28 de setembro de 2022

Testemunhas fiéis

Pe. Geovane Saraiva*

Senhor Deus, tu sabes tudo. Nestes tempos difíceis e desafiadores, pedimos que nos mostre, com clareza, o caminho a ser seguido. São muitas as interrogações em nossos dias, as quais necessitam de seguras e convictas respostas, mas à luz da esperança, aquela que se encontra na palavra divina. Chegou, finalmente, a hora de ficar ao lado dos que sofrem, dos irmãos que carregam cargas e fardos pesados. Acompanha-os, Senhor, na tua indulgente compaixão e ternura de Pai!

Que haja na humanidade o interesse e o ímpeto de esperança de um povo que acredita na própria criatura humana. Que pessoa alguma possa ficar de fora ou excluída da compaixão de Deus. Ajude a todos, mesmo que eles se deparem com os que se fecham à graça divina, assumindo funções obscuras e contraditórias, ao contrariar o projeto redentor, ao blasfemar e ignorar sua suprema complacência e brandura, a ponto de imperar à vontade, destruir e tirar de circulação seus semelhantes, na condição de seus inimigos e adversários. Ó Deus, na nossa vocação de teus discípulos e missionários, ajuda-nos a todos e a cada um, destinados que somos à felicidade, no mais límpido e elevado sonho, o do condicional e relativo, no incondicional e absoluto de Deus.

Sem perder de vista a fé no Senhor que ressuscitou verdadeiramente, que a esperança seja muito mais que uma simples visão otimista e luminosa das coisas. Buscar, sim, a verdadeira esperança, que encontra sua consistência e fundamento na vida das pessoas, com toda a sua largueza e abrangência no nosso mundo contraditório e marcado pelo pecado. Esperança verdadeira, muito além da realidade hodierna, indo na direção do infinito e da eternidade em Deus, segundo a promessa de Jesus de Nazaré, fundamento seguro e sólido dos seus seguidores.

No mês de outubro, o das missões, a partir da Igreja essencialmente missionária, que Deus nos encha de esperança, afável compreensão, de que os confins do mundo nos inquietam, inquietam a todos. O Deus de Jesus de Nazaré, como boa e melhor notícia, sem excluir ninguém, diante da dor e do sofrimento a clamar do seio do mundo, como nas palavras esperançosas do Senhor ressuscitado: “Sereis minhas testemunhas” (At 1, 8).

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

 


20 de setembro de 2022

Fogueira acesa

Pe. Geovane Saraiva*

Nada de se preocupar nem se importar com as cinzas, sem levar em conta a importância grandiosa que se dá à fogueira, com o ardor e o calor de suas chamas, enormes e intensas. Como se fosse uma fogueira, a celebração da vida está unida ao sacrifício de Cristo como verdadeira súplica e perfeito louvor, tudo a partir do cordeiro redentor, que, na obediência à vontade divina, encontrou seu ponto mais elevado na morte de cruz, ao nos indicar seu supremo gesto, último e definitivo, mas na alegre ventura e êxito em favor da criatura humana, no seu fim, de determinante satisfação. 

Nas labaredas da vida, com suas veredas, contamos Jesus de Nazaré, nascido dos homens e nascido de Deus, tendo sua origem humana na providencial intervenção divina. A celebração de sua vida, no pão e no vinho, é sustento espiritual e nela são encontrados os dons da unidade, no mais seguro discernimento. Todos somos responsáveis pela confiança no testamento de seu amor, que nos assegura a garantia da vida na sua integralidade, na busca da casa comum para todos, que é obra das mãos de Deus, afastando-nos das angústias do mundo e de todo e qualquer ocaso.

Nele Deus encaminha as pessoas à felicidade, no espírito das bem-aventuranças, da plenitude divina, no envolvimento transformador, na mística libertadora que transfigura as criaturas humanas, dilata e sensibiliza corações. Sendo de Deus fruto esplendoroso e magnífico da mais pura fecundidade divina, ele é um presente para o ser humano e para o mundo. Pela fé, temos a segurança de que aquele que “nasceu da Virgem Maria”, bem do seio da humanidade, dele depende toda a fecundidade humana, na irrefutável afirmação divina, a de que “nele tudo foi criado; não nasceu do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus” (João 1, 13).

