Crimes perfeitos?

Gonzaga Mota*
Não existe crime perfeito, bem como ninguém, a não ser em legítima defesa, pode tirar a vida de uma pessoa. A vida é um dom de Deus, e somente Ele sabe o momento de extinguí-la. Por sua vez, examinando-se casos concretos, vivenciamos, atualmente no Brasil, um clima de significativa insegurança. Milhares de brasileiros e brasileiras são assassinados por ano de forma cruel e covarde. O pior é que a maioria desses crimes, apesar do esforço de alguns, não são sequer investigados e esclarecidos. As causas são várias: roubo, passional, vingança, drogas, bebidas alcoólicas, etc. Ademais, existe uma forma de infração extremamente lamentável numa sociedade dita democrática. É o crime de natureza política. Aconteceram vários nos últimos anos no Brasil. Recentemente, duas atrocidades, com repercussão internacional, ocorreram. A sociedade brasileira deseja e tem o direito de saber as razões e os envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson, bem como do atentado, quase fatal, ao deputado federal Jair Bolsonaro. Ambos políticos e com perspectivas promissoras. É triste, mas somos irmãos vivendo num ambiente onde o ódio se destaca e o amor vem desaparecendo. Lembremo-nos de Shakespeare: "Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor". É claro que a única luta que devemos admitir é a democrática, pacífica e livre. Será necessário apelar para o escritor Conan Doyle, falecido em 1930, e pedir-lhe que Sherlock Holmes e seu caro amigo Watson resolvam, pelo menos, os casos Marielle e Bolsonaro?
*Professor aposentado da UFC

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