Livro alerta para risco da intolerância política nas democracias

“As leis e o texto constitucional não bastam para a saúde de uma democracia. Para além de regras oficiais, ela precisa de normas informais. A tolerância mútua – entender que o adversário é legítimo e não deve ser aniquilado – é uma delas. A outra é uma espécie de ‘reserva institucional’, ou seja, evitar o uso desenfreado de instrumentos legais que possam desgastar a estabilidade democrática.”
O texto acima é um trecho da resenha publicada pelo Estadão no dia 15 e assinada por Caio Sartori para o livro Como as Democracias Morrem (editora Zahar), de autoria dos professores  Steven Levitsky e Daniel Ziblatt (Havard).
É ou não é perfeito para o momento que a democracia brasileira vive? Quando digo democracia, não me refiro somente aos partidos, políticos e candidatos, mas sobretudo aos cidadãos mais informados. Os profissionais da política enveredaram por esse caminho destrutivo, seja alardeando um golpe que não existiu, seja alertando para a possibilidade de uma suposta fraude eleitoral neste ano. Os partidos não souberam preservar essa reserva institucional e por tudo judicializam decisões do legislativo e do executivo. 
A afirmação do senador Tasso Jereissati para o mesmo Estadão na semana passada, de que o PSDB errou ao questionar o resultado das eleições [2014], está em sintonia com a provocação de Levitsky e Ziblatt.
O embate e o confronto de ideias fazem parte da política, isso é óbvio, e salutar, diga-se, mas essa disposição deve estar submetida a um conjunto de regras formais e também tácitas. É preciso não confundir o direito ao contraditório com ofensa.
É claro que resenha alguma substitui a leitura de um livro e que é possível ainda discordar de outros pontos levantados pelos autores, como a comparação entre Donald Trump e alguns autocratas de sistemas políticos mais instáveis. Mas o que vale aqui é a lembrança da tolerância. Certamente o resultado das eleições desagradará muita gente nesse Brasil fragmentado e machucado, mas a boa notícia é que nada é para sempre. De quatro em quatro anos é possível avaliar os governos. Pelo menos é assim que deve ser. Não entender isso é apostar na morte da democracia.

Tribuna do Ceará

Comentários

Mais Visitadas

Erasmo Carlos tem retratados seus dias de Jovem Guarda em 'Minha Fama de Mau'

Monteiro Lobato é tema de contação de histórias em livrarias de São Paulo

Filme 'No Portal da Eternidade' faz da loucura do artista Vincent van Gogh um caso de lucidez

Vocação de pescadores de homens

Prêmio Sesc de Literatura encerra inscrições na quinta-feira (14)