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O Brasil é viável

Por Gonzaga Mota - Professor aposentado da UFC

A exclusão econômica e social é mais do que uma característica inaceitável da sociedade brasileira. Trata-se de um problema que poderá ameaçar a própria estabilidade da nossa democracia. Afinal, como podemos legitimar um sistema cujos frutos não podem ser compartilhados pela maioria de seus cidadãos?
O País derrota a inflação, há potencialidades de crescimento, mas a renda per capita continua muito baixa. Enquanto o emprego formal permanece em patamares deploráveis, aumenta a informalidade.
Temos uma carga tributária altíssima, mas o que é arrecadado não retorna em favor do cidadão comum no que diz respeito aos serviços públicos que lhe são prestados. A concentração de renda perdura como um dos mais marcantes traços da sociedade brasileira atual. As taxas de juros elevadas inviabilizam os investimentos produtivos.
Cremos que a crise brasileira encampa os diversos setores, atingindo agudamente a economia, a política, a segurança, a saúde, a educação e todas as camadas sociais, principalmente os menos favorecidos. Entretanto, é na ética e na moral que se encontra, a nosso ver, a gênese, a força-motriz que gera toda a crise em que estamos envolvidos. Não se devem conceber apenas soluções táticas, mas também estratégicas.
O Brasil precisa de propostas estruturais, não apenas circunstanciais, ou seja, de rumo definido. A sociedade exige diretrizes e ações para ampliar o nível de emprego, combater a miséria, retomar o crescimento econômico e exterminar a corrupção.

O brasileiro não suporta mais as forças especulativas e as atitudes fisiológicas, desejando, o quanto antes, a realização de investimentos produtivos que permitam a melhoria da qualidade de vida. Assim, reformas como a educacional, a da Previdência e a do sistema fiscal (receitas x despesas) são fundamentais. O Brasil é viável.

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