Pensemos, pois, na fogueira acesa, que inflama com suas chamas, absorvida nas labaredas da vida, sem nos esquecer das cinzas, transparecendo-as no relativo e no provisório, voltando-nos para a bem-aventurança eterna, identificados com o Cristo servidor, perseguido, odiado, insultado, ultrajado e excluído. Ele é visível naqueles que se dispõem a abraçar – na doação, na renúncia e na generosidade – sua causa: o projeto de amor. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

 


15 de setembro de 2022

A luta contra a opressão

Por Alvim Aran*

A bíblia é composta por grandes histórias, e entre elas nos chamou a atenção o livro de Ester, rainha Ester, uma das grandes mulheres da bíblia que quase não ouvimos falar. E hoje paramos para refletir um pouco a história de Ester e colocá-la em nossa realidade atual no Brasil e no mundo. Não falaremos do livro todo, iremos mostrar uma ideia central: a luta do povo judeu contra a opressão do poder politico confiado a Amã. 

Resumiremos os primeiros capítulos, mas ainda recomendamos a leitura de todo o livro. Não é uma leitura massiva. O livro de Ester é composto por dez capítulos (Bíblia de Jerusalém) riquíssimos em reflexões, desde o machismo vigente na época, quando a rainha Vasti se recusa a se apresentar ao rei Assuero (1, 12), até a metade do reino oferecida a rainha Ester (5, 6), isto é, o poder terreno. Mas não nos deteremos nisso, vamos ao nosso resumo. 

Após dar uma enorme festa (1, 5), o rei Assuero mandou chamar a rainha Vasti que se recusou a ir a seu encontro. Então o rei, após conversar com o conselho, resolveu escolher outra rainha. E em Susa, a capital, vivia Ester, uma jovem linda, que ficou órfã e seu tio Mardoqueu a tomou sobre seus cuidados (2, 7). Mardoqueu e Ester eram judeus que viviam naquela região, esses eram bons judeus, não aceitavam se curvar diante de nenhum poder terreno. E isso irritava os poderosos da época, mais especificamente a Amã. 

Amã era orgulhoso, queria de toda forma que Mardoqueu se curvasse, mas o judeu era resoluto em suas decisões e não se curvou. Vendo isso, Amã temeu uma revolta judia e se precipitou para matar todos os judeus. Amã no livro de Ester é conhecido como o “opressor dos judeus”. Mas Ester e os judeus não se curvaram, voltaram-se em orações e Deus os ajudou. Ester ofereceu um banquete ao rei Assuero e convidou Amã, ambos aceitaram. Com o banquete Ester agradou ao rei que lhe ofereceu tudo, até metade do reino se ela desejasse. Mas ela pediu somente a vida de seu povo. Então Amã descobre que ela era judia, o rei resolve não matar os judeus, Mardoqueu é elevado no reino como segundo, e Amã é morto na corda que preparava para matar Mardoqueu. 

Bom, após esse breve resumo (não vamos estender muito, pois isso não é um estudo aprofundado do livro) temos dois pontos centrais para trabalharmos. A luta dos judeus contra os opressores e a sedução do poder terreno. Se observarmos bem, o tirano é sempre aquele que detém o poder terreno. E é sempre aquele que quer oprimir o mais fraco para o benefício próprio e para ter mais poder. Diante dessa situação os judeus não desistiram, lutaram bravamente contra os seus opressores em busca da terra santa. 

