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Livro de Oswald Barroso é lançado hoje no TJA

por Diego Barbosa - Repórter
Oswald Barroso
Criador e criatura: Oswald Barroso e o livro "Menino amarelo - As desventuras de um rei desencaminhado". Publicação é parte da série "Memórias ficcionais", com mais outros quatro volumes a serem lançados ( Foto: Saulo Roberto )
Não é de hoje que atravessamentos urbanos costumam render boas histórias e reflexões. A literatura produzida em torno desse universo é vasta e engloba nomes canônicos - desde teóricos como Walter Benjamin (1892-1940) e Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) a escritores de ficção, vide trabalhos assinados por Arto Paasilinna e Jack Kerouac (1922-1969), por exemplo.
Ainda que encarada por muitos como atividade simples, a deriva por diferentes espaços, lugares e corpos atrai olhares de pesquisadores e artistas sobretudo por se tratar de uma experiência cognitiva, em que está embutido um processo de autoconhecimento, quando não de inspiração. Nas palavras do poeta modernista Wallace Stevens (1879-1955), "eu sou o mundo no qual caminho".
De certa forma, a sentença também traduz o espírito de "Menino amarelo - As desventuras de um rei desencaminhado", novo livro do jornalista, dramaturgo, poeta e escritor cearense Oswald Barroso. A obra será lançada nesta quinta-feira (13), às 17h, no Theatro José de Alencar (TJA), versando exatamente sobre as relações físicas e simbólicas vivenciadas pelo autor nos diferentes espaços que frequentou a partir da década de 1950 em Fortaleza, cidade-natal, quando criança e no início da juventude.
Na ocasião, estarão presentes os escritores Raymundo Netto e Angela Gutiérrez - esta assina o texto de apresentação do livro. Haverá ainda apresentação do coral da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Ceará (Adufc), regida pelo maestro Poty Fontenelle. Depois do TJA, mais nove agremiações públicas sediarão o lançamento do material (algumas ainda em fase de negociação). O mesmo chegará às livrarias em breve.
Memórias
Financiado via Lei Rouanet, o título é o primeiro volume de cinco que deverão ser lançados consecutivamente nos próximos anos, compondo a série "Memórias ficcionais". Nela, constam os romances "Risco vermelho" (já finalizado), "Sonho azul" (em fase de escrita), "Mato verde" e "Luz do cinza".
Com diferentes recortes temporais, as narrativas pretendem acompanhar a trajetória do menino protagonista do começo à atual fase da vida, jogando luz sobre suas experiências aventurosas. A ideia de Oswald, ao adotar o conceito, é entrelaçar fato pessoais com um panorama memorialístico da Capital, despontando - sob o formato de romance épico - causos, vivências e transformações de uma metrópole.
"Passei a vida juntando papéis, livros, escritos, anotações, gravações e entrevistas, e tinha que dar uma forma a isso. Minha mãe e meu pai também tinham algumas coisas, mas como não fizeram nenhum trabalho a respeito, estou fazendo pela família", justifica o autor.
Em nove capítulos e sob o pseudônimo de Raimundo (Mundinho) Flor, Barroso narra, em terceira pessoa, o resultado de um ano inteiro de escrita do material que recolheu nas gavetas de casa.
Entram em cena detalhes de suas movimentadas desventuras infantis e as pessoas encontrou mediante o vagar descompromissado pela cidade, seja pelos diferentes endereços residenciais que teve, seja pelos inevitáveis desbravamentos de criança - ansiosa por conhecer o mundo, com suas "orelhas grandes, canelas finas e o cabelo ralo".
Encontros com figuras míticas - como o poeta popular Cego Aderaldo (1878-1967) - e passeios do "menino amarelo" (alcunha herdada do palavreado popular) pelos cortejos de Carnaval na rua Senador Pompeu, passando pelas travessuras compartilhadas com outros pequenos na Rua Dona Leopoldina e o vaguear atento pelas vitrines das lojas do Centro conferem às páginas um bem-vindo tom de epopeia, oferecendo aos leitores um terno olhar sobre a Fortaleza do início dos anos 1950.
Os acontecimentos são amparados pelas ilustrações do artista plástico Descartes Gadelha, amigo de Oswald. A parceria entre os dois, inclusive, deverá ser abordada em "Risco vermelho", segundo livro da coleção. Neste primeiro volume, além de assinar o desenho da capa, Descartes produziu 96 gravuras em que prevalece um traço simples e caprichoso.
Ampliação
Utilizando o manuseio do barro como pontapé inicial - ao modelar a massa, o menino vai também desenhando a urbe e um universo próprio - Oswald Barroso ainda amplia os territórios do livro ao mostrar, em determinadas passagens, o olhar feminino de Alba, sua mãe.
A ternura da mulher recompõe as minúcias de espaços como a Praia de Iracema, Praça do Ferreira, Theatro José de Alencar e Passeio Público, permitindo o acesso a outras percepções de uma mesma urbe.
"O livro - bem como toda a série - não chegam a ser autobiográficos porque não falam apenas da minha história, mas da de muitas pessoas com quem conversei e estabeleci uma relação", esclarece Oswald.
"É uma obra que fala, então, de uma época, que possui um valor histórico. A cidade de Fortaleza, assim, é uma de suas principais personagens e as ocorrências registradas realmente aconteceram, com 95% dos nomes verdadeiros das pessoas mantidos".
Após lançar "Menino amarelo", o escritor adianta que até o fim do ano deve também chegar ao público os livros "Ceará Mestiço", sobre cultura cearense; e "Aproximações", que reunirá toda a prosa de Antônio Girão Barroso, pai de Oswald.
Já em 2019, além do lançamento do segundo volume da série Memórias ficcionais, será disponibilizado "Memórias de bailados e comédias", sobre os dramas populares do litoral leste do Estado.
Até a chegada de cada projeto, fica, na memória popular, a molecagem inspirada de um menino-rei inquieto. Um peregrino que, com a sabedoria e destreza típica dos pequenos, torna-se maior em tamanho e significado ao falar de si mesmo, dos outros e do solo comum onde brota traços de nossa identidade fortalezense.

Programação

Lançamentos de "Menino amarelo"
Hoje (13): Theatro José de Alencar (R. Liberato Barroso, 525, Centro), às 17h. Contato: (85) 3101-2583
14/9: Escola Estadual Caic Maria Alves Carioca (R. Sargento Barbosa, 851, Granja Lisboa), às 9h / Praça do Ferreira (R. Floriano Peixoto, Centro), às 19h
17/9: Casa de Frei Tito (R. Rodrigues Júnior, 364, Centro), às 19h
21/9: Secretaria de Cultura de Pacatuba, às 19h
10/10: Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza (R. Conde d'Eu, 560, Centro), às 15h30
11/10: Centro Cultural Bom Jardim (R. 3 corações, 400, Bom Jardim), às 15h
INFO
Diário do Nordeste

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