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Central do Brasil: filme retrata migração nordestina e celebra cinema Brasileiro

Central do Brasil: filme retrata migração nordestina e celebra cinema Brasileiro
Nesta segunda-feira, 19 de junho, celebra-se o Dia do Cinema Brasileiro. A data coincide com o início da Semana do Migrante. Há um filme brasileiro de 1998, dirigido por Walter Salles, que une essas duas realidades: “Central do Brasil”. A sinopse comprova: “Dora (Fernanda Montenegro) trabalha escrevendo cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Ainda que a escrivã não envie todas as cartas que escreve – as cartas que considera inúteis ou fantasiosas demais -, ela decide ajudar um menino (Vinícius de Oliveira), após sua mãe ser atropelada, a tentar encontrar o pai que nunca conheceu, no interior do Nordeste”.
O filme, na verdade, invoca a realidade dos migrantes do nordeste brasileiro. Milhares de pessoas que deixam o sertão em busca de melhores oportunidades na cidade grande. Esse fenômeno aumentou o contingente de pessoas que enfrentam inúmeras dificuldades nos centros urbanos. Antes da revolução tecnológica da telefonia celular, num ambiente de quase 30 anos atrás, grande parte dessas pessoas ainda escreviam cartas para se comunicarem com os parentes que ficaram no nordeste.
Segundo informações obtidas por Gheysa Gonçalves Gama, do Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais, e apresentados em artigo sobre o filme, “Central do Brasil” que teve um público estimado de 5,6 milhões de espectadores (1,6 no Brasil e o restante ao redor do mundo), acumulou muitas premiações, a começar pelo roteiro, escolhido num concurso do Sundance Festival, evento de filmes independentes que acontece anualmente nos Estados Unidos. O prêmio, de trezentos e dez mil dólares.  Sobre o papel da mulher em road movies  foi um grande incentivo para a produção do filme, que teve sua première mundial no mesmo festival, em janeiro de 1998, o que resultou no contrato com a Miramax no valor de um milhão e duzentos mil dólares para a distribuição do filme pelo mundo”
O filme ainda ganhou os prêmios de melhor filme e melhor atriz (Fernanda Montenegro) no Festival de Berlim, além do Bafta (British Academy Film Awards) e o Globo de Ouro (Golden Globe Awards nos Estados Unidos) de melhor filme estrangeiro. Foi também indicado ao Oscar, em 1999, como melhor filme estrangeiro e melhor atriz. Neste ano de 2017, justamente para homenagear sua participação em “Central do Brasil” e no filme “Eles não usam Black-tie” de Leon Hirszman, Fernanda Montenegro foi homenageada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com Menção honrosa do Prêmio “Margarida de Prata”.
Em artigo científico, um grupo de alunos de Pedagogia da Universidade Federal Rural, em Angicos (RN), faz a seguinte análise sobre o filme: “’Central do Brasil’ tem o mérito abordar um tema recorrente (a migração nordestina) de maneira delicada e poética, mostrando este deslocamento cultural e social a que milhões de brasileiros são submetidos em função da miséria onde a comunicação é uma das chaves, onde nordestinos analfabetos têm de submeter-se à ajuda de uma ‘escrevente’ de cartas em papel, num mundo que já se globalizava pelas ondas da Internet. Mostra o interior do Brasil, com sensibilidade e um olhar quase ‘estrangeiro’, dando espaço para a expressão tanto da resistência cultural, como da invasão de novos costumes trazidos pelos ventos da modernidade”.

CNBB

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