E o que essa história tem a nos ensinar hoje? Companheiras e companheiros, vejamos bem, Deus é ativo em nossa história, e nos incentiva a não nos calar diante da opressão. Jesus diz que devemos amar nossos inimigos, e concordamos veementemente com Ele. Então o que fazer? Tirar do opressor a capacidade de nos oprimir, isto é, em nome de Deus e pela causa de Jesus, lutar contra toda forma de opressão terrena. No Novo Testamento (NT) temos Jesus que nos leva a lutar contra o pecado. Olha que situação mais triste que vivemos atualmente, o que chamam de pecado social, e aqui deixamos Dom José Maria Pires falar para gente: “O cardeal Suenens, falando sobre sua visita ao Brasil, disse ter visto aqui coisas belíssimas, mas ficou chocado de presenciar o que ele chamou de ‘estado social de pecado’, isto é, uma sociedade que permite a miséria” (Do centro para margem). Aquele pecado gravíssimo que faz o ser humano não se desenvolver de forma plena e digna. 

Esse desenvolvimento, que todos falam nunca chegou à periferia, não temos uma política integral em nosso país, e os Amã’s da vida estão destruindo nossa pátria com suas políticas de morte. Essas necro-politicas impostas pelos opressores do povo (agora não é somente do povo judeu) vem matando a população carente. E nós, todas e todos, inspirados pelo Espirito Santo e guiados pelos ensinamentos de Jesus, e pela reflexão do livro de Ester, devemos lutar fortemente contra esses tiranos e tirar das mãos deles a tirania. Nós devemos ser Mardoqueu’s e Ester’s, isto é, não nos curvar diante do opressor, devemos lutar para que as pessoas tenham direito a vida, e ainda que nos ofereçam metade do reino dos homens (igual o rei à Ester), não devemos aceitar, pois como diz Sabotage, o dinheiro nunca deve comprar nossa postura. 

Sabemos que existem aqueles que se vendem, religiosos ou não, mas não podemos nos conformar com isso. Devemos ser sal da terra e luz do mundo, ajudar as pessoas a se desenvolver integralmente, e alcançar a liberdade das filhas e filhos de Deus. Ester significa estrela, uma estrela guiou Jesus. Deixemo-nos ser guiado pela história de Ester e de Jesus, para juntos construirmos um reino de Deus, uma sociedade de justiça e paz, longe de toda opressão. 

É nossa missão como cristãos e cristãs lutar por um mundo melhor. Nós alcançamos a salvação aqui nessa terra, através de nossas atitudes, que implica na missão cristã, isto é, cuidar da nossa casa comum. Deus nos livre de uma espiritualidade, de uma missão desencarnada que não busca cuidar de nosso meio ambiente, que nos ajudará a chegar ao céu. Não queremos ser niilistas, no sentido que o filosofo alemão Nietsche concebeu, que é desprezar essa vida na terra e focar só no céu.  

Nosso destino é o céu, é verdade, mas passa por essa terra. Precisamos ajudar-nos uns aos outros, não nos deixar seduzir pelo poder terreno que despreza a maioria para promover alguns poucos. Lutar para ver os outros felizes, segundo Dom Luciano Mendes, isso é o céu. Vamos exercer nossa missão de cristãos e lutar por isso. 

São Carlos de Foucauld, nosso irmão universal, rogai por nós. 

*Seminarista da Diocese de Guanhães, 3º ano de Filosofia, Seminário Maior de Diamantina-MG.

13 de setembro de 2022

Estímulo em São Carlos de Foucauld

 Pe. Geovane Saraiva*

Nada de vaidade, de presunção ou mesmo de opinião excessivamente elevada e pretensiosa quanto à canonização do Padre Charles de Foucauld, na sua inspiração divina, ao afirmar que gostaria de ser bom, para que se pudesse dizer: “se assim é o servo, como não seria seu mestre?” (cf. Fontes Foucauldianas). A imagem viva do amor por Jesus ele a encontrou, quando na palavra do sacerdote Pe. Hivelin, ao pedir-lhe uma orientação que fosse plausível a respeito de Deus, em outubro de 1886, aos 28 anos de idade.

