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Duo de livros contorna aspectos históricos do Ceará e Ásia Central mesclando realidade e ficção

“Não se tropeça diante do Rei” e “119 dias em Amhitar” foram lançados na XIII Bienal do Livro por Paulo Avelino


Paulo Avelino é auditor financeiro do governo federal, mas considera-se um apaixonado pela história e a fantasia. Não à toa, estreou no cenário literário recentemente com obras que passeiam entre a realidade e a ficção. Trata-se do romance “Não se tropeça diante do Rei” e da coletânea de contos intitulado “119 dias em Amhitar”.
Ambos foram lançados na XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará no último dia 18 e alavancaram novas perspectivas sobre o Ceará e a Ásia Central. Premiado com o Osmundo Pontes e recebendo menção honrosa no Prêmio SESC de Literatura, “Não se tropeça diante do Rei” nasceu da constatação que ninguém tinha escrito um romance que se centrasse na presença dos ingleses no Brasil, e mais especificamente, no nosso Estado.
“Há vestígios dessa presença, por exemplo o Country Club. Criei um personagem central, uma moça inglesa que vem ao Ceará em 1911. Seu pai é comerciante aqui. Aqui ela se envolve com um amante e participa da Sedição de Juazeiro”, conta o autor. 
O romance levou bastante tempo para ser escrito. Unindo pesquisa, escrita e revisão, foram aproximadamente sete anos. Segundo Paulo, o principal desafio foi a falta de fontes. 
“Passei horas deliciosas na Biblioteca Pública do Estado do Ceará, relendo velhos exemplares do ‘Unitário’ e da ‘Folha do Povo’, jornais da época. Também pesquisei na Biblioteca da Universidade de Illinois (EUA) e no Rio de Janeiro. Tudo para conseguir reconstituir o passado”, detalha.
Imaginação
Por sua vez, "119 Dias em Amhitar" narra os acontecimentos históricos num país da Ásia Central. Contudo, Amhitar não existe. “Eu o escrevi todos os dias, sem faltar um sequer, no ano de 2013. Cada se referia ao dia no qual escrevia. Há personagens fictícios, e também reais, como Stalin, Elizabeth Taylor e Alexandre o Grande”.
A questão mais complicada para costurar a obra, conforme o escritor, foi exatamente essa: escrever diariamente, sem falta. Quando precisava fazer viagens, Paulo escrevia antecipadamente as histórias dos dias em que viajaria. Mas quando trabalhou na última, em 2014, estava tão acostumado que sentiu falta depois.
“É de um livro de delírio e prazer. Desejo que o público se divirta tanto lendo quanto eu me diverti escrevendo”, comenta. 
Quando perguntado sobre o lançamento na Bienal do Livro, Paulo conta que foi um belo momento belo vivenciado na Praça Iracema, com localização privilegiada no Centro de Eventos, o que contribuiu para chamar a atenção e atrair um público que de outra forma não saberia do lançamento. 
“Aconteceu algo misterioso: o vendedor depois me contou que uma senhora aproximou-se, com lágrimas nos olhos, e comprou seis exemplares, e foi embora, sem querer autógrafo. Eu creio que seja uma parente de algum dos personagens históricos do Ceará, de quem falei em ‘Não se tropeça diante do Rei’. Só creio, não sei. Infelizmente receio que  nunca vou desvendar esse mistério”, arrisca.
E assim, vai seguindo em inspirados mergulhos naquilo que acredita ser porta de entrada para novos ares. “Meu interesse atual é literatura fantástica. Acho que uma das saídas para o mundo reside na imaginação”.
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Não se tropeça diante do Rei
Paulo Avelino

Independente
2018, 140 páginas
R$ 30

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119 dias em Ahhitar
Paulo Avelino

Independente
2019, 134 páginas
R$ 30


Diário do Nordeste

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