Pular para o conteúdo principal

ARDER EM CHAMAS

Grecianny Carvalho Cordeiro*

A História do Brasil é repleta de histórias de espoliações.
Essa frase pode soar tão redundante quanto constantes foram as espoliações sofridas pelo Brasil: quando da descoberta pelos portugueses, das incursões dos franceses e dos ingleses no litoral, das invasões holandesas, em busca de nossas riquezas. 
E não foi diferente quando do Brasil-Colônia, Brasil-Império e Brasil-República.
Os livros estão aí para relatar as “conquistas” dos portugueses, os “desbravadores” bandeirantes, os traficantes de escravos, os caçadores de diamantes, embora de uma forma quase romântica, afinal, não esqueçamos que a História é sempre contada pelos vencedores, portanto, para bem longe das versões dos índios escravizados, dos negros traficados.
O Brasil de hoje, com todos os seus problemas, que tanto desalento e desesperança trazem para seu povo, nada mais é do que a soma de todas essas espoliações e, nos tempos modernos, o escambo deu lugar à propina; o pau-brasil, o ouro e o diamante deram lugar aos milhões de reais em malas e aos milhões de dólares em contas na Suíça.
Talvez daí o reinante descaso dos governantes com a coisa pública, com o patrimônio nacional e sua riqueza cultural, científica, antropológica. Some-se a isso a arraigada apatia do povo brasileiro.
O incêndio ocorrido no Museu Nacional é o resultado desse descaso e apatia.
O belo prédio, inaugurado por D. João VI, em 1818, que serviu de residência para a família imperial, o local em que Dom Pedro II reinou e que Dona Leopoldina assinou o Decreto de Independência, o espaço destinado a elaborar a primeira Constituição da República, antes do fatídico incêndio, nada mais era que uma construção caindo aos pedaços, sem qualquer segurança, se mantendo às custas de uma minguada verba, porém, guardava um tesouro imensurável: a História de um país.
Em frente ao Museu Nacional havia a seguinte inscrição: 
A imagem pode conter: texto
"Todos que por aqui passem, protejam esta laje, pois ela guarda um documento que revela a cultura de uma geração e um marco na história de um povo que soube construir seu próprio futuro." 
Todos os que por ali passaram, não protegeram o museu e os registros de nossa cultura e da história de nosso povo foram consumidos pelas cinzas. Não cuidamos do passado, estamos destruindo o presente e, por isso mesmo, o futuro nos parece nada promissor.
O Brasil arde nas chamas da incompetência e da corrupção de seus gestores, do passado, do presente e, quiçá, do futuro.


*Promotora de Justiça

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Corpo do Jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na terça-feira

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil* O corpo do jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na próxima terça-feira (9), no Memorial do Carmo, segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), respeitando o desejo do imortal. Cony morreu ontem (6), aos 91 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos após dez dias de internação. Segundo a ABL, como a morte ocorreu em um fim de semana, procedimentos jurídicos e administrativos terão que ser resolvidos nesta segunda-feira (8). Após a cremação, suas cinzas devem ser lançadas em um local que remete a sua infância. Também a pedido do jornalista, seu corpo não foi velado na sede da academia. A amiga e também jornalista Rosa Canha disse que Cony desejava uma cerimônia íntima. "Ele não queria velório, não queria missas nem nenhum tipo de homenagens. Ele pediu muito que fosse uma cerimônia apenas para a família".  Saiba MaisTemer lamenta morte do jornalista Carlos Heitor Cony Carlos Heitor Cony nasceu no Rio em 14 de março de 1926.…

Participe da Coletânea "100 Poetas e 100 Sonetos"

O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade está selecionando 100 poetas para compor a Coletânea “100 Poetas e 100 Sonetos”. Os sonetos são de tema livre e devem ser metrificados em qualquer tamanho ou estilo, rimados ou não. 

Não haverá taxa de inscrição e nem obrigatoriedade de aquisição do livro pelos participantes, que em contrapartida cedem seus direitos autorais. 

A data e local do lançamento da coletânea serão definidos posteriormente. 

Para participar, envie o seu soneto para o email ihd@institutohoraciodidimo.org ou pelo formulário até 10/07/2019 com uma breve biografia.

Por https://institutohoraciodidimo.org/2019/06/11/coletanea-100-poetas-e-100-sonetos/

Projeto do escritor e professor cearense Gonzaga Mota doa livros para escolas públicas da Capital e do interior

Por Diego Barbosa,  Com a ação, Gonzaga Mota já circulou por 20 instituições, ora aumentando acervos, ora criando novas mini-bibliotecas Com facilidade, a porta em que está cravada a placa "Livros de escritores cearenses" escancara-se em nova visão. Do outro lado do anteparo, o olhar mira num aconchegante espaço, onde repousam, organizadas e coloridas, obras de toda ordem. São títulos tradicionais e contemporâneos, exemplares de poesias, contos, crônicas, romances. Em comum a todos eles, o DNA nosso: possuem assinatura de cearenses. E querem ganhar mais mundos, outras trilhas. Mantido pelo escritor e professor Gonzaga Mota, o gabinete da descrição acima é recanto de possibilidades. Desde o começo deste ano, o profissional mantém um projeto de doação de livros para escolas públicas de Fortaleza e do interior, almejando estender o raio de alcance da leitura, especialmente entre crianças e jovens. A vontade de fazer com que os volumes saltem da…