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Bibliotecas da Capital reinventam para gerar conhecimento

Olhando do lado de fora não dá para se ter noção da imensidão de conhecimento que a Biblioteca Pública Dolor Barreira semeia. Localizada na Avenida da Universidade, bairro Benfica, e com um acervo de 35 mil livros, entrar no equipamento é descobrir mundos novos. Ao visitar as sete seções do local, que vão de braille até história do Ceará, é fácil ficar boquiaberto com a variedade de obras e atividades que a biblioteca promove. Longe de serem apenas espaços para estudo e empréstimo de livros, as bibliotecas se reinventaram para conquistar os diversos interesses do público variado.
Atualmente, três equipamentos são administradas pelo poder municipal de Fortaleza: a Dolor Barreira, a Biblioteca Infantil Herbênia Gurgel, localizada no Conjunto Ceará; e a Biblioteca Pública Municipal Cristina Poeta, no bairro Autran Nunes. De acordo com a Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), a maior demanda das três unidades é por empréstimo de livros, todas tendo uma média de 1.500 empréstimos por mês.
Fato é que esses espaços não contam com a mesma valorização de 30, 40 anos atrás. Para levar o público à biblioteca, outros serviços geradores de conhecimento têm sido ofertados. Segundo o diretor da Biblioteca Pública Municipal Dolor Barreira, Eduardo Pereira, o espaço cultural tem que seguir em frente com o moderno, difundindo o conhecimento. Esse foi um dos motivos para que, hoje, o sistema da Dolor Barreira seja automatizado - caso queira alugar um livro, é possível ver em uma plataforma online, chamada Biblivre, se a obra está disponível.
"Com o tempo passando, temos que nos adequar às novas demandas. É um pensamento social. Aqui tem Wi-Fi gratuito, palestras e ocupações. Todos os movimentos têm a ver com a biblioteca porque ela é um centro gerador de conhecimento. Quando você dá o espaço para alguém ocupar, está gerando conhecimento. Então, a biblioteca vai se tornando não apenas um lugar de emprestar livro ou estudar, mas um centro que faz diálogo com a sociedade", afirma Eduardo Pereira.
O intuito é não disputar com o moderno, mas sim acrescentá-lo á biblioteca para que ela se torne um ponto que as pessoas possam utilizar para várias atividades. Isso demanda uma transformação através de ações, conforme destacou o diretor da Dolor Barreira. "Leitura e adquirir conhecimento não estão ligados apenas ao livro, mas a uma série de ações e situações. O suporte livro é mais um conhecimento. Se você vê uma palestra, um bom filme, está construindo sua personalidade, opinião, o seu senso crítico e, portanto, aumentando o seu conhecimento".

Uma das grandes ações que fizeram sucesso e trouxeram o público jovem para a Dolor Barreira foi o Mercado Geek, pensado por Eduardo com a Secultfor para acontecer na biblioteca, precisamente na seção gibiteca. "Em todas as edições perguntam se aqui é uma biblioteca e depois voltam em outro momento para usá-la. Ou seja - criamos a ação, trouxemos as pessoas pelo interesse delas e ao mesmo tempo elas conheceram o espaço. Inovar, entender e criar esse vínculo sem esquecer sua história é fundamental", afirma.
Estudante universitário, Rafael Mendes descreveu a Dolor Barreira como um espaço que o possibilitou ter acesso e estudar materiais de Cinema, seu curso de graduação. "Apesar de ter livros baixados no computador, eu não abro mão do livro físico. É um processo de descoberta. Às vezes, você quer buscar um livro e acaba achando outros tão interessantes quanto na biblioteca", relatou o estudante.
Os usuários das bibliotecas públicas vão desde os grandes pesquisadores ao público em geral, inclinados a pesquisarem em coleções que não estão dispostas em outros meios, conforme o professor titular do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal do Ceará, Tadeu Feitosa. Para ele, o grande desafio de atrair o público da sociedade atual é uma mudança de cultura. "As bibliotecas públicas ainda guardam uma sisudez em seus espaços. Elas também ainda pecam pela cultura antiga e antiquada de serem 'guardiães'de um conhecimento que de nada vale se não for compartilhado", destaca o especialista.
Mudança
Cientes da necessidade de mudança, no ano de 2015, a Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, localizada ao lado do Centro Dragão do Mar, começou a passar por intervenções de estrutura e deve contar com nova programação, segundo informou a diretora da Biblioteca Pública do Ceará, Enide Vidal.
Ainda sem previsão para entrega, grande parte do acervo, somando 130 mil livros, está no Espaço Estação, no Centro de Fortaleza. Só de obras raras são 10 mil volumes.
"É um novo conceito. Além da estrutura, teremos aquisição de livros e uma programação que estamos elaborando. Vamos ter uma série de novidades para melhoria tanto do equipamento como para as pessoas que procuram os serviços dele, desde crianças até deficientes visuais". (Colaborou Ana Cajado)

Dolor Barreira

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Diário do Nordeste

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