Galanteio à moda antiga

Por Paulo Eduardo Mendes - Jornalista

Expressão poética. Beijar o sorriso! Parece pouco provável para os dias presentes. Captamos o galanteio vindo de uma conversa informal. Homem e mulher em enleio. Olho no olho. Sorriso nos lábios da bela jovem enamorada. O rapaz meio entorpecido pelo porte sedutor da sua companheira não resistiu e quebrou o silêncio indagando:  “Posso beijar o teu sorriso?”. Surpresa no olhar da sua musa que alargou o sorriso num derrame de beleza clássica. Personagem de filme num desempenho ao vivo de ternura! “Posso beijar o teu sorriso?”. Estava explícita a vontade de beijar os lábios da sua amada e conquistar o troféu de um sorriso franco.
A vida anda desvinculada desses arroubos de carinho. Aquela cena real emocionou todos os passageiros daquele transporte urbano. Silêncio cúmplice de quem acredita no amor como fonte de doçura e aproximação. A curiosidade era geral, no sentido de presenciar o “beijo no sorriso”. “Beijar o sorriso” seria uma declaração de amor contundente na concretização de uma carícia inusitada. Beijar o sorriso e acalentar o sonho de uma aproximação definitiva.

O casal da inusitada cena estava alheio a tudo. O sonho de fundir sorrisos estabelecia nova fórmula de decantar a ternura na simples troca suave da expressão sorridente da encantadora jovem. Ambos protagonistas de um ato de paz totalmente difuso da realidade brutal dos nossos dias. Sorrir. Gostar. Amar e dizer tudo através de um afeto nunca imaginado. Beijar e sorrir! Espíritos de luz na magia de atender aos  anseios. Um galanteio de autêntico espírito iluminado a ditar que o amor existe e nenhum constrangimento traz a quem o pratica de coração aberto. Beijar o sorriso ficou na nossa retentiva como a crônica do amor demais que ainda sobrevive na força espiritual de cada um.

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