Mudar e estimular, sim, no seu exemplo de vida, a partir daquela feliz circunstância, decisiva em sua vida, repetidas incontáveis vezes por ele: “Quando acreditei que existia um Deus, compreendi que não podia fazer outra coisa, que não fosse viver somente para Ele” (Fontes Foucauldianas). Estímulo, sim, no sentido de aprender e com ele para melhor se perseguir seu ideal de vida, a conversão do coração, mas na compreensão dos nossos Tuaregues hodiernos, na esperançosa confiança no bom Deus, a que penetrou no mais profundo de sua alma, numa súplica universalmente aberta e acolhedora.

Impulso, pela espiritualidade de Charles de Foucauld, aquele que foi seduzido pelo amor de Deus, ao confessar seus pecados e sentir uma indizível alegria, a mesma alegria do filho pródigo. Mudança pelo desafio de acreditar e concordar com a mística cristã, no amor dele por todos, indistintamente, sempre de braços abertos para pessoas boas e não boas. Deus quer, através de São Charles de Foucauld, canonizado aos 15 de maio de 2022, que não nos afastemos do eixo de seu legado e itinerário espiritual: o da conversão permanente, da Eucaristia como centro, a oração do abandono, a busca do último lugar, sem esquecer do Evangelho da Cruz (cf. Espiritualidade para nosso tempo, Edson Damian, Paulinas, 2007).

O Deus que lhe falou na sua incredulidade, indiferença e egoísmo, caindo nas mãos divinas, sendo arrebatado e seduzido por Jesus de Nazaré, que se tornou o único e maior tesouro de sua vida. Mudança, numa palavra, de ânimo levantado e para cima, mas na mais viva esperança de vermos novas todas as coisas (cf. Ap 21, 5), ao mesmo tempo agradecidos ao bom Deus pelo dom da vida do Irmão Carlos de Foucauld – místico, referencial e patrimônio espiritual para a nossa civilização cristã, na experiência do absoluto de Deus.

Em São Carlos de Foucauld, Deus quer se manifestar, abrindo caminhos, animando-nos com o alimento e com a água verdadeira, que, com seu próprio exemplo, faça jorrar água das pedras ou dos rochedos dos corações humanos, matando a fome e a sede de sua esposa sedenta: a Igreja. Na caminhada pelos nossos desertos da vida, não prescindir dos ensinamentos metafóricos da caminhada do povo de Deus, também jamais preterir do irmão universal, Charles de Foucauld.

Que o Reino de Deus, na sua universalidade, anunciado e testemunhado pelo Irmão Carlos de Foucauld, ao quebrar crosta de veladas fronteiras e barreiras existenciais, mesmo na imaginação, nas convicções e no intolerante silêncio de irmãos e irmãs na fé, jamais seja causa de empecilhos, mas que facilite como um farol a iluminar a existência humana.

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

9 de setembro de 2022

NO MUNDO DE FORTALEZA

Grecianny Carvalho Cordeiro*

O padre Geovane Saraiva, pároco de Santo Afonso desde 2003, no bairro da Parquelândia, é um homem voltado ao estudo celestial, sem jamais perder de vista as problemáticas do mundo terreno e todas as coisas que se mostram diante da realidade.

​Autor de inúmeros livros, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – AMLEF, detentor de várias honrarias por parte de academias literárias, cidadão de Fortaleza nascido em Capistrano-CE, lançou seu recente livro: “No mundo de Fortaleza”, publicado pela editora Sol Literário, da amiga e escritora Angélica Sampaio.

​“No Mundo de Fortaleza” encontramos uma verdadeira ode à “Loira desposada do sol”, à Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, além de uma genuína preocupação com os descuidos que estamos demonstrando, há anos, pela nossa cidade, em vários aspectos: econômicos, culturais, artísticos e sociais. E alerta para a necessidade de interpretarmos a vontade de Deus a propiciar um novo futuro para a humanidade.

