villa-Lobos, em São Paulo. Gratuito. Site: bbm.usp.br
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Diário do Nordeste

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