​O livro aborda a Santíssima Trindade, a vontade de Deus na vontade humana, Francisco de Assis, Dom Hélder Câmara e sua preocupação com os direitos humanos, o bom caminho da vida, o Caminho da Páscoa, a esperança, dentre outras temáticas que primam pela atualidade e análise crítica, sem perder de vista a caridade e a solidariedade.

​“No Mundo de Fortaleza” não se trata de um livro religioso destinado a determinado segmento religioso, pelo contrário, tem o condão de alcançar a todos aqueles tocados ou não pela religião, mas crentes num poder superior capaz de nos levar a um estado de graça e bem-aventurança, alertando-nos para que desempenhemos nosso papel enquanto seres humanos, à imagem e semelhança de Deus.

​“Os artífices da evangelização, como servidores da verdade e da justiça, encorajados pelo amor, em evangelizar nos nossos dias, pressupõem o amor fraterno, no qual deveria encontrar a sua concretude, sempre maior e crescente, naqueles que são os destinatários da missão evangelizadora” (p. 38).

​Merece destaque o capítulo destinado a Dom Hélder Câmara, de quem o autor é estudioso, o cidadão planetário que “viveu a ternura e a solidariedade ao lado dos irmãos empobrecidos” e que sempre acreditou num mundo melhor.

​Em tempos tão difíceis para toda a humanidade, que possamos manter acesa a chama da esperança e acreditar em dias melhores, e que possam os seres humanos ser tocados pela fé, pela solidariedade, fraternidade e amor.

+Promotora de Justiça, Escritora, Romancista, da Academia Cearense de Letras.

Deus sempre fiel

 Pe. Geovane Saraiva*

O Senhor nosso Deus caminha conosco por onde quer que andemos (cf. Js 1,9), caminha conosco em Nosso Senhor Jesus Cristo, com seu projeto de amor infinito, de um Deus verdadeiramente bom, que quer uma única coisa, o bem da humanidade, na promessa de consigo reconciliar todas as coisas. Seu amor envolve todos, bons e não bons; nele ninguém pode se considerar órfão, esquecido, perdido ou mesmo não contemplado na proposta redentora. Ele oferece, indistintamente, o sol e a chuva a todos os seres viventes (cf. Mt 5, 45). Eis a maior de todas as novidades para mulheres e homens de boa vontade: Jesus de Nazaré, aquele que foi seduzido pela clemente bondade de Deus Pai.

É Deus que, com sua divina providência, nos faz optar, entre diversos caminhos, pelo caminho verazmente incontestável, sólido e seguro, num não aos valores ilusórios, mutáveis e perecíveis. Tudo, evidentemente, em vista da realidade próspera, no sonho dos horizontes futuros, sendo Jesus a sabedoria encarnada do Pai a iluminar os passos da humanidade. Somos cobertos de proteção e amparados nos mais elevados sentimentos, próprios dos seguidores de Jesus de Nazaré, no distinto abraço da sua Cruz sagrada, preterindo vantagens e satisfações momentâneas e passageiras.

Na promessa de estar conosco todos os dias, até o fim do mundo (cf. Mt 28, 20), temos bens duráveis em Jesus de Nazaré, a parir do Livro Sagrado, contrariando o raciocínio humano, consolidado nos tesouros ou pecúlios transitórios, com sua consistente predominância nos bens indestrutíveis e infindáveis, no mais circunspecto discernimento dos propósitos da vontade divina. Voltemo-nos para Deus, através da Bíblia e do Livro da Criação: um feito de palavras; o outro, de coisas. Este segundo é um livro aberto diante de todos; todos o podem ler, também os que não tiveram a sorte das primeiras letras.

Na alegre confiança de que a palavra de Deus é eterna (cf. Is 40, 8), todos são chamados a percorrer o seu caminho, no decisivo e inflexível sonho, o da pessoa humana radicalmente livre e restaurada, numa generosa resposta, presumindo-se do mistério salvífico e redentor de Cristo, mas num esforço de permanente coerência, na busca dos sinais esperançosos de solidariedade, com aquela disposição interior no seu sentido mais amplo.

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).